Wanted
11 Chapter 10 –– Just let me love you.
Notas iniciais
Primeiramente, você não têm ideia do tamanho da decepção comigo mesmo. Só e pensar que eu fiquei mais de dois meses sem vir atualizar e sem dar ao menos uma satisfação, me deixa envergonhada. Fui muito irresponsável com vocês, e vocês têm todo o direito de me lincharem.
Segundo: Eu não tenho justificativas. As ideias se foram, eu comecei a me dedicar mais a escola, os animes novos surgiram, o videogame apareceu, tudo foi se acumulando com a preguiça absurda que me dominou, fez com que, todos os dias, eu abrisse o Word e não conseguisse escrever um mísero parágrafo.
E cá estou eu de volta com esse capítulo mixuruca.
Passei o dia todo trabalhando nele, espero que tenha ficado pelo menos aceitável.
Terceiro: Panda apaixonada, MUUUUUUUUUUUUUITO obrigada pela sua mega ultra super fofa recomendação. E mil desculpas por não ter conseguido postar o capítulo em agradecimento. Você é uma linda :3
Bom, gente, acho que é isso. Eu peço mil desculpas a vocês, espero realmente que consigam me perdoar, por mais que eu não mereça :( e que ainda tenham vontade de acompanhar Wanted, que já está em sua reta final.
Boa leitura :3
PS: Qualquer erro de grafia, por favor, me avisem ^^

Inalar aquele cheiro era quase como matar-se aos poucos. A fragrância confortavelmente adocicada de baunilha e morangos chegou à suas vias respiratórias em uma velocidade absurda –– apenas não superando o instantâneo ritmo desenfreado de seu coração –– deixando-lhe a mercê de um torpor torturante. Era doloroso senti-la tão próxima, mas, ainda assim, tão terrivelmente distante. Seu olhar vago percorria o cômodo, enquanto a cabeça mergulhada em devaneios projetava ilusórias imagens de Lucy em cada canto. Um vazio se acometeu em seu peito quando, ao decidir irromper pela janela –– como de praxe –– não se deparara com a loira, descabelada, berrando aos quatro ventos sobre como ele era mal educado e folgado por invadir sua residência em momentos... Constrangedores, na sua maioria.
Riu sem humor de sua própria tolice. Era engraçado o fato de como sua mente injetava uma dose sutil de loucura em sua corrente sanguínea, envenenando-o pouco a pouco. A insanidade o levou a crer que era realmente ela ali, parada à sua frente. Chegou a estender as mãos, ansioso por tocá-la, mas a imagem se dissipou entre seus dedos. Sabia que não deveria estar ali; devia ter escutado a parte sã de sua consciência e dado meia volta quando se deparou com a fachada do apartamento. Mas seus sentimentos sempre o traíam. E, impetuosamente, se lançou contra as paredes para escalá-las e alcançar a janela. Desceu do parapeito e caminhou vagarosamente pelo quarto, as pontas dos dedos tocando alguns objetos. Suspirou.
–– Natsu...
Virou-se rapidamente quando a voz dela alcançou seus ouvidos, seus ombros arriando quando se deparou com o vazio. Mais uma alucinação. Estaria ele ficando louco?! Deixou que o perfume doce acariciasse seu íntimo mais uma vez ao respirar fundo. O lugar estava organizado, esperando a bagunça diária que costumava fazer com Happy, mas agora já não via graça. Ela não se encontrava ali para gritar, irritada, sobre como eles deixavam-na exausta. Jogou-se sobre a cama, fechando os olhos e deixando as memórias se manifestarem em sua cabeça. Doía, de fato, mas ao menos conseguia senti-la por alguns segundos. Em seu subconsciente, Lucy sorria abertamente, seus olhos brilhavam como a manhã mais ensolarada. Ele queria abraçá-la, ah, como queria. Queria poder tê-la novamente em seus braços, apertá-la contra si para que assim nunca mais se separassem.
Pensou em ir ao Hospital, no entanto, a angústia que se apossou de seu coração tomou-lhe o ar. Não se sentia capaz de vê-la naquela inércia preocupante, por mais que houvesse prometido a Erza. Era tortura das mais cruéis –– assim como estar ali, naquele apartamento, deitado sobre a cama dela a qual exalava o odor tão bem por ele conhecido de baunilha. Não estava mais em sua sanidade mental, desistira de tentar entender os motivos para continuar no local. Não compreendia a teimosia que o fazia insistir no erro de visitá-la no quarto; encontrá-la sedada, alheia ao mundo, sem ao menos saber que ele estava ali, zelando por sua recuperação. Ainda que, por diversas vezes –– começara a suspeitar de sua integridade psíquica a partir de tal fato ––, jurara ter sentido a presença da maga por perto. O que era logicamente impossível, já que Lucy encontrava-se em coma induzido.
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“–– Nee, Natsu, você já se apaixonou alguma vez? –– O Dragon Slayer cerrou os olhos e crispou os lábios, pensativo. A testa franzida fez Lucy indagar-se do tamanho esforço que ele exercia para raciocinar e precisou conter uma risada. Natsu parecia compenetrado dentro da própria mente, perdido em meio a diversos pensamentos divergentes. A pergunta realmente o pegara de surpresa; era inocente e ao mesmo tempo audaciosa. Tão simples quanto complexa.
Não possuía resposta.
Tentou formular algo que soasse ao menos coerente, ou quem sabe até poético, mas nada lhe veio à mente. Para bem da verdade, jamais parara para pensar sobre o assunto com seriedade ou interesse. Achava um tópico relativamente desinteressante, e perder seu tempo com algo do gênero não passava de forma alguma por sua cabeça.
Mas isso vinha mudando fazia alguns dias.
Repentinamente, as reações de seu corpo começavam a se alterar com a presença de Lucy. O ritmo desenfreado de seu coração e o frio em seu estômago não poderiam ser considerados normais. Por mais que não entendesse do assunto, tinha plena consciência de que tais sintomas significavam algo. Erza dissera que havia riscos de ser um sentimento forte nascendo, mas preferia não acreditar. Desejava veemente que fosse apenas uma alteração hormonal, coisas da puberdade.
Então por que agora, enquanto fitava a loira de olhos castanhos, sentia tudo novamente? Por que sentia uma necessidade absurda de tê-la em seus braços? Por que ansiava tanto por tocá-la? O que poderia ser isso que latejava em seu peito? Desviou o olhar rapidamente, sentia-se perdido dentro dos orbes de Lucy e, por mais que não realmente se importasse de deixar-se afundar naquela imensidão intensa, sabia, no fundo de sua mente, que era um caminho sem volta. Sorriu de canto. Talvez Erza estivesse certa.
Voltou a encará-la, gravando todos os pequenos detalhes que a tornavam linda. Ela sorriu e o sentimento que se acometeu no peito de Natsu foi, de longe, abrasador. Quente e confortável, como uma manhã ensolarada. Ele engoliu a seco, lutando para recobrar o raciocínio inicial, mas naquele momento só conseguia pensar em como queria abraçá-la. Apertá-la contra si e nunca mais soltar.
Em um ato impensado, foi isso que fez. Mandou toda a coerência para bem longe e puxou-a para perto, enlaçando-a em um abraço apertado. A garota, a princípio sem reação, levou alguns segundos para retribuir e Natsu pôde, enfim, soltar o fôlego quando ela o fez. Torceu para que Lucy não notasse as batidas alucinadas de seu coração e daquela forma permaneceram por longos minutos até que, relutante, o mago se afastou um pouco.
A maga o fitava com curiosidade, estranhando a atitude repentina do nakama, e ainda aguardava por uma resposta à sua pergunta. Suspirou, soltando-se do abraço e esperando que ele se manifestasse. Decidiu ignorar, por hora, o acelerar de seus batimentos cardíacos. Conhecia os sinais de seu corpo e, por essas e outras, preferia refletir sobre isso mais tarde, sozinha e com a mente limpa –– que agora estava recheada de pensamentos terrivelmente impróprios, os mesmos surgindo quando o braço forte de Natsu envolveu sua cintura e a respiração quente dele roçou seu pescoço; os arrepios foram ensandecidos.
–– Bom, er... Como se sabe quando está apaixonado? –– Retrucou o rapaz de cabelos róseos, baixando o rosto para que ela não visse o leve rubor em sua face. Estava realmente se sentindo diferente. Desde quando Natsu Dragneel, o poderoso Dragon Slayer, infantil acima de tudo, corava por algo tão bobo? Nunca soubera demonstrar o que sentia, mas agora tudo parecia fluir naturalmente, como se fosse a hora para abrir um novo caminho em sua vida. Exteriorizar todas as incertezas que palpitavam dentro de si. Fitou-a e sorriu. Lucy corou sob a intensidade quase palpável do olhar de Natsu, que prosseguiu, erguendo a mão da garota e pondo-a sobre o lado esquerdo de seu peito. Ela arregalou os olhos em completo choque. –– Acelerado, não?! –– A loira apenas assentiu devagar. –– É estranho, ele só fica assim perto de você. E as coisas começam a ficar mais insignificantes, de uma forma engraçada eu só consigo prestar atenção no seu sorriso. –– O Dragon Slayer suspirou, sentindo um forte rubor tomar conta de sua face. –– É isso que é estar apaixonado, Lucy?! Querer a pessoa ao seu lado o tempo todo? Amar as qualidades e os defeitos e achar que isso a torna perfeita? É isso, Lucy?!
Lucy sentiu o coração pular uma batida e a respiração falhou. Levantou-se em um pulo, olhando ao redor, atônita. –– Hm, bem, acho melhor voltarmos, não?! Eu, bem, estou com fome e... Hm, até mais, Natsu. –– E dizendo isso, disparou na direção contrária a que estava o rosado, sumindo de vista poucos segundos depois. O garoto suspirou, frustrado. O que teria feito de errado?”
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Natsu correu novamente os olhos pelo quarto, avistando a pequena caixinha de cartas sobre a escrivaninha da loira. As cartas que, quase todo dia, Lucy escrevia para a falecida mãe. Em cima do pequeno paralelepípedo de madeira, uma das tais encontrava-se repousada. Ele levantou-se, pegando o papel em mãos e abrindo com delicadeza. A caligrafia arredondada e perfeita da loira causou-lhe um bolo desconfortável na barriga, mas, engolindo a seco, começou a ler.
“Querida mamãe,
Você uma vez me disse que paixões vêm e vão, mas que o amor só ocorre uma vez. Que eu me iludiria e pensaria estar amando, mas não seria nada disso. E que, quando o meu amado aparecesse, ele não viria no cavalo branco, armado e pronto para me defender do perigo; você me disse que ele chegaria de uma forma inusitada e, de início, eu não perceberia que ele seria o grande amor da minha vida. Eu realmente cheguei a crer que Sting era meu verdadeiro amor, que nos casaríamos, teríamos filhos e viveríamos felizes para sempre. Oh, doce ilusão. A realidade foi mais dura e dolorosa. E me fez enxergar que há muito eu já havia conhecido meu príncipe encantado. E ele chegou em minha vida soltando fogo, destruindo navios e, sim, me salvando de vilões, mas fazendo um alarde absurdo. Natsu nunca seguiria o roteiro tradicional. Mas acho que é isso que me faz amá-lo. Ele é escandaloso e exagerado, infantil, irritante, implicante, inocente e dedicado aos amigos. Tão dedicado que arrisca sua vida por eles. Como eu poderia não amar alguém assim?! Como eu poderia não amar alguém que promete cuidar de mim e não me deixar sofrer? Que vai até onde for necessário para me acudir?
Mas, a despeito de tudo isso, eu não acho que seja certo fazê-lo ingressar na loucura que seria se relacionar comigo. Eu sou sempre tão inconstante e insegura –– ou será que apenas estou assim por causa dos traumas profundos provindos da experiência com Sting? ––, eu não seria a pessoa que ele merece. Céus, eu nem sei se é recíproco e já estou aqui fazendo especulações sem sentido. Mamãe, está tudo tão confuso e complicado, parece que o emaranhado em minha cabeça só faz piorar conforme o tempo passa. Será que estou enlouquecendo? Porque amando sei que estou. Você me dizia que o amor e a loucura andam de mãos dadas.
Estou sendo egoísta, não estou?! Acho que, no fim, vou deixar correr. Tudo simplesmente parece melhor com ele ao meu lado. Não posso abrir mão disso.
Oh, mamãe, que falta absurda você faz em horas como essa.
Espero que tudo esteja bem.
Diga ao papai que eu o amo.
Amo você, mamãe.
Com carinho,
Lucy Heartfilia.”
–– Natsu... –– Novamente a voz dela. O coração do Dragon Slayer parecia bater em sua boca. Tentou recobrar a calma, mas uma euforia, misturada com o aperto lancinante em seu peito, reinava em seu íntimo. Dobrou a carta, recolocando-a sobre a caixa e respirou fundo. Disparou em direção à janela, pulando-a e pondo-se a caminho do hospital. Precisava vê-la, precisava dizer que a amava mais que a tudo, sabia que ela ouviria. Sabia que Lucy estava por perto, sentia sua presença; era grandiosa demais para não ser notada.
Enquanto avançava em ritmo desenfreado pelas vielas, sua mente trabalhava a mil, repassando o que lera, causando-lhe um bolo ainda maior na garganta. O que diria quando ela acordasse? Contaria a verdade –– correndo um sério risco de ser espancado por ter mexido nas coisas dela enquanto a mesma se encontrava em coma –– ou esperaria que ela desse o primeiro passo?!
Foi bruscamente interrompido de seus devaneios quando um corpo forte chocou-se contra si. Olhou com fúria para o infeliz que o atingira, mas não foi capaz de proferir uma palavra sequer.
–– Natsu, graças a Kami que encontrei você! –– Gray disparou, eufórico, parando para respirar aliviado. –– Passei o dia inteiro procurando por você. Onde se meteu afinal? –– Questionou, franzindo o cenho. –– Ah, esqueça, não importa. Me siga! –– O Ice Maker desatou a correr no mesmo sentido que Natsu seguia antes: o hospital.
–– Gray, seu pervertido gelado, o que está havendo?! –– Perguntou alto, esperando que o moreno ouvisse. Algo se agitou dentro de si. –– Por que estamos indo ao hospital?
–– A Lucy acordou, olhos puxados!
Notas finais
Kissus, kissus
Amo vocês
♥
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