War of Hearts
12 Capítulo 11 - It's hard letting go
Notas iniciais
It's hard letting go
I'm finally at peace, but it feels wrong
Slow I'm getting up
My hands and feet are weaker than before
And you are folded on the bed
Where I rest my head
There's nothing I can see
Darkness becomes me
But I'm already there
I'm already there
Wherever there is you
I will be there too
(Of Monsters And Men — Silhouettes)
Felicity Smoak
Eu finalmente iria embora deste inferno.
Amanhã à noite, eu daria adeus a este lugar. Sem mais casamento arranjado com um velho asqueroso, apenas para que meu pai criminoso conseguisse ainda mais poder controlando a máfia russa. Sem mais ver a dor e a violência como algo corriqueiro no meu dia a dia. Eu seria livre outra vez, eu poderia ver minha mãe outra vez, voltar para casa e viver normalmente a minha vida. Eu deveria estar exultante, mas havia algo me restringindo, algo pesando em meu coração e deixando esta conquista com um sabor agridoce.
Esse algo era Oliver.
Eu ansiava pela minha liberdade mais do que tudo, eu apenas gostaria que houvesse um modo de incluir Oliver nela. Ele havia se revelado para mim, ele não era o capitão Bratva frio e calculista que eu pensara, embora ele trabalhasse para Anatoly e tenha feito muitas coisas ruins em nome deste, inclusive me sequestrar e me trazer para cá. Mas Oliver tinha feito isso por um motivo maior. Ele estava tentando destruir a máfia russa de dentro para fora.
Ele era alguém que estava tentado salvar a vida de milhares de pessoas arriscando a própria. Como eu poderia não ser seduzida por esse herói escondido por detrás da máscara de um vilão impassível?
Quando tudo o que me restava nesse lugar era desesperança, Oliver me deu algo para bom para voltar a acreditar. Ele tinha sido a ordem em meio ao caos. A esperança quando tudo o que eu sentia era medo. Eu sei que tivemos um começo conturbado, mas agora, quando ele havia se revelado a mim e eu passei a conhecer tanto dele eu percebi que até mesmo quando ele tentava ser severo comigo, ele não estava atuando, ele não vestia sua máscara de capitão bratva porque isso era o esperado dele, ele fazia isso unicamente para me proteger.
Deitei-me de costas sobre a cama em que passamos a noite anterior, fechei meus olhos por um momento apenas me lembrando de todas aquelas sensações. O arrepio bom que percorreu a minha coluna ao sentir seus lábios em minha pele, as carícias trocadas que aceleravam a minha pulsação, os beijos abrasadores que sugavam o meu fôlego e o modo como meu corpo tremeu sob o seu quando atingimos o ápice.
Tinha sido uma noite incrível. Eu nunca fui tocada daquela forma, eu nunca tinha me sentindo assim com mais alguém. E parte de mim se via assustada com a intensidade disso, com o quanto eu não me via apenas atraída a Oliver fisicamente, mas principalmente ligada a ele emocionalmente, essa era a parte que parecia relutante em ir embora e deixá-lo para trás.
Mas eu precisava ir.
Ergui-me da cama deixando o lençol que cobria meu corpo para trás, separei uma roupa para vestir e levei meus pensamentos para o chuveiro enquanto tomava um demorado banho e pensava nas mudanças que viriam. Havia tanto a ser considerado.
Eu estava indo embora. Eu tinha pouco mais do que vinte e quatro horas com Oliver, e então eu não mais o veria por um tempo. Talvez muito tempo. Talvez eu não o visse nunca mais. E ainda havia a pequena possibilidade de eu ter engravidado noite passada.
Eu era muito jovem para ser mãe.
E se Oliver não retornasse? E se Anatoly o matasse quando descobrisse que ele era um traidor? Eu criaria nosso filho sem um pai?
Oh inferno! Eu estava me preocupando com um filho que provavelmente nem existia. Minha mente claramente estava se desesperando e visualizando o cenário com as piores possibilidades. Tudo vai ficar bem, eu assegurei a mim mesma tentando manter meus pensamentos mais positivos e focados. Eu iria embora da Rússia, eu não estava grávida, eu reencontraria Oliver quando tudo isso acabasse. E teríamos a chance de continuar o que quer que seja que estávamos começando aqui.
Vesti minha roupa e respirei fundo enquanto saía do banheiro secando meus cabelos úmidos na toalha. Meus olhos caindo na pessoa sentada confortavelmente a minha cama, deixei a toalha cair ao chão ao perceber de quem se tratava.
Não, nada ficaria bem.
— Ora, se não é a minha adorável e linda noiva. — Vladmir falou em um tom arrastado e marcado pelo sarcasmo assim que e viu.
— Ora, se não é o porco que pensa que conseguirá alguma coisa de mim. — sustentei meu olhar no dele, eu poderia até estar encurralada em meu quarto, mas não iria deixar que ele me intimidasse.
— Querida, eu já consegui você. — pontuou se levantando da cama e exibindo um sorriso asqueroso — Seu pai a deu para mim, num acordo muito vantajoso para ele. Mas recentemente eu me vi pensando que isso não era muito justo. Anatoly conhece a qualidade do que ganhará com isso. Mas e eu? Ao que parece eu apenas preciso saber se será vantajoso para mim também. Testar a qualidade da mercadoria... — Ele caminhou lentamente vindo em direção a mim, como um leão encurralando a sua presa. Eu corri na direção oposta, tentando chegar até a cama onde eu havia deixado a arma que Oliver me dera mais cedo.
Tateei o colchão buscando entre os lençóis por ela, mas uma risada fria e cruel vinda de Vladmir me fez ter certeza de que eu não a encontraria ali.
— Procurando por isso? — perguntou, exibindo a arma que Oliver me dera e brincando com ela em suas mãos. — Esse tipo de coisa não combina com mãos delicadas, suas mãos pequenas e suaves foram feitas para acariciar outra coisa. — seu olhar era sugestivo e malicioso.
Ele colocou a arma de forma displicente sobre uma pequena mesa que havia ali, ele sabia que não precisaria dela para me encurralar. Vladmir era muito mais alto e forte do que eu.
— Que tal testarmos essas mãos em algo mais macio? — sugeriu.
Ele veio até mim, dando a volta a minha cama a qual eu subi e tentei correr até a porta do quarto. Mas apesar do físico corpulento de Vladmir, ele era muito mais rápido do que eu previra. Senti um puxão forte em meu cabelo, meu corpo era jogado para trás e eu caía ao chão com tudo, batendo a cabeça contra o assoalho, fiquei tonta e a visão embaçou por alguns segundos. Quando finalmente meus olhos encontraram o foco, foi para encontrar o rosto de Vladmir ostentando um sorriso tão grande que mostrava todos os seus dentes.
— Toda essa fúria e rebeldia até que tornarão tudo muito mais divertido. Eu aposto que você vai até mesmo gostar. — suas palavras eram bem humoradas, era óbvio o quanto a minha reação o satisfazia.
— O inferno que vou! — cuspi.
Tentei me arrastar pelo chão para longe dele. Mas sua mão áspera pegou-me pelo braço me erguendo e me obrigando a ficar frente a frente com ele. Seus olhos lembravam-me os olhos de Anatoly, não pela cor, mas pelo vazio que havia dentro deles. Era contraditório que naquele vazio eu pudesse ver tanto? Por que eu via. Toda a insensibilidade, toda a falta de apreço pela vida humana que não fosse a própria. Eu via a escuridão que já havia tomado conta da alma dele, se é que Vladmir ainda tinha uma.
— É hora da diversão, querida. — me debati tentando me soltar do seu aperto e sem muito sucesso acertar o meio das pernas dele. Comecei a gritar para que ele me soltasse e ele apenas riu da minha atitude.
— Ninguém virá, querida. Acha que eu não sei que você é uma prisioneira do seu próprio pai? Acha que alguém aqui dentro se importa o suficiente para vir salvá-la do que no final será o seu destino? — ele tinha um ponto.
Meu coração acelerou diante daquela percepção, eu podia sentir a adrenalina no meu sistema me impulsionando a tomar alguma atitude, eu estava sozinha e eu precisava encontrar uma forma de sair daqui. Minha mente tentava pensar rápido e formar um plano, até um barulho alto de uma porta sendo aberta abruptamente e batendo contra a parede me desconcentrou.
— Tire as suas mãos sujas de cima dela. — Era a voz de Oliver, e prontamente meus olhos se viraram na direção daquela voz, buscando por ele e encontrando um alívio imediato ao vê-lo. Ele entrara no quarto e exibia no rosto um olhar assassino direcionado a Vladmir, eu nunca tinha visto esse olhar antes.
— Eu deveria imaginar que o encontraria aqui, rapaz. — Vladmir disse com calma enquanto olhava para Oliver e exibia um sorriso — Você teve um trabalho e tanto na outra noite, tentando me afastar da garota. Eu me pergunto o porquê? Obviamente o próprio Anatoly não se importaria se eu testasse a qualidade do produto antes. Então, esclareça porque você, um capitão bratva, um membro de confiança do Anatoly mostra-se tão determinado a me manter longe da minha adorável noiva?
— Eu disse para você tirar as mãos dela. — Oliver exigiu novamente falando tão pausadamente que era possível detectar a raiva em cada uma de suas palavras. Dessa vez ele empunhava uma arma na direção de Vladmir, que vacilou, parecendo muito mais covarde agora.
Ele deu um passo a frente, me arrastando junto com ele. Seus olhos escuros e frios estavam em Oliver analisando-o com precisão.
— Você está fodendo a minha noiva. É isso o que está acontecendo aqui? — Embora aquela tenha sido uma pergunta, Vladmir não expressava uma dúvida real. Ele apenas olhava para Oliver, para a forma como ele parecia furioso, para o jeito como o seu olhar vinha até mim de uma forma preocupada e carinhosa. — Você não vai atirar, garoto. — Vladmir afirmou, dando mais um passo a frente e encurtando ainda mais a distância entre eles — É inteligente demais para ferrar sua posição dentro da máfia russa por causa de uma puta qualquer.
— Não a chame assim. — Oliver rosnou.
— Oh, que coisa adorável. Ela deve ser realmente muito boa na cama para te pegar pelas bolas desse jeito. — o tom dele era puro sarcasmo — Mas no fundo sabe que ela não vale isso, você não vai atirar em mim, porque sabe que Anatoly precisa de mim. Eu te proponho um acordo: Você me deixa aproveitar um pouquinho do que você teve e depois...
Vladmir não terminou de falar porque naquele momento um estouro alto reverberou pelo quarto, Oliver havia disparado a arma atingindo o ombro esquerdo dele. Ele deu um baque para trás ao sentir o impacto do tiro, a mão que segurava o meu braço se soltou indo até o ferimento e estancando o sangue que fluía. Aproveitei e corri para Oliver que me segurou firmemente contra ele com um de seus braços enquanto o outro seguia empunhando a arma na direção de Vladmir.
— Isso foi um aviso. — Oliver disse a Vladmir que rangia os dentes com força e respirava em lufadas rápidas, eu não sabia se aquilo era por causa da raiva ou da dor, provavelmente eram os dois, um alimentando o outro. — Chegue perto dela outra vez, e eu não hesitarei em colocar uma bala na sua cabeça.
— Vai se arrepender disso, garoto. — rosnou a ameaça com fúria quando passava por nós.
Os olhos dele caíram em mim, e por um momento eu senti meu corpo todo estremecer sob aquele olhar frio. Vladmir não me dissera nada, não me ameaçara, ele apenas me olhara e seu olhar tão escuro e parecia conter as piores promessas vis, promessas essas que ele não precisava falar, bastava olhar-me e eu sabia que nada do que viesse daquele homem poderia ser menos do que puro horror.
E então ele finalmente se foi.
Mas a promessa não dita dele ficou ali, presa em mim, amedrontando-me.
Senti meu corpo ser puxado para o de Oliver, seus braços se enroscando ao redor de mim com uma ferocidade protetora. Um suspiro audível de puro alívio escapou de seus lábios e em seguida eu sentia suas mãos grandes subindo por minhas costas até se colocarem delicadamente ao redor do meu rosto, seus dedos longos se afundando em meus cabelos enquanto os polegares acariciavam minha face de uma forma lenta e carinhosa, seus lábios se pressionaram sobre minha testa, beijando-a com certa devoção. E então ele ergueu meu rosto para o dele, nossos olhos se encontrando. Meu coração aos poucos se acalmando ao se dar conta de que eu estava ali, nos braços de Oliver e não havia lugar mais seguro para se estar.
— Você está bem? Ele machucou você? Ele tocou em você? — a suavidade em sua voz contrastava com a fúria que queimava em seus olhos.
— Oliver! O que você fez? — perguntei, finalmente analisando mais racionalmente o que tinha acabado de acontecer.
— O necessário para mantê-la segura. — afirmou, como se atirar em Vladmir não tivesse sido nada de mais, como se isso não fosse trazer consequências desastrosas para nós dois.
— Ele vai informar Anatoly sobre nós. — comecei a me desesperar — Ele vai dizer que você atirou nele e que...
— Ele não vai fazer nada, printsessa. — falou com uma voz suave e conciliadora claramente tentando me acalmar, eu teria acreditado nele se ao menos ele tivesse soado um pouco convicto das próprias palavras — Ele sabe que se informar Anatoly que ele esteve aqui, isso vai expor que ele tem alguém aqui dentro o ajudando a se infiltrar. Ele não vai querer quebrar a confiança do Anatoly antes das duas facções se unirem. Além disso, você irá embora amanhã, ele não irá chegar perto de você outra vez. Não há razão para se preocupar, eu tenho tudo sob o controle.
— Isto não é sobre mim, Oliver! — expliquei — Isto é sobre o quanto está arriscando por minha causa.
— Eu posso cuidar de mim mesmo. — deu de ombros, não parecendo nenhum pouco preocupado com aquilo.
— Eu vi o que Anatoly faz com traidores, Oliver. — A imagem daquele homem apareceu novamente em minha mente, mas agora quando eu olhava em seus olhos pétreos e sem vida, seu corpo morto deitado na poça do próprio sangue eu via Oliver — E se ele fizer isso a você? E se ele te matar?
— Ele não vai. — me assegurou seus dedos acariciaram meus cabelos seu toque tentando me relaxar, mas não conseguindo o efeito esperado. Eu sabia que Oliver mentia. — Amanhã eu vou tirá-la daqui e eu não quero que se preocupe com isso, eu não quero que se preocupe com nada que não seja o seu bem estar.
— O inferno que não vou me preocupar com você! E se Vladmir voltar? E se ele tentar algo...
— Você vai dormir em meu quarto essa noite, na verdade, eu acho que é melhor você ficar lá pelo restante do dia apenas por precaução. Eu não acho que Vladmir volte, mas eu vou me sentir melhor se eu puder manter meus olhos sobre você a cada momento até que você esteja segura fora daqui. — meneei a cabeça me sentindo frustrada. Oliver não compreendia, eu não estava preocupada comigo, eu estava preocupada com ele.
— Oliver... — tentei retomar o assunto, eu precisava fazê-lo compreender, mas Oliver me interrompeu como quem dava aquele assunto por encerrado. Ele estava muito enganado se acreditava que eu iria simplesmente esquecer todos os perigos que ele corria aqui ao tentar me ajudar.
— Melhor irmos, printsessa. — sua mão se colocou ao redor da minha, entrelaçando nossos dedos enquanto ele me guiava para fora e seguíamos pelos corredores que dariam até seu quarto.
— Oliver... Eu não acho que seja seguro você segurar a minha mão dessa forma, e se alguém nos ver? — o lembrei fazendo Oliver parar e virar-se de frente para mim seus olhos parecendo atormentados, eu esperava que ele soltasse nossas mãos ao se dar conta de que aquele era um risco adicional que não precisávamos correr, mas seu aperto apenas se intensificou.
— Eu sei que não é seguro, mas eu quase a perdi hoje. Já pensou no que poderia ter acontecido a você se eu não tivesse chegado lá a tempo? — engoli em seco, eu estava evitando com todas as forças não pensar naquela possibilidade. — Eu estou com esse maldito pensamento em minha mente, então não, Felicity, eu não irei soltar nossas mãos porque no momento eu preciso sentir que tenho alguma parte de você junto a mim ou eu vou enlouquecer.
Como eu poderia olhar em seus olhos e negar algo do qual ele parecia precisar tanto?
— Tudo bem, mas precisamos ser cuidadosos eu não quero que alguém mais descubra. Já tivemos problemas demais com Anne, e eu não acho que um dos soldados de Anatoly irá estender a nós o mesmo tipo complacência que ela — Oliver assentiu e voltamos a andar até seu quarto.
Para nossa sorte o caminho foi tranquilo, Oliver se viu obrigado a tomar alguns desvios para não dar de frente com alguns outros membros da máfia, mas logo eu estava novamente em seu quarto. Oliver fechou a porta atrás de nós, trancando-a e no instante seguinte senti minhas costas batendo contra a madeira dela com certa rudez. Os lábios de Oliver chocaram-se contra os meus em um beijo desesperado e exigente. Havia mais naquele beijo do que eu conseguia compreender, a forma faminta como seus lábios sugavam os meus, ou como a sua língua tocava a minha, não apenas com erotismo, mas com uma necessidade elementar.
Ambas as suas mãos prendiam-se em minha cintura fortemente como se temessem que a qualquer momento eu pudesse desaparecer, o corpo dele comprimia o meu e não deixava qualquer espaço entre nós. Sua boca seguia na minha com uma ferocidade até então desconhecida por mim, Oliver arrancava meu fôlego, bebia da minha respiração, consumia-me em seu beijo passional.
E então, quando eu menos esperava seus lábios se afastaram dos meus, embora eles se mantivessem próximos o suficiente para que eu sentisse o gosto da sua respiração alterada que mesclava-se com a minha.
— Eu não estou reclamando — comecei a falar ainda sem fôlego e me sentindo desnorteada ao ter os olhos de Oliver cravados nos meus, dizendo-me algo que eu ainda não estava preparada para escutar —, mas eu gostaria de entender o porquê desta sua reação, Oliver.
— Eu precisava fazer isso por mim, printsessa, eu apenas precisava convencer a minha mente de que ainda tenho você comigo. — sua declaração tocou meu coração, eu sabia como eu me sentia com relação a Oliver, mas sempre era uma surpresa quando ele expressava seus sentimentos para mim. Eu havia convivido por tempo demais com o capitão bratva impassível e frio, e ver o verdadeiro Oliver sempre aquecia-me por dentro.
— Funcionou? — questionei, por um impulso erguendo a minha mão e acariciando seu cabelo com meus dedos distraidamente.
— Talvez eu precise de mais. — eu ri e Oliver compartilhou do meu riso, fazendo meu cérebro perceber que eu nunca tinha escutado Oliver Queen rir. Nunca. Ele sorria às vezes para mim, e apenas quando não havia ninguém por perto. Mas escutar sua risada rouca, sentir seu corpo chacoalhar ligeiramente ao fazer algo tão simples e comum, mas que eu deduzia ser tão raro para Oliver, me fez desejar prologar aquele momento e fazê-lo rir mais vezes, me fez desejar que eu não fosse a filha do líder da máfia russa e Oliver não fosse um capitão bratva. Queria que fôssemos apenas Oliver e Felicity, sem nenhuma outra complicação. E que pudéssemos apenas rir mais vezes juntos.
Mas o riso logo desapareceu de seu rosto, uma ruga se formou entre suas sobrancelhas e suas mãos soltaram minha cintura, seu corpo se afastou de mim dando um passo atrás, e Oliver parecia se concentrar em outra coisa. Ele retirou um celular do bolso e passara tempo demais olhando para tela, e só depois disso, seus olhos vieram para mim expressando algo parecido com uma tristeza feliz, se é que era possível sentir tal união de sentimentos.
— O que há de errado? — perguntei, estranhando sua mudança tão súbita.
— Eu preciso sair, mas volto em dez minutos, não se preocupe é algo bom. — ele garantiu, o canto de seus lábios se ergueu formando um pequeno sorriso que me acalmou, embora aquele brilho triste ainda estivesse em seu olhar. — Tranque a porta e... — Oliver pareceu pensativo e então retirou algo que estava em suas costas e me entregou colocando sobre minhas mãos, senti o peso agora já conhecido e o frio do metal sobre a palma da minha mão.
— Eu não... — comecei a protestar.
— Não importa, eu quero que não hesite em usar isso em qualquer um que entre aqui — enfatizou, dando-me um beijo suave nos lábios e partindo logo em seguida. — É para sua proteção.
Oliver demorou bem mais do que dez minutos, mas eu permaneci em seu quarto, mesmo que eu detestasse a ideia de estar trancada dentro de um cômodo. A questão era que agora eu entendia a diferença entre ser presa, e se trancar para a própria proteção.
Escutei o barulho da maçaneta girar e me coloquei de pé com a arma em minha mão assim que vi um desconhecido entrar pela porta.
— Você tem uma garota feroz, Queen. — o homem disse, sorrindo abertamente para mim.
— Você pode abaixar a arma, printsessa. — Oliver falou se aproximando de mim com um sorriso orgulhoso brincando em seus lábios, sua mão veio até a minha e retirando o instrumento das minhas mãos.
— Você disse para eu atirar em qualquer um que entrasse aqui. — o lembrei.
— Eu sei, estou feliz que você não tenha hesitado. — escutei um pigarrear de garganta e olhei para o desconhecido o achando ligeiramente familiar — Mas ele é um amigo. Felicity, este é John Diggle. John está é a minha Felicity. — ele nos apresentou, e eu não pude deixar de notar que ele havia usado um pronome possessivo antes do meu nome. — Ele irá me ajudar a tirar você daqui em segurança.
— Eu me lembro de você. — inspecionei o homem negro de quarenta e poucos anos, ele era forte e poderia ser ameaçador, se não houvesse em seu rosto um sorriso tranquilo e amigável — Você estava naquela lanchonete, você passou um bilhete para Oliver.
— Você é perceptiva, Oliver não mentiu ao falar sobre você — falou esticando a mão para mim eu correspondi ao cumprimento, embora minha mente estivesse um pouco longe pensando exatamente sobre o que Oliver havia dito a ele sobre mim — É um prazer conhecê-la.
— Igualmente.
— Eu queria você conhecesse o Diggle antes, eu queria que você soubesse que pode confiar nele. — Oliver explicou, ficando ao meu lado e segurando a minha mão, um movimento que devo dizer chamou a atenção do senhor Diggle que nos observava com um misto de curiosidade e felicidade — Amanhã, Anatoly receberá um carregamento, Diggle será o motorista do caminhão, quando tudo for descarregado você entrará e...
— Hey! Você está roubando o meu plano e você disse que ele era ruim... — reclamei, dando-lhe um pequeno soco no ombro.
— Seu plano tinha uma falha, que não haverá neste porque eu serei o responsável pela verificação do caminhão. Depois disso você seguirá com Diggle que te levará a um lugar seguro. — Oliver explicou todo o plano, mas minha mente havia se concentrado em um único detalhe.
Lugar seguro. Não a minha casa.
— Eu não estarei voltando aos Estados Unidos. — constatei, lançando um olhar inquisitivo a Oliver.
— Sinto muito, printsessa. — se desculpou apertando fortemente a minha mão, parecendo realmente lamentar por isso — Este seria o primeiro lugar que Anatoly procuraria por você. Eu preciso apenas que você fique em lugar seguro até que possamos resolver tudo por aqui, quando não houver mais nenhuma ameaça, então eu mesmo a levarei de volta para a sua casa.
— Você promete? — perguntei, buscando por seus olhos.
— Printsessa... — seu tom diligente me provava que havia algo mais ali. Oliver não gostava de fazer promessas que não dependiam unicamente dele e ainda assim eu teimava em insistir nelas — Eu prometo fazer o meu melhor para tornar isso possível.
— Oliver... — fui interrompida por um pigarrear do senhor Diggle, me fazendo perceber que aquele não era o melhor momento para isso.
— Eu tenho que ir, Oliver, eu não devo ficar muito tempo por aqui.
— Certo. — Oliver concordou.
— Até amanhã, Felicity. — se despediu de mim, mas antes de Diggle partir Oliver se aproximou dele e cochichou algo em seu ouvido, que parecia ser um assunto sério, mas que fez o semblante de Diggle mostrar certa diversão.
— Sim, senhor. — ele assentiu, levando a mão a testa como se acatasse uma ordem, mas ainda assim ele sorria abertamente fazendo Oliver menear a cabeça e sorrir ao ver sua atitude brincalhona.
Era engraçado, eu nunca pensei que Oliver pudesse ter um amigo, mas por aquele pequeno momento de cumplicidade entre os dois, eu deduzia que John Diggle deveria ser um muito bom.
— Eu vou dar a vocês alguns minutos. — disse deixando o quarto em seguida.
— O que você disse ao senhor Diggle que o fez sorrir? — perguntei curiosa a Oliver, que havia se voltado ficando de frente para mim.
— Que eu estou confiando um bem precioso e de muita importância a ele, e que eu preciso que ele cuide muito bem disto. — sorri tolamente ao compreender que o bem tão precioso e importante assim para Oliver era eu — Porque você não descansa um pouco? Eu tenho algumas coisas para acertar para amanhã com John e resolver alguns assuntos pendentes de Anatoly, e por mais que eu queira passar cada segundo do tempo que ainda temos juntos, eu não posso permitir que alguém aqui dentro desconfie de algo. — explicou parecendo chateado, porém decidido a cuidar de cada mínimo detalhe — Eu prometo voltar assim que puder. Você pode vestir uma das minhas camisas, para ficar mais confortável para dormir. — disse olhando para meus jeans e blusa de malha.
— Você e essa sua mania de me vestir com suas camisas. — reclamei o fazendo sorrir e suspirar logo em seguida.
— O que eu posso dizer é que gosto do cheiro doce que você deixa nas minhas roupas. — ele puxou-me pela cintura com uma das mãos, enquanto a outra acariciou meus cabelos e por fim Oliver se aproximou um pouco mais e colou nossos lábios num beijo cálido — Te vejo logo, printsessa. — se despediu.
Eu não tornei a ver Oliver por um longo tempo.
Eu me atrevi a olhar pelas frestas da persiana do quarto de Oliver horas depois e só então percebi que já havia escurecido. Os usuais guardas de Anatoly faziam a ronda pelo quintal, atentos a cada mínimo movimento. Eu estava começando a me sentir irritada. Não era pelo tédio de ficar enclausurada e sozinha por todo aquele tempo, ou a apreensão e ansiedade pelo o que aconteceria amanhã.
Era saudade de Oliver.
Que sentimento mais incompreensível. Eu havia dormido nos braços de Oliver na última noite, eu o tinha visto muitas vezes e eu ainda o veria novamente, mas meu coração parecia não entender isso, me fazendo andar inquietamente de um lado para o outro do quarto. Talvez fosse a iminência da partida deixando tudo mais intenso, talvez essa incerteza de quando ou se eu voltaria a vê-lo era o que fazia meu coração se apertar de forma agoniada e me fazia desejar agarrar Oliver em meus braços e nunca mais o soltar.
E foi o que eu fiz no instante e que ele abriu a porta.
Eu corri até ele e o abracei escondendo meu rosto em seu peito e inalando profundamente o seu cheiro almiscarado. Como eu sentiria falta do cheiro dele quando eu partisse! Eu percebi que Oliver ficou surpreso por alguns poucos segundos, mas logo eu senti seus braços fortes circundando o meu corpo, abraçando-me de forma protetora e mantendo-me junto a si. Eu nunca abracei alguém por um tempo tão longo. Eu nunca quis permanecer em um lugar, sem sequer me mover, o quanto eu queria permanecer nesse abraço.
Mas o abraço teve seu fim.
Como tudo na vida tem o seu fim. E constatar isso apenas me deixou ainda mais nervosa, pensando o quanto o nosso fim estava próximo.
Os braços de Oliver deslizaram suavemente pelas minhas costas na medida em que o abraço se desfazia, uma de suas mãos buscou pela minha segurando-a firmemente enquanto Oliver dava um passo para trás. Seus olhos me observaram com aprovação, seguindo por minhas pernas desnudas e sorrindo ao constatar que eu vestia uma das camisas dele.
— Sente-se comigo, eu quero conversar um pouco com você. — pediu, me puxando até a cama onde nos sentamos de frente um para o outro.
— Eu nunca gostei dessas palavras, soa como se você fosse me dar um fora. — especulei brincando nervosamente com as minhas mãos, eu não havia gostado da seriedade mesclada ao que deduzir ser tristeza no tom dele.
— Como se eu tivesse algum controle sobre isso, printsessa. — ele sorriu tristemente, colocando uma de suas mãos sobre as minhas. Seu toque quente me fazendo parar e me concentrar nele.
— O que está errado? — semicerrei meus olhos analisando aquela estranha nuvem que parecia nublar os olhos de Oliver, algo o preocupava. Ele segurou sua mão mais firme na minha, tomou uma respiração profunda e finalmente me disse o que o atormentava.
— Eu sei que eu disse que as coisas amanhã serão tranquilas, mas se algo der errado eu preciso que você confie em Diggle e que siga com ele sem olhar para trás, sem se preocupar com o que está deixando aqui. — falou calmamente.
— Você está se referindo a você? O que você não está me contando, Oliver?
— Anatoly confia em mim, mas isso não significa que outros membros da máfia não fiquem de olho em mim. Eles não gostam de americanos e principalmente da posição que Anatoly me conferiu aqui dentro, eles estão ansiosos para que eu cometa um deslize, ansiosos para descobrir um mínimo erro que me comprometa com Anatoly.
— Você está dizendo que estarão te observando e isso pode dificultar a minha fuga. — conclui.
— Sim, mas eu também estou dizendo que não quero que você tome uma atitude impulsiva por isso. — suas palavras soavam como um pedido — Eu te conheço printsessa, você é destemida e teimosa, eu vejo essa vontade de lutar que corre em suas veias, esse brilho de rebeldia em seu olhar, e isso me conquistou desde a primeira vez que a vi. Eu me vi tão inconvenientemente fascinado por você que era difícil não procurar desculpas para me aproximar. — falou docemente, seus olhos ganhando um brilho diferente — Mas eu preciso que você seja egoísta, que pense apenas em si mesma.
— Eu não posso fazer isso, Oliver. — respondi honestamente, a mera ideia de algo ruim acontecer a Oliver, me fazia desejar revidar e lutar por ele. Como eu poderia simplesmente lhe virar as costas se ele precisasse de ajuda?
— Eu acho que não me expliquei direito, isto não é um pedido, printsessa. — determinou com seu tom autoritário que fazia algo dentro de mim querer se rebelar.
— Pedido ou não, eu não vou fazer isso! Se é arriscado demais para você, você pode se machucar, se ferir ou pior ser morto, Oliver, talvez nós devamos esperar e encontrar um meio mais fácil de me tirar daqui. — ofereci a alternativa. Me assustei com a minha própria resposta, eu estava disposta a abdicar da minha liberdade se isso me garantisse que Oliver ficaria bem. Eu não tinha percebido o quanto eu estava envolvida por ele até agora.
— Não há um meio fácil de sair e se esperarmos por isso nós ficaremos aqui para sempre, essa é nossa única alternativa.
— Então você quer que eu continue a fugir, ainda que eu te veja ser machucado, você quer que eu te vire as costas e siga em frente? — perguntei, sentindo em minha boca o gosto amargo daquela questão.
— A única coisa que me machuca é pensar em você aqui, presa e sujeita as atrocidades do seu pai. — Oliver tocou carinhosamente o meu rosto, e eu finalmente entendi a razão daquela tristeza feliz em seu olhar. Ele estava triste por pensar em me perder, mas ele estava feliz por saber que eu estaria segura e longe dos olhos da máfia. — Eu posso aguentar se as coisas derem erradas para mim, mas apenas se eu souber que você está longe daqui, bem e segura. — afirmou com uma urgência que me surpreendeu, suas mãos se colocaram ambas ao redor do meu rosto, nossos olhos se fitando e tudo o que eu via nos olhos de Oliver eram sentimentos, puros, vívidos e desesperados.
— Mas...
— Por favor, printsessa, não vamos mais brigar por causa disso. Deixe-me acertar as coisas com você. Eu a trouxe para cá, eu me sinto responsável por cada coisa ruim que lhe aconteceu aqui, por favor, me deixe consertar tudo, me deixe me redimir perante seus olhos.
— Oliver, você não precisa se redimir comigo. — permiti que meus dedos deslizassem suavemente pelo rosto dele, desejando ser capaz de tirar aquela sombra que encobria seus olhos — Eu te perdoo por isso.
— Mas eu não perdoo a mim mesmo.
A verdade me atingiu. Parte do motivo de Oliver se ver tão desesperado para me tirar daqui era que ele via isso como um meio de redenção perante a mim. Eu via a culpa nele por cada coisa ruim que havia me acontecido aqui, e eu queria desesperadamente tirá-la de lá.
Sim, Oliver tinha sido aquele a me sequestrar e me trazer a este inferno. Ele estava cumprindo ordens, ele precisava mostrar que era digno da confiança de Anatoly se quisesse derrubar a máfia russa. Os fins, obviamente não justificavam os meios. Mas se não tivesse sido Oliver a me sequestrar, outros viriam e talvez a minha história aqui tivesse um final muito diferente.
De certa forma, eu era grata por ter sido ele.
— Oliver... — Eu queria tanto fazê-lo entender, mas no fundo eu sabia que eu não podia. Oliver precisava fazer as pazes consigo mesmo, aceitar seus erros e acertos, suas transgressões ainda que fossem em busca de um bem maior.
— Não vamos discutir isso, printsessa, está é a nossa última noite juntos, não vamos mais desperdiçar o tempo com palavras que não nos levarão a lugar nenhum. — ele pediu, seu tom era leve, porém marcado por certa urgência.
Seu rosto se inclinou sobre o meu, nossas testas se tocando, ambos os nossos olhos se fecharam e ficamos assim, inalando a respiração um do outro.
— Devíamos nos concentrar em apenas sentir mais uma vez o quão bom somos juntos, o quão... — Não permiti que ele terminasse de falar, venci a pequena distância entre nossas bocas.
Nossos lábios finalmente se tocando, se acariciando lentamente como se quisessem apreciar cada mínimo momento, cada pequeno detalhe, como se memorizassem a textura macia, estudassem o gosto um do outro com o toque das línguas e gravassem cada uma dessas sensações em uma memória permanente, tornando-a inesquecível.
Eu queria parar o tempo neste momento. Poder apreciar sem pressa o que apenas Oliver era capaz de me fazer sentir. Mas nosso amor estava com tempo contado.
E esse era o nosso adeus.
Até nossos lábios pareciam se dar conta disso, pois logo o beijo suave se tornou desesperador e faminto. Nossas bocas tomavam todo o ar uma da outra, num beijo marcado por tantos sentimentos, que era difícil determinar qual deles predominava. Havia desejo, havia paixão, mas havia também aquela saudade antecipada, aquele medo incontrolável de que este fosse o nosso último beijo, a nossa última vez.
As mãos de Oliver escorregaram de meu rosto, deslizando por meus ombros, braços, cintura, até chegarem em minhas coxas onde se agarraram com certa rudez. O movimento de Oliver foi rápido e preciso, ele puxou-me para seu colo, minhas pernas rodearam seu torso, meu corpo se acomodando com naturalidade ao seu. Sua mão seguia acariciando as minhas coxas, enquanto entregávamos cada parte de nós naquele beijo.
Suas mãos subiram pelo meu corpo, passando por dentro da camisa dele que eu vestia, deixando um rastro quente sobre a minha pele. Ele despiu-me dela com precisão. E logo em seguida seus dedos hábeis se colocaram em minhas costas e desataram meu sutiã, deixando-me praticamente nua em seus braços. Apressei-me em deixar as coisas mais iguais entre nós e me concentrei nos malditos botões da camisa dele, em minha urgência talvez eu tenha finalmente conseguido arrancar um ou outro, mas quem se importa? Oliver claramente não, ele ansiosamente me ajudou se livrando do pedaço de tecido incomodo.
Quando ambos estávamos finalmente seminus, uma das mãos de Oliver se colocou em minha cintura puxando meu corpo ainda mais para o dele, nossas peles se regozijando com o calor que emanava de nossos corpos juntos, com o prazer que era estar tão próximo, com cada pequena sensação que fazia meu corpo vibrar em resposta ao seu.
Com a mão que estava livre, Oliver segurou meus cabelos os enrolando ao redor do seu braço fazendo-me inclinar a cabeça para trás. Protestei contrariada quando os lábios macios de Oliver deixaram os meus, mas deixei um gemido lânguido sair deles quando sua boca descia sensualmente por meu pescoço numa carícia tão erótica que arrepiara cada pelo do meu corpo. Sua boca seguiu para baixo, e seu braço em meu cabelo puxando-o delicadamente para trás, deixando-me meus seios expostos e inclinados para Oliver de uma forma incitante. Sua boca escolheu meu seio direito, seus lábios o abocanham com vontade. Sua língua circundando o bico, deixando-o rígido e molhado, seus dentes se prendendo sobre a minha pele e arrancando de mim pequenos gritos que eu não sabia definir se eram de dor ou prazer, Oliver havia encontrado o limiar perfeito entre os dois.
Desci minhas mãos entre nossos corpos, encontrando a calça de Oliver, a desabotoei e desci o zíper, tocando o seu membro excitado por cima da cueca. Oliver rugiu arfando contra meu seio enquanto eu seguia o acariciando.
Havia uma qualidade diferente na segunda vez que fazíamos sexo. A primeira tinha sido sobre nos entregarmos ao que sentíamos, sobre ter encontrado algo verdadeiramente bom em um ambiente hostil e que apenas exalava dor e sofrimento, e vivenciar isto, deixar que esse sentimento trouxesse a luz a um lugar tão tenebroso, e nos enchesse de esperança. Desta vez era sobre não perder as esperanças, sobre não deixar que a distância e o medo mudasse o que sentíamos. Havia entrega também, mas não apenas aos nossos sentimentos, era entrega um ao outro, era uma vontade de deixar uma parte de si com o outro, de nos marcarmos.
Havia tanta urgência em se entregar.
Havia tanta vontade de ir devagar e apreciar cada pequeno momento.
Havia felicidade por estarmos juntos, e havia a tristeza por saber que este era um adeus.
Oliver voltou a beijar meus lábios com aquela fome sem fim, seu corpo se inclinando sobre o meu fazendo-me deitar de costas. Ter seu corpo sobre o meu de forma tão íntima, me trouxe lembranças da noite anterior e me deixou ainda mais ansiosa. Percorri com as mãos suas costas largas até chegar o cós da calça e inutilmente tentei arrastá-la para baixo. Oliver riu contra meus lábios ao perceber minhas intenções, e se afastou de mim por poucos momentos, apenas para despir-se do resto de suas roupas.
Ele voltou para a cama, mas seu corpo não cobriu o meu como eu esperava. Suas mãos se colocaram nas tiras da minha calcinha e ele a deslizou para baixo, deixando-me finalmente completamente nua. Seus dedos testaram meu sexo sem pressa, e eu gemi me contorcendo ao sentir seu toque quente me deixando ainda mais excitada. Meu gemido deve ter despertado algo em Oliver, porque imediatamente seu corpo cobriu o meu, sua boca sugou meus lábios enquanto ele estava perfeitamente encaixado sobre mim. Seu membro excitado roçando o meu sexo e fazendo-me movimentar meus quadris buscando por senti-lo um pouco mais.
— Espere. — Oliver pediu se afastando, e eu não segurei um suspiro frustrado. Eu não estava apenas ansiosa, eu precisava de Oliver, precisava sentir o corpo dele sobre o meu, sentir que por mais essa noite seríamos um só. Eu precisava sentir que isto entre nós era real.
Oliver havia se afastado, inclinando o corpo até a gaveta do criado mudo e retirando dali uma camisinha. Fiquei aliviada por alguém estar pensando num momento como esse. Observei ansiosa Oliver rasgar a embalagem e deslizar o preservativo em seu membro. Logo em seguida ele deixou seu corpo novamente cair sobre o meu, sua boca faminta voltava a explorar a minha. Roubando o meu ar. Minha sanidade. Me roubando de mim mesma.
Ele me beijou mais ternamente desta vez e enquanto eu me perdia naquele beijo, eu me perguntava como era possível que apenas um beijo fosse capaz de me fazer sentir da forma como eu me sentia agora. Tão segura. Tão cuidada. Tão amada.
— Ya lyublyu tebya — Oliver disse contra meus lábios, com um olhar de adoração nos olhos.
Eu geralmente achava sexy quando Oliver falava em russo, mas desta vez foi diferente. O que aquelas palavras desconhecidas me transmitiram foi pura emoção, fazendo o meu coração se alegrar ao ouvi-las, mesmo sem que eu soubesse o significado delas.
— Ya lyublyu tebya — repeti a frase em russo, e Oliver sorriu — Eu não sei o que significa, mas de alguma forma eu sinto o que essas palavras expressam. Faz algum sentindo? — perguntei.
— Faz todo o sentido, printsessa. — havia um brilho diferente em seus olhos, que fez meu coração acelerar ainda mais dentro do peito. Eu me lembrava do Oliver com olhos azuis que pareciam conter duas geleiras intransponíveis, mas agora tudo o que eu via em seus olhos quando ele olhava para mim era amor.
Senti vontade de dizer aquelas três palavras.
Elas vieram até a ponta da minha língua, mas se transformaram em um ofego languido assim que senti Oliver me penetrar. Suas mãos se colocaram como garras ao redor das minhas coxas e ele as afastou um pouco liberando mais espaço para si e indo ainda mais fundo.
Oliver reivindicou minha boca novamente em um beijo doce, que contrastava com a impetuosidade das suas investidas em mim. Ele havia se movimentado lentamente no início, deixando aos poucos que eu me acostumasse a ele, que meu corpo o acomodasse e seguíssemos o mesmo ritmo lento, apreciando o fato de estarmos mais uma vez juntos e completamente entregues um ao outro. Mas não era apenas a paixão e desejo que nos comandavam, não era apenas vontade de que nossos corpos encontrassem um no outro a satisfação que tanto desejavam. Era sobre nos doarmos, sobre nos amarmos como se esta fosse a última vez.
Porque talvez ela fosse.
Oliver passou a me penetrar com mais força e vontade, eu sentia seu membro entrar completamente dentro de mim e depois sair, voltando a investir com a mesma intensidade de antes. Era difícil respirar, considerando que a boca de Oliver roubava meu ar, que suas mãos acariciavam meu corpo com volúpia e carinho. Eram sentimentos demais, sensações demais para que eu lidasse de uma única vez, por isso tudo o que fiz foi me permitir viver e sentir tudo, tudo o que apenas Oliver já tinha me feito sentir. Eu cravei minhas unhas em seus ombros largos e gemi seu nome contra sua boca quando o orgasmo me atingiu, espalhando a onda de prazer por cada terminação nervosa de mim e me fazendo tremer debaixo do corpo de Oliver. Ele continuou investindo, seus dentes mordendo a pele do meu pescoço quando ele havia chegado ao próprio ápice.
E ficamos assim por um tempo. O corpo de Oliver ainda sobre o meu, sua respiração ofegante e quente em meu pescoço, nossos corações batendo tão rápidos quanto era humanamente possível. Nenhum de nós queria se mexer, nenhum de nós queria que aquele momento tivesse fim.
Oliver foi o primeiro a se afastar, ele beijou suavemente os meus lábios e então caminhou para o banheiro. Segui seu corpo com os olhos, sentindo-me estranhamente solitária ao vê-lo ir, puxei o lençol por sobre o meu corpo tentando abrandar o frio que eu senti após seu corpo deixar o meu, e virei meu corpo encarando a parede, tentando fazer meu cérebro não dizer a verdade que eu vinha com todas as forças evitando encarar.
Eu amava tanto Oliver. Que eu consideraria ficar, consideraria enfrentar Anatoly e Vladmir se isso significasse que eu poderia ficar com Oliver. E a intensidade do quão forte era esse sentimento me assustava como o inferno.
Eu queria tanto dizer a ele antes de ir, dizer que eu o amava e que ainda que nos separássemos agora, eu sentia que esse sentimento não mudaria. Mas algo dentro de mim me advertia de que isto apenas deixaria a dor da partida ainda maior.
Oliver desligou as luzes e voltou para cama, ele não disse nada ao me ver encolhida embaixo dos lençóis, ou por eu estar tão próxima a beirada da cama. Ele não disse, porque Oliver era um homem sobretudo de ações e não palavras, suas mãos grandes se colocaram em minha cintura e ele me arrastou pela cama até acomodar meu corpo ao seu. Senti-me imediatamente aquecida, não porque estávamos ambos nus e o calor do corpo dele passava para o meu, mas porque a proximidade com Oliver me fazia sentir bem, aquecia meu coração e enquanto estávamos assim, juntos eu não pensava em todas as complicações dessa relação.
Havia apenas Oliver e eu, e o resto não importava.
— Descanse, printsessa. — ele falou em meu ouvido seus lábios tocando a pele desnuda dos meus ombros, mas eu não queria dormir. Porque dormir significava perder mais do precioso tempo que eu tinha com Oliver. Perder mais desse sentimento que crescia dentro de mim e eu me via destroçada por deixá-lo para trás.
Girei-me em seu abraço, acomodando minha cabeça contra seu peitoral e soltando um longo suspiro. Como eu queria que tudo fosse mais fácil entre nós. Como eu queria que amar Oliver não fosse um problema. Oliver parecia compartilhar dos meus pensamentos, pois senti seus lábios em meus cabelos, suas mãos acariciando suavemente a curva da minha coluna.
— Tudo vai ficar bem, printsessa. Nós vamos encontrar o caminho de volta um para o outro, eu prometo.
Eu sorri ao escutar aquilo, ao mesmo tempo em que meus olhos se inundaram com lágrimas e algo se prendeu em minha garganta. Oliver sempre se mostrara relutante em me fazer promessas que ele temia não ser capaz de cumprir. Mas ele havia me prometido a única coisa que me importava.
Encontraríamos o caminho de volta um para o outro novamente.
E a esperança que aquela promessa me trazia, aliada ao calor do corpo do Oliver tão intimamente pressionado ao meu, foi a única coisa capaz de me trazer paz, de me fazer adormecer feliz, por mais essa noite.
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