Wanna Play?
1 Wanna Play, Fel?
"I want you to be crazy
'Cause you're boring baby when you're straight"
The Kills — Cheap and Cheerful
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A situação toda começou com um desafio. Não era de sua natureza negar um, mesmo que parecesse tão estúpido quanto aquele.
A boate já estava vazia e as ruas de Starling já estavam tranquilas. Afinal, já passava das três da manhã. Tudo o que Felicity queria, era um bom banho. E uma boa noite de sono em sua cama macia.
Então como diabos havia acabado naquela situação embaraçosa?
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Ela sempre era a última a sair. Naquela noite, depois de Oliver parar uma grande entrega de drogas nos cais e quando já estavam prontos para ir embora, o alarme soou novamente.
– Que ótimo. – Felicity disse suspirando pesadamente. – A noite nunca termina para um herói.
Ela notou o quão infeliz foram suas palavras quando olhou na direção de Oliver. Seus ombros estavam curvados e ela pensou que talvez o peso de carregar a cidade de Starling fosse demais para ele naquele momento, um vigilante alerta para uma cidade que nunca dormia.
– Pode ir, Ollie. Eu sei que tem uma reunião amanhã cedo com sua sócia. Eu e Felicity cuidamos disso. Certo? – Sara disse, olhando para Felicity.
– Bom, eu vou estar nessa reunião também, mas... ok. Nós podemos dar conta. Você pode ir, Oliver. – e sorriu para ele.
– Obrigado, garotas. Fico devendo essa para vocês. – ele piscou para elas e afagou a cabeça de Felicity antes de sair, fazendo com que ela corasse com o contato.
Como ela poderia dizer não?
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– Eles estão entrando no banco, Sara. Estou identificando cinco deles através das câmeras. Eles estão bem armados, tome cuidado. – Felicity falou através do ponto.
– Está preocupada comigo, Fel? Prometo que não vou me machucar. Mas que tal fazermos um jogo enquanto isso? Você sabe, só para matar o tempo. – havia algo diferente na voz dela, mas Felicity não sabia identificar exatamente o quê.
– ...Que tipo de jogo? Se for caça aos bandidos, você saiu na frente. – ela deu uma risada nervosa enquanto monitorava os ladrões.
– Hum... que tal assim? Adivinhação. Você me dá dicas a respeito de algo que esteja vendo e eu tento acertar o que é. Se eu ganhar...
Felicity sentia que suava frio, mas talvez fosse apenas o calor daquela sala.
“Droga, eu preciso consertar o ar condicionado. E logo.”
– Eles estão entrando no cofre, Sara. Assim não terá tempo pro seu jogo.
Felicity ouviu o riso dela através da conexão que mantinham pelo ponto. Por que tudo nela lhe deixava tão nervosa naquele dia?
– Tudo bem, Fel. Se eu ganhar, peço o que quiser. Se você ganhar, o mesmo vale para você. Pede para mim o que quiser. Tudo bem assim?
“Claro que não”, ela queria dizer, mas aquele era um jogo simples. Se a vencesse, ficaria por cima. Poderia até mesmo pedir algo malévolo, como ela lustrar seus sapatos ou lavar suas roupas... Seus pensamentos eram pura maldade. Um gênio do crime.
– Certo. – ela concordou, cega pelo desejo de vencer, mas não seria tão tola. Sabia que sara conhecia bem a base deles, então trapacearia. Mas só um pouquinho.
Acessando as câmeras, ela dividiu sua atenção entre o assalto e o jogo. Sara havia acabado de chegar no banco e entrava sorrateiramente mediante suas indicações. Teriam pouco tempo para jogar.
“Perfeito”, Felicity abriu um sorriso de canto, observando sua obra-prima.
– E então, Fel? Estou quase lá.
Ela não sabia por que Sara lhe chamava assim, mas também não se incomodou. Sua mãe costumava lhe chamar da mesma forma, sobretudo quando era mais nova.
– Certo. 3 dicas. Então terá que adivinhar. – respirou fundo, digitando algo fervorosamente no teclado e desarmando os lasers que protegiam a entrada que Sara havia pego para chegar até os criminosos. – Vida e morte.
– Outra dica. – Sara pediu, avistando os ladrões. Antes que o primeiro deles lhe visse, o atingiu com seu bastão. De repente, as luzes se apagaram. Estavam no escuro, mas Sara tinha Felicity para ser os seus olhos.
– EI! QUEM É VOCÊ?!
– Aquele que tudo vê. – Felicity deu a segunda dica, observando a maestria dos movimentos de Sara. Sequer precisava guia-la, era como se estivesse acostumada às trevas.
Mas aquela era uma grande jogada. Felicity já sentia Sara massageando suas costas, lixando suas unhas...
– Você pega pesado, Felicity. Isso é mesmo real? Com certeza, não é algo da base, mas... você seguiu as regras à risca, não é mesmo? – ela sorriu, desviando das balas mesmo no escuro e derrubou mais dois deles. – Última dica.
Felicity respirou fundo. Sabia que se Sara fosse tão inteligente quanto já havia demonstrado ser, ela poderia sacar a jogada. Mas era difícil, ela própria sabia o quão difícil poderia ser. Então, já contava com a própria vitória.
– Transparência.
Houve silêncio após uma saraivada de tiros. Felicity focou nas câmeras do banco, ligando o senso infravermelho.
– Sara? – ela chamou, observando sua silhueta. – Sara, a polícia chegará a qualquer momento, saia daí.
O silêncio persistiu. Ao fundo, Felicity ouvia o som das sirenes. Será que ela havia se machucado? Por que continuava ali parada no mesmo lugar?
– Esqueça o jogo, Sara. Saia logo daí. – estava começando a cogitar a possibilidade de ligar para Oliver quando ela se moveu.
– “Os olhos são a janela da alma”.
Felicity ficou calada. Era como ver tudo desabando.
– Um quadro de Modigliani. Estou certa, Fel? Ele é o único que poderia reunir essas coisas. A vida e a morte, representadas pela alma. Aquele que tudo vê através dos olhos que nunca são pintados, ilustrando, por fim sua transparência.
Derrotada, Felicity apenas negou com a cabeça.
“Droga.”
– ...Saia logo daí. – limitou-se a dizer, encerrando a conexão. E mesmo sem ver o rosto da Canário, Felicity sentiu o sorriso vitorioso dela e um sabor amargo se espalhou por sua boca.
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Ainda assim, não fazia sentido. Felicity imaginou mil coisas que Sara poderia lhe pedir, mas não aquilo. Definitivamente não.
– Você... – ela tentava formular alguma frase inteligente, mas não sabia como. – Quero dizer, eu...
– Basta colocar isso, Fel. Prometo que não mordo. Não muito. – ela piscou, estendendo a venda negra para ela.
– Mas o que você vai fazer? Quero dizer, esperava que me pedisse para lavar seu uniforme –não que precise. É muito limpo. Muito.
Sara riu, tirando a máscara e deixou-a sobre a mesa ao lado dos computadores. Era mesmo engraçado ver como Felicity se enrolava nas palavras cavando cada vez mais a própria sepultura.
– Que tipo de pessoa acha que eu sou? Esse é meu pedido. Posso fazer o que quiser. – ela disse categoricamente enquanto Felicity pensava no tipo de pessoa que ela era. Bom, certamente uma muito estranha já que pedia para os outros saírem por aí colocando vendas. – Eu tenho a noite toda, Fel.
Felicity engoliu em seco, mas ela tinha razão. Uma aposta era como uma promessa e não poderia quebra-la. Sara havia dado os termos antes do jogo, e ela havia aceitado. Agora também tinha que saber lidar com as consequências, fossem elas quais fossem.
Derrotada, apanhou a venda e tirou os óculos, entregando-os a Sara. Logo sentiu sua visão ser tomada quando a loira amarrou a venda, lhe guiando até uma pilastra onde a posicionou.
– Ahn... não me dê uma nova cicatriz, por favor. Estou bastante contente com a do tiro. E a dos sisos. Deixo isso para os heróis—não que eu deseje mais cicatrizes para vocês, eu...
– Fel. – Felicity parou de falar no mesmo instante. – Calada. – a voz dela parecia próxima demais para praticar tiro ao alvo, então o que ela queria?
– Se lembra do que te perguntei no inicio do jogo? – Sara perguntou, parecendo ainda mais próxima.
Felicity sentia cheiro de eucalipto e balas de hortelã. Também sentia cheiro de jasmin. Jasmin era o cheiro dela, assim como Oliver cheirava a limão.
– Se eu e você poderíamos cuidar do roubo? – arriscou, embora tivesse o pressentimento de que estava errada.
– Ah, Felicity, você é mesmo uma graça. – Sara riu gostosamente. Felicity não se lembrava de senti-la tão leve assim desde que a conhecia. Ela sempre carregava um lado sombrio, um peso grande demais para os seus ombros. Parecia até mesmo outra pessoa. – Mas não. Não é isso.
A sala não estava quente, embora Felicity quisesse culpar o trabalho do ar-condicionado pelo calor que sentia, como se seu corpo estivesse prestes a entrar em combustão. É claro que ela sabia. E isso apenas tornava a situação ainda mais embaraçosa.
– O que quer de mim, Sara? – perguntou por fim, suspirando pesadamente.
Talvez se arrependesse de ter perguntado, mas a curiosidade a consumia por dentro. Se sentia presa nas garras daquele canário, prestes a se tornar mais uma de suas refeições.
– Oras, isso não é óbvio, Fel? O que você acha que eu faria com você aqui, na minha frente, vendada? – ela perguntou, próxima o suficiente para que Felicity sentisse o calor de seu hálito contra seu ouvido. Aquilo a arrepiou até a raiz dos cabelos. – Quero brincar.
Seus lábios tocaram o pescoço de Felicity e a loira se encolheu pelo susto, sentindo o coração bater com tanta força contra o peito que poderia saltar para fora a qualquer momento.
– S-Sara, essa realmente não é a minha praia! Tentei uma vez na faculdade, não foi muito legal, sabe? – disse rapidamente. – Prefiro altos, loiros e com abdomens sarados. São definitivamente mais o meu tipo.
– Como Ollie? – Sara deixou a pergunta escapar, colando bem o corpo ao dela ao mesmo tempo que roubava de Felicity qualquer argumento que pudesse usar. – Eu não estou pedindo para gostar de mim, Fel, mas vejo porque Ollie gosta de você. – suas mãos desceram pelas laterais do corpo de Felicity deixando sua jaqueta no chão. Naquele instante, Felicity esqueceu de respirar. Quão longe ela iria?
– Sou realmente boa no que faço. – Felicity respondeu de maneira inocente. Era isso que encantava a todos. Seu jeito.
Sara abriu um sorriso, lhe beijando o colo dos seios e segurou o zíper do vestido de Felicity, descendo-o devagar e sentindo ela travar com seu movimento.
– Tenho certeza que sim. – sussurrou em seu ouvido.
– Não.... não nesse sentido. – ela tentou recobrar o fôlego. – Quer dizer, acho que sou boa—não excepcional, mas... sabe como é, sem reclamações e—
O dedo indicador de Sara repousou sobre seus lábios com o intuito de calá-la.
– Apenas aproveite. E se me disser para parar porque não está gostando, então eu paro. Mas tenho certeza de que não vai se arrepender.
Felicity queria dizer naquele momento para que ela parasse. Na verdade, queria dizer que ela já tinha ido longe demais, mas antes que tivesse a chance, sentiu os pelos de sua nuca se eriçarem quando a mão de Sara deslizou para dentro de seu sutiã, lhe tocando o seio. Inconscientemente, ao invés de pedir que ela parasse, um suspiro escapou de seus lábios e sentiu o rosto ficar quente quando ela lhe beijou o pescoço.
Era ali. Ali que deveria ter entregado o jogo. Mas não. Felicity apenas inclinou o rosto para o lado, expondo ainda mais o pescoço na direção de Sara apesar da vergonha que sentia. Como poderia olhar para ela, ou pior, para Oliver depois disso?
Sara era uma colega de trabalho, até mais do que isso, Felicity a considerava sua amiga. E o que estavam fazendo não era algo que amigos costumavam fazer. Definitivamente, não.
– E então, Fel, quer que eu pare? – ela sussurrou ao pé de seu ouvido, soltando o feixe na frente de seu sutiã. Felicity quase deu um pulo ao sentir a boca de Sara sugar seu mamilo, mordiscando-o levemente apenas para lhe dar mais prazer, sobretudo porque nunca sabia de onde os toques de Sara viriam.
– Eu...ah... – um gemido baixo escapou quando ela passou a língua ao redor de seu mamilo e no bico do seio, sugando-o mais um pouco antes de se afastar, descendo os lábios lentamente para seu abdômen, beijando-a naquela região enquanto estendia uma das mãos até o tecido da venda no mesmo momento em que cessou os beijos ao chegar em sua peça intima.
Felicity mordeu de leve o lábio inferior e prendeu a respiração ao sentir um beijo leve por cima da calcinha que, à essa altura, já estava umedecida pelo prazer que Sara lhe proporcionava.
– E então, Fel? Devo parar? – a voz dela tinha um tom sedutor e era fácil para Felicity entender agora porque Sara havia conquistado Oliver, Nyssa e quem mais se colocasse em seu caminho. Ela não era apenas poderosa em uma batalha, mas também era perigosa quando o assunto em pauta era sedução. Essa era outra qualidade que Felicity precisava abolir de sua lista, pois não a possuía.
Felicity queria dizer que sim, que Sara deveria parar e que tudo aquilo era embaraçoso demais e deveria ser esquecido. Aliás, ela criaria um programa que deletaria isso de suas mentes.
E no entanto, mesmo que sua mente dissesse que sim, seu corpo clamava pelo não tão desesperadamente que atrapalhava seu eu sempre tão racional.
Ela respirou fundo e Sara tinha certeza de que ela pediria para que parassem ali quando viu seu corpo até então tenso relaxar. Claro, era óbvio. Felicity não era esse tipo de pessoa. Aquilo não era o que ela gostava. Aliás, era claro como água límpida de quem ela gostava. E essa pessoa era Oliver Queen. Talvez mesmo algo tão casual como aquela diversão fosse demais para a pequena Fel.
“Talvez eu tenha exagerado dessa vez.”, Sara pensou, arrependida do que havia feito. Onde estava com a cabeça?
– Não... pare. – ela fez uma pausa que poderia facilmente ser mal interpretada por Sara.
“Sim, eu estava certa. Isso é demais para ela.”
Estava se afastando quando sentiu a mão de Felicity segurar firmemente seu ombro esquerdo.
– Devo.. parar, não é? – ela questionou, arqueando uma das sobrancelhas para Felicity.
– Não!
Sara se sobressaltou com a resposta rápida de Felicity. Uma resposta que certamente não esperava.
– Não pare. Quero dizer... sem a pausa. Não pare. – repetiu.
Aquilo arrancou de Sara uma gargalhada e ela removeu a venda, olhando-a diretamente nos olhos de um azul tão intenso que poderiam facilmente traga-la. Sara suspeitava que Felicity não fazia ideia do poder que seu olhar exercia sobre as pessoas. Mas por um momento, enquanto a olhava daquela maneira, lembrou-se de Nyssa e de Oliver, que eram de azuis tão opostos ao dela. Aquilo lhe trouxe uma pontadinha de culpa que Sara escondeu junto com as trevas que já habitavam seu coração.
– Você é mesmo uma graça, Felicity.
Os olhos dela, tão intensos de uma maneira inexplicável. Felicity sentiu que poderia encará-la por dez anos incansavelmente. Sentiu que a queria naquele momento tanto quanto Sara parecia deseja-la, embora sequer imaginasse o motivo para alguém como ela, tão inalcançável para tantos homens – agora também incluiria mulheres na lista. Ela podia imaginar uma grande e extensa lista de pessoas que gostaria de ter Sara Lance ao seu lado na cama – querer algo consigo. Uma nerd hacker de computadores que brincava de super-herói.
Não teve muito tempo para pensar nisso, quando ela removeu sua última peça de roupa, nublando todos os seus pensamentos quando seus lábios a tocaram de maneira tão intima.
Sim, definitivamente embaraçoso.
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“Ai... tudo dói.”
Sim, seu corpo estava dolorido. Não havia dormido bem, estava esgotada e seu cabelo uma bagunça, mas havia se esquecido como era se sentir tão bem assim ao acordar. Quando virou-se para o lado, encontrou a cama improvisada pelas duas vazia. Sara não estava ali. Provavelmente havia ido embora, e Felicity pensou que talvez fosse melhor assim. Desta forma, teria tempo para planejar o que faria a seguir.
“É, sério, como vou falar com ela? Aliás, será que devo falar alguma coisa? Perguntar se a noite foi boa ou se ela quer repetir a dose algum dia? Qual é, Felicity, você é melhor do que isso.”
O celular começou a tocar. Felicity tinha a impressão de tê-lo ouvido em seus sonhos, mas agora notou que talvez não fosse apenas imaginação. Respirou fundo, apanhando-o e atendeu prevendo a bronca que viria a seguir ao ver que era Oliver. Preguiçosa demais para usá-lo na orelha, pousou-o em seu peito colocando no viva-voz.
“Felicity, onde você está?!” – a voz de Oliver beirava ao desespero, e ainda incompleta de seu despertar, Felicity se lembrou da maldita reunião.
“Oliver? Que horas são?” – não era bem um disfarce. Não olhou para o relógio ao atender o telefone. Seria tão tarde assim?
“São nove e meia, Felicity. A reunião supostamente começava as oito, e eu não sei sequer a pauta dela.” – ele falou pausadamente, reparando no tom de voz sonolento da amiga.
“Ah, droga! Estou a caminho!” – ela derrubou o celular ao sentar-se desjeitosamente na cama, procurando por suas roupas que haviam ficado espalhadas pelo local.
“E o que eu faço até lá?!” – ele perguntou, talvez prestes a ter um infarto.
“O que faz de melhor, Sr. Queen. Enrole-os.”
“Feli—“
Ela desligou antes que ele tivesse a chance de contra argumentar, o que significava que possivelmente levaria uma bronca depois, mas isso lhe faria ganhar tempo, então apressou-se em vestir sua roupa.
– Ollie está uma fera. – Felicity se sobressaltou quase caindo enquanto colocava o vestido ao ouvir a voz de Sara vinda dos primeiros degraus.
– S-Sara?! Desde quando está aqui?! – seu tom pareceu meio assustado, mas apenas porque ela estava mesmo muito assustada ao ponto de quase deixar o vestido cair.
– Uhn... deixe-me pensar... – Sara ergueu os olhos para o teto, segurando o queixo enquanto refletia. – Desde ontem a noite, quando nós—
– Tá, tudo bem! Eu entendi. – ainda se sentia envergonhada, sem saber como agir diante de toda aquela situação. Ela não entendia como Sara podia levar as coisas tão tranquilamente enquanto ela ainda se perdia até mesmo nas palavras. – É, ele está uma fera. Eu esqueci de dar a pauta da reunião a ele. Achei que tivesse mandado por email, mas... adivinha? Não. Nem um pouco. Nem o assunto.
Sara riu, envolvendo sua cintura com os braços e lhe beijou o pescoço, fazendo Felicity corar.
– Hey, Fel? – lhe mordiscou levemente a orelha. Poderia facilmente remover aquela roupa toda novamente e leva-la de volta para o chão. Poderiam....
– Hum? – ela fechou os olhos, sentindo todo o corpo relaxar novamente ao simples contato dela.
– Não precisa ter vergonha de mim. – Sara sorriu, vendo-a corar ainda mais e se afastou. – Vamos.
– Para onde? – ela perguntou, ainda desnorteada pela ação de Sara.
– Oras, que pergunta boba, Fel. Vou te fazer chegar lá em cinco minutos.
Se Felicity havia aprendido algo naquela noite com Sara, era que ela sempre cumpria suas promessas.
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Ela não sabia como havia sobrevivido àquela corrida de moto com Sara, mas calculava ter perdido ao menos dez anos de sua vida no processo.
“Meu recado pra mim: nunca mais pegar carona com Sara quando estiver atrasada outra vez.”
Apesar dos olhares feios de Oliver, ela o ignorou fazendo seu trabalho e lhe entregou a pauta. Felizmente para ela, Oliver não conseguia ficar bravo consigo por mais de cinco minutos.
– Felicity—
– Eu sei. Não vai acontecer de novo. – ela o cortou, prevendo a bronca que viria por aí. Na verdade, estava cansada demais para isso.
– ... tire o dia de folga hoje.
Ela arqueou as sobrancelhas, descrente do que havia acabado de escutar.
– Ahn?
– Você ainda está com a mesma roupa de ontem. Não imaginei que o assalto seria tão complicado ou teria ficado para ajudar. – ele disse de maneira gentil. – Tire o dia de folga e descanse. – Oliver sorriu, lhe afagando os cabelos de leve.
Ela ainda não estava convencida. Ou Oliver estava muito doente ou havia enlouquecido de vez.
– Mas... mas e a reunião? E o Arqueiro?
– Apenas descanse, tudo bem? Você e Sara. Eu e Diggory damos conta do recado. Certo, Diggle? – olhou na direção do segurança que estava sentado na mesa da loira.
– Tudo bem por mim. – o moreno sorriu, piscando para Felicity como quem dizia para aproveitar o repentino senso de bondade de Oliver. Afinal, não era todos os dias que conseguiam o dia de folga.
– Okay então. Dia de folga a caminho. – ela respondeu sorridente e saiu da sala, pensando nas milhares de coisas que poderia fazer com um dia de folga: comprar roupas, ir à loja da Apple, fazer as unhas, ficar por dentro dos lançamentos da Amazon... mas nada disso lhe apetecia no momento.
Apesar do cansaço, ainda estava elétrica da noite anterior e só conseguia pensar no quão gostosa ela havia sido ao lado de Sara mesmo que a principio tivesse oferecido alguma resistência. Quase nada. Zero resistência.
Por céus, era uma vendida, mas antes que se desse conta, já estava ligando para Sara.
“Felicity, algum problema?” – Sara perguntou do outro lado da linha, aguardando a resposta.
(Para falar a verdade, ela parecia um pouco surpresa com sua ligação)
“Felicity?”
(Não era mais Fel. No que estava pensando? Em algum conto de fadas distorcido, com planos para o futuro além de uma noite casual?)
“Eu...” – engoliu em seco.
(Por que estava tão incomodada? Era apenas um jogo, Sara havia deixado isso claro desde o inicio. A aposta havia acabado, ela havia vencido. Fim de história)
“Você está bem? Está me ouvindo? É o Ollie?”
“Não, eu... tudo bem, Sara. Não era nada.”
“Felicity? Felicity!”
Ela desligou antes de dar resposta.
(Não era nada. Só um jogo. Nada mais)
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