Notas iniciais
Aproveitem ;)

Os últimos meses daquele ano letivo passaram muito rápido. Quando percebi, já estávamos em abril no 1º dia de aula como estudantes do 3º ano do Ensino Médio. Nossos colegas eram os mesmos, assim como nossa professora regente. Ainda bem, porque Hanajima-sensei era a professora mais legal da escola. Digo, ela e a Yoshida-sensei (a enfermeira). Aquele seria um ano que exigiria muito da gente nos estudos, afinal, logo faríamos os exames para entrar em uma universidade.

Continuei a fazer parte do clube de kendô e, como Eriko-senpai havia se formado, ela me nomeou capitã do clube. Ela decidiu seguir os caminhos de seu pai e se tornar uma atleta profissional. Fiquei muito grata pela confiança que ela depositou em mim; só esperava conseguir ser metade da capitã que ela foi. Além disso, em cinco meses teríamos o Torneio Nacional que ocorreria em Tokyo e adoraria repetir o resultado do ano anterior. Graças à vitória no ano passado, tivemos muitos interessados em ingressar ao clube; a maioria era do 2º ano, mas tivemos alguns do 1º, além disso, o número de garotos também aumentou. O mais surpreendente foi Miyabi se oferecer para ser a assistente do clube. Nós realmente estávamos precisando de alguém para nos ajudar com os equipamentos, a manutenção do dojô e com assuntos burocráticos.

Apenas três meses se passaram e eu já não aguentava mais. Cuidar do clube estava sendo muito estressante; não por causa dos treinos, mas porque os preparativos para irmos para o torneio já haviam começado e os professores não estavam colaborando. Depois do treino, eu fiquei mais um tempo praticando alguns golpes simples para aliviar o estresse.

“Woa. Vai com calma, tigre. Desse jeito vai acabar deslocando alguma coisa.” – Miyabi comentou brincalhona. Acho que eu estava usando força demais.

“Alguma notícia boa sobre o orçamento do clube?” – perguntei. Miyabi tinha ido à reunião dos representantes dos clubes com os professores no meu lugar.

“Infelizmente não. Na verdade, eles reduziram o nosso orçamento para aumentar o do clube de futebol.” – Miyabi contou desanimada.

“O QUÊ?! Por que eles fizeram isso? O clube do futebol já tem mais do que eles precisam!” – falei revoltada.

“Você precisa se acalmar, Tomo-chan. Desse jeito vai ganhar uma úlcera.” – eu ia retrucar, mas ela me interrompeu. – “Não adianta reclamar, os professores já decidiram. Agora se arrume e vamos embora, você tá precisando relaxar.”

Não tinha como contra argumentar. Ela estava com a razão, então fiz como ela mandou: guardei meus materiais e me troquei. Assim que estávamos saindo do dojô, vi três pessoas, dois garotos e uma garota, correndo na direção contrária à do ginásio de esportes e rindo de forma conspiratória. Eu os reconheci e sabia que tinham aprontado alguma coisa.

“Aqueles não eram...” – Miyabi falou.

“Eram. Vamos dar uma olhada.”

Quando nos aproximamos do ginásio, ouvimos alguém batendo na porta pelo lado de dentro e gritando para abrirem a porta. As batidas eram desesperadas, além de ser possível perceber o choro em sua voz.

“Yoshikawa?” – perguntei. Aquela seria a primeira vez que nos falávamos depois da nossa briga.

“Q-quem é?” – ela perguntou com a voz trêmula.

“Sakamoto e Himemiya.”

“Era só o que me faltava...” – Yoshikawa falou entre os dentes, mas pudemos ouvi-la. – “Vão em frente podem rir. Com certeza vocês devem estar pensando que eu mereço estar presa aqui.”

“Nós não vamos rir, nem estamos pensando nisso. Na verdade, vamos chamar um professor para abrir a porta, então espere só um pouco.” – mesmo que eu não gostasse dela, eu não podia deixá-la lá.

“Não! Espere! Por favor! Não era para eu estar aqui fora e se um professor descobrir, serei suspensa!” – ela parecia apavorada.

Parei e comecei a analisar minhas opções. Eu sabia que tinha como entrar no ginásio por outro lugar, mas era um pouco arriscado. Miyabi percebeu meus pensamentos e falou com tom de reprovação: – “Nem pense em fazer o que você está pensando. Da última vez você quase se machucou feio. Vamos chamar um professor, é mais seguro.”

“Não se preocupe, Miyabi-chan, vou ficar bem.” – falei decidida. – “Yoshikawa, já vou te tirar daí.”

Dei a volta no ginásio onde tinha uma janela que não trancava a qual dava acesso ao almoxarifado. Ela ficavaa aproximadamente 3 metros de altura, mas pelo lado de fora era fácil de entrar, pois tinha um cano próximo que era fácil de subir. O problema era pelo lado de dentro, pois próximo à janela ficavam vários materiais que eram perigosos de se cair em cima. Da última vez que fiz aquilo, eu escorreguei da janela e ao invés de cair em cima dos colchões que estavam perto, caí em cima das bolas de basquete. Felizmente elas amorteceram um pouco a queda, mas ganhei uns hematomas. Dessa vez, não tinha nada perto da janela, o que não era algo ruim. Me pendurei na janela para ficar o mais próximo do chão possível, então me soltei e assim que meus pés tocaram o chão, rolei para amortecer a queda. A entrada foi um sucesso, só faltava tirar a Yoshikawa de lá.Improvisei uma escada com as caixas que usávamos para as aulas de salto com apoio, então fui procurar Yoshikawa. Saí do almoxarifado (felizmente a porta sempre ficava aberta) e a vi encolhida próximo à porta.

“Yoshikawa, vamos.” – chamei.

“Como você entrou aqui?” – ela perguntou se aproximando.

“Você já vai ver.”

Entramos no almoxarifado e expliquei para ela como iríamos sair. Eu sabia que ela não conseguiria descer pelo cano, por isso peguei uma corda e joguei uma ponta pela janela; a outra amarrei no armário mais pesado. Me impressionei ao ver que Yoshikawa conseguiu descer pela corda como rapel sem problemas. Depois disso, guardei a corda, subi na janela, a fechei e desci pelo cano. Então, fomos para a entrada do ginásio sem falarmos uma palavra.

“Vocês demoraram bastante.” – Miyabi repreendeu com os braços cruzados. Ao seu lado estava Nakano Aiko (a melhor amiga de Yoshikawa), que ao nos ver correu para abraçar Yoshikawa. Miyabi provavelmente foi chamá-la.

“Shizu-chan, você está bem? Fiquei preocupada quando Himemiya-san me contou o que aconteceu.” – Nakano falou.

“Estou bem sim.” –Yoshikawa respondeu aliviada. – “Como você sabia daquela entrada?” – ela me perguntou.

“No ano passado aqueles três fizeram o mesmo com Miyabi-chan, mas nenhum professor estava disponível, por isso tive que procurar uma forma de tirar ela de lá.” – contei. – “Só um conselho: aqueles três não vão te incomodar se você não estiver sozinha. Bom, agora precisamos ir, até.”

“Espere! O que você quer como recompensa?” – Yoshikawa perguntou.

“Um simples obrigado já está bom.” – falei simplesmente.

“O-obrigada.” – ela disse se curvando. – “E sinto muito pelos problemas que causei a vocês.”

Sorri, então me virei e comecei a me distanciar. Miyabi me acompanhou, mas percebi que ela não estava satisfeita com o que aconteceu e parecia querer falar algo, mas estava se segurando.

“Algum problema, Miyabi-chan?”

“Algum problema? Você é muito boazinha e ingênua, esse é o problema! Como você pôde perdoá-la depois de tudo o que ela fez e disse e ainda ajudá-la?” – Miyabi falou com irritação na voz.

“Eu não a perdoei, mas também não guardei rancor. Ela precisava de ajuda e eu podia ajudá-la, por isso ajudei.” – comentei não entendendo o que eu tinha feito de errado.

Miyabi me olhou como se eu fosse de outro planeta, mas logo em seguida ela caiu na gargalhada. – “Só você mesmo. Essa sua forma simples de pensar é o que eu mais gosto em você.”

Eu não sabia se aquilo era um elogio ou não. – “Obrigada?”

Ela sorriu sem explicar mais nada. – “Você está me devendo um sundae.”

“O que? Desde quando?” – perguntei confusa.

“Desde agora. É por você ter me deixado preocupada, Baka-Tomo.”

“Tá... mas só um porque minha mesada está acabando.”

“Combinado.”

É claro que Miyabi escolheu o maior e mais caro sundae que tinha, o que me impedia de pedir um sorvete para mim. Porém, Miyabi tinha escolhido aquele para dividirmos.

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Quando eu percebi, já estávamos em Tokyo. Fui poucas vezes para lá, masestava muito agitada como sempre. Felizmente consegui o apoio (carona) dos pais dos integrantes do clube, minha mãe e os pais de Miyabi inclusive, dessa forma economizamos com a viagem e as dores de cabeça que eu estava tendo acabaram. Além disso, os pais e aqueles que não competiriam também puderam ir. O ginásio onde o torneio iria acontecer era enorme e muito bonito, o que era de se esperar de um dos melhores colégios da cidade. Era até um pouco intimidador tanta gente reunida para nos assistir, mas sabia que na hora iríamos nos esquecer da platéia.

Dessa vez conseguimos nos inscrever para as quatro categorias: 12-14 anos feminino e masculino; e 15-17 feminino e masculino. Para muitos, aquela seria o primeiro torneiro que participavam e por isso resolvi encorajá-los. Reuni todos em um local mais silencioso e falei: – “É normal ficar nervoso em um campeonato, principalmente na primeira vez. Mas vocês não precisam se preocupar com seus adversários, com o que vai acontecer na luta, com a torcida, muito menos com o resultado. Ganhar é sempre bom, mas isso é o de menos. O importante é dar o melhor de si e se divertir.”

Todos vibraram e aplaudiram, então anunciaram que o torneio iria começar e era para irmos para nossos lugares. Miyabi estava andando ao meu lado, já que ela seria nossa assistente. Ela se aproximou um pouco e cochichou: – “Belo discurso. Eriko-san ficaria orgulhosa.” – ruborizei, mas fiquei contente com o elogio.

“Tá pegando o jeito, Taichou*!” – Misae apareceu de repente apoiando seu braço em meus ombros com força. – “Você viu o tamanho daquele troféu? Com certeza vai ser nosso.”

“Não seja arrogante, Misae-chan. Nesse ano também tem boas equipes.” – Aoi repreendeu.

“Mas vocês também estão fortes. Tão fortes quanto no ano passado ou até um pouco mais.” – Miyabi comentou alegre.

“É verdade. Isso porque nossa Taichou aqui resolveu não fazer nada imprudente e se machucar.” – Aoi provocou me fazendo corar. Só as duas me chamavam por aquele título, que começou mais como uma brincadeira afinal, esse termo era usado para oficiais do exército.

“Quanto a não ser imprudente, não tenho tanta certeza... Mas pelo menos ela tá inteira dessa vez.” – brincou, me deixando mais encabulada.

“Vamos logo que o torneio já vai começar.” – mudei o assunto.

“Hai, Taichou!” – as três falaram ao mesmo tempo e riram logo em seguida.

As nossas lutas foram tão difíceis quanto as do ano passado, mas conseguimos vencer todas. A final disputamoscom as anfitriãs; elas eram muito boas, sendo que vencemos por muito pouco. Kobayashi Yuri me surpreendeu bastante, a evolução dela do ano passado para esse foi incrível; eu já sabia quem sugerir para ser a capitã no ano seguinte. Os meninos do 1º ano também conseguiram o ouro, enquanto as meninas ficaram com a prata. Já os meninos do 3º ano ficaram em quarto lugar, o que era um resultado excelente, visto que só treinaram por seis meses.

Depois do torneio, fomos a um restaurante para comemorar. Foi muito divertido, apesar da bagunça que fizemos. Quando estávamos nos preparando para voltar para Fukuoka, uma das garotas do 1º ano de grande potencial se aproximou de mim, Miyabi, Misae e Aoi para falar comigo; ela era alta, cabelos negros longos, muito bonita. Seu nome era Matsumoto Reiko.

“Senpai, parabéns pela vitória hoje.” – Matsumoto falou com um sorriso.

“Obrigada. Eu vi algumas das suas lutas, você também foi muito bem, parabéns.” – respondi.

“Obrigada. Mas o que eu queria te contar é que entrei para o clube por sua causa.” – ela disse se aproximando mais. – “Eu a admiro e quero te conhecer fora do dojô.”

“Ora, você não precisava pedir uma coisa dessas. Podemos sempre conversar depois dos treinos ou no intervalo das aulas.”

“Isso seria bom, mas não foi isso o que eu quis dizer.” – ela tinha um sorriso confiante no rosto e me olhava com bastante intensidade. Ela colocou um pedaço de papel em minha mão e disse: – “Meus pais não vão estar em casa amanhã, se você estiver interessada em nos conhecermos melhor, apareça.” –se aproximou do meu ouvido e sussurrou: – “Posso te ensinar muitas coisas.” – então me deu um beijo na bochecha e foi para o carro que a esperava.

Fiquei confusa com as intenções dela e senti meu rosto esquentar por causa do beijo. Minhas amigas também ficaram em silêncio por um tempo tentando entender o que tinha acontecido. Misae comentou com um tom malicioso: – “Quem diria, Taichou, arrasando corações.”

“O que? Não! Não é isso o que você está pensando... ou é?” – eu realmente estava confusa.

“Como você pode não ter percebido os indícios?” – Aoi perguntou incrédula. – “Reiko-chan entrou no clube por sua causa, ela te admira, falou pra você visitá-la com os pais dela fora, sem contar o beijo. Quão tapada você pode ser?” – fiquei com muita vergonha.

“Você vai? Na casa dela, eu digo.” – Misae perguntou.

“Não. Mas precisaria avisá-la para ela não ficar esperando...” – respondi pensativa.

“Não precisa. Se você não aparecer ela vai entender o recado e vai parar de dar em cima de você.” – Miyabi falou, ela parecia irritada. – “Vamos indo, meu pai está esperando.” – o assunto encerrou.

Entramos no carro de Ryuuji-san e seguimos viagem para casa. Aoi e Misae conversaram animadamente com Ryuuji-san o caminho inteiro (na verdade mais a Misae), mas Miyabi não falou mais nada durante toda viagem. Ela não parecia brava, parecia pensativa, mas estava claro que algo a estava incomodando. Talvez ela estivesse muito cansada.

No dia seguinte não consegui avisar Reiko de que não iria encontrá-la. Eu pensei que ela iria ficar brava comigo e poderia até sair do clube, mas felizmente me enganei. Quando nos encontramos no treino ela falou que já esperava por aquilo e não estava magoada. Claro que ela ficou chateada no dia, mas tinha superado. Ela continuou no clube e às vezes conversávamos sobre coisas não relacionadas ao kendô. Alguns meses depois, ela arrumou uma namorada.

***

Fazia um ano desde o enterro de Isuzu. Eu, Miyabi e seus pais visitamos sua lápide pela manhã; conversamos com Isuzu, limpamos o local e ficamos em silêncio por um tempo lembrando dela. Eu e Miyabi costumávamos visitá-la uma vez por mês, mas naquele dia Miyabi decidiu aumentar o tempo entre as visitas. Ela tinha explicado que Isuzu sempre estaria com ela e ela não precisava ir lá para se sentir próxima dela, por isso iria vê-la em datas especiais (como o aniversário de Isuzu).

Depois da visita, almoçamos em minha casa, então eu e Miyabi pegamos Shiro e fomos passear no parque. Ele já tinha atingido o tamanho máximo de 38 cm de altura e estava pesando 8 quilos. Era difícil ficar com ele no colo por muito tempo. Andamos pelo parque e brincamos com ele por mais ou menos duas horas. Quando cansamos, sentamos na grama e o observamos brincar sozinho. Como ele era bonzinho e não se afastava muito da gente, dava para deixá-lo solto.

Após um tempo, me deitei e passei a observar o céu. O tempo estava bom, propício para um belo céu azul com poucas nuvens. Estava tudo tão tranquilo que acabei cochilando. Acordei ao sentir uma carícia gostosa em meus cabelos. Sem abrir os olhos falei com tom divertido: – “Você não tá observando dormir de novo, né?”

Miyabi parou a carícia e senti que ela deu pequeno pulo de susto. Abri os olhos e vi que ela estava com um leve rubor em seu rosto. Sorri para ela como dizendo que estava tudo bem.

“Você me pegou.” – Miyabi falou voltando ao normal. – “Tenho culpa que você fica tão bonitinha dormindo?” – foi minha vez de corar. – “Como você consegue dormir em qualquer lugar?”

“Deve ser um dom, haha.”

“Você deveria ter mais cuidado, Tomo-chan, alguém pode se aproveitar de você.”

“Mas estamos só nós aqui.” – ela resmungou algo que pareceu ‘esse é o problema’. – “Hã?”

“Nada não. Você é muito despreocupada.”

“Outro dom.” – falei de forma metida fazendo Miyabi rir.

“Baka.” – ela disse me cutucando na costela repetidas vezes. De repente, Shiro pulou em meu peito e começou a me lamber, como se não quisesse ficar fora da brincadeira.

Eu estava ficando sem ar de tanto rir por causa do ataque dos dois e estava difícil me proteger porque Shiro me impedia. – “P-por favor... p-para! Nã-não aguento mais!” – tentei falar entre gargalhadas. Felizmente Miyabi parou e consegui tirar Shiro de cima de mim. Ele ficou sentado com o rabo abanando freneticamente e com a língua de fora ao lado de Miyabi enquanto eu tentava recuperar o fôlego. – “Va-vai ter... troco. Me a...guarde.”

“Você não faria isso comigo, faria, Tomo-chan?” – ela fez uma carinha de cachorrinho pidão.

“Não... não adianta fazer essa cara. Não vai funcionar.”

“Não? Então...” – ela se aproximou e me beijou na bochecha, senti meu rosto esquentar na hora. – “Você me perdoa, né?” – Miyabi fez um charme.

“Dessa vez passa.” – respondi desviando o olhar. Ainda estava sentindo meu rosto quente.

Miyabi começou a rir. Fazia tempo que não a via rindo daquela forma, era muito bom de ouvir, mesmo sabendo que ela estava rindo de mim. Não demorou muito para eu me juntar a ela. Rimos como duas idiotas por um bom tempo, mas eu não me importava só que importava era que eu estava me divertindo e Miyabi estava feliz.

***

Os meses se passaram e nos formamos no ensino médio. Os últimos meses de aula foram bastante estressantes por causa das provas e dos exames de admissão da universidade, mas conseguimos sobreviver graças ao apoio uma da outra.

No primeiro dia após a formatura fomos ao cinema, mas Miyabi pareceu estar distraída e preocupada. Quando a questionei sobre isso ela falou que não era nada. Mais tarde quando estávamos em frente a sua casa ela se virou para mim com uma expressão perturbada e parecia à beira de lágrimas.

“Eu gosto de você, Tomo-chan.”

“Também gosto de você, Miyabi-chan.” – respondi sem entender o que ela realmente queria dizer.

“Você não entendeu, Tomo-chan. Estou apaixonada por você.” – Miyabi falou com um misto de ternura e tristeza. Eu apenas fiquei ali parada, boquiaberta, tentando compreender os sentimentos que aquelas palavras me causaram e o que aconteceria entre a gente dali pra frente.

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Tradução:

1 – Taichou: significa capitão/capitã.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Até a próxima o/