Notas iniciais
Oi gurias fofas! Já percebi que tem duas leitoras interessadas e isso é mais do que suficiente pra mim me motivar a postar. A partir desse capítulo que realmente começa a história. O Tavares vocês devem conhecer né? Rodrigo Esteban Tavares, ex-baixista ( infelizmente ex...) da Fresno. O Ben, é o Ben Bruce, guitarrista do Asking Alexandria. E o Gabriel, é o vocalista e guitarrista do Black Tide. Vou deixar fotos nos nomes deles pra vocês imaginarem. No Gabriel, vou deixar um videoclipe, imaginem ele IDÊNTICO ao video, os gestos, o jeito, TUDO! *-*
Bom, enjoy the second chapter.

Depois de pegar um ônibus, me perder, e pegar outro ônibus, eu estava na frente de muros altos e brancos, as letras em azul marinho e preto formavam o nome ‘Rubén Darío’. Várias pessoas estavam paradas na frente de um portão grande de ferro, algumas notaram minha presença, e outras estavam tão imersas em suas conversas que eu parecia invisível. Respirei uma vez e fui me enfiando pelo meio da multidão. Subi os degraus da escada que tinha na frente do portão com muito cuidado para não dar uma de retardada e cair, eu mais escadas não somos uma boa combinação.

Lá dentro, o pátio era composto por três corredores: o do final, e o central e lateral que davam pro saguão. As salas deveriam ficar depois deles. Tirei o papel meio amassado do bolso, nele dizia Matemática I, sala 636, prédio 6. Atravessei o saguão e logo avistei o meu prédio, é não foi tão difícil. Subi mais alguns degraus, pois ficava no segundo andar, e no meio do caminho sinto um baque no meu ombro. Procurei o objeto de impacto e encontrei dois olhos azuis não muito amigáveis me encarando.

– Olha por onde anda – rosnou o garoto.

– Acho que você deveria olhar por onde anda, sem educação – respondi, na minha incapacidade de receber desaforos e ficar quieta.

– Ui, acho que a novata ficou com raiva – zombou ele. Minha vontade era de fechar a mão e grudar na fuça desse ignorante, mas uma alma de paz me interrompeu.

– Deixa a guria em paz, Ben – falou outra voz masculina. Me virei para trás e dei de cara com um garoto cheio de tatuagens, e olhos castanhos claros. Ele estava escorado no muro em frente às salas. Usava uma camiseta de flanela vermelha e tinha a barba por fazer.

– Virou o defensor dos novatos, Tavares? – Ben tinha a voz debochada agora, mas um grunhido no fundo da sua garganta demonstrava um pouco de irritabilidade.

– Ah meu, vai te fuder — Tavares deu de ombros, pegando meu pulso gentilmente e me puxando para o lance de escadas abaixo do piso do segundo andar.

– Obrigado, por... aquilo – agradeci meio sem graça.

– Não esquenta, o Ben é um retardado mesmo, encana com todo mundo. Tu é nova por aqui né? Que ano tu tá?

– No segundo, minha primeira aula é Matemática I, na sala...

– 636? – me perguntou ele, interrompendo.

– Exatamente – respondi.

– A gente vai estudar junto então, vem cá guria, tu é boa em matemática? – Tavares colocou o braço sobre o meu ombro, num tom conspiratório.

– Olha, eu me esforço – admiti. Eu era péssima, uma negação.

– iii já vi tudo, por um momento achei que tinha descolado uma nerd pra fazer os trabalhos pra mim, ah que droga...

– Ei!

– To brincando – eu comecei a rir e ele me acompanhou. Descemos pelas escadas, até chegarmos no pátio em frente as salas do primeiro andar, e depois subimos novamente a outra escada pra chegarmos no segundo pátio em frente ao saguão. Conversamos sobre várias coisas, esse cara é bastante comunicativo, até parece que nos conhecemos faz anos, mas isso seria impossível, eu me lembraria de conhecer esse mangá-humano. Me senti meio constrangida por ele ter colocado o braço em volta de mim, isso era intímo demais e sem falar que estavam todos olhando.

– E aí Rodrigo, não apresenta as amigas? – falou outro garoto vindo por trás de nós. Ele tinha o cabelo penteado pro lado, e usava a camiseta rasgada na gola.

– Diana – Rodrigo apontou para mim – Lucas – e depois apontou para o garoto – deu caí fora daqui.

– Cai fora daqui – imitou Lucas – dois tapa na tua cara.

– Até parece – zombou Rodrigo. Em seguida Lucas me deu um sorriso curioso, como uma criança que está prestes a fazer arte, e chutou a bunda do Rodrigo que deu um pulo pra frente.

– Seu filho da puta! Tu acha que essa merda de coturno no teu pé não dói? – esbravejou ele.

– Foda-se! – Lucas deu de ombros.

– Olha se vocês vão se matar, sugiro que usem armas – falei, me metendo na conversa e nem um pouco colocando lenha na fogueira. Eu amo ver o circo pegar fogo.

– Já volto Di, vou matar esse viado – Rodrigo tirou uma mecha do meu cabelo e em seguida saiu correndo atrás de Lucas pelo pátio afora. Pra eu não ficar ali no meio da escola boiando, voltei para o segundo andar, ficando na frente da minha sala. Já haviam várias pessoas no corredor, na verdade já éramos pra ter entrado faz uns vinte minutos, mas sei lá porque diabos resolveram atrasar e no fim das contas eu corri que nem condenada pra bosta nenhuma. Me apoiei no muro, que o Tavares estava escorado antes, e fiquei olhando algumas pessoas lá embaixo. Vários roqueiros e góticos circulavam com seus bandos pra lá e pra cá. Muitas camisetas do Nirvana, Ramones, System of a Down, Slipknot... To começando a gostar dessa escola. Meu estômago protestou, me lembrando que eu ainda não havia comido nada desde que cheguei. Bom, o pacote de Doritos que eu devorei no aeroporto não contava muito. Talvez eu compre alguma coisa na cantina depois, se não tiver uma daquelas filas monstras. Meus olhos perceberam uma garota loira, com calça de soldado e coturno de fivelas nos lados. Nossa, eu preciso de um desses. Segui ela com os olhos, e vi subir a escada, mas minha visão foi capturada por outra imagem.

Um garoto, muito pálido, de cabelos castanhos e roupas pretas entrava em minha visão. Ele usava óculos escuros e caminhava imponente pelo pátio, acenando e cumprimentando várias pessoas. Não demorou muito até formar um bolo de gente em volta dele no topo da escada. Ele ria e fazia gestos divertidos com as mãos. A garota loira que eu estava observando antes, passou por ele, e em um segundo o garoto segurou-a pela cintura, tirando os óculos escuros e dobrando-a para trás, encenando um beijo cinematográfico. Quando ela conseguiu se livrar das mãos dele, começou a rir e depois se esquivou da multidão.

Eu estava focada demais, algo dentro de mim mudou, ao mesmo tempo em que meus olhos não conseguiam desviar dos movimentos dele, eu sentia medo. Um medo sem nenhum motivo aparente, apenas medo. Eu não percebi que estava apoiada no muro, encarando-o quase sem piscar. Foi quando seus olhos azuis vítreos me perceberam, ele franziu o cenho numa expressão confusa e quase surpresa. Nossos olhares se seguraram por nada mais que dois segundos, com um sorriso malicioso ele chamou a atenção de todos a sua volta e abriu a skinny preta, mostrando parte da cueca e fazendo movimentos obscenos em minha direção. Meu queixo caiu, mas eu não deixei que ele visse, me virei rapidamente, dando de cara com Rodrigo que me encarava curioso.

– Que foi? – perguntei, minha voz um pouco grave demais.

– Parece que tu passou tinta vermelha na cara – falou ele num sorriso engraçado.

– Ah meu, não enche – desviei os olhos novamente para o idiota do outro lado, que estava se dobrando de rir com os amiguinhos enquanto fechava o zíper da calça – quem é aquele retardado lá? – gesticulei imperceptivelmente pra ele.

– O Gabriel? – Rodrigo arqueou as duas sobrancelhas – como tu mesma disse, ele é um retardado do terceiro ano. O Dom Ruan, tá ligada?

– To percebendo – rolei os olhos ao constatar que a maioria daquela multidão era feminina.

– O lema daquela criatura lá é ‘um pente e rala’. Não se apaixone – disse ele num suspiro, mas seus olhos eram sérios.

– Cala boca, isso nunca vai acontecer – falei. Rodrigo retrucou alguma coisa, mas eu não entendi porque o bendito sinal tocou bem na hora. Vamos encarar a problemática Matemática.

Na hora que o professor abriu a porta da sala, foi uma matança generalizada para correr para os lugares do fundo. Eu avancei para o último lugar, mas segundos antes de eu conseguir chegar, o maldito Ben pulou por cima me dando um sorriso triunfante. Corno Chifrudo.

Olhei em volta e todos os lugares estavam ocupados, exceto um lá bem na frente do professor. Era isso ou sentar no chão. Ocupei meu lugar, e não demorou um minuto pro Rodrigo escorregar pro meu lado.

– Holla guria – falou dando um sorriso.

– Rodrigo tu não sentava lá atrás com o Lucas? – perguntou o professor, estreitando os olhos.

– Não sento mais lá, o Lucas fica passando a mão em mim e depois pede pra ir no banheiro!

– Para de mentir aí! – berrou Lucas lá do fundão.

– É a verdade. Professor, tu não sabe como eu me sinto toda vez que tenho que agüentar esses seres inferiores desejando meu corpo com intenções obscenas... – começou Rodrigo todo se fingindo.

– Tá bom tá bom – o professor levantou as mãos, dando-se por vencido – agora todo mundo presta a atenção que eu vou fazer a chamada...



Notas finais
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