Watashi no Soba ni (Ao meu lado)
5 Capítulo 5
Notas iniciais
O Festival Cultural estava sendo um sucesso. Eu, Miyabi, Isuzu, Aoi e Misae vimos muitas coisas interessantes, como apresentação de taikô*, exposição de origami*, como são feitos mochi* e saquê, apresentação de Bon Odori*, karaokê, mostra de artesanato e pinturas clássicas, venda de máscara Omen*, um espaço otaku*, ensinamentos sobre cerimônia do chá, e, é claro, diversas barracas de comida. Aquele foi o ano em que recebemos mais visitantes, o que era excelente para nossa escola, mas terrível para acalmar meus nervos; afinal, provavelmente teríamos uma grande plateia para assistir a nossa peça, a qual seria a última atração do Festival.
O objetivo do festival era enfatizar a cultura do nosso país e, a princípio, a peça de teatro seria sobre um dos contos japoneses, mas Hanajima-sensei foi ousada e decidiu fazer uma peça da cultura ocidental que passaria na época em que o Ocidente começou a influenciar o Japão. A ideia foi simplesmente genial, o que era de se esperar de nossa regente. Faltando uma hora para o início do espetáculo, deixamos Isuzu na barraquinha de takoyaki* e fomos para o auditório nos prepararmos. Nos bastidores repassamos os últimos detalhes para a apresentação e vestimos nossos trajes pela primeira vez, pois eles só ficaram prontos na noite anterior. O meu era o uniforme de chefe da polícia da Era Meiji, parecido com o uniforme de Saitou Hajime*.
Faltando 20 minutos para iniciarmos, tudo estava pronto, mas eu não havia visto Miyabi depois que nos separamos para nos trocarmos, por isso fui procurá-la para desejar boa sorte. Não me surpreendi quando a encontrei espiando a plateia por trás da cortina do palco. Aproximei-me silenciosamente dela e sussurrei em seu ouvido: – “Animada?” – o susto que ela levou foi tão grande que ela soltou um grito e quase para o outro lado da cortina e tenho certeza que algumas pessoas a ouviram. O que fiz foi maldade, mas não aguentei segurar o riso.
“Isso não se faz, Baka-Tomo*!” – ela ter ficado emburrada me fez rir ainda mais, mas não demorou muito para ela começar a rir também. Aos poucos fui me acalmando e pude reparar na roupa que Miyabi estava usando: era um kimono vermelho mais aberto na parte de cima mostrando os ombros, igual ao kimono da personagem Yumi Komagata de Rurouni Kenshin (Samurai X). Ela ficou muito elegante e bonita, com um toque sedutor que era característico da personagem e sem parecer vulgar.
“Respondendo a sua pergunta, estou sim muito animada, não vejo a hora de começar. E você, Tomo-chan? Nervosa?”
“Vish, você nem imagina! Mas eu sei que vai ser um sucesso, afinal, nós treinamos bastante para isso.”
“É bom ver você assim tão confiante.” – ela me olhou com um sorriso que não consegui identificar. – “Você ficou muito bem nesse uniforme.”
“Oh! Hmm... obrigada?”
“Eu falo sério. Combinou com você.”
“Porque eu fico bem com roupas de homem?”
“Não! Não foi isso que eu quis dizer e você sabe disso.”
“Hahaha... eu sei, só estava te provocando.”
“Ha-ha, muito engraçado. A propósito, meus pais conseguiram vir, eles e Isuzu-chan estão na primeira fileira.”
“O-o quê!? Fumiko-san e seu pai estão aqui? Ai, que vergonha...” – eu gostava bastante de Fumiko-san, ela era muito legal, mas eu ainda me sentia nervosa perto dela e seria a primeira vez que eu me encontraria com o pai de Miyabi.
“Não se preocupe, Tomo-chan. Minha mãe te adora e ela sabe como você é tímida. Sem contar que ela entende o que estamos passando. Quando ela se apresentou na época de escola dela, nada ficou como planejado, mas as pessoas gostaram mesmo assim. E meu pai é do tipo de prestar atenção só na filha.”
Nessa hora, Hanajima-sensei apareceu, o que significava que a hora havia chegado – “Meninas, já vamos começar. Nem consigo acreditar na quantidade de pessoas que vieram nos ver.” – era claro no sorriso da sensei o quão orgulhosa ela estava com tudo aquilo. – “Preparem-se enquanto vou falar com o público. Ah! Só mais um conselho: divirtam-se.”
Desejei boa sorte à Miyabi e fui para a lateral do palco, junto a Misae e Aoi, onde sabíamos que não estaríamos visíveis aos outros, mas conseguiríamos ver a apresentação. Como a cortina ainda estava fechada, apenas era possível ouvir a voz da sensei:
“Boa tarde a todos. Agradeço a presença de todos e espero que tenham se divertido no nosso Festival Cultural. Para encerrar este belo dia, apresentaremos uma releitura que se passa na era Meiji de uma ópera do compositor francês Georges Bizet. Com vocês: Karen!”
Assim, todas as luzes se apagaram e, enquanto a cortina se abria, a sensei se retirou para o nosso lado. Nos fundos do palco havia uma estrutura com a imagem de um restaurante da época e podia-se ver apenas uma silhueta saindo da entrada do local.
No momento em que a figura parou e a cortina abriu completamente, um único feixe de luz a iluminou mostrando Miyabi com uma mão na cintura e a outra segurando um leque que só não cobria seus olhos. Poucos segundos depois, ela olhou em minha direção, fechou o leque e sorriu maliciosamente. Então, virou-se para a outra direção para ir embora e largou o objeto que estava em sua mão assim que começou a andar.Quando ela estava quase saindo do palco, eu entrei em cena. Fiz o melhor para parecer séria, mas meu coração estava disparado de tão nervosa que eu estava. Também tentei não olhar para a plateia porque, além de ser intimidadora, aquela era uma cena onde eu deveria focar apenas em Miyabi. Ela parou e olhou para mim por cima do ombro; ficamos nos encarando por um tempo, até que ela lançou um olhar sedutor, virou-se e saiu do palco.
Até o momento tudo estava como o planejado, mas eu sentia que estava tremendo e esperava que ninguém tivesse percebido. Caminhei até o centro do palco e me abaixei para pegar leque do chão. Ainda agachada, olhei para o objeto como se o estivesse perdida em meus pensamentos. Então segurei o leque com mais força e me levantei olhando de forma determinada para onde Miyabi havia saído. Nesse instante, as luzes se apagaram, mas ainda era possível ver minha silhueta saindo do palco como se estivesse indo atrás de Karen.
Assim que fiquei atrás das cortinas laterais, me permiti olhar para o público. Todas as poltronas estavam ocupadas e tinha também algumas pessoas sentadas na escada. Pela expressão delas, elas gostaram bastante da primeira cena, o que me deixou muito contente e menos nervosa.
“Você foi muito bem, Tomo-chan.” – Miyabi comentou enquanto a próxima cena iniciava, onde Mika, a personagem de Yoshida, perguntava sobre o paradeiro de Joji (eu) para o capitão da polícia.
“Acho que os treinos extras serviram pra alguma coisa, haha. Mas você foi impecável.”
“Você está exagerando.” – pude ver que ela corou levemente. – “Espero que você esteja menos nervosa, porque daqui pra frente, praticamente não sairemos do palco.”
“Haha, verdade. E parece que nossa folga tá acabando.” – o capitão estava terminando de explicar que Joji já deveria ter voltado com o responsável pelos problemas no restaurante e, por isso, ele mesmo iria investigar. Assim, as luzes apagaram-se novamente. Eu e Miyabi fomos até o centro do palco enquanto o cenário atrás de nós era trocado para o de um bosque. Quando nos iluminaram, estávamos uma de frente para a outra, sendo que eu com uma mão segurava a dela e a outra depositava um anel de ouro sobre sua palma.
Passados alguns segundos naquela mesma posição, um chamado veio de trás de Miyabi: – “Cabo Joji! Ordenei que você prendesse essa mulher!”
“Comandante!” – eu falei com um tom de surpresa enquanto me colocava entre os dois. – “Sinto muito, Comandante, mas não vou prendê-la, nem permitirei que alguém o faça.” – dessa vez usei uma voz mais firme.
“Então não me resta alternativa a não ser utilizar a força.” – assim que terminou de falar, ele desembainhou a espada e entrou em guarda. Eu fiz o mesmo e sinalizei para que Miyabi se afastasse. Ficamos nos encarando por um tempo, mas quando demos um passo para frente, um policial apareceu para avisar ao Comandante sobre problemas na prisão. – “Tenho que ir, mas na próxima vez você será punido, Joji!” – com isso ele embainhou a espada e saiu correndo do palco com o policial.
“Você não vai voltar, Joji-san?” – Miyabi falou ao se aproximar.
“Não.” – disse enquanto embainhava a espada e virava para ela. – “Por que deveria? Traí meu superior só para te proteger”. – me aproximei dela, peguei uma de suas mãos e segurei contra meu peito, então com a outra mão segurei-lhe o queixo. – “Karen-san, me apaixonei por você e decidi ficar ao seu lado para sempre.”
“Ah… Joji-san…”
Ficamos mais um tempo nos encarando até Yoshikawa entrar apressada chamando por Joji.
“Mika-san, o que faz aqui?” – falei me afastando de Miyabi e me virando para a outra.
“Minha mãe deseja vê-lo para tratar de nosso casamento, Joji-kun.”
“Sinto muito, Mika-san, mas receio que não poderei mais casar com você, pois me apaixonei por Karen.”
“Mas Joji-san... – Yoshikawa num tom exagerado de desespero se jogando em meus braços – minha mãe está muito doente e morrendo!
Dei uma pausa e suspirei conformada – “Entendo.” – me virei para Miyabi – “Mas Karen, não desistirei de você! Eu voltarei!” – com isso saí do palco sendo puxada por Yoshikawa enquanto Miyabi estava parada com uma expressão inconformada.Assim que saímos, as luzes foram apagadas, mas logo em seguida acesas novamente. Desta vez, Miyabi estava com a mão na cintura numa pose confiante e seu olhar era de desdém – “Hmph! Então o que?” – assim, novamente o palco ficou escuro.
Aquela era a cena que estávamos tendo mais dificuldade nos ensaios, por isso fiquei feliz que tudo correu bem. Finalmente Yoshikawa deixou nossas diferenças de lado e fez o que era melhor para nossa turma. Na cena seguinte, Kamiya e outro colega cujo nome eu não lembro estavam encenando um duelo de esgrima. Eles trocaram alguns golpes sendo que no final Kamiya foi o vencedor. Então, ele pegou uma rosa vermelha que estava próxima e a jogou em direção à plateia. A rosa caiu nas mãos de alguém que estava em pé entre duas poltronas e quando ela foi iluminada pelos holofotes, puderam ver que era Miyabi. Para finalizar a cena, ela lançou um sorriso sedutor para Kamiya. Nessa hora, a plateia não se conteve e os aplaudiu.
Miyabi se dirigiu lentamente até o palco sem tirar o olhar de Kamiya. Quando estavam apenas os dois no centro, Kamiya segurou a mão dela e anunciou: – “Karen eu te amo!”
“Eu também te amo, Eisuke-san.”
“Vencerei Joji em um duelo pelo seu amor!”
“Ah! Eisuke-san!” – assim, Miyabi o abraçou pelo pescoço sinalizando o final da cena.
Antes das luzes se acenderem de novo, eu entrei no palco com a espada em mãos. Quando nos iluminaram, Kamiya também estavam segurando sua espada e Miyabi não estava mais a vista.
“Eisuke! Eu o desafio!” – falei entrando em guarda.
“Era exatamente isso que eu queria!” – ele falou já me atacando.
Trocamos vários golpes e, como nos ensaios, não estávamos nos baseando em uma coreografia pré-definida, mas como se fosse uma luta de verdade. Para melhorar, os responsáveis pelos acessórios conseguiram espadas de metal, por isso quando as espadas se chocavam dava a impressão de que eram espadas reais. No entanto, uma coisa queesquecemos de combinar nos ensaios foi o momento em que a luta deveria ser interrompida e isso estava me preocupando um pouco, pois havíamos estendido o duelo um pouco mais do que normal. Então, quando vi uma brecha, resolvi improvisar. Em um movimento rápido, desarmei Kamiya e o derrubei no chão, com ele caído apontei minha espada para ele e falei: “Este é o seu fim!”
“NÃO!” – Miyabi gritou entrando no palco e correndo para ficar entre nós – “Por favor, Joji já chega. Eisuke-san não tem nada a ver com isso, deixe-o em paz.” – então, ela se virou para Kamiya – “Eisuke-san, por favor volte para a cidade. Você tem um torneio mais tarde.”
“Não tenho outra escolha.” – ele disse se levantando – “Joji, eu me lembrarei disso.” – dessa forma, ele saiu correndo do palco.
“Karen, eu te amo muito! Por você eu desisti da minha honra e cometi um motim!” – dei uma pequena pausa para recuperar o fôlego. – “Você deveria entender o que eu estou dizendo!”
Miyabi estava de cabeça baixa, mas, então, ela me encarou com uma expressão desafiadora – “Hmph! E eu com isso?” – depois ela mudou para um tom sonhador – “Eu sempre serei uma mulher livre. Não mentirei para mim!”
“Então, Karen-san!” – falei em desespero enquanto me aproximava dela e segurava suas mãos. – “Eu lhe imploro, vamos para longe e recomeçar!”
Ela se desvencilhou de mim e se afastou dizendo: – “Não! Eu não quero! Eu não o amo mais, Joji-san e não quero o seu anel”. – ela disse retirando o anel do dedo e jogando em minha direção – “Eu amo Eisuke-san e devo ficar ao lado dele, por isso não nos incomode mais. Adeus.” – ela começou a andar na direção em que Kamiya foi.
Olhei-a em choque, mas à medida que ela se afastava, minha expressão começou a se transformar em puro ódio até que gritei: – “KAREN!!!” – e saí correndo em sua direção com minha espada em mãos. Assim que me aproximei fiz parecer que eu havia a perfurado no estômago. Pude ouvir as exclamações de espanto do público enquanto Miyabi caía no chão.
Larguei a espada e segurei Miyabi em meus braços. – “O que foi que eu fiz.” – falei, arrependida e desesperada. Então soltei um grito de angústia: – “KAREEEEN!!”
O silêncio era total no teatro, mas assim que as luzes se apagaram fomos aplaudidas de pé. Os aplausos continuaram mesmo quando todos da sala que participaram da peça se reuniram no palco para agradecer e só cessaram quando Hanajima-sensei faz sinal de que queria falar:
“Muito obrigada a todos! Fico feliz que tenham gostado! E, assim, encerra-se mais um Festival Cultural! Muito obrigada!” – com isso as cortinas se fecharam.
Ficamos um bom tempo comemorando o sucesso da peça e alguns comentando como foi incrível a atuação de todos, principalmente a de Miyabi. Depois que todos começaram a se dispersar para arrumar as coisas, Hanajima-sensei se aproximou de nós: “Estou tão orgulhosa de vocês. Vocês foram ótimas, mas você superou minhas expectativas, Sakamoto-san. O seu improviso no duelo foi espetacular. Eu queria esperar mais um pouco antes de pedir para Hime-chan entrar em cena, mas do seu jeito foi muito melhor. Parabéns. Agora vão, descansem e nos vemos na segunda.”
Depois que a sensei foi embora, ajudamos a organizar o teatro e fomos nos encontrar com a família de Miyabi. Os pais de Aoi e Misae também vieram ver a peça, por isso elas já tinham ido embora com eles quando resolvemos ir também.
Assim que saímos do teatro, um homem alto, charmoso, de cabelos e olhos pretos, óculos, terno preto e barba por fazer se aproximou perguntando de forma intimidadora: – “Você é Sakamoto Tomo?”
Eu sabia que ele era o pai de Miyabi e não parecia que ele queria ser amigável comigo. – “S-sou sim, Himemiya-san. É um prazer conhecê-lo.” – estendi minha mão para cumprimentá-lo mesmo que eu estivesse sendo intimidada por ele, mas eu queria ser educada.
Ele me olhou por um tempo, mas depois caiu na gargalhada. Depois que ele parou de rir, ele aceitou meu aperto de mão. – “Gostei de você.” – antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele abraçou Miyabi perguntando: – “Como está minha Hime?”
“Bem, mas o que você fez com a Tomo-chan foi maldade.”
“Eu só estava vendo que tipo de pessoa ela é.”
“Oh, não ligue pra isso Miyabi-chan.” – Fumiko-san disse abraçando sua filha e depois me abraçou. – “Você também Tomo. Meu marido adora brincar com os outros e fazer piadas. Não o leve muito a sério. De qualquer forma, vocês foram ótimas.”
“Foram mesmo. Parabéns.” – Isuzu disse dando um beijo na bochecha de Miyabi e depois um abraço em mim.
“Estão tão orgulhoso da minha Hime! Eu gravei tudo e acho que vou colocar na internet.”
“Pai! Nem pense nisso!
“Haha. Tá bom. Vamos indo? Tomo, você vai jantar conosco, certo?”
Fiquei muito contente com o convite, mas eu não queria incomodar a reunião em família deles, porque eu sabia que, por causa do trabalho do pai de Miyabi, eles mal conseguiam aproveitar muito tempo juntos. – “Eu agradeço o convite, Himemiya-san, mas...”
“Pra começo de conversa, pode me chamar de Ryuuji. E eu não vou aceitar um não como resposta porque eu quero conhecer a nova amiga da minha filha, ok?”
“Ok. Será um prazer, Him... digo, Ryuuji-san.”
“É assim que eu gosto de ver, hahaha.”
Fomos para a casa de Miyabi de carro, um belo Honda Civic preto e, durante o caminho, conversamos sobre a peça. Falamos sobre as partes de que mais gostamos, das que menos gostamos e, além disso, o figurino e o cenário, os quais pareciam até um trabalho profissional. Não comentei com eles, mas tenho suspeitas de que Hanajima-sensei já dirigiu grandes peças de teatro antes de começar a lecionar. Quando estávamos entrando na casa, o pai de Miyabi pediu para falar comigo a sós, por isso ficamos do lado de fora enquanto as outras entraram. Eu esperava que não fosse nada sério, mas pela expressão de preocupação delas, não parecia que a conversa seria divertida.
Assim que ficamos a sós, ele olhou pra mim e falou: – “Não se preocupe, não é nada sério.” – ele me olhou com uma expressão séria. – “Eu gostaria de pedir a sua ajuda para preparar uma festa surpresa para Isuzu-chan.”
Por aquilo eu não esperava. Eu sabia que o aniversário de Isuzu seria no próximo mês, mas estava confusa com o pedido. – “Ããã... eu adoraria poder ajudar, seria um prazer, Ryuuji-san, mas por que eu? Digo, Miyabi conhece Isuzu muito melhor.”
“Acontece que os pais de Isuzu-chan não aceitaram o namoro das duas muito bem, por isso, eu gostaria de fazer algo especial para ela.” – ele suspirou emocionado. – “Sabe, eu considero Isuzu-chan como parte da família e quero mostrar isso pra ela. Então, o que me diz?”
“Pode contar comigo para o que precisar!” – falei sorrindo. – “Isuzu-san é uma pessoa muito especial, ela merece essa surpresa.”
“Maravilha! Podemos falar mais sobre isso mais tarde, mas é melhor voltarmos porque estou morrendo de fome, haha.”
Nós mal entramos na casa quando Miyabi veio perguntar preocupada sobre o que o pai dela queria. Eu respondi que ele queria saber dos meus planos de estudo e se eu tinha interesse em medicina. Não sei por que Ryuuji-san pediu para usar essa desculpa, mas pareceu que funcionou, pois ela ficou mais tranquila e não perguntou mais nada. Depois disso, o jantar foi excelente. A comida estava deliciosa, como era de se esperar de Fumiko-san, e a conversa foi ótima, apesar de eu ter que responder a milhares de perguntas. Foi muito divertido, algo parecido com o que acontecia quando nos reuníamos eu, minha mãe e meu pai. Isso foi algo que me fez ter certeza de que meus pais se dariam muito bem com os de Miyabi. Adoraria que eles pudessem se conhecer logo.
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Traduções:
1 – Taikô: tambor japonês.
2 – Origami: dobradura de papel.
3 – Mochi: é um bolinho feito de arroz glutinoso moído em pasta e depois moldado.
4 – Bon Odori: dança tradicional japonesa.
5 – Máscaras Omen: são máscaras artesanais feitas de papel machê muito popular entre as crianças e adolescentes.
6 – Otaku: fã de anime e mangá.
7 – Takoyaki: é um popular bolinho redondo japonês que mais se parece com uma panqueca temperada feita com uma massa muito mole, quase líquida, e frita em uma chapa especial para Takoyaki.
8 – Baka: significa idiota.
Nota: Saitou Hajime foi um samurai japonês do final do período Edo, que ficou mais famoso atuando como capitão da terceira unidade do Shinsengumi. Na ficção Saito se tornou muito popular com a série em mangá e anime Rurouni Kenshin (Samurai X).
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