Warmness On The Soul

6 She is everything to me


Notas iniciais
E aqui está mais um capítulo, pois é, eu tava bem inspirada pra escrever WOTS hoje. Bom, esse capítulo é uma memória, e nele eu vou pedir pra vocês colocarem uma música. É Slipknot - Vermilion Part 2 ( http://www.youtube.com/watch?v=LvetJ9U_tVY&ob=av2e ) quando for pra colocar vai tá avisado no meio do texto.
Espero que apreciem :3

Narração on

O relógio marcava 00:01 da manhã.

A garotinha colocou os pés cuidadosamente pra fora da cama, sentindo o piso frio de mármore. A porta, como sempre estava bem fechada, pois várias vezes a diretora do orfanato a surpreendera andando pela casa a noite e a castigara.

Ao lado da janela tinha um pequeno banco de madeira, que a menina levou até a porta para alcançar a maçaneta. Silenciosamente ela se esgueirou pelo corredor escuro, e desceu as escadas até o primeiro andar. O pijama fino de algodão não esquentava muito, e o barulho do vento raivoso no telhado só assustava mais. Ela apertou os olhinhos cor de chocolate, e constatou que não havia nada fora do comum no saguão. Mas por que não havia? Se perguntava.

- Bu! – ela se virou para trás num pulo.

- Anjo! – falou, curvando os lábios rosados num sorriso. Ele estava logo atrás dela, encostado no corrimão da escada. As asas brancas curvadas, descendo pelas costas até os joelhos.

- pequena – murmurou ele, segurando delicadamente na mão dela.

- pensei que não viesse – falou.

- E porque pensou isso? – perguntou o Anjo, com um sorriso cintilante.

- Você disse que não podia vir me ver, era proibido. – a menina continuou o fitando com os olhos úmidos, quando ele deu um suspiro e sentou em um dos degraus.

- Você não entenderia – disse, deslizando o dedo suavemente pela bochecha dela. A garota piscou para segurar as lágrimas e se atirou em cima dele, apertando as bracinhos a sua volta.

- Eu não quero que você vá embora! Você é o meu melhor amigo, não pode me deixar! Não pode me deixar! Você prometeu que sempre estaríamos juntos! – soluçava.

- Sempre estaremos juntos, pequena – afirmou o Anjo com o tom calmo e doce, fazendo cachinhos no cabelo preto iluminado dela.

- Como se você está me deixando? – perguntou passando os dedos pelos olhos, afim de se livrar das lágrimas.

- Quantos anos você fará amanhã? – ele a fitou, mas ela não respondeu – hum, me diga.

- Seis – ela mostrou seis dedinhos.

- Viu, você já é uma mocinha. Eu cuidei de você desde bebê, tem que aprender a se cuidar sozinha de agora em diante babe. Não vai querer um anjo chato no seu pé quando tiver suas amigas, seus namorados, quando envelhecer.

- Mas babe, eu não quero envelhecer se isso significa perder você – disse, choramingando.

- Não vai me perder – falou o Anjo – nunca vai me perder.

- Então não vá, por favor – pediu a menina, colocando as mãos pequenas no rosto dele. O Anjo fechou os olhos por um momento, e quando os abriu, eles queimavam em dor.

- Eu ficaria com você se eu pudesse – ele tirou as mãos dela e as colocou entre as dele – mas não é uma escolha que eu tenha o luxo de fazer.

- Então eu vou com você – falou ela, mostrando-se imponente em sua decisão. Ele riu por um momento.

- Não pode ir comigo.

- Me obrigue a mudar de opinião – a garota tirou as mãos dentre as dele, e cruzou os braços, intransponível. O Anjo riu novamente.

- Lembra daquela história que eu te contei? – perguntou ele – sobre a lua?

- Kuekutshaushhh – ela vibrou, tentando pronunciar um nome.

- Kuekuatsheu – corrigiu ele com um sorriso – lembra?

- Não muito bem, conta denovo? – pediu ela. O Anjo ajeitou a menina em seus braços, confortavelmente. Fechando as asas em volta dela.

- Pois bem – começou ele – Sabe por que a lua é tão solitária? É porque ela tinha um namorado. Seu nome era Kuekuatsheu, e eles viviam juntos, como espíritos no mundo. E todas as noites eles caminhavam juntos pelo céu. Mas um dos espíritos era ciumento, Trickster queria a lua só pra ele, e então disse a Kuekuatsheu que a Lua havia pedido flores. Disse para ele entrar em nosso mundo e colher algumas rosas. Ele veio, mas não sabia que um espírito que viesse para a terra nunca mais poderia retornar ao mundo espiritual. Agora, todas as noites ele olha para o céu, vê a Lua e grita o seu nome. Sem nunca mais poder tocá-la novamente.

- essa história é triste – falou a menina.

- Como poderíamos dar valor à felicidade se não soubéssemos o que é tristeza? – perguntou o Anjo. Ela ficou sem resposta, se distraiu brincando com as penas das asas dele.

Ele a encarava com um sorriso. Tão pequena, tão frágil, tão pura. Foi um erro manda-la para um mundo tão sujo, tão cruel.

- Anjo – chamou a menina.

- Sim?

- Uma das suas penas está machucada – ela apontou o dedo para uma pena negra, no meio de centenas de penas brancas. Ele arregalou os olhos, desconcertado. – vamos leva-la no hospital – falou a garota inocentemente.

- Vamos. Mas amanhã – respondeu ele depois de um tempo – agora você precisa dormir.

- Não quero – retrucou ela.

- Mas vai.

- Me obrigue – ela o fitou com um sorriso. O Anjo apertou os olhos.

- Me sinto desafiado – e pegando a menina no colo, voou com ela até o quarto. Depois de coloca-la na cama, a cobriu, se curvando ao lado dela.

- Nunca me abandone – pediu ela, lutando para manter os olhos abertos.

- Me guarde no seu coração que eu irei aparecer. Você só tem que fechar os olhos – murmurou ele, segurando sua mão.

- Eu te amo, Anjo. – falou tão baixo quanto um sussurro.

- Eu amo mais, minha pequena – o Anjo se curvou até encostar os lábios delicadamente na testa da menina. Quando a fitou novamente, estava dormindo. Imersa em sonhos profundos. Ele se dirigiu até a porta, dando uma última olhada para ela antes de desaparecer no corredor.

Narração off

[ Play – Vermilion Part 2]

Eu estava sentado no chão, mergulhado em lembranças de tantas vidas. O Sol nascia, mandando pequenos fios de luz por entre as frestas da janela. O quarto silencioso parecia gritar.

Puxei meu violão que estava jogado ao meu lado, e tirei a primeira coisa que vinha a minha mente. A única coisa que saia da minha alma.

Ela pareceu vestida em todo o meu ser, esticada através de minha vergonha. Todo o tormento e a dor escaparam completamente e me cobriram.

Eu faria qualquer coisa para tê-la para mim, apenas para tê-la para mim.

Agora eu não sei o que fazer, eu não sei o que fazer. Quando ela me entristece.

Encarei o reflexo do grande espelho a minha frente.

Ela é tudo para mim, o sonho não correspondido. Uma canção que ninguém canta, o inalcançável.

Ela é um mito que eu tenho que acreditar, tudo que necessito para fazê-la real é mais uma razão. E eu não sei o que fazer, eu não sei o que fazer. Quando ela me entristece.

Mas eu não vou deixar isso crescer dentro de mim. Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim. Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim. Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim.

Todos os sorrisos, os olhares, as sensações pareciam tão presentes. Vivos

Um bloqueio em minha garganta, Sufocante. Rasgado em pedaços. Eu não serei, não. Eu não quero ser isso.

Mas eu não vou deixar isso crescer dentro de mim. Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim. Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim.

O reflexo no espelho mostrava a condenação, uma alma aprisionada. Dor queimava no fundo dos meus olhos que transbordavam em dor, mas eu era incapaz de chorar.

- Ela não é real, eu não posso fazê-la real. Ela não é real, eu não posso fazê-la real...

Notas finais
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