War Angel - Sonhos
3 Capítulo 2 – A Cobaia
Notas iniciais
~ Capítulo 2 – A Cobaia ~
Uma metamorfose induzida. Aquelas mãos roxas e com unhas pontudas deslizavam por seu corpo carregando a droga que transformaria sua pequena capa escamosa em uma armadura blindada, com asas e que o fará um Dragólion mais forte do que qualquer outro existente. A medida que o tempo avançava, o corpo do pequeno Don alterava-se cada vez mais.
A sequência de experimentos realizados pela Senhora da Dor avançavam com velocidade.
— Poucos efeitos colaterais e ótimos resultados. Você é um excelente espécime, outros do seu tipo e poderíamos ter um forte exército de répteis alados. – Sussurrou a ex-bruxa, com uma seringa em mãos, preenchida até a marca de 2,0 ml com um líquido de cor cinza e espesso.
— Não, por favor! Não faça isso comigo, “senhola”! Não! Não! – Implorava Don, rebatendo-se sobre a mesa com todas suas forças, aos berros.
— Os seres da superfície acreditam que as sequências de DNA de épocas antigas estão perdidas. Tolos! Estudando as teorias de evolução durante três vidas humanas pude reunir peças do quebra-cabeça pelo qual busco todo esse tempo e estou quase concluindo-o. Os mundos do interior e aquático possuem mais informações do que acreditam. Você será meu troféu, pequeno réptil! Cresça e traga sucesso às nossas batalhas! – Ressaltou com empolgação em suas palavras finais.
Ao retira-lo para leva-lo de volta a sua cela, notou um rompimento em uma das cintas que o prendia, sorrindo em seguida pelo avanço do teste.
Ao som de sussurros, o desejo pela liberdade se propagava entre as celas do calabouço do castelo do Vale das Sombras, enchendo o coração daqueles corpos cansados com a voz da luz trazida por aquela que porta em seus arcos a marca da escuridão.
Devolvido a seu local, Don agarrou-se ao lençol entregue por Akira outrora, derramando sobre o tecido lágrimas de dor.
— A maldade daquela bruxa não tem limite mesmo, fazer isso a um pequeno animal... Queria eu ter força suficiente para partir essas grades de aço e arrancar a cabeça dela com minhas próprias mãos... – Tracy exclamava irritada com tudo que a Senhora da Dor vinha fazendo.
— Não se esqueça que também fomos cobaias de seus testes biológicos, embora não tenha nos afetado como ela desejava, aparentemente, não sabemos que resultados ela almejava atingir... Se deram certo. – Frendon complementou.
— Eu só "quelia" meu amigão...
— Ele vai tirar você daqui, acredite! E não se esqueça que minha irmã deve estar com ele agora. Akira saberá como chegar aqui de forma segura, seremos resgatados, e se isso não acontecer, já temos um plano B, só precisamos de uma confirmação, não é mesmo Diva?!
— Muito bem, moço bonito! É isso mesmo, tenho algumas ideias nessa cachola. – Riu. – Uma diva como eu não pode passar muito tempo presa numa cela imunda e podre como essa, ainda mais com o paspalho do Frendon. – Brincou.
— Sou minoria aqui e ainda sofro com isso... Aquiles, você poderia me dar algumas dicas? – Todos riram por um instante.
— Não acho que minhas dicas lhe agradarão, acredito que temos gostos e... Desejos diferentes... Se é que me entende.
— Não gosto de sua irmã, moço bonito, e ainda desconfio das intenções "amigas" – enfatizou. – dela para com o amiguinho ali. – Apontou na direção de Don, que continuava abraçado ao tecido.
Aproximando-se de Diva, Frendon lembrou-lhe de quando viram a jovem pela primeira vez.
— Ela pode estar do lado de Ádrian, mas a chave para seu plano foi trazida pela mesma. Deveria ser menos crítica, Diva! – Ressaltou as palavras finais com firmeza em sua voz.
***
Após a captura de Don, antes da esfera ser liberada
O silêncio, o escuro, o cheiro de matéria orgânica em decomposição... Tudo causava medo ao pequeno réptil, aprisionado em um calabouço ao lado de outros seres e monstros assombrosos, mas também de Aquiles, dos herdeiros capturados no Sul de Parlahir e dos ex-companheiros de Ádrian; todos que foram ou são cobaias da Senhora da Dor, braço direito do Lorde das Sombras.
A priori, Akira fora impedida de visitar esta área do castelo. Ádrian desconfiava de sua lealdade. Contudo, ela aprendeu a ser ágil, silenciosa e mortal. O submundo exigiu tais habilidades da jovem arqueira. É um ambiente hostil, repleto de seres estranhos, cruéis e sedentos por sangue daqueles que os aprisionaram, que tiraram-lhes o direito de ver a luz.
A ida de quase todos à superfície foi a oportunidade esperada há anos. Não haveria outra. Pelas sombras, ela seguiu até a entrada do setor onde seu irmão e Don estavam. Ao avista-lo, aumentou a velocidade de seus passos, porém, encontrou a cela vazia.
— Ei, lagartixa... – Observou seus arredores – sabe onde está o prisioneiro do lado?
— Ele foi levado para mais um teste. A bruxa nos usa como seus ratos de laboratório, sempre vem buscar alguém e o devolve com alguma substância nova em seu corpo. – Frendon a respondeu agarrado às grades de aço do outro lado do corredor.
— Não fale com ela, está do lado deles! – Diva esbravejou e cuspiu nas botas pretas de Akira em seguida. – Você veio buscar mais um? Também é uma bruxa?
Sussurros podiam ser ouvidos nas proximidades enquanto as demais criaturas começavam a se agitar. Ela estava chamando bastante atenção.
— Não lhe interessa – vasculhou o local uma última vez e jogou um lençol, que trouxera escondido em sua capa, sobre Don e saindo rapidamente. A maioria não percebeu o rápido movimento da arqueira e tão pouco notaram o efeito do tecido veludoso sobre a barreira de som de Ádrian, penetrando-a como se inibisse uma pequena região das ondas em volta da cela. Apesar de não poder entrega-lo a Aquiles, um olhar captou a cena e uma mente dedutiva se encarregou de entender a ideia de Akira. A semente de luz havia sido plantada.
De longe, ela pôde ver seu irmão ser levado de volta. Queria que pudesse ver o quanto cresci. Mas sei que o tirarei desse lugar muito em breve... Aguente só mais um pouco... Pensou antes de sair e se encontrar com Tsifer para seguirem na busca pela esfera de poder.
***
Momento atual
Uma tempestade fora iniciada pelos três mundos, e crescia proporcionalmente às forças que se opunham contra ela. Não havia como parar aquela chuva sem deixar-se ser tocado. Para alguns, ela trazia a possível guerra esperada, para outros a promessa de dias melhores, porém, à maior parte, ela chegava como uma explosão de fogo, com gotas em brasa a formar um manto de caos na vida de todas as criaturas vivas do planeta.
— Amigão... amigão... Venha salvar o Don, seu amiguinho... – Apertou forte o tecido. – Estou com tanto medo...
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