– Como assim outro? Diz Oliver, me olhando de um jeito estranho. Indico para ele se ajoelhar em meu lado e mostro o desenho no braço do morto. Era um desenho circular, com setas saindo do seu centro e das bordas também.

–Uma variação da estrela do Chaos. - Digo o olhando sério.

– Como pode? Só eu que ele criou. — Ele diz com o cenho um pouco franzido.

– Talvez seja um inimigo para você Olie — Viro vendo Kristen de pé ao nosso lado. — Olie é um cara bom, isso não combina com o Chaos, então ele criou outro para substituir você. — Ela diz tirando o cabelo do rosto.

– Ele não teria descartado o Olie na hora? — Digo vendo o desenho de novo.

– Chaos está me testando. — Oliver levantando.

– Faz um pouco de sentido. — Digo destravando a lâmina oculta e corto a pele do morto para levar o desenho comigo. Precisava entender esse desenho e o ser que estávamos enfrentando.

– Então vamos. — Ele diz e vai até Adwale, que estava dizendo palavras de conforto ao amigo em seu colo. Oliver saca sua pistola do coldre e atira na cabeça do sujeito o matando na hora. — Anda Ed, temos mais o que fazer.

Ele fica surpreso, olha seu amigo morto, fechando os olhos dele.

Quando eu estava guardando a pele em um saquinho e Kristen tirava fotos da sala se escuta um grito da rua. "Arya!". Pego minha espada e aio correndo para onde Takashi e ela estavam. Chego lá e vou direto a garota, que estava ajoelhada chorando com as mãos na boca. Abraço ela, olhando o que fez ela ficar assim. Takashi estava em posição de ataque, com alguns corpos no chão, alguns vivos e outros não tiveram a mesma sorte. Sua mão até seu antebraço esquerdo estava em puro esqueleto, todo repleto de sangue, que pelo jeito não era o seu. Dava para ver que ele estava tentando respirar e se acalmar. Ele sente minha presença e se vira para mim. Seu olho direito ao redor estava em osso, aparecendo parte do crânio e com uma coloração alaranjada com a pupila preta. Seu Shinigami estava sendo revelado ou já tinha sido. Olho em volta e entendo o porque. Takashi não é muito bom com luta, e tinha vários assaltantes do deserto, possivelmente com medo e querendo salvar Arya ele liberou seu Shinigami.

– Você é o único? — Sua voz estava misturada com a dele e mais uma que era seca como uma pedra raspando na outra.

Solto Arya com relutância e levanto, entregando para ela uma pequena besta com duas pequenas flechas.

– Caso eu perca ou não consiga ajudá-lo, atire. — Ela confirma com a cabeça soluçando e secando as lágrimas. Pego o artefato de meu bolso, mostrando para ele, fazendo-o dar um rosnado estranho.- Tentei, mas não consegui.

– A Sen Buredo não te pertence. — Ele diz com a outra mão começando a aparecer os ossos.

– A Camm ainda não é digna, por hora. — Digo me aproximando devagar. Minha espada estava no modo de faca e escondida na manga.

– Então você é o único. — Ele diz me apontando o dedo. Afirmo devagar com a cabeça, o fazendo abaixar o dedo e cair de joelhos, tremendo. Vou até ele, com o artefato em mãos e me agacho em sua frente, com a faca preparada para virar minha espada novamente. Depois de poucos minutos, os ossos expostos começaram a reencarnar de novo e ele cai exausto em cima de mim. O Shinigami tinha se acalmado.

– Calma Takashi, você conseguiu salvá-la. — Digo sorrindo de leve.

– Que bom. — Ele diz com dificuldade me olhando com um sorriso no rosto, diferente do Takashi de minutos atrás.- Agora vou dormir. — Ele cai de lado e começa a dormir.

– Beleza, eu assumo agora. — Levanto indo a um dos vivos estralando os dedos.

– O que posso fazer Te? — diz Arya e um frio na espinha percorre em mim. Fazia anos que ela não me chamava assim.

– Hã, pode ir lá dentro ajudar o pessoal, eu cuido do Takashi. — Viro a olhando. Ela parecia tão madura, talvez vendo o amigo desencarnar em sua frente a fez ter noção do que enfrentaríamos daqui para a frente. Depois que ela adentra no corredor. Me agacho ao lado do rapaz, que gemia de dor baixinho com a mão no ombro, que sangrava muito. Antes que ele me note e tente pegar sua faca, me antecipo e pego sua faca, a colocando em seu pescoço.

– Vá a merda estrangeiro. — Diz ele entre os dentes cerrados.

– Só quero saber o que vocês estavam tentando fazer. — Digo pressionando um pouco a faca, mas suspiro, dando a faca para ele. — Ok, não vai falar.

Depois que falo isso ele ve uma oportunidade e me chuta no peito, me fazendo cair e ele fica em cima de mim, pronto para fincar a lâmina em meu peito.

– Deixou de ser machão? — Ele ri, mas logo a risada se transforma em gritos de agonia e caio ao lado estapeando o peito.

– Me responde o que eu quero que daí penso em não queimar seu coração. — Digo fechando a mão lentamente.

– Foi ele, ele prometeu nosso lugar no paraíso. — Ele diz em gemidos de dor.

"Ele".

Fecho a mão com força e então ele queima por dentro, caindo morto com fumaça saindo de sua boca e orelhas, pois o cérebro não escapou também.

Levanto, vejo os caídos, vendo um desenho familiar na nuca de um deles.

– Merda, temos problemas. — Digo queimando os corpos dos vivos e dos mortos para que as cinzas sumirem nas areias do deserto.