Wanna Play?
14 Bring me to Life
Notas iniciais
How can you see into my eyes
like open doors
leading you down into my core
where I’ve become so numb?
Without a soul
my spirit’s sleeping somewhere cold
until you find it there and lead it back home
(Como você pode ver através de meus olhos
Como portas abertas
Conduzindo você até meu interior
Onde eu me tornei tão entorpecido
Sem uma alma
Meu espirito dorme em algum lugar frio
até que você o encontre e o leve de volta pra casa)
Bring me to life – Evanescence
X
− Qual é o seu plano?
− Vou até lá. Vou conquistar a mão de Nyssa e libertar Sara daquela prisão.
Para Laurel, nada parecia mais tentador do que aceitar um copo de bebida naquele momento. Ela sentia a garganta seca, travada. Sentia que não fazia sentido algum nada do que Oliver havia lhe dito.
Sacrifícios.
Ele estava disposto a sacrificar sua própria vida em prol de sua irmã. Em deixar de perseguir a própria felicidade para se casar com alguém que talvez não amasse para isso. Uma sensação de vazio se assomava no peito de Laurel, mas ela não sabia o que fazer. Deveria se sentir culpada? Oliver era seu amigo, talvez um dos melhores amigos que tinha, e ela o amava. Isso era imprescindível. Mas Sara era sua irmã, e finalmente estavam reestabelecendo a conexão que possuíam. Com o turbilhão de descobertas entre ela ser a Canário e Oliver ter lhe dito que era o Arqueiro, Laurel achava que ter uma recaída para o álcool seria o menor de seus problemas.
− Então nos encontramos novamente? – a voz rouca de Eric fez com que Laurel olhasse para cima. O copo de vodka continuava cheio diante dela.
− Achei que você trabalhasse no outro turno. – ela resmungou ao que ele apenas devolveu com um sorriso torto.
− Infelizmente para você, − Eric afastou o copo de bebida de Laurel. Ela fez um muxoxo, mas não tentou recuperá-lo. – meu amigo ficou doente e estou cobrindo o turno dele. Agora me conte o que aconteceu.
Laurel não podia contar exatamente o que havia acontecido, mas, sabendo que não poderia suportar aquilo sozinha, relatou a ele o pouco que Eric já sabia: que a irmã continuava desaparecida.
− Ela está com uma pessoa conhecida. – Laurel prosseguiu. – Mas está em uma situação perigosa. Um amigo... ele vai tentar trazer ela de volta. Mas talvez isso custe muito caro para ele.
A culpa a consumia como um verme devorando-a de dentro para fora. Laurel havia dito coisas horríveis para Oliver e ela sabia que, de um jeito ou de outro, ele tentaria resgatar Sara, mas não podia deixar de sentir o peso das próprias palavras sobre ele. Em como o havia culpado por tudo o que ele não havia conseguido fazer.
Talvez, de alguma forma, o fantasma do relacionamento deles que nunca havia dado certo ainda a perseguisse. E ela contou isso a Eric de uma maneira que nunca contaria a mais ninguém.
− Ei, você não pode se culpar por isso, doutora. – Sentado de maneira despojada, ele apoiou os cotovelos sobre o balcão e sorriu. – Se esse cara, que apesar de ter sido um canalha com você no passado, está disposto a se redimir e se importa tanto assim com sua irmã, você não pode se culpar por isso.
− Eu sei, Eric, mas eu disse coisas horríveis a ele.
E palavras não voltam atrás, ela pensou.
− Todos dizemos coisas horríveis quando estamos com raiva ou com medo. – Eric estendeu uma das mãos e afastou uma mecha que cobria o rosto de Laurel para trás da orelha. O contato físico a fez se retesar um pouco, como se tivesse levado um choque. – Sinto muito.
Eric recolheu a mão, tomando o gesto de Laurel como uma ofensa da promotora.
− Não, eu... – Ela se encolheu no banco onde estava sentada, de repente se sentindo pequenina. – Tem razão, Eric. Estou com medo. Estou com medo de perder minha irmã, estou com medo de perder Ollie. Estou com medo de ficar sozinha.
− Você não vai. – ele disse. Laurel encarou seus olhos escuros—azeviche como as asas de um corvo—e prendeu a respiração. – Não vai ficar sozinha.
Ela acreditou nele. Ao menos naquele momento, ela escolheu acreditar.
X
A conversa ainda estava gravada na mente de Felicity. Apesar de todos terem rido quando ela o chamara de Sr. Al Ghul, ela sabia que Roy e John estavam tão preocupados com o destino de Oliver quanto ela própria. Apesar disso, uma pequena ponta da Felicity egoísta sentia alegria transbordar de seu peito por saber que ele resgataria Sara.
Mas ao custo da própria liberdade.
Ela sabia que Sara – sua Sara – jamais aprovaria aquilo. O seu altruísmo e bondade que permeava o seu coração apesar de toda a escuridão pela qual ela havia passado não a permitiriam aceitar um acordo no qual Oliver tivesse que se sacrificar em prol da própria felicidade.
Nem nenhuma outra pessoa que ela amasse verdadeiramente.
Se eu voltar para a escuridão, tenho certeza de que você me resgatará de lá novamente.
Felicity não tinha certeza se conseguiria. Ela não tinha certeza se Sara seria capaz de se recuperar se ela mesma tivesse que assassinar Nyssa. E a possibilidade que mais preocupava Felicity era a de que ela não conseguisse cumprir com sua parte no acordo. A hacker não se preocupava com o fato de que Er-Notur mandaria capangas vestidos de ninja atrás dela, mas sim com o fato de que Sara faria de tudo para impedi-los, e isso significava que sim, que ela poderia matar Nyssa. Ou que morreria tentando impedir que fossem atrás de Felicity. E isso ela não desejava. Nenhuma dessas possibilidades parecia promissora para ela.
Fato é que ela não queria que as coisas terminassem assim para nenhum dos dois. Ela precisava encontrar uma solução onde Oliver e Sara voltassem sãos e salvos para casa.
Além disso, Felicity estava cansada de bancar a princesa que sempre era resgatada no topo da torre. Então decidiu agir.
X
Ainda no QG, Oliver se preparava para sua partida. Ele sabia que aquele era um caminho sem volta, que se tornar o sucessor de Ra’s Al Ghul o faria retornar para a vida da qual ele havia fugido até então. Mas como um membro oficial da Liga dos Assassinos, considerando que ele saísse vitorioso do embate, ele não poderia seguir um código de não assassinar pessoas.
Não.
A única forma de mudar a Liga dos Assassinos era de dentro. E para isso Ra’s Al Ghul precisaria estar morto—o que não era uma possibilidade ruim aos olhos de Oliver.
Terminando os preparativos finais, Oliver terminou de vestir a roupa do Arqueiro e pegou a máscara, o último presente que Cisco havia lhe enviado de Central City.
− Não está se esquecendo de nada? – A voz de Felicity o sobressaltou, tão concentrado estava. A hacker segurava nas mãos uma ponta de flecha trabalhada pelo próprio Oliver quando ainda estava naquela ilha amaldiçoada.
− Para dar sorte? – Oliver questionou com certo humor na voz, mas Felicity não sorriu.
− Não conseguirei dissuadi-lo desta ideia, não é?
Oliver negou com a cabeça.
− Sara fez muito por mim, Felicity, como sei que fez por você. – disse. – Somos amigos há muito tempo. Família. E mesmo que eu não devesse isso a Laurel, Quentin e você, eu devo a ela e a mim mesmo. Sara é... especial. E ela precisa que você cuide dela. – Oliver apertou o ombro de Felicity. Ainda doía em seu coração ter que abrir mão do amor que sentia por ela para deixa-la ser feliz como realmente merecia, mas ele havia aprendido certa vez com uma pessoa sábia que o amor também é sobre renúncia. E ele estava renunciando a Felicity naquele momento.
As lágrimas inundaram os olhos de Felicity, mas ela lutou bravamente contra elas, ou sabia que não conseguiria o que queria. Ela engoliu o choro, como havia feito aos oito anos quando sua avó havia falecido e ela teve que ser forte por sua mãe e respirou fundo.
− Deixe-me ir com você. – ela pediu.
− Felicity, eu—
− Deixe-me ir com você, Oliver. – Felicity insistiu. – Se isso é um desafio como você disse que é, eles não farão nada. Me deixe ir junto. Posso encontrar uma saída, posso encontrar um jeito a partir do momento em que estiver lá. Talvez possamos escapar.
Era a dor, Oliver sentia. A dor de não poder fazer nada. A dor de ter visto Sara partir por ter escolhido salvá-la. E era exatamente por esse motivo que Oliver não poderia – jamais – permitir que ela fosse junto.
− Eu entendo, Felicity. – Ainda com as mãos pousadas sobre os ombros de Felicity, Oliver encostou a testa sobre a dela. – Entendo que queira salvá-la, que queira ser a primeira pessoa a ver Sara. Mas consegue imaginar, em uma situação hipotética onde as coisas deem muito errado e eu não consiga vencer, o que aconteceria a você? Acha mesmo que Ra’s Al Ghul permitiria que você, uma hacker renomada que foi capaz de encontrar a localização de sua ilha, saísse viva de lá?
− Talvez ele me contratasse para prestar serviços para a Liga. Los Ojos
Era impossível manter a seriedade com Felicity por muito tempo e Oliver se pegou gargalhando apesar da situação crítica em que se encontravam.
− Sei que você não vai perder, Oliver. – Felicity disse. – Sei que vai conseguir vencê-lo, mas pretendo conseguir uma terceira opção para nós, onde você não tenha que manchar suas mãos de sangue, onde ninguém termine morrendo e onde possamos retornar os três para Starling em paz. Eu acredito em você. Então, por favor, acredite em mim também.
Oliver pesou todas as consequências daquelas palavras. Ele sabia que era loucura levar Felicity, alguém que se cortava com a faca de cozinha e tinha zero habilidade em lutas, consigo para Nanda Parbat. Mas ele também pesou todas as vezes em que Felicity havia confiado cegamente nele, em que havia sido seu suporte e em como ela havia sido uma luz na escuridão que reinava sobre a pessoa que ele havia se tornado.
− Tudo bem. Mas com uma condição.
E talvez, pensou Oliver, apenas talvez, ela possa trazer um pouco de luz para aquele lugar e nos tirar em segurança de lá.
Era uma utopia. Mas Oliver preferia acreditar na doce mentira de Felicity do que na verdade sangrenta que estava prestes a enfrentar.
X
Sara havia passado a noite com Nyssa e um choque de emoções a havia transformado em estilhaços. Aquele primeiro beijo, a forma como ela a tocava e a familiaridade de suas reações a fizeram crer que aquilo já havia acontecido mais vezes do que ela poderia computar em sua mente.
Mas também a fizeram compreender que havia algo de muito errado no que estava acontecendo.
X
(Quando Nyssa a beijou daquela forma e suas mãos começaram a correr pelo corpo de Sara desesperadamente, ela sabia que havia algo de errado. Seu corpo reagia a cada estímulo, a cada toque. E quando Nyssa abriu sua blusa e a deitou na cama, tomando um de seus seios fartos com uma mão enquanto sua boca se ocupava em chupar o outro delicadamente, ela teve certeza.
Apesar das reações familiares, do prazer que ela sabia que Nyssa lhe proporcionaria, ela simplesmente não era capaz.
Ela não podia.
Porque quando fechava os olhos, não era o rosto de Nyssa que ela enxergava.
Era o de Felicity.
A pessoa por quem ela havia decidido partir para Nanda Parbat.
Seu coração acelerado batia descompassado. A respiração irregular fazia seu peito subir e descer como o de um passarinho assustado e preso nas garras de seu predador.
Mas Nyssa não era um predador e embora Sara soubesse que iria partir seu coração, a afastou.
− E-eu não posso, Nyssa. – ela murmurou. – Sei de tudo que está disposta a fazer por mim. Sei que me ama, posso ver isso. Mas eu não posso.
A morena se afastou apenas o suficiente para encará-la, apoiada nos próprios cotovelos. A dor de ouvir aquelas palavras era dilacerante e por um momento, a ira da filha do demônio a dominou e Nyssa desejou ter Sara a força.
Ela chegou a segurar seus pulsos firmemente e Sara não ofereceu resistência. Seus olhos claros como espelhos d’água apenas encaravam o abismo escuro que era o olhar de Nyssa.
− Sei que o que tivemos foi especial. – Sara prosseguiu. – Não sou capaz de me lembrar, mas o meu corpo lembra. – confessou, e colocou a mão de Nyssa sobre o próprio peito. Seu coração ainda estava acelerado. – Mas não pertence a você. Não mais.
Aquelas palavras doíam mais do que faca rasgando a pele e penetrando o tecido ósseo.
− Você se lembrou? – Havia uma dor inominável nas palavras de Nyssa. E seu olhar não era o olhar de alguém que portava o título de sucessora de Ra’s Al Ghul. Sara se sentia péssima por estar destruindo-a daquela maneira.
− Em partes. – disse. – Não consigo me lembrar de tudo. Há... um espaço branco em minha mente. Mas eu sei... eu sinto que Felicity é a pessoa certa para mim. Sinto que é ela, Nyssa. E sinto muito.
O fato de ela sentir muito, talvez, fosse a pior das dores. Nyssa não queria sua pena. E se não podia tê-la por inteiro, que não tivesse nada. Engolindo o próprio orgulho e sentindo as lágrimas queimarem em seus olhos, estava prestes a se levantar e ir embora quando Sara a puxou para perto e a abraçou.
Não havia nada de pena naquele abraço, muito pelo contrário. Nyssa sentiu um conforto que só havia tido nos braços de sua mãe e nos braços da própria Sara. Mas agora era diferente. Aquele abraço significava algo diferente.
− Sei que você esteve em uma escuridão horrível por muito tempo. – Sara murmurou em seu ouvido. – Sei que esteve perdida e assustada e que talvez eu tenha sido a única coisa boa em sua vida como você me disse antes, mas agora não é mais assim, é? Você se prendeu a uma imagem que tem de mim que talvez não exista mais, porque nem mesmo eu sei quem eu sou. Mas você sabe, Nyssa. Você sabe quem você é e isso não se limita ao que você é aqui na Liga dos Assassinos. Eu te vejo. – Sara segurou seu rosto com ambas as mãos a encarando profundamente.
− E o que você vê? – A pergunta escapou de seus lábios temerosa.
− Eu vejo você, a pessoa mais corajosa do mundo, abrir mão de tudo para salvar a única pessoa que realmente amou um dia para se embrenhar em um casamento onde sabe que não será feliz. Vejo uma pessoa maravilhosa que pode ganhar o mundo, que pode ter o que quiser, que está presa a grilhões de ferro em algo que talvez não deseje ser. Vejo alguém que é muito mais do que tudo isso, Nyssa. Eu te vejo.
O impacto daquelas palavras a atingiu com a profundidade de um oceano. Foi como se algo dentro de Nyssa tivesse se rompido. Como se uma represa de emoções reprimidas tivesse se libertado. E ela pensou em todas as lágrimas que haviam secado no âmago de seu ser como um deserto. Ela pensou em todas as suas tristezas e frustrações e em como ninguém nunca havia lhe dito nada assim. Em como ninguém nunca havia lhe dito nada de bom.
E pela primeira vez em sua vida, Nyssa Al Ghul chorou.
Chorou até adormecer nos braços da única pessoa que havia amado e se permitiu, ao menos naquele momento, estar livre. Livre da obrigação e do peso de ser quem era. De ser a filha de R’as Al Ghul)
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Agora com Nyssa adormecida ao seu lado, Sara só conseguia pensar no rosto entristecido de Felicity no momento em que havia decidido partir. Um aperto se instalava em seu peito e cada batida de seu coração era dolorosa, como se ele clamasse estar perto da hacker que havia se arriscado apenas para procurá-la, tão distante de sua zona de conforto.
Sara sabia que o que sentia por ela era especial, fosse lá o que fosse.
Ela sabia que não importava o que tivesse acontecido para que sua memória tivesse desaparecido, o que ela sentia por Felicity era forte. E ela lutaria por aquele sentimento. Com todas as suas forças.
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− Você está distante. Está arrependida da decisão que tomou?
Com o rosto apoiado sobre o vidro frio da janela do carro, Thea observava a paisagem passar por ela sem realmente observar. Depois de horas em silêncio e tentativas falhas de Malcolm em estabelecer um diálogo com a filha, lá estava ele tentando novamente. Sinceramente, Thea não sabia o que pensar dele. Ou o que esperar dele. Mas era a primeira vez em meses após a morte de sua mãe que realmente se sentia sã.
− Não da decisão em si. – respondeu com um suspiro. Não era a decisão que a incomodava, tampouco o fato de estar fugindo de uma cidade que a consumia aos poucos.
− Então? – Malcolm a olhou de canto de olho, mantendo sua atenção focada na estrada. À essa altura, ele imaginava que algum informante de Er-Notur tivesse avisado à Ra’s Al Ghul sobre o fato de que ele ainda estava vivo. Isso significava que eles deveriam se esconder até que ele pudesse ensinar Thea como se defender. Algo que seu irmão, como o Arqueiro, havia falhado miseravelmente em fazer achando que poderia protegê-la.
− Não gosto da ideia de abandonar meu irmão e Roy. – O nome de Roy soava doloroso saído de seus lábios. Ela se lembrava de seu olhar e da promessa que havia feito para ele. Precisava se tornar forte. Precisava conseguir retornar.
− Ah.
Silêncio.
Thea arqueou uma das sobrancelhas e obrigou-se a olhar na direção do pai.
− Ah?— repetiu com a mesma maneira despojada com a qual Malcolm havia se expressado. – Por acaso você está com ciúmes?
− Ciúmes, eu? – Malcolm gargalhou. – Não me faça rir, Thea querida. Ciúmes, ora essa! Não. Ciúmes não. Estou apenas pensando uma forma prazerosa e sádica de destruí-lo caso ele parta o seu coração.
Uma gargalhada sonora escapou dos lábios de Thea. E ela começou a pensar que talvez estar ao lado do pai que nunca havia conhecido não fosse tão ruim assim.
Talvez não.
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O nome da pílula era CPH6, carinhosamente apelidada nas ruas de Cataclysmus, e seu fornecedor se chamava Spider. Era isso que seu amigo havia dito quando ele havia pedido por mais daquele negócio que o havia deixado ligado daquela maneira.
Roy sabia que precisava daquilo, mas não porque estava viciado. Ele precisava daquilo para aliviar toda a tensão que sentia sobre seus ombros.
Thea havia ido embora, Oliver estava partindo para Nanda Parbat e John tinha sua própria família para cuidar. Ele achava que seriam apenas ele e Felicity até descobrir, por meio da loira, que ela acompanharia Oliver em sua expedição.
Roy sentiu o ímpeto de pedir para acompanhá-los também, mas alguém precisava ficar e olhar pela cidade enquanto Oliver estivesse fora. E ele sabia que esta pessoa era ele.
Para tanto, ele precisaria de forças para se dedicar ainda mais ao ofício. Só assim poderia deixar Thea seguir em frente até que ela decidisse voltar para si.
Então, munido com seu casaco vermelho, Roy colocou o capuz e adentrou os becos escuros dos Glades em busca da única coisa que poderia aliviar sua dor.
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O crepitar das chamas fazia a madeira estalar enquanto o próprio demônio as encarava. Demônio. Este era um apelido poderoso para um ser humano carregar, mas havia muito tempo desde que R’as Al Ghul havia vendido sua alma para tornar seu corpo imortal.
No entanto, até mesmo imortais como ele estão sujeitos a se curvarem para a única coisa que não podem vencer: o tempo.
O poço de Lázaro havia desacelerado o processo degenerativo que acometia seu corpo há anos, mas não podia impedi-lo de acontecer. Ele já sabia disso há muito tempo. Havia descoberto, apesar da tecnologia avançada daquele período, que a doença que ele possuía, não tinha cura. Que era uma anátema em sua vida.
E estava tudo bem.
Ele não poderia descrever a sua vida como uma vida feliz. Quando você carrega um título como esse, sentimentos são apenas um fardo que se colocam em seu caminho, e tudo o que homens como ele buscam é poder e apenas poder.
Era por isso que ele achava que Er-Notur seria um ótimo sucessor. Porque ele tinha tudo o que era preciso para buscar por poder. Mas isso não significava que ele possuía todas as qualidades para ser o próximo R’as.
Mas Nyssa também não.
Ela era forte, viril e destemida. Ela podia ser cruel, mas Ta-er al-Sahfer a havia condenado a um sentimento que R’as Al Ghul jamais poderia perdoar.
Ele não se importava que sua filha subisse ao trono, que imperasse sobre ele. Mas a lei, embora dura, era a lei. E ele precisava que um herdeiro fosse instituído antes de sua morte. Alguém que tivesse o pulso firme para fazê-lo deveria deixar que seu sangue passasse adiante na próxima geração. E R’as pretendia ver esse herdeiro antes que aquela doença o consumisse completamente.
Mas ele não era cego.
E se Nyssa não pudesse lidar com o que Er-Notur estava planejando para si, então ela não merecia ser chamada de sua filha.
X
Felicity sentia o coração pesado dentro do peito. Ela não podia dizer que não estava com medo de suas próprias decisões, mas estava convicta daquilo. Ela não podia permitir que Sara sempre a salvasse. Ela não podia permitir que Oliver sempre estivesse à frente.
Se tudo o mais desse errado, ela seria o suporte necessário para tirá-los daquela ilha. Mas ela sabia que as coisas não dariam errado. Ela confiava sua vida a Oliver Queen.
E ele sabia disso.
Prestes a decolarem no helicóptero que a ARGUS havia arrumado para eles, Oliver se viu encarando John e a esposa que segurava nos braços a pequena Sara.
− Prometa que vai voltar, cara. – John pediu. Ele sabia que era um pedido inútil, mas não podia deixar de fazê-lo.
− Prometo fazer o possível. – O sorriso de Oliver evidenciava que ele havia aceitado seu destino.
− Vou cuidar dele. – Felicity se prontificou a dizer, o sorriso sempre reluzente pronto para acalmar os corações agitados.
− Esse helicóptero possui um localizador, Oliver. – Lyla disse. – Eu não acredito que ele vá funcionar quando vocês se aproximarem da ilha, mas estarei a postos caso precisem de ajuda. A Liga dos Assassinos vem sido caçada há anos por nós.
− Sei disso. – ele respondeu. – E é por isso que agradeço ao fato de você estar me permitindo fazer isso sozinho. Mas tenho certeza de que se o exército ARGUS descesse em peso na ilha, apenas teríamos um sem fim de mortes sem sentido e certamente Sara estaria entre elas.
− Esta mulher, − Lyla começou e deu um beijo na testa da filha. A pequena Sara permanecia adormecida em seus braços – deu o nome da minha filha. Sua coragem e força sempre habitarão na minha pequenina. E tenho certeza de que você irá trazê-la de volta. Mas sempre estarei a postos para ajudá-lo caso precise.
Felicity e ela trocaram olhares rápidos. A hacker estava preparada para transmitir um sinal para Lyla caso as coisas dessem muito errado.
− Está preparada? – Oliver questionou e passou um dos braços pelos ombros de Felicity. A loira retribuiu o abraço enlaçando sua cintura.
− Acho que nunca me senti tão nervosa em toda minha vida. – Deu uma risada que evidenciou o que dizia. – Roy não quis aparecer?
John lançou um olhar preocupado para Oliver. Eles dois pensaram em Thea que havia partido, e Diggle sabia que essa também era uma preocupação de Oliver.
− Ele vai ficar bem. E sei que Thea também. – ele disse, como se lesse os pensamentos de Oliver. – Vou me certificar disso, Oliver.
Os dois trocaram um abraço rápido.
− Fique vivo, irmão. – John murmurou no ouvido de Oliver.
− Você também.
Quando se afastaram, os dois entraram no helicóptero e Oliver sentou na cadeira do piloto. Enquanto se acomodava em seu lugar, Felicity recebeu uma mensagem em seu celular de um número desconhecido, mas que ela sabia quem era.
Número Indisponível:
Se R’as Al Ghul morrer antes que o casamento seja consumado, imediatamente Nyssa Al Ghul assume como sua herdeira.
Ela engoliu em seco, observando aquela informação. Seu pai sabia que ela estava à bordo. Seu pai sabia que ela iria para Nanda Parbat.
E talvez, pensou ela, ele estivesse esperando que ela fosse a pessoa a matar R’as Al Ghul.
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