Notas iniciais
Existe um espaço para deixar comentários, para dizer o que você mais gostou e o que precisa ser melhorado. Eu apreciaria se ele fosse usado para coisas melhores do que "adorei' ou 'continua pfv', porque me dá muito trabalho pensar nessa história só pra isso. Eu mereço mais. Eu sei que mereço. Podem considerar grosseria, porque é. Obrigada. One Last Time - Uma última vez (Acho que deu pra entender o recado, rs)

This is the last time
That I will show my face
One last tender lie
And then I'm out of this place

(Está é a última vez
Que eu mostrarei minha cara
Uma última mentira dolorida
E depois eu estou fora deste lugar)

Keane – The Last Time

Ainda era madrugada quando a voz misteriosa entrou em contato novamente, marcando o encontro deles para o cais. Aquele lugar era deserto, e ele era bastante pontual e furtivo, pois Sara teve dificuldades em nota-lo.

– Ta-Er Al-Sahfer. – a voz era grave, mas não tanto quanto a voz modificada ao telefone. Ela a reconheceu imediatamente.

Er-Notur.­ – mesmo sem se voltar em sua direção ela sabia quem era. Ouviu o riso grave e das sombras um homem esguio e completamente vestido de negro saiu, abaixando o capuz que usava.

A Sombra.

O braço direito de Ra’s Al Ghul, conhecido por poucos justamente por ser sua sombra. Sara apenas sabia a seu respeito por conta de investigações profundas e pela confiança de Nyssa que havia descoberto sobre ele apenas depois de ter atingido idade o suficiente para substituir o pai caso fosse preciso.

Ele era um membro fantasma. Ninguém na Liga dos Assassinos o conhecia além do próprio Ra’s Al Ghul e sua filha. E, claro, Sara. Pois já havia estado em sua presença uma única vez. E esperava nunca mais ter que vê-lo pois ele emanava uma aura sombria e cruel. Por isso era capaz de aturar as atrocidades feitas pelo seu líder.

– Fico surpreso que ainda se lembre de mim. Não sou uma pessoa muito... marcante. E na verdade é até estranho. Geralmente os que me conhecem habitam as profundezas. Da terra ou do oceano.

Ele abriu um sorriso de escárnio olhando para Sara.

– Diga logo o que quer de mim. Achei que estivesse livre das minhas obrigações. – ela tentava não demonstrar o medo na voz. Mas como uma presa acuada por seu predador, A Sombra sabia que ela estava assustada. Ele sentia.

– Ah, minha pequena Canário, aves nunca vão muito longe de seu lar. E você permaneceu nele, não é mesmo? Estava até mesmo tentando criar raízes. Fico imaginando.. o que a filha do Demônio acharia.... de ter sido trocada por uma loirinha sem graça como aquela. Talvez eu devesse fazer esse favor a ela... e mata-la.

De repente a adaga que carregava no pulso estava no pescoço dele. Sombra era muito bom, mas Sara parecia que havia melhorado, pois não esperava dela tamanha velocidade. Ou sequer que tivesse coragem de agir contra ele.

– Oh-ho! Parece que esse Canário tem garras afiadas! – ele deu uma gargalhada, mantendo as mãos erguidas.

– Nunca mais, entendeu? Eu estou aqui como me pediu. Deixe-a fora disso.

Ele abriu um sorriso de canto. Parecia que a inatingível Sara possuía uma fraqueza a mais para se aproveitarem. Alguém melhor que sua família.

– Estamos conversados. – ele segurou a lâmina afastando-a de seu pescoço e abriu aquele sorriso tão irritante. Queria poder cortá-lo com sua faca. Queria que ele sentisse dor e sofrimento. E que se tornasse tão miserável quanto todos aqueles que enterrou em nome de Ra’s Al Ghul. – Mas voltando ao que interessa, Canário... eu tenho mesmo uma missão para você.

– Estou ouvindo. – ela respondeu secamente tornando a guardar a faca.

– Existe um alvo. Ele está desenvolvendo uma arma nuclear contra os Estados Unidos. É um alvo russo, mas possui defesas perigosas. Como nós, existem outros que também são treinados para serem assassinos lá. Há alguns meses enviei um dos meus, mas ele foi morto. Felizmente.... esse alvo em particular tem um... ahn... digamos... fetiche.

Sara não gostava do rumo que essa conversa tomava.

– Então você quer que eu me aproxime dele, o seduza e então o mate? – ela perguntou. A ideia de matar novamente embrulhava o seu estômago, mas ela já sabia que o trabalho da Liga terminaria em algo assim.

– É, certo. Você adivinhou. Mas não se preocupe, você se reportará a mim. Não terá que passar em Nanda Parbat. Há um voo esperando por você. – ele apontou o barco. Sara o encarou sentindo gelar o sangue. Desde o acidente com Oliver que a havia levado a naufragar por dias, nunca mais havia encarado passeios a barco da mesma maneira. – Creio que isso não é um problema para você, não é mesmo?

Ele tocou os seus ombros emitindo um risinho baixo e Sara se afastou.

– Bem, como pensei. O barco a levará até uma ilha isolada onde pegará o avião para não levantar suspeitas. Geralmente não fazemos esse tipo de serviço, mas você sabe não é, Canário? Desde que se pague bem, fazemos qualquer negócio. – ele estendeu para ela uma foto que Sara apanhou antes de caminhar na direção do barco escutando um “até breve” por parte dele.

Ela respondeu com “até nunca mais” e o ouviu gargalhar ao fundo desejando imensamente ter enfiado aquela faca em sua garganta.

X

Ela já estava acordada quando o despertador tocou. A noite havia sido perfeita, a chuva, as carícias, o sexo, os sorrisos... tudo perfeito.

Mesmo que as palavras tivessem se perdido no ar, Felicity ainda sentia... sentia o calor de Sara nos lençóis junto de seu perfume. Agarrou-os, encarando a lateral vazia onde antes ela havia estado, provavelmente até que adormecesse como havia prometido.

Mas onde estava com a cabeça?

Onde estava com a cabeça ao dizer que aquilo?

Aquilo era ridículo, claro, completamente inconcebível. Ainda na noite passada haviam prometido ter algo apenas casual. E ela havia cometido a puta gafe de dizer que gostava dela.

“Sinceramente, não sei como Sara não saiu correndo... ah, mas ela saiu já que não está aqui.”

Felicity cobriu o rosto com o travesseiro, aspirando o perfume dela novamente. Era bom, um pouco natural e diferente dos perfumes que costumava sentir. Tinha cheiro de segurança.

No entanto, Sara não havia comentado nada sobre aquilo. Ela não havia dito nada e isso era incômodo. Felicity não esperava que correspondesse, na verdade nem mesmo ela sabia por que havia dito aquilo. Na ocasião, Sara apenas a beijou e nublou seus pensamentos e agora ela estava ali, sozinha.

Então o telefone tocou e Felicity o apanhou desesperadamente, pensando que poderia ser Sara. Claro que não era.

– Felicity, eu preciso de você. – a voz de Oliver a despertou para a realidade.

– Eu vou me arrumar, estou a caminho.

– Sara está aí?

Claro que não! Por que ela estaria? – ela respondeu afoita.

– Nada, é porque não consigo encontra-la e o gps parecia que apontava pra sua casa.

– Bom, nada. Nenhuma Sara aqui, Oliver. – ela abriu um sorriso nervoso que provavelmente a entregaria se Sara realmente estivesse ali. Mas não estava. Apenas seu telefone no criado mudo. Em cima de um recado.

– Tudo bem. Te espero na base.

– Ok. Tchau.

Ela se sentou na cama, deixando o lençol deslizar sobre a pele nua.

Para Fel, o bilhete dizia.

Ela não queria abrir.

Parecia pessoal demais. E o medo lhe assombrou.

X

O barulho das hélices do avião era alto e Sara se perguntou por que dentre todos os agentes da Liga dos Assassinos ela havia sido a escolhida. Quer dizer, existiam outras mulheres na Liga – inclusive a própria Nyssa poderia se disfarçar – então por que ela?

Ser loira não podia ser o único motivo. Devia haver algo mais, algo que chamasse a atenção. Ela subiu no avião tremendo de frio pois vestia apenas a roupa da Canário, o que não era exatamente um isolante térmico. E o tempo estava ruim, ameaçava chover forte outra vez. Ela só esperava que não fossem pegar uma tempestade.

Assim que entrou no avião, ela se acomodou e fechou os olhos, acenando ao motorista dizendo que já podiam ir. Ele concordou, e o avião começou a se movimentar.

– Sara.

Seus olhos se entreabriram naquele momento com o susto. Ela já sabia que não estava sozinha no avião, mas aquela voz fez seu sangue gelar. Então era por isso que não podia ser outra pessoa. Precisava ser ela.

X

A primeira vez em que Felicity recebeu uma notificação pessoal, ela estava na quarta série na aula de informática. Ela havia descoberto como passar do sistema de segurança do site do jogo para poder conseguir algumas “vantagens” que outros jogadores não podiam ter.

“Felicity, a diretora está te chamando na sala dela. Ela disse que é urgente.”

Felicity achou que estava encrencada porque alguém havia descoberto o que ela tinha feito. Achou que podia levar uma advertência ou até ser suspensa e somente essa possibilidade a fez estremecer. Sua mãe podia ser irresponsável, mas ficaria uma fera se soubesse. E, claro, ela não queria perder sua bolsa de estudos.

“Mas tenho certeza que fiz tudo certo. Não deixei rastros!”, pensou.

Quando ela entrou na sala da diretora e viu sua mãe ali, suas suspeitas se confirmaram. Suas pernas tremiam tanto que ela achou que cairia no chão.

– M-mamãe, eu... – estava com medo e sempre que estava com medo ela falava demais.

– Fel... – sua mãe correu em sua direção e a abraçou com força se debulhando em lágrimas. Felicity nunca a viu assim, nem mesmo quando ela perdeu seu primeiro emprego como garçonete. Nem mesmo quando várias pessoas bateram a porta contra a sua cara quando ela estava numa tentativa desesperada de ganhar dinheiro e manter Felicity naquela escola. Nem mesmo quando seu pai foi embora.

– Mamãe? – ela alisou seus cabelos. Eram macios e sedosos, e lisos e louros. Os de Felicity eram escuros e rebeldes. Ela sempre quis ter um cabelo bonito como a mãe e ser bonita como ela.

A diretora se aproximou dando um suspiro e abaixou-se até ficar na altura de Felicity. A menina sempre a tinha visto com um ar imponente, até mesmo como uma megera. Mas quando olhou em seus olhos naquele momento, viu compaixão e não gostou desse sentimento. Preferia que ela ainda fosse uma megera.

– Felicity, eu sinto muito. Sua avó ela... faleceu.

Felicity já havia escutado o termo antes. Na verdade ela já o havia escutado inúmeras vezes e sabia o que era a morte, mesmo que muitas pessoas na sua idade não soubessem. Sua mãe havia lhe dito que morte é quando as pessoas boas vão para o céu e as ruins para o inferno. Felicity não conseguia muito acreditar em algo assim, não era lógico. Mas pela sua mãe ela ainda tentava acreditar.

– Ela... – sua mãe chorava muito e Felicity sentia um misto de sentimentos estranhos e inexplicáveis como raiva e ódio que não combinavam com ela e nem com a situação. Do que estava com raiva? Por que sentia ódio?

– F-foi um homem que escapou da polícia. Ele entrou na casa da vovó e.... – sua mãe não conseguia. Ela não conseguia, então Felicity sabia que teria que ser forte por elas duas, porque isso provavelmente significaria que ela perderia outro emprego. E talvez tivessem até que se mudar.

– Tudo bem, mamãe. Vamos ficar bem. – ela disse baixinho a apertando em seus braços e sentindo as lágrimas correrem por seu rosto.

A diretora suspirou, dando aquele momento para as duas.

– Você pode ir, Felicity. Eu explicarei ao professor o que aconteceu.

Ela acenou com a cabeça, agarrando a mão de sua mãe enquanto caminhavam para fora da sala da diretora. Ela sabia que dali para frente as coisas seriam mais difíceis para ela e sua mãe.

E foram mesmo, passaram por diversas mudanças até que sua mãe se estabilizasse novamente, mas nunca, em momento nenhum, ela deixou que Felicity mudasse de escola. Nem a deixou passar fome, embora Felicity desconfiasse que ela própria havia passado algumas vezes.

Amava sua mãe por tudo o que ela tinha feito mesmo que não fossem nada parecidas. Na verdade, nada parecidas.

E, bem, agora ela encarava o bilhete ali em seu criado mudo. Sabia que não tinha muito tempo se Oliver precisava de ajuda, então deixou o bilhete ali mais um tempo enquanto tomava banho, se trocava, calçava os sapatos...

Mas ele continuava lhe encarando.

E então, Felicity, não vai ver meu conteúdo?

Ela trincou os dentes e apanhou o bilhete, jogando-o dentro do bolso do casaco que vestiu por conta do frio.

– Mais tarde. Mais tarde lidarei com isso.

Passou a tranca pela porta, pensando uma vez mais se deveria trancar ou não a janela, e finalmente decidindo por não.

“Ela pode voltar.”

No fundo, sem ler o bilhete, tinha esperanças que sim. Então partiu.

X

O silêncio era quase incômodo. Na verdade, tinha muitas coisas que ela queria dizer mas nenhuma parecia perfeita para a ocasião. E enquanto isso, Nyssa a encarava desfrutando de alguns salgadinhos que estava comendo antes da missão para a qual estavam partindo.

Juntas.

– Eu achei que iria sozinha nessa. – Sara arriscou, quebrando um dos amendoins com o dente e mastigando apenas as sementes.

– Eu poderia dizer o mesmo. Fiquei sabendo de você há poucas horas. Se soubesse, teria ido contra. Você já estava livre, Sara. – não parecia que o que ela dizia era 100% verdade, mas Sara tendia a acreditar em Nyssa. E no fim das contas havia sentido falta dela, mesmo que não em contexto amoroso.

Ela ainda era uma ótima amante. E Sara gostava dela. Era uma pessoa especial.

– Bem, A Sombra não me disse muito. Apenas que esse é nosso alvo. – Sara lançou a foto sobre a mesa.

– Sim. – Nyssa examinou a foto mesmo que tivesse recebido uma cópia idêntica, e mastigou mais um amendoim. – Ele é o cabeça por trás disso. Não é quem desenvolve, mas o financiador. Além, de, claro, ser alguém perigoso. Ele faz parte da máfia Russa, Sara.

A loira entrelaçou os dedos por baixo da mesa apoiando a cabeça sobre a janela do avião que já estava em curso. Ela sabia que devia manter sua cabeça focada naquilo, mas de verdade Slade a preocupava. Dentre tantas coisas, como o que Felicity havia lhe dito.

– Está tudo bem? – o toque de Nyssa em seu rosto a assustou. Provavelmente se fosse outra pessoa ela teria atacado por estar fora de alerta.

– Ah, eu... – balançou a cabeça. – Vamos nos focar. O que tenho para dizer pode ficar pra depois. Disse que ele é da máfia russa, certo? Como se chama?

– Aleksey Iakov. – ela respondeu. – Ele não era ninguém até pouco tempo, quando seu pai faleceu. Quando assumiu os negócios da família. E pelo que entendi, ele tem costas quentes no governo e carta branca para desenvolver essa arma, seja lá o que for. Alguém do alto escalão que não quer manchar suas mãos e não quer permitir que o projeto vá para frente, nos pediu para dar cabo nele.

– Mas e quanto ao projeto?

– Não irá para frente sem ele, Sara. – Nyssa respondeu com tranquilidade. – E de qualquer forma, se for, será apenas mais um trabalho.

Sara acenou positivamente com a cabeça.

– A Sombra comentou sobre um tal fetiche. Achei que era por isso que ele me queria.

Nyssa abriu um sorriso de canto olhando para ela.

– Espero que seu russo esteja afiado. Apesar de que não vai precisar falar muito quando estivermos lá.

Sara entendeu as palavras nas entrelinhas. E não gostou nem um pouco disso.

X

– Quem é Slade Wilson? – Felicity disparou assim que Oliver desceu as escadas de volta para a base. – Eu não sei nada sobre ele. Nenhuma informação na rede, nos sites do governo, FBI, CIA e nem mesmo no Detran. Nada. Nadica de nada.

– Ele... – Oliver aproximou-se dos computadores e respirou fundo. – Ele era um antigo amigo, Felicity. Estava comigo e com Sara na ilha. Mas devido a uma escolha que tive que fazer entre Sara e Shado... quando ele descobriu a verdade, não conseguiu lidar com isso porque a amava. Eu desejei minha própria morte, mas o homem que nos raptou não me deu essa escolha.

Felicity sentia a dor nas palavras de Oliver. Ele faria de tudo para proteger as pessoas que amava, inclusive morrer por elas. Nisso ela acreditava com certeza. Ele não era o tipo de pessoa que falava isso da boca para fora, e isso a fez pensar que provavelmente Sara era da mesma maneira.

– E onde está a Sara agora? – ela perguntou, tentando manter a voz firme.

Oliver cruzou os braços, mantendo a seriedade e abaixou o rosto encarando o chão.

– Devido a tudo o que aconteceu.... entre Slade e a gente, eu pedi para que ela deixasse a cidade por um tempo. Se ele soubesse que ela estava por aqui, poderia colocar a sua família em risco... e tenho certeza de que Sara não iria querer isso. Ele já esteve na minha empresa, Felicity. Sei que sou um dos alvos. Não quero que vocês se tornem também.

– Isso... esse cara é tão perigoso assim? — ela perguntou tentando manter-se calma. Sara havia ido embora? Por que não havia lhe dito nada? Por quanto tempo? Ela apertou o papel em seu bolso entre os dedos. Provavelmente tudo o que queria saber estaria ali, mas conhecendo bem Sara achava que ela não deixaria rastros ou um telefone para contato já que o seu estava em cima de seu criado mudo.

– Ele tomou uma droga chamada Mirakuru. Na época estava morrendo, foi a única alternativa. Isso o tornou mais forte do que qualquer homem, mas o que restou nele, Felcity, foi apenas uma casca vazia desejando por vingança. Tenho certeza... sua alma se desintegrou no emio da loucura. Não resta humanidade nele. E temo... o que ele possa querer fazer aqui em Starling, entende?

Felicity acenou com a cabeça e seus dedos começaram a trabalhar no computador. A tela mostrava agora várias câmeras, enquanto uma delas se focava em buscar informações.

– Tenho certeza de que Sara ficará bem, Felicity. – a mão de Oliver apertou seu ombro. – Ela é forte.

– Eu sei disso. – Felicity completou com um sorriso.

“Eu é que não sou.”

– Vamos bolar um plano, uma estratégia contra ele, não se preocupe.

Oliver concordou com a cabeça.

– Sabia que podia contar com você. – lhe beijou o topo da cabeça e se afastou, deixando Felicity perdida com seus próprios pensamentos.

X

Três dias depois, elas pousavam na Rússia, mas a cabeça de Sara estava em outro lugar.

– Você está tão aérea. – Nyssa comentou, se ajeitando e vestindo um casaco por cima da roupa negra.

– Estou pensando em algumas coisas que estão acontecendo em Starling. Não consigo tirar isso da cabeça. – ela suspirou acompanhando Nyssa. Tinha um lugar do hotel onde ficariam até que o homem as chamasse. Tudo já estava organizado.

– Podemos falar sobre isso se quiser. Sabe que pode contar comigo, Sara. – ela passou a mão sobre seus cabelos, afastando uma mecha dourada.

– É... um velho inimigo que estava conosco na ilha. Seu nome é Slade Wilson.

Nyssa parou por um momento e seus olhos se estreitaram. Mas ela logo voltou a caminhar na direção do táxi que pegariam até o hotel.

– Eu já ouvi esse nome. Na verdade, não exatamente esse nome, mas entre nós ele é conhecido como o “Exterminador”. – ela pediu ao motorista de táxi que seguisse o caminho até o hotel e então voltou a falar. – Sei que é um homem perigoso. O que tem com ele?

– Como eu disse, ele estava na ilha conosco. E deseja vingança contra mim e Ollie. Ele pediu que eu saísse por um tempo da cidade, mas não sinto que será o suficiente. Ele fará algo contra nós.

– Sabe que não posso agir sem o conhecimento da Liga, Sara.

Ela respirou fundo.

– Eu sei. Estou pedindo sua ajuda, Nyssa. Ajuda da Liga.

O silêncio pairou entre elas por um momento enquanto o carro estacionava silenciosamente e seguiam para dentro do saguão do hotel.

– Você sabe o que significa pedir ajuda para a Liga.

– Sei sim.

Não disseram mais nada e entraram no elevador.

X

O bilhete a encarou pelo resto da noite enquanto se afogava em trabalho. Tudo o que conseguia sobre aquele homem era supérfluo demais e nada concreto. Era como se ele simplesmente não tivesse existido até o momento em que pisou naquela cidade novamente.

E ele estava interessado em Oliver e Sara. E pelo pouco que havia extraído de Oliver, sabia como ele era perigoso.

Muito perigoso.

Mas isso era tudo.

Finalmente, estava indo para casa. Decidiu que hoje seria o dia do lixo, e embora fosse incomum, aceitou que Diggle lhe acompanhasse porque Oliver estava paranoico sobre Slade.

– Pronto, estamos em casa, Dig. Você pode ir agora. – ela abriu um sorriso para o ex-soldado.

– Sei que sim. Apenas garantia, sabe? Avise se precisar de qualquer coisa.

Acenou positivamente com a cabeça e caminhou para dentro do prédio. Felizmente, haviam consertado o elevador e isso em si já era um alívio. Nada mais de escadas, apenas o conforto de uma máquina a levando para a segurança de sua casa.

Quando finalmente estava lá dentro, descalçou as botas e se sentou no sofá, encarando com seriedade aquele bilhete. Como se o simples fato de fazer isso fosse intimidá-lo o suficiente para que cuspisse as palavras que queria ler.

Mas ela sabia que as coisas não funcionavam assim e que não poderia protelar mais tempo. O que precisava ser feito precisava ser feito. Não havia maneiras de mudar isso.

Finalmente, criou coragem para abri-lo.

A caligrafia não era relaxada como ela esperava, mas bonita. Estava escrita com uma caneta rosa que Felicity tinha na gaveta de seu criado mudo, mas no papel ela ainda sentia o perfume que havia despendido das pontas dos dedos de Sara. Ou talvez fosse apenas sua imaginação lhe pregando peças.

“Fel,

Me desculpe por ter que sair assim da sua vida, da mesma maneira que entrei. Não queria que isso fosse um adeus, e continuo não querendo que seja. Então o tratarei como um “Até Breve”. Existem coisas que eu ainda precisava fazer.

E existem coisas que farei para manter todos que amo em Starling City seguros.

Por favor, não se esqueça de mim. Eu não me esquecerei de você.

P.S: Um pássaro negro sempre retorna para o lar.”

Não havia nenhum tipo de assinatura, mas Felicity sabia que nenhuma outra pessoa poderia ter escrito aquele bilhete. Quando estava nas últimas linhas, as lágrimas já haviam pingado sobre algumas letras, borrando a tinta da caneta.

– Eu odeio você, Sara. – ela murmurou baixinho. – Odeio você...

A mentira mais lavada que já havia contado para si mesma.

X

Chegar no quarto foi fácil, assim como encontrar o alvo. Tudo já havia sido armado para que fosse perfeito. Elas estavam no papel de prostitutas de luxo importadas direto da Austrália. O senhor Iakov tinha fetiche por loiras E morenas juntas.

Então, quando estavam no quarto, Sara já sabia o que tinha que fazer.

E era exatamente o que não queria.

Ela sentiu as mãos de Nyssa sobre seu rosto e deslizando pelo corpo.

(Mas sua mente estava em Felicity)

Ela sentiu os lábios dela em seu pescoço, correrem quentes até seu ombro.

(Mas a boca que queria era a de Felicity)

E quando sentiu que ela levaria aquilo adiante, não suportou e deu cabo à vida do senhor Iakov, enfiando a lâmina em seu pescoço antes mesmo que o veneno posto em sua bebida surtisse efeito.

– Qual é o seu problema, Sara? – Nyssa perguntou quando já estavam no avião, depois de terem limpado o ocorrido. Tudo estava acabado e tinham obtido as informações que precisavam. O alvo estava morto. Suas mãos estavam manchadas de sangue novamente.

– Eu.. – ela fechou os olhos.

– Tem outra pessoa, não é? É o Oliver?

Sara ficou em silêncio.

– Sabe que se pedir esse favor à Liga, não será a última vez que estará envolvida conosco.

– Eu sei. – murmurou baixo.

– Então esteja ciente.

– Mas não há escolha. Eu preciso da ajuda de vocês. Ele é um homem perigoso. Eu o quero fora da minha cidade.

Nyssa a encarou com os olhos frios. Sara se sentiu engolida por ele como se fossem poços de alcatrão.

– Eu te amo, Sara.

Ela ainda a encarava, olhos nos olhos quando sentiu os lábios de Nyssa pressionados contra os seus.

Um dia havia amado Nyssa.

Agora só desejava estar ao lado de Felicity. Nada mais.

Notas finais
Esse capítulo separou as duas porque eu queria fazer algo envolvendo a Nyssa também. Existem uma série de fatores por trás do que aconteceu. Er-Notur não existe de verdade. É um npc de obra minha, e eu o criei porque achei que seria interessante para ser inserido na história já que eu não vejo o Ra'Al Ghul fazendo isso pessoalmente. Não sei como são gerados os nomes da Liga então achei que assim ficava legal.