Wanna Play?
23 Too much love
Notas iniciais
"Nenhum homem escolhe o mal porque é o mal. Ele apenas o confunde com felicidade, o bem que procura."
Mary Wollstonecraft
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Os dias passavam tão rápido que as duas mal conseguiam acompanha-los. Entre as escolhas de roupas, sabores de bolos, quitutes e outros adornos, ela e Sara haviam sido envolvidas em uma tempestade chamada: Donna Smoak e Quentin Lance, que haviam decidido que o casamento delas deveria ter TUDO o que ambos pudessem oferecer. Sim, ambos. Porque não permitiriam que elas levantassem um único fundo para pagar o casamento. Laurel também se prontificou a ajudar, tão animada quanto o pai com a ideia de casar sua irmã mais nova.
− Babados nas mesas, Laurel! – exclamou Sara, reclamando de uma espetada dada pela mulher que ajeitava seu vestido. – Por que precisamos disso?!
A promotora, que terminava de acertar os últimos detalhes com o buffet, ergueu os olhos incrédula para a irmã.
− É importante para a decoração, Sara! – respondeu, indignada com a falta de interesse da irmã mais nova naquilo. – Rosas brancas e vermelhas ou lírios?
A cabeça de Sara girava diante daquela pergunta. Ela praguejou baixinho quando a costureira lhe perfurou novamente. Nem mesmo em seu treinamento da Liga dos Assassinos tinha sido tão perfurada assim!
− Não podemos perguntar à Felicity? – Fez um muxoxo. – Ai!
− Senhorita Lance, pare de se mexer! Ou vai sair daqui com mais buracos que um queijo suíço!
Laurel deu um risinho encarando a irmã. Ex-assassina, capaz de entrar em qualquer lugar sem ser notada e heroína nas horas vagas, mas incapaz de ficar quieta enquanto Margareth ajeitava seu vestido.
− Você está linda, Sara. – murmurou ela. – Aposto que papai vai se emocionar quando te ver.
Um sorriso desenhou-se nos lábios de Sara e ela se permitiu relaxar por um momento.
− Rosas. Definitivamente as rosas.
Mal podia acreditar que se casariam no final daquele mês.
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O fim de semana chegou mais rápido do que podiam imaginar. O que não deveria ser mais do que um jantar na casa dos Lance, acabou se tornando uma bela recepção na cobertura de Ray Palmer, que fez questão de organizar uma festa que certamente daria de 10 a 0 no casamento que Quentin e Donna poderiam pagar.
Felicity sentiu-se perdida como a anfitriã em uma casa que não era sua, mas ao menos não chamaram para o jantar ninguém além do necessário. A hacker até havia mandado uma mensagem para Roy, mas considerando que ele havia desabilitado o número que conhecia por estar foragido, achou perda de tempo fazê-lo. O que, claro, não a impediu. Hope. Seu nome deveria ser Hope.
A noite amena, trouxe consigo um clima agradável e quase todos os convidados já haviam chegado sem mais problemas. Quentin se prontificara a pegar sua mãe na casa de Felicity, visto que ela e Sara tinham passado o dia todo resolvendo outros tipos de problema depois de se livrarem daqueles que envolviam a festa de casamento que seus pais sonhavam para ambas.
− Você e Ray conseguiram programar os drones com sucesso? – Sara perguntou, aproximando-se da noiva. Felicity estava exuberante, em um vestido escuro pontilhado por pequenos brilhantes e um corte V que evidenciava suas costas de uma maneira que fazia Sara querer agarrá-la ali mesmo. Já Sara, utilizava um modelo creme, discreto e longo, que cobria os pés que calçavam sandálias prateadas de salto baixo.
− Estão mais para nano robôs – respondeu Felicity – e sim. Eles já estão programados para encontrarem Scorpia. Quando tivermos uma confirmação do local, atacaremos. Estou monitorando tudo daqui. – Mostrou o pequeno tablet que havia trazido consigo e que cabia perfeitamente na bolsinha que combinava com seu vestido.
− Tão sexy quando diz essas coisas. – Sara sussurrou em seu ouvido, distribuindo beijinhos no pescoço de Felicity que a arrepiaram completamente.
− Ainda enlouquecendo com a história dos babados? – Felicity deu um risinho ao ver a expressão indignada de Sara. – Laurel me contou o seu drama.
− Traidora! – exclamou a outra loira, abrindo um sorrisinho. – Não estava imaginando esse tipo de casamento quando decidimos algo menor. Mas nossos pais parecem exultantes com isso.
Ao dizer isso, olhou para o próprio pai que discutia com Donna a possibilidade de uma fonte de gelo no meio do salão de festas.
− Logo logo vão convidar Snart para o baile. – Caitlin comentou, ao lado das duas, e ofereceu-lhes duas taças de champanhe. – Que tal fazerem o brinde? Assim ficarão livres após o jantar. Creio que não estavam esperando toda essa... animosidade. Ray é um pouco excêntrico com essas coisas. Sinto muito.
− Tudo bem. – Sara não quis parecer deselegante ao fazer desfeita para o colega de Felicity.
− Estávamos planejando algo um pouco mais dentro do orçamento de 300 dólares que tínhamos, mas uma festa de gala no topo de uma cobertura parece excelente! – Felicity forçou um sorriso. Não era que não estivesse gostando da festa, é claro que estava! Mas conseguia ver o desconforto de Sara, que queria algo realmente privado para ambas.
− Fico feliz que tenham gostado! – Ray surgiu ao lado de Caitlin, passando uma das mãos pela cintura da amiga. – Tentei encontrar um mágico para entreter a noite, mas... eles estão um pouco escassos ultimamente.
− Sabe que não temos oito anos, não é, Raymond? – Sara não conseguiu evitar a gargalhada ao notar que os olhos de Felicity brilhavam com a possibilidade de um mágico aparecendo a qualquer momento. – Você quer um mágico em nosso casamento, baby?
− Fazendo a cerimônia? – Felicity franziu as sobrancelhas, entrando na brincadeira.
− Isso seria único. – Deu um selinho leve nela. Naquele momento, o tilintar de um talher sendo batido contra uma taça foi ouvido, com Quentin tomando a palavra, agora que Laurel havia chegado com Eric e Sin.
− Que tal uma palavrinha das noivas? – sugeriu Quentin. Felicity e Sara se entreolharam, um pouco desconfortáveis com a atenção imediata; fato que não passou despercebido por Laurel, que pegou uma taça de água de um dos garçons (garçons! Em um jantar de recepção com nove pessoas!) e ergueu-a.
− Que tal se eu disser algumas coisas primeiro? – Eric e Sin se afastaram. Sara moveu os lábios em um agradecimento silencioso para a irmã mais velha quando os olhos dela se voltaram na direção de ambas. – Quando conheci Felicity, ela estava sentada em uma cadeira na recepção do hospital, esperando que minha irmã saísse de cirurgia. Nunca pensei que existiria um dia no qual meu coração pesaria mais do que naquele em que Sara entrou naquele navio e foi dada como morta. – Fez uma pausa, sentindo a voz embargar. As lembranças vieram como uma torrente para Sara, que apertou o abraço em torno da cintura de Felicity, o queixo apoiado em seu ombro.
“Mas ela estava lá, ao meu lado, e eu nunca tinha visto ela antes em toda a minha vida. Talvez uma vez ou duas, na empresa de Ollie. Mas quantas pessoas não trabalhavam para ele e passavam completamente despercebidas? Eu enxerguei a dor em seu olhar, em suas palavras que tentavam me consolar. E fiquei me questionando: quem diabos é essa estranha e o que ela quer com a minha irmã? Mas eu vi, enquanto Sara não recobrava a memória após seu incidente, todo o esforço que ela fez para estar por perto. Toda a dor que ela guardava para si apenas por saber que Sara estava segura e que ela estava bem. E quando minha irmã foi embora... quando minha irmã precisou partir, Felicity foi atrás dela. Ela foi atrás dela sem sequer hesitar. E a trouxe de volta para nós. Nunca em toda minha vida, vi um amor mais verdadeiro, mais translúcido e mais bonito do que esse. Sei que se existe alguém capaz de fazer Sara feliz e de criar raízes em algum lugar, esse alguém é você, Felicity. Então seja como seu nome. Traga felicidade para ela. Porque para nós você já trouxe, permitindo que ela fique ao nosso lado outra vez.”
Felicity não sabia o que dizer, e Sara apenas se soltou da noiva para abraçar a irmã com força. Depois de tudo o que haviam passado, de ela ter ficado com Oliver que na época era noivo de sua irmã, ela simplesmente havia lhe perdoado e superado aquilo tudo. Laurel havia se tornado uma mulher forte, sagaz e capaz de qualquer coisa que desejasse. E finalmente estava tendo tudo o que merecia.
− Cuide bem dela. – Sara sussurrou por cima do ombro da irmã, olhando diretamente para Eric que sorriu em retribuição.
− Eu vou.
− Obrigada por tudo, Laurel. Obrigada por nunca desistir de mim. – Beijou seu rosto com cuidado, enquanto eram ovacionadas por aplausos e uma música suave dos músicos (veja bem, músicos!) contratados por Ray começava a soar no salão.
− Nunca, irmãzinha. Como você nunca desistiu de mim também.
Ficaram assim por um momento, até Ray sugerir que aquela era uma ótima hora para a dança do casal.
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A noite seguiu tranquila, tranquila demais para o gosto de Sara e Felicity até que o que elas esperavam simplesmente aconteceu: o alarme de um banco soou, indicando que elas precisavam partir.
Foi difícil explicar para a mãe que o detector de fumaça do apartamento de Felicity tinha apitado e que as duas precisavam ir. Ela insistiu que estava tudo bem, que ela poderia checar aquilo, mas elas foram incisivas e Laurel sugeriu que Donna já havia degustado demais dos coquetéis e que deveria ficar ali. Prometeu às duas que ficaria de olho nelas.
O restante da festa transcorreu de maneira tranquila, o assalto terminou sem que ninguém fosse ferido e os bandidos foram presos pelo capitão da polícia que apareceu na cena do crime depois que a Canário Negro havia feito todo o trabalho.
Quando Sara finalmente retornou ao QG, Felicity ainda vestia a roupa de gala, e parecia muito sexy aos olhos da loira.
− O que achou da roupa nova? – Felicity questionou.
− Maravilhosa em você. – Sara a puxou pela mão, envolvendo sua cintura e abrindo um sorrisinho.
− Eu estava falando da sua roupa, boba. – Deu-lhe um selinho leve, os olhos um pouco embargados do vinho que havia ingerido durante a festa.
− Perfeita. – Roubou outro beijo dela. – Parece feita sob medida. Agradeça seu amigo Cisco por mim.
− Eu já agradeci. – Felicity passou os braços ao redor do pescoço de Sara. – E o chamei para o casamento. Se você não se importar.
− Ficarei surpresa se o próprio Obama não aparecer para te deixar no altar.
Trocaram risinhos divertidos, talvez um pouco altas pela bebida. Altas o bastante para não terem percebido que tinham sido seguidas até ali quando deixaram o QG com Sara pilotando a moto para o apartamento da noiva.
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− Está feito. – comunicou através do aparelho celular descartável.
− Muito bem. A data do casamento permanece no final do mês?— Noah questionou.
− Sim. Acho que você teria gostado do discurso que Laurel fez para as duas. Falou muito sobre sua filha. – Eric apertou com força os punhos, o celular grudado na orelha enquanto terminava de ocultar o pendrive.
− Não tenho dúvidas da capacidade de sua namorada. Muito bem, Eric. Considere-se livre das minhas amarras e seus registros completamente apagados. Tenha uma boa vida.
Eric desligou, sem desejar o mesmo de volta. O celular chocou-se contra o chão e seu pé o esmagou completamente, fazendo com que seus circuitos se estilhaçassem por completo acabando com a única prova que o conectava ao Calculator.
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Felicity tinha acabado de descalçar as sandálias quando uma sombra se moveu em sua direção, levando uma das mãos até sua boca. O seu instinto, claro, era o de gritar. Mas a pessoa que a segurava, era forte demais e Sara estava preparando o café na cozinha para que não tivessem que lidar com uma ressaca na manhã seguinte, onde deveriam escolher entre os locais disponíveis para a cerimônia.
− Acalme-se, Felicity, sou eu! Recebi sua mensagem mais cedo.
Os músculos tensos foram relaxando à medida que reconhecia a voz que falava consigo.
− Posso soltar? – A voz sussurrada em seu ouvido também era tensa; Feliicity acenou positivamente com a cabeça antes de deixar o ar escapar pelos lábios.
− Está tudo bem aí, Fel? — gritou Sara. – Precisa de ajuda com o vestido?!
− Está tudo bem! – Felicity respondeu de volta. – Eu já vou!
E virou-se na direção de Roy, que utilizava o uniforme de Arsenal e tinha uma expressão um tanto assustada no rosto.
− Por que vocês não podem aprender a bater na porta?! – disse entredentes. A expressão de Roy se suavizou. Havia tantas coisas que ele queria dizer a Felicity! Mas naquele momento, apenas abraçou-a com força, não querendo deixar aquela oportunidade passar. A hacker o abraçou de volta, sentindo sua respiração um pouco acelerada. – Há quanto tempo está aqui?
− Cheguei alguns minutos antes de vocês. – Afastou-se para olhá-la e abriu um sorriso terno. – Me desculpe. Me desculpe por tudo. Desculpe por não estar presente, mas... vocês vão mesmo se casar? Uau! Eu... eu não sei o que dizer. Parabéns.
− Onde esteve, Roy? Por que não fala conosco? Por que desapareceu assim? Por que não nos deixa ajudar? – Tantas, tantas perguntas que permeavam a cabeça de Felicity sem que uma resposta coerente se formasse nela!
Em resposta, ele apenas lhe estendeu um pendrive.
− Eu não deveria estar aqui, mas precisava ver você. – disse ele. – Precisava ver você e dizer que não faço parte disso. Que a princípio pensei em fazer, mas... não posso, Felicity. É horrível. Simplesmente horrível. Não consigo pará-la sozinha e o método de vocês para encontrar ela não é eficaz, porque ela mudou as coisas. Ela mudou muita coisa. Mas aí... aí você vai encontrar tudo o que precisa. Tenho certeza de que saberão o que fazer. Mas ela sabe. Sabe que estão vindo. Preciso voltar.
Felicity segurou a mão de Roy firmemente.
− E quanto à sua doença? – ela questionou, sentindo o lado egoísta tomar conta de si.
− A doutora me deu até o final do mês. – Felicity engoliu em seco, mas os olhos estavam marejados. Roy ia dizer mais algo, quando Sara apareceu na porta do quarto e deixou a caneca de café com os dizeres ‘tenho a melhor noiva do mundo ♥’ estilhaçar-se no chão.
− Sara... – Felicity virou-se na direção da noiva para acalmá-la. Havia algo além de dor na expressão de Sara que não poderia ser traduzido em palavras.
− Sinto muito. – Roy murmurou para ela e pendurou-se na janela, antes de se lançar por ela.
− Espere! Roy! – Felicity debruçou-se na amurada, e apenas não caiu porque Sara a agarrou pela cintura. – Daremos um jeito! Fique vivo até lá!
− Felicity... o que foi isso?
Mas Felicity apenas apertou o corpo de Sara contra o seu, entregando-se às lágrimas enquanto sentia o pendrive morno em uma de suas mãos.
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Foi difícil para Sara escutar que Roy não queria vê-la, que achou que ela simplesmente não entenderia pelo que ele estava passando. Justo ela que o havia defendido tão firmemente diante de Felicity mesmo depois de ter uma bala enterrada na própria perna.
Depois de recolherem os cacos da caneca e de limparem o chão, as duas estavam sentadas no sofá, o barulho da TV de fundo enquanto Felicity repousava o notebook no colo.
− Não nos falamos muito. – confessou ela. – Mas ele parece realmente preocupado com o que quer que Scorpia esteja planejando. E ele disse que nosso método para encontrá-la não vai funcionar. Que ela mudou as coisas.
− Gostaria que ele tivesse me dado a chance de reagir também. – Sara soou magoada ao dizer aquelas palavras. Como se a falta de confiança de Roy em si fosse algo que ela não superaria facilmente.
− Ele está morrendo, Sara. – Felicity apertou com força o ombro da noiva. – Não acho que lidar com isso tudo seja fácil também. – suspirou baixinho, enquanto acoplava o pendrive à entrada USB de seu notebook.
Sara ainda não conseguia lidar com essa informação. Como era possível que Roy Harper, tão alegre, ativo e cheio de vida, estivesse morrendo pelo uso de uma droga que sequer havia pedido para fazer parte de seu organismo? Novamente, o fantasma Slade Wilson voltava para assombrá-la e ela não sabia o que fazer a respeito disso.
− Meu Deus... – A exclamação de Felicity trouxe Sara de volta à realidade. Somente naquele momento, olhou para a tela do notebook, que exibia o vídeo de algo... inumano feito com um bebê.
“Dia um do experimento. Conseguimos extrair as células do feto gentilmente doadas pela cobaia 01 com sucesso. Partiremos agora para a próxima etapa. Os escorpiões não serão necessários.”
− Precisamos voltar para o QG. – Sara ergueu-se, de repente sóbria demais sobre a situação na qual se encontravam. Felicity não questionou a noiva. O café permaneceu intocado na mesa enquanto ela apertava o pendrive entre os dedos. Talvez Roy tivesse dado a elas a única pista da natureza real de Scorpia através daqueles vídeos macabros e cruéis.
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Caitlin e Ray ficaram horrorizados diante daquelas imagens. No caminho para o QG, Felicity havia ligado para a cientista, dizendo que ela fosse com Ray até lá. O bilionário parecia mais branco do que as pilastras de alabastro de um dos locais da festa sugeridos por Donna e Caitlin precisou vomitar os camarões chiques que havia comido mais cedo no jantar quando viu o conteúdo tenebroso daquele vídeo. Não apenas pelo rosto desfigurado de Nora que aparecia na filmagem, evidenciando que era realmente ela, mas também pelo que acontecia. Felicity mal conseguiu assistir pela segunda vez sem se debulhar em lágrimas horrorizadas; Sara transbordava de ódio.
− Roy nos disse que o nosso método para encontrá-la não vai funcionar, Ray. – A hacker cerrava os punhos com tanta força que as unhas se cravavam na palma.
− Vou reprogramar os mini-rays para que consigam localizar o local através das imagens do vídeo. Talvez eles consigam algo. Não se preocupe com isso. – Passou as costas da mão sobre os olhos, limpando as lágrimas. Eles haviam iniciado aquele projeto juntos. Eles haviam permitido isso.
− Acha que Barry poderá nos ajudar, Caitlin? – Felicity perguntou. Sara apenas andava de um lado para o outro, prestes a cavar um buraco no chão.
− Ele não atende as minhas ligações. Nem Cisco. Acredito que algo deva estar acontecendo por lá também. – Mordeu de leve o lábio inferior, culpada por ao mesmo tempo não estar lá e por estar ali, resolvendo algo que parecia maior do que qualquer outro problema no momento.
A hacker massageou as têmporas, a cabeça latejando de dor.
− Ela vai atacar logo. Vai atacar logo e talvez convença mais mães a fazerem isso. – Felicity tentou engolir o choro. – Mães desesperadas que estão se viciando na Cataclysmus e que vendem seus bebês em troca de uma segunda chance. Que tipo de monstro faria isso? Mas que inferno! Por que eu não consigo localizá-la?!
Ray estendeu uma das mãos para tocar o ombro de Felicity, mas naquele momento, um ruído foi ouvido da escuridão. Imediatamente, Sara agarrou o bastão duplo ao lado da mesa de Felicity, pronta para atacar o invasor. Mas sua expressão transformou-se de ódio em surpresa ao ver o namorado da irmã saindo de dentro das sombras.
− Eric?! – Sara e Felicity falaram em uníssono.
− Não posso ajudar vocês nisso, mas sei quem pode. – Ele desviou o olhar, sentindo aquela culpa esmagadora que o corroía envolvendo-o de uma única vez. Sara nunca o perdoaria por aquela traição. Laurel nunca o perdoaria. Mas se existia alguém que poderia ajudar Felicity a localizar Scorpia, que já destruíra tantas vidas, esse alguém era Noah.
− O que você está fazendo aqui?! – A pergunta de Sara deixava evidente que ela havia ligado os pontos. Sobre quem os estava seguindo.
− É o seu pai, Felicity. – Eric prosseguiu, como se não tivesse escutado Sara, embora estivesse muito ciente de cada uma de suas palavras. – Ele pode te ajudar a localizar ela. E eu sei onde ele está.
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Possivelmente, se Eric tivesse saído do QG de Sara e Felicity assim que terminou seu trabalho, jamais teria escutado aquela conversa. Fato é que algumas coisas simplesmente precisam acontecer da forma que precisam acontecer e sua consciência o havia atormentado até o ponto onde decidiu que não poderia fazer parte daquilo que Noah havia proposto e estava disposto a abrir mão de tudo por isso, mesmo que significasse voltar para a cadeia. Pois se havia algo que ele tinha aprendido com Laurel, acompanhando-a de tão perto a respeito da seriedade com a própria sobriedade, fora a como ser honesto consigo mesmo e com os outros. E isso ia contra tudo o que ela havia lhe ensinado naquele período.
O choque de ideais fez com que ele retornasse, sob o risco de ser pego. E poderia ter se livrado do pendrive sem que nenhuma conexão fosse feita, embora achasse que Noah Kutler não deixaria nada barato.
Enquanto seguiam em um silêncio taciturno na direção da casa onde Noah habitava provisoriamente, Felicity sentia a cabeça entrando em conflito a respeito daquilo tudo. Eric ia na frente, em sua moto, e ela e Sara logo atrás. Ray havia ficado no esconderijo para fazer uma varredura no sistema e Caitlin o estava ajudando com isso.
No final das contas, mesmo ele tendo revelado tudo o que havia feito, Felicity decidiu que não deveriam mexer no pendrive, porque:
1 – Noah Kutler provavelmente já havia acessado tudo o que queria naquele período;
2 – Se o retirassem, provavelmente ele saberia que Eric tinha lhe traído e sairia às pressas de seu esconderijo;
3 – Ela queria esfregar na cara dele que poderia muito bem combater o seu vírus porque não era mais nenhuma garotinha jogando pac-man enquanto esperava pelo pai.
− Converse comigo, Fel. – Sara pediu, mais concentrada em olhar de soslaio para a noiva do que no trânsito, mas sem nunca perder Eric de vista.
− O que quer ouvir além do fato de que sinto muito por ter arrastado sua irmã para isso? – Felicity deu uma risada seca. Após o discurso maravilhoso de Laurel, sentia-se culpada que o namorado da cunhada tivesse feito aquilo para se aproximar dela. Mas havia algo de verdadeiro em seus sentimentos, ela sentia. E Felicity não era dada a erros, não quando a questão era a respeito dos outros.
− Sabe que a culpa não foi sua. – Sara foi compreensiva com a investida de Felicity. Sabia que quando ficava nervosa, ela costumava ser afiada com as palavras.
A hacker apertou os olhos, pensando no pai que nunca havia conhecido e em como ele vinha tentando se aproximar da maneira errada.
− Ele me contatou antes de Nanda Parbat. Me contatou e me disse o que eu precisava fazer caso quisesse levar adiante o que eu planejava. – Felicity engoliu o choro, os dedos apertando com firmeza o tecido da roupa de Sara. – Eu poderia ter dito que não, mas segui com seu plano, Sara. Não foi Oliver quem matou R’as Al Ghul. Fui eu.
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Existem momentos onde o som simplesmente é tragado. Onde não resta nada além do silêncio absoluto que permeia. Um vácuo eterno que envolve e traz consigo a mortalha do desespero; até mesmo a dor é anestesiada no processo.
Sara se sentiu assim diante da revelação de Felicity, diante daquele pai que havia usado o amor projetado de uma filha para alcançar seus reais objetivos.
Noah Kutler.
Ela não conhecia seu nome e não sabia quem ele era até vê-lo realmente. E ainda assim, seu rosto não era conhecido por ela. Talvez Nyssa o conhecesse se o visse.
Mas quando ele abriu a porta da casa, com um olhar despretensioso de quem já as aguardava, tudo o que Sara conseguiu fazer, foi suspender seus pés do chão e o imprensar contra a parede com tanta força que lhe roubou o ar.
Seus olhos, azuis, frios, gélidos e analíticos apenas o encaravam. Havia no olhar de Noah uma compreensão súbita de que a noiva de sua filha faria qualquer coisa para protege-la, e isso ele aprovava. Não aprovava, talvez, o fato de estar ficando sem ar à medida que ela lhe imprensava com mais força contra a parede.
− Eu te mataria agora. – murmurou ela. – Te mataria agora se Felicity não estivesse aqui. Te mataria agora se ela não precisasse falar com você. Porque tenho certeza de que ela conseguiria. Tenho certeza de que ela conseguiria resolver o que quer que fosse o seu quebra-cabeças ridículo. Tenho certeza de que a genialidade dela supera a sua.
− Eu também. – Os olhos dele brilhavam de maneira desafiadora. Felicity não se moveu de onde estava, permitindo que Sara tomasse as rédeas da situação. Ela não sabia como agiria se tivesse sido a primeira a colocar os pés naquela casa. Ao seu lado, Eric parecia uma decoração da ala externa. – Podemos ao menos conversar, senhorita Lance?
Sara pareceu ponderar muito sobre isso, desejando enfiar uma faca entre os olhos daquele homem. Ainda se lembrava da voz chorosa de Felicity, da culpa que ela carregaria pelo resto da vida. A flecha de Oliver não havia matado R’as, seu veneno havia. Era esse o motivo de seus pesadelos. Era por isso que ela acordava todas as noites gritando sem que Sara pudesse consolá-la propriamente.
− Você vai ouvir tudo o que ela tem a dizer. – alertou Sara. – E se no fim das contas, eu decidir que você não é útil para nós, irei matá-lo. É como as coisas vão ser.
Noah acenou sutilmente com a cabeça, da maneira que se pode acenar quando uma assassina te imprensa contra a parede de sua casa.
− Pode soltá-lo. – Felicity murmurou. Apenas naquele momento, Sara obedeceu e Noah puxou o ar em grandes golfadas antes que fizesse um sinal para que os outros dois entrassem na casa.
− Vamos. – disse ele. – Temos muito o que conversar antes que vocês decidam me condenar como o criminoso que certamente sou.
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Felicity não disse tudo como Sara achou que ela diria. Ao invés disso, Noah foi quem tomou a frente da situação. Ele disse que estava ciente a respeito de Scorpia desde que ela havia colocado os pés em Star City, mas que como elas estavam ausentes da cidade, ele apenas fez olhares velados a respeito dela.
− Entendam que não sou um mocinho, mas isso não significa que seja o pior dos vilões. – Noah encolheu os ombros, servindo-se de uma taça de vinho. Serviu aos outros também, mas elas permaneceram intocadas. Exceto pela de Felicity que já estava seca. Aparentemente, encarar o pai estava sendo uma barra mais difícil do que ela imaginava. – Eu não sabia o que ela realmente planejava até esse momento, quando invadi o sistema de vocês e tive acessos às mesmas gravações que vocês tiveram.
“Até então, ela parecia ser uma traficante de baixo risco que vinha crescendo rapidamente no mercado devido a algum tipo de droga viciante, mas sempre que eu tentava pesquisar mais a respeito, ela parecia camuflar os próprios rastros, como se soubesse que tinha alguém em seu encalço. Quando você voltou para a cidade, Fel (não me chame assim, disse Felicity), eu decidi deixar isso para lá, porque queria me conectar a você. Pode ser difícil de acreditar nisso, por todos os anos que passei distante, mas sempre a acompanhei. Nunca pude me aproximar demais, porque R’as Al Ghul tinha seus olhos sobre mim e o juramento de que mataria você e sua mãe se eu saísse da linha ou se me aproximasse demais de vocês. Tinha me garantido, no entanto, que estariam seguras e sob a proteção da Liga dos Assassinos se eu seguisse à risca tudo o que ele tinha para me pedir. A única forma que tive de me livrar disso – de nos livrar disso – foi forjando a minha própria morte. Mas sempre acompanhei cada passo de sua vida. E quando você finalmente realizou aquilo... quando finalmente o matou, então eu estava livre. E decidi que colocaria em teste as suas habilidades para que você pudesse finalmente ter acesso a todo o meu legado. Entenda, tudo o que eu sempre quis foi fazer parte da sua vida. Nada mais. Porque eu te amo, Felicity. Eu te amo demais. Muito além do que posso expressar.”
− Acho que você foi muito infeliz querendo demonstrar isso. – A voz de Felicity soou fria e cruel de um jeito que Sara nunca havia escutado. Até mesmo o sorriso em seus lábios era diferente e isso não agradou em nada a Canário. Era como se gelo corresse em suas veias naquele momento. – Me fazendo matar um homem que podia não ser inocente, mas que era uma vida. Um homem, que por sinal, foi muito mais digno comigo do que você jamais seria. Do que jamais será.
− Fel... – Sara tentou segurar a mão da noiva, mas ela não retribuiu o gesto.
− Vai me ajudar a encontrar Scorpia e vai me ajudar a derrubá-la. – disse Felicity. – E se quiser ter a mínima chance de algum dia fazer parte da minha vida, se entregará às autoridades por todos os seus crimes depois disso. É como as coisas irão funcionar. E talvez assim eu considere a ideia de deixa-lo ir ao meu casamento.
Noah encarou a filha, aquela garotinha que ele havia deixado para trás e que havia crescido tanto até então. Era difícil escutar aquelas palavras saídas de sua boca, mas o que ele estava esperando? Algum tipo de recepção calorosa na qual ambos se conectariam depois de anos apenas porque tinham algumas coisas em comum?
Não, ele era cético demais para acreditar em contos de fadas.
− Poderei levá-la até o altar? – Havia um brilho de esperança no fundo de suas íris azuladas. Sara achou que Felicity fosse pular no pescoço do pai naquele momento.
− Jamais permitirei que tenha na minha vida o espaço que um pai teria. – rebateu ela. – Foi Donna Smoak que me criou sozinha, com três trabalhos de garçonete, desistindo da carreira que tanto sonhava porque ela acreditava no meu futuro. Se alguém tiver que me levar ao altar, será ela ou qualquer outra pessoa. Até mesmo Nyssa Al Ghul! Mas não você.
Aquelas palavras pareceram ter o efeito de um tapa na cara de Noah. O homem realmente não sabia como reagir diante delas. Por fim, suspirou pesadamente, os ombros parecendo velhos e cansados demais.
− Tudo bem. – disse ele. – Mas precisaremos ir até o seu QG para localizá-la. Aqui eu não tenho meus computadores ou a tecnologia necessária para isso. É tudo de segunda linha.
Segunda linha. Sara não queria imaginar o que Noah Kutler seria capaz de fazer com aparelhos sofisticados de ponta.
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Laurel não sabia o que dizer quando Eric a procurou naquela noite, contando-lhe toda a verdade. Foi como ser levada por uma corrente muito forte sem conseguir se segurar nas pedras e mergulhar em uma queda interminável: doloroso, letal, cruel.
Quando finalmente as coisas pareciam ter tomado rumo em sua vida, quando finalmente parecia ter encontrado a pessoa certa... era tudo uma ilusão.
− Se aproximou de mim só para chegar até elas? – questionou, de repente sentindo a boca seca demais. Desejando por vodka ou algo mais forte. Será que tinha alguma coisa nos armários? Procurou, mas não encontrou nada. Nem mesmo perfumes ou enxaguante bucal; havia extinguido tudo com álcool de sua vida.
− Sabe que não foi assim que as coisas aconteceram, Laurel. – Eric foi atrás dela, sabendo exatamente o que a namorada procurava. – Você veio até mim naquele bar, nos conhecemos novamente e nos apaixonamos. Eu nem sabia que Sara era sua irmã e que estava envolvida com Felicity! Acredite, Noah Kutler é uma parte da minha vida da qual não me orgulho, mas eles iam me matar lá dentro!
O pior de tudo é que as palavras do desgraçado faziam todo o sentido. Quando Laurel havia pegado seu caso – o que achou ser uma ironia do destino, mas que agora se encaixava perfeitamente em sua mente –, um homem cuja aparência batia com a do Noah descrito por Eric, havia lhe entregado a sua ficha criminal, dizendo que aquele garoto havia sido colocado injustamente na ala de segurança máxima com monstros que certamente o matariam antes que tivesse a chance de ser reintegrado na sociedade. E ele lutou muito para que ela, uma advogada obstinada por seu primeiro grande caso, o aceitasse. E até mesmo a ajudou com algumas pistas que lhe permitiram ajudar na soltura de Eric.
O que a promotora mais queria agora, era sentir ódio dele, manda-lo catar coquinho ou para o raio que o parta. Mas ali estava Eric, sendo todo fofo com ela e admitindo uma verdade que para si era tão dolorosa quanto para ela era ficar sem seu vício: a bebida.
− Não consigo. – disse ela, espalmando o peito de Eric quando ele se aproximou. – Não consigo fazer isso agora. Preciso pensar em tudo o que você me disse, inclusive sobre o fato de que entrou no QG da minha irmã e colocou aquele negócio no computador de Felicity. Sabe o que poderia ter causado? E se ele decidisse revelar tudo para o mundo?
− Eu sei. – Eric soou arrependido. – Sei de tudo isso e sei que não tenho direito algum de lhe pedir perdão, mas aqui estou eu. E vou esperar o tempo que for por você, Laurel. Farei o que achar melhor, mesmo que isso signifique ter que me entregar à polícia novamente pelo que quer que seja. E se ainda assim não for capaz de me perdoar, quero que saiba que fui muito feliz ao seu lado. Em cada dia. E que quero passar a minha vida inteira tentando me redimir de tudo o que te fiz passar. Mas não volte a beber por mim. Eu não mereço isso.
Laurel foi empurrando Eric até a porta, olhando-o com desprezo. A boca ainda estava seca quando ela segurou a maçaneta com força e empurrou-a com tudo até que batesse na cara do barman.
− É. Não merece.
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Finalmente, Thea podia vislumbrar os letreiros que indicavam que estavam próximos de casa. O vento forte levava seus cabelos para trás enquanto permanecia debruçada no carro, ao lado de John, que dirigia. Malcolm ia comportado atrás, com um biquinho por não estar no volante ao lado da filha.
− Está pronta para encarar isso tudo outra vez? – John perguntou.
− E eu tenho outra escolha?
Os dois trocaram sorrisos cúmplices. Mas tudo o que Thea queria era salvar Roy de si mesmo antes que fosse tarde demais.
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Da janela do novo quarto construído para os dois, Nyssa recebeu com prazer a brisa que acariciava seus cabelos. Oliver sentou-se ao seu lado, observando as feições tranquilas da esposa, que em nada lhe lembravam a assassina que conhecera anos atrás.
− Em que está pensando? – questionou ele. Nyssa entreabriu os olhos, a expressão suave permeando o olhar.
− Na mensagem que recebemos. E no fato de agora termos sinal de rádio aqui em Nanda Parbat. Já é um avanço. – Deixou o esboço de um sorriso passar por seus lábios.
− Sobre o casamento das meninas? – Arqueou as sobrancelhas. – Pensa em aceitar a proposta?
Nyssa ainda tinha o olhar contemplativo quando entrelaçou os dedos aos do marido. Oliver não se opôs ao toque gentil a mão que, como a dele, era cheia de calos. Calos de assassinatos.
− Penso que sim, meu marido. E você?
Oliver apenas sorriu em resposta, aproximando-se dela para lhe dar um beijo breve.
− A palavra de Nyssa Al Ghul é suprema nesta ilha.
Ela acenou com a cabeça e ergueu-se.
− Devemos nos preparar então. Quero estar lá para ver Sara em um vestido ridículo como o que ela escolheu para mim.
Oliver explodiu na gargalhada, lembrando do pedido especial de Felicity. Pedido este que aquecera seu coração.
− Essa eu também quero ver. – Acompanhou a esposa. Fariam os preparativos para chegarem lá a tempo da tão esperada união de Sara e Felicity.
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Scorpia levantou-se de sua cadeira, observando as janelas de vidro que davam uma bela vista para o laboratório onde tudo acontecia.
− Deixou o pendrive fácil para que ele tivesse acesso, Cobra? – questionou, as mãos atrás do corpo vestido pelo jaleco impecavelmente branco.
− Ssssim, minha ssssenhora. Como ordenado por você. Mas o que pretende, se me permite perguntar? – O homem sibilou, a língua bifurcada deixando a boca enquanto falava.
− Que venham até mim. – respondeu ela. – Que saibam o quão grandioso é o meu projeto. Porque quando vierem... ah, quando vierem, eu já estarei pronta. Nós já estaremos prontos. Essa cidade será tomada pelo caos daqueles que um dia nos rejeitaram. Como todas as outras. E todos cairão aos nossos pés quando o gás Scorpia começar a agir e usar o nosso método for a única cura que os permitirá viver.
A gargalhada dela ecoou e Roy engoliu em seco, oculto sob as sombras enquanto escutava o que Nora tinha a dizer. Precisava dar um jeito de avisar Felicity e Sara. Antes que fosse tarde demais.
− Acho que achei um espião! – Uma voz esganiçada soou atrás de Roy. Os olhos de Scorpia se iluminaram, de repente atentos quando o cano da arma pairou nas costas do rapaz, forçando-o a se revelar. – Devo mata-lo, mestra?!
Mas Scorpia apenas sorriu de canto.
− Não. Levem-no para a ala de experimentos. O Sr. Harper acaba de se candidatar aos testes principais.
− Elas vão chegar até você! Vão dar um jeito de te parar! – Ele trincou os dentes.
− Graças a você, meu caro, elas virão. Mas certamente incapazes de deter o meu exército! – Scorpia gargalhou. – Prepare tudo, Cobra. Não aceitarei falhas no nosso plano.
− Como queira, minha sssenhora! – sibilou, fazendo uma breve reverência enquanto se retirava.
− Essa noite será um estouro. – Scorpia sorriu, ciente de que tudo acontecia exatamente da maneira que havia planejado.
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Noah podia ser um canalha, mas Felicity precisava admitir que ele era um canalha genial. Juntos, os dois foram capazes de triangular a localização de Scorpia com a ajuda dos mini-rays. Graças aos vídeos fornecidos por Roy, tinham a localização exata do local.
− Quando atacaremos? – Ray perguntou, assim que Felicity mostrou as imagens de satélites que tinham conseguido.
− Hoje à noite. – Felicity respondeu. – Não esperaremos nem mais um dia para colocar essa mulher atrás das grades.
Sara anuiu, terminando de vestir a roupa que Cisco havia lhe dado. Era hora de descobrir todas as belezinhas que aquele novo acessório poderia fazer.
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