Notas iniciais
Boa leitura. xD

Após duas semanas, percebi uma mudança significativa no comportamento das pessoas na escola. A principal delas foi com relação à Miyabi; a maioria passou a respeitá-la e a tratá-la naturalmente, algumas até se desculparam por a terem tratado mal. Não sei exatamente como aconteceu, mas acredito que as histórias de como foram os ensaios tiveram grande influência, pois além de atuar de forma esplêndida, Miyabi foi muito querida e ajudou bastante nossos colegas.

Além disso, Yoshikawa perdeu muito sua popularidade resultando na separação do “Top Five”. Apenas a melhor amiga de Yoshikawa, que por sinal era lésbica, continuou ao lado dela. Doce ironia. Isso mostrou que nossos colegas deixaram de ser influenciados por boatos e de se intimidarem por causa da família dela. O engraçado é que ela me culpou por isso e passou a implicar mais ainda comigo, o que não era problema pra mim, porque eu apenas a ignorava. Após o término das aulas, estávamos indo encontrar Isuzu no portão da escola para irmos à minha casa fazer uma sessão cinema, já que naquele dia eu não tinha atividades do clube. Porém, no meio do caminho, ouvi alguém me chamar:

“Sakamoto-chan, espere!” – era Shimada Shinji, um garoto tímido, mas muito inteligente e divertido de conversar – “Tenho um pedido a lhe fazer.”

“Ah! Shimada-kun! O que seria?”

Ele olhou para Miyabi um pouco envergonhado, mas respirou fundo e disse: – “Sakamoto-chan, você gostaria de ir ao cinema comigo? Só nós dois?” – fui pega de surpresa e não tinha ideia do que responder, até porque eu poderia ter interpretado as intenções dele de forma equivocada, mas ele não esperou por uma resposta e logo emendou – “Não precisa responder agora. Eu gosto de você e gostaria que você me desse uma chance. Leve o tempo que precisar.” – dito isso, ele se curvou e saiu correndo para fora da escola. Não, eu não estava equivocada. Fiquei mais um tempo boquiaberta com o que tinha acabado de acontecer, mas reconhecia a coragem de Shimada. Saí do meu estado petrificado quando ouvi a risada de Miyabi ao meu lado. – “Tomo-chan, sua cara tá ótima, hihi.”

“Isso não é engraçado! Isso é sério! Shimada-kun acabou de me chamar para um encontro!”

“E qual o problema? Vocês se dão super bem, até pensei que você gostasse dele. Por que não aceitar?”

“Aceitar o que?” – Isuzu perguntou ao se aproximar abraçando Miyabi por trás e apoiando o queixo em seu ombro.

“A Tomo-chan acabou de ser chamada para um encontro. E desculpa por fazê-la esperar.” – Miyabi explicou dando-lhe um selinho.

“Sem problemas. Por acaso foi aquele garoto que saiu correndo? Hmm... nada mal. Você poderia dar uma chance a ele, já que ele foi o único que teve coragem de te pedir pessoalmente.”

Suspirei fundo. Era verdade que nos últimos dias eu tinha ficado um tanto popular. Recebi alguns bilhetes me chamando pra sair, mas como a maioria eu não conhecia e as únicas cantadas que eu tinha recebido foram de caras estranhos na rua, acabei recusando todos. Além disso, eu achava que toda essa atenção que eu estava recebendo era algo de momento e não um interesse verdadeiro. (Era possível, não era?) Porém, o pedido de Shimada foi diferente. Ele realmente gostava de mim. O problema era que eu o via apenas como um bom amigo. – “Não sei... Podemos deixar esse assunto de lado? Por favor?” – Felizmente elas não insistiram no assunto, então fomos para a minha casa.

Assim que passamos pela porta, ouvi meu cachorro, um filhote de Spitz japonês, correndo em nossa direção. Me abaixei esperando que aquela bola de pêlo branca pulasse no meu colo como ele sempre fazia, só que ele passou direto por mim e foi direto para os braços de Miyabi.

“Você realmente me trocou pela Miyabi-chan, né, Shiro?” – como resposta ele latiu e abanou o rabo. Cachorro interesseiro.

“E quem consegue resistir ao charme da Hime?” – Isuzu falou rindo já entrando e indo em direção à cozinha. – “Você vem, Toto-chan? Você sabe como esses dois ficam quando estão juntos. Esquecem que existimos.” – no começo eu não gostava daquele apelido porque tinha o sentido de “peixinha” ou “passarinha” e era um trocadilho com meu nome: Sakamoto Tomo, mas, com o tempo passei a não me importar. Depois de espalhar as almofadas e cobertores pelo chão e colocar o DVD no aparelho, fui para a cozinha ajudar Isuzu com os lanches. Enquanto pegava os copos, ouvi Shiro latir muito animado.

“Ora, ora. Parece que a Tomo foi trocada.”

Reconheci imediatamente aquela voz, deixei os copos no balcão e fui correndo para a sala – “Kaa-san*!” – a abracei e ajudei com as bagagens – “Você não avisou que ia voltar hoje. Como foi a viagem?”

“Foi muito boa, mas, por mais que ame seu pai, já estava cansada daquela cidade. E, pelo visto, algumas coisas mudaram enquanto estive fora.” – ela comentou olhando para Miyabi e Isuzu.

“Ah! Desculpa... Essa é Himemiya Miyabi-chan, estamos na mesma sala.” – falei apontando para Miyabi, depois apontei pra Isuzu – “E essa é Momozono Isuzu-san namorada de Miyabi-chan.”

“É um prazer conhecê-la, Sakamoto-san.” “Muito prazer, Sakamoto-san” – as duas responderam.

“O prazer é meu. Podem me chamar de Tomoyo.” – depois de uma breve pausa, minha mãe sorriu de forma diabólica – “Então, me contem? Alguma outra novidade enquanto estive fora? Minha filha arrumou alguém?”

“Kaa-san!” – fiquei muito envergonhada fazendo com que todos rissem de mim, até Shiro pareceu achar graça.

“Não, mas um garoto da classe delas chamou a Toto-chan pra ir ao cinema.” – Isuzu sorriu maliciosamente.

“Toto...? Aaaaah! Sério!?” – ela virou pra mim com um brilho no olhar. – “Ele é bonito? Você aceitou? Quando vai ser? O que vão assistir? Você gosta dele?” – ela começou a me bombardear com perguntas que estavam me deixando extremamente constrangida.

“Kaa-san, por favor, somos só amigos.”

“Uhum. Parece que ele não pensa da mesma forma. Ele é bonito?” – minha mãe insistiu.

“Ele é bonitinho. Acho que você ia gostar dele, Tomoyo-san.” – Isuzu atiçou. Com certeza ela estava fazendo aquilo pra me provocar.

“Mesmo? Quando vou poder conhecê-lo?” – do jeito que minha mãe era, logo estaríamos falando sobre casamento e netos, por isso eu não gostava de conversar sobre esse assunto com ela.

“A Tomo-chan não respondeu ainda.” – Miyabi interveio ao perceber meu desconforto. – “Ele não quis esperar pela resposta. Fez o convite e foi embora. Foi tudo tão rápido que eu acho que a Tomo-chan ainda está processando o ocorrido.”

“Entendo. Já que é assim, não pergunto mais.” – minha mãe cedeu. Não sei como Miyabi conseguiu tão facilmente, mas fiquei muito agradecida. – “O que vocês planejaram fazer?”

“Maratona de O Senhor dos Anéis. A Miya-Hime nunca assistiu.” – Isuzu respondeu.

“É mesmo? Adoro Senhor dos Anéis, é um ótimo filme, você vai adorar.Bom, vou descansar um pouco porque a viagem foi bem cansativa. Fiquem a vontade, tá? E nada de gracinhas.”

“Ah, não se preocupe Tomoyo-san. A gente só ia beber umas cervejas. Quer uma também?” – Isuzu falou brincando. Eu sabia que as duas iam se dar muito bem por terem um senso de humor bem parecido.

Até a metade do primeiro filme, vi que Miyabi estava apreciando bastante, já Isuzu acabou dormindo com a cabeça apoiada no ombro dela. A cena merecia uma foto de tão bonitinha.Quando o filme terminou, já estava escurecendo e minha mãe, que havia acabado de acordar, insistiu em fazer o jantar dizendo que seria maisum motivo para elas nos visitarem de novo. Durante o jantar, contamos tudo o que aconteceu enquanto ela esteve fora (principalmente sobre o campeonato de kendô e o Festival Cultural) e percebi que ela adorou minhas amigas.

***

Vamos ao Game Center hoje?” – recebi uma mensagem de Miyabi três dias depois da sessão cinema.

Ué? Vc não tinha combinado algo com a Isuzu?”– respondia mensagem.

“Tinha.” – achei estranho porque dificilmente elas desmarcavam seus encontros, mas resolvi esperar pra ver se ela ia falar mais alguma coisa. Passaram-se dois minutos e nada.

Aconteceu alguma coisa?”– enviei.

“Podemos não falar sobre isso?” – foi sua resposta.

“Ok.” – decidi que o melhor era não pressionar.

“Então, vamos?” – ela refez o convite.

“Claro. Que horas?”

“Agora?”

“Isso que é vontade de me ver. haha” – brinquei.

“... Convencida.”

“Só tenho que me arrumar. Nos encontramos aonde?”

“Você acordou agora? São 13:00h!” – ela enviou com um emoji de espanto.

“Hoje é sábado, dá um desconto. Vc sabe que não sou de acordar cedo.”

“Hahaha. Só você mesmo, Tomo-chan.” “Já sei. Te encontro na sua casa e quando eu chegar, espero que você esteja pronta.”

“Sim, senhora!” – Miyabi era muito mandona de vez em quando.

Fiquei pronta em 15 minutos que era mais ou menos o tempo que demoraria paraMiyabi chegar. Quando eu estava indo para a sala, Shiro começou a latir muito animado, o que significava que Miyabi havia chegado. Mal eu abri a porta e Miyabi me abraçou com força, sendo que retribuí com a mesma intensidade. Porém, o comportamento dela estava me preocupando e eu deduzi que ela e Isuzu haviam brigado.

“Desculpa, mas eu estava precisando disso.” – Miyabi falou se afastando um pouco e depois pegando Shiro no colo. Instantaneamente, ela sorriu.

Eu sabia que se ela quisesse me contar o que houve, ela contaria quando estivesse pronta. Eu só precisava ser paciente. – “Vamos? Ou você prefere ficar aqui em casa e brincar com o Shiro?”

“Por mais que eu ame essa bolinha de pêlo, eu preciso de outro tipo de distração.” – ela falou colocando Shiro no chão – “Depois a gente brinca, Shiro.” – entendendo o recado, ele latiu alegremente e voltou correndo para sua casinha.

Assim, fomos para o Game Center, onde passamos horas em diversos jogos, rimos muito e só saímos de lá quando estava anoitecendo, momento em que paramos numa lanchonete para um lanche. Apesar de estarmos nos divertindo, pude perceber que em alguns momentos Miyabi ficava com o olhar distante e triste. Enquanto eu estava na metade do meu sanduíche, Miyabi estava apenas revirando suas batatas fritas. Naquele momento resolvi pressionar um pouco. Larguei meu sanduíche, limpei as mãos e coloquei uma delas sobre a de Miyabi, para chamar sua atenção e para mostrar apoio.

“O que está te preocupando, Miyabi-chan?” – ela parou de mexer nas batatas e ficou mais um tempo de cabeça baixa. Então ela suspirou e olhou para mim.

“Eu briguei com a Isuzu-chan.” – esperei mais um pouco para ela continuar a história. – “Tínhamos combinado um programa romântico para hoje e eu até ia passar a noite na casa dela, mas hoje de manhã ela ligou dizendo que uma colega de sala dela pediu ajuda com um trabalho e que teríamos que mudar os planos.” – Miyabi falou com um tom chateado. – “Elas podiam fazer o trabalho amanhã! Hoje era para ser só nós duas!” – aquela foi a primeira vez que a vi tão exaltada.

“E você deu essa sugestão? Digo, de fazer o trabalho amanhã?”

Miyabi suspirou tentando se acalmar – “Dei sim, mas ela falou que não ia durar o dia inteiro e que podíamos manter os planos da noite. Hoje era para ser um dia especial e ela sabia o quanto isso significava pra mim. Não acredito que ela esqueceu que era nosso aniversário de namoro.”

“Ah... E o que você falou?”

“Que ela podia ficar o dia inteiro com a colega dela porque eu não queria mais saber dela.” – Miyabi estava cabisbaixa e a cada palavra seu tom foi ficando cada vez mais baixo.

“Puxa, Miyabi-chan... E a Isuzu não falou mais nada?”

“Não... porque eu desliguei o telefone e não atendi mais nenhuma ligação dela.”

Ficamos em um silêncio desconfortável por um tempo. Era uma situação complicada e eu não sabia o que dizer. Além disso, Miyabi estava visivelmente constrangida com o ocorrido. Elas dificilmente brigavam, mas essa foi a primeira vez que o relacionamento delas poderia estar em perigo. Algo me dizia que essa colega da Isuzu não era só uma colega.

“Essa colega da Isuzu, você a conhece?”

“Infelizmente sim... Ela é uma ex da Isuzu-chan...”

“Oh...” – por aquela eu não esperava, mas eu não podia julgar a Isuzu sem saber o lado dela da história.

“Eu sei que fiquei com ciúmes, mas você acha que eu exagerei?”

“Talvez tivesse sido bom se você tivesse ouvido o que a Isuzu tinha pra falar. Mas você não acha que a Isuzu seria realmente capaz de te trocar por uma ex, né?”

“É claro que não! A Isuzu-chan é a pessoa mais leal que eu conheço!”

“Verdade, sem contar que ela te ama demais. Acho que se vocês conversarem, ainda dá tempo de salvar os planos da noite. O que você acha?”

“Eu não sei. Eu sei que preciso me desculpar, mas depois do que eu falei, não sei como vou conseguir encará-la.”

“Hmm, então vamos fazer o seguinte: primeiro você termina seu lanche, depois voltamos para a sua casa e quando você estiver menos nervosa, passamos na casa da Isuzu, ok?”

“Ok. Obrigada, Tomo-chan.”

“Não foi nada. Vai dar tudo certo.”

Poucos minutos depois, estávamos a caminho da casa de Miyabi quando meu celular começou a tocar. Não fiquei muito surpresa em ver que era o número de Isuzu.

“Alô?” – atendi.

“Oi Tomo, a Miya-Hime está com você? Ela não está atendendo às minhas ligações.”– Isuzu parecia muito preocupada, caso contrário ela não teria me chamado de “Tomo”. – “Mas acho que ela já deve ter te contado.”

“Sim, ela está comigo. Nós já estamos voltando pra casa dela.”

“É a Isuzu?” – Miyabi perguntou e confirmei com a cabeça enquanto ouvia o pedido de Isuzu – “O que ela disse?”

“Ela pediu para irmos pra casa dela, porque vocês precisam conversar. Ela também disse que está na praça perto da casa de vocês, onde, por sinal, passou o dia inteiro, e já está voltando.” – falei para Miyabi, então voltei a falar no celular: – “Tem certeza de que não quer falar com ela agora?”

“Tenho. Prefiro conversar com a Miya-Hime pessoalmente. Desculpa te envolver nisso, eu deveria ter sido mais compreensiva. Afinal hoje era pra ter sido um dia especial para nós. Enfim, nos vemos daqui a pouco. Obrigada, Toto-chan.”– Isuzu respondeu. Acho que aquele apelido nunca soou tão bem.

“Até daqui a pouco.” – desliguei o celular e me virei para Miyabi – “Ela quer conversar pessoalmente, mas não se preocupe, tenho certeza que vocês vão fazer as pazes rapidinho.”

“Espero que sim. Saber que ela não foi ver a ex já é um alívio.” – Miyabi falou visivelmente mais tranquila.

Demoramos 15 minutos para chegar na casa de Isuzu, mas ela não estava lá ainda, pois as luzes estavam todas apagadas. Aquilo era estranho porque a praça ficava à 10 minutos da casa dela. Então Miyabi comentou que estava com um mau pressentimento, por isso sugeri que fôssemos até a praça para ver se ela ainda estava por lá e se tivéssemos sorte a encontraríamos pelo caminho. Nós realmente a encontramos pelo caminho, mas a sorte não teve nada a ver.

Minhas lembranças daquele momento são confusas, parte delas são como um borrão, mesmo assim aquilo me marcou profundamente. Lembro-me de sentir como se o tempo tivesse parado, de ouvir o desespero na voz de Miyabi ao chamar por Isuzu, da dor em meu peito em ver o corpo machucado de Isuzu no chão e de repetir para mim mesma que aquilo não podia estar acontecendo.

Lembro que havia um carro batido num poste, de ter falado com alguém pelo celular, de me ajoelhar ao lado de Isuzu e de tentar parar o sangramento em seu abdômen; de Miyabi segurar sua cabeça e implorar que não a deixasse enquanto as lágrimas escorriam descontroladamente por seu rosto. Lembro que, apesar de Isuzu estar lutando para ficar consciente, ela tinha um sorriso no rosto. Lembro da dificuldade dela para me falar: “Cuide bem da Hime, Toto-chan”. Lembro de sua mão trêmula se erguendo lentamente para tocar o rosto de Miyabi, assim guiá-la para mais perto para lhe beijar os lábios e sussurrar “Eu te amo” antes de suas forças acabarem. Lembro de Miyabi chorar descontroladamente enquanto se debruçava sobre Isuzu. Lembro de meus olhos arderem, minha visão ficar embaçada, as lágrimas escorrerem pelo meu rosto e a dor em meu peito se intensificar.

Depois disso, só me lembro estar na ambulância amparando Miyabi que chorava em meu ombro e torcendo para que os paramédicos conseguissem estabilizar Isuzu. E quando chegamos ao hospital, levaram-na direto para a sala de cirurgia e nos guiaram para a sala de espera. Sei que fizeram algumas perguntas, mas não me recordo das respostas. Durante todo esse tempo, Miyabi não me largou, muito menos parou de chorar. Eu não conseguia imaginar como estava sendo difícil para ela.

Eu estava tão perdida em meus pensamentos que não percebi quando os pais de Miyabi chegaram. Acho que em algum momento eu liguei para eles. Eles nos abraçaram com força, depois sentaram ao nosso lado em silêncio, só falaram com os médicos. Mesmo que eles tentassem disfarçar, era possível ver o quão preocupado eles estavam e que a qualquer momento eles poderiam desabar. A chegada deles ajudou Miyabi a parar de chorar, mas ela ainda agarrava minha blusa com todas suas forças.

Ver Fumiko-san e Ryuuji-san me lembrou de ligar para minha mãe e avisá-la sobre o que aconteceu. Não entrei em detalhes, mas falei que não sairia do hospital até saber que Isuzu estivesse bem. Felizmente ela me apoiou e disse que estaria à disposição para o que precisássemos. Ficamos aguardando por mais 4 horas, quando o cirurgião responsável por Isuzu veio nos dar notícias. Minhas esperanças eram de que tudo havia ocorrido bem, afinal, aquele doutor era o melhor cirurgião de trauma da cidade. Eu torcia para ouvir um “a cirurgia foi um sucesso” e nem queria pensar na possibilidade de ouvir um “sinto muito”, mas a resposta do doutor não foi nenhuma delas. Ele falou: – “Por hora Momozono-san está estável, mas seu estado ainda é grave. Ela está na UTI agora em observação. As próximas 24 horas serão cruciais.”

Aquela não era a notícia que queríamos, mas saber que Isuzu estava viva consolava um pouco. Estávamos todos exaustos, principalmente Miyabi, apesar disso, ninguém queria sair do hospital, queríamos estar o mais perto possível de Isuzu.

“A Isuzu-chan vai conseguir.” – Miyabi falou querendo convencer mais a si própria do que os outros. – “Ela é forte. Ela tem que conseguir. Não vou aguentar se ela...”

O resto da frase se perdeu em seu choro. Eu a abracei para tentar aliviar um pouco a sua dor, aquela era a única coisa que eu podia fazer por ela. Fora isso, só me restava ser o mais forte possível e rezar pela recuperação de Isuzu.

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Tradução:

1 — Kaa-san: Forma mais informal de Okaa-san que significa "mãe".

Notas finais
Gostaram? Espero que sim ^^ Até o próximo capítulo o/