Notas iniciais
Caged - Enclausurada, Engaiolada, Aprisionada. A partir desse capítulo, começará a diferenciar um pouco do que aconteceu do universo de Arrow, mas espero que gostem! Feliz ano novo ^^

“Pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é doença.”

Alejandro Jodorowsky

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Quando os primeiros raios de sol penetraram pela janela de seu quarto, Felicity cobriu o rosto com o travesseiro, aspirando nele os resquícios do perfume de Sara que ainda estavam ali. Ela entreabriu os olhos, ainda meio sonolenta e viu os lençóis ainda bagunçados do lado onde Sara havia adormecido. Fora isso, apenas o silêncio mórbido que sempre assolava sua casa.

Era por isso que não gostava daquele lugar.

Felicity ergueu-se da cama, enrolada em seus lençóis e caminhou até a porta do quarto.

– Sara? – chamou, ouvindo sua voz ecoar por todo o apartamento. Nada. Nenhuma resposta. Apenas o vento frio da manhã que trazia consigo o cheiro da chuva da noite anterior. Ela abriu um sorriso fraco.

“Oras, vamos, Felicity. Foi você quem pediu por algo casual. Não vá se arrepender agora.”

Deu meia volta até o quarto e deixou os lençóis ali, entrando no banheiro. Permitiu-se uma ducha demorada, sentindo algumas partes de seu corpo arderem, onde Sara havia lhe arranhado na noite passada, muito embora a hacker desconfiasse que Sara teria muito mais desconfortos do que ela nesse aspecto.

Somente o simples pensamento da noite passada fez com que mordesse de leve o lábio inferior. De verdade, ela não queria que Sara tivesse partido, mas de qualquer forma sabia que teria que ir para o trabalho em breve e que não poderia aprisiona-la dentro de uma gaiola, muito embora fosse seu desejo aprisiona-la agora em seu quarto.

“Céus, nunca fui de ter esses pensamentos. Somente com caras, claro. Sem camisa. O tempo todo. Como Oliver. Sempre sem camisa.”

Ela balançou negativamente a cabeça e saiu do banho, penteando os cabelos e escolhendo uma roupa para vestir.

Ainda estava um pouco intrigada a respeito das coisas, mas começava a aceitar melhor essa ideia maluca que havia começado com um jogo. Era verdade que Felicity nunca havia tido um relacionamento casual em sua vida, e muito menos com uma garota mas a verdade é que estava gostando daquilo, de toda a situação. Não só porque era bom, mas também pela adrenalina da coisa. Estar com Sara era diferente de estar com qualquer outra pessoa que já havia estado antes.

Embora ela estivesse incerta a respeito de seus sentimentos sobre Oliver, Sara começava a despistá-la para uma realidade completamente diferente. Era a primeira vez em meses que não mantinha seu foco apenas no chefe. Tinha noção de seus sentimentos, do quanto eram intensos a respeito dele e não duvidava de que faria qualquer coisa por Oliver, mas ele já havia deixado claro através de suas ações que Felicity não tinha a menor chance. O amor de sua vida era Laurel, mesmo Sara não havia conseguido apagar a presença de sua irmã da cabeça do herói. Felicity não tinha a menor chance.

E quando estava começando a desistir oficialmente da idéia de ter algum relacionamento com alguém, Sara havia aparecido com sua brincadeira e feito as coisas se tornarem o que estavam sendo agora.

Ela apanhou o celular, colocando-o no bolso interno da jaqueta que havia escolhido para vestir naquele dia e olhou uma última vez para a cama onde mais cedo Sara estava deitada ao seu lado. Não pôde deixar de abrir um sorriso pequeno antes de dirigir-se para a porta.

“Espero que as coisas continuem bem assim.”

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Sara não queria ter partido, na verdade seu desejo era permanecer ali na cama de Felicity por mais uns dois dias se fosse possível. Ela era insaciável, e achava divertido que mesmo depois de tudo, Felicity ainda ficasse sem graça com alguns de seus comentários.

Mas era bom estar ao lado dela, bom ser capaz de esquecer-se de tudo mesmo que apenas na sua presença. Como há muito tempo não se sentia, Sara tinha um pouco de luz brilhando novamente dentro de seu coração. Mas como tudo que é bom termina um dia, ela precisava voltar para a dura realidade.

Ela havia olhado nos olhos do demônio e entregado sua alma a ele. Uma vez que isso é feito, não existe libertação. Sara sabia desde o início que aquilo tudo era ilusório, mas queria acreditar piamente que não estava mais atada àquelas correntes e que pela primeira vez, verdadeiramente, poderia deixar suas preocupações de lado e viver feliz ao lado de seus amigos.

Ao lado de Felicity.

Era verdade que Sara havia proposto algo meramente casual para a hacker, pois não se sentia no direito de envolver-se em um relacionamento sério com ninguém. Ela havia tentado com Oliver assim que retornou para a cidade. Achou que poderia lidar com isso, pois os dois sabiam como lutar e se cuidar. Os dois tinham uma vida noturna ativa, dormiam pouco e se viam com frequência. Mas ela simplesmente não podia suportar essa pressão ou o fato de que Oliver havia pedido para morar com ela somente algumas semanas atrás.

Aquilo não era para ela.

Sara sabia que a qualquer momento poderia retornar à Liga dos Assassinos, mesmo que Nyssa a tivesse libertado com sua voz como filha de Ra’s Al Ghul, isso não significava que seu pai fosse aceitar. Ela havia feito um juramento. Um juramento de sangue. E ninguém saía da Liga dos Assassinos a não ser que estivesse morto.

Ela não estava.

O único a conseguir uma absolvição havia sido o Mago, Malcolm Merlyn, e por tudo o que ele havia feito, tinha se tornado um alvo da Liga, mas na época Oliver deu cabo à sua vida. Fim da história.

Provavelmente Ra’s Al Ghul havia se cansado de esperar por seu retorno. Ela não era uma guerreira mais valiosa que os demais presentes na Liga, mas ela sabia que tinha seu valor por causa de Nyssa, mas imaginou que o pai dela ficaria feliz com sua saída. Afinal, sem ela, o caminho de Nyssa para a escuridão estava livre e essa era a única coisa da qual se arrependia.

Por trás daquela faceta frívola e assassina, ela sabia que Nyssa possuía um bom coração e se importava consigo de tal forma que a havia libertado de suas correntes. Era uma pena que agora estava sendo aprisionada novamente.

Ela não tinha certeza se quem estava por trás disso era o líder, mas certamente era alguém da Liga. Tinha que ser.

“Apenas eles conhecem o meu codinome. Não faria sentido ser outra pessoa, principalmente pela forma que falou. E se eu ficar aqui, eles irão atrás da Felicity. Isso eu.... isso eu não posso permitir.”

Ainda aguardava pelo segundo contato daquela pessoa misteriosa. Queria saber quem era, mas não queria envolver Felicity nisso. Tinha certeza de que a hacker poderia descobrir o paradeiro dessa pessoa, o número de seu telefone e até mesmo sua conta bancária.

“Mas eu já a envolvi demais. Terei que dar um fim nisso. Pela sua segurança. Pelo seu bem Fel.”

Era doloroso pensar assim quando começava a se acostumar com a idéia de tê-la por perto. Era verdade que só havia estado com ela por duas noites, mas havia sido o suficiente para cativá-la. Não era tola o suficiente para achar que estava apaixonada, mas isso não significava que não se importasse o suficiente com Felicity para desejar protege-la. Queria. Sobretudo porque ela era uma pessoa importante para o Time Arqueiro. E era sua amiga.

Sara nunca deixava seus amigos para trás.

Não depois do que havia acontecido na ilha com Slade.

De certa forma, Sara se sentia responsável. Seus erros a haviam levado até lá, sua ingenuidade havia feito com que acreditasse em alguém que não deveria ter acreditado, mas aquele homem havia salvado sua vida, ele era tudo o que tinha até se reencontrar com Oliver e deixa-lo fugir.

Mas quando Oliver foi colocado entre a cruz e a espada, tendo que escolher entre ela e Shado, Sara sabia que as coisas jamais seriam as mesmas novamente.

Mesmo assim, quando se aproximou de Slade Wilson e se tornaram amigos, ela quis ajuda-lo. Não desejou que ele morresse e achou que o mirakuru o ajudaria.

Mas aquilo era pior do que vender sua alma, pior do que trabalhar para a Liga. Aquilo o consumia diariamente, acabava com sua sanidade. Ela podia ter escolhido salvar Slade Wilson, mas apenas seu corpo havia ficado vivo. Sua alma havia se evaporado no momento em que havia escolhido aplicar aquele soro nele.

Felizmente, estava morto.

Mas essa era uma morte que Sara carregaria para sempre em seu âmago. Ela podia não ter sido a responsável por colocar a flecha em sua cabeça, mas certamente havia fornecido o arco a Oliver para isso. Não era menos responsável do que ele, e isso era fato.

Então, refletindo sobre tudo isso, ela não podia colocar Felicity em risco, tampouco sua família. Se isso significava que deveria retornar aos afazeres da Liga, então ela retornaria mesmo que a contragosto.

Aquilo era mesmo um inferno.

“Bem, a vida é feita de escolhas. Visto que não tive outra além dessa ou seria morta, eu tenho que lidar com suas consequências agora. Eu só não queria... não queria.”

Ela pressionou os dedos contra as têmporas, fechando os olhos. Quando sentiu o celular tocar no bolso, seu coração deu um salto no peito. Tudo bem, ela tinha tido o tempo necessário para se despedir na noite passada, mas parecia que nem todo o tempo do mundo seria o suficiente para expressar o que sentia.

Mesmo porque nem ela sabia como se sentia.

Era tudo muito recente e muito intenso ao mesmo tempo. Ela só sabia que queria estar com Felicity, mas não sabia o que aquilo podia significar.

Afinal, nunca havia amado verdadeiramente ninguém.

Não sabia se o que sentia por Nyssa podia ser chamado de amor, mas ela acreditava que sim. Nyssa havia sido sua salvadora na época em que estava entregue ao caos. Estar ao seu lado foi bom como uma brisa de verão. Mas como todo pássaro toma seu rumo em direção à primavera, Sara teve que partir.

“Mas eu sinto que não quero partir.”

Ela só voltou à realidade quando escutou alguém chama-la pelo nome.

Alívio.

Ainda não era sua hora.

– Sim, Ollie, eu estou aqui. – ela murmurou baixo, ainda meio desnorteada.

– Sara... está tudo bem? – ele parou o que quer que estivesse fazendo para perguntar aquilo agora. Mesmo que estivesse em combate ele teria parado.

– Eu... está. Sério. Eu me distrai com algo. Me diga, o que foi? – sua voz retornava ao normal. Precisava estar espiritualmente presente para não levantar suspeitas.

Ela ouviu o suspiro de Oliver pela linha como se ele não tivesse completamente convencido disso.

– Sabe, eu estou aqui, Sara. Sua irmã, seu pai, Diggle, Felicity e Roy. Você não está mais sozinha. E nós estamos aqui pro que precisar.

A menção do nome de Felicity trouxe um aperto para seu coração. Por sorte, Oliver não estava ali para ver sua expressão.

– Eu sei disso, Ollie, e agradeço. Mas eu acho que não me ligou pra isso, não foi?

Ele ficou mudo por um momento, como se ponderasse se devia ou não contar isso a ela, mas por fim decidindo pelo sim.

– Sara... Slade Wilson está vivo. Ele está aqui em Starling City.

Sabe quando você está na rua e de repente alguém te prega uma pegadinha como aquela em que deixam o carro do bebê descer pela ladeira e você corre desesperadamente para descobrir que é só uma boneca chorona?

Sara estava se sentindo assim com a notícia de Oliver. Tanto que começou a rir do outro lado da ligação.

– Tá, Ollie, pode parar. Eu já entendi que somos amigos. Eu entendi, não precisa—

– É sério. Ele esteve atrás de mim na empresa, Sara. Ele sabe de mim, mas acho que não sabe de você ainda. E... sinceramente, acho que ele veio especialmente por minha causa e por você. Ainda não é nada certo, mas... talvez fosse melhor se ausentar um pouco da cidade.

A sua mente trabalhou tão depressa que Sara já havia saltado do telhado e agora montava na moto. Se não fosse a maldita ligação que esperava do homem que ameaçava Felicity ela jamais sairia, mesmo que estivesse apavorada com Slade.

– Tudo bem, eu farei isso. Avisarei papai e Laurel que preciso sair em viagem e sairei por um tempo... se é o que acha melhor.

– Obrigado, Sara. Eu te manterei informada. – Oliver desligou o ponto.

Talvez fosse mesmo hora de voltar para a Liga e cobrar um favor pelo pedido deles.

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– Eu não entendo porque você precisa ir, Sara. – Quentin não parecia completamente convencido a respeito do que a filha dizia.

– Porque é necessário, pai. Uma viagem para espairece um pouco, deixar todos os problemas de lado. A última viagem que tive foi no iate com Ollie. Eu realmente preciso... eu realmente preciso disso. – ela desviou o olhar cruzando os braços.

– Acho que desta vez concordo com Sara, papai. Vai ser melhor pra ela, sabe? Ficar longe de toda essa coisa pela qual ela passou. Sara merece um descanso. – Laurel sorriu, recebendo de volta o sorriso agradecido da irmã. Desde que havia retornado, depois de Laurel estar finalmente se recuperando da bebida, elas haviam se tornado mais próximas. Ao menos o mais próxima que Sara permitia Laurel estar.

– Ah, como posso vencer minhas duas meninas? Tudo bem, Sara, você pode ir. – ele suspirou, abraçando-as e Sara retribuiu o afeto do pai, se aninhando com ele.

Talvez fosse a última vez que pudesse fazer isso já que não sabia o que podia acontecer quando chegasse lá.

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Felicity estava esgotada.

Aquele tal Slade Wilson parecia uma pessoa realmente perigosa, mesmo que Oliver não estivesse totalmente inclinado a lhe contar quem ele era por completo.

Mas era alguém que havia estado na mesma ilha que ele e Sara. Isso era o suficiente para lhe preocupar e não obstante a isso, ele havia sido injetado com uma droga chamada Mirakuru que podia torna-lo praticamente invencível.

As coisas eram muito mais fáceis quando tinham apenas que lidar com assaltos e bandidinhos de gangue.

Ela suspirou, estranhando a quietude de seu celular. Sara não havia entrado em contato nenhuma vez e parecia tão ocupada quanto Oliver. Talvez a situação fosse mesmo preocupante.

Girou a chave na porta do apartamento e entrou deparando-se com Sara sentada na poltrona de frente para a entrada. O susto foi tão grande que ela derrubou os papéis que segurava. E suas compras.

– Sara! – ela apertou uma das mãos contra o peito por causa do susto. Seu coração batia rápido e descompassado, mas Felicity não sabia se isso era culpa da assombração ou se era porque Sara estava ali.

“Foco, Felicity. Ela não é sua namorada.”

Ela queria pedir desculpas. Na verdade, queria dizer milhares de coisas para ela naquele momento, mas as palavras lhe fugiram. Ficaram presas na garganta e tudo o que conseguiu fazer foi aquilo que o corpo lhe mandou.

Ao escutar a notícia de que Slade Wilson estava na cidade, um radar apitou em sua mente. Pelo que Oliver havia dito, ele não sabia que ela estava na cidade. E Sara sabia que o ódio de Slade por ela era muito mais mortal do que por Oliver. Talvez sem ela ali, Oliver conseguisse proteger as pessoas ao seu redor, e isso lhe daria tempo para buscar a ajuda necessária mesmo que para isso tivesse que vender sua alma novamente.

“Aliás, nunca estive livre de verdade. Ainda estou enclausurada na mesma gaiola...”

Ela estava próxima de Felicity naquele momento. A hacker ainda estava assustada, mas Sara notou sua palidez e aquilo lhe preocupou. Mas ao invés de lhe perguntar se havia algo de errado, ela a beijou.

O beijo pegou Felicity desprevenida. Nenhum questionamento, nem mesmo um “boa noite” como saudação. Sara não era do tipo que chegava no ataque marcando gols. Pelo menos não dessa forma tão direta, mas ali estava ela a beijando e a empurrando contra a bancada da cozinha. Oras, se essa bancada falasse teria muito o que dizer a respeito desses encontros.

A princípio ela tentou afastar Sara, apoiando as mãos sobre seus ombros. Mas logo estava entregue como sempre acontecia, perdendo as mãos nos fios louros e sentindo-a coloca-la sentada sobre a bancada.

Com os pés suspensos, foi fácil envolve-la com a cintura, querendo sentir ela mais perto de si a todo o custo como se qualquer milímetro de distância entre as duas fosse demais. Sara a suspendeu, caminhando com ela com facilidade na direção do quarto cujo caminho já conhecia tão bem.

Eram poucos dias, pensava Sara, mas talvez estivessem entre os melhores de sua vida.

“Talvez eu esteja mesmo me apaixonando por você, Fel. E isso é uma droga porque estou aprisionada a essa gaiola e se te envolver pode acabar ferida... ou até pior.”

Somente a idéia de se afastar dela trouxe um aperto para seu coração e Sara a pressionou com mais força contra si, sentando-se na beirada da cama com Felicity ainda em seus braços. E apenas afastaram as bocas para recobrar o ar. Naquele momento ela sentiu o rosto enrubescido de Felicity sobre a curva de seu pescoço, embora naquele momento sem malícia alguma.

Ela fechou os olhos, aproveitando um pouco o momento. Sentia apenas a respiração dela, quente, contra seu pescoço. E permitiu-se ficar assim, acariciando sua nuca com uma mão e sustentando-a com a outra para que ficasse em seu colo.

Aquele era o momento. Se tinha algo a dizer para ela – e tinha – aquele era o momento.

Mas por que era tão difícil? Por que as palavras não podiam simplesmente sair de sua boca e tornar tudo mais fácil?

“Ah, eu sei o motivo”, o pensamento percorreu sua mente quando Felicity voltou o rosto em sua direção e sorriu.

– Sara....

– Sim?

Felicity entreabriu os lábios, mas as palavras ficaram travadas em sua garganta.

Está tudo bem? Slade te assusta? Eu quero você aqui sempre?

Ela negou com a cabeça forçando o peso para se deitar sobre ela.

– Essa noite... fique até eu dormir.. – ela pediu baixinho. Por algum motivo tinha medo. Por algum motivo que não sabia, tinha medo.

– Eu fico. – ela murmurou baixinho lhe beijando a testa.

– Prometa. – Felicity pediu, azul no azul enquanto a encarava. Sara sorriu, lhe acariciando o rosto.

– Nem que o céu caia essa noite, Fel, eu não vou sair daqui até você adormecer.

A hacker abriu um sorriso singelo, roçando os lábios contra os dela naquele momento e a abraçou. Haviam palavras presas no ar. Palavras que as duas queriam dizer, mas nenhuma delas tinha coragem.

Mas o momento era aquele e ele passaria.

Sentia.

Eu acho que gosto de você.

O vento batendo contra as cortinas e a chuva forte lá fora. Como podia um sentimento tão bonito ser tão doloroso assim?

Notas finais
Então, algumas pessoas disseram nas notas que achavam que as coisas estavam acontecendo rápido demais. As vezes acontece mesmo! Tem amor que chega abalando tudo na estrada. Não amor à primeira vista igual aqueles filmes hollywodianos. Mas química é algo com o qual não se brinca. A minha idéia foi colocar algo nesse calibre pra fic. Esse capítulo é um pouco menor, porque ele era uma transição pro que vai acontecer no próximo. Espero que tenham gostado, eu pretendia postar somente no ano que vem, mas resolvi não ser cruel assim. Eu agradeço todos os comentários que recebi até então. E peço que continuem comentando, isso incentiva a gente a escrever e continuar. Faz bem pro ego, e pra alto-estima. Se tem algo que querem na fic, vocês podem me dizer! Eu sou flexível e posso colocar ^^ Espero vocês nos comentários! Até ano que vem!