Wanna Play?

19 Wanna play again?


Notas iniciais
Finalmente um capítulo com hot de novo! Pra quem não gosta, apenas lamentos. Para quem gosta, boa leitura! Lembrando que o cap de hoje é a abertura do novo arco. Ele é um pouco menor do que os capítulos que eu vinha postando, mas é importante que termine como terminou. Até o final!

Wanna Play?

“Desde então, sou porque tu és

Desde então, és, sou e somos

E por amor

Serei, serás, seremos.”

Talvez – Pablo Neruda

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STARLING CITY ABANDONADA?!

ONDE ESTÃO NOSSOS HERÓIS?

Na última quarta-feira, um assalto a mão armada com reféns demonstrou o quanto Starling vinha sendo dependente dos ditos vigilantes, aqueles que, por tanto tempo, foram responsáveis por nos defender dos mal feitores. Mas desde que o Arqueiro foi embora, as coisas desandaram. O índice de crimes subiu em 75% e a polícia não consegue dar conta de todos os acontecimentos. Em entrevista, o capitão Quentin Lance declarou que a cidade está sofrendo de um mal, mas que será curada.

“Temos que ter fé”, ele disse. “Nem sempre contamos com a ajuda do Arqueiro. Não é agora que iremos padecer.”

Os cidadãos não parecem muito confiantes nessa afirmação. Como poderemos ter fé quando esse câncer continua se espalhando em forma de morte e sofrimento através de nossos moradores?! Como sair com confiança na rua ou permitir que nossos filhos brinquem por aí. Onde está você, Arqueiro? Onde está a cor da esperança que um dia já nos protegeu?

− O que.... o que aconteceu aqui, Sara? – a pergunta de Felicity ecoava em seus ouvidos. Mas Sara não sabia o que dizer.

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[Dois meses antes]

Ele continuou a pilotar sem rumo. Não sabia do que estava fugindo, mas sabia que precisava fugir. Ninguém compreendia. Ninguém entendia. Ele precisava daquilo. Precisava daquela droga para continuar agindo como um herói. Mas mais do que isso, precisava da Cataclysmus para se sentir bem.

Era a primeira vez em meses, desde que Thea havia ficado doente, que Roy Harper se sentia realmente bem e pleno. E agora que ela havia ido embora, nada lhe restava. Com as pílulas, ele não precisava dormir. Se não precisava dormir, não tinha aqueles pesadelos horríveis onde matava repetidamente aquele policial sob o efeito da Mirakuru.

Às vezes, era o rosto de Thea e de seus companheiros.

Por que Sin não podia compreender o quão bem aquilo lhe fazia? E se não podia, infelizmente Roy teria que agir nas sombras. Se não podia ser um herói, ao menos se manteria vivo com aquela droga e com o alívio que ela lhe trazia. Quando todos compreendessem que ele precisava daquilo para continuar bem ele retornaria.

Quando Sin se desculpasse por achar que ele era um assassino, retornaria. Até lá, ele se esconderia nos Glades. Em um lugar que sabia que nem mesmo ela poderia encontrá-lo.

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ARSENAL VILÃO?!

Quando finalmente achamos que estávamos protegidos sob a luz de um herói novamente, as coisas mudaram de âmbito. Arsenal, o pupilo do Arqueiro, ataca! Não temos informações a respeito do motivo do ataque, apenas que ele atirou em um bandido desarmado. O que poderia ter sido um simples assalto, acabou em sanguinolência. Por sorte, o homem foi estabilizado rapidamente pela equipe de suporte do hospital de Starling e passa bem. Em relato, ele diz que Arsenal parecia estranho, quase como se fosse um robô agindo sem vontade própria.

“Eu me rendi. Disse para ele que estava desistindo e coloquei a arma no chão. Ele não teve piedade. Atirou em mim friamente. Por sorte a flecha se alojou no meu ombro. Eu poderia ter morrido!”

Isso nos faz questionar se podemos realmente confiar nele. Ou em qualquer pessoa fantasiada que venha a Starling City se declarando herói.

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Laurel Lance não era o tipo de pessoa que desistia fácil das coisas. Desde pequena, ela havia aprendido a lutar e a conquistar seus objetivos usando quaisquer métodos que fossem necessários para isso. E ela não era acostumada a perder. O que não significava que isso não acontecesse também. Quando ela e Sin saíram de carro em uma corrida desenfreada atrás de Roy, ela realmente achou que pudessem alcançá-lo. Mas o garoto era bom feito o inferno e sabia pilotar sobre becos sem saída que lhe despistaram depois de muita persistência.

Ela bateu com as mãos firmemente contra o volante, arrancando um som agudo da buzina enquanto Sin soltava um palavrão ao seu lado, seguido de muitos outros que Laurel desconhecia o dialeto ou o significado.

− PORRA! – Esse ela conhecia. E muito bem, obrigada. – Porra, Roy!

Era impossível para Laurel não se sentir mal ao ver aquela garota vestida de gótica e com uma personalidade tão poderosa debulhar-se em lágrimas no banco passageiro de seu carro. Ela suspirou pesadamente, estacionando ao lado da guia da calçada e levou uma das mãos até o ombro dela, dando um aperto amigável.

Sin olhou para ela, grata por não estar sozinha naquele momento.

− O que eu vou fazer, Laurel? – Laurel podia não ser sua Lance favorita, mas ainda era irmã de Sara. Motivo pelo qual se sentia um pouco mais confortável na presença dela. – Eu não tenho mais ninguém. Roy era o meu último amigo. Ele era o meu pilar. – Soluçou.

− Não está sozinha. – ela disse, olhando-a nos olhos. Havia sinceridade ali. A sinceridade de quem não desistia facilmente. – Minha irmã cuidava de você, não é? Ela me falou a seu respeito. De como batalhou para chegar onde está.

Sin anuiu com a cabeça, sentindo as bochechas esquentarem de vergonha.

− Ela falava de mim?

Laurel gargalhou e naquela risada, Sin enxergou traços de Sara. Na maneira como os traços dela eram parecidos. E em como tinham o mesmo olhar afiado quando queriam algo.

− Se falava de você? Claro que sim! – exclamou. – Nunca duvide disso.

Algo nas palavras de Laurel deixou Sin um pouco mais calma.

− Ele está perdido, Laurel. Não quero abandoná-lo. Aquela droga... aquela droga mudou ele. Foi o que John disse.

− Não vamos abandoná-lo. – Laurel respondeu, convicta de suas palavras. – Estou estudando sobre isso. Vamos dar um jeito. Me conte tudo o que sabe. Eu vou ajudar você. Tem para onde ir?

− O alto do relógio. É onde eu costumo ficar.

Ouvir isso cortou o coração de Laurel. Sin era uma criança. O sistema havia falhado com ela, isso ela poderia ver. E sua irmã fez o melhor possível enquanto esteve por perto. Mas Sara não estava ali agora, não era?

− Não. – ela disse. – Não esta noite. Você vai para casa comigo. Vai comer uma boa refeição caseira na casa dos Lance.

Sin abriu a boca para questionar, mas Laurel prosseguiu:

− Se depois da macarronada do meu pai, você ainda quiser ficar prostrada como uma coruja naquela torre, que assim seja. Mas deixe-me cuidar de você um pouco. Se não por você, pela minha irmã?

Sin deu um sorriso amarelo, concordando com a cabeça.

− Acho que macarronada não parece tão ruim assim.

Laurel sorriu. Não podia mudar o sistema do dia para a noite. Mas talvez pudesse mudar um pouco a vida sofrida daquela garota que já havia perdido tudo. E mais um pouco.

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BILIONÁRIO PREFEITO SE POSICIONA A RESPEITO DOS VIGILANTES!

Em entrevista com o jornal local, Ray Palmer, o atual bilionário da cidade de Starling, tomou a frente falando a respeito de nossos ditos heróis:

“Durante muito tempo, nos acostumamos com ter o Arqueiro, Arsenal, Canário Negro e o Espartano a nos proteger nesta cidade, sem nem sequer imaginar nas sequelas que isso poderia trazer para eles! Ferimentos, dor, sofrimento. O que há por trás daquelas máscaras? Nunca os tratamos como humanos, mas como ícones que devem ser venerados pelas suas capacidades de nos manterem a salvo. E quando eles falham? E quando eles falham. Pessoas sofrem. Assaltos ocorrem. Mortes... se tornam inevitáveis. E o que fazemos? Os culpamos! Mas será que isso é certo? Será que podemos agir assim? Eu não acho que seja. Coloquem a mão sobre a consciência de vocês. Porque eu, Ray Palmer, coloquei. E acho que todos nós precisamos nos posicionar como heróis. Precisamos nos posicionar como pessoas que os veem como pessoas e não como uma máscara. Acreditem. Eles irão retornar. Enquanto isso, devemos segurar as pontas. Devemos acionar a polícia. Devemos nos policiar quanto às coisas suspeitas. Mas não desistam. Daremos uma nova cara a esse lugar. Starling City precisa de um novo recomeço, e portanto de um novo nome: Star City. E tal como o nome, reacenderemos como estrelas no céu!”

O discurso de posse foi aplaudido por todos os membros da comunidade. Ray Palmer foi ovacionado com glórias por todos os presentes. Mas será que ele está certo? Será que os nossos heróis irão voltar?

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[Dias atuais]

Depois de tanto tempo acostumada com a rotina estabelecida por Nyssa na Liga dos Assassinos, era difícil para Felicity pensar que estavam voltando para casa. Não podia mentir dizendo que o período na Liga não havia sido bom. Depois de quase ter sido assassinada pelo líder agora morto, ter se jogado em um penhasco para salvar a namorada—agora noiva—e ter sobrevivido, a calmaria por trás dos dias onde ajudavam a reconstruir aquela fortaleza em Nanda Parbat trouxe consigo outro significado para a expressão ‘Depois da tempestade vem a calmaria’.

Noiva.

Aquela palavra ainda era um impacto na mente de Felicity. Ela jamais imaginou que aquela noite ao lado de Sara no QG se transformaria em uma aventura romântica que culminaria no casamento das duas. Casamento! Só a ideia de pensar naquilo a deixava exultante. E por isso não escondia a alegria por trás do sorriso.

− Em que você está pensando, Fel? – Sara perguntou, olhando para a hacker. Haviam pousado no heliporto dentro da mansão de Oliver há alguns minutos e estavam descarregando os poucos pertences de dentro do helicóptero.

− Em nós. – respondeu com sinceridade, o sorriso ainda ponteando os lábios. – Em como sou sortuda por você ter me visto como algo além de uma noite. Em como quero passar a minha vida toda com você.

Aquelas palavras sempre tinham um forte impacto contra Sara, que apenas conseguia sorrir de volta para Felicity, querendo abraçá-la ao ponto de fazê-la sumir em seus braços. E foi exatamente o que ela fez, enlaçando a outra loira pela cintura e enchendo seus lábios de beijos; ainda tinham gosto de morango.

− Me conte mais sobre como será “nós”. – pediu.

Felicity pareceu pensativa por um instante, quase como se em sua mente o futuro delas duas se desenhasse. Sara amava aquela expressão compenetrada que a hacker fazia, como se tudo ao redor desaparecesse; às vezes era verdade. Felicity deixava até mesmo de ouvir os outros ao redor.

− Nós vamos nos mudar para um apartamento, que pode ser o meu ou qualquer outro que alugarmos juntas. – ela disse. – Vamos ter pouca coisa a princípio, pois salário de super-heróis não compra utensílios domésticos. – gargalhou. Sara amava o som daquela risada.

− E então? – Sara perguntou, afundando o rosto no pescoço de Felicity, sentindo seu perfume floral que lhe lembrava jasmins. A hacker suspirou pesadamente ao sentir os lábios dela brincando em seu pescoço.

− Vamos ter um monte de caixas espalhadas pela casa do dia da mudança e um sofá meio antigo desses comprados em brechó. E uma TV! Quero assistir filmes antigos com você.

Uhum.— Os beijos de Sara se tornaram mais ousados, escorregando para perto da alça do sutiã preto que Felicity usava. Enquanto a beijava, Felicity sentiu que Sara a guiava para dentro da mansão de Oliver, na direção de um extenso corredor que dava para os quartos. Prosseguiu:

− Aí... ah...— Era difícil se concentrar ao sentir as mãos de Sara percorrendo seu corpo. Sua mente nublava um pouco ao sentir que ela a imprensava contra a porta, lutando contra a fechadura. A boca ousada mordeu seu queixo de leve e os olhos azuis a encararam com malícia.

Aí o quê, Fel?— A voz sussurrada ao pé de seu ouvido fez com que Felicity se arrepiasse. O click da maçaneta cedendo a trouxe de volta para a realidade enquanto Sara a empurrava para dentro do quarto, usando o pé para fechar a porta.

− Aí nós vamos pendurar quadros... – As mãos de Sara passearam por dentro de sua blusa, abrindo o feixe do sutiã com uma destreza que Felicity só poderia sonhar em ter – ... de lugares que iremos.

É?— Sara mordiscou de leve sua orelha e afastou-se apenas o bastante para tirar a blusa de Felicity, jogando-a no chão.

− Não é melhor trancarmos a porta? – perguntou. Mas Sara já estava atacando seu pescoço com voracidade.

− Bem pensado. – Colando-a contra a porta, Sara girou a chave e encostou a testa sobre a dela. Felicity ficou encantada com aquele olhar. Com o quanto Sara a desejava através dele, e quis retribuir aquilo.

As mãos da hacker desceram para o cós da calça jeans de Sara, e a puxaram com uma firmeza que a Canário desconhecia vinda dela. Com surpresa estampada nos olhos e a boca entreaberta, Sara não soube o que dizer. Sentia todas as curvas do corpo de Felicity colado contra o seu. Ela não teve pudor em lhe despir as peças de cima da mesma forma que Sara não havia tido. Felicity beijou seu pescoço e Sara respirou fundo apoiando as mãos contra a madeira da porta, inclinando a cabeça para o lado para facilitar o serviço de Felicity.

Os beijos de Felicity foram se tornando mais ousados, e as mãos que antes permaneciam repousadas sobre a cintura de Sara, subiram pelas laterais de seu corpo, passeando os dedos pelas costelas onde a outra loira tinha mais sensibilidade. Fato este que não havia escapado dos olhos atentos de Felicity. Sara deixou um gemido baixo escapar por seus lábios ao sentir as duas mãos de Felicity segurarem seus seios com firmeza, os dedos alternando entre massagear seus mamilos e apertar de leve os seios. Dessa vez, os gemidos saíram um pouco mais altos e Felicity sorriu com satisfação ao ouvi-los, escorando a boca sobre o ouvido dela para sussurrar em languida voz:

Quer brincar, Sara?

Todo o corpo de Sara se arrepiou ao escutar aquele sussurro. Foi como se algo tivesse estalado em sua mente, fazendo as engrenagens girarem da mesma maneira que um carrossel que seguia seu curso. A loira afastou-se apenas o suficiente para suspender Felicity pela cintura, ouvindo um Wooh! Como resposta enquanto ela enlaçava as pernas ao redor de seu corpo.

Havia algo de selvagem no olhar de Sara quando ela começou a caminhar na direção da cama de casal do quarto de hóspedes e Felicity podia sentir a eletricidade que corria em seu corpo pela química perfeita que compartilhavam. Seus braços se cruzaram ao redor do pescoço de Sara e ela não esperou que a heroína agisse antes de beijá-la com volúpia.

Existia um quê de sexy e inexplicável que acontecia entre elas quando se beijavam daquela maneira. Era um encaixe perfeito, com os lábios macios se tocando. O sabor do gloss de morango que Felicity usava desde a primeira vez em que se beijaram só serviu para extasiar Sara ainda mais. Jogando-a na cama, deitou seu corpo sobre o dela, tratando de despir o restante das peças de roupa que as atrapalhavam e sentou-se sobre a barriga de Felicity, travando uma perna de cada lado da sua cintura.

− O que vai fazer agora? – Felicity perguntou, um sorriso travesso brincando em seus lábios. Sara olhou ao redor e puxou uma tira de tecido que prendia uma das cortinas que decorava o dossel da cama de casal usando-o para amarrar os braços de Felicity depois de suspendê-los acima da cabeça da outra loira. – Oh.

− Você não sabe com quem está brincando. – Sara a olhava de cima. A malícia queimava azul em seus olhos.

− Acho que tenho uma ideia. – Sorriu, provocante, o que serviu apenas para atiçar ainda mais Sara.

Pegou a tira que prendia a cortina no outro extremo da cama e esticou-a. Felicity, compreendendo o que ela queria, mordiscou o lábio inferior.

− Levante o pescoço. – Felicity obedeceu. – Muito bem.

Ela vendou seus olhos, fazendo o coração de Felicity disparar no peito. Sara inclinou o corpo sobre o seu, e a hacker sentiu seu perfume cítrico de laranja acentuado quando parte do corpo dela roçou de leve seu nariz. Sem as mãos e sem a visão, Felicity estava à mercê de uma Sara vingativa que poderia fazer dela o que quisesse.

“Que faça.”, pensou “Que faça de mim o que bem entender.”

Quer brincar, Fel?— Sara sussurrou em seu ouvido, devolvendo a provocação feita pela outra loira. Todo seu corpo se arrepiou, e Felicity mordeu o lábio para conter um gemido quando começou a sentir a boca de Sara beijando seu pescoço e descendo lentamente pelo ombro.

− E-eu...ah...— Novamente mordiscou o lábio. Os beijos de Sara tracejaram a linha da sua clavícula, as mãos se mantendo firmes em sua cintura enquanto a outra loira encaixava o corpo no dela, começando a movimentar o próprio quadril, os corpos se tornando um só naquele momento.

Os gemidos escaparam mais altos, incontidos quando Sara abocanhou um de seus seios, sugando o mamilo lentamente, a língua brincando com a aureola.

Quando o orgasmo veio, em uma explosão de prazer, Felicity deixou o ar extravasar pelos lábios, a respiração rápida. Sentiu Sara puxar a venda de seus olhos, o corpo caindo ao lado do seu enquanto desamarrava seus pulsos. Havia um sorriso em seus lábios, de plena satisfação e felicidade. E Felicity soube, mais naquele momento do que em qualquer outro de sua vida, como seriam felizes.

− O que foi? Meu dente está sujo? – Sara perguntou, erguendo o tronco para se olhar no espelho, mas Felicity puxou-a de volta, para perto de si, no seu abraço. – Fel? Tudo bem com você?

Estava chorando. Chorando!

− O que aconteceu? – perguntou, séria. – Eu te machuquei?

Era a preocupação de vê-la feliz acima de tudo, de protegê-la e de querer seu bem-estar, sem nunca se preocupar consigo mesma.

− Felicity, fale comigo, por favor. – Sua voz beirava ao desespero, quando, tirando o rosto molhado da curva do pescoço de Sara, ela sorriu. Para o alívio da outra loira.

− Estou feliz, tão feliz que transbordo. – confessou. – Nunca pensei que alguém fosse me amar assim. Que alguém me desejaria assim como você me deseja. Nunca pensei que poderia retribuir esses sentimentos com tanta clareza, com tanta reciprocidade. Você me faz tão feliz, Sara Lance. Eu só quero viver o resto dos meus dias ao seu lado e acreditar que existe algo depois disso. Eu só quero acordar todos os dias observando seu sono tranquilo e dormir com você. Quero fazer desastres culinários e ouvir a sua risada e ver a sua careta ao sentir o gosto horrível. Quero ver nossos filhos dando os primeiros passos e você indo agarrá-los quando forem cair. E quero, acima de tudo, olhar para trás, e ver o quanto você me fez feliz por todos esses anos que vamos viver juntas.

− Felicity... – Sara não sabia o que dizer diante daquela declaração de amor. Ela nunca imaginou que sua vida viraria de pernas para o ar daquele jeito e que do dia para a noite se apaixonaria por uma mulher tão incrível quanto Felicity era. Quando a provocou aquele dia por um jogo no QG, jamais pensou que acabariam as duas entremeadas naquela situação. – Não sei o que dizer, eu...

− Não precisa dizer nada. – Felicity segurou suas mãos e entrelaçou os dedos aos dela, puxando para perto e depositando um beijo suave ali. – Eu sei. Eu só sei.

Ela sabia. E Sara a beijou outra vez como forma de agradecer por tudo. Tudo o que eram. Tudo o que ainda seriam um dia.

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Acabaram enrolando tanto que anoitecia quando saíram da casa de Oliver. De roupas limpas e banho tomado, as duas saíram de mãos dadas na rua pela primeira vez.

− Hum, estranho.

− O que foi? – Sara perguntou enquanto caminhava tranquilamente ao lado de Felicity.

− Meu celular não tem sinal desde que chegamos. Achei que estivesse em roaming ou que a rede estivesse em manutenção. Mas já faz algum tempo.

Sara apanhou o próprio celular no bolso do casaco, mas mal teve tempo de ver quando um moleque passou correndo, tomando-o de sua mão.

− Só pode ser brincadeira... – Ela bufou. – Felicity...

− Vai. – ela disse, espanando as duas mãos para frente. – Voe, Canário, voe!

Sara riu da alusão de Felicity, com as mesmas palavras que Nyssa havia usado quando ela se jogou do penhasco para salvá-la da morte certa, e correu atrás do ladrãozinho.

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Alguns minutos depois, sedentária como era, Felicity alcançou Sara e o garoto azarado. A heroína estava com o pé sobre o peito do bandido e tinha o próprio celular nas mãos.

− Por que não repete o que acabou de me dizer? – Sara sugeriu.

Felicity mal havia tido tempo para recobrar o ar, as mãos espalmadas sobre os joelhos na vã tentativa de se recuperar.

− A cidade está livre, okay?! – O garoto mal conseguia falar com a pressão que Sara exercia em seu peito. – Estamos livres para fazer o que quisermos sem esses malditos vigilantes no nosso pé!

Sara inclinou-se sobre ele aumentando a pressão em seu peito.

− Pois logo seus amiguinhos saberão que a farra acabou. – Sara olhou para o próprio celular, arqueando as sobrancelhas. – Sem sinal também.

− Acho que sei o porquê... – Sara seguiu o olhar de Felicity até um dos telões que antes exibia uma foto de Ray Palmer com um anúncio “uma cidade limpa é uma cidade melhor!” e foi substituído pela imagem de um cubo mágico azulado, que girava, desmontando-se e remontando.

“Boa noite, moradores de Starling City—ou devo dizer Star City?”, riu ironicamente. “Eu não pretendo tomar muito do tempo de vocês, mas vim aqui com um anúncio de algo que gira em torno dos pensamentos de todos: onde está a proteção prometida pelo prefeito? Onde estão os vigilantes que prometeram que fariam algo por nós? Vou dizer a vocês.”

As notícias começaram a pipocar na tela uma a uma, traduzindo relatos feitos pela própria mídia. Felicity e Sara mal podiam acreditar no que viam. Onde estavam Roy e John?!

“Sim.”, prosseguiu a voz. “Abandonados ao léu sob a promessa de um prefeito que sabe deles tanto quanto nós: nada. Mas eu estou aqui agora, Star City. Eu estou aqui para revelar a verdade para vocês. Sobre a identidade de cada um desses heróis.”

− Felicity... – Sara sentiu o sangue gelar. Até mesmo havia se esquecido do rapaz abaixo de seu pé que, ao tentar se soltar, não encontrou resistência e fugiu. Atordoada, Sara não sabia se deveria segui-lo ou ficar ali.

− Estou trabalhando nisso. – respondeu a hacker, mexendo rapidamente no tablet que havia puxado da bolsa, tentando entrar no sistema. – Ele é muito bom...

Sara sentiu o suor escorrer frio por baixo da pele. Poderia acabar com aquele telão, mas quantos mais existiriam espalhados por toda a cidade?

“Primeiro falaremos do líder deles, aquele que foi aclamado, amado e odiado por todos nós. Passamos anos sob a sombra de seu capuz, perguntando-se que tipo de pessoa ele seria. Se seria de carne e osso como nós como o nosso estimado prefeito, Ray Palmer aclamou. E a resposta para essa pergunta é sim! Ele é de carne e osso!”

Sara lançou um olhar de esguelha para a noiva, sem conseguir concluir o que aqueles números incoerentes queriam dizer.

− O firewall dele é bem protegido e cheio de armadilhas, droga! Eu não sei se consigo acessar daqui, Sara! – Era a primeira vez que Felicity se desesperava quando o assunto era tecnologia. Sara nunca a havia visto assim.

Ao fundo, a voz mecânica continuava ressoando, mostrando que o tempo delas estava no limite. Sara a segurou pelos ombros firmemente, forçando a hacker a olhar para si.

− Escute, Felicity.

− Estamos sem tempo, Sara! – exclamou a loira.

− Só me escute, okay?

Felicity anuiu com a cabeça.

− Acredito em você. – ela disse. – Nunca nos deixou na mão em momento algum e sempre esteve nas nossas cabeças – literalmente – nos protegendo de ameaças que não poderíamos ver. Você não consegue quebrar o firewall? Okay. Mas você só precisa atrapalhar o sinal um pouco. O suficiente para impedir que ouçam o que ele tem a dizer. Okay?

Felicity sabia que Sara tinha razão. Ela não poderia atravessar o firewall, mas isso não significava que não podia atrapalhar a transmissão. Ela voltou a trabalhar, sabendo, mais do que nunca, que a vida de seus amigos dependia disso. Uma identidade revelada poderia destruí-los. Digitando rapidamente e crackeando os códigos, ela seguiu a sequência. Não precisava hackear ele. Bastava hackear os sistemas de comunicação da cidade.

“...e sua identidade é...”

Naquele momento, a conexão falhou. Houve um minuto de silêncio entre o momento em que o detentor da voz mecânica percebeu o que havia acontecido até o instante em que ele recuperou o controle, o riso grosseiro ecoando ao redor.

“Muito bem. Parece que o quinto integrante do time Arqueiro resolveu dar as caras! O que? Vocês pensaram que ele conseguiria simplesmente fazer tudo sozinho? Não! Existe alguém por trás de tudo. Alguém que monitora todas as câmeras da cidade, que sabe cada movimento de vocês. Alguém que os avisa dos crimes, que está pronto para...”

O sinal foi cortado novamente.

− Precisamos ir, Felicity. Ele não vai parar.

− Só mais um pouco. – A hacker pediu. Sara observou a seriedade em seu olhar e permaneceu onde estava. Confiava sua vida a ela.

O sinal voltou.

“Pensa que pode me impedir? Você era um bebê quando eu já mexia com tecnologia! Mas se acha que pode vencer essa batalha, Observadora, então venha. Eu estarei esperando. Por hoje... eu deixarei que você se recupere da sua lua de mel.”

O sinal foi cortado. A imagem de Ray Palmer voltou a ser exibida no telão. Felicity respirou fundo, sentindo as pernas bambas.

− Você está bem, Fel? – Sara perguntou. Ela anuiu com a cabeça

− O que.... o que aconteceu aqui, Sara? – a pergunta de Felicity ecoava em seus ouvidos. Mas Sara não sabia o que dizer.

Felicity apenas balançou a cabeça.

− Vá. Você precisa alcançar aquele garoto. Ele pode desconfiar.

− Ele já foi.

− Vou para o QG. Vou encontrá-lo pela câmera. Vá, Sara. – ela pediu. – Não posso suportar a ideia de te perder. Nunca.

Sara sabia o que era essa dor. Sabia desde o momento em que se lembrara de quem Felicity era ao quase morrer por ela.

− Tudo bem. Vou aguardar suas instruções. – Sara correu na direção em que o garoto havia partido, confiando em Felicity novamente. Como ela sempre fazia.

A hacker, por sua vez, olhou para o próprio celular, confirmando aquilo que já sabia quando a mensagem chegou.

Número desconhecido:

Bem vinda ao lar, Fel.

Seu pai estava na cidade. E ele queria testá-la.

− Que venha. – ela disse, sabendo que ele a observava pelas câmeras. – Eu estarei pronta para você. Papai.

Notas finais
Finalmente trazendo saliências de volta para a história ( ͡° ͜ʖ ͡°) Sim, mas nem só de orange é feita essa fic! Então, finalmente, temos o início oficial do nosso último arco! Sei que esse capítulo acabou menor do que a maioria que vinha vindo, mas era importante que ele terminasse como terminou. Não dava para exceder isso ou ficaria estranho e não quis inserir demais os outros personagens, porque dessa vez o foco era o nosso casal principal. Quis retornar um pouco às origens e quem se lembrar do início dessa fic, foi assim que tudo começou. Inclusive alguns detalhes que eu coloquei na cena de Sara e Feliicty. O título do capítulo também foi meio que uma homenagem à fic. Não tem nenhum motivo especial. Eu só achei que ficaria legal. Sobre esse novo problema ein, Fel? Dessa vez é com você. E aí? O que acharam dessa introdução de arco? Gostaram? Odiaram? Curtiram as cenas de Sara e Felicity? O formato das notícias? A cena de Laurel com Sin? Comentem e me digam o que acharam! E até domingo que vem!