Wanted
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Segundo: muuuuuuuuito obrigada à Tassy chan, GreenTop e Titania Youkai pelas três recomendações em Wanted. KYAAAAH eu amo vocês tanto ♥
Terceiro: Esse capítulo ficou uma grande bosta, me desculpem :/ eu queria ter feito algo melhor, mas minha cabeça não anda lá muito boa, então mil perdões :s
Bom, leiam o capítulo com a música, ok?!
Boa leitura
Dizem que quando estamos à beira da morte, um filme de toda nossa vida passa bem diante de nossos olhos, enquanto nosso corpo permanece inerte, incapaz de mover um músculo sequer; o mundo ao seu redor parece inexistente e as dores chegam a ser insignificantes. Em contrapartida, sua mente trabalha desesperadamente, injetando uma adrenalina inútil em suas veias, seu coração bate descompassado, e respirar se torna algo difícil. Há a sensação de que alguém pressiona seu peito e aperta seus órgãos internos por entre os dedos. Você busca por um último sopro de resistência, mas suas forças já se esgotaram. Não há mais volta. E então você deixa-se afundar em um abismo escuro desconhecido, sem ao menos se importar. É o fim da linha.
Era dessa forma que eu me encontrava naquele momento.
Minha consciência ainda não havia se esvaído por completo, mas, aos poucos, eu sabia que ela me abandonava. Meus sentidos estavam perdidos, alheios a tudo e eu já não mais sentia meus braços e pernas, ainda que as dores em minha cabeça e abdômen fossem realmente incômodas; vez ou outra uma pontada lancinante se perpetuava em tais regiões, no entanto a garganta seca me impedia de emitir qualquer som em protesto.
Vozes se faziam presentes. Mas, para mim, não passavam de murmúrios distantes, ainda que eu soubesse que seus respectivos donos se encontravam perigosamente próximos. No final das contas, eu já não sentia mais medo.
Afinal, o que de pior poderia acontecer?!
Posso garantir que, até mesmo a morte, seria recebida de braços abertos por mim. Qualquer coisa, por mais terrível que fosse, seria melhor do que o peso terrível em minha consciência que, como um disco velho e arranhado, repetia seguidas vezes, o quanto eu fora irresponsável e tola por confiar em um desconhecido. A dor da culpa e humilhação era tão aterradora que me fazia querer gritar; clamar por alguém ou algo que fosse capaz de me acordar daquele terrível e desesperador pesadelo; sanar todas as angústias de minha mente deturpada e ensandecida; curar todas as feridas e cicatrizes de minha alma violada e impura.
Mas eu estava sozinha.
Ninguém ouviria meus gritos angustiados.
E pensar que o culpado estava alheio a tudo que acontecia e, provavelmente, nem ao menos se preocupava... Mavis, a quem eu estava querendo enganar?!
A culpa era toda minha!
Maldito coração estúpido e tolo, que se deixou ludibriar pela pessoa mais moral e sentimentalmente canalha. Maldito Eucliffe! Maldita ingenuidade! Maldito amor imprestável. No fim, eu devia ter ouvido Natsu.
Ah, Natsu... Como eu queria que você estivesse aqui.
~#~
Fazia algum tempo desde que eles haviam parado de surrar meu corpo imóvel impiedosamente, e isso, de alguma forma, me transmitia uma remota sensação de alívio. Não ousava abrir os olhos; se os brutamontes se dessem conta de meu estado consciente, tentariam algo novamente – apenas a ideia impulsionava calafrios por toda minha espinha. Respirei fundo, buscando, desesperadamente, alguma forma de recobrar meus sentidos falhos, mas seria algo relativamente difícil, levando em consideração toda a dor que tomava conta de cada célula viva dentro de mim. Decidi, por fim, que seria mais racional permanecer quieta, paralisada, esperando pelo que se seguiria.
Na Guilda.
O Dragon Slayer de cabelos cor-de-rosa ergueu-se repentinamente, sobressaltando a todos ao redor. Seus olhos estavam desfocados e o cenho franzido, enquanto seu coração acelerava alucinadamente, suas mãos tremiam e sua mente trabalhava a mil por hora. Algo se remexeu, de forma inquieta, dentro de si e ele trincou os dentes, cerrando os punhos.
– Natsu, o que houve?! – Perguntou Erza, aflita ao ver o estado inesperado do nakama. Natsu não a fitou, apenas meneou a cabeça negativamente, ainda perdido em pensamentos. Seus músculos estavam retesados, era visível para qualquer um. O silêncio fúnebre se instalou; todos observavam as reações do rosado.
– Eu... E-eu... Eu ouvi a voz dela, me chamando. – Murmurou, causando feições transtornadas em seus colegas de Guilda. – Lucy... – Sussurrou uma última vez antes de disparar porta afora, não parando quando a Titânia berrara seu nome, atônita e confusa.
– O que deu nesse garoto?! – A ruiva questionou-se, o semblante retorcido em preocupação. Decidiu ignorar, por hora; ele talvez soubesse o que estava fazendo.
Lucy’s POV
O silêncio que se fazia naquele beco era assustador, mas, ao mesmo tempo, me tranquilizava por saber que eles nada tramavam contra mim novamente. Ao menos era o que pensava. Fui assolada pelo desespero aterrador quando uma conversa nada amigável se iniciou.
– Oe, Hikaru! Tem certeza de que não podemos fazer nada com ela?! Talvez, se começarmos, ela acorde. – Um deles comentou, soltando uma risada gutural, sendo apoiado pelos outros. Ouvi Hikaru bufar, parecendo impaciente.
– Façam o que quiserem com essa vadia, só não a matem. Eu quero ter o prazer de fazer isso. – Retrucou em um tom de voz macabro que me fez estremecer dos pés à cabeça. Os brutamontes gargalharam, parecendo comemorar pelo que o ruivo dissera. A vibração no solo indicando que eles se aproximavam me fez ficar alerta, mas... De quê adiantaria?! Eu estava sem forças, meu corpo incapacitado de se mover. Que defesas teria uma maga indefesa e completamente sem magia contra – de acordo com minha inconfiável conta – seis homens?!
I don't know this place
Don't recognize anybody
Just the same old dainty face
See these people they lie, and I don't know
Who to believe anymore
Distraída com pensamentos temerosos, fui pega de surpresa ao sentir meus cabelos serem puxados bruscamente para trás. Forcei meus lábios a permanecerem fechados, apertando fortemente meus olhos. As lágrimas queriam escapar, assim como os gemidos, mas eu não daria o gosto de me terem acordada. Era o que eles queriam. Meus gritos de dor, minhas demonstrações de sofrimento. Eu apanharia em silêncio.
– Acorde, sua vadia! Sabemos que está consciente. Abra seus olhos! – Um deles grunhiu, erguendo-me pelos cabelos e prensando meu corpo amolecido contra a parede fria. Estremeci. – Queremos ouvir você gritar!
– Deforma a cara dela! – Uma voz sugeriu e eu precisei abrir os olhos de supetão, arregalando-os. Merda, merda, merda. O brutamonte a minha frente sorriu de forma sádica, exibindo a arcada amarelada, seu bafo repulsivo invadindo minhas narinas sem permissão conforme ele respirava. – Deforma a cara dela depois corte os peitos.
– O que você acha, coisa linda?! – Murmurou, dirigindo as mãos sujar e nojentas em direção a meus seios, apertando-os. Desabei. As lágrimas caíam descontroladamente, enquanto alguns soluços escapavam. – Não chore, sua puta. – Berrou, furioso, batendo minha cabeça fortemente contra o pedaço de concreto atrás de nós. Senti algo quente e úmido escorrendo pelo meu couro cabeludo e ousei pôr a mão para descobrir; quando a coloquei frente aos olhos, estavam rubras pelo meu próprio sangue. Minha visão começou a ficar turva, um zunido irritante começou a ecoar em meus ouvidos. Era isso. Estava acabado. – Oh, está sangrando?! Vai sangrar muito mais quando eu fizer tudo que quero com você.
– Eu não teria tanta certeza disso se fosse você. – Meu coração acelerou de uma forma tão imediata ao ouvir aquelas palavras, proferidas pela voz rouca, calorosa e confortante – ainda que, naquele momento, houvesse soado fria e cortante, recheada de uma raiva que faria qualquer um estremecer dos pés à cabeça – que me fazia ter vontade de sorrir aliviada, no entanto o inchaço em meu rosto jamais permitiria isso. O cara que me segurava soltou-me, meu corpo caindo com um baque surdo e doloroso no chão, mas não importou. Ele estava ali.
Quando escutou o barulho que fiz ao despencar no chão, Natsu fitou-me, um flash de culpa, ódio e condolência perpassando pelo ônix de seus olhos. Ele pareceu respirar fundo; eu via a tensão evidente de seus músculos, assim como os nós esbranquiçados de seus dedos. Ele estava puto.
But there comes you to keep me safe from harm
There comes you to take me in your arms
Is it just a game?
I don't know
Is it just a game?
I don't know
– Na-Natsu. – Sussurrei com o resquício de voz que ainda possuía. Ele me ignorou, voltando sua atenção para os homens ali presentes, prestes a descarregar toda sua fúria em cima deles. Merda, merda, merda.
– E você é?! – Hikaru perguntou, sorrindo em escárnio, aproximando-se de Natsu, desafiador. – Se você quer aquela vadia... – Sua frase sem escrúpulos fora interrompida pelo punho em chamas do rosado, que respirava pesadamente, parecendo se controlar ao máximo. Ou então aqueles caras seriam mortos, e eu sabia que Natsu não era adepto a assassinatos. O loiro cuspiu o sangue que se acumulou em sua boca, mas não teve tempo para esboçar qualquer reação, porque o Dragon Slayer já avançava sobre ele novamente, desferindo chutes em seu abdômen.
– Quem – soco – você – chute – chamou – chute – de – soco –vadia?! O rosado arremessou o loiro alguns metros adiante. Levou algum tempo para que os comparsas de Hikaru se dessem conta do que se passava por ali, mas logo tentaram segurar Natsu, que apenas os encarou friamente, como se dissesse que o deles também estava guardado.
Pleading eyes that break my heart
So hopes that I can feel
But I know I must play my part
And tears I must conceal
Eu ainda estava tonta, perdendo sangue, quase não sendo capaz de acompanhar o que acontecia. Estava com medo, não queria que meu nakama se transformasse em um monstro. Queria apenas sair dali, voltar para casa, tentar esquecer aquele terrível pesadelo que se tornou realidade em minha vida.
O rosado agora espancava o terceiro dos seis homens, descontando um ódio mortal em cada golpe, não fazendo nem ao menos o uso de magia. Eu precisava pará-lo, Natsu não era uma máquina assassina. – Natsu! – Murmurei, tentando elevar o tom de voz para que ele me ouvisse. – Natsu, por favor! Pare com isso. Pa-pare c-com is-isso. – Embargada pelo choro, consegui sussurrar, a vertigem pelo esforço inapropriado começando a me afetar consideravelmente. Consegui me manter consciente ao ponto de vê-lo parar e correr até mim, tomando-me em seus braços quentes. Meu coração batia demasiadamente mais lento, enquanto meus olhos começavam a pesar; em contrapartida, meu corpo parecia leve e as coisas ao redor ficaram tão insignificantes. A última coisa que senti, foram suas lágrimas salgadas caindo em meu rosto. Então tudo escureceu.
But there comes you to keep me safe from harm
There comes you to take me in your arms
Is it just a game?
I don't know
Is it just a game?
I don't know
Notas finais
Amo vocês ♥
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