Wanna Play?

3 Yes, I want to play


Notas iniciais
Primeiro, obrigada aos novos leitores que estão acompanhando a fic. Sempre fico feliz de saber que não estou sozinha nessa empreitada. Esse capítulo contém cenas de sexo, avisando. E claro, muitos mais coisas. Boa leitura ;]

Come on, come on

Come on, come on

Now, touch me, baby

Can't you see that I am not afraid?

What was that promise that you made?

(Venha, venha

Venha, venha

Agora me toque, querida.

Você não vê que estou com medo?

O que foi aquela promessa que você fez?)

Touch me – The Doors

X

O clima estava frio e as nuvens começavam a fechar o céu como sinal de uma chuva muito forte que estava por vir. Ali, no alto daquele prédio, empoleirada como uma gárgula, Sara observava a cidade até onde seus olhos conseguiam alcançar.

Ela não sabia o que fazer.

Para falar a verdade, sequer achou que tudo o que havia acontecido chegaria a se tornar uma bola de neve tão grande assim em sua cabeça. Que uma noite divertida teria consequências tão grandes, mas talvez estivesse apenas exagerando ao pensar assim.

“De qualquer forma, não consigo mais encarar Felicity da mesma forma. Como poderia?”

Sara não era do tipo que se apaixonava facilmente, mas se entregava completamente a uma paixão verdadeira. Quando ela havia conhecido Nyssa, a filha do demônio Ra’s Al Ghul, foi sua salvação. Num mundo onde ela não tinha mais ninguém, Nyssa a salvou, cuidou de suas feridas e tornou ela uma guerreira implacável, pronta para matar qualquer um que se colocasse em seu caminho. Mesmo que de forma distorcida, aquele era o amor que Nyssa nutria por ela, e fazer com que ela se tornasse uma assassina foi o único modo que encontrou para que Sara sobrevivesse. Ao seu lado, Sara havia sido feliz, mas agora que havia retornado à Starling, ela começava a desconfiar que aquilo não era felicidade verdadeira, mas apenas uma válvula de escape para o inferno daquela época.

– Vai ficar aí o dia todo, Sara? – a voz de Sin ecoou pelo telhado da torre relógio onde se encontravam.

– Não tenho planos melhores para hoje, Sin. – Sara respondeu, encolhendo-se com o queixo apoiado sobre os joelhos dobrados.

– Ei, ei, ei, qual o problema garota? – Sin aproximou-se e sentou ao lado da loira, assumindo a mesma posição que ela.

– É muito complicado. – respondeu, desviando o olhar para um pássaro que havia pousado ao seu lado.

– Ah, Sara, quando as coisas envolvem você sempre são complicadas. – a garota riu, passando um dos braços pelos ombros dela. – Sabe que pode falar comigo, não é? Somos amigas.

De seu jeito estranho, Sin sempre sabia como animar Sara. Aquela garota havia se tornado uma peça fundamental e de importância extrema para ela com o passar daqueles meses, mas muito mesmo antes disso já procurava por ela para protege-la. No fim das contas, agora sentia que era Sin quem a protegia.

– Eu sei sim. Só não estou preparada para ter essa conversa ainda. – respondeu com sinceridade. Ela realmente não sabia.

Sin acenou positivamente com a cabeça e ergueu-se, batendo a poeira da roupa.

– Bem, você sabe como me encontrar se quiser. Mas Sara... – ela chamou olhando-a por cima do ombro. – Não se martirize tanto. Tenho certeza de que o que quer que seja que você tenha feito ou que acha que fez, vai encontrar uma solução se parar para pensar direito. Só sei que ficar aí empoleirada como um canário não vai adiantar em nada. Só chuva cai do céu. Nada de soluções.

A garota desceu pela abertura do teto deixando Sara sozinha outra vez com seus pensamentos. Certamente ficar no telhado não resolveria sua vida, mas agora, naquele momento, tudo o que Sara queria era um pouco de solidão.

X

Seu dia de folga foi o pior de sua vida. Sem nada melhor para fazer, Felicity passou o dia comendo besteiras e assistindo a filmes antigos na televisão. Depois que Sara havia ido embora, não havia mais conseguido dormir. A sua cabeça trabalhava a mil, tentando computar as palavras de Sara, de que realmente havia lhe desejado com tanta intensidade quanto parecia ter dito.

Para Felicity era difícil de acreditar. As pessoas não costumavam deseja-la com intensidade, sequer costumava ser o objeto de desejo de ninguém. Geralmente, quem ficava com ela não aguentava seu jeito por muito tempo ou sempre arrumava uma forma de fugir de um relacionamento que durasse mais do que três meses. Para falar a verdade, seu relacionamento mais longo havia sido durante a faculdade, e o final havia sido tão trágico que Felicity não gostava nem mesmo de lembrar.

E agora, uma garota dizia que a desejava. Não uma garota qualquer, mas Sara, o objeto de desejo do próprio Oliver Queen. Em comparação a ela, Felicity se sentia uma garotinha frágil, inteligente demais para ser chamada de criança, mas não tão bela e sensual como Sara para ser chamada de mulher.

– E no fim, continuei sem entender nada, Sara. – ela fez um muxoxo, encostando o rosto sobre o braço do sofá. – Se me queria tanto, então por que foi embora?

Era complicado demais.

Felicity nunca havia se imaginado com uma mulher. Para falar a verdade, seu gosto sempre havia sido voltado para homens e a única vez que tinha tido experiência com uma garota na faculdade, estava tão bêbada que passou metade da noite vomitando. E no dia seguinte não se lembrava de quase nada do que havia acontecido.

No entanto, ela imaginava que para Sara as coisas não deviam ser muito mais fáceis. Como Oliver, ela havia passado pelo inferno. Então Felicity achava que algo muito ruim devia ter passado pela mente dela. Talvez aquele jogo delas duas tivesse sido uma maneira de se distrair de toda aquela dor, e no fim das contas, o jogo havia se tornado tão divertido, tão intenso que Sara quis muito mais.

“Talvez ela só precise de algo casual. Talvez não precise de mais nada. Talvez não queira... se prender a ninguém.”

Felicity sabia que talvez nunca compreendesse Sara ou Oliver, sobretudo porque eles pouco falavam sobre as coisas que haviam acontecido com eles. Mas não podia deixar as coisas daquela forma, com Sara achando que havia lhe ferido ou lhe magoado. Precisava ir atrás dela. Desta vez, Felicity Smoak teria que resolver as coisas.

Com isso em mente, ergueu-se e desligou a tv. Não deixaria Sara pensar que era a única culpada pelo que havia acontecido.

X

As primeiras gotas de chuva começaram a cair quando ainda estava sobre o telhado. Ela respirou fundo, erguendo-se ao ouvir as badaladas do relógio. Mesmo que fosse seu dia de folga como vigilante, ainda tinha que ir para o Verdant e para falar a verdade, estava grata por isso.

“Já que não posso bater em ninguém, ao menos aproveitarei para me embebedar”, ela deu um riso amargo, descendo pela abertura do telhado e montou na moto, dirigindo-se para a boate.

Em pouco tempo, havia chegado lá. Como imaginava, Roy não estava por lá. Provavelmente ele estava junto com Oliver, correndo pelos Glades e derrotando bandidos. Thea estava ocupada demais para prestar atenção nela, e quando a boate começou a encher, Sara já estava afundada nos drinks, da mesma forma que havia falado para sua irmã não ficar.

– Sara?

Em meio à toda a musica alta e a bagunça da boate, ela reconheceu a voz de Felicity, uma ovelha perdida no meio de todos aqueles lobos.

– Hey, Fel. – Sara abriu um sorriso para ela, sentindo a visão ligeiramente afetada pelo álcool.

– Você está bêbada, Sara? Vamos sair daqui. – Felicity segurou seu pulso puxando-a até que desse a volta no balcão.

– Qual é, Fel! Estou apenas me divertindo! – ela deu um riso, apoiando-se sobre o corpo de Felicity ligeiramente.

– Tudo bem com ela? – Thea perguntou, aproximando-se das duas.

– Ahn.. sim. Acho que ela só precisa de um pouco de ar.

A irmã de Oliver não pareceu completamente convencida, mas acenou com a cabeça.

– Vá, eu cuido das coisas por aqui. — Thea abriu um sorriso para Felicity e dirigiu-se para dentro do balcão.

– Obrigada. – Felicity agradeceu. Estava tampando a boca de Sara até aquele momento, mas a sentiu morder seus dedos e teve que segurar o grito no fundo de sua garganta. — ...Vamos. Vamos sair daqui.

Felicity pensou em leva-la para baixo na base, mas então teria que explicar o estado de Sara para os outros. Ao invés disso, colocou-a no banco do carona de seu carro e prendeu o cinto de segurança, dirigindo para sua casa.

– Para onde vamos, Fel? – ela perguntou, sentindo-se um pouco enjoada pelo movimento do carro.

– Para longe daqui. – limitou-se a responder enquanto dirigia para o próprio apartamento.

Ela jamais pensou que Sara chegaria a esse ponto. Na verdade, ela sequer entendia porque Sara havia ficado daquela maneira. Será que tudo isso era por achar que havia lhe magoado? Se isso era verdade, então a culpa era toda sua pelo que havia acontecido.

“Droga...”

Assim que chegou à própria casa, Felicity arrastou Sara escadas acima pois o elevador ainda estava quebrado. Quase caíram duas ou três vezes até que conseguiu coloca-la para dentro de seu apartamento e fechou a porta, sentindo o peso de Sara sobre seu ombro.

– Vamos, Sara, você está pesando um pouquinho. – ela deu uma risadinha nervosa caminhando com ela na direção do sofá, mas antes que pudesse posicioná-la, sentiu Sara empurrá-la, caindo por cima de seu corpo. – Sara?

– Não tente resistir, Fel... não tente resistir. – ela murmurou baixo, lhe mordendo o lóbulo da orelha. – Eu quero você... – sussurrou em seu ouvido.

As palavras de Sara calaram Felicity. Ela tinha certeza que ela estava sob o efeito do álcool, mas se aquilo tudo era sua culpa, o mínimo que podia fazer naquele momento era estar ao seu lado, e deixa-la sóbria. Não podia. Isso não era justo.

– Sara, essa não é você.. – Felicity tentou empurrar Sara para afastar-se, mas obviamente ela era muito mais forte. Enquanto Felicity era uma hacker que passava o tempo todo atrás dos computadores, Sara cometia assassinatos e derrotava bandidos nos Glades.

– Essa é exatamente quem eu sou, Felicity. Você vai entender. – Sara se reclinou sobre ela e lhe beijou os lábios com volúpia, impedindo que Felicity continuasse a falar. Ela tentou fazer força para se soltar, mas o aperto de Sara em seus pulsos era forte demais. Não conseguia se soltar, e aos poucos cedia ao seu beijo, sentindo o gosto do álcool preencher sua boca por completo.

Não chegava a ser desespero o que sentia para se soltar. Junto daquela sensação ruim de Sara estar fazendo isso sob o efeito do álcool vinha também a sensação boa de estar ao seu lado novamente, mesmo que nessa situação estranha.

Sinceramente, ainda não havia conseguido refletir sobre toda a situação. Não sabia se o que sentia por Sara era mera atração física ou algo mais.

“Mas como pode ser algo mais se nunca tivemos nada?”

Com um bom encaixe de seu joelho entre o abdômen de Sara e seu corpo, Felicity conseguiu afastá-la embora seus pulsos ainda estivessem presos pelas mãos da heroína. Sara a olhou com descontentamento, mas acima disso, Felicity era capaz de enxergar a dor em seus olhos. Ela não queria fazer isso daquela maneira.

– Sara... – aos poucos Felicity sentiu o aperto em seus pulsos afrouxar embora Sara continuasse deitada sobre seu corpo, o rosto escondido na curva de seu pescoço.

Daquela forma, pensou Felicity, ela parecia apenas uma garotinha frágil procurando um motivo para esconder quem realmente era.

– Como eu posso olhar pra você depois de tudo, Fel? Como posso continuar aqui? – seu sussurro foi ganhando vida, tomando a forma de um soluço conforme seus ombros começavam a balançar no ritmo do choro.

Quantos anos fazia que não chorava? Sara não havia se dado a esse luxo há muito tempo. Desde que havia entrado na Liga dos Assassinos, depois de anos perdida naquela ilha, suas lágrimas haviam secado por completo. Ela achou que nunca mais poderia voltar para casa, que nunca mais veria seu pai, sua mãe ou sua irmã. Ollie... e no entanto estava ali, com uma pessoa que fazia parte da sua vida há tão pouco tempo, mas que era a única com quem naquele momento se sentia confortável o suficiente para demonstrar sua fragilidade.

– Tudo bem, Sara... vai ficar tudo bem. – Felicity disse baixinho, afagando seus cabelos devagar no intuito de acalmá-la um pouco.

– Eu sou uma pessoa horrível, Felicity. Você não precisa fazer isso, nada disso, eu—

Sara sentiu as palavras serem roubadas de si quando Felicity repousou os lábios sobre os seus, a beijando exatamente da mesma maneira que havia feito um pouco mais cedo naquele dia. Da mesma forma que Felicity havia ficado, Sara não teve reação. Os olhos arregalados expressavam a surpresa por não saber o motivo da hacker ter agido daquela maneira. Era uma clara atitude que poderia esperar de si mesma, mas talvez só estivesse bêbada demais e alucinando com isso.

Mas, sendo ou não alucinação, Sara correspondeu ao beijo, apoiando o peso sobre os próprios braços enquanto sentia Felicity puxá-la para baixo ao enlaçar os braços em seu pescoço. Timidamente, uma das mãos dela deslizou por sua nuca até suas costas, arranhando-a de leve por cima da camiseta que usava.

– Talvez... talvez eu devesse ir embora. – Sara sussurrou baixinho quando se afastaram e a olhou nos olhos pela primeira vez naquela noite.

– Talvez você devesse ficar. – Felicity respondeu e acariciou seu rosto com as costas das mãos, puxando-a para um novo beijo, mas Sara ergueu o tronco para se afastar.

– Eu não... eu não quero isso, Fel. Felicity. – corrigiu-se olhando para ela. Parecia que aos poucos o álcool parava de fazer efeito, ou talvez fosse ele realmente falando por Sara. – Eu não quero ferir você, não quero te magoar, e eu... eu sou uma granada, Felicity. Pronta para destruir tudo o que se coloca no meu caminho. Não estou pronta para isso.

– Você não é uma granada, Sara. Trouxe alegria de volta para muitas pessoas, salvou vidas nessa cidade. Você é uma boa pessoa.

– Eu não sou uma boa pessoa. Boas pessoas não matam outras pessoas, Felicity. Boas pessoas não se escondem por trás de uma máscara e eu... eu sou o que sou, cercada pelas trevas que escolhi abraçar. E uma vez que as trevas entram em você, elas não saem nunca mais. Não quero te arrastar pro meio disso, pra esse vórtice. Não quero te machucar com algo casual, tampouco. – fechou os olhos, respirando fundo.

– Se você fosse uma pessoa tão ruim assim, não estaria arrependida das coisas que fez. Se fosse tão ruim assim, não se preocuparia com o que vai acontecer comigo, se vai ou não me magoar. E sinceramente, Sara, eu nunca pensei que isso seria um relacionamento. Quer dizer.. você é a loira gostosa aqui, que pode ter quem quiser. Então não sei... não sei o que viu em mim de tão especial assim. – Felicity soltou um riso abafado cobrindo o rosto com as mãos.

Era isso e Felicity sequer fazia idéia. Era isso o que a tornava tão especial. Ela não precisava ser uma loira gostosa para atrair a atenção dos outros. Ela apenas precisava ser ela. A pura e simples felicidade.

– Luz. – Sara respondeu olhando para ela e abriu um sorriso doce. Felicity achou que esse sorriso ficava muito bonito no rosto da Canário. – Você é a luz de todos nós no meio desse mundo louco, Fel. Você nos mostra que apesar de tudo, existe uma realidade para onde podemos voltar sem ficarmos loucos. Você encanta qualquer um.

Ouvir isso de Sara era quase como ouvir uma piada muito engraçada contada por Oliver. É, porque Oliver não era exatamente conhecido por seu grande senso de humor. Felicity não conseguiu segurar o riso, que veio tão espontâneo e ao notar a expressão confusa de Sara, ela acenou com uma das mãos.

– É que eu não costumo ouvir muito essas coisas românticas, sabe? Principalmente de garotas loiras e gostosas que combatem o crime à noite. – ela foi se acalmando mais e olhou para Sara. – É sério, Sara, eu entendo. Eu não faço nem idéia do que vocês passaram naquela ilha ou... na Liga. Eu também não vou pedir que você me fale sobre isso, se não quer. Eu respeito isso. Mas eu estou aqui, sabe? E se o que você precisa agora é de um não-relacionamento, então estou aqui pra isso também.

– Felicity...

– Ei, eu posso lidar com isso, sabe? Sexo casual. Com uma loira gostosa. Que é minha companheira de trabalho e que—

Sara a interrompeu com um beijo antes que Felicity prosseguisse o que ia dizer e foi se sentando no sofá, puxando-a para que se sentasse à sua frente. As faíscas entre elas se acendiam, começavam a queimar como naquela noite. Felicity afastou os lábios dos de Sara e colou a boca ao seu ouvido, mordiscando-lhe ali enquanto descia as mãos pelas laterais de seu corpo até que uma delas estivesse por dentro da malha, lhe arranhando as costas com leveza.

– Quer brincar, Sara? – sussurrou em seu ouvido, descendo os lábios para seu pescoço, aproveitando-se da sensibilidade que Sara tinha ali.

A Canário se sentiu arrepiar com o contato e abriu um sorriso, erguendo o rosto um pouco mais para que Felicity pudesse se aproveitar dela. Queria que ela se aproveitasse. Queria que ao menos naquela noite, esquecessem de quem eram e pudessem curtir aquilo. E que por Deus, fizessem aquilo dar certo daquele jeito.

Ao menos naquela noite, ela desejou isso, e se pegou surpresa quando Felicity ergueu sua blusa tirando-a e jogando-a em um canto da sala.

– Você me surpreende, Smoak. – ela abriu um sorriso largo, despindo-a do suéter que usava e ergueu-se, tendo que se apoiar um pouco em Felicity ainda estando sob o efeito do álcool mesmo que já estivesse sóbria de suas ações.

– Você não faz nem idéia. – Felicity riu da expressão de Sara, soltando o feixe de seu sutiã que também ficou largado no chão.

Sara empurrou com o pé a porta do quarto fechada, e Felicity deixou o peso de seu corpo cair sobre o dela, derrubando-a na cama macia e bagunçando os lençóis. Sara deu uma risada gostosa de ser ouvida, distante de toda aquela aura sombria que geralmente carregava consigo em seu olhar.

– Sabe, Fel, eu gosto de você assim. – Sara confessou, olhando na direção da outra loira que apoiava o queixo entre seus seios expostos. Desta vez, não havia vergonha.

– Eu também gosto de você assim, Sara. Sem a máscara. Só assim. – antes que acabasse falando alguma besteira, Felicity se entreteve com os seios de Sara, tomando um deles com a boca e começando a suga-lo avidamente enquanto uma das mãos se ocupava com o outro.

Sara fechou os olhos, inebriada pela sensação de prazer trazida pelos toques de Felicity. Era fato que talvez ela fosse inexperiente com mulheres, mas a verdade é que não era muito difícil para uma garota saber o que dava prazer à outra quando tudo o que precisava era tocar a si mesma. Bem, ao menos era dessa forma que Sara havia aprendido antes de se tornar realmente experiente. Nyssa havia sido sua primeira, mas depois dela, haviam tido outras de outras noites que Sara preferia esquecer.

De repente, Felicity se afastou, despertando Sara de seus devaneios.

– Espere um pouco. – ela falou, correndo com os pés descalços e desaparecendo pelos corredores. Sara fez uma expressão interrogativa, mas antes que pudesse fazer qualquer pergunta, ela voltou com uma garrafa de vinho e uma taça nas mãos.

– Eu não quero parecer um pouco indelicada, mas acho que você tinha dito que eu já bebi demais, Fel. – Sara deu um risinho baixo.

– Bem, saiba que isso não é pra você. – ela fez um biquinho e colocou a garrafa e a taça sobre o criado mudo, antes de engatinhar pela cama até se sentar sobre Sara.

– Ah é? E então pra quem? – ela abriu um sorriso, surpresa pelas atitudes de Felicity. Na verdade, sempre a havia visto como a garotinha inocente, puritana e certinha. Então estava realmente inclinada a descobrir como Felicity Smoak ainda poderia lhe surpreender.

Ao invés de dizer qualquer coisa, ela viu Felicity sorrir enchendo a taça até a metade. Olhando para aquele copo, Sara o visualizou como meio cheio. Pois sentia que sua noite só iria melhorar. Ela viu Felicity balançar de leve a taça e derramar um pouco do conteúdo sobre seu corpo.

O contato gélido da bebida arrepiou Sara, mas não tanto quanto o contato da boca de Felicity com sua pele. Seus lábios eram macios e quentes. Traziam uma sensação de conforto, e a cada vez que ela passava a língua para limpar o vinho, Sara sentia uma onda de choque percorrer sua espinha. Era uma sensação boa.

Deixou que uma de suas mãos deslizasse pelos cabelos de Felicity, e fechou os olhos por um momento, curtindo a sensação de não passar a noite vagando pela cidade em busca de algo que pudesse preencher o vazio que lhe consumia diariamente.

“Eu poderia me acostumar com isso”, o pensamento passou rapidamente por sua mente e ela puxou Felicity sobre seu corpo, beijando-a e girando sobre ela para inverter as posições sem se afastar sequer por um único segundo. Ao invés disso, colou mais os corpos, tentando se encaixar a ela, fazendo com que se tornassem um único ser.

Ouviu os gemidos baixos de Felicity enquanto terminava de despir o restante das roupas que ainda vestiam e entrelaçou os dedos da mão direita aos dela, tomando seus lábios novamente com intensidade. A beijou até que o ar faltasse em seus pulmões, movendo os quadris contra os de Felicity, sentindo o calor dela fazer parte de seu corpo e vice-versa.

Sara a achou bonita naquele momento. Com as bochechas coradas, os olhos tão apertados quando a mão esquerda em suas costas, provavelmente deixando as marcas de suas unhas. As melhores cicatrizes das quais Sara teria recordação.

Inclinou-se sobre ela, lhe dando um selinho e beijou seu queixo, descendo devagar para seu pescoço enquanto se deitava ao seu lado na cama, deslizando a mão entre as pernas de Felicity. Ela não parecia mais tão surpresa com o contato, ao invés disso o gemido que soltou fez com que Sara se excitasse ainda mais. Se a bebida ainda tinha algum efeito sobre ela, já não o sentia mais, pois estava completamente ciente do que fazia e do que queria.

Seus dedos se movimentaram com maestria enquanto Felicity movia os quadris a favor e contra eles, até que Sara penetrou dois de seus dedos, brincando com ela sem cessar os movimentos.

Os lábios desceram em uma linha até seu colo onde Sara lhe deu um beijo suave antes de erguer o olhar para Felicity e sorrir para ela. Aquilo fez com que Felicity corasse ainda mais, mas ela sorriu de volta e lhe acariciou o rosto antes que Sara envolvesse um de seus mamilos com a boca, brincando com a língua ao seu redor enquanto apertava seu seio com a outra mão.

– Sara.... – ouvir Felicity chamar seu nome daquele jeito acendeu todos os sentidos de Sara. Sem pensar em mais nada, ela se posicionou entre as pernas da outra loira, passando a brincar com a língua ao invés de usar apenas os dedos.

Felicity sentiu um frio subir por sua barriga quando Sara lhe beijou a virilha e foi se posicionando até que chegou à vulva, passando a língua lentamente apenas para provoca-la ainda mais, se é que isso era possível.

Quando o orgasmo veio foi tão intenso que Felicity precisou se encolher na cama, soltando um gemido demasiado longo que eram como música para os ouvidos da Canário.

Exausta, Sara se jogou ao seu lado na cama, ouvindo a respiração descompassada de Felicity, que permanecia com um dos braços sobre os olhos, escondendo-os da penumbra em que o quarto se encontrava. Lá fora, a chuva continuava forte e não dava indícios de que pararia tão cedo.

Felicity se virou envolvendo a cintura de Sara no momento em que o celular dela tocou.

– Ah não, não atenda agora! – Felicity a segurou com todas as suas forças, que eram mínimas perto da força que Sara possuía.

– Vamos, Fel, pode ser importante. – Sara lhe deu um beijo leve nos lábios e esticou a mão para pegar o aparelho sobre o criado mudo. – Alô?

“Você vai fingir que está tudo bem e que essa é uma ligação normal. Vai fingir ou a sua namoradinha não vai nem saber o que a atingiu.”

– Certo, estou entendendo. – Sara respondeu com a voz mais tranquila que conseguia transparecer, apertando Felicity em seu abraço. Não reconhecia a voz, provavelmente porque estava modificada por algum programa, como o que ela e Oliver costumavam usar.

“Hoje você não fará nada, Ta-Er Al-Sahfer. Você vai terminar de curtir a sua noite com a menininha feliz e depois você irá embora e me encontrará quando eu disser para encontrar.”

– Hum, entendi, mas precisa ser agora? – ela disfarçou, fazendo uma voz manhosa.

“Eu te direi o local e a hora na nossa próxima ligação. E espero que pelo bem da senhorita Smoak...você fique bem longe dela, Ta-Er Al-Sahfer.”

– Certo, eu entro em contato. Tchau. – Sara desligou o telefone, aninhando-se com Felicity.

– Quem era? – Felicity perguntou olhando para Sara. Somente então notou que era uma pergunta indiscreta, poderia parecer que estava bancando a ciumenta. – Não que eu precise saber, quer dizer, você não é obrigada a me contar. Não estamos namo—

Sara lhe deu um beijo rápido. Felicity começava a se acostumar com aqueles beijos para lhe calar. E gostava bastante disso.

– Era só um velho amigo que queria me ver, sabe? Não é nada de mais.

Felicity abriu um sorriso para Sara, rolando sobre seu corpo para ficar por cima e lhe mordeu de leve o queixo.

– Certo. Agora é minha vez de brincar.

Sara se permitiu rir, tomando Felicity para um novo beijo, tentando nublar seus pensamentos daquela ligação que talvez significasse que perderia para sempre a sua luz.

Notas finais
Ta-Er Al-Sahfer - A Canário ou Canário Eu custei pra achar esse apelido dela. Tive que percorrer os episódios de Arrow porque na internet eu não achava. E até queria, mas enfim. Esse capítulo é um pouco mais apimentado com um final de drama. Coloquei a Sin no início dele, porque a vejo meio que como uma consciência da Sara. E eu gosto dela, é uma personagem divertida kkk Enfim, espero que continuem gostando. Esse capítulo veio quentinho como presente de natal. E de vocês, leitores e leitoras, eu só quero uma coisa: Comentem! Me digam como melhorar a fic, podem deixar suas idéias, critiquem se acharem que devem. Feliz natal e Feliz ano novo para todos! Atenciosamente, Anne Asakura.