Water
3 Três coisas azuis
Notas iniciais
resumo de water
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e
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SIUDHFSIDUHFIUSDHFIUSDHFIUSDHFIUSDFHSDIUFHDS *CORRE*
Capítulo 3:
Três coisas azuis
e eu de brinde
Eu estava me afogando.
O mar revolto arrastava meu pequeno corpo como se eu fosse uma folha. Cada vez mais fundo, meus pés já não tocavam o chão, os braços batiam desesperados, mas em vão. Entrei em pânico ao perceber que estava engolindo um pouco de água, afundando e lutando pra voltar em busca de mais um pouco de ar.
Eu teria morrido naquele dia se alguma coisa não tivesse aparecido e me empurrado de volta pro raso. Eu tinha apenas 11 anos.
Desde aquele dia eu passei a acreditar que um golfinho tinha me salvado.
Eu tinha certeza, foi um golfinho que me empurrou, me tirando dali. Por anos defendi que havia golfinhos na nossa praia, mas ninguém nunca acreditou em mim.
Hoje eu havia sonhado com essa lembrança. Algo estranho, afinal, eu mal me lembrava disso. Às vezes você esquece das coisas que não quer lembrar e é como se elas nunca tivessem acontecido.
Mas eu havia vivenciado aquele momento de novo, como se fosse de verdade. Eu senti o corpo escorregadio que deu apoio aos meus pés. Por mim eu sempre diria que foi um golfinho. Não havia outra explicação, não importa o quanto negassem.
E num piscar de olhos, tudo fez sentido.
–FOI VOCÊ! Você me salvou aquele dia...! – Levantei num pulo, apontando para o lado da cama onde ele deveria estar. Mas eu estava sozinho no quarto. Já era dia. – Uruha...?
Chamei. Não ouve resposta. Talvez tivesse sido tudo um sonho então, e nunca houve sereio nenhum. Tão simples e tentadora essa possibilidade.
Me arrumei rapidamente, apesar de ter um tempo de sobra ainda, e fui pra cozinha.
–Bom dia Yuu!
Um dia ele ainda me mata com esse sorriso.
De pé na frente do balcão, Uruha estava fazendo café. A cozinha estava impecável, sem nada da janta de ontem espalhado por ali. Realmente, eu to feito na vida agora.
–B-Bom dia... – Me aproximei meio sem jeito. Decidi não comentar sobre o sonho.
–Fiz café pra você. E torradas também. Dormiu bem? — Comentou, alegre, enquanto servia as coisas pra mim. E ainda estava vestindo o roupão de ontem.
–Obrigado, Uruha... Que horas você acordou? Não precisava se preocupar...
Apenas sorriu em resposta. Comi em silêncio.
–Vou pegar umas roupas pra você. – Falei depois de terminar, levando a xícara e o prato para a pia.
–Yuu, posso ir com você hoje...? – Pediu. Carente. Lindo. Perfeito.
Eu sei que eu tinha dito que faria qualquer coisa. Eu sei. Mas simplesmente não podia levar ele pro trabalho comigo.
Não que fosse perigoso, mas a questão é que ele ainda era um peixe. Já podia ver ele grampeando os dedos, fazendo fiasco ou escaneando a bunda na fotocopiadora.
–Hm... hoje não, tá? Outro dia eu levo você junto, ok? Enquanto isso, continue aprendendo hoje. Vou te mostrar meus DVDs, tenho alguns filmes e animes aqui, se não tiver nada interessante passando na TV. E... e se achar que já sabe como fazer, pode usar meu computador.
Usar um computador seria um grande passo pra ele. Mas se ele realmente aprende rápido assim...
–Tudo bem. – Concordou, sem parecer decepcionado por nenhum momento. – O que vai querer pra janta? Já deixo a lista com você pra trazer quando voltar. Se quiser que eu cozinhe, é claro.
Que tal arriscar? Quero descobrir até onde vai essa capacidade de aprendizado dele. Vamos ver no que vai dar.
–Rámen. O japonês, não o instantâneo. Acha que consegue?
–Claro. – Ele sorriu e começou a fazer a lista num bloquinho de notas.
Então além de saber fazer ele também sabia de cor os ingredientes?
Deixei ele concentrado escrevendo e fui separar uma roupa. A situação ali em casa andava tão estranha que eu nem estranhava mais.
–Deixei as roupas pra você em cima da cama. E, viu, não precisa ficar arrumando as coisas se não quiser, tá? Eu arrumo quando voltar.
Ele me entregou o papel e eu mostrei onde ficavam meus DVDs e o computador.
–Se divirta. Vou indo.
–Tenha um bom dia. Pode deixar que eu me viro sozinho.
–Yuu. — Eu já estava com as chaves na porta da frente quando ele me chamou de novo.
–O quê?
–Você tá lindo.
CARALHOS VOADORES URUHA, POR QUÊ? POR QUÊ?
Fiz algum tipo de aceno com a cabeça e saí quase correndo, fechando com força a porta atrás de mim. O que foi isso!?!? Por que ele tinha que ser tão... perfeito?
Trabalhei.
Palavra que aqui significa: fiquei sentado na minha cadeira comendo e mandando os outros fazerem um monte de coisa. Tentei me ocupar para que o dia passasse mais rápido dessa vez.
Depois, passei no mercado pegando tudo que dizia na lista de caligrafia impecável e mais uma pizza congelada caso meu peixe não seja um chef especialista em rámen e dê tudo errado. E também, um estoque de pelo menos 10 sacos de sal de cozinha.
Cheguei em casa ansioso. Encontrei um Uruha sentado na frente do meu computador e a TV ligada ao lado em um canal de notícias internacionais. Tudo muito sexy.
Veio ansioso me cumprimentar. Mas dessa vez não me abraçou. Droga, por que eu fui fazer aquela cara ontem? Eu queria outro abraço...
–Então, aprendeu a mexer no computador? – Perguntei, tentando espiar o que ele estivera fazendo.
–Sim. E vi animes também. – Mais uma vez ele estava parecendo diferente. Me olhava nos olhos de um jeito tão intenso que eu não conseguia respirar.
–...E-É? Qual você mais gostou? – Larguei a sacola do mercado em cima da mesa, tentando não ficar nervoso. Algo quase impossível perto daquela criatura loira tão linda.
–Junjou Romantica.
Me engasguei com minha própria saliva.
O QUÊ?? COMO ASSIM EU NÃO TINHA ESCONDIDO MINHA COLEÇÃO COMPLETA DA VERSÃO SEM CENSURA DE JUNJOU?1??1!/;!?1? COMO ASSIM FOI O QUE VOCÊ MAIS GOSTOU, SEU VIADO SEM VERGONHA!/?/!?1??
Que tal então tentar comigo o que você aprendeu, gato?
Risque essa última frase e coloque uma camisa de força em mim.
–Hm... E-Eu também adoro Junjou... – Gaguejei. – Quer ficar na banheira um pouco? É cedo pra fazer a janta ainda e você precisa de energia.
–Ahh... – Resmungou. – Eu queria começar agora... e assim você não vai poder tomar banho...
–Não tem problema, eu espero. Você vai pra banheira agora sim senhor. Não quero te ver desmaiar de novo.
–Tá bom, eu vou. Só deixa eu guardar as coisas que você trouxe. E dessa vez não vai demorar muito.
Enquanto ele guardava as coisas, comecei a encher a banheira.
Não fazia nem dois dias e pra mim já parecia praticamente rotina. A presença do loiro era completamente normal, e eu não me sentia desconfortável com ele, só constrangido mesmo, às vezes. Era como se ele fosse meu amigo há muito tempo. Naquele dia eu não havia pensado nem uma única vez no Hitsugi. Até agora, ao lembrar do incidente de ontem.
Deixei a torneira aberta, a água morna, quase fria, enchendo o ofuro, e rasguei um saco de sal, despejando o conteúdo lá dentro. Uruha apareceu.
–Testa pra ver se tá bom? – Perguntei, enquanto misturava a água e o sal com os braços.
Ele colocou a mão dentro dá água, pensativo, e disse que estava bom.
–Vamos aproveitar esse tempo então pra conversar. Vou sair pra você tirar a roupa e entrar na água e depois volto.
–Espera. – Ele chamou enquanto eu lhe dava as costas. – Yuu... você acha meu corpo bonito?
–V-V-Você quer dizer... seu corpo de sereio...? A cauda e tudo...?
–Não... meu corpo humano...
–Hm... Ah.... Hã... Hm... C-Claro... c-claro que sim... – Hesitei, desviando o olhar.
–Eu te deixei constrangido com essa pergunta? Me desculpe por isso. Mas foi por que não queria admitir que me acha atraente ou por que eu te incomodo mesmo?
Ele era da mesma espécie do Sheldon Cooper por acaso?
–E-Eu não queria admitir. Você é perfeito Uruha, não duvide disso. Agora eu vou ali fora ok? – Nem esperei sua resposta e saí correndo mais uma vez, o coração acelerado.
Afundei o rosto nas mãos, ainda sem entender o que havia acontecido. Por que ele mexia tanto comigo?
Voltei para o banheiro depois de uns cinco minutos. O loiro já estava acomodado no ofuro e na sua forma verdadeira.
Subi os degraus de madeira e sentei na borda, perto dele.
–Então. Aprendeu muita coisa hoje? Tem perguntas? – Me forcei a esquecer da cena de antes.
–Aprendi sim... aprendi coisas sobre sentimentos também... e... ah, lembrei o que eu ia perguntar. É frustrante pra você ser um trouxa?
....
Hã?
–Tá me xingando ou o que...?
–Não! É que eu sou uma “sereia”. Você é um trouxa. Já quis alguma vez ser um bruxo?
Agora tudo fez sentido.
–Você assistiu Harry Potter hoje, é?
–Sim. Hogwarts é um lugar tão legal, se eu fosse humano ia querer ser um bruxo e ter estudado lá. Ou numa das escolas do Japão, porque deve ter também... – Comentou, empolgado.
–Espera... Uruha... Você tá achando que a história é de verdade...? – Me segurei pra não rir. Então havia um defeito na sua super inteligência. Sua inocência.
–E não é...? – Perguntou desolado.
–Não, Uru. Não existe magia. – Acabei de dizer pra uma maldita sereia que não existe magia. Wait. – Quer dizer... talvez exista né... mas enfim, é chato ser um trouxa mesmo.
Entrei no jogo pra não deixá-lo se sentindo muito burro.
Ficamos em silêncio por um tempo, ele ainda parecia estar pensando sobre o assunto. Sua cauda se movia ritmadamente, fazendo barulho na água. Como um cachorro balançando o rabo.
–Ah. No fim de semana vamos sair comprar roupas pra você e ir na praia também. Já tá com saudade do mar?
–Sim, tenho saudade de nadar... mas ficar aqui com você é infinitamente melhor... ah é, outra coisa que eu queria perguntar... posso te chamar de Aoi?
–Aoi? Por quê? – Hein?
–Porque tudo que eu amo é azul. O mar é azul, o céu azul, minha cauda é azul... e você é tão calmo e lindo quanto minha cor preferida. Então eu queria te chamar de Aoi... se você não se importar...
Depois dessa declaração, eu ia brisar por um mês. Cada dia ele ficava mais apertável, perfeito e incrível. Era a primeira vez que alguém de dava um apelido. Além de Preto e derivados.
–Pode ser... – Sorri, tímido. Ele ficou satisfeito.
–Acho que já posso sair agora. Quero ir fazer logo sua janta. Me ajuda...?
–Faz assim. Tira a tampa do ralo. Quando o ofurô esvaziar você volta ao normal e consegue sair sozinho.
Eu recusando a oportunidade de abraçar por trás um loiro gostoso totalmente nu, tsc, vê se pode, tô virando gente.
É que dessa vez eu não me responsabilizaria pelas consequências, sabe.
Ele concordou, um pouco desapontado, e eu saí do banheiro, o deixando sozinho com uma muda nova de roupas e uma toalha.
Mais tarde, ele fez o rámen que havia prometido, e ficou... maravilhoso. Um dos melhores que já comi. Ele podia até abrir um restaurante se quisesse.
Conversamos mais um pouco enquanto eu comia, e ele começou a pegar no sono. Fazia algumas horas que o sol havia se posto então já estava bem tarde pra ele mesmo.
Fiz ele ir pra cama, e quando deitou, dormiu instantaneamente. Desse jeito nunca poderíamos passar uma madrugada colados de suor balançando a cama. Novamente ele parecia uma criança, tendo que ir dormir cedo.
Voltei pra sala e desliguei a TV que tinha ficado ligada até agora, só fazendo barulho de fundo, esquecida, e então lembrei que o computador também havia ficado ligado.
Decidi ficar checando meus e-mails e fazendo alguma coisa pois não queria ir dormir ainda. E, o acordo mútuo é que dormiríamos juntos de novo. Ontem eu havia ficado me coçando pra abraçar ele. Caralho. É muita tentação.
Liguei o monitor e havia uma página da internet aberta.
Ai meu deus.
Uruha tinha feito um tumblr.
… … …
E não bastava ele ter feito um tumblr, mas todos seus posts e reblogs eram coisas melosas apaixonadas.
Fucei tudo até a primeira página, não tinham muitas ainda, e só então percebi.
Que tudo aquilo era sobre mim.
Vai se fuder seu peixe de luxo, puta que pariu, agora sim que eu entro em pane.
Desliguei o computador imediatamente, meu velho XP insubstituível, e fui pro sofá ver TV, tentando assimilar o que havia visto. Nem arrisquei espiar o histórico por medo do que mais poderia encontrar.
Eu não conseguia deixar de pensar que ele era apenas um criatura misteriosa tentando desenvolver emoções humanas. Ele podia até ser realmente apaixonado por mim como parecia, mas nunca seria humano. Determinado a aprender como “ser” um humano, parecia não se importar com nossa diferença. Mas não conseguia enxergar o abismo que havia entre nós. Eu devia continuar deixando isso me impedir de gostar dele?
Por um lado eu estava assustado por todo aquele carinho. Eu nem lembrava o que era ter alguém que gostasse de mim. E na verdade acho que ninguém nunca me tratou tão bem assim.
E por outro eu não sabia se podia me deixar corresponder ou não. Pensar que não fazia nem uma semana que eu conhecia ele não ajudava muito.
Mesmo que ele aprendesse tudo direitinho, que se “naturalizasse” como humano, como um japonês, eu não sabia se seria capaz de ignorar nossas diferenças. De um jeito ou de outro, ele sempre precisaria da sua hidratação diária, e o fato de ele nunca comer me dava nos nervos.
Acabei decidindo continuar neutro, analisando os dois lados. E alguns dias depois, acabei muito grato por isso.
Eu ainda não sabia uma coisa que mudaria tudo.
Notas finais
http://twitpic.com/6kw9ql
Dica 1: tem coisas importantes que o Uru não contou ainda
Dica 2: não vai ter pov do Uru só pra eu matar vocês de curiosidade até o final IARAIARIA
Dica 3: próximo capítulo vamos descobrir uma dessas coisas~
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