Notas iniciais
Boa leitura, espero que gostem. Agradecimentos especiais para minha beta querida e maravilhosa

“É doloroso demais ficar perto de você.”

Aquelas palavras soam em minha mente e causam uma dor aguda no peito. Há lágrimas teimosas querendo escapar. Paro de escrever minhas lembranças; escrevê-las não ajudou a aliviar minha tristeza como pensei que faria; claro que dei boas risadas, mas não foi o bastante. Fazia 3 semanas desde que eu e Miyabi paramos de nos falar. Nos primeiros dias tentei falar com ela, mas ela não respondeu às minhas mensagens. Pensei em visitá-la, mas não queria incomodar Fumiko-san e Ryuuji-san. Por isso, após a primeira semana desisti de tentar.

Eu sentia muita falta dela e estava chateada por tê-la magoado. “Queria ter me apaixonado por ela”, pensei enquanto calçava os tênis. Ficar me remoendo trancada em meu quarto não adiantaria nada, por isso decidi sair para caminhar, desta vez sem Shiro. Caminhei sem rumo durante não sei quanto tempo. Fui tirada momentaneamente dos meus pensamentos por um vento gelado que me arrepiou (estava sem casaco), mas não me importei. Olhei ao meu redor e percebi que estava no cemitério, o que me fez dar uma risada seca pelo lugar que meus pés me levaram. Fui até o túmulo de Isuzu.

“Oi Isuzu.” – falei após alguns minutos em silêncio. – “Semana que vem serei oficialmente uma universitária... Mas você já sabe disso.” – dei uma pausa e respirei fundo. – “Desculpa, eu magoei Miyabi-chan.” – senti uma brisa reconfortante e me senti melhor ao imaginar que era Isuzu. Suspirei tristemente. – “Não sei o que fazer. Eu gosto da Miyabi-chan e qualquer uma teria sorte de ser namorada dela, mas não sei se eu poderia me apaixonar por ela. Nem sei se sou lésbica!” – desabafei gesticulando furiosamente. – “Se ela sofre quando estou por perto, então talvez seja mesmo melhor nos afastarmos.” – um vento forte soprou, fazendo um pequeno galho atingir minha cabeça; o céu escureceu e um raio caiu próximo, o que provocou um forte som de trovão. – “Ok... acho que você quer me dizer que está brava e que estou sendo uma idiota.” – falei um pouco espantada e percebi que a intensidade do vento diminuiu um pouco. – “Tenho que ter paciência, né? Dar o tempo que a Miyabi-chan precisa e esperar ela vir falar comigo. Aí ver o que acontece, certo?” – o vento parou, mas as nuvens continuaram cinza. – “Obrigada, Isuzu. Prometo que se a Miyabi-chan me der uma chance, vou ser a melhor amiga que ela já teve e não vou deixar ela escapar de novo.” – sorri aliviada.

Observei em silêncio o céu escuro e soube que logo iria chover, mas não tinha pressa de voltar para casa. Um pingo gelado caiu em meu rosto, depois outro e mais outro e depois muitos outros; fechei os olhos e me deixei ser molhada pela chuva como se ela estivesse levando para longe o peso em meu peito. Fiquei encharcada em pouco tempo, mas não me importei. Um banho de chuva de vez em quando faz bem. Por quanto tempo fiquei ali não sei, mas comecei a sentir frio, então vi que era hora de ir para casa se eu não quisesse pegar um resfriado.

De repente ouvi: – “Baka-Tomo!” – me virei para a entrada do cemitério e vi Miyabi com o guarda-chuva em mãos, ofegante e com a expressão irritada. Não preciso dizer que fiquei surpresa. Ela se aproximou correndo e, ao chegar próximo, largou o guarda-chuva e me abraçou pelo pescoço com força.

“Você vai se molhar.” – foi a única coisa que me veio em mente para dizer. Miyabi riu e ouvi ela me chamar de ‘baka’. Ela me soltou. Peguei o guarda-chuva caído e a protegi da chuva (não que àquela altura fosse adiantar em algo). Uma lágrima escorreu pelo seu rosto, mas poderia ter sido uma gota da chuva. – “Aconteceu alguma coisa?” – perguntei preocupada.

Ela me olhou quase ofendida e me deu um tapa no braço. – “Você aconteceu, sua baka! Tomoyo-san ligou para casa preocupada com você. Como você sai sem deixar um bilhete e sem um guarda-chuva E um casaco num tempo desses?” – apesar dela estar me repreendendo, sorri. – “O que?” – ela perguntou confusa.

“Nada não. Só estou feliz em te ver.”

Miyabi corou e falou num sussurro: – “Eu também.” – então ela abaixou o olhar tristemente. – “Desculpa ter sumido desse jeito. Eu não devia ter...”

“Tudo bem. Eu entendo.” – interrompi. – “Depois a gente conversa. Primeiro temos que voltar antes que a gente pegue um resfriado.” – nesse momento a chuva parou e o céu começou a clarear. Olhamos incrédulas para o céu e começamos a gargalhar. – “Eu podia jurar que isso é coisa da Isuzu.”

Fechei o guarda-chuva enquanto Miyabi se aproximava da lápide. – “Obrigada por cuidar da Tomo-chan, Isuzu-chan.” – ela tirou o colar com o pingente de pêssego de seu pescoço. – “Sempre vou te amar, Isuzu-chan, mas está na hora de seguir em frente.” – ela prendeu o colar na lápide de forma que não se soltaria facilmente. – “Vamos continuar te visitando, não se preocupe.” – ela beijou a ponta dos dedos e tocou a lápide com eles como uma despedida.

Me despedi e voltamos para minha casa, onde nossos pais nos esperavam. Estávamos quase chegando e uma dúvida surgiu em minha mente: – “Como você sabia que eu estava lá?”

Miyabi deu de ombros. – “Foi só um palpite.”

Mal entramos em minha casa e minha mãe apareceu preocupada e me repreendeu por ter sido tão descuidada, além de ter deixado Miyabi se molhar, então nos mandou ir direto pro banho. Depois do banho, jantamos e voltamos para meu quarto enquanto nossos pais ficaram na sala conversando. Estava perdida por onde começar a conversa que queríamos evitar, mas que precisávamos ter; felizmente Miyabi quebrou aquele silêncio incômodo: – “Eu pensei que me afastar era a melhor escolha, mas me enganei. Na verdade foi mais doloroso. Eu senti muito sua falta, Tomo-chan.”

“Também senti sua falta. Eu quero continuar sendo sua amiga, mas não quero te magoar. Não sei se poderei corresponder aos seus sentimentos.” – disse com sinceridade.

“Só continue sendo você mesma, já é o bastante.” – ela respondeu carinhosamente. – “Não se preocupe, eu vou ficar bem, desde que eu tenha você ao meu lado.”

“Você não vai se livrar de mim tão fácil.” – falo brincando pra disfarçar a emoção.

Miyabi me abraçou. – “Me perdoa?”

“Não tem o que perdoar. Você precisava de um tempo. Eu entendo.”

Deitamos na cama apenas aproveitando a companhia uma da outra. Senti que resolvemos o problema que tínhamos e que nossa amizade continuaria forte como antes. Acredito que depois de termos passado por isso, nada que dependesse da gente nos separaria.

***

Passaram-se seis meses e as férias de inverno chegaram. Nós freqüentávamos a mesma universidade, porém cursos diferentes: eu, Confeitaria e Panificação e Miyabi, Medicina. A Universidade era enorme, mas isso não impedia de os boatos circularem rapidamente. Miyabi tinha se tornado popular por causa sua inteligência e, principalmente, beleza. Nos últimos tempos percebi que uma aparência mais madura a tinha tornado mais bela.

Não foram poucos os que a chamaram para encontros, mas ela recusou a todos. Até o mês passado; quando Miyabi aceitou sair com uma garota da turma dela. Fiquei feliz ao saber disso, mas quando ela me contou senti um leve desconforto em meu peito, o qual ignorei. Mais tarde ela disse que o encontro foi divertido e que a garota era legal e bonita, mas não havia dado certo.

Acordei com o toque do meu celular. Como estou de férias, sei que não é meu despertador. Demorei um pouco para reconhecer que era o toque de Miyabi, mas assim que reconheci atendi sem nem tentar disfarçar a voz de sono.

“Que horas são?” – perguntei.

“Uma da tarde, bela adormecida.” – ouvi sua risada do outro lado da linha.

“Não enche, estamos de férias.” – falei com falsa irritação fazendo Miyabi rir mais. – “Então, diga...”

“Quer sair hoje? Tem um filme que quero ver e podemos almoçar juntas. Ainda não almocei.”

“Tá me chamando pra um encontro?” – brinquei.

“Estou sim. Aceita?” – algo em sua voz me fez ter dúvidas se ela falava sério ou não. Senti meu rosto esquentar um pouco.

“Hmm... claro. Vamos sim.” – combinamos nosso ponto de encontro, então desliguei.

Como estava muito quente, resolvi colocar uma regata, um shorts jeans e uma sandália. Cheguei ao nosso ponto de encontro com 10 minutos de antecedência. Comecei a me sentir nervosa sem motivo, afinal nós já tínhamos saído muitas vez. Acho que o comentário do encontro colocou ideias estranhas em minha cabeça. Depois de uns cinco minutos, eu a vi se aproximar; estava vestindo uma saia preta, uma blusa de ombro caído cinza escuro, uma sapatilha preta e maquiagem leve. Estava muito bonita, principalmente por causa do largo sorriso em seu rosto. Senti meu coração acelerar um pouco.

Compramos nossos ingressos para a sessão, mas ainda faltava 1 hora e meia para iniciar, então fomos almoçar. Enquanto comíamos, me peguei olhando para Miyabi mais do que o normal, ficando mais confusa do que já estava. Ela percebeu e perguntou se eu estava bem, e respondi que não era nada. Terminamos de comer e fomos pro cinema.

A sala do cinema estava praticamente vazia. Sentamos na última fileira nas poltronas do meio. As poucas pessoas que estavam ali preferiram os lugares mais à frente. Ficamos em silêncio até os trailers começarem. Senti como se houvesse uma tensão entre nós; torci para que fosse só impressão minha. Assim que as luzes se apagaram, Miyabi levantou o braço da poltrona que nos separava, chegou mais perto como já tinha feito outras vezes e encostou a cabeça em meu ombro. Tensionei um pouco com o contato, mas relaxei em seguida.

Passados os trailers e o início do filme, Miyabi apoiou delicadamente sua mão sobre a minha que estava em minha coxa. Corei e olhei para ela, mas sua visão estava fixa na tela, apesar de não parecer que estava prestando atenção (nem eu). Senti algo diferente das outras vezes que ela segurou minha mão; diferente e confusa, porém boa. Meu coração estava disparado, pois percebi a intenção dela. Cautelosamente virei a palma de minha mão para cima; então, Miyabi entrelaçou seus dedos aos meus e se acomodou melhor. Voltei minha atenção para a tela bem na hora de uma cena de beijo; pensei que não me importaria em beijar Miyabi. Fiquei mais encabulada. Miyabi começou a fazer carícias em minha mão com o polegar e pareceu que ela não percebeu meus pensamentos (ainda bem). As carícias causavam uma sensação muito boa.

“Não consigo prestar atenção no filme.” – Miyabi sussurrou. “Nem eu” pensei.

Ela sentou em uma posição mais ereta e me encarou. Nossos olhares se encontram. A intensidade de seu olhar era imensa, quase me sufocando e senti meu coração querendo sair pela boca, mas não me movi. Percebi que Miyabi olhava em direção da minha boca e se aproximava vagarosamente. Eu sabia o que ia acontecer depois, por isso estava tão nervosa, mas ao mesmo tempo ansiosa. Eu queria que acontecesse.

Miyabi colocou sua mão livre carinhosamente em meu queixo e estava a poucos centímetros do meu rosto; fechei os olhos. Então, senti seus lábios macios sobre os meus. Um calor gostoso percorreu meu corpo, mas Miyabi se afastou. Abri os olhos e a encarei novamente. Ela estava me observando com expectativa. Sorri para ela, que sorria de volta.

Nem um segundo depois, ela me beijou novamente, mas dessa vez Miyabi entreabriu seus lábios. Segui seus movimentos e, de repente, senti sua língua invadir minha boca e acariciar a minha. Um calor intenso e prazeroso se espalhou pelo meu corpo e mais batimentos aceleram ainda mais. Miyabi soltou minha mão e a deslizou pelo meu braço até chegar em meu ombro, enquanto a outra deslizou até minha nuca, deixando-a em uma posição mais confortável. Eu não sabia o que fazer com as minhas, por isso apenas coloquei uma delas em sua cintura e com a outra apoiei no acento ao lado de sua perna.

Miyabi se afastou de novo e eu encostei minha cabeça em seu ombro, tentando recuperar o fôlego. O beijo foi incrível e não tenho palavras para descrever o que senti, além de parecer que nos beijamos por um longo tempo, mas que foi rápido demais. A respiração de Miyabi também estava descompassada, mas não tanto quanto a minha. – “Tudo bem?” – ela perguntou com um leve tom de preocupação. Levantei a cabeça para olhá-la.

“Uh-hum.” – assenti, pois estava sem palavras por causa do turbilhão de emoções que senti, mas, pelo sorriso em seu rosto, foi o suficiente. Ela me abraçou pela cintura e encostou sua cabeça em meu peito. Mesmo que minha respiração tenha voltado ao normal, meu coração ainda estava descontrolado e eu sei que ela conseguia ouvir, mas ela não comentou nada; apenas sorriu.

Estava apreciando o conforto daquela posição, porém minha mente começava a tentar processar o que eu estava sentindo. Não consegui identificar minhas emoções, nem entendia o que aquilo significava, só sei que queria beijá-la de novo. Fiquei em dúvida se eu deveria falar para ela e também se ela aproveitara tanto quanto eu, mas nem precisei perguntar; de repente, Miyabi se levantou e me beijou novamente, dessa vez com mais intensidade, fazendo uma nova onda de calor se espalhar pelo meu corpo e acabei soltando um gemido baixo. Parei o beijo, novamente sem ar, e ela me olhou com um sorriso encantador. – “Wow!” – falei, abobalhada.

Ela riu e sussurrou em meu ouvido: – “Você é muito fofa, sabia?” – sei que devia estar com o rosto muito vermelho de vergonha, mas aquilo me deixou feliz e mais relaxada, porque soube que também estava sendo bom para ela. Voltamos a assistir ao filme de mãos dadas, mas não fazia ideia do que se passava na história. Estava mais relaxada e alegre, apesar de que ainda estava sentindo meu coração querendo sair do meu peito. Miyabi comentou algo (no qual não prestei atenção) e nossos olhares se encontraram; fiquei perdida em seus olhos profundos e, quando me dei conta, a beijei. Não tive tempo de ficar surpresa com a minha atitude, porque Miyabi já correspondia com fervor e assumia o controle, me deixando nas nuvens.

Após um tempo, estávamos em frente à sua casa. Não lembro como viemos parar ali. Estava anestesiada e meu coração continuava agitado; também tenho certeza de que estava com um sorriso bobo na cara. Não lembrava nada do filme, mas isso não importava, os beijos que trocamos foram mais proveitosos. “Já é bem tarde, os pais de Miyabi devem estar dormindo”, pensei.

“Obrigada, Tomo-chan. Amei nosso encontro.” – ela não me deu tempo de responder, simplesmente me deu um selinho e entrou em casa mandando um ‘tchauzinho’ antes de fechar a porta. Percebi que ela estava corada.

Estava boquiaberta encarando a porta, mas logo me recuperei e voltei para minha casa. No entanto, não prestei atenção no caminho; estava sonhando acordada relembrando de nossos beijos e das sensações que eles causaram. Quando dei por mim, estava deitada em minha cama encarando o teto e com um sorriso bobo na cara.

Eu sei que algo mudou entre nós naquele momento, mas não sei o que isso significa. Eu gostei muito de beijar Miyabi e de ficar daquela forma tão próxima; percebi que sinto atração por ela, mas não sei se é amor. Resolvo pensar sobre isso outro dia e apenas curtir o momento. Adormeço pensando que eu finalmente entendo a expressão “borboletas no estômago”.

***

Era sexta, dois meses após nosso primeiro encontro, e fomos visitar Isuzu. Durante esse tempo saímos mais vezes e em várias ocasiões trocamos beijos; uns inocentes e outros bastante intensos. Àquela altura eu já compreendia meus sentimentos e era hora de revelá-los. Estava muito nervosa e esperava que ela reagisse positivamente. Miyabi terminou de contar as novidades para Isuzu (exceto a parte dos nossos encontros), então a abracei por trás e senti-a tensionar levemente, mas logo relaxou.

“Estamos saindo, Isuzu. Tipo, como você e Miyabi-chan saíam.” – contei para Isuzu quase como se quisesse provocar. Miyabi tentou sair de meus braços, mas apertei mais forte; sabia que ela estava me olhando incrédula. Beijei-a na bochecha, soltei o abraço, segurei suas mãos ficando frente a frente com ela e olhei em seus olhos; ela estava surpresa e sei que meu rosto, vermelho como pimentão, traía minha tentativa de parecer confiante. Mesmo assim, falei tentando expressar toda a emoção que sentia: – “Eu te amo, Miyabi-chan. Quer ser minha namorada?”

Ela parece chocada, mas logo o choque se transformou no sorriso mais belo que já vi em seu rosto. Ela me beijou intensamente, o que me deixou tonta (como sempre). – “Sim! Claro! É óbvio!” – ela falou dando vários beijos em meu rosto. Então, Miyabi se acalmou, coloca uma mão sobre minha bochecha e falou com amor: – “Também te amo, Tomo-chan.” – meu coração se encheu de alegria e a beijei delicadamente, mas de forma tão profunda quanto a anterior. Nos separamos e demos as mãos entrelaçando os dedos; ficamos de frente para a lápide de Isuzu com sorrisos enormes no rosto.

“Vou cuidar bem da Miyabi-chan, Isuzu, prometo.” – disse com seriedade. – “Você acha que a Isuzu está nos observando?” – pergunto pra Miyabi.

“Espero que não o tempo todo, mas sei que ela está cuidando da gente.” – Miyabi falou olhando para o céu. Então, se aproximou de meu ouvido e sussurrou provocativamente: – “Até porque tem coisas que quero fazer com você que não quero que ela veja.”

“O-o-o-o-o-o q-q-q-quê!?” – corei imediatamente, pensando se havia entendido certo o que ela quis dizer.

Miyabi não me respondeu, apenas soltou minha mão e fez o gesto de despedida para Isuzu (beijar a ponta dos dedos e tocar a lápide). Depois disso, ela foi em direção à saída saltitando de alegria. – “Vamos logo, mal posso esperar para contar a novidade para nossos pais.” – ela disse e continuou a se afastar.

Sorri por vê-la tão feliz e senti que ia explodir de felicidade sabendo que eu era a causa disso. Uma brisa soprou em minhas costas; entendi como um sinal para eu ir logo, então coloquei minha mão sobre a lápide, olhei para o céu e agradeci mentalmente. Corri para alcançar Miyabi e, assim que cheguei perto, a abracei pela cintura tirando-a do chão e dando um giro. Ela soltou um gritinho surpreso e riu em seguida. A coloquei no chão novamente e entrelacei nossos dedos. Então, começamos a andar em direção à casa de Miyabi (na metade do caminho eu liguei pra minha mãe e pedi para ela ir para lá). Eu sabia que nossos pais ficariam muito contentes por nós e estava ansiosa para dar a notícia.

Quase não acredito na sorte que eu tenho por ter me apaixonado por Miyabi. Nossa amizade é muito forte e especial e o amor que sentimos uma pela outra é tão forte e especial quanto. Por isso eu tenho certeza de que enquanto depender de nós, ficaremos juntas por muitos e muitos anos. É claro que teremos obstáculos à nossa frente, mas sei que são esses dois sentimentos são que nos dará força para superá-los.

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Fim.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Em breve postarei o epílogo. Até o/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!