Watck - We Are The Cool Kids
11 PARIS - ZAYN E ANA
Notas iniciais
Hoje vou deixar umas perguntas pra vocês responderem, por que eu também fico curiosa para saber de algumas coisas!
1-) Tem alguma música que vocês acham que combina com a história e ainda não apareceu por aqui? Eu adoro música e queria muito saber qual música vocês acham que combina com a história, com um personagem ou coisa assim. Aliás, vocês escutam as músicas que deixo aqui?
2-) Quero saber qual casal vocês mais gostam! Vocês são Team quem?
3-) Me digam o que vocês estão esperando pra ver na história. O que vocês esperam ansiosamente pra acontecer?
4-) Se você é uma leitora que nunca deixou um comentário, diga um olá! :D
É isso aí! De novo, obrigado pelo tempo de vocês, pelo amor e o carinho!
PS: não custa repetir: adicione watck. tumblr. com aos seus favoritos para não perder o final da fanfic! Depois de dezembro, ela não vai mais ser publicada aqui nesse site.
(Trilha sonora — Abertura ♪ Fun ft Janelle Monáe — We Are Young)
Liam olhava para as pessoas dançando a sua frente. Olhava pro balde de bebidas. Olhava pra algumas garotas ali perto. Olhava pro DJ. Olhava para as garotas do bar com decotes generosos.
E nada daquilo parecia bom. Ele daria qualquer coisa pra estar deitado na sua cama no hotel. Ele se sentia como um trapaceiro ali, fazendo de conta que podia pelo menos tentar se divertir quando as chances eram nulas. Ele não queria se divertir, não queria ter que fingir que queria se divertir.
Olhou pra Every ao seu lado, de pernas e braços cruzados, parecendo tão infeliz quanto ele. Every viu que Liam a olhava e virou o rosto, olhando pra ele também.
–Vamos embora daqui?
Every deu um suspiro desanimado.
–Achei que você nunca fosse pedir.
Se levantou e estendeu a mão pra ele, e os dois cruzaram a pista em silêncio.
–Ei, encontrei a Every e o Liam e eles foram embora! –Niall disse, dando uma cerveja pra Zayn e tomando um gole da dele.
–Embora? –Zayn perguntou.
–O Liam não tá bem né, nem a Every. Eles não tão no clima de festa – Ana respondeu, a voz alta por causa da música, tentando arrumar seu cabelo que já começava a grudar pela testa com o suor.
–Mas é o aniversário dela! –Zayn completou, mas Ana deu os ombros como quem diz “Mas ela não quer comemorar”. – E o Harry e o Louis?
–Não sei, não vi.
Ana suspirou.
–Talvez a gente devesse ir embora também.
–Ah! Por que!? –Zayn reclamou. –Eu estou gostando!
–Eu também! –Niall sorriu. –Vamos ficar!
Zayn a abraçou e colou a boca em seu ouvido, pra ela poder escuta-lo.
–Por favor!
O corpo dela era quente, e ele suava como ela. Ela olhou pra Niall, o rosto dele vermelho, mas completamente alegre. Ana não pode deixar de sorrir, e então eles a empurraram para a pista e voltaram a dançar com ela.
–Ok, agora é hora de ir embora –Niall disse, se sentindo meio tonto. Misturar vinho, uísque, vodca e cerveja definitivamente não foi uma boa ideia, e ele sentia um buraco na barriga. Vomitar na pista daquele clube chique também não ia ser uma boa, então era melhor ele ir tomar um ar, voltar pro hotel, tomar um banho frio e desmaiar na cama.
Zayn e Ana deram risada do jeito dele, claramente bêbado. Mas dois também estavam bêbados, menos que Niall, mas bêbados. Ana segurando no braço de Zayn, meio cambaleando, e as palavras saindo emboladas quando ela dizia algo.
–Temos que achao Harrí e o Lo..ou...–Ana começou a rir por que o nome de Louis não saia, e Zayn riu da cara dela.
–Vamos, anda. Vamos procurar eles e ir embora daqui. –Niall apressou, empurrando os dois pela pista.
Uma garota passou e tropeçou em Zayn, e ele xingou alguma coisa. Ana deu risada. Niall nem conseguia mais ver direito, tudo era um borrão. A garota pediu desculpa e seguiu reto.
–Cadê esses dois? –Zayn gritou por cima da música.
Então eles viram Harry e uma garota no sofá conversando. Ela estava daquele jeito, quase se jogando em cima dele, e ele estava daquele jeito, com seu charme tranquilamente, como se nem soubesse que ela queria entrar nas calças dele naquele momento. Ela usava um vestido curto e Zayn conseguia ver a calcinha dela dali de onde estava. Ele suspirou, pensando que as garotas não tinham mais nenhum senso do ridículo e ficavam mostrando tudo, e que aquilo acabava com toda a graça.
–Ah, ele está ali pegando aquela garota. –Niall falou como se ninguém ainda tivesse visto. –E eu consigo ver a calcinha dela– Ele torceu o pescoço, pra ver melhor. Ana se virou e então os três estavam ali parados, vendo Harry, a garota e a calcinha dela.
Harry nem notou que eles estavam ali. Seus olhos estavam pequenos e ele estava jogado no sofá de um jeito que indicava que ele também devia estar um pouco bêbado.
–Deixa ele, ele está bem –Zayn murmurou. –O Louis deve estar em algum lugar esperando ele, então podemos ir embora.
Os três foram para fila pegar seus casacos, e quando o segurança abriu a porta para a rua, pequenos flocos de neve estavam caindo lá fora.
–Droga, não acredito! Tá nevando nessa porcaria de lugar!
Zayn começou a rir de Niall, e Ana também começou a rir, tentando não escorregar no chão que mais parecia feito de sabão. Ela se agarrou no braço de Zayn, que por um momento quase perdeu o equilíbrio.
–Ou!
Eles dois deram risada, o álcool ainda falando mais alto.
Niall, que já estava naquela fase da bebida que nada mais é engraçado e que você só quer vomitar deu um gemido, querendo que eles fossem logo pro hotel e parassem de achar graça em tudo.
Os três passaram por um casal que parecia estar brigando.
A garota saiu andando e o garoto gritou por ela:
–Ana! Ana!
A garota se virou ao mesmo tempo que Ana se virou, instintivamente. Elas deviam ter o mesmo nome, por que os amigos da garota estavam ali, andando em direção dela. Mas Harry também estava ali, saindo do clube, enfiando seu casaco e andando depressa em direção deles.
–Ei, onde vocês estão indo!? – De repente, Ana não sentia mais vontade de rir. Ela sentia vontade de falar um monte pra ele. Droga, ela bebeu e a bebida deixava ela um pouco corajosa. Era melhor segurar a boca.
Ficou observando a outra garota chamada Ana discutindo com o garoto que devia ser o namorado dela, com seus amigos em volta tentando fazer ela parar. Ela também parecia meio bêbada.
–Estamos indo de volta pro hotel. Achamos que você ia querer ficar. –Zayn respondeu.
A outra Ana de repente gritou:
–Eu não quero ir pra casa com você!
Os quatro olharam pra ela, ainda discutindo com o namorado no meio dos amigos. Ana sentia vontade de ser ela, por que era exatamente aquilo que ela queria dizer pra Harry. Ela olhou pro namorado da garota e viu que ele até parecia um pouco com Harry, de uma maneira meio bizarra. Ele era muitos metros mais baixo que Harry, muitos mesmo. Mas o cabelo era idêntico. Até o casaco preto e os sapatos legais e gastos eram iguais.
O típico garoto britânico, já que eles também falavam em inglês.
–E vocês iam me deixar aqui, sozinho? –Harry murmurou, fazendo Ana olhar de novo pra ele e parar de encarar a outra Ana. Ela abriu a boca pra responder, mas a outra garota passou por ela, pisando duro e a distraiu.
O garoto que ela estava brigando gritou alguma coisa, algo tipo “Por que eu não queria ficar sozinho!”, e ela se virou pra ele e respondeu, sua voz ecoando na noite silenciosa.
–Você não estava sozinho, babaca.
Ana então olhou pra Harry. Era essa resposta que ela queria dar.
–Não...–Ana suspirou, desviando o olhar e olhando para a rua, quase deserta. –Vem, vamos logo. O Niall não está muito bem.
Every abriu os olhos e viu Liam dormindo na outra cama. Parecia dormir pesado.
Ela pegou o celular em cima da cabeceira e viu que eram quase meio dia. Ninguém ainda tinha aparecido no quarto. Na noite passada ela e Liam chegaram e foram dormir direto, cansados demais, então ela nem pode esperar pelos outros e se certificar que tudo estava bem. Ela sabia que se tratando dos amigos, qualquer coisa podia acontecer.
Se levantou, pegando o roupão que estava jogado em uma das cadeiras, e se envolveu nele, saindo do quarto. Ia primeiro passar no quarto de Ana, e depois no de Harry e ter certeza que todo mundo estava bem.
Andou pelo corredor até o quarto de Ana. Bateu, mas ninguém atendeu, então tentou o de Harry. Ninguém atendeu também. Porém, quando ela colocou a mão na maçaneta, viu que a porta estava só encostada e ela entrou. Tudo estava escuro e ela viu Harry jogado na cama de bruços agarrado com o travesseiro, de cueca, dormindo profundamente, os cabelos numa confusão só sobre seu rosto..
A cama do lado da de Harry estava perfeitamente arrumada, e Louis não estava ali.
Every franziu a testa, achando aquilo estranho.
Talvez ele tivesse encontrado alguma garota e dormido fora. Ou, o menos provável, por algum motivo ele podia ter dormido no quarto de Ana.
Ela deu as costas e saiu do quarto, fechando a porta.
Foi de novo no quarto de Ana e bateu na porta, mas ninguém atendeu. Então chamou por Ana, batendo na porta com um pouco mais de força.
A porta se abriu e Zayn apareceu ali, com a cara amassada, os olhos pequenos.
O quarto atrás dele estava todo escuro, e pela cara dele, era óbvio que eles ainda estavam dormindo.
–Ei, desculpa, eu só queria ver se vocês chegaram bem de ontem a noite. –Every falou baixinho. Zayn se apoiou no batente da porta, sonolento.
–Tudo bem.
–O Louis está com vocês?
Zayn só balançou a cabeça achando aquela pergunta meio estranha.
–Eu passei no quarto do Harry e ele não está lá. Ele dormiu fora ou algo assim?
–Na verdade eu não sei... o Harry veio com a gente, mas o Louis não. Eu nem lembrei dele na hora, eu tinha bebido um pouco... –Zayn murmurou com a voz sonolenta.
–Tá, tudo bem, volta a dormir. Depois a gente se fala.
Zayn só concordou com a cabeça e se despediu de Every, fechando a porta em seguida.
Every suspirou. Pensou por um minuto em acordar Harry para ver o que podia ter acontecido, mas decidiu não fazer isso. Louis devia estar bem.
Ela porém estava sem nenhum sono.
Ficou ali parada no corredor pensando que seu aniversário devia ser mais animado do que assistir os amigos dormirem durante a tarde inteira até a hora de ir embora. Então se lembrou que era aniversário de mais uma pessoa...
Max.
Não seria nada mal passar no quarto dele e obrigar ele a conversar com ela. Talvez os dois pudessem ir comer algo em um daqueles charmosos Cafés de Paris, com a mesinha na calçada. E ela também precisava conversar com ele sobre a noite de ontem...
Every foi pro elevador. O elevador chegou logo, e em um minuto ela estava cruzando o corredor do quarto andar procurando o quarto de Max.
Ficava logo ali, no final do longo corredor, quase o último quarto.
Foi então que ela viu a porta se abrindo e Louis saindo do quarto de Max.
Every parou por um segundo, por que aquilo não era esperado. O que Louis estava fazendo ali? Então foi tudo muito rápido. Ela se tocou que precisava sair dali, por que não seria uma boa se Louis a visse parada no corredor. Correu e abriu a porta das escadas de incêndio. Lá dentro era escuro, mas ela ficou ali esperando, uma pequena fresta da porta aberta, suficiente apenas para ela ver o elevador. Louis parou bem ali, apertou o botão e ficou alguns minutos esperando.
Ele parecia tranquilo. E ele usava as mesmas roupas da noite anterior, menos o casaco.
O elevador chegou e ele entrou, e então Every pode sair do esconderijo.
Ficou alguns minutos parada no corredor, tentando digerir aquilo e chegar a alguma conclusão. Mas tudo que pensava era que Max não tinha cumprido o que tinha prometido. Ele não tinha mantido distância dos seus amigos.
Every sentiu seu sangue ferver.
Ela nem sabia por que, mas em questão de minutos estava tão nervosa que sentia sua pele pegando fogo. Olhou pelo corredor e nem pensou de novo. Andou depressa em direção ao quarto de Max.
Não se deu ao trabalho, e quando chegou lá, estava pronta para por aquela porta abaixo. Mas então pensou em outra coisa.
Bateu devagar na porta.
Escutou a maçaneta movendo, e logo a porta se abriu e Max apareceu ali, apenas de cueca.
–Que foi, esqueceu alguma...? –Mas Max parou no meio da frase. Pelo visto, não esperava que fosse Every que estivesse ali, batendo na porta. Exatamente como Every tinha planejado.
–Você vai ter que me explicar direitinho o que o Louis estava fazendo aqui.
Max ficou um pouco em silêncio, e depois fez uma cara de quem não estava entendendo o que Every estava dizendo. Mas Max sempre tinha sido um péssimo mentiroso para Every.
–O que você....
–Nem se dê ao trabalho Max. Eu vi o Louis saindo daqui agora mesmo e ele usava a mesma roupa de ontem a noite. O Louis! Ele morre de medo de você. O que ele tava fazendo aqui? Você me prometeu que não ia atrás dele...
Max agora parecia nervoso. Se sentou na beirada da cama.
–Eu sei! Eu tentei, você sabe!
–Você nunca tentou Max. Sempre ficou cercando ele.
–Every! –Ele não deixou ela terminar de falar –Nós não podemos esconder o que somos. Mais cedo ou mais tarde acontece. Eu não forcei ninguém a nada, ele veio por que quis. Ele é o que é, eu sempre soube, você sempre soube. Ele agora descobriu.
Every deu um suspiro, uma espécie de risada e choro ao mesmo tempo.
–Você não podia Max. Você pode estragar tudo.
–Estragar? Estragar o que Every? –Max se levantou, e agora falava mais alto.
–Não é por que você é gay que todo mundo tem que ser! –Every gritou, e as lágrimas começaram a cair sobre seu rosto.
Max abriu a boca para responder, mas engoliu as palavras e respirou fundo. Respirou fundo por que sabia que aquela conversa não era sobre ele, não era sobre Louis. Aquela conversa era sobre outra coisa.
–Every... –Max suspirou, deixando os ombros caírem e estendendo a mão até a irmã. Mas ela se desviou, como se não quisesse que Max a tocasse, como se quisesse ficar ali, chorando sozinha.
Max se aproximou de novo, e mesmo com Every querendo se distanciar, ele a abraçou.
–Eu não sou o papai. –Max disse baixinho.
Every o abraçou forte, como se quisesse sumir. Max a beijou entre os cabelos loiros, e encostou sua bochecha ali, a confortando.
Os dois ficaram um pouco em silêncio, apenas os soluços de Every como som. E então ela se distanciou. Limpou os olhos e engoliu o choro, e tentou falar com uma voz séria, apesar de seu rosto ainda estar coberto de lágrimas.
–Você não pode fazer isso com ele. Não com o Louis.
Max suspirou. Sabia que aquela conversa não os levaria para lugar nenhum.
–Já está feito Every.
Every olhou pro lado, tentando lutar contra as lágrimas, engolindo o choro. Não... ela não podia lidar com aquilo. Louis não ia saber lidar com aquilo. Ninguém saberia. Ela tinha sentimentos conflitantes dentro dela: ela queria que ele fosse feliz, mas ela sabia que seria tão difícil pra Louis lidar com tudo aquilo...
E ela não estava pronta pra ajudar.
Ela não estava pronta pra nada, por que dentro dela ela ainda estava quebrada.
Então Every olhou pra Max e virou as costas, andando em direção a porta.
Ana abriu os olhos com preguiça. A luz do sol já entrava pela cortina mal fechada, formando listras no carpete do quarto. Parecia um bom dia, por que tudo estava bem iluminado. Então ela conseguiu se situar. Hotel. Paris.
Olhou pro lado e viu Niall dormindo do seu lado, babando no travesseiro. Nossa, olhando assim, ele parecia poder dormir por anos. Viu algo se movimentando na sua frente e se virou, vendo Zayn atravessar o quarto sem olhar pra ela. Ele usava só calças de moletom cinza, o elástico da cueca branca para fora, e estava sem camisa.
O olhar de Ana ficou ali, bem naquela entrada em sua cintura, aquele ossinho se perdendo dentro da cueca, com o sol refletindo na pele dele.
De repente, ele parecia... dourado.
Já tinha feito o cabelo, e Ana, mesmo longe, podia apostar que ele devia cheirar a banho tomado e creme de barbear, e de repente ela sentiu uma tremenda vontade de ir lá, abraçar ele e cheirar seu pescoço, enterrando seu rosto ali. Mas logo afastou aquela ideia estranha, se mexendo na cama.
Zayn escutou e se virou, olhando pra ela. Um sorriso brotou no seu rosto.
–Ei. Não te acordei né?
–Não... –Ela disse baixinho, se espreguiçando um pouco. Agora tinha que levantar de vez. Tomando coragem, saiu da cama e foi pro banheiro, ainda meio sonolenta. Podia ver o espelho todo embaçado, o que confirmava a ideia que Zayn tinha tomado banho assim que levantou.
–Ana?
Ela se virou e olhou pra Zayn, chamando seu nome.
–Eu estava pensando se você não quer ir comigo procurar aquela loja de skate que eu falei...
–Claro – Ana murmurou, se apoiando no batente da porta. Ai ela olhou pra Niall, desmaiado na cama – Você acorda ele então, enquanto eu vou no banheiro?
Zayn também parou e olhou pra Niall, como se não tivesse pensado nele. Ficou ali olhando pra Niall em silêncio por alguns minutos, e depois fez uma careta, voltando a olhar pra Ana.
–Nãã. Acho que ele prefere ficar dormindo.
Ana deu os ombros e entrou no banheiro. Pegou a escova de dentes, colocou a pasta e começou a escovar os dentes, se olhando no espelho.
E lá estava ela, os cabelos bagunçados, presos num rabinho frouxo, os fios amassados apontando pra todos os lados, os olhos ainda meio borrados da noite passada (ela tirou a maquiagem de qualquer jeito), a pele pálida. Ela parecia... horrível.
Suspirou, cuspindo a pasta de dente na pia e em seguida jogando água no rosto.
Olhou de novo pra si mesma no espelho. Por que ela não podia ser mais bonita?
Puxou uma das toalhas de rosto do hotel e secou o rosto. Depois, saiu do banheiro. Zayn agora estava abaixado perto de sua mala, colocando algumas roupas pra dentro. Já estava usando uma calça jeans e jaqueta preta, e parecia pronto pra sair.
Ana queria dizer que ia ficar ali, dormindo pelo resto do dia.
Ela se sentou na cama, suspirando. Zayn a viu e chegou perto dela.
–E ai, vamos?
Ana olhou pra ele meio desanimada.
–Que foi?
–Nada... eu só...
Ela ficou quieta. Meninos, eles nunca entendiam como é acordar e se sentir uma garota feia e inapropriada. Zayn nunca devia ter se sentido feio na vida.
–Eu só não tenho o que vestir –Ela completou, olhando pra mala dela num canto, as roupas espalhadas em volta.
–Claro que tem. Coloca qualquer coisa!
Meninos também nunca entendiam que se vestir é um dom, não algo que você simplesmente faz. Ana foi até a mala e pegou a calça jeans que usava no dia anterior e uma blusa amassada no fundo da mala, branca com alguns riscos e desenhos malucos. Voltou pro banheiro e colocou tudo. Penteou o cabelo, sem se olhar no espelho (se olhasse, ia acabar ficando no hotel mesmo), e saiu. Zayn já estava impaciente.
Ela pegou seu casaco cinza e saiu fechando a porta.
–Você está com o guia? –Ela perguntou desanimada, enquanto eles andavam pelo corredor em direção ao elevador.
–Tá aqui.
Eles não viram, mas quando se afastavam, Harry abriu a porta do quarto.
Estava sonolento, e vestia a primeira roupa que tinha visto pela frente, que eram as calças que Louis tinha usado na viagem de trem, que ficavam curtas e largas nele, a mesma blusa que ele tinha usado pra dormir e o moletom de Louis, por que ele, por algum motivo, gostava do cheiro que ele tinha.
Tinha acordado no quarto e percebido que estava sozinho.
Porém, o celular de Louis estava ali, assim como seu casaco, o que significava que ele tinha passado por ali em algum ponto da noite.
Harry odiava ficar sozinho, por isso acordou, lavou o rosto, vestiu alguma coisa e decidiu ir pro quarto de Every. E agora via Ana e Zayn no final do corredor, esperando pelo elevador, só os dois, parecendo arrumados para ir pra algum lugar.
Harry abriu a boca, o nome de Ana já se formando, mas parou.
Então o elevador chegou e Ana e Zayn sumiram dentro dele.
Harry ficou olhando, parecendo decepcionado consigo mesmo. Por que não tinha gritado? Por que não tinha ido até eles e estragado seja lá qual fosse o plano deles? Pra onde eles estavam indo?
–Droga –Resmungou baixinho, dando as costas e indo na direção do quarto de Every.
(Trilha sonora — Harry, Ana e Zayn ♪ Lady Gaga — You and I)
–Acho que temos que pegar o metro, a estação é logo ali! –Zayn apontou pra direção na rua, enquanto acabava de ascender um cigarro e dar uma tragada. Ana ficou olhando o mapa e os dois desceram a rua até a estação George V, do lado do hotel.
–Estamos na linha amarela, e acho que o lugar que você quer ir fica perto dessa estação, na linha laranja –Ana apontou pro mapa, e Zayn parou de andar para olhar.
As pessoas passavam por eles, entrando no metrô, andando na rua.
–Tudo bem, vamos lá – Ele disse, dando uma última tragada no cigarro e jogando a bituca num cinzeirinho no poste, antes de entrar no metrô.
Então ele estendeu a mão pra Ana, que segurou na mão dele e eles desceram a escada.
Harry e Liam levantaram o rosto, vendo Every abrindo a porta do quarto e entrando.
–Ei! –Liam disse, um pouco animado de ver a amiga finalmente. Tinha acordado e estava sozinho no quarto, até que Harry apareceu. Liam, como sempre, ficou meio preocupado. –Onde você estava?
–Conversando com meu irmão –Every respondeu baixo. Ela parecia estranha, e Liam notou isso.
–Tá tudo bem? –Ele perguntou, e ela nem olhou pra ele, só balançou a cabeça dizendo que sim.
–Feliz aniversário! –Harry disse, enquanto ela atravessava o quarto e ia até o frigobar, pegando uma água.
–Quer pedir alguma coisa pra comer? –Liam perguntou, ainda preocupado, mas tentando fazer de conta que tudo estava bem, afinal, era o aniversário dela. –Quer sair pra comer algo?
–Não... podem pedir algo do serviço de quarto, ou se quiserem sair também, por mim tudo bem. Eu vou ficar aqui.
–Ei, é seu aniversário –Harry disse, se levantando e indo até ela –Não vamos deixar você sozinha no quarto. –Ele fez um carinho sobre os ombros de Every e depois a abraçou. Harry podia ter vários defeitos, mas ele sabia ser um doce quando queria e tinha os melhores abraços. Aquilo fez muito bem pra Every.
–Obrigado –Ela disse assim que ele se afastou dela.
–E então, o que você quer fazer? É seu aniversário, e temos algumas horas antes de ir embora.
–Na verdade, eu não me incomodaria de ir embora agora –Every suspirou, se jogando sentada na cama de Liam. Seu corpo quicou um pouco no colchão macio. –Onde está o Louis Harry? –Ela perguntou, da maneira mais inocente que pode, enquanto bebia um gole de sua garrafinha de água.
–Não sei. Acordei e ele não estava. Mas ele passou no quarto e deixou o celular e o casaco. Eu achei que ele podia ter dormido aqui, ou no quarto da Ana...
–Mas ele não dormiu aqui –Every concluiu o obvio.
Harry olhou em volta, como se procurasse Louis em algum lugar.
–É. Eu não sei –Ele deu de ombros. –Talvez ele tenha dormido com alguém.
Every sentiu seu corpo se aquecer. Será que Harry sabia?
Louis tinha contado pra ele? Em algum momento, Louis tinha falado alguma coisa pra Harry?
–Então a noite foi boa? –Liam deu um sorriso leve, cutucando Harry, que também sorriu, mas brevemente.
–Não sei. Não pra mim.
Os três então ficaram em silêncio, cada um perdido em um pensamento. Every com sua cabeça a mil pensando em Louis, Max, Harry e tudo mais, Liam pensando se algum dia se daria bem com alguma outra pessoa, e Harry pensando em Zayn e Ana.
–Eu vi o Zayn e a Ana saindo –Harry cortou o silêncio –Eles falaram pra onde iam?
Every balançou a cabeça em negativa e olhou o relógio dourado no pulso. Já era três da tarde, e o trem saia as sete. Esperava que eles soubessem do horário e estivessem de volta em tempo.
Harry ficou ali, se sentindo incomodado.
–Podíamos ir procurar eles...
–Nem sabemos pra onde eles foram. –Every disse desanimada.
–Você podia ligar pra eles e nos encontramos em algum lugar...
Every abriu a boca para dizer não, mas então que ela entendeu. Ela parou e olhou pra Harry, que estava deitado de bruços na cama, olhando pra ela, apoiado sobre os cotovelos. Ele tinha uma carinha tão bonitinha e esperançosa, como se tivesse acabado de ter a melhor ideia do mundo. E Every sabia o que se passava naquela cabeça coberta de cachos.
Ele queria ir atrás de Ana.
–Tudo bem, mas você vai ter que me falar o telefone da Ana que eu ainda não comprei um celular –Every disse, indo se sentar na cama e pegando o telefone do quarto. Harry pulou do seu lado, puxando o celular do bolso.
Every discou primeiro pra Ana. O telefone só tocava e caia na caixa postal.
Depois, tentou ligar pra Zayn. O telefone dava fora de área.
–Tenta o Niall, talvez ele esteja com eles. –Harry pediu.
Every ligou pra Niall, que atendeu.
“Alo?”
–Niall?
“Quem é?”
Every virou os olhos.
–Sou eu, a Every. Onde você está?
“Eu estou no quarto. Onde vocês estão?”
–Eu estou no quarto também, com o Harry e o Liam. Você não está com a Ana e o Zayn?
“Não! Onde eles estão? Eu acordei e não tinha ninguém no quarto!”
–Hum...acho que eles saíram –Every suspirou, e olhou pra Harry, afastando a boca do fone – O Niall não está com eles. –Harry fez uma carinha decepcionada, e Every ficou olhando pra ele, enquanto continuava falando com Niall –Vem aqui pro nosso quarto Niall. Vamos pedir alguma coisa pra comer.
“Ah, por isso que eu gosto de você. Você sabe falar as palavras certas”
Every deu um sorriso e desligou.
Ficou em silêncio, e Harry também estava em silêncio, olhando pro celular, mexendo nele, mas Every podia ver que ele estava apenas apertando os botões, como se estivesse tentando pensar em algum caminho.
–Harry... –Ela passou a mão levemente sobre o cabelo dele e ele olhou pra ela, os enormes olhos verdes. –Talvez você devesse decidir de uma vez.... –Ela começou a falar, mas parou no meio.
Então suspirou, como se aquela fosse uma batalha perdida. Como se não adiantasse fazer nada.
–Decidir o que? –Ele perguntou, parecendo não entender.
–Não sei. –Every suspirou. Então olhou pra trás, pra Liam que estava ali, apenas vendo TV, sem participar da conversa –E então, vamos pedir alguma coisa pra comer?
Liam levantou e pegou o cardápio do serviço de quarto, e Every se ajeitou do lado dele na cama, apoiando as costas nos travesseiros. Mas Harry continuou ali, amoado.
–Ei Harry, vem, vamos escolher alguma coisa –Every o chamou, aquela voz de mãe que quer agradar o filho dando alguma coisa gostosa pra ele comer.
–Acho que não estou com muita fome... –Ele disse, desanimado, se levantando e colocando o celular no bolso da calça. –Eu vou pro meu quarto... depois falo com vocês...
–Fica com a gente cara –Liam respondeu. –Vai fazer o que no quarto sozinho?
–Pensar numas coisas.... –Ele disse, olhando pra Every, e por um segundo ela achou que talvez ele tivesse entendido o que ela queria dizer. –Vejo vocês depois...
E então ele saiu do quarto.
Ele ficou por algumas horas ali, deitado na cama desarrumada, olhando pro teto do quarto do hotel. Estava tentando pensar, tentando adivinhar o que sentia, mas sua mente estava em outro lugar. No lugar de conseguir se concentrar no que ele sentia, ele só conseguia pensar no fato que Ana estava com Zayn, em algum lugar de Paris, e que agora era Ana e Zayn e não Ana e Harry.
Ele não entendia por que era tão importante ter Ana com ele, por que quando pensava nela, ele pensava nela como ela sempre tinha sido. Não pensava em beija-la, ou ficar com ela. Só pensava nela. Em saber que ela estava ali, pra ele, como sempre esteve. Pensava nela andando com ele pro colégio, pensava nela quando ele a ligava de noite só pra conversar e as horas passavam tão depressa, pensava nela andando do lado dele nos corredores, sentada ao seu lado no refeitório. Pensava em como ela sempre olhava pra ele nas festas, e em como ele sabia que nunca estava sozinho por que ela sempre estava por perto.
Pensava em pequenas coisas que ele gostava nela. O cheiro de maçã que o cabelo dela tinha sempre que ela o lavava, a maneira como ela sempre estava bonita quando ele chegava de surpresa na casa dela e ela usava aquelas roupas folgadas de ficar em casa. Nas tardes que eles apenas ficavam vendo algum filme, como ela sempre sentava no sofá, os olhos sempre presos na televisão, e como ela dava risada quando alguma coisa boba acontecia e ele olhava pra ela e dava risada apenas do fato que ela parecia tão bonita sorrindo.
E pensava muito sobre quando ele sentava do lado dela, em qualquer lugar, e o corpo dela sempre parecia quente e como tudo parecia tranquilo quando ela estava ali, e ele podia ficar ao lado dela e sentir todo seu corpo relaxar. Ele quase fechava os olhos quando eles estavam um do lado do outro.
Mas aquilo não era amor.
Aquilo era outra coisa... o que era?
Amor... ele imaginava que amor era aquela coisa quente. Que ele não ia querer tirar as mãos da garota, que ele pensaria nela nua o tempo todo, ou em como seria beijar ela de várias maneiras, e como ele podia beijar a garota por horas sem se cansar dela. Ele imaginava que amar alguém seria sentir como se estivesse pegando fogo, o tempo todo.
Isso era amor.
–Droga –ele resmungou, no quarto vazio.
Aquilo estava fazendo a cabeça dele doer. Então, escutou a porta do quarto abrir. Se apoiou nos cotovelos, vendo Louis entrar pelo quarto.
Louis pareceu se assustar em ver Harry ali. Parecia distante, pensando em outra coisa.
–Ei, onde você estava? –Harry perguntou, mas Louis ficou ali parado olhando pra ele, e franziu a testa.
–Você está usando minhas roupas?
Harry olhou pro moletom e pra calça de Louis.
–Ahn... acho que sim.
–Você tem que parar com isso –Louis levantou as sobrancelhas com uma cara de “Isso é esquisito” e foi até sua mala, procurando alguma coisa.
Harry então ficou um pouco quieto e voltou a deitar a cabeça na cama. Mas depois de dois minutos ergueu o pescoço e viu Louis ali no chão, ainda mexendo na mala.
–Você dormiu com alguém?
Louis congelou por um momento.
Será que Harry sabia? Será que todos sabiam?
Droga, ele estava ferrado.
–Quem te contou?
Harry fez uma careta, e voltou a se apoiar no cotovelo, agora deitando de lado e olhando pra Louis.
–Ué, ninguém. Você só não dormiu aqui hoje, e sumiu no clube... achei que você tinha encontrado alguém.
Louis ficou alguns minutos olhando pra Harry. Aquilo era uma boa coisa do amigo: ele era completamente transparente e não sabia esconder quase nada. Por isso, se ele estava olhando pra Louis daquela maneira inocente e desavisada, é por que provavelmente ele realmente não sabia nada sobre a noite passada.
–É, eu meio que encontrei alguém –Louis respondeu, sem olhar pra Harry.
Ana olhou em volta. Havia livros por todos os lados, empilhados e indo até o teto. Parecia que se fosse tirar algum deles da prateleira, a loja inteira desmoronaria.
Mas as pessoas não pareciam ligar nem um pouco para aquilo. Retiravam livros, puxando com força, deixando os outros quase despencarem, sem nenhum receio. Uma mulher ali perto lia um livro de auto ajuda com o título em alguma língua que parecia espanhol. Um senhor de pé a poucos metros dela folheava um livro de viagens, e no chão, duas crianças liam um livrinho infantil.
Ana continuou andando por ali, apenas explorando a loja de livros. Zayn que tinha visto a loja, enquanto estavam perdidos na rua e acabaram achando a Catedral de Notre Dame, que não tinham achado no dia anterior e ficaram por ali uns minutos, tirando fotos com o celular, com Zayn insistindo que queria subir lá em cima como o Corcunda. Ana não deixou e o arrastou pra longe.
Mas quando ele viu aquela livraria perto da Catedral, ele insistiu em entrar e Ana aceitou.
Gostava de livros, mas aquele lugar era impossível de se entender, e assustador, e apertado. Olhou pra Zayn, parado na frente de uma das prateleiras, parecendo concentrado em achar alguma coisa.
Ela suspirou. Eles tinham que ir, ainda nem tinham achado a loja de skates, e não sabia direito que horas eles tinham que pegar o trem pra Bristol.
–Zayn... –Ela suspirou, puxando a manga do casaco dele, enquanto ele estava parado lendo algo.
–Oi?
–Temos que ir. Não sei que horas a Every vai querer ir embora.
–Eu... eu já vou. Só vou comprar esse daqui, ok? –Ele fechou um pequeno e velho livro na mão, e se distanciou em direção ao caixa.
Ana ficou esperando, tentado achar algo que a interessasse no meio dos títulos, mas mal conseguia ler. Não se dava bem em lugares bagunçados como aquele.
Viu Zayn olhar pra ela do caixa, enquanto tirava o dinheiro do bolso e murmurava um “Merci” enquanto se distanciava, o pequeno livro embrulhado num papel pardo em suas mãos.
Ana foi andando em direção a porta, e ficou feliz de sentir o ar fresco. Lá dentro era sufocante.
Zayn parou do lado dela. Olhou pra igreja, a poucos metros dali e suspirou.
–Onde temos que ir agora? –Zayn estava caçando seu maço de cigarros no bolso de trás da calça. Achou e ascendeu um, enquanto Ana ainda estudava o guia.
–Aqui. Até que não é longe, mas é melhor pegar o metrô mesmo.
Assim que deu a primeira tragada, Zayn estendeu a mão pra Ana.
–Então vamos. –Ele ficou olhando a mão dela se entrelaçar na sua.
Os dois saíram caminhando pelas ruas de Paris e Zayn de repente se sentiu muito bem. Aqueles pequenos momentos onde você se sente leve, livre, e muito feliz. E ele pensou que a vida podia ser aquilo: andar por uma cidade onde tudo fosse novidade, com um cigarro numa mão e com as mãos de Ana na outra.
Zayn deu um pequeno sorriso que Ana nem viu.
Every, Liam, Niall, Louis e Harry estavam no meio do corredor daquele hotel luxuoso, as malas espalhadas pelo chão. Louis estava sentado sobre uma pilha de suas malas com as malas de Every. Harry estava apoiado na parede, olhando pro chão, parecendo perdido em seus pensamentos. Louis e Niall tinham saído para dar uma volta no quarteirão e procurar Zayn e Ana.
E Every andava de um lado pro outro, ligando repetitivamente para o celular de Ana e depois para o celular de Zayn.
–Eu não acredito que eles vão fazer isso com a gente! –Every xingou, desligando o telefone pela décima segunda vez, só na caixa postal. Olhou pro relógio do celular, que marcava sete e meia da noite.
O trem saia as sete da plataforma. Nem se Ana e Zayn chegassem naquele momento ia dar pra pegar o trem de volta pra Bristol.
–Merda, perdemos o trem –Ela resmungou, e então deu um suspiro desanimado e foi se apoiar na parede ao lado de Harry, com uma expressão que dizia que ela tinha desistido. Por que eles tinham se atrasado? Ela não queria que os outros soubessem, mas estava louca pra voltar pra casa, para dormir na sua cama e para esquecer que estava fazendo 18 anos, a mais velha da turma. Dezoito anos e um aniversário horrível.
Costumava ser tão divertido...
Será que tudo tinha acabado? Será que eles nunca mais conseguiriam se divertir sozinhos sem nenhum drama, sem nenhum desentendimento, sem esconder nada, sem mentir, sem fingir? Olhou pra Liam, que parecia triste novamente, sem cor, sem vida.
Fingindo estar bem.
Olhou pra Harry, perdido em pensamentos, fugindo da verdade, fingindo não entender o que sentia. Olhou pra si mesma, fingindo ser forte.
E pensou nos outros. Louis, fingindo estar bem, fingindo não estar assustado. Ana, fingindo não ligar, fingindo ter partido pra outra, seguido em frente. Fingindo não estar com o coração machucado. E pra Zayn, fingindo que não estava começando a se apaixonar.
Louis e Niall apareceram, abrindo a porta do elevador.
–Nada –Niall disse, com uma carinha desanimada.
Every quase sorriu pra ele. Niall, o único dali que não estava fingindo nada.
Mal sabia ela que Niall fingia não conhecer Kat enquanto tinha dormido com ela naquela semana.
Zayn e Ana cruzaram a Ponte Alexandre III correndo, sem nem tempo para ver a torre Eiffel brilhando atrás deles. Já estava bem escuro, e eles não sabiam se davam risada ou ficavam desesperados. Tinham se perdido no metro, na rua, tinham perdido a hora e o celular de Ana estava sem bateria, e o de Zayn sem sinal, e eles estavam ferrados.
–Se nós estivermos atrasados, a Every vai matar a gente –Ana disse, com Zayn correndo atrás dela.
–Você não quer me deixar ir de skate. Se me deixasse, eu já estava lá –Zayn corria com o skate novo que tinha comprado embalado debaixo do braço.
–Você nem sabe pra onde ir! –Ana sorriu, e os dois de repente pararam, no final da ponte. E agora, esquerda ou direita?
–Por aqui, pelo jardim! –Zayn agarrou a mão de Ana e a puxou para a esquerda. Não havia muita gente ali, mas os carros passavam pela rua, um monte de faróis iluminando a noite.
Ana pensou que era uma mentira chamar Paris de “A cidade iluminada”, por que agora os dois corriam a margem do rio Sena praticamente no escuro, apenas com a iluminação fraca dos postes.
–Eu conheço essa rua! –Ana gritou quando viu a estátua em formato de tocha dourada. –É aqui!
–Opa, licença, licença...Excuse moi! –Agora havia mais pessoas pela rua e Zayn ia abrindo caminho entre elas. Olhou pra Ana, pra ver se ela ainda corria atrás dele, e ela olhou pra ele, e sorriu.
Zayn também sorriu. Sabia que estava ferrado, mas tinha sido um dia ótimo.
–Oh meu Deus! –Niall falou alto, quando viu a porta do elevador se abrir e Zayn e Ana surgirem no corredor do hotel.
–Onde vocês estavam!? Perdemos a droga do trem! –Louis, sempre agressivo.
–Estamos ligando pra vocês á horas! –Every gritou, com uma cara bem zangada.
Ana estava feliz, mas naquele momento, qualquer felicidade foi pelo ralo. Todo mundo parecia bem zangado, e ela sabia que eles estavam com a razão, apesar de achar que era um pouco injusto, já que ela não se atrasou de propósito.
–Nós nos perdemos –Zayn disse, e Ana viu que o sorriso de seu rosto tinha desaparecido também, e agora ele parecia bem na defensiva –Não temos culpa! Não nos perdemos de propósito! Viemos correndo até aqui, fizemos tudo que podíamos!
–Every, juro que tentamos, mas meu celular está sem bateria, e o do Zayn não estava funcionando e...
–Vocês sabem que fizeram a gente perder o trem? Agora o que vamos fazer?! –Every suspirou –Agora vão pegar suas malas enquanto eu ligo pro consigliere do hotel e vejo se ele pode ajudar achando outro horário... –Everyresmungou, entrando no seu quarto.
Zayn só passou pelos outros parecendo um pouco bravo e foi em direção ao quarto. Ana seguiu ele de cabeça baixa. Os dois entraram e fecharam a porta.
–Ah. Idiotas –Louis reclamou assim que a porta fechou.
Harry só olhou pra porta fechada em silêncio, ainda encostado na parede, sem perceber seu punho fechado, e seus dentes apertando-se uns contra os outros.
Louis foi o primeiro a entrar no trem, e jogou suas malas de qualquer jeito no compartimento acima do banco, indo se sentar na janela. Não quis ir para as poltronas duplas, por que não queria ficar sozinho com Harry, então escolheu aquela parte onde havia seis poltronas, três de frente pra outras três, com a mesa no meio.
Liam veio em seguida, e se ajeitou ali, na poltrona na frente de Louis. Niall também colocou as malas no bagageiro em cima das poltronas e se ajeitou do lado de Louis. Harry entrou e viu Louis ali, então colocou sua mala sobre a mesa e se sentou do lado de Niall no corredor. Zayn entrou em seguida.
Olhou pra eles, sentados nas poltronas. Eles ainda tinham aquela cara brava e nem olharam pra ele, então ele suspirou e decidiu ir se sentar na cadeira dupla. Não ia ficar aguentando careta a viagem toda.
Como se ele estivesse feliz com o fato que eram dez da noite e que eles ainda iriam pra Londres, pra pegar um trem de lá para Bristol, o que significava chegar em Bristol de madrugada.
Foi a única alternativa que Every encontrou. Era isso, ou dormir em Paris e acordar segunda as quatro da manhã para pegar o trem pra Bristol e ir direto pra aula. Every não estava com paciência pra isso.
Ana entrou em seguida e viu que havia dois lugares vagos ali, mas que todos ainda pareciam zangados, evitando ela. Olhou pra Zayn, que agora atravessava o corredor e fez um sinal pra ela seguir ele.
Ela então seguiu em frente.
Every foi a última a entrar, e desabou na poltrona do lado de Liam, deixando sua bolsa na poltrona extra.
E os cinco foram em silêncio durante toda a viagem.
(Trilha sonora — Zayn e Ana no trem ♪ Ed Sheeran — Give me Love)
Ana observava a paisagem do lado de fora do trem.
Agora tudo estava escuro, e apenas algumas poltronas tinham as pequenas luzinhas de leitura ligadas no teto. Zayn estava com a sua ligada. Ele estava lendo aquele livro que tinha comprado em Paris, os pés para cima, encostados no banco.
Não incomodava Ana, por que ela estava completamente sem sono. Puxou seu MP3 e colocou Ed Sheeran para tocar. De repente, sentiu algo puxando um fone dos seus ouvidos. Olhou pro lado e Zayn estava colocando o fone no ouvido dele.
–Eu gosto do Ed Sheeran –Ele suspirou, totalmente a vontade.
Ana deu um sorriso leve, mesmo que ele não tivesse vendo, ainda concentrado em seu livro. Ficar perto de Zayn era tão fácil. Era tão diferente de ficar perto de Harry.
Com Harry era sempre uma tensão. Era sempre um milhão de pensamentos passando por sua cabeça a cada minuto, e ela tendo que se controlar e não deixar aquilo crescer. Se fosse Harry ali do lado dela, o braço encostando no seu, ela já ia ficar tensa. Ia pensar se ele estava gostando da musica ou achando boba, se ele podia ler os pensamentos dela, se ela estava dando muita bandeira... enfim. Era uma eterna luta consigo mesma.
Zayn notou que Ana olhava pra ele e desviou os olhos do livro.
Ele tinha aqueles olhos castanhos tão bonitos...
–Que foi? –Ele perguntou pra ela.
–Ahn... nada. Nada. Eu só estava pensando numa coisa...
Ele suspirou e apoiou a cabeça no assento do banco, ainda olhando pra ela.
–No que?
–Que eu gosto de ficar com você –Ana falou, meio sem pensar. Sentiu seu rosto ficar um pouco quente, por que não queria que ele entendesse errado...
Mas ele apenas ficou olhando pra ela, e então disse, de uma maneira simples e clara, como se tivesse entendido perfeitamente.
–Eu também estou gostando de ficar com você.
Ana suspirou, como se agradecesse, e voltou a olhar pela janela, e Zayn voltou a ler seu livro, os dois porém ainda ligados pela mesma música tocando no MP3.
Notas finais
Give me love like her,
'cause lately I've been waking up alone,
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