Wanted
10 Chapter 09 –– Tears of the Dragon
Notas iniciais
E bom, vocês devem estar um pouco confusos.
Por que a Sayan está postando o capítulo 9 se ainda nem terminou de postar o especial?!
E pera, aonde foi parar o especial?!
Bem, explicarei: o Especial foi postado porque a primeira parte já estava pronta e porque eu estava há quase três semanas com o capítulo 9 parado no Word sem conseguir escrevê-lo. Porque, eu juro, acho que foi o capítulo mais denso e difícil que eu já escrevi. E, bizarramente, ontem e hoje, uma inspiração louca me bateu e eu escrevi esse capítulo como uma condenada, assim como o 10, que já está a caminho. No meio disso, acabei perdendo a inspiração para o Especial.
Pooooor isso, exclui o dito cujo para poder postar logo o capítulo 9 e acabar com a angústia de vocês. GENTE, só digo que muita emoção vem por aí nesses próximos 4 capítulos.
Então, o especial será REPOSTADO (a parte 1) juntamente com a continuação mais lá na frente.
Mais uma coisa: tenho uma boa e uma má notícia.
A má é que Wanted já vai chegar ao final. Não pretendo passar do capítulo 15. Se chegar no 20, foi delírio meu.
Mas a boa (ou não) é que talvez eu faça uma continuação. A segunda temporada de Wanted vem se formando aos poucos na minha cabeça e acho que vai surpreender todos vocês ^^
Bom, chega de balela e vamos ao tão esperado capítulo 9.
Boa leitura.
Acompanhem com a música, se quiserem.
E, onegai, leiam as notas finais ^^
P.S: Muuuuuuuuuito obrigada a todas(os) que comentaram no capítulo anterior. Eu não cheguei a conseguir responder os Reviews, mas agora vou respondê-los conforme eles forem chegando ^^
P.S²: Qualquer erro, me avisem. O capítulo foi revisado, mas sempre passa um errinho despercebido :s
Barely surviving has become my purpose
'Cause I'm so used to living underneath the surface
O tempo é cruel com aqueles que seguem suas vidas dentro de toda a monotonia típica de seus dia-a-dias abarrotados de afazeres, obrigações e futilidades características de uma sociedade consumista. No reino de Fiore, o tempo corria em sua lentidão casual, tudo dentro das conformidades: feirantes abordando jovens e senhoras para conseguirem vender seus produtos e conquistarem a quantia que estipulam ganhar em suas mentes; as Guildas trabalhando a todo vapor –– ao menos aquelas com certo reconhecimento –– enquanto seus magos vão e vêm de missões de todos os riscos e recompensas; donas de casa estendem suas roupas na corda e gritam de forma escandalosa quando o filho pequeno e encapetado da vizinha as suja com lama. O Sol brilha, a brisa morna acaricia o rosto de todos e aquece corações, marcando o início de mais uma longa e colorida primavera.
No entanto, o tempo é ainda mais malévolo para com aqueles que esperam.
Ele observou mais uma flor cor-de-rosa de cerejeira cair a seus pés, sobre o gramado esverdeado. Os feixes solares incidiam sobre sua face, mas isso não parecia mais aquecer seu corpo estagnado na mesma posição –– irônico o fato de ele ser um mago do fogo e estar completamente congelado por dentro. Seus orbes ônix percorreram o extenso campo florido, indicando a chegada da estação favorita... Dela. Apertou os olhos fortemente, sentindo o aperto em seu peito se intensificar conforme as memórias o açoitavam. Queria não chorar mais, no entanto, com o arrastar dos dias, ele apenas desistiu de tentar controlar as lágrimas quando as mesmas já rolavam livremente por seu rosto sem nenhuma permissão.
Sentia falta dela, céus, como sentia. Mas não possuía a mínima vontade de retornar àquele hospital para vê-la em um estado tão crítico; não suportava a idéia de não poder fazer nada para que ela abrisse os olhos novamente e sorrisse –– aquele sorriso tão radiante que iluminava qualquer escuridão em seu coração. Não, não queria se sentir sufocado pela culpa, muito menos ser dominado pelo ódio –– por mais que a vontade assassina de perseguir Hikaru rugisse em seu peito como uma fera implorando para ser liberta. Não havia mais graça nas pequenas coisas que antes chamavam sua atenção; não havia mais o colorido de Magnólia para encher seus olhos de satisfação; não havia mais nada que o fizesse sentir a felicidade tomando conta de seu ser. Não havia mais nada porque não havia mais Lucy.
Abaixou a cabeça, mordendo o lábio inferior para conter um soluço sôfrego que teimava em querer escapar de sua garganta. Precisava voltar para a Guilda, mas suas forças pareciam ter sido levadas embora –– juntamente com sua vontade de sorrir –– pela tempestade que devastou sua vida.
Ergueu-se com demasiada dificuldade, pondo-se a caminhar pela agitada cidade. Esbarrou em diversos transeuntes por estar completamente alheio à realidade a sua volta. Seus pés moviam-se sem comando, já que sua mente voava por memórias distantes que vinham à tona apenas para impedi-lo de ter alguma paz de espírito.
“–– Eu não vou mais deixar você sofrer, Lucy. ––– Sussurrou ao pé do ouvido dela, apertando-a ainda mais contra seu corpo. Sentiu-a estremecer em seus braços e estranhou o frio que se acometeu em sua barriga ao estar tão próximo da nakama. –– Eu vou... Eu vou cuidar de você.
––– Promete, Natsu?! –– A pergunta o pegara de surpresa, mas não pôde deixar de sorrir, afastando-a brevemente e acariciando as bochechas coradas da loira.
–– Eu prometo.”
–– Merda! Merda, merda, merda! –– Grunhiu, socando a parede mais próxima com uma fúria contida durante dias. Ele estava, enfim, extravasando todas as suas frustrações. –– Eu não fui... Eu não fui capaz... De te proteger, Luce. –– Conforme o rosado se exaltava, as lágrimas caíam ainda mais livremente por seu rosto contorcido em dor. Uma dor que pontuava no fundo de sua alma, rasgando o resquício de sua integridade interior. Ele queria, de todas as formas possíveis, sanar o sofrimento, mas enquanto a maga celestial não despertasse, nada seria mais o mesmo. A vida de Natsu já não possuía fundamentos, muito menos sentido. Seu coração estava em pedaços, os quais a loira guardava consigo em seu sono profundo. O punho banhado em sangue não era, nem de longe, uma das preocupações que dominava seus pensamentos.
–– Natsu?! Céus, Natsu, o que houve?! –– A voz preocupada de Erza invadiu os ouvidos do Dragon Slayer. A ruiva franziu o cenho, segurando a mão do nakama na altura dos olhos, enquanto ele tentava, a todo custo, fugir do fitar questionador da Titânia. Grunhiu, esquivando-se dela com certa força e brutalidade e caminhando a passos firmes para longe. –– Se está pensando que, ao agir feito um animal marginalizado, vai trazer a Lucy de volta, então sinto em informar que você está terrivelmente enganado! –– A Scarlet disparou, em alto e bom som, tendo certeza de que sua voz fora ouvida pelo mago de cabelos róseos. Sabia que ele possuía uma audição apurada graças a seus poderes de matador de dragões, mas queria estar segura de que o mesmo não poderia usar de nenhuma desculpa tola como a de não ter escutado o que ela falara. –– Há quanto tempo você não vai ao hospital visitá-la?! –– Perguntou após algum tempo, observando o movimento de subida e descida das costas de Natsu conforme ele respirava pesadamente. –– Ela precisa de você lá, ela precisa de-
–– Para quê?! –– Interrompeu-a, virando-se bruscamente, os olhos ônix injetados de mágoa e dor. –– Para vê-la definhar dia após dia?! Para ouvir os médicos dizendo que não podem fazer mais nada, assim como Wendy e Polyushka?! Elas são magas, por que, então, não conseguiram ajudar Lucy?! –– Exaltou-se, mal sendo capaz de conter as lágrimas que tornavam a cair de seus olhos.
–– Você sabe que todos vêm fazendo o melhor que po-
–– Mas não é o suficiente! Não é! Ela continua lá. Deitada em uma cama. Semimorta! –– Berrou o rosado, a expressão banhada em angústia, em desespero. Engoliu a seco, olhando para os lados, completamente atordoado, perdido em uma batalha intensa dentro de sua mente. –– Eu não... Eu não suporto... Vê-la daquele jeito. Não dá. Simplesmente, não dá. É como se, a cada vez que eu a visitasse, um pedaço de mim se partisse e voasse até ela, permanecendo ali. Ela está se tornando a dona do meu coração em frangalhos. Eu já não tenho mais... Controle sobre mim mesmo. Poder sobre meus pensamentos. Tudo é relacionado à Lucy. –– Ele soltou uma risada seca, mordendo o lábio inferior. Parecia estar em conflito. –– Na verdade, eu acho que desde a chegada dela, eu já estava marcado. Desde o início, tudo dentro de mim estava se ligando a ela. A partir do momento que ela entrou para a Guilda, não existiria mais Natsu sem Lucy.
Um silêncio lúgubre se instalou entre os dois. Erza abrira a boca diversas vezes, mas seu estado de choque era catatônico, ela apenas conseguia fitar o companheiro com condolência. O rosado suspirou, erguendo os olhos para o céu que, repentinamente, ficara nublado, seus orbes refletindo tamanha tristeza desoladora. Balbuciou, antes de seus lábios serem tomados pelo embargo dos soluços: –– Eu não sou mais nada sem a Lucy, Erza. –– Tomou fôlego, tentando controlar o tom de voz para que não soasse tão frágil quanto realmente estava. Seu coração parecia estar sendo comprimido contra a caixa torácica, sufocando-o em um misto de dor e angústia; afundando-o em um mar de lamúrias. De saudades dela. Queria tanto ser forte, manter-se íntegro para que, quando Lucy acordasse, ele pudesse cuidá-la e zelá-la. Mas era praticamente impossível. A ausência da maga celestial o matava aos poucos, haveria uma hora em que não restaria mais nada para se salvar. –– É como se o Sol não brilhasse mais, não da forma que brilhava quando ela estava ao meu lado; tudo parecia se iluminar magicamente, como se dela emanasse um áurea angelical; uma luz acolhedora, que me aquecia por dentro mais do que qualquer fogo que eu já tenha ingerido. E agora é tudo tão... Frio, vazio, sem graça. As flores não têm mais o mesmo cheiro, nem mais a mesma cor. O pôr-do-sol não tem mais a mesma beleza exuberante. Não quando eu o observo sozinho, sem ela por perto para se maravilhar. Sinceramente, o brilho nos olhos dela naquele momento prendeu muito mais minha atenção do que a demonstração de perfeição da natureza. Na verdade, nenhuma estrela nas constelações brilharia mais que o castanho dos olhos de Lucy. Os dias costumavam ser limpos e azulados, mas agora eu só sinto a chuva caindo sobre mim, e o vento gélido me surrando. Sabe, acho que a natureza se entristeceu junto conosco e também quer a Lucy de volta. Por isso as coisas andam tão... Insossas. –– Suspirou novamente, olhando fundo nos orbes da amiga de longa data. –– Chame-me de louco, mas eu não consigo viver em um mundo sem Lucy Heartfilia. É tão estranho, tão bizarro e tão diferente de tudo que já senti. Meu coração dispara ao falar apenas o nome dela, e só de lembrar-me do sorriso radiante que ela sempre me dirigia, eu sinto uma reviravolta em meu estômago e uma vontade descontrolada de sorrir sem motivo.
–– E você sabe o porquê, não sabe?! –– Ela indagou, reunindo todas as suas forças para conter um sorriso aliviado. Aproximou-se, colocando as mãos sobre os ombros do Dragon Slayer, fitando-o com os olhos marejados. Jamais imaginaria que seu amigo infantil, briguento e com raciocínio lento poderia expor sentimentos tão profundos e tocantes, com tanta serenidade e convicção. É, talvez o amor realmente mudasse as pessoas. Arfou, deixando o choro livrar-se das rédeas que o prendiam, enquanto sua cabeça era invadida por lembranças de sua trágica história com Jellal. Agora, sob a paisagem acinzentada, duas pessoas com corações despedaçados deixavam suas lágrimas extravasarem todas as dores lancinantes que latejavam em seus peitos afogados em saudades. –– É porque... É porque você a ama, Natsu. Você ama Lucy incondicionalmente. Ama-a tão intensamente que não se sente capaz de viver em um mundo sem ela. Essa saudade avassaladora, esse desejo de tê-la por perto, de protegê-la, de cuidá-la, essa dor tão torturante por vê-la em coma... Isso se chama amor, Natsu. –– Quando ele tentou contestá-la, a ruiva intercedeu, já prevendo os argumentos do rosado. –– E não, não é apenas amor de irmãos. Você a quer como muito mais do que uma mera companheira de Guilda. Ambos sabemos. Não negue a verdade para si mesmo. Iludir-se não é uma saída satisfatória. –– Suspirou, sorrindo tristemente. –– Pelo contrário, só aumenta seu sofrimento em 110%
–– Eu... Amo a Luce?! Isso não pode ser verdade, pode?!
–– Acho que você precisa de um tempo para reorganizar essas idéias na sua cabeça, e chegar a uma conclusão por si próprio. Mas fico feliz em ter dado um pontapé inicial nos seus pensamentos. –– Sorriu, satisfeita, enxugando o resquício de lágrimas em seus olhos. Fazia um bom tempo que já não chorava. Sentiu-se relativamente mais leve. –– Quer me acompanhar até a Guilda?! Você precisa um pouco dos seus ami-
–– Eu vou andar um pouco por aí. Preciso assentar as coisas na minha mente, espairecer, refletir. –– Fez uma pausa longa, respirando fundo antes de prosseguir. –– E mais tarde passarei no hospital. –– Sorriu triste para a nakama, arrependido de seu comportamento anterior. –– Lucy precisa nos ter por perto. Sabe Erza, às vezes eu sinto como se ela estivesse tocando meu rosto dentro daquele quarto. Eu juro, eu senti as mãos macias dela acariciando meu rosto, mas o corpo estava deitado sobre a cama. Inerte.
A ruiva ponderou por alguns minutos, até que decidiu abordar tal assunto: –– Já ouviu falar sobre casos de pacientes em coma que viveram experiências fora de seus corpos?!
–– Já ouvi falar, mas nunca soube exatamente o que era.
–– Bem, eu não sou a pessoa mais adequada para explicar isso a você. Se quiser saber do assunto mais profundamente, procure Levy. Ela poderá ajudar. –– Tentou trazê-lo consigo mais uma vez antes de partir definitivamente. –– Não vem mesmo?!
O rosado apenas meneou a cabeça negativamente, observando a Titânia se afastar. Quando se viu sozinho, deixou que seus pés caminhassem espontaneamente, levando-o para algum lugar por ele desconhecido. Permitiu que sua mente entrasse no mundo dos devaneios, ouvindo o ecoar das palavras de Erza. Estava confuso, e a ruiva apenas contribuíra para o aumento do emaranhado de pensamentos conflituosos. No entanto, repentinamente trazido de volta a realidade, deparou-se com a fachada tão bem afamada por seus olhos.
Seus pés haviam se entregado ao costume.
E levaram-no até o apartamento de Lucy.
Notas finais
Espero que tenham gostado. Foi relativamente difícil escrever esse capítulo. Eu queria demonstrar o sofrimento do Natsu, ao mesmo tempo em que queria mostrar o quanto ele amava a Lucy. É, foi complicado UHSAUHSU Enfim, pedras ou tortas de limão? :B
Comentem (se quiserem, óbvio).
Em relação a grade de postagens, vou ver se consigo começá-la agora com a volta das aulas. O problema é que as vezes eu demoro muito tendo as ideias para escrever um capítulo. Sim, sou problemática.
Enfim, meus amores, vejo vocês quando vier postar o capítulo 10. Prometo que vou tentar não demorar mais de uma semana ^^
Kissus
Amo vocês ♥
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