Wanted

15 Chapter 11 –– Only you can silence my demons.


Notas iniciais
Gente, o Nyah! não quer me deixar falar aqui de novo D: Então, muito obrigada a quem comentou no capítulo anterior, MIL desculpas pela demora :( Prometo que não farei de novo. Boa leitura

"Olá, minha amiga, nos encontramos de novo
Já faz algum tempo, por onde devemos começar? Parece que faz uma eternidade
Dentro do meu coração existem lembranças
Do amor perfeito que você me deu
Eu lembro"

Não deixe as emoções ofuscarem suas razões.

Era o mantra que eu repetia diariamente, nas últimas duas semanas, mas suspeitava que não estivesse surtindo efeito. Um mês se passara num piscar de olhos e minha recuperação parecia avançar na mesma proporção. Três das cinco costelas que haviam sido partidas agora estavam reconstruídas. Alguns hematomas ainda marcavam minha pele, mas nada tão preocupante quanto no dia em que surgiram. Fora as concussões que tive, tudo parecia em ordem, em se falando da minha saúde.

Mas, por dentro, eu era um completo holocausto.

Eu me sentia suja, incapaz de encarar qualquer pessoa próxima sem sentir repulsa de mim mesma, tão mundana e corrompida, perante alguém puro. E quando esse alguém era Natsu, a situação apenas se agravava. O nó na garganta me causava enjôo e eu usava a vertigem que me assolava como desculpa para me afastar.

Estava com nojo de olhar meu reflexo no espelho, porque meus olhos se inundavam de lembranças ruins, e transbordavam arrependimento; a dor se refletia em cada membro, cada órgão se repuxava com o sofrer. Eu afundava no meu mar de desespero e me trancava em uma bolha, isolada do mundo, simplesmente por não querer que vissem a vergonha a qual eu havia me tornado. Não era como se quisesse me matar, mas tudo aquilo sufocava demais.

Os pesadelos eram constantes e, por vezes, eu acordava aos prantos, procurando consolo no vazio do quarto. Porque eu havia proibido qualquer um de entrar ali. E, ainda assim, a solidão parecia tão assustadora. Pegava-me chamando por Natsu, vez ou outra, por simplesmente querê-lo acalmando meus demônios.

"Quando você está comigo
Eu sou livre... Eu sou despreocupado... Eu acredito
Acima de todos os outros, nós voaremos
Isto traz lágrimas aos meus olhos
Meu sacrifício"

Com a primavera despontando, observei o colorir do jardim perto da Fairy Tail. Naquele dia eu havia decidido por os pés fora de casa, vestida com uma coragem inumana, pois eu era apenas medo irradiando, para tomar um pouco de ar fresco. Após ter os olhos lacrimejando pela luminosidade repentina –– tendo quase desistido da ideia de sair ––, procurei por algum lugar que pudesse me trazer paz de espírito.

Porque eu estava em ruínas.

Quando a brisa com cheiro de rosas me acalentou, tentei sorrir, mas algo dentro de mim não se permitia e a única vontade que se intensificava, naquele momento, era chorar. Não importava onde, como ou quando, eu desabava a qualquer hora, bastava um deslize emocional. Acho que esse era o motivo para o enclausure em meu quarto. Eu não queria desmoronar na frente de todos. Já havia passado por humilhações demais para uma vida.

Suspirei, o rosto lavado em lágrimas quentes, tentando abstrair dos pensamentos negativos e dolorosos. Meu coração caminhava sobre estilhaços da minha alma corrompida.

Eu estava perdida de mim mesma.

"Vimos nossa quota de altos e baixos
Oh, a rapidez com que a vida pode mudar em um instante
Parece ser tão bom reunir
Dentro de si mesmo e dentro de sua mente
Vamos achar a paz lá"

–– Sabe, algo me dizia que o dia seria diferente. –– A voz que se fez presente às minhas costas causou arrepios. E, a despeito de todo o sofrimento, aquela havia sido a primeira sensação confortante que perpassara meu corpo em dias. Não me virei. Apenas fechei os olhos e me deixei tranquilizar pelo timbre rouco. –– O Sol estava brilhando mais forte hoje.

Quando o senti mais próximo, enxuguei o rosto.

–– Eu senti sua falta.

–– Natsu...

Os braços que envolveram minha cintura me sobressaltaram. No momento em que senti a proximidade, imagens diversas da noite fatídica invadiram minha mente e, ofegante, afastei-o a tapas. Um pouco assustada, ainda que não tivesse coragem de encará-lo, o fiz mesmo assim.

E a dor naqueles olhos me atingiu como um soco na boca do estômago.

–– Me de-desculpe... e-eu n-não qu-

–– Tudo bem. –– Natsu suspirou, e seu jeito ameno de falar me trouxe de volta ao mundo real. Tentei apagar aquelas cenas da minha cabeça. –– Eu entendo. Você está traumatizada. Me perdoe.

Um silêncio ensurdecedor se instalou entre nós enquanto eu girava a barra da blusa entre os dedos. –– Como você está se sentindo? –– Indagou, caminhando em direção a um banco sob a cerejeira, chamando-me para acompanhá-lo. Suspirei, acomodando-me e encarando o nada, porque, afinal, eu não prestava atenção.

–– Eu não... Sei. Vazia. Como se houvessem tomado de mim a minha melhor parte. Eu me sinto... Suja. Impura. Realmente imunda. –– Natsu franziu o cenho para mim, um trejeito de indignação surgindo em seu rosto.

–– Lucy, isso é...

–– É o que eu sinto, Natsu. –– Cortei, não dando brecha para argumentações.

Suspirou mais uma vez e ameaçou se arrastar para perto de mim, mas quando recuei instintivamente, reconsiderou. Aquilo estava me matando e eu não sou nem capaz de imaginar o quanto estava destruindo Natsu. Era meu melhor amigo, confidente, companheiro e, bem no fundo, eu sabia que os sentimentos além dos de praxe que eu nutria por ele eram recíprocos.

Com o silêncio pesando sobre nossos ombros, senti que meu rosto enrubesceu de leve, porque apenas a presença do Dragon Slayer ao meu lado mexia com meus sentidos. Por mais que todo aquele medo dominasse minha mente, eu ainda era terrivelmente apaixonada por Natsu e tê-lo ao meu lado ainda me fazia corar. Os batimentos cardíacos aceleraram tão rápido que quase fiquei sem ar.

"Quando você está comigo
Eu sou livre... Eu sou despreocupado... Eu acredito
Acima de todos os outros, nós voaremos
Isso traz lágrimas aos meus olhos
Meu sacrifício"

–– Eu... Eu realmente senti sua falta, Lucy. –– A voz grave me retirou dos devaneios, baixa e hesitante, meu coração dando uma guinada dentro do peito, enquanto seu dono fitava a paisagem à frente. Abaixei a cabeça, envergonhada, e ele soltou uma risada, passando um braço pelo encosto do banco, sem encostá-lo em mim. Senti-me mal por isso; por querer o toque, mas repeli-lo ao mesmo tempo. –– O céu era cinza sem você por perto. As coisas haviam perdido a graça. –– Riu mais um pouco, sem humor no tom, e então me encarou. Em seus olhos vi o que mais me fazia falta: amor. Não o amor de companheiros, pois desse eu estava rodeada, mas aquele amor intenso, que abrasa o peito, acalenta a alma, embala a mente em um ritmo melodioso, quase uma canção de ninar, e nos faz mergulhar no mundo vivido a dois. Eu desejava, mais do que tudo, ser envolvida por aquele sentimento.

"Eu só queria dizer olá novamente
Eu só queria dizer olá novamente"

–– Natsu, eu sinto muito. Por ter sido uma completa idiota, por ter caído em conversa não confiável... Por ter me apaixonado por um cafajeste.

–– Escute, Lucy, você ter caído em conversa de estranhos foi um erro, sim, mas não é algo do qual você precisa se desculpar. Eu –– Natsu cerrou os punhos, virando um pouco o rosto para o lado. –– devia tê-los matado, mas você não deixou. Por Deus, sabe-se lá o que teriam a mais feito com você. Droga! –– Em um acesso de fúria, socou o banco e me encarou, os orbes ônix injetados por puro ódio e remorso. –– Eu... –– Respirou bem fundo, recuperando um pouco da calma que possuía antes. –– No fim das contas, você não precisa se desculpar.

Engoli a seco, sentindo o peso de tudo que estava sobre minhas costas oscilar. –– E sobre aquele idiota, bem, você não precisa se desculpar por ter amado. Você foi humana. E nós amamos antes mesmo de termos qualquer noção disso. –– Seu olhar sobre mim pareceu querer passar toda a carga de emoções que ele carregava dentro do coração. Quis abraçá-lo, dizer o quanto o amava com tudo de mim, mas amarras invisíveis de pavor e receio, banhadas com repulsa de mim mesma, me impediam.

"Quando você está comigo
Eu sou livre... Eu sou despreocupado... Eu acredito
Acima de todos os outros, nós voaremos
Isto traz lágrimas aos meus olhos"

Suspirei. Por alguns instantes, lutei para deixar todo o meu medo recluso em um canto obscuro da mente e me aproximei, lenta e cautelosa, escorregando sobre o banco até estar ao lado de Natsu. Deitei a cabeça sobre seu ombro direito e permiti o toque de seu braço envolta de minha cintura. O calor que dele sempre emanava, instantaneamente, se instalou em mim e, naquele momento, me senti protegida, como se nada no mundo pudesse me atingir ou ferir. Aconcheguei-me um pouco mais, erguendo os olhos até conseguir fitar seu rosto de soslaio. A expressão serena que se fazia presente tornou a mim mesma alguém mais calma, ainda que apenas no curto período de tempo em que estávamos ali. E quando o sorriso singelo pintou os lábios que eu mais amava, pude jurar que todos os demônios dentro de mim se calaram, embasbacados.

Eu estava em paz, finalmente.

"Quando você está comigo
Eu estou livre... Eu estou descuidado... Eu acredito
Acima de todos os outros, nós voaremos
Isso traz lágrimas aos meus olhos
Meu sacrifício

Meu sacrifício
(Eu só queria dizer olá novamente)

Só queria dizer olá novamente
Meu sacrifício"

“I loved him, not for the way he danced with my angels...
But for the way the sound of his name could silence my demons.” –– Christopher Pointdexter, adaptado.

(Eu o amei, não pelo jeito com o qual ele dançava com meus anjos. Mas pelo jeito com o qual o som do nome dele era capaz de silenciar meus demônios)

Notas finais
A citação original é: “I loved her, not for the way she danced with my angels... But for the way the sound of her name could silence my demons.” ― Christopher Poindexter Eu a adaptei para a Fanfic ^^ GEEEENTE, mil perdoes pelo capítulo pequeno. Era pra ser maior, mas, com a continuação, ficaria muuuuuuuuuito grande. Então decidi dividi-lo em dois. Se quiserem mandar reviews, ficarei feliz. Se não, ficarei feliz também *-* E os não respondidos, o serão em breve ^^ Um grande beijo no coração de vocês Eu amo todos vocês, do fundo da minha alma. Muito obrigada por tudo, gente. Até o próximo