War of Hearts

17 Capítulo 16 - Somebody to die for


Notas iniciais
Ei, tudo bem? Eu amei os comentários e me ajudou muito a ter uma noção do que vocês estão achando de War of hearts. É por causa disso que eu gostaria de falar com vocês antes que lessem o capítulo, é importante, ok? Eu sei que as vezes a história pode ser pesada, e o final feliz parece quase impossível de alcançar. Eu poderia facilitar, eu poderia escrever uma história onde o casal é feliz em todos os capítulos, fazem muito sexo, os problemas deles são tão pequenos que sempre se resolvem facilmente e nunca há uma ameaça real ou um enredo central. Eu poderia, mas eu não vou. Nada contra quem gosta desse tipo de história, mas não é o que eu escrevo e vocês já sabem disso. Eu não gosto de um simples romance. Eu gosto de grandes histórias de amor, daquelas que nos trazem sorrisos, mas também muitas lágrimas. E essas histórias não existem se não tiverem sua cota de momentos ruins, se os personagens não crescerem diante das adversidades. Para mim esses são os momentos decisivos em que o verdadeiro amor se prova. É muito fácil dizer “eu te amo”, difícil mesmo é provar que se ama, e fazer sacrifícios em nome desse amor. É como eu vejo as coisas e como eu as escrevo, não vou mudar isso. Eu sei que estamos num ponto delicado da história onde tudo está dando errado, se você não aguenta o drama respire fundo e volte depois de alguns capítulos, ou não volte, a escolha é sempre sua, leitor. Para mim isso seria um grande erro. A riqueza de uma história está quando o impossível acontece da maneira mais inesperada e pega o leitor de surpresa. Não desistam de war of hearts só porque há momentos ruins, eu prometo a vocês que sempre há um final feliz esperando, basta apenas confiar ;) Boa leitura.

I could drag you from the ocean

I could pull you from the fire

And when you're standing in the shadows

I could open up the sky

And I could give you my devotion

Until the end of time

And you will never be forgotten

With me by your side

And I don't need this life

I just need

Somebody to die for

Somebody to cry for

When I'm lonely

(Somebody to die for — Hurts)

Oliver Queen

Eu observei Felicity partir com Anatoly sem ser capaz de fazer nada para evitar, mas ainda assim eu tentei. Não importa quantas vezes eu era jogado ao chão, quantos socos eu recebi, eu ainda me levantei e tentei ir até ela. Eu estava machucado, cada parte do meu corpo estava dolorida e as feridas abertas latejavam. Mas nada doía mais do que ver Felicity ser tirada dos meus braços por Anatoly.

Mas ela foi.

Encostei-me à parede e me mantive olhando para porta esperando inutilmente que ela voltasse a qualquer momento, sentindo a falta dela em cada maldito segundo. O que eu estava querendo? Era melhor que ela não voltasse. Ela iria embora, Diggle a levaria para um lugar seguro e com muita sorte talvez um dia eu conseguisse sair do inferno e a encontrasse.

Talvez pudéssemos continuar de onde paramos.

Talvez.

Me segurei à esse pedaço de esperança. Um talvez com Felicity era tudo o que eu me permitia acreditar que eu teria, e ainda assim, eu não conseguia pensar num motivo melhor para continuar lutando.

Escutei o barulho da porta sendo aberta novamente, e imediatamente me tornei alerta. Mas não era Felicity, e essa constatação veio acompanhada de um gosto agridoce. Era bom que não fosse ela, minha razão dizia, mas meu coração protestava. Observei Anatoly entrar na sala com seu queixo erguido e ar presunçoso, ele estava sozinho, sem seus soldados de sempre. Ele não via em mim uma ameaça, afinal como poderia? Eu estava no chão, e apresentando o meu pior. Sua presença aqui só poderia significar uma coisa: ele veio tripudiar.

Ele continuou andando sem pressa, olhando-me de esgueira com um dos cantos dos lábios levemente arqueados. Para Anatoly aquilo se assemelhava a um sorriso ambíguo, satisfeito, mas ao mesmo tempo suspeito de algo.

Quando ele estava perto o suficiente, ele chutou levemente minhas pernas, apenas para chamar minha atenção para si. Eu lhe devolvi um olhar, porque era isso que ele esperava de mim e eu estava ansioso demais para me ver livre da sua presença para prolongar isso desnecessariamente.

— Eu estou tão decepcionado. — eu vi um tique em seu olho esquerdo acompanhado de um ranger de dentes e um leve menear de cabeça — Você poderia ter sido grande aqui, poderíamos ter feito grandes coisas, você estava apenas começando a trilhar seu caminho nos Bratvas e eu já sabia que no final você estaria no topo ao meu lado.

Anatoly não via que eu nunca almejei isso? Ele ainda não sabia do óbvio, que eu era um agente infiltrado.

— Eu não confio em ninguém, muito menos um americano, mas eu vi uma força e determinação em você, uma frieza que só havia visto em mim mesmo. Eu aceitei você como um filho. — acusou parecendo realmente ferido com minha traição — Mas agora foi reduzido a um nada e tudo por causa de uma garota. Se você apenas quisesse foder com ela, eu não teria me incomodado, eu até teria permitido que se divertisse com ela! Mas você se deixou se envolver... Eu não compreendo... Onde está o homem frio e sem coração que eu conheci? O meu soldado mais perfeito? Como uma mulher pode destruir tudo isso, e te transformar em alguém patético? — Anatoly se abaixou se apoiando em um dos joelhos, ficando da minha altura, seus olhos se estreitando em meu rosto tentando ler a respostas nas minhas linhas de expressão, já que eu não respondi — Não vá me dizer que minha adorável filha, com seu amor e doçura lhe disse que poderia ser mais? Que ela resgatou você das sombras e o trouxe para luz como um anjo redentor? — ele debochou e eu apenas soltei um riso fraco.

Anatoly ainda não entendia. Felicity tinha sido sem dúvida um anjo para mim, me apaixonar por ela nunca fez parte dos meus planos, e eu tendia a mostrar um lado mais humano quando ela estava por perto. Mas eu sempre tinha sido assim e Anatoly nunca percebeu o Oliver Queen escondido por trás da máscara de um soldado bratva perfeito.

— Do que você está rindo?

— Eu nunca fui um cão que você treinava, Anatoly. Nunca percebeu isso? Diferente de todos os seus soldadinhos, eu nunca precisei ser disciplinado. Me apaixonar por Felicity não foi o que me fez virar as costas para a máfia, embora tenha contribuído muito para acelerar o processo. — esclareci.

— Você era meu soldado perfeito. — ele repetiu, ainda se negando a acreditar que eu o enganei por tanto tempo, se negando a acreditar que sua obra prima fosse, na verdade, uma falsificação.

— Eu era o que você esperava que eu fosse, Anatoly. — respondi, cansado demais.

— Está me dizendo que o tempo todo, desde o seu ingresso na minha organização, você era um homem cheio de sentimentos e compaixão? — seu tom era feito de escárnio — Então onde estava esse homem nos últimos anos? Quando eu o fiz torturar, roubar e até mesmo sequestrar jovens inocentes? Se você não aprova o que faço, tem um jeito muito estranho de mostrar. Você salvou minha vida, muitas vezes.

— Eu fiz o que tive que fazer, não se apegue a mim, não foi pessoal, apenas negócios. — dei de ombros.

— Eu vejo. — sorriu, se aproximando um pouco mais fitando-me com seus olhos negros e vazios — Você não é diferente de mim então.

— Eu não sou nada como você! — cuspi, eu aceitaria qualquer acusação vinda dele. Durante meu tempo na máfia eu fiz coisas terríveis a pessoas ainda mais terríveis, mas diferente de Anatoly eu nunca encontrei prazer nesses atos, eu os abominava, e abominava a mim mesmo quando me via nessa posição. Eu seguia me dizendo que fazia isso por um bem maior, que cada ato horrível compensaria no fim, quando eu finalmente derrubasse essa organização. Os fins justificam os meios, eu dizia. Não que isso tranquilizasse a minha culpa, muito ao contrário, depois de trazer Felicity para cá eu me senti ainda mais culpado pelo o que eu fazia em nome dos Bratvas, em busca desse fim, que parecia nunca chegar.

— Não é? — Como sempre Anatoly se aproveitou da minha fraqueza, eu nunca conheci um homem como ele, que consegui ver tanto das pessoas. Foi uma grande surpresa para mim que ele nunca tenha desconfiado de quem eu era de verdade ou o meu real propósito dentro dos Bratvas. — Não se iluda, Oliver. Você matou, roubou e torturou em meu nome, você sujou suas mãos de sangue tanto quanto as minhas. Você pode acalmar a sua consciência e dizer à si mesmo que esse homem íntegro sempre esteve aí, mas ele se escondeu e se acovardou enquanto eu lhe mostrava o pior do meu mundo, ou houve uma parte dele que gostou de conhecer as sombras? Em qualquer uma das opções você está marcado para sempre, ninguém sai limpo depois que entra nesse mundo, não pense que salvar Felicity será a redenção para todos os seus pecados. — ele estava entrando na minha mente, brincando com minhas inseguranças e medos, eu sabia que era assim que ele jogava e sabia também que não deveria permitir, mas havia uma parte de mim, maior do que eu gostaria de admitir que se questionava até que ponto Anatoly estava certo.

Ele se ergueu, ficando novamente de pé e caminhou pela cela exibindo um sorriso vitorioso.

— Eu vou fazer você pagar por isso. — eu não o estava ameaçando, aquela era uma promessa que eu estava fazendo a mim mesmo. Não importa o tempo que levasse, eu iria destruir Anatoly.

— Pouco provável. — deu de ombros sem parecer se incomodar com meu tom ameaçador — Eu tenho tudo. Minha linda filha em poucas horas irá se casar com Vladmir. E eu já expliquei a ela cada parte do acordo. Ela só precisa engravidar bem rápido, e tudo ficará bem.

— Ela não vai fazer isso. — neguei com ferocidade ficando de pé, mesmo que cada músculo meu protestasse contra isso e meus ferimentos repuxassem. A mera imagem de Felicity grávida daquele verme era demais para aguentar, causava em mim uma repulsa sem fim, uma vontade de me erguer e ir até ela.

— Ela poderia resistir é claro e Vladmir a tomaria de qualquer jeito. Mas eu a convenci a ser mais receptiva. — falou com um sorriso enquanto me olhava dos pés a cabeça, parecendo surpreso ao me ver erguido — Você não vê, Oliver? Você é a minha certeza de que Felicity irá cumprir cada parte do acordo, ela fará qualquer coisa para garantir que eu não machuque o homem pelo qual ela caiu de amores. — ouvi-lo dizer aquilo foi como levar um soco no estômago. Felicity não faria isso por mim? Abriria mão da própria felicidade apenas para que eu sobrevivesse? — No fim, sua traição foi excelente para meus planos. Não se preocupe, eu pretendo cumprir esse acordo, vai ser muito mais divertido torturar você falando sobre a vida dela com Vladmir ao invés de simplesmente socar cada parte do seu rosto presunçoso.

Meus pensamentos ainda estavam perdidos, ponderando se Felicity realmente teria feito esse acordo por mim.

Não, não é possível.

Minha mente se negou, ela me prometeu que não deixaria que Anatoly me usasse contra ela. Felicity iria sair viva daqui, com Diggle, eu tinha certeza disso. Anatoly apenas tentava usar seu tipo de tortura favorito comigo.

— Você está mentido. — ele sorriu, mostrando todos os dentes brancos. Aquele tipo de sorriso que me dizia que ele tinha mais uma carta escondida sob a manga.

— Eu a convenci que quando os deveres dela com Vladmir estivessem cumpridos, quando eu tivesse um herdeiro do sexo masculino, eu iria deixar que ela ficasse com você. — ele riu, debochado enquanto eu me senti congelar por dentro — Você tinha que ver, Oliver, os olhos dela se iluminaram com a mera ideia de ainda poder ficar com você.

Tudo em mim lutava contra as palavras dele, buscando um modo de provar que nada daquilo era real.

— Mas eu me pergunto se você ainda vai querê-la depois de ter sido usada por Vladimir? Depois de carregar os filhos dele?

— Isso não vai acontecer. — senti meu corpo sacudir violentamente, a maldita imagem na minha mente fazendo toda a fúria correr em meu sangue. Eu não sei de onde eu tirei forças para o que fiz a seguir, mas nada me encheu com maior prazer do que ver meu punho indo direto para o rosto de Anatoly.

Ele não esperava por isso. Provavelmente achava que eu não era mais do que um homem sem forças e machucado demais, ou não teria entrado na cela sozinho. Nem eu mesmo conseguia explicar como havia conseguindo tanta força para socá-lo daquele jeito, mas eu não me importava, eu segui avançando para ele, eu queria machucá-lo, tanto quanto ele havia machucado a mulher que eu amava. Eu precisava feri-lo de algum modo, de todos os modos. Então eu me joguei sobre ele que ainda estava ao chão, prendi suas pernas ao redor das minhas impedindo que ele lutasse e soquei seu rosto mais uma e outra vez. Ver seu rosto tingindo-se de vermelho com meus golpes trouxe um prazer indescritível para mim.

Infelizmente, antes que eu pudesse continuar e fazer um estrago ainda maior a porta se abriu. Três soldados de Anatoly vieram para mim e me tiraram de cima dele, mantendo-me afastado.

Anatoly apenas se ergueu dispensando a ajuda de seus homens, cuspiu sangue no chão juntamente com um dente. Ele despendeu um olhar de ódio para mim enquanto tirava do bolso do paletó um lenço de seda branco, e limpava o canto da boca que sangrava.

— Você sempre teve um belo soco de direita. — ele disse friamente — Eu poderia retribuir o favor, mas não quero me atrasar, ainda tenho que levar minha filha ao altar. Eu retorno para te contar como foi a cerimônia, oh e claro, a noite de núpcias, vou pedir para Vladmir descrever quantas vezes ela gritou para que ele parasse, ou se ela chorou. — deixou a imagem horrível na minha mente e logo depois saiu, levando seus homens consigo. Ele poderia ter me espancado se quisesse, ou mandado seus homens que o fizessem. Mas ele sabia que suas palavras me machucariam muito mais do que socos.

Ela estará a salvo com Diggle, ela me prometeu que iria com ele. Ela não se atreveria a arriscar tudo, a arriscar a si mesma apenas por mim? Se atreveria?

Pensei no quanto eu a amava, eu faria isso por ela sem pestanejar. Eu daria a minha vida por Felicity. E quando eu olhava nos olhos dela, eu via o mesmo tipo de amor.

Sim, ela me amava o suficiente para fazer qualquer tipo de sacrifício. Inclusive sacrificar a si mesma, constatei com pesar.

O amor também tem seu lado ruim.

***

O tempo passava, e eu não sabia precisar o quanto dele já tinha ido desde que Anatoly deixara a cela. Seriam horas? Minutos? Talvez metade de um dia? Minha cabeça girava desesperada com o que aconteceria de agora em diante. Felicity fugira ou se casara? Eu estava miserável sem respostas e pensando apenas nas possibilidades.

Eu precisava de um plano, um meio de sair daqui e encontrá-la onde quer que ela estivesse. Eu sabia que minha agência estranharia a minha falta de contato e sem dúvida mandariam Diggle investigar meu desaparecimento, mas infelizmente eu também sabia no que estava entrando quando concordei em me infiltrar na máfia russa.

Eu estava por minha conta e risco.

Eu deveria fornecer informações que ajudassem a derrubar a cabeça da organização, a ideia era destruir de dentro para fora. Eu deveria fazer o que me era ordenado, ser mais um soldado, acatar as ordens sem pestanejar. Eu não deveria agir até que me fosse dito para fazê-lo, cada ato, e até mesmo meus pensamentos deveriam ser previamente aprovados. Não era suposto que eu me envolvesse emocionalmente com ninguém, me apaixonar por Felicity nunca foi parte do plano, arriscar expor a mim e a minha missão apenas para que ela tivesse a chance de ser livre, era algo que meus superiores jamais teriam concordado.

Eles teriam dito que os fins justificam os meios, e que eu deveria me ater a minha missão ao invés de ajudar uma pobre garota a se livrar do seu destino infeliz. Eu sem dúvida seria repreendido pelo que fiz, por foder com tudo só para salvar Felicity, mas eu não poderia me importar menos. E é claro, diante da minha atual situação era pouco provável que eu conseguisse sair para ser repreendido.

Mas eu não estava arrependido das decisões que tomei, mesmo que isso significasse passar os próximos anos dentro de uma cela, ou ser morto e ter meu corpo descartado em uma vala ou um rio qualquer da Rússia.

Eu sabia que ninguém viria me salvar.

Nenhuma agência americana tinha autoridade para agir dentro de solo russo sem autorização, apenas para resgatar um agente comprometido. Ninguém se atreveria a causar um incidente diplomático apenas por mim.

Escutei o som de alguém mexendo na maçaneta e imediatamente minha postura ficou rígida, senti o ferimento na perna repuxar, mas me mantive em pé, eu não iria demonstrar nenhuma fraqueza. Será que Anatoly teria voltado? Se sim, ou ele viera me atormentar dizendo que Felicity se casara ou me interrogar sobre como ela havia fugido.

Novamente as possibilidades me atormentavam. Eu queria ser uma daquelas pessoas esperançosas, que sempre acreditam que tudo dar certo ao final. Porém, eu já havia visto muito da vida para saber que não era assim que funcionava. A vida não era justa, algumas vezes chegava até mesmo a ser cruel, e eu já havia visto muitas histórias para saber que às vezes o vilão vence no final.

Não era justo, não era certo. Mas era como a vida era.

Lancei meus olhos para a porta, e perdi o fôlego por um momento, ficando irritado logo em seguida. Eu não poderia estar mais surpreso e puto com a pessoa que entrava na minha cela.

— O que você está fazendo aqui? — questionei num misto de surpresa e acusação.

— Salvando a sua bunda! — ele respondeu rolando os olhos, como se aquilo fosse óbvio — Eu preferia um muito obrigado da próxima vez. — devolveu com um sorriso incerto que não correspondi, se eu já não tinha muitos motivos para sorrir antes, agora é que eles haviam desaparecido completamente.

— Onde está Felicity? Você deveria ter tirado ela daqui antes do casamento, John! — acusei, sentindo meu corpo inteiro tremer ao constatar o que aquilo significava. Se John estava aqui, era tarde demais, ela já se fora.

— Ela me disse que os planos mudaram. — ele disse cauteloso.

— O inferno que mudaram! — explodi jogando toda a minha frustração e raiva em meu amigo — Como você pode ser tolo o suficiente para achar que eu a deixaria se casar para que você viesse até mim e me salvasse? Vá até ela e deixe que eu me viro aqui! — ordenei.

— Eu não acreditei em nenhum segundo quando ela me disse isso, mas a sua garota é teimosa quando quer as coisas do jeito dela. — suspirei consternado, levando a mão aos cabelos e os puxando com força enquanto bufava de raiva, eu era ciente de como a minha printsessa sabia ser implacável quando colocava algo na cabeça — Ela bateu o pé e disse que não viria comigo, e ameaçou fazer um escândalo se eu tentasse levá-la. Eu sinto muito, não tive escolha, Oliver. — fechei meus olhos me sentindo vencido, meu o corpo cansado se escorando na parede enquanto eu me negava a acreditar que Felicity havia feito isso por mim.

Merda.

Como eu não previ isso?

Eu minha defesa ela havia me feito uma promessa, eu não esperava que ela pudesse quebrá-la.

— A mãe dela está aqui. — John falou num suspiro.

— O quê? — arregalei meus olhos com aquela informação.

— Estou lhe dizendo antes que você fique se torturando pensando no porquê de Felicity se sacrificar para salvar você. — esclareceu — Ela me disse que Anatoly a tem feito de prisioneira há tempos, Anatoly prometeu não machucá-la ou a você se Felicity concordasse com o casamento e não fizesse nenhuma estupidez. Ela concordou, mas sua garota é esperta o suficiente para saber que não pode confiar em Anatoly e pediu minha ajuda.

— Eu não sabia disso. — senti meu peito afundar, eu me concentrei tanto em Felicity nos últimos meses que me acomodei, eu sequer pensei que Anatoly poderia ter outros planos.

— Ela me implorou para que tirasse vocês dois daqui.

— Isso é suicídio, John. — meneei a cabeça resignado, eu sabia que não havia tempo para ponderar sobre isso, nós precisávamos agir agora, mas fugir daqui apenas John e eu já seria difícil imagine levar a mãe de Felicity conosco — Teremos algum reforço? — perguntei esperançoso.

— Eu falei com Lyla, solicitei ajuda. — me explicou. Lyla era nossa superior direta, e também esposa de Diggle — Mas ela me disse que não pode agir em solo russo sem causar um incidente internacional. — exatamente como eu previra — Ela está tentando negociar com a inteligência Russa, no entanto. Mas isso pode levar algumas horas, ou até mesmo dias.

— Não dispomos de todo esse tempo. — fui pragmático — Quando ou se ela conseguir já será tarde demais para salvar Felicity.

— Eu sei. — John também não parecia muito contente com isso — Vamos, precisamos sair daqui. — falou indicando a porta.

— Então... Qual é o seu plano? — perguntei assim que me vi no amplo corredor vazio. John pareceu pensar um pouco, a resposta que ele me deu não pareceu nenhum pouco animadora.

— O plano é simples: primeiro pegue isso. — me passou uma arma — E então vamos seguir os outros dois passos: salvar Donna Smoak, sair daqui e não sermos mortos no processo. — elencou indicando a ordem com os dedos.

— Estou vendo que é um plano bem elaborado. — não segurei o sarcasmo.

— Foi o que elaborei em cinco minutos. Tem algum melhor? — seu tom não foi irônico na verdade veio acompanhado de um olhar esperançoso. Mas eu não tinha nada, apenas neguei com a cabeça enquanto Diggle soltava um palavrão que resumia tudo. — Puta merda.

— Puta merda. — concordei.

Estávamos fodidos.

***

Eu olhava para ambos os lados dos corredores estranhando que não houvesse nenhum guarda por ali, enquanto Diggle trabalhava na fechadura do quarto que servia como cela para a mãe de Felicity.

— Não há nenhum guarda se é o que te preocupa. — ele disse ainda concentrado em seu trabalho. — Eu os deixei inconscientes no caminho para cá, mas precisamos ser rápidos antes que alguém note a falha na segurança.

Assenti, escutando um clique que indicava que a porta tinha sido aberta.

— Donna Smoak? — Diggle chamou enquanto eu apenas parei estarrecido ao vê-la, Felicity tinha muito da mãe, os mesmos cabelos loiros e compridos, os mesmo olhos de um azul claro e desafiadores. Ver Donna fazia meu coração doer, me lembrando de que eu precisava lutar para recuperar a minha printsessa, eu precisava salvá-la antes que fosse tarde demais.

— Quem são vocês? — a mulher loira de quarenta e poucos anos estreitou os olhos para nós, avaliando se éramos de confiança, já que éramos uma dupla um tanto incomum. Diggle estava impecável, com terno e gravata, mas eu não precisava de um espelho para saber que parecia algo tirado de uma lata de lixo.

— Não se preocupe, viemos tirá-la daqui. — me adiantei a explicar, mas ela apenas me observou um pouco mais, seu olhar caindo em meu rosto surrado parecendo incrédula.

— Por que eu deveria confiar em vocês? — ela cruzou os braços.

— Porque Felicity nos mandou. — Diggle respondeu em seu tom calmo que parecia estar cheio de confiabilidade.

— Mandou? Então onde está minha filha? Aquele monstro disse que ela iria se casar hoje, é verdade? — perguntou diretamente e senti gosto de bile na minha garganta ao escutar sua pergunta.

— Ela não vai se casar. — rosnei a resposta com uma fúria tão grande que seria impossível passar despercebido por Donna. Desviei meu olhar do dela e tentei soar um pouco mais controlado. — Nós temos que ir logo, não temos muito tempo para conversar. — determinei, voltando para a porta e checando o corredor novamente.

— O caminho está livre até a garagem. — Diggle me garantiu e então nós três seguimos num silêncio mortal até lá.

— Então o que faremos agora? — perguntei Diggle assim que chegamos, ele destravou um dos carros e pareceu procurar por algo lá dentro.

— Eu não tenho ideia. — Diggle lançou um olhar para mim, pedindo por alguma ideia. — Mas eu acho que passar pelos portões dirigindo o carro seja muito óbvio.

— Não exatamente. — respondi, a ideia se formando na minha mente — Eu ainda sou um capitão bratva. — falei altivo ganhando um olhar estarrecido de Donna. Eu podia sentir pela sua expressão que ela não havia gostado do que ouvia.

— Esse é o plano mais estúpido que já ouvi. — Diggle reclamou.

— Pode funcionar. — insisti — Os guardas nem sempre sabem de tudo o que acontece aqui na Mansão e Anatoly não iria espalhar a informação de uma traição assim tão rápido, a parte vaidosa dele não vai querer expor a todos que foi enganado. — Diggle concordou com a cabeça — Se eu der uma ordem direta e dizer que é de Anatoly eles não irão recusar, eles me conhecem, sabem que eu sou praticamente o braço direito dele.

— Ok, vamos tentar isso. Mas dê um jeito no seu rosto primeiro, todo esse sangue seco não vai te dar nenhuma credibilidade.

— Então... Você é um deles? — Donna me olhou com receio e até mesmo um pouco de ódio, seu tom foi duro deixando claro o quanto ela não gostava daquilo.

Eu sabia que aquela informação criava uma barreira entre nós, ela acabara de me conhecer a confiança dela em mim não era muita. Adicione isso ao fato de eu ser membro da organização criminosa que sequestrou a filha dela, e admitido ter sido braço direito de Anatoly.

As coisas não estavam boas para mim.

E estupidamente, eu queria ao menos que a mãe da mulher que eu amava, de alguma forma me aprovasse. Parece que isso seria impossível, eu não poderia simplesmente apagar as coisas que eu fiz em seu nome, como Anatoly me disse, sempre haveria em mim resquícios desse mundo sombrio, eu não poderia mudar isso em mim, mas eu sempre poderia escolher fazer o certo agora.

— Eu não sou um deles. — neguei prontamente, mas ela manteve seus olhos analisadores em mim, como se soubesse que aquilo não era inteiramente verdade. — Quero dizer, eu fui, mas não sou mais. — tentei novamente, e ela apenas franziu o cenho me avaliando. — E mesmo quando eu era, eu não... É apenas complicado. — Dei de ombros desistindo de encontrar uma explicação razoável, eu não estava indo a lugar algum com aquilo.

— Eu vejo. — seu tom foi um pouco curioso — Talvez alguém o tenha feito mudar? — piscou seus olhos para mim, e eu me perguntei como aquela mulher que eu tinha acabado de conhecer parecia conseguir ler meus sentimentos.

— Vista isso — Diggle nos interrompeu colocando algo sobre o teto do carro. — E Tome isto. — me entregou uma toalha que estava dentro do carro e a umedeceu com um pouco de água, juntamente com um pequeno vidro de álcool — Tente melhorar a sua aparência ou ninguém vai acreditar que você é um capitão bratva assim. Você está parecendo um saco de pancadas.

— Eu fui feito de um. — resmunguei esfregando a toalha no rosto sobre onde estava machucado.

— Me deixe fazer isso. — me surpreendi ao ter Donna tomando a toalha das minhas mãos — Quando se é mãe, a gente aprende o jeito certo de lidar com cada tipo de machucado, do jeito que você esfregava sem paciência apenas abriria ainda mais as feridas. É preciso apenas pressionar de leve, e depois aplicar um pouco de álcool ao redor para prevenir qualquer infecção. — ela falava ao mesmo tempo em que fazia o que dizia — Minha Felicity se machucava o tempo todo, coordenação nunca foi a maior qualidade dela, vivia correndo e caindo por aí. Mas para a minha sorte, ela nunca foi o tipo de criança que chorava por causa de um simples machucado, ela sempre segurava as lágrimas até mesmo quando eu aplicava algo que ardia. — me atrevi a sorrir ao imaginar Felicity ainda criança.

— Ela é forte. — eu disse a Donna que apenas concordou com um aceno triste de cabeça — Eu vou trazê-la de volta, eu prometo. — garanti a ela, que me olhou novamente de forma curiosa.

— Sinto muito. — pisquei ao ouvir o tom mais leve que ela se dirigia a mim — Eu acho que devemos começar de novo. Prazer, eu sou Donna Smoak. — Ela esticou a mão e me ofereceu um pequeno sorriso.

— Oliver Queen. — aceitei a mão e sorri de volta.

— Por mais que eu esteja contente com o clima amistoso, nós temos que ir. — Diggle informou, e abriu a porta traseira do carro. — Donna, eu sugiro que fique escondida. Eu posso ser um simples motorista e Oliver um capitão bratva, mas se eles virem uma mulher no carro, eles vão atirar primeiro e perguntar depois.

— Não se preocupe Diggle, vai dar tudo certo. — eu disse a ele, fazendo uma expressão confiante. Tirei a camisa suja de sangue e vesti o que ele tinha deixado separado para mim sobre o carro.

***

Sair da Mansão de Anatoly foi mais fácil do que eu imaginava. Eu só precisei ser o capitão bratva por mais alguns instantes, lançar olhares vazios, um tom mordaz e usar o nome de Anatoly para ameaçar os guardas no portão que ofereceram certa resistência. Mas bastou eu dizer que Anatoly me esperava e que se eu me atrasasse por culpa deles, alguém pagaria por isso, e então simplesmente eles abriram os portões. Todos conheciam a fúria de Anatoly e nenhum deles estava disposto a testá-la.

— Eu tenho que confessar, eu não achei que fossemos conseguir. — comentei e Diggle riu de mim. Já havíamos nos distanciado um pouco da mansão e Donna pode finalmente deixar o porta malas. O clima se tornou um pouco mais leve e esperançoso, apenas em deixarmos aquele lugar de áurea tão pesada.

— Vamos buscar minha filha agora? — Donna perguntou ansiosa.

— Sim. — confirmei.

— Não. — Diggle negou ao mesmo tempo que eu confirmei, fazendo-me olhar para ele zangado. — Não podemos ir para lá, precisamos de tempo para pensar melhor em um plano.

— Pare o carro! — exigi.

— Não podemos, precisamos chegar a um local seguro primeiro. — disse sendo todo racional. Inferno, eu queria mandar ele e sua racionalidade para longe! — Se Anatoly ficar sabendo dessa fuga, ele ainda pode mandar alguém atrás de vocês.

— Eu disse para parar a porcaria do carro! — repeti, e Diggle freou parando o veículo ao acostamento.

— O que está acontecendo? — Donna inqueriu preocupada ao me ver deixar o carro e bater a porta num estrondo.

— Não se preocupe, Donna. — abaixei o tom da minha voz para falar com ela — Diggle irá te levar para um lugar seguro, e eu vou buscar a sua filha. — expliquei calmamente, vendo Diggle menear a cabeça em discordância.

— Oliver, você não tem um plano! Me deixe falar com Lyla e ver se ela tem alguma posição ou pelo menos se consigo mais alguns homens! Você não pode entrar numa igreja cheia dos piores criminosos da Rússia, jogar Felicity sobre os seus ombros e esperar sair vivo de lá. É suicídio!

— Eu tenho que tentar, eu não posso permitir que ela se case! — gritei, como ele não entendia? Se eu não agisse logo, poderia ser tarde demais. Eu não queria sequer pensar no que aconteceria à Felicity se o casamento não fosse evitado.

— Eu não estou entendendo, mas se é certo que você vai morrer tentando. Por que está fazendo isso? Por que quer tanto salvar a minha filha? — Donna me confrontou, eu sentia a verdade querendo sair de mim, eu queria responder que era porque eu amava Felicity Smoak mais do que amava a mim mesmo, eu preferia morrer tentando do que conviver com o arrependimento por não ter feito nada.

— Eu fiz uma promessa a ela. — optei por uma meia verdade e novamente me vi surpreso pela intensidade de seus olhos em mim.

— Você não está fazendo isso por uma promessa, está fazendo por amor. — Não era uma pergunta era uma afirmação cheia de certezas.

— Como...? — Como ela poderia saber?

— Seu rosto se ilumina ao ouvir o nome dela, seus olhos ganham uma fúria quando fala sobre precisar salvá-la. Você está determinado a fazer tudo por ela, a se sacrificar, eu nunca vi um homem agir assim, disposto a ir ao fim do mundo por uma mulher que não fosse a dona do seu coração. — olhei para ela hesitante, eu não estava certo se ela aprovaria Felicity e eu, mas eu não iria negar mais.

— Eu a amo, eu realmente a amo. — tentei lhe explicar, mas como traduzir sentimentos tão fortes em palavras? Parecia impossível.

— É claro que ama. Eu não esperava que ela se apaixonasse aqui, nesse lugar tão cheio de horror, mas estou feliz que ela tenha encontrado você, e pode viver algo bom, mesmo quando tudo o que ela viu foi puro mal. — Donna sorriu para mim, seu sorriso me lembrando de Felicity.

— Donna... — Eu queria dizer mais, porém ela me interrompeu.

— Vá, e salve minha filha. — pediu e eu assenti, não havia outra possibilidade em minha mente que não fosse salvá-la. — E fique vivo, Oliver!

— Eu estou indo, eu não me perdoaria se não fizesse nada para evitar. — eu justifiquei a Diggle que a esta altura já sabia que não havia forma de me fazer desistir.

— Seja cuidadoso. — pediu, e eu apenas sorri. Eu sabia que não estaria sendo cuidadoso, eu apenas estava indo por ela, disposto a passar por cima de qualquer um que me impedisse de chegar até a minha printsessa. — E como pretende chegar lá? — ele questionou, e eu sorri ao escutar uma moto passando pela estrada. Fiz sinal e o jovem russo apenas parou imaginando que precisávamos de ajuda ou algo do tipo.

— Ei amigo, eu preciso da sua moto emprestada. — eu disse simplesmente.

— Isso é algum tipo de pegadinha, cara? — devolveu meio em dúvida se devia rir ou fugir, a última teria sido difícil já que eu tinha minhas mãos sobre a moto.

— Não, cara. — respondi sem paciência.

— Sinto muito, mas não posso te emprestar. — começou receoso, eu apenas suspirei sabendo que teria que fazer algo drástico.

— Pode me emprestar agora? — devolvi apontando a arma que tinha comigo para ele que imediatamente soltou a moto deixando a chave nela e me entregando o capacete com certa ansiedade.

— Dê ao garoto uma carona. — falei e vi Diggle me xingar, ao me ver montar sobre a moto. Mas eu não me importava com ele ou suas possíveis repreensões morais, só havia uma pessoa que eu me importava nesse momento.

E eu estava indo até ela.

***

Eu acelerei a moto depois que deixei Donna, Diggle e o rapaz atordoado para trás. Havia um único pensamento pulsando em minha mente, eu precisava chegar a tempo, precisava chegar até ela antes que o maldito casamento acontecesse. Eu não fazia ideia de como eu tiraria ela de lá, eu apenas faria.

A igreja ficava em frente a um rio, circundado por uma mureta baixa, era uma sorte que Anatoly tivesse me falado o endereço anteriormente e por algum motivo masoquista ele simplesmente se fixara na minha mente. Eu parei a moto encostando-a na mureta, elevei o visor do capacete apenas, ciente de que era melhor eu tentar manter um perfil baixo, haveriam alguns soldados de Anatoly por perto e era melhor eu não ser reconhecido.

Era fim de tarde, e embora estivesse frio e houvesse poças de água no chão que eu deduzia serem feitas de neve derretida, o sol brilhava no horizonte tingindo tudo ao meu redor em um tom quente de laranja-rosado.

Antes que eu pudesse sequer pensar em como entraria, as portas da igreja se abriram, a visão de Felicity em seu belo vestido de noiva descendo as escadas era tudo em que me concentrei. Sua beleza roubou meu fôlego, vê-la novamente me fez sentir vivo, alerta, o sentimento de esperança pulsando dentro de mim. Mas a expressão triste que eu via em seu rosto quebrou meu coração.

Ela havia se casado.

Eu cheguei tarde demais.

Vladmir tinha as mãos em sua cintura, mantendo-a para si. Seu sorriso era presunçoso, seu toque sobre ela mostrava mais do que domínio, era um toque sujo, imoral. Desci da moto retirando o capacete, eu estava furioso, vendo tudo em vermelho a minha frente. Ele precisava tirar as mãos dela. Ela não era dele, ela era minha, apenas as minhas mãos tinham permissão para tocá-la. Vladmir se virou para falar com alguém atrás dele e a soltou, percebi o quanto minha printsessa ficou aliviada com aquilo.

E então ela me viu.

E por aquele breve momento seu rosto se iluminou, a tristeza desapareceu completamente e ela sorriu para mim. Seu sorriso me chamando até ela, meu corpo precisando aninhá-la junto ao meu, sentir que estávamos juntos novamente.

Eu comecei a caminhar em sua direção, mas não era um ato consciente, era uma força impossível de lutar contra, como se ela fosse meu sol particular e sua gravidade me puxasse até ela.

Eu senti a primeira pressão no meu peito me fazendo recuar dois passos para trás, meus pés batendo na mureta que contornava o rio. Eu estava tão focado em Felicity, tão obcecado em chegar até ela que tudo havia se tornado um borrão sem importância ao meu redor. Eu não havia notado o momento em que Vladmir me viu, ou sua arma apontada para mim até o momento em que ele a disparou, parecendo satisfeito consigo mesmo ao ver meu corpo tombar para trás. E eu me apoiei na pequena mureta que tinha ao redor do leito do rio.

Mas eu não me importava com ele.

Eu só me importava com ela.

Minha printsessa.

Eu via as lágrimas eu seu rosto e um grito angustiante deixou os lábios dela. Eu queria ir até ela e cessar aquilo, dizer que eu estava bem e vivo e que ficaríamos juntos no final, eu queria desesperadamente acabar com o seu sofrimento, porque ele era o meu próprio. Eu me mantive de pé ainda lutando por ela, ainda tentando chegar até ela.

Veio o segundo e o terceiro tiro, a pressão foi grande meu corpo foi atirado para trás com força e não consegui me segurar, quando eu percebi eu estava caindo, o olhar horrorizado de Felicity e seu grito de desespero chamando o meu nome foi a última coisa que vi e ouvi antes de ser tragado pelas águas congelantes do rio.


Notas finais
É isso leitores chegamos ao final de mais um capítulo, respirem fundo e acalmem seus corações. Esperem pelo impossível e confiem em mim. Alguma vez eu já decepcionei vocês dando um final trágico? (não contem as vezes que enganei vocês! ) Não me matem, ou vão ficar sem o final feliz :) E já avisando, para os desesperados de plantão ESSE NÃO É O FINAL. E cruzem os dedos acho que o próximo capítulo vai vir bem rapidinho!