Notas iniciais
Pois é. Eu falei que ia postar na segunda, mas faltam apenas alguns minutos pra segunda então, acho que vale como se fosse não?
Passei o final de semana escrevendo, as coisas estão ficando tão confusas que nem mais eu sei o que vai acontecer.
Como sempre, peço que 1-) não esqueçam de salvar a nova página da WATCK, onde essa fanfic será publicada a partir de dezembro provavelmente: watck . tumblr. com e 2-) deixem recados, recomendem, contem pras amigas, quero todo mundo lendo watck e fazendo dela real.
Ah! Para esse episódio (ou capítulo, mas gosto de chamar de "episódio") coloquei alguns links de objetos e fotos. :D Espero que gostem, mas é algo que não costumo fazer muito, por que eu prefiro deixar vocês imaginarem as coisas. Mas, esses episódios tem essas coisas bem específicas que eu queria que vocês vissem.
Agora chega de falar!
Lov u!

(Trilha sonora — Abertura ♪ Fun ft Janelle Monáe — We Are Young)


Ana escutou a buzina e a voz de Zayn gritando seu nome do lado de fora de casa. Agarrou suas últimas malas e desceu a escada correndo.

–Eu não sei se ir pra Paris agora é uma boa ideia –A mãe estava parada no fim da escada, olhando pras malas de Ana no chão. –Vocês estão quase na semana de provas e...

–Mãe, eu já te expliquei –Ana suspirou, tentando ver se não tinha esquecido nada, olhando pras cinco pequenas e velhas malas espalhadas no chão. Precisava de dinheiro pra comprar uma mala maior, mas a mãe nunca ia dar dinheiro pra malas, afinal, a viagem mais longa que ela tinha feito era ter passado uma semana em Bath, que ficava basicamente a 30 minutos de Bristol.

–Não, isso não está certo. Acho melhor você ficar.

–Mãe! O Zayn já está me esperando ai fora com o pai dele! Já conversamos disso e agora a Every me comprou as passagens e reservou o hotel e tudo mais. Estou indo mãe. –Ela começou a recolher as malas do chão e tentar equilibrar todas elas nos ombros. –Nós vamos todos os anos e todos os anos você faz a mesma coisa. Você conhece todos meus amigos, não sei por que ainda implica com isso.

–Conheço, mas eu sei como é essa idade, drogas, e tudo mais com garotos em volta –Ela queria dizer sexo. Ana bufou. Mal sabia a mãe que sexo era a última coisa que ela tinha que se preocupar. Ana mal beijava os garotos, quanto mais fazia sexo com algum deles.

Ana abriu a porta e viu o taxi do pai de Zayn ali parado, com Zayn olhando pra ela do banco do passageiro e o pai dele do outro lado, do lado do motorista. Ele sorriu ao ver ela, abrindo a porta e correndo ajudar com as malas.

–Você precisa mesmo de tudo isso? –Zayn perguntou, abrindo a porta de trás do carro preto e jogando as malas no banco.

–Eu não tenho uma mala maior, então espalhei tudo nessas bolsas e na mochila da escola. –Ana suspirou desanimada. Ela queria ter uma mala bonita, daquelas de rodinha, pra poder ir pra Paris chique como devia. Mas Zayn nem pareceu ligar. Bateu a porta e olhou pra mãe de Ana.

–Olá senhora Lines, como vai? –E ele apertou gentilmente a mão dela. Ela quase nem respondeu, ainda olhando pra Ana e parecendo apreensiva.

–Ana, por favor, se comporte. E me ligue quando chegar lá. –Ela foi dizendo, enquanto Ana dava a volta no taxi e entrava no banco de trás.

Depois de ainda dar instruções e dizer “Cuidado com os meninos!”, fazendo Ana morrer de vergonha, o taxi finalmente saiu.

–Quando ela disse cuidado com os meninos, eu estava incluso? –Zayn perguntou, fazendo Ana dar risada.

–Zayn, não seja desrespeitoso –O pai dele interviu –Ana, sua mãe tem razão. Eu já falei pro Zayn, e volto a repetir. Vocês são jovens, e acham que a vida não tem consequências, mas ela tem. Bem duras. Não acabem com a juventude de vocês em troca de algumas horas de algo que vocês acham que é o máximo. Nada de sexo, nada de drogas, nada de conversar com estranhos ou ficar andando pela rua tarde da noite...

Ana se afundou no banco e Zayn também suspirou. Pelo visto ele tinha escutado o mesmo discurso que Ana tinha escutado de sua mãe.

Os pais eram todos iguais?



_Mãe, estou indo!

Every ficou alguns minutos em silêncio, esperando a resposta da mãe, mas não escutou nada. Bufou, chateada. Pelo menos a mãe podia descer por cinco minutos para dizer tchau para a filha que ia passar dois dias fora em seu aniversário?

Every enfiou o resto das coisas, carteira, óculos esculos e documentos de qualquer jeito em sua bolsa Chanel branca e suspirou de novo. Olhou pras escadas e decidiu ir atrás da mãe.

Subiu os degraus acarpetados correndo.

_Mãe, você está ai? _Ela foi falando pelo corredor, enquanto arrumava as pulseiras douradas em seu pulso. Já estava pronta pra sair e o motorista já tinha colocado tudo no carro e estava esperando lá fora. _Já estou saindo pra Paris...

Ela parou na frente do quarto e bateu devagar.

Ninguém respondeu.

Então ela girou a maçaneta e entrou no quarto.

Ouviu o barulho do chuveiro ligado atrás da porta do banheiro.

_Mãe?

_Every? _Ela escutou a voz da mãe lá dentro.

_Mãe, estou saindo. Vou pra Paris.

_Tudo bem! Deixei um presente pra você em cima da cama!

Every se virou e viu a pequena caixinha preta aveludada em cima da confusão de lençóis desarrumados. Foi até lá e abriu a caixinha, vendo um lindo conjunto de brincos de esmeralda. Eram tão verdes que pareciam pretos.

Ela suspirou, enfiando a caixinha no bolso e saindo pela porta.

Desceu as escadas correndo, tentando lembrar se não tinha deixado nada pra trás. Não podia se esquecer dos documentos, e da carteira, afinal, ninguém ia ter dinheiro pra salvar eles se não fosse ela. Caminhou pra cozinha onde tinha deixado a bolsa com a cabeça pensando na lista de coisas que estava levando, quando deu de cara com Thomas.

_Ei Every!

Ela parou, assustada. Ele estava ali, vestindo suas roupas justas, tomando calmamente um copo de suco de laranja.

O pai de Every apareceu atrás dele.

_Querida, você está ai?

_Estou de saída _Every resmungou, quase sem olhar pra ele, pegando a bolsa em cima da bancada e virando as costas.

_Ei, calma! _O pai dela disse. Ele parecia ridículo vestindo bermudas brancas, camiseta polo rosa e um suéter branco pendurado nos ombros. E ele estava com o mesmo bronzeado que Thomas... _Me deixe desejar um feliz aniversário.

Every parou e deixou o pai a abraçar, sem nem se mover.

_Eu preciso mesmo ir pai... o Marco já está lá fora me esperando _Every resmungou, doida pra se soltar.

_Não tem tempo nem pro seu presente?

Every suspirou, e viu Thomas correr até uma sacola branca ali do lado. Ele puxou uma caixa branca, com o logo da Harrods, embrulhada numa fita pink. Ela apoiou a caixa na bancada de mármore da cozinha e tirou a fita, puxando a tampa.

Lá dentro estava a mais ridícula e inapropriada bolsa em formato de bolo de aniversário, inteira cravejada de pedras de cristal da Judith Leiber.

_Não é linda? _Thomas sorriu, e olhou pro pai de Every, que parecia muito orgulhoso.

Every apenas olhou pra eles, um pouco chocada.

Como eles podiam imaginar que ela usaria algo assim?

Every apenas devolveu para a caixa e colocou ela embaixo do braço.

_Obrigado. Agora tenho que ir.

Ela virou as costas e saiu, antes que o pai ou Thomas pudessem dizer algo. Escutou o pai murmurar algo, mas não quis saber. Rumou decidida pra porta, e o motorista estava ali. Ela ficou muito grata que ele estava de prontidão e correu pra porta do carro quando ela apareceu e a abriu, assim ela pode entrar e respirar fundo.

O motorista entrou na frente do carro e logo eles estavam dando a volta pelo jardim e saindo pelos portões.

Every olhou pra caixa do seu lado, agora a tampa estava pendente e ela podia ver a bolsa brilhando lá dentro.

_Ei Marco _Ela se apoiou no banco da frente, se aproximando do motorista _Meu pai me deu essa bolsa e eu nem gostei tanto _Ela jogou a caixa casualmente no banco do lado de Marco. Ele deu uma olhadinha pro lado _Eu sei, ela é horrível, mas vale quatro mil libras. É só colocar ela pra vender no Ebay.

Ela voltou a se sentar no seu banco, olhando pra paisagem.

_Ele só queria agradar senhorita Goethe... _Marco disse com uma voz doce do banco da frente, olhando pra Every pelo espelho retrovisor.

Every suspirou, sem coragem de olhar pra Marco.

Não que ela acreditasse nele. É só que ela queria mesmo que fosse assim.



Liam desceu as escadas equilibrando sua mala de couro nos ombros e a pequena mochila nas mãos. Estava tentando pensar se não tinha esquecido de nada e estava meio distraído, mas assim que olhou pra sala viu a mãe falando com Every baixinho.

Ela parou de falar no mesmo instante, olhando pra Liam ali parado no pé da escada e fez aquela cara que Liam bem conhecia.

–Mãe, você não estava tentando convencer a Every a cancelar a viagem né?

–Liam, eu e seu pai, nós não...

–Mãe! –Liam a interrompeu, mas decidiu baixar a voz, chegando mais perto dela –Nós já conversamos sobre isso. Todos nós, eu, você, o papai, o Dr Dank e a Dra Patricia. Eles disseram que é bom que eu vá! Nós vamos todos os anos, nada mudou!

Mas quando ele falou aquilo, ele percebeu que sim, algo tinha mudado.

Então ele suspirou, passando a mão no cabelo curto. Ele entendia a mãe, mas ela precisava começar a parar de se preocupar. Ela não podia sufocar Liam pelo resto da vida dele por causa de um erro que ele tinha cometido.

–Escuta mãe – Ele puxou ela pro lado, se afastando de Every, que ainda estava ali no meio da sala esperando por ele, falando baixinho, olhando bem nos olhos dela –Eu não vou fazer aquilo de novo. Prometo.

Sua mãe estava com uma cara chorosa, então ele abraçou ela e a confortou.

–Vou só tentar me distrair. São só dois dias, logo eu estou de volta. O número do hotel está anotado, e a Every já te passou os quartos e o endereço. Eu não vou estar sozinho.

A mãe pareceu aceitar, e Liam pegou suas coisas. Era melhor sair dali logo, antes que ele também desistisse daquilo, por que pra falar bem a verdade, ele também preferia ficar em seu quarto, dormindo, do que ir pra Paris com os amigos e ter que ficar fazendo de conta que estava bem.

Ele não estava bem.

Mas ninguém podia saber daquilo. Então ele olhou pra Every e acenou com a cabeça.

–Vamos?



Harry, Louis e Niall estavam sentados nos bancos da sala de espera da estação de trem, comendo um sanduíche que tinham comprado em uma daquelas máquinas automáticas que ficavam no saguão. Harry e Louis dividiam um suco de caixinha e Niall tomava uma cerveja, apenas por que dizia que estava indo pra Paris e que ia fazer o que quisesse naquele final de semana, incluindo tomar cerveja no café da manhã.

Harry tinha dormido na casa de Louis para não perder a hora. Não havia nada pra comer por lá (Louis nunca lembrava de comprar nada), por isso aquele era o segundo sanduíche que ele comia. Estava morrendo de fome.

Das outras vezes que foram para Paris, Ana ficava o ligando pra ver se ele estava mesmo acordado e depois ia pra casa dele, para os dois irem juntos pra estação. Ela não deixava ele perder a hora, e Harry adorava dormir até tarde.

Mas naquele ano, ele não estava falando com Ana, então decidiu ir dormir com Louis. Louis sempre acordava cedo, então não tinha perdido a hora. Surpreendentemente, quando saíram, encontraram Niall sentado em cima de sua mala, na calçada, esperando os dois.

Agora os três estavam na estação, esperando os outros chegarem no horário combinado.

–É estranho, eu nunca sou o primeiro a chegar –Niall suspirou, fazendo uma bola com o plástico da embalagem do sanduíche e acertando uma lata de lixo como se ela fosse uma cesta de basquete.

–As coisas estão mudando – Louis respondeu despreocupadamente, os pés pra cima apoiados no topo da sua mala de rodinhas, dando uma mordida no seu sanduíche.

– Já estão aqui? Pela primeira vez em anos não temos que ficar esperando alguém e não vamos perder o primeiro trem? –Every surgiu atrás deles, com Liam ao seu lado.

–Estávamos falando nisso agora mesmo – Niall sorriu orgulhoso, por que era sempre ele que se atrasava e fazia os outros perderem o trem. Louis olhou pra ele e sorriu, como se aprovasse.

_Bom, estamos todos aqui, só falta a Ana e o Zayn. Eles iam vir juntos? _Every dirigiu a pergunta para Liam, mas Harry escutou e sentiu no mesmo momento o sanduíche na sua barriga revirar.

Ainda não tinha pensado naquilo. Zayn e Ana ainda não estavam ali. Zayn E Ana. Então era com ele que Ana ia chegar? Ela tinha o que, substituído Harry por Zayn assim tão rápido?

Será que ela também tinha ficado ligando pra ele pra não perderem a hora? Será que eles também iam dividir um taxi, e será que ele também ia encostar a cabeça no ombro de Ana, sonolento pelo caminho, assim como Harry fazia?

Aquilo estava deixando ele bem incomodado e de repente ele se viu desejando que Ana chegasse depressa e secretamente torcendo pra que ela aparecesse sozinha.

Sozinha e sentindo falta de Harry.

Ele sabia, ele que estava dando um gelo nela, afinal, ela tinha feito ele de bobo e tinha aparecido com aquele cara naquele carro, um cara que eles nem conheciam! E ela nunca respondeu as mensagens que ele mandou naquele domingo, ou falou qualquer coisa sobre aquilo. Harry não ia ficar fazendo papel de idiota. Ele não era idiota.

Então tinha ignorado Ana desde então. Mas ele só queria que ela viesse atrás dele e pedisse desculpas e explicasse qualquer coisa, e não que ela aceitasse que ele não falasse mais com ela e começasse a andar com Zayn ou com qualquer outra pessoa.

Com Zayn? Zayn e aquele cabelo ridículo e aquela mecha descolorida?

De repente, como se completasse o pensamento dele, Ana e Zayn surgiram caminhando, ele carregando algumas das bolsas dela, os dois parecendo entretidos numa conversa. Ana segurava um livro e mostrava algo pra Zayn, que observava o livro em suas mãos. Então ela levantou os olhos e seus olhos encontraram os de Harry, olhando pra ela ao longe.

Ele desviou os olhos, com um pouco de raiva.

Droga. Ela estava mesmo com Zayn.

Ele não quis mais olhar, então ficou olhando pro outro lado, pra parede de vidro da onde podia ver os trens lá embaixo, parados na plataforma. Escutou a voz dela quando ela se aproximou e de Zayn, cumprimentando Liam, Louis, Niall e Every. Ele falou oi pra Harry, mas Harry só fez uma careta e continuou olhando pro vidro, como se nem ligasse pra eles.

Ana só olhou pra Harry, que parecia distante, olhando pela parede de vidro e mal tinha virado o rosto e decidiu ficar quieta e não falar nada. Deixou ele quieto e mostrou o guia de Paris que tinha comprado naquela semana para Liam e Every.

Das outras vezes que eles tinham ido pra Paris, todos ficavam contentes de ficar no hotel muito chique que Every reservava. Eles pulavam nas camas, usavam todos os roupões, tomavam banho nas banheiras cheias de espuma e pediam comida no quarto. Só saiam do hotel pra entrar no taxi e ir até o restaurante onde jantavam e depois entravam no taxi de novo em direção a balada de sempre, o Olímpia.

No caminho, ás vezes passavam na frente da Torre Eiffel e viam ela iluminada de dentro do taxi. Só.

Mas agora Ana queria mesmo visitar alguns lugares e aproveitar a cidade, não queria só ficar no hotel. Ia ser pouco tempo, então ela comprou um guia e achou dois lugares que ela queria muito visitar, o museu do Louvre e a torre Eiffel. Tinha mostrado pra Zayn o guia naquela semana, e ele tinha falado que ia junto se ela também fosse visitar o Moulin Rouge e Ana aceitou.

Agora Ana tentava mostrar pra Every e convencer os outros que eles também deviam ir ao invés de passarem dois dias trancados no hotel.

–Olha, eu não sei, mas ficar tomando banho de banheira pra mim parece muito melhor que visitar um museu chato –Louis resmungou quando escutou Ana.

–Mas o Moulin Rouge foi boa! –Niall sorriu e deu um soquinho em Zayn, que também deu uma risadinha maliciosa –Será que tem aquelas francesas dançando por lá? Será que elas ficam peladas?

–Eu espero que sim! –Zayn sorriu e os dois ficaram dando empurrões um no outro como quem diz “Você é um safado!”

Every virou os olhos, entediada daquela coisa de meninos, e olhou pra Liam.

–Seria legal visitar a torre durante o dia né? Talvez tirar umas fotos.

Liam só deu os ombros, parecendo meio distante.

Nesse momento, começaram a anunciar o embarque pra Paris, então todos foram pegando suas malas. Zayn e Niall ainda estavam conversando sobre o Moulin Rouge, e Liam agora ajudava Every a pegar todas passagens em sua bolsa. Ana foi pegando suas coisas e olhou pra Harry, que continuava distante e calado, agora levantando e pegando suas malas no chão. Ela suspirou. Precisava ir até ele. Eles precisavam logo resolver aquela besteira de estar sem se falar.

Louis viu Ana olhando pra Harry e suspirando, ameaçando ir na direção dele. Ele estava de costas, pegando sua mala e não viu. Louis então se aproximou dele depressa.

–Está tudo bem ai? Quer ajuda?

–Não –Ele respondeu desanimado. Louis olhou pra Ana, e agora ela parecia ter desistido da ideia e andava em direção aos outros sozinha.

– Vamos lá então.



Ana ficou sentada na poltrona do corredor. Niall estava do seu lado, e Zayn estava sentado na janela. Os dois agora olhavam pro guia procurando outras coisas e ainda conversavam entre si. Liam e Every estavam sentados na frente dos três, em silêncio, assistindo a conversa entre Niall e Zayn. Tinham deixado algumas bolsas empilhadas no banco vago e ocupavam uma daquelas poltronas triplas que são viradas de frente pra outra.

Louis e Harry estavam do outro lado do corredor, em uma fileira pra frente, sentados em poltronas normais e enfileiradas. Harry estava sentado no corredor, e Ana podia ver seu rosto dali. Ele conversava com Louis, que estava sentado ao seu lado. Um cara de terno estava sentado do lado de Louis, na janela.

Ana se pegou olhando fixamente pra Harry, pensado sobre o por que ele estava distante.

–Ana!

Ela estava distraída e nem percebeu e viu que Zayn a chamava.

–Ei, acorda. Estamos te chamando! –Ele reclamou, parecendo nem notar que ela estava olhando pra Harry –Você acha que esse bairro fica longe de onde vamos? –Ele apontou algo pro guia –Tem uma loja de equipamentos de skate que é bem famosa lá.

–Podemos procurar –Ana respondeu, ainda meio desconcentrada.

Zayn pareceu satisfeito, continuando a falar com Niall.

Ana suspirou.

Não ia mais olhar pra Harry, mas só ia dar uma última olhada. Levantou os olhos e se assustou, por que agora ele olhava pra ela. E diferente das outras vezes, ele não desviou o olhar do dela. Aqueles enormes olhos verdes, aquele ar de quem queria dizer algo, que queria muito dizer algo. Seus lábios, rosados, quase entreabertos. Mas ela não tinha mais coragem, então desviou o olhar e voltou a olhar pra Niall e Zayn e não olhou mais pra Harry pelo resto da viagem.



–Não, vamos primeiro comer alguma coisa! –Niall entrou na recepção do hotel empurrando sua mala velha.

–Você só pensa em comer –Louis resmungou, se sentando em um daqueles carrinhos dourados usados pelos carregadores de mala. Harry foi empurrando ele devagar pelo saguão.

–Eu estou com um pouco de fome também –Liam murmurou, olhando pra um folheto que tinha pego no taxi e tentando adivinhar o que ele dizia. Não sabia nada em francês, apenas um “Merci”.

Os sete entravam agora no salão daquele hotel enorme e luxuoso. Eles podiam se sentir um pouco deslocados, mas não. Conheciam aquele hotel e ficavam ali há dois anos. Era tempo o bastante pra se sentir em casa, então nem ligavam para todos os executivos e todas mulheres cheias de joias a sua volta e todos usando roupas chiques e falando baixo em francês (que era uma língua que deixava qualquer um parecendo ainda mais metido).

–Vamos primeiro deixar as coisas nos quartos e então saímos pra comer – Every respondeu, um pouco confusa, como uma mãe com muitos filhos.

–Eu quero comer aqui! –Louis reclamou. –Lá fora está frio!

–Tudo bem! –Ela bufou –Dessa vez cada um faz o que quiser, desde que todo mundo esteja aqui as sete pra gente ir jantar. Eu já fiz reserva no L’ Avenue. _Ela se aproximou do balcão da recepção_ Bon Jour –Ela cumprimentou o senhor de trás do balcão. –Reserva de três quartos, em nome de Goethe.

–Goethe...Goethe. Sim, mas temos cinco quartos reservados para Goethe –O homem respondeu, com seu sotaque francês, olhando no computador.

–Não. Só pedi três quartos. Every Goethe.

O homem continuou olhando para tela do computador, ai sorriu.

–Oh sim, Senhorita Goethe. Me desculpe. As outras duas reservas estão no nome de outra pessoa. –O senhor pegou alguns cartões magnéticos dourados, com o nome do hotel e os números dos quartos impressos –Aqui estão suas chaves, quarto 520, 521 e 522.

–Obrigado –Every pegou os cartões e reuniu os amigos em volta dela. –Pessoal, os cartões. Vamos nos dividir.

Liam estava perto dela e falou um pouco baixo, mas sem ligar muito se alguém ia escutar.

–Dessa vez, se você não se importasse, eu queria dividir o quarto com você.

Geralmente Ana e Every ficavam juntas num quarto, só as meninas, e os meninos dividiam dois quartos entre eles (sem muita ordem, já que na hora de dormir cada um dormia na primeira cama que achava). Mas Liam não queria dividir um quarto com os meninos daquela vez. Eles sempre eram barulhentos, e todo mundo ficava um pouco mais empolgado que o normal quando estava longe de casa. E os meninos não aceitavam um “não” como resposta. Every não, Every estava tão triste quanto ele, e ela estava o ajudando tanto, que mesmo que fosse um pouco egoísta pedir aquilo, Liam não pode evitar.

Every olhou pros outros, mas todos estavam em silêncio, como se esperassem a resposta, olhando pra ela.

–Por mim tudo bem. –Ela respondeu, por que não ligava mesmo. –Ana, tudo bem se eu ficar com o Liam?

Ana abriu a boca para dizer que tudo bem, mas então percebeu que não era muito bom não. Com quem ela ia dormir? Louis olhou pra Harry, meio tenso. Viu Harry pensando em algo.

–Eu posso dividir o quarto com você Ana –Zayn disse, inocentemente cortando o silêncio, pensando em não deixar Ana sozinha, já que percebeu que ela ficou meio perdida pensando com quem ela ia dividir o quarto se não fosse com Every.

–Ótimo! Eu e Harry ficamos no outro quarto! –Louis disse depressa.

–Ei! E eu!? –Niall choramingou.

–Você pode ficar no nosso quarto –Zayn passou o braço pelos ombros dele, o empurrando pra perto de um jeito carinhoso.

Harry estava parado, ainda meio assustado, como quem observa algo acontecer depressa demais e não consegue interferir.

–Ótimo. Aqui estão as chaves do quarto triplo –Every estendeu a chave e Zayn pegou. –E o quarto de vocês –Every deu a chave pra Louis. –Agora vamos subir logo que até eu estou com fome.

Harry olhou pra Ana, pegando a chave das mãos de Zayn e conversando com Niall e Zayn, e por um minuto pensou que ele podia ter dividido um quarto com ela. Isso provavelmente resolveria as coisas, mas agora era tarde demais.



–Ótimo, uma cama de casal e uma de solteiro –Niall reclamou, assim que entrou no quarto. Ana e Zayn pararam atrás dele, vendo a cama gigantesca e a outra cama menor do lado.

–Para de ser fresco –Zayn o empurrou, entrando no quarto –Essa cama é tão grande que nós três podíamos dormir nela e ainda convidar mais umas cinco pessoas pra dormir com a gente.

–Putz, eu espero mesmo achar umas cinco meninas pra dormir aqui.

–Ei! Nada de meninas dormindo aqui! –Ana resmungou, puxando suas malas e fechando a porta.

–Tudo bem. Ana, você pode dormir na cama de solteiro e eu e o Niall dividimos a cama grande.

–Ei! –Niall reclamou. –Eu não vim pra Paris pra dormir com um cara!

Zayn deu um soquinho em Niall pra ele parar de reclamar.

–Ela é a garota. –Zayn resmungou. Não ia pedir pra Ana dividir a cama com ele ou com Niall. Mas Niall parecia não ter problemas com isso.

–Exatamente! Eu e a Ana dormimos na cama grande e você dorme na menor! –Niall resmungou, agora com a voz meio esganiçada. Pelo visto ele era mesmo contra a ideia de dormir na mesma cama com outro garoto.

–Niall, esse seu machismo é bem bobo –Ana suspirou.

–Bobo por que não é você que vai dormir na cama com outra garota.

–Eu sempre durmo com a Every!

–Hum, isso é algo que eu queria ver –Niall deu um sorrisinho, e levou um tapa de Ana.

–Eu vou pedir pra trocar de quarto. Não vou aguentar dois dias com vocês –Ana suspirou.

–Tudo bem! Ana, você dorme com o Niall na cama? –Zayn suspirou, tentando decidir aquilo de uma vez.

–Durmo –Ela deu de ombros, enquanto abria uma de suas malas procurando um casaco. Não se importava em dormir com Niall, aquilo era besteira. Como se Niall fosse tentar a agarrar no meio da noite.

Se tentasse, levava um soco.

–Pronto. Resolvido. Satisfeito Horan?

Niall resmungou algo, mas Zayn fez que nem escutou.

–Agora vamos sair logo ou não vamos conseguir visitar o que queremos! –Zayn completou, com uma voz empolgada. Ele não queria falar, mas na verdade, nem ligava de ir passear. Só que ele sabia que Ana estava esperando por aquilo, então queria a deixar feliz.



–Vamos ver como a Every está –Louis cruzou o corredor com Harry atrás dele. Os dois tinham deixado as malas no quarto e agora iam começar a perturbar os outros.

–Vamos chamar o Niall –Harry resmungou atrás dele, mas Louis fez de conta que não ouviu e parou na frente do quarto de Every, batendo na porta.

–Serviço de quarto senhores! –Ele falou bem alto, ignorando Harry ao seu lado, que parecia meio contrariado. –Foi daqui que pediram dois strippers? –Ele gritou mais alto.

–Eu até que podia querer uns strippers mais tarde –Louis escutou a voz masculina e aveludada ao seu lado. Conhecia aquela voz. Virou o rosto e viu Max, o irmão gêmeo de Every cruzando o corredor –Quanto é a hora?

Louis deu um sorriso falso.

–Nosso serviço é apenas para pessoas recomendadas.

Max parou perto dele. Perto demais. Se apoiou na parede de braços cruzados, com aquele sorriso cínico que ganhava de Louis. Aquele sorriso de quem sabia de algo, de um segredo, como se tivesse tirando uma da sua cara.

Louis sentia vontade de bater em Max quando ele dava aquele sorriso pra ele.

Mas antes de sua vontade aumentar, a porta se abriu e Every apareceu.

–Louis, pelo amor de Deus, o corredor inteiro não tem que escutar suas perversões... –Mas ela parou no meio da frase quando viu Max ali do lado.

Ela ficou em alguns minutos em silêncio, olhando pro irmão, que usava um casaco e calças escuras, um cachecol vinho em volta do pescoço, os cabelos tão loiros que eram quase brancos, os olhos azuis cruéis. Ele parecia ter saído direto da capa de alguma revista. E ele parecia ter saído de lá só pra provoca-la.

–Max? O que você está fazendo aqui?

–Feliz aniversário pra você também irmãzinha.

Ela bufou.

–O que você está fazendo aqui? –Ela voltou a repetir, querendo sua resposta.

–Ei! É meu aniversário também! E Paris é uma cidade livre.

–Por que? Você odeia Paris nessa época. Sempre diz que é frio demais. Você sempre vai pra Espanha, ou pra Nova York no seu aniversário.

–Mas esse ano eu quis vir pra Paris e ver você! –Ele sorriu, e Every sabia que era mentira. –E olha só, encontrei dois strippers. –Ele olhou pra Harry e Louis. Louis virou os olhos, parecendo entediado.

–Entrem –Every deu espaço e Louis e Harry entraram no quarto, deixando Max e Every sozinhos –Max, eu não sei o que você quer aqui em Paris, mas isso não vai dar certo...

–Relaxa Every. Ok? Você precisa relaxar. Eu estou aqui com meus amigos, não vou atrapalhar. Só vim dar um oi.

Every não acreditou muito naquilo, por isso continuou com sua pose durona quando Max tentou a abraçar e a amaciar. Agora se culpava por que não tinha percebido aquilo quando o recepcionista do hotel mencionou outra reserva pra alguém com o mesmo sobrenome dela.

–Relaxa irmãzinha – Max beijou ela. Ela tentou continuar brava com ele, mas amava seu irmão, mesmo sabendo que ele tramava alguma coisa.

_Tudo bem. Mas nada de confusões ok? Fica com seus amigos que eu fico com os meus.

_Claro _Max disse baixinho, ainda abraçado com ela _Eu só vim buscar um presente mesmo...

Every se distanciou dele e olhou pra ele como se soubesse exatamente do que ele falava.

_Você...não..

_Re-la-xa _Ele suspirou de novo e a beijou entre os cabelos. _Estou no andar de baixo. Quarto 420 se precisar de algo. Te vejo mais tarde! _E saiu andando despreocupadamente pelo corredor, as mãos no bolso.



Cinco minutos depois que Max foi embora, alguém bateu na porta do quarto de Every. Harry e Louis ainda estavam lá, os dois sentados na ponta da cama, tentando escolher algo no cardápio enquanto Liam estava deitado na sua cama, trocando os canais da TV gigante da parede.

–Ei, eles também tem camas de solteiro! –Niall reclamou, assim que colocou os pés no quarto e viu as duas camas de tamanho considerável, uma do lado da outra.

Zayn e Ana surgiram atrás dele.

–Vocês não tem cama no quarto? –Every perguntou.

–Temos uma cama de casal e uma de solteiro –Niall respondeu desanimado, se jogando deitado na cama de Every que estava vazia.

Harry sentiu seu coração dar uma pontada quando escutou aquilo. Olhou na hora pra Ana e Zayn parados de pé, quase a sua frente.

–Mas eu vou dormir com a Ana, já aviso! –Niall completou depressa, pra que ninguém pensasse que ele ia dormir com Zayn. Harry quase soltou um suspiro de alívio.

–Você não vai dormir comigo –Ana sorriu, sentado na cama do lado de Niall –Vai dormir na minha cama.

–Eu nunca dormiria com você –Niall respondeu de um jeito mal criado.

–Ahn? Por que não? –Ana resmungou. Não que ela quisesse dormir com Niall, mas ninguém gosta de ser rejeitado assim, gratuitamente.

–Não liga pro Niall, ele gosta de garotas feias –Zayn respondeu desligado, pegando um cardápio com o logo do hotel e dando uma folheada. –Eu dormiria com você.

–Ahnnnnnnn!!!! –Every e Niall deram um gritinho juntos, fazendo Zayn e Ana ficarem vermelhos. Harry de novo parecia com aquela expressão de quem está vendo as coisas acontecerem depressa demais e não sabe o que fazer, enquanto Louis apenas parecia entediado. Liam não podia evitar um sorriso.

–Não! Eu não quis dizer isso. Não, eu... argh! Vocês são muito pervertidos. –Zayn se emburrou.

–Pervertidos? Você disse que ia dormir com ela, então nós só escutamos –Every sorriu, sentando na cama onde Liam estava.

–Eu não quis dizer isso. Ana, eu não quis dizer isso, te respeito, você sabe. –Zayn se preocupou.

–Deixa eles Zayn. Eles são bobos – Ana tranquilizou ele, se levantando e segurando na sua mão. –Viemos só chamar vocês para irem dar uma volta com a gente, mas já que vocês estão tão engraçadinhos, vamos deixar vocês ai!

–Eu não vou mais com vocês – Niall falou de sua cama, cobrindo o rosto com o boné como se fosse tirar um cochilo –Vou deixar o casal sozinho para andar por Paris.

Ana foi até Niall e deu um tapa em seu boné que voou longe.

Niall estava rindo.

–Ei, meu boné!

–Anda logo, vamos –Ela o puxou da cama.

–Calma! Zayn, olha sua namorada me batendo.

–Ha há há –Zayn disse com uma careta –Muito engraçado. Anda logo Horan, ou vamos te deixar no meio de Paris sem as calças.

–Ninguém mais quer ir? –Ana olhou pros quatro ainda sentados. Liam fez uma caretinha balançando a cabeça.

–Tá frio lá fora –Louis se dignou a falar sem nem olhar pra ela –Vamos ficar aqui.

Every olhou pra Harry e Louis. Era ridículo como Louis controlava Harry.

–Eu vou ficar com eles –Every suspirou. Zayn e Niall já andavam pelo corredor fazendo barulhos e brincando de soquinho. Every aproveitou e se distanciou um pouco com Ana, a levando até a porta.

–Ei, Ana –Ela disse baixinho, e a amiga olhou pra ela –Tá tudo normal entre você e o Zayn?

–Você também Every? –Ana respondeu alto.

–Shiii!–Every fez um sinal pra ela falar baixo –Eu só quero saber. Só isso.

–Por que? Parece que as coisas não estão normais? –Ana respondeu um pouco na defensiva.

–Não. É só que ele e você... vocês estão começando a parecer você e o Harry. E você sabe que você sentia algo a mais pelo Harry...

–Eu sei, mas eu não sinto nada a mais pelo Zayn! Ele é meu amigo!

–Eu sei. Mas e o Zayn? Será que ele não está sentindo algo mais?

–O Zayn é o cara mais sossegado que a gente conhece Every!

–Tem certeza? Todos nós nos apaixonamos uma hora ou outra. E olha pra mim. Eu costumava ser a pessoa mais sossegada daqui e olha o que o Ed fez comigo...

Ana fez uma carinha de dó e abraçou Every.

–Estou falando sério Ana. _Every tentou se livrar do abraço.

–Every. Pare com isso. Eu estou te interrogando sobre você e o Liam por acaso?

–Nem vem dona Lines. É com-ple-ta-men-te diferente! Eu estou ajudando o Liam. Não tem nada entre a gente!

–E não tem nada entre eu e o Zayn! Every, o Harry está sendo um babaca, ele nem olha mais pra mim! Você estava fora, o Liam estava fora. Sobrou eu, o Zayn e o Niall! E por mais que eu ame o Niall, você sabe que ele não é o tipo de pessoa que dá pra contar se você quer ir num cinema e conversar um pouco.

Ana tinha razão. Every esperava que fosse só aquilo mesmo, por que por algum motivo, ela tinha aquela sensação esquisita que as coisas estavam só começando a se complicar. Aquela sensação esquisita que ela e Liam tinham sido só as primeiras vítimas de um romance ruim, e que Zayn, Ana, Harry, Louis e Niall estavam na fila. Restava saber quem ia ser o próximo.

–Tudo bem. –Every suspirou. –Mas cuidado. E estejam de volta antes das sete para o jantar. Não me deixem no dia do meu aniversário.

Ana sorriu e beijou Every no rosto.

–Seu aniversário é só amanhã, e nós te chamamos para vir com a gente, você que não quis.

_Ana...

_Nós vamos estar lá Every. Eu nunca te desapontaria.



–Eu não acredito que eles ainda não chegaram...–Every disse chateada, fechando a porta do quarto. Eram sete e meia, e Zayn, Ana e Niall ainda não tinham voltado. Ela e Liam já estavam prontos, e Harry e Louis também. Todos tinham tomado banho e vestido suas roupas de festa.

Every estava com o cabelo preso e um vestido justo e roxo, bem bonito, usando brincos de esmeraldas que sua mãe tinha deixado pra ela de aniversário.

Liam usava um blusão cinza bonito e calças jeans escuras, mas parecia ainda pouco animado. Louis usava uma jaqueta marrom gasta com pele por dentro, e o cabelo arrumado com gel, apontando para todas direções. Ele parecia mais lindo e feroz do que nunca. E Harry, sempre muito bonito e como roupas muito legais, numa calça justa escura, camisa branca e um paletó cinzento.

–Acho que você vai ficar com frio – Harry disse assim que viu Every aparecer na porta. Ela voltou e pegou um casaco de couro branco que tinha trazido, e quando foi fechar a porta de novo, ouviu o elevador se abrir e Niall surgindo, falando alto. Zayn e Ana saíram logo atrás deles, os três conversando.

–Eu não acredito que vocês se atrasaram! –Every falou alto, vendo eles se aproximarem.

–Nós nos perdemos! –Ana respondeu, dando risada. Zayn também dava risada, como se eles tivessem acabado de contar uma piada.

–A Ana nos perdeu! –Niall gritou, também rindo – Ela diz que sabe pra onde vai, mas não confiem nela!

–Foi você que quis seguir aquele homem comendo crepe para perguntar onde ele tinha comprado e fez a gente se perder! –Ana o culpou, e Zayn continuou rindo.

Os outros não davam risada. Apenas pareciam bravos. Every tentava respirar fundo e não cancelar aquele jantar.

–Não vamos esperar vocês, senão vamos perder a reserva. Se arrumem e peçam pro taxi deixar vocês no L’Avenue, ok? _Ela tirou uma nota de cinquenta euros e deu na mão de Niall.

–Tudo bem.

–L’Avenue! Ana, você escutou? Os meninos vão esquecer.

–Eu posso ficar esperando vocês se vocês quiserem... –Harry disse, olhando pra Ana. Ana também olhou pra ele e por um segundo ela pensou que ele queria dizer algo, mas Every interrompeu.

–Não precisa Harry, você também não sabe onde é. _Every estava nervosa demais para perceber qualquer coisa, então agarrou a mão de Harry e o puxou _Nós vamos indo. NÃO SE PERCAM! –Every respondeu, arrastando todos pelo corredor em direção ao elevador.

Harry deu uma ultima olhada em Ana, que também olhou pra ele sem entender muito. Mas então o elevador chegou e Every empurrou todo mundo pra dentro, deixando ela, Zayn e Niall ali no corredor sozinhos.

–Alguém lembra o nome do restaurante? –Ana suspirou quando o corredor ficou silencioso novamente.

Zayn e Niall se olharam, e então começaram a rir.



–Eu sinto muito estar estragando seu aniversário – Liam disse baixinho, quando os quatro foram acomodados na mesa reservada pra Every.

Era um restaurante muito chique, escuro, com velas iluminando tudo, bem cheio, o som das pessoas conversando ao redor. Louis e Harry estavam empolgados por que tinham visto uma atriz de cinema sentada a algumas mesas de distância, então nem escutavam o que Liam e Every conversavam.

Ela passou a mão dela sobre a dele em cima da mesa e sorriu.

–Você não está estragando nada Liam. Eu estou feliz de estar aqui com todos vocês. E é bom pra você, pra gente fazer alguma coisa.

Liam então ficou quieto, ainda se sentindo incomodado. Não queria estragar o aniversário de Every, ainda mais dela, que estava sendo uma tremenda amiga. Ela merecia o melhor aniversário do mundo, e não ficar ali, tendo que cuidar dele. Liam estava se sentindo culpado desde que Ana, Zayn e Niall saíram e Every preferiu ficar com ele. Obvio que era mais divertido ter saído para conhecer Paris do que ter passado a tarde vendo filmes na TV e pedindo coisas no serviço de quarto, escutando Louis e Harry discutirem pelas coisas como um casal de velhinhos.

–Quero que você se divirta, só isso. Não quero que você ache que tem que ficar cuidando de mim por dois dias –Liam resmungou.

–Eu não acho que tenho que ficar com você, nem estou “cuidando” de você Liam. Estou apenas te fazendo companhia. Afinal, melhor ficar com você do que ficar todo empolgado por causa de uma atriz de cinema! –Every respondeu alto, tentando chamar a atenção de Harry e Louis.

Os dois finalmente olharam pra ela e pararam de olhar pra garota.

–O que? –Harry perguntou, obviamente muito entretido na atriz de cinema.

Every só bufou, sem responder. E nesse momento, viu alguém que ela conhecia entrando no restaurante. Lá estava Max, seguido de seus amigos. Eles tinham presença e até a garota famosa parou pra olhar os quatro ali.

A hostess levou eles até uma mesa, próxima da de Every. Não do lado, mas próxima o suficiente para que Every conseguisse ver ele dali.

–Que foi? –Liam perguntou.

–É meu irmão.

Liam olhou pra Max, numa mesa próxima. Ele pedia algo pra garçonete sem nem ligar pra Every.

–Que tem ele? _Liam fez uma cara confusa.

Every suspirou. Não podia contar tudo pra Liam, então deixou pra lá. Viu Ana, Zayn e Niall aparecendo na porta do restaurante, a hostess guiando eles até a mesa. Liam se distraiu vendo os amigos, e Every aproveitou pra não tocar mais no assunto de Max.

–Nossa, se eu soubesse que era um restaurante tão chique eu teria vestido um terno – Niall brincou, sentado na cadeira ao lado de Liam. Ele usava calças claras e uma camiseta azul, e tirou o boné, tentando arrumar o cabelo.

–Você está ótimo – Every sorriu pra ele. _Mas vocês estão atrasados_ Ana e Zayn se sentaram do outro lado, nas duas cadeiras vagas entre Every e Harry.

_Desculpe _Ana se sentou do lado de Every e a abraçou, encostando a cabeça em seu ombro com carinho. Zayn sentou ao lado de Ana, entre ela e Harry. E Harry ficou olhando pra eles, pensando que Ana podia ter se sentado ao seu lado. Se fosse a dois meses atrás, ela sentaria do seu lado. Droga, ele sentia muita falta dela.

Zayn disse algo pra ela enquanto abria o cardápio, algo tipo “Nossa, estou com fome” e ela olhou pra ele sorrindo e os dois começaram a ver o cardápio juntos, conversando perto, o rosto iluminado pelas velas. Harry queria puxar Zayn dali. Queria que tudo voltasse como era antes.

Ana e Zayn começaram a contar algo que tinha acontecido aquela tarde pra Liam, que escutava com atenção e Niall entrou na conversa, completando a história com animação. Harry nem escutava o que eles falavam, ele só observava a maneira como Ana olhava pra Zayn com atenção enquanto ele falava, e como ela sorria, e como ela completava a história dele.

Os dois agora tinham histórias, e ele sentia aquela coisa dentro dele, apertando.

–Ei, tudo bem?

–Ahn?

Ele se virou e deu de cara com os olhos azuis de Louis olhando pra ele bem perto, com uma cara meio preocupada.

–Como?

–Perguntei se está tudo bem. Você está agarrando o garfo como se fosse matar alguém.

Harry olhou pra sua mão e percebeu que segurava mesmo o garfo com força. O soltou na mesa, tentando relaxar.

–Tudo bem, tudo bem. Eu só estava pensando que esse jantar está chato.

–Nem me fale –Louis suspirou, voltando a olhar o cardápio. Ana e Zayn estavam contando aquela história chatíssima sobre o Moulin Rouge e Louis só queria pedir logo sua comida. Olhou em volta procurando o garçom.

Então seus olhos se encontraram com Max, sentado a algumas mesas de distância. Max sorriu quando o olhar dos dois se encontrou, e manteve o olhar no dele, como se fosse uma daquelas pessoas que te chantageiam por que sabem algo de você.

Louis fez um olhar bravo pra ele e virou o rosto. Harry de novo estava parado olhando pra Zayn e Ana. Louis pensou que podia dar uma garfada em Harry a qualquer momento, por que ele era um completo idiota.



–Nossa, esse frango estava uma delícia – Zayn suspirou, comendo a última garfada –Eu pediria outro.

–Vamos pedir mais um? Eu divido com você! – Niall respondeu do outro lado, sem nem ter terminado seu prato. Liam sorriu enquanto tomava um gole de sua água. Os outros estavam dividindo um vinho e Niall tinha pedido uísque (ainda no seu plano de aproveitar o máximo para beber em Paris).

–Eu aceito! –Zayn disse, já chamando o garçom.

Ana aproveitou e pediu o cardápio de novo pra procurar por alguma sobremesa. Eles sempre pediam sobremesas e o restaurante colocava uma vela em cima da sobremesa de Every para eles cantarem parabéns. Ana adorava sobremesas, ainda mais em Paris onde todas elas eram tão diferentes e elaboradas. Em Bristol, as sobremesas sempre eram sorvetes ou tortas. Ou tortas com sorvete.

–O que você vai pedir? –Ela escutou a voz de Harry, e olhou pra ele, sentado depois de Zayn. Zayn nem notou, estava entretido discutindo com Niall sobre qual prato iam pedir. Mas Harry olhava pra ela, os olhos verdes brilhando com a luz das velas da mesa. Ele parecia genuinamente interessado, e tão doce quanto qualquer coisa do cardápio.

Ela sentiu o rosto corar um pouco. Não esperava por aquilo.

–Eu...ahn... eu pensei em pedir esse tarte de banana trufado. Não sei o que é isso, mas parece bom.

Ele deu um sorriso, as covinhas em seu rosto aparecendo.

–É uma torta. –Ele respondeu.

–Droga. Tanta coisa pra escolher e eu escolho uma torta.

–Eu vi algo com chocolate e morango. Você adora chocolate e adora morango, devia escolher isso.

–É, eu adoro chocolate e morango – Ela respondeu, sentindo algo dentro dela sugando seu ar. Ela adorava quando ele falava assim, como se conhecesse todas as pequenas coisas sobre ela.

–Se você quiser, eu divido algo com você – Zayn se colocou na conversa, não de um jeito grosseiro, já que ele estava sentado entre os dois. _O Niall decidiu que vai comer o prato sozinho.

Harry fechou a cara, mas Ana não percebeu, por que olhou pra o cardápio gostando da ideia de dividir a sobremesa com alguém.

–E o que você vai pedir? –Ana perguntou, ainda olhando pro cardápio.

–Pode escolher.

Harry mordeu os lábios nervoso. Era a primeira conversa que tinha com Ana em dias e Zayn estava estragando tudo.

–Quer pedir mais alguma coisa? –Louis perguntou, e Harry olhou pra ele.

–Que?

–Pedir alguma coisa.

–Não, eu quero ir embora –Harry respondeu emburrado, olhando pra porta.

Louis continuou tomando seu último gole de vinho tinto olhando pra Harry. Ele estava começando a ficar cansado de Harry passar a viagem toda emburrado por causa de Ana e Zayn. Supostamente, ele devia estar esquecendo de Ana e deixando ela ser amiga de quem ela quisesse e devia estar se divertindo com Louis, mas tudo que ele fazia era encher o saco e reclamar.

Louis estava cansado daquilo. Queria mesmo é voltar pro hotel e dormir e depois ir pra casa. Aquela viagem já tinha dado o que tinha que dar.

–Vou no banheiro –Louis se levantou. Qualquer coisa pra sair dali por pelo menos alguns minutos.



Louis fechou a torneira, se olhando no espelho do banheiro enquanto a agua escorria em seu rosto. Pegou uma das toalhinhas de pano com o logo do restaurante que ficavam numa pequena pilha e esfregou pelo rosto, meio cansado. Quanto mais será que aquela noite ia durar?

Uma das portas dos reservados se abriu e de repente, Max apareceu ali.

O que ele estava fazendo ali?

Louis ficou tenso, mas Max foi até a pia ao seu lado sem nem olhar pra ele, como se não o tivesse visto. Abriu a torneira e lavou as mãos, se virando pra pegar uma toalhinha ali do lado.

Depois se olhou no espelho e começou a arrumar seu cabelo perfeitamente jogado de lado, ainda sem dar sinal de ter visto Louis ali, parado praticamente ao seu lado na pia. Louis continuava tenso. Não queria conversar com Max, não queria falar nada, por isso tentou continuar fazendo de conta que não tinha visto ele ali também. Jogou a toalha na caixa do canto da pia e foi em direção a porta.

–Então, como está sua noite? –Max de repente perguntou, ainda olhando pro espelho e arrumando o cabelo. Se ele e Louis não estivessem sozinhos no banheiro, Louis ia achar que ele estava falando com outra pessoa.

Mas Max tinha percebido que Louis estava ali. Tinha percebido desde o começo.

Louis parou no meio do caminho, e fechou os olhos, sem que Max pudesse ver. Olhou por uns segundos para a porta imaginando que podia simplesmente fazer de conta que não tinha ouvido e sair dali. Mas não conseguia.

–Está tudo bem –Ele respondeu, com um pouco mais de raiva na voz do que queria. Queria na verdade soar como alguém que não dava a mínima.

–Que bom, por que parece que você não esta se divertindo.

Louis sentiu que estava pressionando os dentes uns contra os outros. Se virou e olhou pra Max, que ainda olhava para o espelho despreocupadamente.

–Por que? Você por acaso está me observando?

Max apenas sorriu e também se virou e olhou pra ele, se apoiando na pia.

–Eu gosto de observar você –Max disse. Aquilo soou um pouco mais como uma confissão que uma provocação. Pra Louis, foi pior do que se ele tivesse o provocado.

–Então pare de me observar, seu esquisito.

Max soltou um sorriso engasgado, como se Louis estivesse sendo patético.

–Somos todos esquisitos Louis.

Os dois ficaram se olhando, Louis sentindo seu sangue ferver e vontade de finalmente poder dar o soco que sempre quis em Max, e Max parecendo muito tranquilo e seguro de si.

–Bom, espero que você realmente tenha uma boa noite. –Max finalmente disse, e jogou a toalhinha de canto, passando por Louis em direção a porta. Louis segurou a respiração, a mão se fechando. –Ah, Louis. Só um aviso. –A voz de Max disse, atrás de Louis. Louis nem quis virar. Continuou parado, de costas pra Max.

Então, Max se aproximou, colocando a mão sobre o ombro de Louis e falando próximo ao seu ouvido.

–Ele nunca vai ser seu.

Louis se afastou como se Max tivesse o dado um choque. Agora seu sangue fervia e se Max não sumisse depressa, Louis ia acabar com a noite dele.

–Do que você está falando sua...

Ele parou no meio da frase, e Max levantou a sobrancelha.

–Sua?

Louis respirou fundo.

–Max, não me enche o saco. Some logo daqui.

Max balançou a cabeça, sem tirar aquele sorriso idiota do rosto. Ah! Louis queria tanto tirar aquele sorriso idiota do rosto dele com um belo soco naquele nariz arrebitado, mas não podia. Não ali. Era aniversário de Every, e ele não queria socar o irmão dela bem naquele dia. Ia ter que esperar outra oportunidade pra aquilo, e a oportunidade ia chegar, mais cedo ou mais tarde, por que Max estava pedindo tanto por aquele soco...

–Eu e meus amigos estamos indo embora. –Max tirou a carteira do bolso, e puxou um cartão preto. –Esse é meu celular. –Então ele colocou o cartão sobre a pia– Me liga quando você decidir tentar isso com alguém que saiba o que quer.

Deu uma ultima olhada pra Louis e sumiu pela porta.

Louis ficou parado, a respiração pesada ecoando por todo o banheiro vazio. Então olhou pro cartão, ali na pia, como se aquilo fosse algo que só estivesse ali para o provocar. Estava tão nervoso que precisava por pra fora.

Deu um grunhido e socou a parede com as duas mãos. Ficou ali, com o rosto colado na parede, a garganta apertada, o coração batendo depressa e muita raiva. Alguém entrou no banheiro, então ele se afastou da parede e foi pra pia. Jogou mais água no rosto, e respirou fundo.

E então olhou de novo pro cartão, ainda ali, encarando ele.



–Ei, o que foi? –Harry perguntou, quando Louis sentou do seu lado, com uma toalha enrolada no punho.

–Nada. Sem querer bati a mão no banheiro.

–O que? –Harry olhou pra mão de Louis e viu os ossinhos vermelhos, com um pouco de sangue –Louis, o que você fez?

–Nada Harry! Nada! –Louis respondeu alto, de um jeito rude – Me deixa em paz. Niall olhou pros dois.

–Ei, que tá rolando?

–Nada! –Louis respondeu nervoso. –Parem de me encher o saco.

–Calma cara!

Every ouviu a voz de Louis alta e parou no meio de sua sobremesa, olhando pra ele. Ele parecia meio perturbado. E o que era aquele pano amarrado na sua mão?

Ela então olhou pra mesa de Max. Agora ele e os amigos se levantavam, prontos pra ir embora. Max deu uma ultima olhada pra mesa da irmã, mas não olhou pra ela. Olhou pra Louis. E Every viu que Louis também olhou pra ele por cima do ombro, com a cara fechada.

Every então suspirou fundo, pra se controlar, e deu uma colherada em sua sobremesa. Não ia arrumar uma confusão, mas tinha impressão que seu irmão não estava cumprindo o que tinha prometido. Ela sabia muito bem o que Max queria, e pelo olhar de Louis, algo havia acontecido.



–Estava uma delícia! –Zayn abraçou Every e a beijou na testa, enquanto todos eles estavam na calçada na frente do restaurante, esperando dois taxis para levar eles pra balada e se encolhendo de frio.

–Ei! Já é meia noite! Já é seu aniversário! –Niall disse empolgado, pulando. Aquilo ajudava a esquentar um pouco. –Parabéns pra vocêêêê!!! Nessa dataaa queridaaa!

–Ah! Vocês já cantaram pra mim lá dentro! Parem com isso!

–Muitas felicidadessss! Muitos anosss de vidaaaa! –Liam, Ana e Harry completaram o coro no meio da calçada, na frente do restaurante chique, batendo palmas e cantando o mais alto que podiam.

–Viva a Every! –Zayn gritou, bem quando os dois taxis pararam na frente deles.

_Tá tá tá. Eu já entendi! Feliz aniversário pra mim! Agora entrem logo no taxi que eu tô congelando!



Niall foi o primeiro a entrar no clube. Tudo escuro, o som no volume máximo, tocando música eletrônica. A decoração toda em preto e azul, as paredes com neon prata iluminando tudo, os sofás pretos, o chão que tinha pequenas luzes que piscavam, as garçonetes usando asinhas pretas nas costas e decotes enormes.

–Estou no paraíso?

Zayn apareceu atrás dele, segurando Ana pela mão, e sorriu, passando a outra mão pelo ombro do amigo.

Liam e Every vinham atrás, ele ajudava ela a guardar a carteira de volta na bolsa e carregar seu casaco. Louis e Harry eram os últimos.

–Vem, temos um lugar reservado. –Every tentou falar mais alto que a música, indo na frente dos outros que a seguiram até um sofá num canto, separado da pista por uma divisória baixa e um segurança.

Eles ganharam pulseirinhas pretas e um balde com mini champanhes foi colocado na frente deles sem eles nem pedirem.

–Oba! –Niall pegou a primeira –Bebida de graça.

Liam e Every se ajeitaram no sofá. Louis que ainda parecia incomodado com algo ficou ali de pé. Harry se sentou no sofá, também parecendo entediado.

Niall, Ana e Zayn estavam conversando, e Zayn deu uma garrafinha pra Ana.

–Ei, vamos dançar? –Zayn de repente gritou pra Liam e Every, fazendo um sinal e apontando pra pista, e depois outro sinal como se mandasse eles se levantarem.

Liam e Every olharam um pro outro, esperando que um deles se animasse, mas os dois definitivamente não pareciam querer levantar dali tão cedo.

–Depois! –Every respondeu com uma careta preguiçosa.

Zayn então olhou pra Harry, que também fez uma careta como se dançar fosse a pior ideia do mundo. Zayn se aproximou de Louis e perguntou algo, mas Louis pareceu não aceitar também. Então Zayn foi até Ana e Niall e os três sumiram em direção a pista de dança.

Harry bufou, balançando os pés, parecendo impaciente.

–Ei, tudo bem? –Every perguntou, pousando a mão sobre o joelho dele. Aquilo fez ele parar de balançar as pernas.

Ele só balançou a cabeça dizendo que sim. Se levantou e foi até Louis. Pareceu perguntar algo, mas Louis também não quis ir com ele, então Harry se distanciou sozinho, indo em direção ao bar.

Every ficou olhando pra Louis ali parado, checando a pista de dança como se procurasse por alguém. Ou quisesse ter certeza que alguém não estava ali.



–Vodca com energético, por favor. –Harry pediu pra garota peituda que veio lhe atender. Ela nem deu muita bola, pegou o cartãozinho dele, passou na máquina e lhe devolveu, colocando um copo na sua frente e enchendo com vodca, e deixando a lata de energético ali. Harry também nem tinha percebido direito a garota, a cabeça longe dali, cheia com pensamentos confusos.

Harry abriu a latinha, despejando um pouco na bebida. Bebeu um pouco, e estava bem forte. Talvez fosse melhor assim. Deixou a latinha de energético ali de lado, quase cheia e ee distanciou do bar, olhando em volta.

Aquela noite definitivamente não prometia muito. Louis estava estranho, Every e Liam não pareciam querer sair do sofá, Niall, Zayn e Ana estavam grudados um no outro e ele tinha sobrado sozinho, e cara, ele odiava ficar sozinho!

Viu o cabelo loiro de Niall brilhando na pista. Ele pulava feito um doido, e Zayn e Ana olhavam pra ele e davam risada, comentando algo entre eles. E quando eles falavam, Zayn enterrava sua boca entre os cabelos de Ana, próximo ao seu ouvido pra ela poder escutar. A música ficou mais forte, e Zayn pegou Ana pela cintura e os dois dançaram meio próximos por alguns minutos.

Droga.

Harry olhou pra porta, cogitando a possibilidade de ir embora, dando mais um gole na sua bebida.

Então viu aquela garota olhando pra ele. Cabelos cacheados e compridos, loiros, e uma carinha bonitinha, com olhos castanhos e um nariz pequeno. Ela era um pouco magra demais, mas tudo bem, por que ela olhava pra ele e sorria daquele jeito que as garotas sorriem quando estão paquerando com um garoto bonito.

Ele apenas bebeu mais um pouco do seu copo e se virou, olhando de novo pra pista. Ana e Zayn ainda dançavam juntos.

Então virou o rosto e foi na direção da garota.



(Trilha sonora — Louis ♪ The XX — Intro)

Louis deu a volta na pista, procurando por Harry.

Era melhor ele se distrair e não deixar Max estragar sua noite com aquelas besteiras. Ele tinha ficado procurando pra ver se Max não estava ali, se ele não tinha seguindo eles ou qualquer coisa do tipo, pronto pra estragar a noite de vez. Se ele visse Max ali, ele ia socar ele. Ia e não ia nem ligar pra Every.

Mas Max não estava ali.

Era hora de relaxar, beber algo com Harry e esquecer aquilo.

Mas agora que Max tinha dito aquilo, Louis não queria ficar sozinho com Harry. Não queria confundir nada, não queria que os outros pensassem qualquer coisa. Pensou que era uma boa ideia arrumar alguma garota naquela noite e levar ela pro hotel. Talvez Harry também quisesse aproveitar e arrumar alguém, já que ele sempre gostava da ideia de estar com alguma garota.

Louis olhou em volta do bar, mas Harry não estava por ali. Louis foi ver perto da porta, onde havia alguns sofás e um pessoal sentado. Então viu Harry com uma garota em cima dele, parecendo o engolir. Ele estava sentado, e ela sentada no colo dele, de costas pra Louis, o beijando.

Louis suspirou, e ficou olhando aquilo por alguns minutos.

A voz de Max apareceu na sua cabeça. “Ele nunca vai ser seu”.

Louis não pode evitar de dar um grunhido nervoso, como se estivesse xingando Max por entrar em seus pensamentos e bagunçar tudo. Ele precisava organizar aqueles pensamentos. Ele não aguentava mais, nem ele mesmo se entendia. Quando ele via Harry, ele queria que Harry fosse só seu e de mais ninguém, mas será que ele gostava de Harry daquele outro jeito?

Será que ele gostava de alguém daquele outro jeito?

Louis precisava sair dali. E não queria saber de ninguém, era melhor ficar sozinho. Aquela noite tinha acabado pra ele.

Foi em direção a porta, e entregou o cartão zerado pra recepcionista que deixou ele sair. A noite de Paris estava gelada, e as pessoas ainda andavam pela rua. Louis sabia o caminho pro hotel, então foi andando até lá.

No silêncio, ele tentava fazer de conta que não escutava aquela voz dentro dele, que agora começava a ficar mais e mais alta. Ele nunca tinha parado para pensar naquilo, mas de repente, era tudo tão claro e era tudo que ele conseguia ter na cabeça.

O que estava acontecendo?

Quando chegou na recepção do hotel, aquela ideia tinha tomado conta dele. Ele sentia seu corpo gritando. Ele sentia como se tivesse bebido, mas estava apenas confuso. Confuso com ele mesmo.

E ele queria saber, afinal de contas, o que ele era?

Quem ele era?

Pegou a chave na recepção e subiu pro quarto.

Suspirou, se sentando na cama e olhando pro telefone em silêncio.

Sua mão se estendeu em direção ao aparelho, mas ele parou no meio do caminho.

–AhhhhH! –Ele deu um berro nervoso. Então enfiou a mão no bolso e puxou o cartão de Max, todo amassado. Pegou o telefone e discou os números depressa, e quando Max atendeu, ele ficou alguns minutos em silêncio. Aqueles minutos decidiriam muita coisa.

Ele podia desligar o telefone e ir dormir. Ou ele podia falar.

–Sou eu. –Louis disse, totalmente desarmado.



Notas finais
Nem preciso lembrar né? Comentem e me façam feliz!
PS: Acho que estou perdendo a criatividade da trilha sonora! :O Isso não pode acontecer....