Wanna Play?
13 What Have You Done?
Notas iniciais
Wanna Play?
Capítulo 13 – What have you done?
I, I've been waiting for someone like you
But now you are slipping away ...oh
Why, why does fate make us suffer?
There's a curse between us, between me and you
(Eu, eu estive esperando por alguém como você
Mas agora você está indo embora
Por quê? Por que o destino nos faz sofrer?
Há uma maldição entre nós, Entre eu e você)
What Have You Done – Within Temptation
X
O navio havia partido.
O navio havia partido, e Felicity sentia que seu coração havia sido lançado para o fundo do oceano junto com a âncora. Para o fundo do oceano para nunca mais retornar.
Até que desaparecesse completamente de sua visão, a hacker não conseguiu tirar os olhos do horizonte. Ela ainda se lembrava daquele homem repugnante sorrindo. Ainda se lembrava daquele homem repugnante dizendo que a mataria caso Sara não escolhesse cooperar.
Mas se cooperar significava que ela se perderia na escuridão novamente – e talvez para sempre –, então qual era o ponto para Felicity estar a salvo?
Ela engoliu em seco, sentindo as lágrimas correrem por seu rosto, ciente de que a mão de Oliver estava em seu ombro e ele estava ao seu lado querendo compreender a situação para agir.
Os membros da Liga dos Assassinos já haviam se retirado.
Só restavam eles ali.
Derrotados, acabados, destroçados.
Os mocinhos, que nunca perdiam as batalhas finais em todos os quadrinhos que Felicity havia lido em toda sua vida nerd, estavam agora na poeira. No chão.
− Me conte o que aconteceu, Felicity. – Oliver pediu. Ela sabia que havia outras preocupações que circundavam a mente de Oliver além de Sara. Ela sabia. Mas naquele momento, ela só conseguia se concentrar no único pedido que seu canário havia feito.
E como seu coração doía de se lembrar que ela era a causa de Sara não ter reagido. De ter decidido partir tão pacificamente assim.
X
(Ele estava crente da própria vitória. Tão crente de que Sara não faria nada que as deixou sozinhas por algum tempo. Felicity não conseguia se conformar. Sentada nas docas ao lado de Sara, tudo o que ela queria era fazer com que a Canário desistisse daquele acordo e quebrasse aquele sorriso do rosto daquele homem decrépito e sem escrúpulos.
− Sei o que está pensando. — ela disse antes mesmo que Felicity se manifestasse.
− Então desista dessa ideia maluca, Sara. – implorou. – Desista e vamos fugir. Oliver nos ajudará. Sei que você não se lembra, mas ele sempre resolve tudo, ele sempre...
O indicador dela repousou sobre seus lábios. O toque foi tão gentil e o sorriso que Sara abriu, tão sincero, que Felicity queria apenas se jogar nos braços dela e esquecer que tinham sido raptadas por um bando de assassinos super treinados da Liga.
− Não posso. — Ela suspirou. — Não posso arriscar que você seja pega nesse fogo cruzado quando ele claramente veio atrás de mim. Posso não me lembrar, mas sei que você é importante. Sei que é.
Aquelas palavras flutuaram na mente de Felicity como balões indo na direção do céu.
− Confio em você, Felicity. – O sorriso confiante permanecia no rosto de Sara. – Confio que achará um jeito de me ajudar.
− Você não pode se entregar, Sara... – Felicity segurou seus ombros ao dizer isso. Queria beijá-la, mas resistiu ao impulso que fazia o sangue ferver dentro de suas veias. – Não volte para a escuridão, não permita que ele te transforme em uma máquina de matar novamente. Não se permita...
Sara estendeu a mão para o rosto de Felicity e limpou suas lágrimas.
− Se eu voltar para a escuridão – suas mãos seguravam o rosto de Felicity tão gentilmente que ela se sentia feita de vidro naquele momento. Talvez fosse. E talvez o toque de Sara fosse tão quente que seria capaz de derrete-la – tenho certeza de que você me resgatará de lá novamente.
Os lábios dela tocaram sua testa. Queimaram como brasa. Congelaram como o Ártico.
Sara estava confiando sua vida a ela mesmo sem se lembrar de quem Felicity era)
X
− Aquele homem é o braço direito de Ra’s Al Ghul. – ela relatou após contar tudo o que havia acontecido. – Ele pretende se casar com Nyssa para tomar o império de Ra’s. Pelo que pude compreender, o líder da Liga está com uma doença incurável, mas não entendi muito bem o que é. A única coisa que eu sei é que ele pretende se casar com Nyssa.
“Quando o casamento for consumado, Sara ficará incumbida de assassinar Nyssa. É por isso que ele insistiu em seu retorno, Oliver. Er-Notur esperará até que Ra’s Al Ghul esteja tão doente que não consiga reagir a isso. E quando Nyssa for assassinada... não haverá ninguém que o impeça de conquistar o império que sempre sonhou em ter, mas que para ele era inalcançável até então.”
Oliver ouviu, em silêncio, o relato de Felicity sobre os planos de Er-Notur. Em algum momento, apesar de se sentir egoísta por isso, ele esperava que o sequestro de sua irmã se encaixasse. Mas aparentemente não havia nada sobre isso. Ele mordeu o polegar, pensativo a respeito.
− E Thea?
Pelo olhar que Oliver lhe lançou e pelo curvar de ombros, Felicity já sabia que ele não a havia encontrado. Ela suspirou e Oliver não ofereceu resistência quando ela o abraçou.
− Vamos encontrá-la, Oliver. – disse. – E daremos um jeito de salvar Sara também.
Oliver queria acreditar que Felicity estava certa. Mas cada vez mais ficava difícil ter esperanças de que as coisas melhorariam.
X
Sua cabeça latejava e embora Roy Harper fosse para a terceira noite sem dormir, continuava em busca da namorada perdida enquanto fazia as rondas.
Oliver havia garantido que a encontraria.
Mas Oliver já havia garantido muitas coisas e no momento, Roy não sentia que podia confiar em ninguém.
Nem nele mesmo. Afinal, quantos energéticos já havia tomado apenas para ficar acordado? Quantas doses?
Um rapaz dos Glades com quem Roy costumava andar junto antes de se juntar ao time Arqueiro, disse que tinha algo que o manteria ligado sem que tivesse que se preocupar com a perda de produtividade. Era uma pílula. Uma única pílula.
“Ela ajuda a aliviar o estresse e vai te manter ligado, cara.”
Quando Roy perguntou se era algo como ecstasy ou heroína, o rapaz se negou.
“Vai por mim. O bagulho é dos bons.”
Sem nenhuma opção, Roy havia cedido à tentação porque precisava encontrar Thea, precisava ser um suporte para Sin naquele momento difícil e ainda fazer as rondas que ninguém mais vinha fazendo com todos os problemas que tinham surgido ao mesmo tempo.
E seu amigo tinha mesmo razão. Roy se sentia mais leve, até mesmo mais disposto. Quase como se tivesse tomado o soro do Mirakuru novamente, mas sem os efeitos colaterais.
Exceto que agora o efeito daquela droga começava a passar.
Ele precisava de mais. Precisava de energia para ajudar Sin, para seguir em frente, para encontrar...
− Thea? – Seus olhos só podiam estar traindo ele. Depois de tanto tempo sem dormir, aquilo só podia ser uma alucinação.
− Oi, Roy. – ela respondeu com o sorriso torto que ele se lembrava. Bem, segura, saudável. Mais lúcida do que ele a havia visto nos últimos meses. – Precisamos conversar.
E com as palavras mais assustadoras também.
X
Sara tinha certeza que havia uma explicação absolutamente plausível pela qual entrar em navios a apavorava. Mas enquanto sentia o balançar das ondas, ela só conseguia se manter encolhida no canto do quarto onde havia sido alocada, com a cabeça entre os joelhos e desejando desesperadamente que aquela viagem terminasse logo.
Às vezes, imagens de uma noite tempestuosa iam e vinham em sua mente. Seu coração se apertava de desespero e a garganta secava. Quanto tempo fazia desde que haviam partido de Starling?
Ela não sabia dizer, mas parecia que horas intermináveis tinham se passado até que finalmente pegou no sono.
(Estava festejando. Havia uma alegria que a permeava, que Sara não sabia explicar, mas talvez estivesse drogada.
− E se ela descobrir, Ollie?
− Ela não vai.
Os risos se tornaram mais histéricos. O tal Ollie, que Sara identificou como o amigo de Felicity, a enlaçou pela cintura e a beijou, levando-a para dentro de um navio.
O mesmo navio que, ainda naquele sonho, afundaria e a deixaria à deriva no mar)
− Sara! Sara!
Quando Nyssa entrou no quarto, ela estava gritando, os braços estendidos como se tentassem agarrar algo. – Abra.. os olhos.
A voz saiu engasgada e quando Sara abriu os olhos, apertava o pescoço de Nyssa com tanta força que ele poderia se partir entre seus dedos como um graveto.
Ela respirou fundo e largou Nyssa.
Estava segura. Estava na cabine do navio. Agachada, no chão. Mas não havia água em canto algum.
− Sinto muito. – murmurou baixo.
Nyssa respirou fundo, mais para recobrar o ar do que como forma de compreensão. As marcas das mãos de Sara ficariam em seu pescoço por algum tempo, mas desta vez distantes de serem uma boa lembrança.
− Vim avisar que chegamos. Você está bem? – Nyssa afastou uma mecha do cabelo de Sara para trás da orelha. A Canário acenou positivamente com a cabeça e, embora Nyssa não tivesse se convencido, apenas acenou de volta. – Vamos. Você terá que se reapresentar diante do meu pai. Quem sabe ele não se demonstre misericordioso e te deixe partir?
Mas Sara, que não se lembrava do pai de Nyssa, acreditava tão pouco nessa convicção quanto a própria filha do demônio.
X
− O que você está fazendo aqui? Como me encontrou? Como você está... – Todos os questionamentos de Roy foram calados por um beijo vindo de Thea. Ele não esperava, mas depois de tanto tempo vendo-a definhar dentro daquele manicômio, não podia dizer que não a desejava como da primeira vez em que a havia visto. Então ele a beijou.
Não havia como esquecer-se como Thea Queen era maravilhosa, como seu sorriso era lindo e como seu beijo era cheio de paixão. Talvez todos os apaixonados se sentissem assim, mas enquanto Roy sentia o próprio coração bater por ela a cada fôlego, a cada respiração, ele tinha certeza de que ela era única. Seus braços fortes se fecharam em torno da cintura dela, suspendendo-a suavemente e aprofundando o beijo até que tudo ao redor fosse consumido e restasse apenas os dois. Havia tantas coisas que queria dizer, tantas perguntas que queria fazer... e no entanto quando ele se afastou, ao detectar seu olhar, ele soube que não teria a metade das respostas que desejava e que, de alguma forma, seu coração terminaria em estilhaços.
− Eu estou indo embora, Roy. – as palavras eram como um veredicto final. Ela não o estava consultando perguntando se poderia ir. Ela simplesmente o estava comunicando.
− Mas como? Para onde? – ele questionou.
− Existe alguém... uma pessoa que pode me ajudar. – ela respondeu. – Não posso dizer mais do que isso, Roy, por favor não me peça. Essa cidade está consumindo a minha sanidade aos poucos. Eu não consigo olhar para nenhum lugar sem me lembrar da minha mãe sangrando na minha frente até a morte. Eu preciso... preciso de novos ares. Preciso sair daqui por um tempo.
Por um tempo, ao menos, não significava definitivo.
− Me deixe pegar algumas roupas, vou com você. – Com o mundo desabando ao redor, com tudo dando errado. Roy não se importava. Não a abandonaria.
Mas, embora Thea desejasse que o namorado estivesse ao seu lado, sabia que ele jamais apoiaria a sua decisão de estar com Malcolm Merlin quando soubesse que ele estava vivo. Seu pai. Essas palavras ainda soavam estranhas nos ouvidos de Thea. Para ela, Malcolm jamais seria seu pai. Mas era uma rota de fuga para longe daquele lugar que acabaria matando ela. Além disso, ela sabia que parte de Roy agora era ser Arsenal. E naquele momento, mais do que nunca, a cidade precisava dele. Por isso, foi com pesar que apoiou uma das mãos no peito dele. Desde que havia se tornado um vigilante, havia ficado mais forte. E não apenas fisicamente.
− Eu não vim para pedir que você me acompanhasse, Roy. – Os olhos claros de Thea se fixaram nos dele. Havia dor ali, ela enxergava. Mas ao mesmo tempo, havia algo mais. – Sua vida é aqui.
− A sua também! – Ele explodiu. – Como pode, Thea? Como pode pensar em ir para algum lugar e me deixar pra trás? Estive ao seu lado todos esses meses, segurei sua mão, eu...
Sua voz foi morrendo conforme ela se afastava. Havia um peso enorme, Roy percebeu, sobre os ombros daquela garota.
− Eu não estou dizendo que não vou voltar. – disse por fim. – Também não posso te pedir para me esperar, porque não sei quanto tempo vou demorar. Mas sei que se continuar aqui, vou ser apenas um fardo. – Roy fez menção de falar, mas Thea ergueu a mão em sinal que ainda não havia concluído. – Vou acabar me matando, Roy, ou me entregando à loucura. Preciso fazer isso. Peço perdão se você não for capaz de compreender. Peço perdão por ter que te fazer sofrer assim, mas preciso ir.
O que mais doía em Roy era saber que ela tinha razão. Que aquela cidade a estava matando. Um estigma, uma maldição.
− Você promete? – ele perguntou. A dor dele era tão visível que Thea desejou abraça-lo. Mas sabia que se fizesse isso, talvez não tivesse coragem de partir. – Promete que vai voltar se eu esperar por você?
Ela acenou positivamente com a cabeça.
− Eu prometo. – Thea arqueou as sobrancelhas ao vê-lo estender o mindinho. – Sério?
Quando ele não abaixou a mão, Thea deu um passo em sua direção e uniu o mindinho ao dele.
− Se você não voltar, vai ter que engolir mil agulhas. – murmurou com a voz rouca e aquele sorriso pelo qual Thea havia se apaixonado completamente.
− Então terei que voltar. – Contra tudo o que desejava evitar, enlaçou o pescoço de Roy e o beijou uma última vez. Quando se afastou, com lágrimas nos olhos, virou-se de costas. – Diga ao Ollie que eu estou bem. Vou ficar bem. Mas preciso que ele pare de me procurar. Preciso desse tempo para mim.
− Não posso prometer que conseguirei pará-lo, mas farei o possível para transmitir o recado.
− Roy? – Thea virou-se na direção dele uma última vez, uma das mãos repousadas sobre o peito. – Vou voltar consertada. Não serei mais um fardo.
− Você nunca foi, Thea. Não para mim, não para o seu irmão. Eu amo você.
Ela abriu um sorriso fraco.
− Voltarei digna desse amor. Digna de ser capaz de dizer essas mesmas palavras para você.
Ela correu sem olhar para trás e, pela primeira vez depois de tantos dias de sofrimento, Roy se permitiu chorar por si mesmo.
X
Com a cabeça a mil, tudo o que Oliver desejava era encontrar sua irmã e, junto disso, uma solução que lhe permitisse trazer Sara de volta. O problema é que, em sua cabeça, não existia nenhuma solução que pudesse resolver nenhum desses problemas.
Ele havia retornado com Felicity para o QG, onde John os encontrou depois de algum tempo. Sendo pai há pouco tempo, as preocupações dele para com a cidade haviam aumentado drasticamente, mas entre trocar fraldas e noites insones, ele nunca havia deixado para trás a vida que assumira ao lado de Oliver quando decidiu ajudá-lo.
Oliver nunca o havia agradecido por isso, mas achou que nunca havia agradecido ninguém.
− Os celulares devem ter sido descartados no oceano. – anunciou Felicity. Ela não tinha esperanças de conseguir a localização de Nanda Parbat daquela maneira, mas achou que valia a pena tentar.
− E quanto à Thea? – Oliver indagou, mas antes que Felicity pudesse responder, ouviram alguém descendo pelas escadas.
− Roy! – Felicity deu um gritinho correndo na direção do garoto e se jogou em seus braços sem se importar com o que John e Oliver podiam pensar disso. – Tentei falar com você mais cedo, mas não consegui.
Ele acenou com a cabeça, o olhar um pouco vazio. Felicity conhecia aquele olhar. O olhar de um coração partido.
− Está tudo bem? – a pergunta escapou dos lábios da hacker antes que ela pudesse contê-la.
− Acho melhor vocês se sentarem. – anunciou ele. – Precisamos conversar.
X
Felicity nunca imaginou que pudessem haver tantas matizes de cor para o azul, mas enquanto observava Oliver conforme Roy passava seu curto relato a respeito do encontro com Thea, notou como os olhos dele, tão rápidos e precisos mudavam de cor. Era como observar um predador que encarava a sua presa ponto para pular sobre o pescoço dela quando estivesse descuidada.
E foi mais ou menos assim que Roy acabou imprensado contra uma das pilastras.
− Você esteve com minha irmã doente e deixou ela ir embora?! – o grito de Oliver ecoou abaixo do Verdant. Ele não conseguia compreender o que se passava pela cabeça de Roy para ter cedido ao desejo de Thea.
− Você não a viu, Oliver! – ele berrou em resposta, embora não tivesse feito nada para se soltar. Felicity desconfiava que ele não conseguiria. – Estava lúcida! Pela primeira vez em meses! EU SEI O QUE ELA PASSOU! EU SEI PORQUE ESTIVE LÁ TODOS OS DIAS! MAS ONDE VOCÊ ESTAVA, OLIVER?! ONDE VOCÊ ESTAVA?!
O peito dele subia e descia com a raiva. As palavras lançadas em um momento impensado atingiram Oliver com a força de um soco na boca do estômago. Foi John quem se aproximou para separá-los.
− Não adianta você descontar as suas frustrações nele, Oliver. – ele suspirou. – Ela disse para onde ia, Roy?
− Para longe, foi tudo o que disse. – ele respondeu. – Disse que tinha alguém que a ajudaria, que era alguém de confiança. Ela pediu para que você não a seguisse, Oliver. Que a deixasse se recuperar. Essa cidade amaldiçoada a estava matando.
Oliver rosnou querendo fundir o rosto de Roy com a pilastra, mas se afastou com os punhos cerrados.
− Tente rastrear o celular dela, Felicity.
− Era o que eu estava prestes a dizer. – Ela ajeitou os óculos sobre a ponte do nariz e encarou Oliver. – O celular de Thea deve estar desligado ou ela se livrou dele também. Eu não acredito que ela queira ser encontrada agora, Oliver. Talvez Roy esteja certo e ela só precise de um tempo.
− Você daria um tempo a Sara se ela pedisse?!
Oliver se arrependeu imediatamente das palavras que havia pronunciado ao ver o olhar magoado de Felicity.
− Se tudo o que ela quisesse fosse um tempo para se recuperar de qualquer choque que ela tivesse sofrido, eu daria. – ela respondeu, as pernas trêmulas enquanto o encarava. – Mas parece que nunca saberemos, não é? Já que ela acabará morta naquela ilha.
− Felicity! – ele a chamou enquanto o barulho de seus saltos ecoavam na direção da saída. – Felicity!
− Eu vou atrás dela. – Roy olhou de soslaio na direção de Oliver. Havia uma fúria contida em seu olhar quando o deixou para trás com Diggle.
− Mas que droga! – Ele espalhou papéis e flechas pelo chão, socando com força a bancada enquanto imaginava o rosto de Roy ali. – Ele estava com ela, John! Estava com ela e a deixou partir! E agora... o que eu fiz?
Levando as mãos à cabeça, Oliver deslizou até o chão. O olhar magoado de Felicity ficaria tão marcado em seu coração quanto as mortes que havia causado.
− Não adianta você querer carregar os problemas de todos nas costas, Oliver. – John suspirou e se sentou ao seu lado. – Confie na sua irmã. Dê um tempo a ela. Temos que lutar contra o tempo parar encontrar Sara. E se você ainda quiser ir atrás de Thea depois disso, nós iremos. Eu pedirei para Lyla ficar de olho nos satélites da ARGUS. Se qualquer rastro dela aparecer, seremos informados.
Ele acenou com a cabeça. Queria agradecer a John por tudo o que ele fazia e pelo que ainda faria, mas as palavras travaram em sua garganta. Naquele momento não se sentia digno de nada. Nem de ninguém.
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Se Oliver tivesse enfiado uma faca entre suas omoplatas, Felicity tinha certeza de que não doeria tanto quanto aquelas palavras. Ela sabia porque já havia levado um tiro, então imaginava que a dor de uma facada não deveria ser tão pior. Mas não importava o tipo de dor, nada seria pior do que aquelas palavras, do que o jeito como ele havia falado, exatamente para machucá-la.
Do lado de fora do Verdant, ela respirou fundo e pensou em ir para o próprio carro, mas não sabia para onde iria. Provavelmente deveria ir para o trabalho – seu verdadeiro trabalho –, mas havia pedido que o Sr. Palmer a liberasse por razões de doença contagiosa. Não faria sentido algum aparecer para trabalhar agora. E ela nem sabia se tinha cabeça para isso agora.
− Oliver foi um babaca lá dentro.
Felicity se sobressaltou ao ouvir a voz de Roy, mas virou-se na direção do rapaz. Ele estava com uma aparência péssima. Por baixo do moletom vermelho que usava desde que Felicity o conhecia, ele parecia dez anos mais velho do que era.
− Mas você mostrou a ele. – Felicity forçou um sorriso, mas pela expressão solidária de Roy não parecia ter sido muito sucessiva.
− Ela estava lúcida, Felicity. Como não a via há meses. – ele disse. – Como poderia negar um pedido dela assim?
Ela conseguia compreender o que ele queria dizer. Havia visitado Thea apenas duas vezes, mas nas duas ela tinha tido surtos horríveis de loucura. Ela imaginava que se ela parecia tão lúcida assim, Roy devia mesmo deixa-la partir.
− Você não poderia aprisiona-la nem se quisesse. Isso apenas acabaria matando ela. – Felicity disse.
“Como um passarinho preso dentro de uma gaiola. Como Sara naquela ilha”, pensou. E de repente deu-se conta de que talvez realmente não conseguisse encontrá-la ou ajuda-la. Que mesmo que conseguisse a localização da ilha, isso não garantiria que conseguiria tirá-la de lá com vida.
− Ela sabe se cuidar, Felicity. – Roy disse como se lesse seus pensamentos e envolveu os ombros da hacker com um dos braços.
− Ela sequer se lembra de quem é. – murmurou em meio às lágrimas. Malditas lágrimas teimosas que não conseguia mais controlar.
− Mas continua sendo a nossa Sara. A nossa Canário.
Quando Roy falava assim, Felicity não conseguia ocultar o orgulho que sentia em tê-lo ao seu lado, em tê-lo como parte do time. Ela o abraçou.
− Vou te ajudar. – prometeu ele. – Vou fazer o que puder para tirar ela de lá. E depois você me ajuda também.
− Vou começar te ajudando pagando um belo café da manhã para você. – Felicity abriu um sorriso suave e acotovelou levemente as costelas de Roy.
− Posso aceitar isso.
Abraçados, os dois seguiram na direção do carro de Felicity. Duas pessoas quebradas se sustentando como se fossem muletas um para o outro.
X
Laurel não tinha tido nenhuma notícia de Sara desde que havia entrado naquele bar e desde que havia saído dele.
Completamente sóbria.
Eric havia escutado o relato dela em completo silêncio, apenas acenando algumas vezes com a cabeça e fazendo uma expressão de espanto ao ouvir de Laurel que a irmã havia ficado com seu ex-namorado.
Águas passadas, ela havia dito. E Eric a considerou uma pessoa muito melhor do que ele jamais seria.
Sem muitas opções de para onde ir, ela foi se encontrar com o pai após receber uma mensagem dele. Nesse encontro, Quentin havia relatado o que realmente havia acontecido com Sara. Que ela estava desaparecida e que Oliver havia prometido encontrá-la. Então restava a Laurel ir atrás do ex-namorado para descobrir o que ele estava fazendo sobre isso. Mas sempre que ligava, ele não atendia. Até aquela última vez.
− Ollie?
− Laurel? Onde você está?
− Estava procurando por você. Acabei de falar com meu pai e ele explicou a situação.
Silêncio. Laurel podia ouvir o som pesado da respiração de Oliver do outro lado da linha e sua mente trabalhando.
− Eu não consegui impedi-la de partir com Nyssa, Laurel. Sinto muito.
Algo dentro de seu peito pareceu ter adquirido o tamanho de uma ervilha.
− Meu pai disse que você encontraria um jeito. Disse que você a salvaria. – Havia dor na voz dela, Oliver podia sentir. E não era o tipo de dor que se curaria facilmente. – Por que a deixou partir?
Era a mesma pergunta que ele havia feito para Roy, exceto que Sara havia partido para salvar a vida de Felicity. Thea havia partido para salvar sua própria sanidade.
− Não acho que ela tenha tido muita escolha. — ele respondeu. – Eu não desisti dela, Laurel. Vou dar um jeito. Vou atrás dela.
Laurel engoliu em seco, querendo acreditar nas palavras de Oliver. Querendo acreditar que ele traria sua irmã de volta. Mas quantas vezes ele havia prometido algo para ela e tinha falhado? Quantas vezes a havia deixado na mão?
− Laurel? Você ainda está aí?
− Não se preocupe comigo, Ollie. Não posso esperar que você a encontre. Não posso esperar mais.
Ela desligou o telefone e, com passos determinados, voltou na direção do apartamento do pai. Se Oliver não a ajudaria, ela pediria ajuda a única pessoa que sabia que faria qualquer coisa por Sara. Tanto quanto ela.
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Oliver praguejou quando Laurel desligou o telefone. Ele não conseguia pensar em muitas soluções que poderiam salvar Sara do destino ao qual ela havia se amarrado, exceto por uma única. Mas ele devia mais à família Lance do que a qualquer outra pessoa. E se ele salvasse Sara, também faria com que Felicity fosse feliz. Ele respirou fundo e cerrou os punhos com força.
− John, você acha que pode pedir para Felicity e Roy virem até aqui mais tarde? Diga que eu tenho um plano. – Oliver agarrou a jaqueta e vestiu-a.
− Que plano é esse, Oliver? – ele questionou.
− Apenas diga isso. Preciso resolver uma coisa com Laurel antes de falar com eles.
John não gostou do olhar que viu em Oliver quando ele saiu de lá. Parecia que cada vez mais as coisas caminhavam para um triste fim.
X
Sozinha em seu apartamento, Felicity se pegou pensando em todos os momentos que havia passado com Sara ali. Parecia que fazia anos desde que a primeira vez delas, dentro do QG, havia acontecido. E tudo desde então havia sido um vórtice de loucura.
Felicity nunca havia se jogado de cabeça em um relacionamento daquele jeito, sobretudo um relacionamento onde ambas as partes tinham concordado estritamente que não se envolveriam emocionalmente, sobretudo com uma mulher.
Entretanto, naquele momento, Felicity não imaginava sua vida sem Sara. Ela já tinha se acostumado ao calor dos braços da outra loira, com sua respiração tranquila nas noites em que não era despertada por seus terríveis pesadelos.
Ultimamente, eles andavam menos constantes e Felicity sentia uma ponta de esperança que isso se devesse ao fato de Sara se sentir tranquila ao seu lado.
Como era possível que do dia para a noite, tudo tivesse desmoronado daquela forma?
Ela respirou fundo, abrindo o notebook e entrando na deep web. Fazia muito tempo desde que havia logado na rede com o antigo apelido, mas se queria encontrar informações de lugares impossíveis, era lá que deveria estar. Ghost Fox Goddess. No passado esse nome havia feito muitas pessoas estremecerem. Mas depois do último ataque que Felicity havia realizado como ativista, ela tinha se desligado completamente dele e de seu antigo visual.
No entanto, era preciso tomar medidas drásticas para situações drásticas.
Enquanto pesquisava a respeito de Nanda Parbat e a Liga, uma mensagem saltou em sua tela.
Calculator:
Tenho as informações que você precisa. É um lugar perigoso para uma pequena raposa.
Ghost Fox Goddess:
Não sou qualquer raposa. O que quer em troca?
Calculator:
Te darei a localização de Nanda Parbat. Em troca, quero uma reunião.
Ela arqueou as sobrancelhas. Por que alguém que usava o nickname de Calculator iria querer uma reunião com ela?
Ghost Fox Goddess:
Posso saber o motivo?
Calculator:
Porque você esteve me procurando por todo esse tempo e agora me encontrou. Te passarei as informações que precisa. Em troca, venha me encontrar.
Foi como se todo o sangue em circulação no corpo de Felicity tivesse se transformado em gelo.
Você esteve me procurando.
Só havia uma pessoa que ela havia procurado por tanto tempo dentro da Deep Web.
Ghost Fox Goddess:
Pai?
Ela quase pôde sentir o sorriso dele ao ver as coordenadas geográficas que a levariam para Nanda Parbat.
Calculator:
Estarei esperando o seu contato para nos encontrarmos. Fique viva, Felicity.
Ela não sabia o que dizer quando viu o contato dele ficando off-line. Mas naquele momento, tinha coisas muito mais importantes para pensar.
X
Oliver chegou à casa de Quentin minutos depois de ter falado com Laurel. O carro dela estava parado na fachada, o que significava que ela ainda deveria estar ali. Sem perder tempo, estacionou a moto ao lado e foi ao encontro do apartamento de Quentin.
Assim que chegou ao andar certo, respirou fundo e bateu com os nós dos dedos na porta. Demorou um pouco até que o policial abriu a porta, as sobrancelhas arqueadas de surpresa ao recebe-lo ali em sua casa.
− Não sabia que você sabia como usar a porta.
Ele deu um sorriso amarelo diante da piada e quando Quentin lhe deu passagem, pediu licença e adentrou o pequeno e familiar apartamento. Laurel estava sentada na sala e sua expressão passou de preocupada a neutra quando o viu.
− Laurel, me escute. – ele pediu, aproximando-se e agachou diante dela.
− Você não precisava ter se dado ao trabalho de vir até aqui para me dizer que não vai conseguir ir atrás dela, Ollie. – ela rebateu com o olhar ferido. – Eu já perdi Sara uma vez naquele navio. Eu não a perderei outra vez. Moverei céus e terras se for preciso para encontrá-la.
Ele suspirou.
− Vocês sequer saberiam por onde começar. – Oliver encolheu os ombros, sentindo um pouco de culpa. – E mesmo que soubessem onde fica Nanda Parbat, ainda assim teriam que sobreviver e chegarem até onde ela está. Sinto muito, mas a polícia local não é páreo para os assassinos treinados da Liga.
− E o que você propõe? – Quentin questionou. – Que fiquemos aqui sentados esperando que um milagre aconteça?
− Não um milagre. – Ainda agachado, Oliver voltou o olhar para o policial, mas logo focou sua atenção em Laurel. – Eu tenho um plano. Vou trazer Sara de volta. Mas preciso que confie em mim, Laurel. Sei que não dei muitos motivos para que o fizesse, mas acredite em mim quando digo que Sara também é minha família. Não só pelo passado, mas pelo presente também. – Oliver segurou as mãos de Laurel entre as suas. – Eu farei qualquer coisa que estiver ao meu alcance para trazê-la de volta.
Laurel suspirou. Estava tão cansada. Tão cansada das decepções trazidas por confiar cegamente em alguém.
− Qual é o seu plano?
X
− Você não precisava ter vindo até aqui, Sara. – Nyssa, que caminhava lado a lado com ela no corredor, murmurou. Er-Notur seguia na frente, radiante e confiante.
− Eu precisava. – Ela não olhava na direção de Nyssa. Não se via capaz de cumprir aquilo que Er-Notur havia planejado para depois do casamento. – Igualmente, você não precisava ter aceitado a proposta dele.
− Eu precisava.
As duas sorriram, trocando olhares cúmplices. Sara poderia não se lembrar de Nyssa, mas isso não significava que poderia simplesmente assassiná-la a sangue frio.
− Tenho certeza de que ele te trouxe para ter certeza de que honrarei a minha parte do acordo, mas farei o possível para tirá-la daqui.
As portas duplas que davam acesso para a sala do trono onde também habitava o poço de Lázaro foram abertas pelos servos de Er-Notur que se curvaram para que eles passassem. Nyssa avistou seu pai imerso nas águas do poço antes mesmo que suas presenças fossem notadas ou, se foram notadas, ele não fez questão de se virar para recebê-los.
− Meu mestre, retornamos. – Er-Notur ajoelhou-se e curvou o corpo para frente em sinal de respeito.
Crápula. Falso.
− Nyssa... e Ta-er al-Sahfer? – suas sobrancelhas se arquearam e ele se ergueu do poço. Estava vestido, e as roupas molhadas pareciam pesar em seu corpo enfraquecido pela doença.
− Pai, − Nyssa tomou a frente e levou uma das mãos ao peito, o punho fechado em sinal de respeito. – garanto que isso foi apenas um equívoco de Er-Notur. Trazê-la quando o senhor já a havia liberado do juramento.
Os dois trocaram olhares silenciosos, Er-Notur e Ra’s Al Ghul. Por fim, o último se pronunciou:
− Não. O juramento deve ser cumprido por todos. Não podemos nos dar ao luxo de ter outro como Al Sa-her. – ele pronunciou. – Sei que ele está vivo, Nyssa. E que teve algum contato com ele. Quero seu relato de tudo o que ele tenha informado. Precisamos encontrá-lo e eliminá-lo.
Nyssa trincou os dentes, os olhos faiscando de ódio enquanto olhava na direção de Er-Notur.
− Como queira, meu pai. – Nyssa deu um passo para trás.
− Além disso, meu mestre, temos outro comunicado a fazer. – O sorriso vitorioso de Er-Notur dava asco em Sara.
− Estou esperando.
− Eu e sua filha, Nyssa Al Ghul, decidimos que, em prol da Liga dos Assassinos, firmaremos união em matrimônio se assim for seu desejo.
Os olhos escuros como poços de meia noite de Ra’s Al Ghul se fixaram em sua filha.
− Isso é verdade, Nyssa?
Ela engoliu em seco, mas sob os olhares do pai e de Er-Notur, que havia jurado matar Sara caso ela não cooperasse, Nyssa acenou fracamente com a cabeça.
− Se for para o melhor da Liga, meu pai, que assim seja.
− Muito bem. – Ra’s Al Ghul abriu um sorriso torto que foi seguido por um acesso de tosse. Antes que alguém pudesse perguntar se ele estava bem, ele se recompôs. – Comecem a fazer os preparativos. Quero que essa cerimônia ocorra o mais rápido possível. E que um herdeiro para o meu trono seja concebido antes que meu ciclo neste mundo se complete.
O ódio ainda fervia Nyssa por dentro quando escutou as palavras do pai.
− Se for possível, gostaria de me retirar agora com Ta-er al-Sahfer, meu pai. Levarei ela para suas antigas acomodações.
− Como queira. Você fica, Er-Notur.
O homem acenou com a cabeça e Nyssa se retirou na companhia de Sara, as passadas pesadas ecoando por todo o corredor.
− Tem certeza que esse casamento é o melhor para você, Nyssa? – Sara questionou quando as duas chegaram até o quarto que antes pertencia a ela. Nada ali era familiar.
− O melhor para mim, Sara, é você. – ela murmurou, os olhos fixos nela. – Me permita estar com você esta noite. Uma última noite. É tudo o que eu peço.
Os olhos de Sara se arregalaram quando Nyssa a beijou e ficou sem reação, congelada, estática. Como se algo dentro de si estivesse se partindo naquele exato momento.
X
Embora Oliver tivesse marcado a reunião, ele foi o último a chegar no local. Todos estavam tensos, com expressões abatidas e preocupadas. Ao ver isso, ele pensou se não havia arrastado todos eles para sua escuridão na vida que havia escolhido para si. Mas tudo acabaria naquela noite. Ou ao menos algo próximo disso.
− Eu os chamei aqui hoje, porque tenho uma solução que talvez possa salvar Sara do destino que ela precisa cumprir. – Ele fez uma pausa para garantir que todos estavam prestando atenção. – Mas antes de dizer o que preciso dizer, quero me desculpar individualmente com cada um de vocês e agradecer. Agradecer, porque foi algo que eu nunca fiz.
Naquele momento, seus olhos se focaram sobre cada um deles. Sobre a equipe que ele havia montado, que tinham escolhido ficar ao seu lado apesar das adversidades. E ele soube, apesar dos riscos, que faria tudo de novo. Exatamente da mesma maneira.
− Diggle, você foi o melhor segurança que eu já tive em todos os meus anos como um playboy. – Ele não pôde evitar sorrir ao dizer isso. Vendo a expressão de Diggle, seu sorriso apenas aumentou. – Mas mais que isso, você foi um amigo nas adversidades. Foi quem sempre manteve a minha cabeça no lugar e me mostrou que existia uma maneira de eu continuar fazendo o que eu tinha que fazer sem sujar minhas mãos de sangue. Você se tornou o irmão que eu nunca tive. Então por isso, obrigado. E me desculpe por todas as vezes em que falhei com você.
“Roy, você foi o mais chato e persistente aprendiz que eu já tive. Nunca tinha treinado ninguém até então e embora você tenha tido momentos ruins, provou que é a pessoa mais leal e segura que alguém pode ter ao seu lado. Você é forte, Roy, muito mais do que imagina. E você fez Thea uma pessoa melhor. Você é tão forte que tenho certeza de que pode seguir o seu próprio caminho, os seus próprios passos. Obrigado por ter estado do meu lado. Obrigado por seu um parceiro tão firme. E me desculpe se às vezes parece que não acredito em você. É por acreditar demais que eu te cobro tanto.”
− Isso está com uma cara de despedida. Será que podemos parar por aqui? – Felicity deu uma risada nervosa, mas Oliver apenas caminhou em sua direção ficando diante dela.
− E Felicity. – ele começou. – Que vem da felicidade, que foi uma luz no meio da escuridão de cada um de nós, mas principalmente na minha e na de Sara, obrigado por ser essa pessoa atrapalhada que não soube como questionar a marca de uma flecha no notebook que eu levei para você. Obrigado por ter seguido esse caminho obscuro ao meu lado como um farol que me guiou para longe das pedras na direção do porto. Para o porto que você é. Continue sorrindo assim, Felicity. Continue espalhando alegria. E me perdoe por todas as vezes em que eu ignorei os meus sentimentos por você por medo de feri-la. Fico feliz que tenha encontrado alguém melhor. Espero que possa cuidar dela.
Seus dedos roçaram o rosto de Felicity. Ela sentia um nó na garganta.
− Pare com isso, Oliver. – ela pediu.
− Existe uma maneira. – ele disse, antes que mais alguém interrompesse. – Existe uma maneira para que possamos libertar Sara das garras da Liga e para desfazer todas essas injustiças que vem ocorrendo ao decorrer dos anos.
O silêncio que pairava entre eles era gritante. Felicity sentia como se fosse rasga-la ao meio.
− Tenho certeza de que você já encontrou a localização de Nanda Parbat não é, Felicity? – Quando a hacker não negou, Oliver sorriu. – A sua capacidade de observação, todas as maravilhas tecnológicas que você fez... você é como um Oráculo que sempre olhou por cada um de nós. É uma pena que o apelido já esteja em uso. Então, por olhar por todos nós, você é a nossa Observadora, Felicity. É importante que se proteja mesmo que nunca vá a campo.
− Oliver... – John não gostava do rumo daquela conversa.
− Er-Notur quer se casar com Nyssa para conquistar o direito de se tornar o próximo Ra’s Al Ghul. Uma vez Sara me disse que existe uma velha lei na Liga que permite que desafios sejam feitos entre membros. Se o que ele quer é a mão da filha de Ra’s Al Ghul, então eu o desafiarei por ela.
O mundo pareceu congelar naquele momento para todos os presentes na sala, mas foi Felicity, com toda sua graça que falou:
− Você vai se tornar o próximo Sr. Al Ghul?!
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