Waves

2 Capítulo Dois


Notas iniciais
Espero que gostem!

Quando Katniss finalmente chegou em casa naquele mesmo dia, encontrou a figura pequena e esguia da mãe sentada no chão, concentrada em um livro. Os dias de folga de Johanna eram sempre assim: lendo ou simplesmente dormindo.

— Cheguei — Katniss murmurou, fechando a pesada porta de madeira atrás de si.

— Ainda bem — Johanna sorriu. — Já estava começando a me sentir solitária.

Katniss riu.

— Onde está o Marvel? — questionou, estranhando o silêncio.

— Seu pai o levou ao shopping — Johanna revirou os olhos.

— Ele ainda quer aquela camiseta do Batman? — Katniss deu uma risadinha.

— Sim — respondeu com desinteresse. — Não entendo o fascínio dele por esses heróis.

— Ele puxou para o papai — Katniss deixou a mochila florida cair no chão e se largou no grande sofá branco.

— Felizmente — Johanna suspirou e retomou a leitura. — A Madge já voltou de viagem?

— Ainda não, mãe — Katniss crispou os lábios. — Estou morrendo de saudades.

— Logo ela aparece — Johanna riu.

A mãe parecia tão jovem que muitos a confundiam com uma irmã mais velha. As duas tinham o mesmo cabelo negro, a mesma estrutura física, a mesma altura e o mesmo tom de pele. A única diferença é que Johanna mantinha os fios curtos com mechas avermelhadas, uma franja caindo sobre os olhos verdes e um temperamento explosivo — sempre foi impaciente.

Katniss herdou os olhos cinzentos e a calma do pai, Gale. Já o pequeno Marvel parecia uma cópia da mãe: olhos verdes e gênio forte, embora tivesse o tom de pele bronzeado e o cabelo castanho escuro iguais aos do pai.

— E como foi a aula, Katniss? — Johanna perguntou, apoiando a testa na mão e bagunçando a franja.

— Até que foi tranquilo — ela suspirou, exausta.

— Tem certeza? — Johanna fechou o livro, levantou-se e sentou ao lado da filha.

A mãe conhecia cada expressão da garota. Não precisava de muito para notar quando algo a incomodava.

Katniss sorriu sem ânimo, respirou fundo e contou tudo, desde o começo.

Quando terminou, Johanna segurou as mãos da filha e murmurou:

— Se é para ajudá-lo a melhorar as notas, faça isso. — Os olhos brilhavam — Você sempre se sente bem quando ajuda alguém.

— Só que ele é insuportável — Katniss reclamou.

— Sei que isso te cansa emocionalmente, mas garanto que ele pode mudar. E se não mudar… problema dele! — Johanna abriu um largo sorriso. — Quem tem o coração bom, também precisa suportar ingratidão.

Johanna sabia o quanto a filha era sensível, e isso sempre foi uma dificuldade. Qualquer detalhe a machucava. Puxou a menina pelos ombros, dando um abraço apertado.

— Vamos esquecer isso — Johanna disse ao soltá-la. — Você precisa relaxar.

Ela então puxou Katniss para o amplo quarto que dividia com o marido e ligou a enorme TV de LED, colocando um filme qualquer para distraí-las.

De um filme passaram para outro, até que anoiteceu.

Marvel e Gale chegaram animados, contando sobre o passeio. Os olhos verdes do menino brilhavam de tanta alegria, deixando mãe e irmã igualmente felizes. A família estava reunida novamente.

Mais tarde, jantaram ouvindo as piadas de Gale, e depois Katniss foi para a cama.

Não estava exatamente cansada, mas resolveu se deitar. Os pensamentos, porém, voltavam apenas para Peeta.

O garoto seria um desafio enorme — ela já pressentia. Katniss não gostava de obstáculos, mas estava disposta a enfrentá-los para ajudá-lo.

“Talvez, por trás de toda aquela frieza, exista um coração decente”, pensou antes de adormecer.





No dia seguinte, Katniss levantou no mesmo horário de sempre. Arrumou a cama, tomou banho e colocou um vestido azul midi listrado, All-Star e o relógio no pulso.

Desceu para o café da manhã, encontrando apenas o pai.

— Bom dia, Catnip — Gale saudou animado. — Preparada para mais um dia?

Katniss revirou os olhos sorrindo.

— Você nunca vai deixar de me chamar assim?

— Nem pensar — respondeu ele, divertido.

Quando era pequena, Katniss não conseguia pronunciar o próprio nome e dizia apenas “Catnip”. O apelido permaneceu.

— Onde estão a mamãe e o Marvel? — perguntou, sentando-se.

— Sua mãe já o levou à escola. E hoje é sua responsabilidade buscá-lo — disse em tom brincalhão.

— Certo, pai — Katniss riu.

Gale levantou-se e beijou a testa da filha.

— Quer uma carona?

— Não precisa — sorriu. — Vou a pé mesmo.

Ela adorava caminhar, ouvir os pássaros e observar o céu azul.

— Tenha um bom dia, Catnip — Gale sorriu e saiu, deixando-a sozinha.

Gale trabalhava como chef de cozinha, enquanto Johanna era sexóloga e atendia casais — e até adolescentes — em um consultório no centro da cidade.

Katniss terminou o suco de morango, pegou uma laranja da fruteira, guardou na mochila e deixou a casa apressadamente.

Quinze minutos depois, estava diante do imenso colégio. Entrou pelo portão e atravessou o amplo pátio.

A maioria dos alunos lançava olhares tortos — talvez pelo estilo diferente dela.

Mas isso nunca a incomodou.

Seguiu para a sala. Era cedo, mas gostava de ficar lá.

— Katniss! Não vim ontem. O que perdi? — uma garota entrou esbaforida.

— Madge! — Katniss sorriu, aliviada. — Aconteceu tanta coisa...

— Coisas boas ou ruins? — Madge perguntou, abraçando a amiga antes de se sentar.

Katniss acomodou-se ao lado da loira e contou tudo em detalhes.

Madge e Katniss eram melhores amiga desde a infância. As duas se conheceram quando Undersee, sozinha, tentava pegar borboletas, e Everdeen apenas observava de longe.

Quando percebeu a garota de olhos cinzentos olhando, Madge a convidou para brincar.

Naquele dia, prometeram amizade eterna — e cumpriam até hoje.

— Você precisa ir atrás dele agora — Madge quase gritou. — Você aceitou a proposta do diretor, então cumpra!

— Mas eu...

— Sem desculpas — a loira levantou-se e puxou Katniss. — Vai ajudar esse infeliz logo.

— E como vou fazer isso?

— Conquiste o inimigo — Madge deu de ombros.

— Isso soou muito errado — Katniss bufou.

— Se quiser conquistá-lo de outro jeito, também pode — brincou Undersee vendo a amiga corar. — Agora vamos. Vi o Mellark no refeitório.

Madge era alta, com longos cabelos loiros que caíam pela cintura, olhos verdes escondidos pelos óculos, com uma camiseta da Wonder-Woman e jeans rasgado, parecia sempre pronta para uma aventura.

Quando chegaram perto do refeitório, Undersee empurrou Katniss para dentro.

— Não quero ir sozinha... — Everdeen sussurrou.

— Você vai passar a maior parte do tempo com ele sem mim por perto. Melhor se acostumar. — Madge devolveu no mesmo tom.

O refeitório estava completamente vazio, exceto por Peeta, sentado com fones de ouvido, vestindo as habituais roupas pretas e com o cabelo loiro bagunçado caindo sobre a testa.

Um rebelde completo.

Katniss aproximou-se com cuidado.

Ele tirou os fones e lançou um olhar indiferente.

— O que você quer? Não que eu esteja interessado em saber.

— Em quais matérias você tem mais dificuldade?

— Não é problema seu — rosnou.

— Desde o momento em que o diretor pediu para eu te ajudar, passou a ser — respondeu com calma.

O loiro suspirou, contrariado.

— Tenho dificuldade nas matérias de humanas — admitiu a contragosto.

Ponto para Katniss.

Essa era a especialidade dela.

— Quando posso te ajudar?

— Quer saber mesmo? — ele soltou um sorriso sarcástico. — Nunca.

Katniss respirou fundo.

— Só tente ser um pouco mais amigável.

Peeta passou a mão pelo cabelo, deixando-o ainda mais bagunçado.

— Tá, tá — respondeu impaciente. — Pode ser quando você quiser, certo?

— Ótimo — Katniss sorriu com delicadeza. — Vamos nos falando durante a semana.

— Tanto faz — respondeu, fazendo uma careta.

Katniss sorriu mais uma vez e saiu.

Por um instante, sentiu que talvez… aquilo pudesse dar certo.

Notas finais
É isso! Espero que tenham gostado, até mais.