Notas iniciais
ALELUIA!!! desculpem a demora pessoas, depois de quase 6 meses parados, agora tentaremos dar um gás na história, então fiquem ligados!!!

Katherinne dormia tranquila em meu colo. No horizonte nascia os primeiros raios do Sol. Não consegui dormir, com medo de acontecer mais pesadelos como toda noite, e com uma Camm em meu colo não seria algo bom dormir. Como ela sabia meu sobrenome que eu usei a séculos? Talvez fosse a relíquia que estava em minhas mãos. A garota é uma Camm, deveria entregar para ela. Melhor não, acho melhor testar Kath antes de dar tal relíquia.

Levanto a cabeça dela um pouco, para eu levantar. Assim que levanto, puxo ela devagar para mais longe da beirada, com cuidado para não a acordar. Ela se remexe um pouco, murmura algo e volta a dormir, fazendo eu suspirar, por pensar que eu havia a acordado. Deixo minha jaqueta com a garota a cobrindo com a mesma e desço para onde estavam os outros, eu precisava me enturmar, já que iria conviver por algum tempo com eles. Olho em volta, procurando meus companheiros no meio daquele monte de gente em redes. Em um canto, estava Adwale, em uma mesa vendo mapas. Vou até ele e logo me nota.

– Perdeu o sono? – Ele diz me olhando. Seu olhar estava cansado. Pelo jeito não dormiu.

– Nem dormi – digo puxando uma cadeira e sentando em seu lado.

– Katherinne está lá em cima? – Ele pergunta arrumando alguns papéis.

– Sim – Olho para cima sorrindo de lado e volto a olhar para o negro — Para onde vamos?

– Um santuário, para pegar a segunda parte da missão.

– Que diabos de missão? – Digo com uma sobrancelha erguida – O mundo está encaminhando devagar para uma terceira guerra mundial, quer acabar com a guerra? – Digo sarcástico, vendo ele pensar.

– A aparição do Oliver tem um porque – ele diz coçando os olhos.

– Uma aparição do tal Chaos? Grandes merda.- bufo cruzando os braços – No céu há problemas maiores... – quando falo o rapaz me interrompe.

– Guerra civil – Fico um pouco receoso, pois ele sabia de algo que mortais não deveriam saber – Nossa missão é proteger as pessoas da destruição que vocês farão.

– Como um bando de justiceiros? – Digo sarcástico. Ele olha em volta.

– Veja essas pessoas. Amanhã poderão estar mortas por causa da guerra.

– O que eu tenho a ver com isso? – Digo para Arya, que dormia tranquilamente. – Acha que levantarei espada contra algum Arcanjo? Acha que irei bancar uma de herói e salvar esse bando de macacos? – Ele me olha, com um pouco de espanto, por estarmos no meio de vários negros. Não tenho culpa de que para essa raça macaco seja nome pejorativo para negros, para nós alados todos são macacos e inferiores.

– Você vai ser o salvador Trevor – olho-o sem entender – Uma hora talvez você entenda.

– Brincar com o futuro não é uma coisa legal sacerdote. – Digo me levantando. Ele ri baixinho, guardando os mapas em uma bolsa.

– Vamos acordar os outros – Ele levanta e vai até Takashi. Pelo jeito os dois se tornaram amigos. Sigo meu caminho para o terraço, para acordar Katherinne. Sento em seu lado, penso um pouco sobre guerras que já estive. Depois de um tempo acordo do meu devaneio e acaricio o ombro da garota, mexendo um pouco.

– Ei, acorda bela adormecida – digo baixinho e ele se espreguiça bem manhosa.

– Não quero, deixa eu – ele diz bocejando.

– Anda Kath, o dia vai ser longo. – E seria, pois passar o dia no deserto não é algo tão agradável, nem mesmo para mim, pois o excesso de calor faz com que eu sobrecarrega de energia.

– Tá. – Ela senta, coçando os olhos me olhando.

– Ae dorminhoca – sorrio bagunçando um pouco seu cabelo.

–Não Trevor – ela choraminga, passando a mão no cabelo – De manhã não, agora vou ter que arrumar.

– Ok, tens uma hora, acho que é bastante tempo não? – Digo vendo a posição do Sol, depois pegando minha jaqueta de volta. Arregaço a manga direita, escondendo minha tatuagem. Não era vergonha, só não gostava de mostrar por aí essa tatuagem. Como andar pelo deserto era perigoso, coloco a lâmina oculta debaixo da manga. Katherinne desce e fico mais um pouco no terraço, pensando, olhando para o horizonte com as mãos nos bolsos.

“Veja essas pessoas. Amanhã poderão estar mortas por causa da guerra”. Que besteira, um bando de justiceiros lutando com e contra sua gente e sua própria mitologia. Isso sim é uma guerra civil estranha.

Depois de alguns minutos, o Sol estava irradiante, deixando o frio mortífero da noite pelo calor escaldante do dia.

– Trevor, hora de ir. – Vem Takashi me chamar.

– Ok, já vou – sorrio e olho mais um pouco o deserto e desço.

Adwale arranja roupas adequadas para andar no deserto e entregou para cada um, e quando foi me entregar a minha reneguei, e ele aceitou tranquilamente. Vejo Arya se atrapalhar um pouco com a roupa e vou ajudá-la.

– Por que não quis vestir a roupa? – Ela diz se atrapalhando para enrolar o pano em sua cabeça para proteger a cabeça e o pescoço, então começo a ajudar.

– Já estou acostumado bebê – sorrio dando beijo de esquimó nela.

– To me sentindo uma criança de novo – ela sorri, me olhando. Termino com o véu e sorrio satisfeito.

– Pronto. Cuidado com o Sol para não se queimar.

– Ok papai – ela diz rindo beijando minha bochecha.

Oliver não mudou, só colocou uma camisa de algodão de baixo do seu manto com uma bandana cobrindo a boca. Ele estava com uma espada nova, não sei onde ele arranjou ela. Mas era bonita. Takashi parecia um camponês que colhe arroz, Adwale estava com roupas largas e regata, com proteção na cabeça. Kristen estava com uma camisa larga, que ia até os joelhos e em seu pescoço um véu azul. Kath só colocou um chapéu, uma camisa mais larga e óculos escuros.

– Prontos? – Diz Adwale segurando a alça de sua mochila.

–Demorou – diz o japonês se esticando e todos afirma com a cabeça. Arya e Oliver caminham juntos, Adwale conseguiu um camelo e mais um cavalo pois pedi um. Kristen e Katherinne vão juntas no camelo, trocando risadas e conversa sobre garotos, possivelmente o Oliver, já que Kristen tinha uma leve queda por ele. Vou sempre atrás para cobrir a retaguarda e Adwele na frente do comboio para guiar o caminho.

Depois de uma hora caminhando no deserto, quem estava de pé estava cansado, menos o negro. Vejo Arya apoiada no ombro de Oliver, e ele a abraçando de lado para a ajudar. Dessa vez eu deixei eles ficarem juntos. Vejo Takashi, que senta no chão arfando.

– Vem japonês- digo e estendo a mão.

– Obrigado aniki – aniki era um termo japonês que se refere a uma pessoa considerada um irmão mais velho. Ele segura minha mão e puxo ele para cima.

– Não está acostumado com o calor né?

– É – ele ri nervoso.

– Então és possuído por um shinigami – tento puxa assunto.

– É, mas não vamos falar sobre isso. – Ele diz suspirando.

– Ok amigo – digo e pego um chapéu estilo cowboy, porque meus cabelos queimavam. Mesmo sendo um domador do fogo aquilo era de mais. Eu estava cheio de energia, uma pequena chama exalada poderia fazer um estrago danado.

– Então és um anjo. – Ele diz.

– Sim, mas minhas asas estão lacradas nesse avatar e nesse plano, então não posso abri-las.

– Só no plano astral – ele diz me olhando.

– Sua mitologia acredita em planos?

– É, astral, físico, das sombras, já comentaram quando eu era pequeno.

– Legal – vejo a frente fumaça. Cavalgo a frente indo ao lado de Adwale. – Tempestade de areia?

– Não, fogo – ele diz trincando os dentes.

–Problemas?

– Tomara que não, fiquem atentos – ele diz puxando sua cimitarra.

Vou até Oliver e Arya e vejo que ela está pendurada nas costas dele de cansada.

– Cuida dela, talvez teremos problemas a frente.

– Tudo bem –ele diz sorrindo de leve.

Vou até as garotas.

– Cuidado a frente as duas, talvez teremos problemas.

– Tudo bem moço – Kristen diz numa risadinha.

Volto para a retaguarda.

– O que será que aconteceu? – Pergunta Takashi.

– Não sei – digo sinceramente. Onde há fumaça sempre haverá fogo.

Chegamos no local. Era entre duas pedras grandes, um santuário simples, com estátuas de deuses pagãos egípcios que não reconheci na entrada principal. Estava um silêncio mortal dentro do pequeno santuário. Adwale fica parado pensando, vendo o que estava acontecendo. Oliver solta Arya das costas devagar e puxa sua katana branca e puxa seu capuz.

– Já volto, já que ninguém tem atitude nessa budega – ele entra e esperamos. Eu e Takashi descemos do cavalo e as gurias do camelo. Fico de braços cruzados, ao lado do negro.

– O que está acontecendo?

– Bom, Olie vai descobrir.

– Não tais preocupado? – Ele não responde, fazendo eu bufar e ficar mais impaciente. Por que esperar, custa entrar e ver o que estava acontecendo? Kristen chega em meu lado, tirando o véu da cabeça, fazendo um cachecol com o tecido.

– O que ele foi fazer? – Diz ela preocupada.

– Ele só foi verificar o terreno. – A abraço de lado tentando deixar ela calma.

– Por que você não foi? Não és um anjo? Você poderia entrar e acabar com qualquer mal que tem lá dentro. – Ela me diz olhando.

– Olha Kris, de algum modo, Oliver é nosso líder. – Digo engolindo em seco não admitindo para mim mesmo o que eu disse – De algum modo é dever dele nos manter seguros.

– Mas você é imortal! – Ela diz sem entender.

– Não – sorrio de leve, vou a seu ouvido sussurrando – O ponto fraco de todo anjo é o coração, não tente arrancar a cabeça, tente perfurar seu coração. Nós sumimos no cosmo se acertar nosso coração, se arrancarem nossa cabeça, só morreremos nesse avatar, nossa áurea ainda viverá.

– Legal – ela bufa olhando para baixo.

– Calma, ele vai voltar, relaxa. – Sorrio a soltando e dou um beijo em sua bochecha, fazendo ela sorrir de lado. Depois de alguns minutos Oliver volta.

– Três mortos, um vivo, mensagens estranhas na parede e desenhos também estranhos, tudo em sangue. Está fresco ainda, quer dizer que quem fez isso esteve aqui a pouco tempo. – Ele diz guardando a katana.

– Bom, é um começo – digo sorrindo torto, entrando no santuário e os outros me seguem.

Por fora era um lugar pequeno, mas por dentro era enorme. Paredes verdes com desenhos e hieróglifos, com uma fraca iluminação de tochas e um piso feito de mármore. O silêncio era mortal, só o crepitar do fogo das chamas quebravam o silêncio. Mais alguns metros a frente, chegamos no salão principal. A cena era de arrepiar. O fogo estava em uma coloração verde, sendo que perto da fogueira estava um dos sacerdotes com a parte de baixo da cintura dentro da fogueira. Outro corpo estava com os braços e pernas cortados e costurados ao contrário, com furos em seu peito, e o terceiro corpo era o mais macabro. Chego perto deste, vendo um buraco em sua parte do órgão reprodutor, fazendo eu pensar o que foi feito com ele, mas acho a resposta vendo em seu peito um buraco e um furo no meio de seu coração. Aquilo tudo era forte de mais, então viro para Arya.

– Arya, fique lá fora com o Takashi. – Depois vejo as paredes, com as mensagens estranhas. Eu sabia que os dois estavam com medo e aceitam e saem correndo. Vejo Adwale com um sacerdote no colo, conversando em uma língua estranha. Esse estava com as pernas quebradas e rosto todo riscado e cortado cheio de sangue. Tiro o morto da fogueira, pegando seu braço e vejo uma marca estranha que não me é estranha. Me agacho para analisar o desenho e escuto Oliver dizendo.

– Só há um Deus – provavelmente estava traduzindo uma das mensagens na parede. Kristen estava em seu lado, de boca aberta, sem entender nada.

– Oliver, vem cá – digo o chamando, mostrando o braço do morto para ele. Kristen arregala os olhos, e depois bota o olho no braço de Olie.

– Mas o que...- diz ela gaguejando.

– Existe outro de você.- digo o olhando sério.