– Trevor! – Escuto Kath gritar em meu ouvido. Já era a terceira vez que eu saia da rota do nosso comboio. – Na próxima eu saio e deixo você se perder. – Diz ela bufando.

– Tá.- digo puxando as rédeas do cavalo para voltar com os outros. Depois da segunda vez que viajei em meus pensamentos e sai da rota decidiram que alguém deveria ir comigo.

– Quando vamos parar? – Diz Oliver sem paciência.

– Quando acharmos um lugar seguro para passar a noite. – Diz Adwale dando de ombros.

– Não era mais fácil ficar no Santuário? – Pergunta Kristen, com takashi deitado de barriga para baixo no lombo do camelo atrás dela.

– Não seria seguro. – Diz ele pegando uma luneta. O Sol começava a ficar alaranjado, dizendo que o dia estava acabando.

– Por que ficas dormindo acordado? – Sussurra Katherinne em meu ouvido, colando mais em mim. – Pode falar baixinho, ninguém vai ouvir.

– O Shinigami do Takashi, me fez lembrar muitas coisas do passado. – Digo olhando Takashi.

– Me ensine sobre Shinigamis. – Ela diz com um sorrisinho. – Gosto de ouvir histórias.

– Existem 2 tipos de Shinigamis, os que possuem corpos e os que são espíritos normais, todos eles são responsáveis por cuidar da alma dos mortos que ficam vagando por aí, são deuses da morte. – Digo a olhando pelo ombro.

– E qual o tipo é o do Takashi?

– Bom, eu diria dos que possuem, mas é difícil dizer, pois pelo que eu saiba Shinigamis não são esqueletos e não matam a sangue frio sem um propósito. Por enquanto é melhor deixar ele calmo para não despertar esse ser. – Digo vendo que Adwale acabara de achar uma pequena caverna em um aglomerado de pedregulhos.

– Mas não é melhor estudar ele então?

– Melhor treinar o Takashi com lutas e armas e domar esse Shinigami.

– Tudo bem. – Ela se afasta um pouco, diminuindo o aperto que fazia em minha cintura.

– Vamos passar aqui a noite. – Diz Adwale soltando a mochila.

– Obrigada. – Diz Arya se soltando das costas de oliver e caindo na areia suspirando. — O que vamos fazer daqui para frente?

– Treinar. – Diz Oliver, pegando sua katana negra.

– Vou com você. – Digo saltando do cavalo, ajudando Kath a descer.

– Não preciso da sua ajuda. – Ele diz erguendo uma sobrancelha.

– Mas eu não estou pedindo para ir com você. – Digo pegando minha espada e a apoiando em meu ombro.

– Tudo bem crianças, enquanto vocês treinam a gente arruma o acampamento. – Diz Kristen puxando Takashi o fazendo cair. O golpe que Oliver deu foi tão forte assim?

Depois de um tempo caminhando encontro Oliver agachado, de costas para mim.

– Demorou. – Ele diz se levantando apontando a katana para mim.

– Relaxa amiguinho. – Digo apontando a minha também. – Vou te ensinar a usar seu poder na espada. – Quando termino de falar ele some da minha frente, me fazendo arregalar os olhos quando sinto o fio gelado da lâmina em meu pescoço.

– Eu já sei usar meus poderes. – Ele chuta minhas costas, fazendo-me cair, mas logo me levanto.

– Só rapidez não conta Olie. – Digo apontando a espada, fazendo ele vir até mim, deferindo um ataque na diagonal, mas defendo, e logo em seguida ele desliza o fio da katana na minha se aproximando de mim pronto para atacar, mas subo minha espada, fazendo abrir sua defesa e dou um empurrão em seu peito com minha mão livre.

– Seu poder está na espada rapaz, tenha mais cuidado com ela.

–É katana, e é melhor você cuidar sua defesa! – Ele some de novo e quando apareceu foi em cima de mim e caia, com a espada pronta para fincar em mim, mas defendo, e quando ele aplicava mais força com a gravidade eu exalto meu poder na minha lâmina, fazendo ela entrar em combustão, mas com uma coloração negra.

– Mas o que diabos é isso?! – Ele dá um mortal para trás, esticando o braço atrás dele, pronto para fazer um ataque rápido.

– Como eu disse, seu poder está na espada. – Digo ficando na mesma posição.

– Calado! – Ele avança e faço o mesmo e deferimos um ataque na diagonal para cima, ambos em posições opostas, mas giro um pouco o corpo fazendo seu corte não me atingir e sorrio com a vantagem e corto seu braço esquerdo de propósito, fazendo o mesmo queimar.

– Seu poder consiste em energia, tanto em sugar e tanto em expelir. – Digo o olhando, vendo ele sugar o fogo. – Você pode escolher entre o escuro ou claro, ou os dois. – Digo passando minha espada de uma mão para a outra.

– E como faço isso o esperto? E como você sabe dessas coisas? – Ele diz cuspindo no chão.

– Seu poder se parece um pouco com o meu, mas um pouco mais complexo e com alguns bônus estranhos. – Dou de ombros. – Vou até ele, deixando minha espada fincada no chão. – Como conseguiu essa espada? – Digo passando o dedo pela lâmina dela.

– Katana. – Diz ele secamente.

– Tá, a katana. – Suspiro.

– Ela apareceu no chão do meu lado. – Ele diz e seguro na lâmina, não com força.

– A espada... Katana, ela faz parte de você, ela é um órgão exposto, seu poder consistido em uma lâmina. Chaos é um ser muito interessante. – Solto a lâmina e cruzo os braços em sua frente. – Bom, pense que quando for fazer o corte ele não irá cessar, ele continuará infinitamente até quando você quiser.

– E se não der certo?

– Se concentre, respira e repita.

– E se não der de novo?

– Repita o tempo que precisar até conseguir.

– E se eu não conseguir?

– Então se mata porra! – Digo sem paciência. – Anda, tente.

– Ok. – Ele diz se concentrando, fechando os olhos e faz a pose de antes, de inclinar a coluna e esticar o braço atrás dele. Depois de alguns minutos, uma energia negra cobre a katana, mínima, mas estava conseguindo. Depois de um minuto ele abre os olhos e faz o corte, lançando uma onda de energia negra, mas por poucos segundos e sorri satisfeito.

– Beleza, continuamos amanhã, vamos lá ajudar arrumar as coisas. – Digo pegando minha espada e volto com ele para o acampamento.

Quando chegamos, estavam preparando uma fogueira, pois já estava tudo escuro, só as estrelas e a lua iluminando o céu. Vejo uma oportunidade e puxo olie para um canto, já que não tinham nos visto chegar ainda.

– O que foi? – Ele diz estranhado.

– Precisamos nos acertar não é Olie? – Digo o olhando.

– Como assim?

– Arya. – Digo por fim.

– Ah, comece então. – Ele cruza os braços.

Suspiro, cruzando os braços também e vejo Arya, conversando com Kath e Kris, sorrindo.

– Ela é linda né? – Digo sorrindo de canto.

– Muito. – Ele suspira alto. – Qual é a de vocês? Qual a relação de vocês?

– Conheci Arya quando ela nasceu, eu era amigo dos seus pais, a cafeteria e a minha loja são vizinhas antigas. – Digo o olhando, vendo que ele prestava atenção e continuo. – Nossa relação começou naquela noite, chovia muito e com muitos trovões. Ela tinha nem um ano e chorava muito, dava para ouvir os choros da minha loja. Daí de repente houve um estrondo e um clarão. – Me sento, para respirar um pouco e Oliver se encosta em uma pedra. – Quando fui na rua para ver o que tinha acontecido a cafeteria estava pegando fogo, só depois de uns dias descobri que a causa foi um raio que caiu no gerador. Na época a cafeteria atendia vinte e quatro horas por dia e levavam a garotinha junto. De imediato corri para dentro da loja para ver se eles estavam lá dentro ainda. Todos estavam debaixo do balcão, inconscientes. O homem morrera por queimaduras e com alguns pedaços de madeira no corpo, pois o teto tinha desabado e ele tinha ficando em cima das mulheres para protege-las. Eu peguei todos nas minhas costas e a menina coloquei no bercinho de mão e peguei a alça pela boca e sai do lugar para não explodir tudo. Ali perto tinha um ponto de ônibus coberto e fui lá para não ficarem na chuva. Quando vi que a mulher estava viva falei para ela se acalmar que eu iria salvar elas, mas ela apontou para a criança e falou as últimas palavras: “Cuide dela, por favor”. Eu podia ter a salvado. – Coço minha nuca suspirando. – Os anos se passaram e um tio de Arya reformou a cafeteria e tomou os negócios e fez dela a melhor cafeteria da cidade. O tio deixou que eu visitasse a menina e ficasse com ela no final de semana onde o movimento era muito maior na cafeteria. Ela possui Fotoaugliafobia, medo de luzes fortes por causa do incidente. Mais tarde descobri que a menina era uma semideusa filha de Eros, o deus do amor quando...

– Conheço ele. – Oliver me interrompe e pede desculpa.

– Bom... ela teve só um namoradinho. – Desvio o assunto para não falar do meu encontro com o deus. – Ela tinha 14 anos, mas botei o malandro para correr porque ele tinha segundas intenções com ela. – Rio baixinho e Olie ri de nervoso. – Ela me vê como um irmão mais velho Olie, e eu a vejo como uma filha. – Olho para ela, que dançava rindo com Takashi, Kristen dançava com Adwale e Kath tocava e cantava 93 Million Miles do Jason Mraz. – Ela gosta de você senhor Harper. – Me levanto e tiro a areia do corpo, depois colocando a mão em seu ombro. – Só não quero que faça mal para ela, você traz desgraça. – Rio de leve.

– Relaxa, vou me controlar. – Ele sorri meio nervoso.

– Vai lá curtir um pouco, relaxe. – Dou um tapinha em seu ombro e ele faz o mesmo, se afastando um pouco e nota que eu não ia junto.

– Não vem? – Ele diz tentando ser simpático.

– Não, quero ficar um pouco sozinho. – Ele dá de ombros e vai para o acampamento, roubando Arya de Takashi e os dois dançam juntos.

Ela já deve estar esperando. Tiro um sobretudo de minha mochila o vestindo, guardo minhas armas na mochila deixando-a escondida e me viro caminhando pelo deserto.