Waves

1 Capítulo Um


Notas iniciais
Boa leitura!


— Katniss! — Annie Cresta chamou ao ver Everdeen caminhando distraída pelo corredor.

Os saltos da garota batiam firmes no piso de mármore.

Katniss virou-se e avistou a colega aproximando-se às pressas. Alta, esguia, com cabelos ruivos que emolduravam olhos verdes, Annie trajava um vestido azul rodado e enormes saltos pretos.

Ela se aproximou da morena com cautela.

— Como líder da turma, é sua obrigação entregar os trabalhos de história — cruzou os braços.

— Sim, Annie, mas a professora nem me passou essas atividades — respondeu Katniss.

Annie levou as mãos à cintura e revirou os grandes olhos esverdeados.

— Poderia ser mais prestativa. Belo exemplo de representante! — torceu o nariz e virou as costas.

Katniss sentiu-se profundamente ofendida. Ficou paralisada por alguns segundos e depois decidiu ir atrás da ruiva. Não permitiria ser humilhada daquele jeito.

Após percorrer o corredor, encontrou Annie perto da sala, mexendo no iPhone.

— Só não entreguei os trabalhos porque a professora disse que ainda não havia corrigido — Katniss explicou, aproximando-se.

— E daí? — Annie resmungou, sem desviar os olhos do celular.

— E daí que não é culpa minha se ela ainda não corrigiu. Desconte sua irritação em outra pessoa — a voz serena de Katniss fez Cresta parar de digitar e encará-la dos pés à cabeça.

Katniss era baixinha, magra, longos cabelos negros e olhos acinzentados. Usava uma blusa branca de mangas caídas, uma saia azul estampada e um All-Star preto de cano alto. Tão delicada, que a mãe — Johanna — sempre brincava que um vento forte poderia carregá-la.

— Certo, certo — Annie suspirou. — Desculpe por ter sido grosseira. Terminei com meu namorado.

— Ah… tudo bem — murmurou Katniss, abaixando a cabeça.

Ela lembrava que desde o fundamental, Cresta namorava Finnick Odair — um dos garotos mais desejados do colégio. Eram considerados um dos casais mais belos da escola, sempre impecáveis, como se estivessem prontos para alguma festa luxuosa.

O sinal estridente interrompeu os pensamentos de Katniss, e ela percebeu que Annie já havia saído.

Caminhou calmamente pela multidão até a sala. Ao entrar, notou um tumulto.

Por causa da baixa estatura, não enxergava o que acontecia, mas ouvia xingamentos proferidos por uma voz masculina.

As têmporas pulsaram. Detestava confusão e sempre foi muito sensata, acreditando em diálogos.

Pensou em chamar o diretor Snow, porém temia ser vista como fofoqueira.

— Katniss, ânimo! — Annie disse feliz ao lado. — É a primeira vez que rola uma briga na sala.

— Não vejo graça nisso — retrucou, indiferente.

— Nada interessante acontece aqui. Pelo menos isso dá um up nesse lugar entediante.

— Chega! — uma voz autoritária ecoou, silenciando todos. Era o diretor Coriolanus Snow.

— Ih, complicou — Annie sussurrou.

— Ouvi essa bagunça do segundo andar — Snow reclamou, impaciente. — O que está acontecendo? Festa da uva?

Alguns riram, mas logo se calaram diante do olhar ameaçador do senhor.

— O que houve? — perguntou, cruzando os braços.

— Uma briga — respondeu alguém.

— Entre quem?

— Pollux Lucker e Peeta Mellark — Annie murmurou.

Katniss revirou os olhos.

Peeta era o mais problemático do colégio — até mais que o irmão gêmeo, Cato.

Ela acreditava que a rebeldia era coisa da família, até conhecer Primrose, irmã mais nova deles, uma menina de sete anos cheia de doçura e gentileza. Katniss a conheceu quando foi buscar o irmão mais novo, Marvel, na escola primária. Por coincidência, Marvel e Prim são melhores amigos.

Ficou surpresa ao descobrir que Prim era irmã de Peeta.

Naquele dia, Mellark revelou um lado carinhoso que Katniss jamais havia visto. Parecia sempre revoltado, vestido de preto, coturnos e camisetas de banda. Ainda assim, murmurou um “obrigado” antes de sair com a irmã no colo.

— Quero os dois na minha sala agora! — ordenou Snow.

Pollux saiu cabisbaixo; Peeta, erguendo o queixo, desafiador.

— O restante, aguardem a professora — completou o diretor.

Quando Cressida começou a explicar cálculos exponenciais, o quadro logo se encheu de contas para o desespero dos alunos — inclusive Katniss, que se esforçava apesar da dificuldade.

Antes que ela pudesse começar, o diretor entrou novamente.

— Com licença, Cressida — pigarreou. — Posso levar a senhorita Everdeen à diretoria?

— Claro! — sorriu a professora.

Katniss engoliu seco. Não havia feito nada. Por quê?

Quando passou pela porta, ouviu Clove Smith falar:

— Aposto que foi a Katniss quem dedurou. Fofoqueira.

— Mas ela não contou nada! Eu estava com ela o tempo todo. — Annie rebateu.

Katniss sentiu gratidão pela ruiva.

Seguiu Snow até a diretoria.

Peeta estava de pé, folheando alguns livros; Pollux, sentado diante da mesa.

— Que bom que não voltaram a discutir — comentou Snow. — Sentem-se, Mellark e Everdeen.

Katniss sentou-se ao lado de Pollux, um garoto de estatura mediana, cabelos loiros até os ombros, olhos verdes e sardas. Vestia uma camisa polo azul-marinho, jeans e um All-Star gasto.

— Não vou sentar. Prefiro ficar de pé — Peeta retrucou.

— Sente-se agora, Mellark! — o diretor levantou a voz.

Peeta bufou e sentou-se ao lado de Katniss.

Alto, loiro, de olhos azuis e pele extremamente clara, usava coturnos, jeans rasgados e uma camiseta preta do Ensiferum, com uma arte que a morena não conseguiu identificar. Quando notou que ela o observava, ergueu a sobrancelha, fazendo-a desviar o olhar.

Snow pigarreou.

— Você deve estar se perguntando o porquê de estar aqui, senhorita Everdeen.

— Sim — Respondeu ela.

— Te chamei para ajudar o senhor Mellark. É uma excelente aluna, e Peeta está com notas péssimas.

— O quê?! — Peeta explodiu.

— Silêncio, Mellark — cortou Snow. — Katniss, você será a tutora dele até o final do ano.

— Não serei tutorado por alguém que se veste feito… — Peeta a olhou de cima a baixo — …hippie.

O comentário irritou tanto o diretor quanto Katniss.

— Não tolerarei preconceito! — repreendeu Snow. — Katniss respeita seu estilo, faça o mesmo.

Peeta apenas resmungou. Pollux seguia em silêncio.

— Mellark, você terá aulas extras com Katniss. Pollux está liberado.

— E por quê? — Peeta perguntou, sarcástico.

— Porque ele não tem notas baixas nem repetências — explicou Snow. — Só levará uma advertência.

— Ótimo — ironizou Peeta. — E o que eu ganho?

— Nota, Mellark. É do que precisa.

— Você aceita, Katniss? — perguntou o diretor.

Ela queria recusar, mas não havia escolha.

— Aceito — respondeu, abatida.

— Excelente! — comemorou Snow.

— E eu não tenho opção? — Peeta protestou.

— Não, Mellark. Você fará isso.

— Que maravilha… — bufou ele.

— Estão dispensados — anunciou Snow.

Pollux saiu correndo.

Peeta já estava quase deixando a sala quando Snow disse:

— Katniss, já converse com Mellark sobre as aulas.

Peeta revirou os olhos, mas não respondeu.

— Claro, diretor — disse Katniss.

Ela suspirou ao fechar a porta.

Peeta já estava longe, caminhando apressado. Katniss correu para alcançá-lo, quase tropeçando na própria saia. Desistiu e o chamou:

— Ei, Peeta! Precisamos conversar.

Ele parou e virou-se. Os cabelos dela estavam bagunçados, as bochechas coradas.

— Hoje não, tá? — disse ele, impaciente. — Amanhã.

— Mas o diretor...

— Dane-se o diretor — cortou, ríspido. Katniss sentiu o coração apertar. — Não tenho cabeça pra isso agora.

E foi embora, deixando-a sozinha.

Katniss suspirou, imaginando como aquele seria um longo ano letivo.

Notas finais
Espero que tenham gostado, até mais!