Watashi no Soba ni (Ao meu lado)
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Passaram-se três horas desde que Isuzu foi levada à UTI até que permitissem a visitação. Apenas três pessoas podiam entrar no local a cada período de visitação devido às regras do hospital. Fumiko-san ficou relutante em me deixar sozinha, mas, por minha insistência, os três acompanharam a enfermeira.
Eles mal tinham entrado na UTI e eu comecei a sentir a falta de companhia. Senti os efeitos da carga emocional como se minha energia estivesse sendo drenada. Olhei ao redor e vi que do outro lado da sala um jovem médico se aproximou de um casal idoso e uma mãe com a filha pequena no colo. Ouvi que o paciente em questão não tinha sofrido lesões muito sérias, mas precisavam aguardar o resultado de alguns exames para liberá-lo ou deixá-lo em observação.
“Como está a garota que ele atingiu?” – a moça que deduzi ser a esposa do motorista que atingiu Isuzu perguntou.
“Ela está na UTI sendo monitorada. Não se preocupe, estamos cuidando bem dela.” – o doutor respondeu.
“Espero que a garota sobreviva.” – asenhora com cara rabugenta comentou. – “Meu filhinho não suportaria a culpa caso ela morresse. Coitadinho.”
Minha vontade era de gritar “Coitadinho? Ele que foi imprudente!”. De acordo com a polícia, ele estava acima da velocidade e com os faróis apagados, por isso quando ele tentou desviar de Isuzu já era tarde demais. Eu sabia que começar um barraco não iria ajudar, por isso fui tomar um ar do lado de fora. Assim que saí, senti o vento gelado da noite. Me encolhi um pouco e olhei para o céu. Era uma noite estrelada, bonita.
Eu já tinha ouvido várias vezes frases como: “A vida pode mudar em um instante” ou “a vida é muito curta, então aproveite cada momento”, mas mesmo sabendo disso eu nunca imaginei que eu ou alguém tão próximo passaria por algo assim. Sozinha ali, comecei a relembrar os acontecimentos do dia. Tudo parecia tão surreal, um pesadelo. Então, passei a lembrar de quando nos conhecemos, das brincadeiras que ela fazia, de como ela tratava Miyabi e como parecia que ela já fazia parte da família Himemiya há muito tempo. Isuzu era uma das melhores pessoas que eu já tinha conhecido. Não era justo que ela, Miyabi, Fumiko-san e Ryuuji-san estivessem passando por aquilo.
Eu nunca fui uma pessoa religiosa, mas naquele momento enquanto eu sentia as lágrimas escorrerem pelo meu rosto e a angústia de não poder fazer nada, pedi às estrelas e a quem estivesse ouvindo que concedessem a recuperação de Isuzu. Enxuguei minhas lágrimas, respirei fundo e voltei para dentro. Eu precisava ser forte, porque se eu não podia ajudar Isuzu, o mínimo que eu podia fazer era servir de apoio para Miyabi.
Sentei no mesmo banco de antes e percebi que a sala de espera estava completamente vazia. Foi um alívio. Olhei para o relógio que marcava 1h36min. Eu estava muito cansada, mas mesmo assim decidi ficar lá até o fim. Meia hora depois, Ryuuji-san voltou da UTI. Ele estava visivelmente exausto, mas me ofereceu um meio sorriso. Ele sentou ao meu lado e perguntou: – “Não quer ir para casa? Posso te levar.”
“Gostaria de ficar.”
Ficamos em silêncio por um tempo até ele falar: – “Obrigado.” – ao perceber minha confusão, ele continuou: – “Por estar aqui. Significa muito para Hime... E para nós, Fumiko e eu. E tenho certeza de que para Isuzu-chan também. Você gostaria de ir vê-la, né? Se quiser posso ver se abrem uma exceção para você.”
“Obrigada, Ryuuji-san, mas por mais que eu queira, eu sei que eles restringem o número de visitantes por causa do risco de contaminação. Além disso, a pessoa de quem Isuzu mais precisa já está lá.” – ele assentiu com um sorriso triste. Depois, suspirou e se levantou. – “Vou buscar algo limpo para você se vestir.” – ele falou indicando minhas roupas que ainda estavam manchadas com sangue. – “Não demoro.”
Em poucos minutos Ryuuji-san voltou com a parte de cima do uniforme que os médicos usavam. Fui ao banheiro me trocar e, quando voltei, Miyabi e Fumiko-san tinham acabado de voltar. Vi que Miyabi também estava usando o mesmo uniforme que eu; provavelmente pediram para ela se trocar antes de ver Isuzu. Sentei-me ao lado dela e coloquei meu braço por cima de seus ombros para que ela apoiasse a cabeça em meu ombro.
“Será que a Isuzu-chan me perdoa?” – ela sussurrou. – “Pedi desculpas por hoje, será que ela me ouviu?”
“Acredito que ela te perdoou há muito tempo.” – falei.
“Você acha mesmo?”
“Claro que sim. Ela te ama. Além disso, ela comentou que deveria ter sido mais compreensiva, acho que ela também se sentia culpada.”
“Obrigada, Tomo-chan.” – a expressão dela suavizou um pouco. – “Vai demorar para termos novas notícias, tem certeza de que não quer ir para casa? Você parece muito cansada.”
“Tenho. Eu quero estar aqui. Sem contar que Isuzu pediu para eu cuidar de você ese ela souber que eu te troquei pela minha cama, ela não vai me perdoar. Ela provavelmente me daria o pior sermão da minha vida. Ou me faria pagar o maior mico da história.”
“É típico da Isuzu-chan.” – um pequeno sorriso se formou em seus lábios.
“Se bem que a ideia da minha cama é bem tentadora.” – comentei num tom divertido.
“Ei!” – Miyabi exclamou me cutucando nas costelas. Sorrimos uma para outra, depois voltamos a ficar em silêncio. Após um tempo, Miyabi adormeceu em meu ombro.
Uma hora se passou quando vieram nos informar que o resultado dos exames de Isuzu havia melhorado um pouco. Mesmo sendo boas notícias, achei melhor preservar o sono de Miyabi. Mesmo não tendo falado nada, Ryuuji-san e Fumiko-san pareceram concordar com minha decisão; eu sabia que estava sendo muito difícil para eles, ter uma pessoa querida na UTI e ver a filha sofrer. Dava para ver que um buscava forças no outro por estarem sempre de mãos dadas.
Às 5h20min, uma enfermeira com o semblante preocupado veio em nossa direção. Como se tivesse sentido a preocupação dela, Miyabi acordou um sobressalto. A enfermeira nos informou que Isuzu foi levada novamente à cirurgia devido à parada cardíaca causada por uma possível hemorragia interna que não apareceu nos exames anteriores. Não era uma situação incomum e, na maioria dos casos, a cirurgia ocorre sem problemas, mas qualquer cirurgia, por mais corriqueira que seja, é arriscada. Não preciso dizer que ficamos mais preocupados. A enfermeira saiu dizendo que traria mais notícias em meia hora.
O problema era que já havia se passado o dobro do tempo que ela tinha falado, mas nada dela aparecer. Miyabi estava à beira de um ataque de nervos, perguntando se não era melhor perguntarmos se eles tinham alguma notícia. Até mesmo Ryuuji-san, que estava acostumado com os procedimentos do hospital, começou a ficar impaciente. Então, quando ele resolveu exigir que viessem falar conosco, o cirurgião responsável por Isuzu apareceu. Dessa vez, pude perceber que pela expressão dele a notícia não era boa.
“Eu fiz tudo o que podia,” – ele falou – “mas Momozono-san perdeu muito sangue e ...” – já havíamos entendido o que aconteceu e as lágrimas já escorriam por nossos rostos, mas ele precisava terminar para que entendêssemos que aquilo era real. – “... não resistiu à cirurgia. Sinto muito.” – as pernas de Miyabi fraquejaram na hora e o grito agonizante que ela soltou ficou gravado em minha memória, mas consegui segurá-la antes que caísse no chão. Ela se encolheu e chorou descontroladamente, enquanto eu a aparava e chorava silenciosamente.
Depois que alguns minutos, Ryuuji-san pediu para vermos Isuzu. Em respeito a ele, as enfermeiras preparam um quarto especial para que pudéssemos vê-la. Assim que entramos na sala, Miyabi foi diretopara o lado dela, se ajoelhou ao lado da cama, segurou a mão de Isuzu e voltou a chorar falando coisas como: “Por que isso aconteceu?”, “O que vou fazer sem você?”. Era uma cena de quebrar o coração. Ryuuji-san e Fumiko-san se aproximaram de Miyabi e a abraçaram. Também pude ver que eles estavam se despedindo de Isuzu silenciosamente. Eu preferi ficar mais afastada, pois não queria me intrometer naquele momento de família. Se não fosse pela palidez em seu rosto, eu podia jurar que ela estava apenas dormindo e poderia acordar a qualquer momento. Era inacreditável que Isuzu havia morrido.
Ficamos naquela sala por mais ou menos uma hora, até Fumiko-san conseguir convencer Miyabi a voltar para casa, o que não foi nada fácil. Ao invés de irmos para a casa deles, Ryuuji-san pediu para que Miyabi ficasse comigo na minha casa naquele dia, pois ele precisava conversar com os pais de Isuzu e a casa deles tinha muitas lembranças que poderiam ser dolorosas para Miyabi naquele momento.
Assim que chegamos a minha casa, Shiro veio nos recepcionar. Só que dessa vez ele não veio todo animado como de costume, ele se aproximou como se tivesse percebido nosso ânimo e quisesse oferecer apoio. Às vezes eu podia jurar que ele agia como humano. Desde que saímos do hospital, Miyabi ficou mais calada e cabisbaixa, mas ela pegou Shiro no colo e se dirigiu ao meu quarto.
Enquanto isso, fui falar com minha mãe para explicar o que havia acontecido. Ela chorou e me consolou ao mesmo tempo e falou que estaria disponível para ajudar a família de Miyabi. Fui para meu quarto para ver como Miyabi estava, esperando encontrá-la adormecida. Para minha surpresa, ela estava deitada acariciando os pelos de Shiro e perdida em pensamentos. O cansaço em seu rosto era aparente, mas pelo visto ela não conseguia adormecer. Me deitei ao seu lado e quase que imediatamente ela me abraçou como se eu fosse um bichinho de pelúcia. Shiro subiu em cima da minha barriga e apoiou a cabeça no braço de Miyabi. Pouco tempo depois, todos nós adormecemos.
Dois dias depois, os preparativos para o funeral de Isuzu iniciaram. Ryuuji-san conseguiu falar com os pais dela e deu a ideia de fazer um funeral tradicional, algo que tem se perdido ao longo dos anos. Estávamos reunidos na casa de Isuzu para prestar uma última visita e nos despedir dela. De acordo com a tradição, deixamos Isuzu em sua cama, com um pano branco sobre seu rosto e coberta por seu futon*, como se estivesse adormecida. Poucas pessoas compareceram: apenas eu, minha mãe, a família de Miyabi, os pais de Isuzu e alguns amigos e professores de sua faculdade. Era claro pela tristeza no rosto de todos que Isuzu era muito amada e teve uma grande importância na vida dos presentes. Sinceramente, eu pensava que os pais de Isuzu não se mais importavam com ela depois que eles a expulsaram de casa por causa de sua orientação sexual, mas me enganei. Eles ainda a amavam mesmo não aceitando o relacionamento dela com Miyabi.
A única coisa que eu não entendia era o porquê de eles tratarem Miyabi tão friamente. Eles não falaram com ela desde que havíamos chegado, e quando eles olhavam para ela, dava para perceber claramente o desgosto em seus rostos. Aquilo estava me irritando. Pelo menos eles não impediram Miyabi de se despedir de Isuzu, mas acho que foi por respeito aela. Afinal, eles sabiam que aquela seria a vontade da filha deles.
Na manhã seguinte, voltamos para a casa de Isuzu para acompanhar a preparação do corpo para o velório. O agente funerário foi extremamente respeitoso. Ele a limpou com cuidado e a vestiu com um kimono* branco, pois o branco é a cor que simboliza a morte no Japão. Após este processo, o pai de Isuzu a colocou cuidadosamente no caixão feito de cerejeira. Então, para finalizar, o agente aplicou maquiagem de forma a acentuar sua beleza e colocou seis moedas em seu kimono (que simbolizam o “pedágio” necessário para a travessia do rio para a outra vida). Terminado este processo, nos dirigimos ao templo no qual seria realizada a cerimônia.
Antes de sairmos da casa, todos os presentes deixaram um valor em dinheiro entregue em envelopes especiais para a ocasião, a fim de auxiliar com as despesas. Ao chegarmos ao templo, o caixão foi colocado em frente ao altar onde já tinha uma foto de Isuzu. Os pais de Isuzu sentaram na primeira fila diante dele e nós (eu, minha mãe, Miyabi e seus pais) nos sentamos logo atrás. O monge responsável pela cerimônia esperou todos se acomodarem para então recitar alguns sutras*. Após isso, as janelas da parte superior do caixão foram abertas para prestarmos uma última homenagem. Um por um, nos levantamos, pegamos um incenso, o acendemos em uma vela e a colocamos em pé numa tigela com areia e cinzas que ficava no altar embaixo da foto. Depois,passamos pelo caixão e fizermos uma rápida oração à Isuzu.
Terminada a cerimônia, acompanhamos o caixão até a crematória onde foi feita uma rápida cerimônia antes de o pai de Isuzu acender a fornalha. Nós gostaríamos de acompanhar todo o processo até o fim, mas os pais de Isuzu pediram para que o restante fosse feito apenas em família, ou seja, entre eles. Apesar de discordar, pois Miyabi, Ryuuji-san e Fumiko-san também eram a família de Isuzu, eu não tinha o direito de falar algo a respeito.
Tudo aquilo estava sendo muito sofrido paraMiyabi, não só por ela estar de luto, mas também pela forma que os Momozono a estavam tratando. Ela quase não falava com ninguém e aquilo estava me deixando muito preocupada. Não só a mim, eu conseguia ver que seus pais também estavam. Depois que a maioria dos presentes foi embora, Miyabi resolveu pedir para ficar com um pouco das cinzas de Isuzu. Foi aí que presenciei uma das cenas mais cruéis que já vi:
“Como ousa pedir tal coisa?” – a mãe de Isuzu falou exaltada. – “Já não acha que fizemos o bastante te deixando participar da cerimônia? Se não fosse por você, minha Isuzu ainda estaria aqui!” – ela começou a chorar.
Fiquei revoltada. Não podia acreditar que ela estava culpando Miyabi por um acidente, mas Miyabi acreditou naquelas palavras. Dava para ver em sua expressão que ela começou a se culpar pelo ocorrido. Ela já estava sofrendo demais, ela não merecia estar passando por aquilo. Eu queria falar umas boas verdades para a senhora Momozono, porém, antes que eu pudesse fazer algum movimento, Fumiko-sanse aproximou e apoiou as mãos nos ombros de Miyabi.
“Você está enganada, Momozono-san.” – Fumiko-san disse calmamente. – “O que aconteceu foi um trágico acidente. Nós não sabemos o que realmente aconteceu, mas isso realmente importa? Culpar alguém não vai trazer Isuzu-chan de volta, só trará mais sofrimento.O que você esta fazendo é uma injustiça. Você não percebe que Miyabi-chan já sofreu demais? Que todos já sofremos demais?” – Fumiko-san respirou fundo e olhou para a mãe de Isuzu com pena. – “Infelizmente você não teve o prazer de ver como as duas eram felizes juntas. Talvez olhar as fotos que a Isuzu-chan tem faça você abrir os olhos.”
Depois disso, ela virou-se e começou a caminhar em nossa direção com seu braço em volta dos ombros de Miyabi e sussurrando palavras de consolo. Miyabi estava à beira de lágrimas, mas fazia o possível para não deixá-las cair. Fomos para a casa deles, onde compartilhamos várias histórias sobre Isuzu. Ryuuji-san contou sobre quando ela a conheceu e que não imaginava que a filha de uma paciente dele viraria uma constante na vida deles. Fumiko-san lembrou as vezes que Isuzu os visitava, mesmo quando Miyabi não estava em casa e passava horas conversando ou ajudando Fumiko-san nas tarefas domésticas. Eu comentei sobre situações embaraçosas que ela me fazia passar, apesar disso, eu não me importava tanto e iria sentir falta de ouvi-la me chamar de “Toto-chan”. Minha mãe relembrou o dia eu que elas se conheceram e que ela tinha adorado Miyabi e Isuzu instantaneamente. Porém, Miyabi ficou calada o tempo inteiro.
Algumas horas mais tarde, a campainha tocou. Fumiko-san foi atender e, para a surpresa de todos, eram os pais de Isuzu. Ouvi a senhora Momozono falar algo sobre ser a vontade de Isuzu e que ela tinha que respeitar isso, depois entregaram algo para Fumiko-san e foram embora. Fumiko-san voltou e entregou um pequeno frasco de vidro para Miyabi, o qual continha cinzas. Miyabi ficou muito agradecida, então se despediu de todos e foi para seu quarto, segurando o frasco contra o peito. Nós nos entreolhamos preocupados, mas não falamos nada. Pouco depois, eu e minha mãe voltamos para casa.
Na semana após o funeral, voltei para as aulas, mas Miyabi não. Expliquei a situação para os professores e contei para Aoi e Misae, as únicas pessoas que considerei que precisavam saber o que aconteceu. Fiquei contente por elas terem oferecido apoio. Infelizmente, os professores não podiam manter sigilo por tento tempo, pois era uma regra da escola explicar a ausência dos alunos para a turma.
No dia seguinte, Shimada veio me perguntar a respeito do convite que ele havia feito, o qual eu tinha esquecido completamente. Expliquei resumidamente para ele o que aconteceu nos últimos dias e ele pareceu compreender a situação, mesmo tendo ficado chateado. Me desculpei, depois falei que dificilmente eu pensaria em encontros durante um bom tempo. Eu sei que o magoei, mas não havia nada que eu pudesse fazer.
Os dias foram passando e era cada vez mais doloroso ver o estado de Miyabi. Eu a visitava todos os dias depois das aulas e a encontrava sempre na mesma posição: sentada na cama, abraçada às pernas, com o olhar perdido e segurando o pingente em formato de pêssego que continha as cinzas de Isuzu. Era visível que ela não conseguia dormir e estava perdendo peso; pelo menos Fumiko-san me garantiu que ela estava se alimentando, mesmo que pouco. Eu geralmente passava um bom tempo fazendo companhia ou conversando com Fumiko-san (e com Ryuuji-san, quando ele estava em casa) antes de voltar para casa. Eles pareciam estar lidando bem com o luto e agiam como sempre, mas era possível ver que eles não sorriam como antes, além de parecerem muito cansados (acredito que por falta de sono).
Eu sabia o quanto a perda de alguém amado podiaafetar uma pessoa e que cada um lida com o luto de formas diferentes,porém ver Miyabi se fechar completamente era devastador. Ela precisava se abrir com alguém, caso contrário as emoções reprimidas iriam deixá-la extremamente doente, além disso, se isolar não era a solução. Por isso, eu passava o dia ao seu lado, no começo eu falava sobre meu dia, mas como ela não falava nada, me contentei em ficar em silêncio sentada ao seu lado. Às vezes eu levava o Shiro, esperando uma reação maior, mas ela apenas o deixava em seu colo e o acariciava. Pelo menos era reconforte quando Miyabi segurava minha mão ou deitava no meu colo. Eram pequenos sinais de que ela apreciava minha companhia.
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Traduções:
1 – Futon: é um tipo de colchão usado na cama japonesa tradicional. Eles são baixos, com cerca de 5 cm de altura e têm no interior algodão, lã ou material sintético. Vendem-se conjuntos no Japão que incluem o colchão (shikibuton), o edredom (kakebuton) e a almofada (makura).
2 – Kimono: é a roupa tradicional japonesa. Significa literalmente “coisa de vestir”. Existem diferentes tipos de kimono para diferentes ocasiões e estações, incluindo aquelas usadas pelos homens. Ultimamente é usado por algumas pessoas mais velhas ou artistas tradicionais. O kimono não faz mais parte da roupa cotidiana dos japoneses, mas ainda são amplamente usados em ocasiões especiais como casamentos, cerimônias de graduação e ritos de passagem de idade.
3 – Sutra: no budismo, o termo "sutra" se refere de forma geral às escrituras canônicas que são tratadas como registros dos ensinamentos orais de Buda Gautama.
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