Wanna Play?

12 Damnatio Memoriae


Notas iniciais
Tem como pedir desculpas depois de um hiatus tão grande? Acho que não. Bom capítulo! Damnatio Memoriae – Condenação da Memória

You do it all for my own protection

You make me feel like I'll be okay

Still I have so many questions

How do you stay so strong?

How did you hide it all for so long?

How can I take the pain away?

(Você faz tudo isso por minha própria proteção

Você me faz sentir como se eu fosse ficar bem

Ainda tenho tantas perguntas

Como você se mantém tão forte?

Como você escondeu isso tudo por tanto tempo?

Como posso tirar a sua dor?)

Fallen Angel – Three Days Grace

X

[Nyssa]

Eu sempre soube o que significava amar alguém.

Para a maioria das pessoas, essa seria a realização de uma vida. Encontrar alguém perfeito, alguém que lhe fizesse sentir pleno apesar de seus defeitos.

Aqueles que vêm de fora costumam pensar que, porque somos assassinos treinados desde o nascimento—no meu caso—, somos desprovidos de qualquer emoção que não seja voltada para o ódio ou o desejo crescente de matar.

Eu também pensava isso até conhece-la.

Sara era um passarinho querendo alçar voo para fora daquele barco, daquela ilha, daquela vida e eu, sua única rota de escape.

Sei o que meu pai viu em meus olhos quando pedi para que ela fosse aceita na Liga. Sei que ele tentou, de todas as formas, assassiná-la nas provações. Mas Sara se provou digna. Provou que queria viver mais do que ele desejava matá-la e tornou-se um membro importante entre nós.

Ta-er al-Sahfer.

Eu não havia compreendido o motivo de seu apelido até o momento.

Pensei que, como tantos outros, poderia aprisiona-la em uma gaiola onde estaria protegida dentro dos meus cuidados e dos meus sentimentos verdadeiros, os únicos que já tive. Pensei que, com sua perda de memória, teria uma nova chance de fazê-la minha, de fazer com que me amasse e liderasse a Liga ao meu lado quando eu finalmente decidisse destronar meu pai.

Eu estava enganada.

Eu gostaria de não estar.

Pelo bem dela e da minha sanidade que agora não pertence mais a mim.

X

Parecia que seu coração havia parado de bater dentro do peito. Por um segundo ou dois, Sara havia se esquecido como respirar e vivia somente para observar aquela mulher loira que havia adentrado pela porta. A mesma que havia lhe visitado no hospital, trazendo-lhe sensações que ela não podia explicar.

Não era a segurança que Nyssa trazia, era como andar em corda bamba sem uma rede para protege-la da queda no topo do picadeiro.

E, por algum motivo, Sara gostava daquela sensação.

— Sara? – sua voz soou trêmula e insegura. Achar a entrada daquele bunker havia sido difícil e somente possível graças à tecnologia que Felicity havia pego emprestada de Palmer. Ela sabia dos riscos que corria indo a campo, mas com Sara em jogo não queria arriscar. Não poderia perde-la outra vez.

— O que você está fazendo aqui?

Felicity deu um grito e sobressaltou-se quando Sara saiu das sombras, do único ponto que não havia verificado.

— O que eu estou fazendo aqui?! O que VOCÊ está fazendo aqui! – sua voz soou histérica. Quando pensou naquele reencontro, havia pensado em abraçar Sara e talvez confortá-la por sua perda de memória. Mas agora que todos os sentimentos retornavam todos de uma vez, ela só conseguia sentir uma intensa preocupação e o medo que a permeava sempre que pensava em Sara sozinha por aí, mesmo que a heroína soubesse se defender muito melhor do que todo o batalhão de policiais de Starling City juntos.

Sara entreabriu os lábios para responder, mas Felicity prosseguiu como se nem se desse conta:

— Você só desapareceu, Sara. – agora soava cansada, como se não dormisse bem há dias. As olheiras que ficaram visíveis quando ela retirou o óculos de visão de calor demonstravam isso. – Só sumiu da cama do hospital quando eu te vi quase morta na minha frente. E por minha culpa.

As últimas palavras foram um sussurro tão baixo que Sara apenas leu os lábios da outra loira. A expressão de dor e tristeza eram tão palpáveis, que o desejo de abraçá-la apenas se intensificou.

Ela nunca parou para pensar em como as pessoas que se importavam com ela—mesmo que não se lembrasse de nada—reagiriam ao seu sumiço. Quando Nyssa deu a ideia de saírem do hospital, a única coisa que ela mais desejava, lhe pareceu ótimo. Mesmo que estivessem em uma espécie de fuga desenfreada para algum lugar longe dali.

Sara ainda se lembrava da expressão de Laurel, que se dizia sua irmã e passava esse sentimento, quando a viu. Um sofrimento intenso, como se já tivesse passado por aquilo mais vezes do que merecia ou poderia suportar. Felicity tinha essa mesma expressão, embora lutasse contra lágrimas teimosas que agora corriam por seu rosto.

— Sinto muito. – disse sinceramente enquanto se aproximava e limpava suas lágrimas com os polegares. O toque fez com que Felicity desejasse enterrar o rosto em seu pescoço, mas ela se conteve por mais difícil que fosse fazê-lo. – Eu não quis causar mais mal do que já pareço ter causado. Eu só... estava tudo tão confuso quando você chegou. E Nyssa, ela... parecia certo segui-la.

Felicity não sabia o que pensar a respeito daquela afirmação. Como se Nyssa fosse um porto seguro e Felicity uma luz falsa que a guiava direto para as pedras. Nessa metáfora insana, Sara era um barco à deriva.

— Ela quer te tirar de perto de nós. – mas o que realmente queria dizer era: “Ela quer te roubar de mim.” – Quer leva-la para longe. Sei que Nyssa não tem más intenções, não com você. Mas não vá, Sara. Por favor, não vá.

Algo se partiu em Sara ao ouvir Felicity suplicar daquela maneira. Como se tivesse feito uma escolha terrível ao fugir daquele hospital com Nyssa. Deveriam fazer menos de 24 horas, mas a dor que havia feito aquela pessoa diante de si passar lhe esmagou como se Sara fosse um inseto na parede.

— Você me ama tanto assim? – as palavras deixaram seus lábios antes que pudesse freá-las, mas a resposta nunca chegou.

— Ora, ora, ora, veja o que temos aqui. Dois prêmios pelo preço de um. – a gargalhada rouca soou da porta. E, desta vez, quando Sara olhou naquela direção e viu um homem apontando uma arma na direção de Felicity, soube que não poderia fazer nada. – É muito bom revê-la... Ta-er Al-sahfer. Ainda mais em tão doce companhia...

Sara não sabia quem ele era, mas sabia que não podia esperar nada bom de alguém com uma gargalhada tão perversa quanto a daquele homem.

X

[Oliver]

Você acha que passou por todas as situações ruins até que algo pior acontece e muda o rumo da sua vida. Foi assim que eu me senti quando Slade apunhalou minha mãe no coração. Foi como reviver a cena em que meu pai se matou para que eu pudesse sobreviver. Foi como me senti vendo minha irmã definhar todos os dias naquela instituição sem poder fazer nada para alcança-la. Foi quando me senti ao receber a notícia de que ela desapareceu.

É como eu me sinto agora incapaz de fazer nada.

Outra vez.

Quando isso vai mudar?

Quando as pessoas ao meu redor vão parar de sofrer por conta de todas essas coisas ruins? Será que Sara ter feito parte da Liga dos Assassinos foi minha culpa também?

Será que teria sido melhor eu ter poupado ela de todo esse sofrimentoe ter escolhido Shado?

Eu não sei.

Felicity costumava me dizer que eu carregava a culpa toda para mim mesmo quando não era minha culpa.

Não sei o que ela vai pensar agora.

Não sei o que vai acontecer.

Simplesmente não sei.

X

A sede subia por sua garganta junto com o desejo incontrolável de entregar-se à bebida novamente. Pelo horário, o bar ainda estava vazio e o barman limpava os copos e a sujeira da noite passada enquanto abriam o estabelecimento. Ele lançou um olhar de esguelha para Laurel, que encarava as garrafas cheias do outro lado do balcão.

Ele já havia visto aquele olhar milhares de vezes em viciados que sofriam uma recaída. Era comum que, após um tempo sóbrios, eles retornassem. Sobretudo quando a pressão dos problemas fazia parecer que jamais poderiam se livrar deles.

Mas ela era uma moça jovem, bonita e aparentemente bem sucedida que nunca frequentaria aquele tipo de estabelecimento nos Glades. Provavelmente fugindo de todos os bares onde já conheciam seu rosto e não lhe serviriam.

O único motivo para Eric estar ali era que ninguém mais empregaria alguém com ficha criminal a não ser que fosse nos Glades.

Às vezes ele pensava que sua mãe drogada estava certa e que ele nunca seria ninguém na vida além do estorvo que era. Mas quando decidiu aceitar a oferta para roubar aquele banco, tudo o que queria era mudar de vida.

Bem, ele havia mudado.

Porque era exatamente graças à mulher que estava diante de si, que não o havia reconhecido, e que agora se decidia entre uma dose de vodka ou tequila, que ele estava ali.

— Já se decidiu? – ele perguntou, secando o copo. Os olhos de Laurel vagavam pelas duas garrafas como se fosse injetar o líquido diretamente nas veias.

Eric sabia que não adiantava simplesmente dizer não a um viciado. Você tinha que convencê-lo que o que ele fazia seria ruim para ele. E para todos ao seu redor.

— Eu... vodka. – não era tão rápido quanto o efeito da tequila, Laurel sabia. Mas queria beber o tanto quanto fosse possível para esquecer-se de tudo que acontecia ao seu redor.

Eric virou o copo de boca para cima, os olhos escuros encarando Laurel. Quando Laurel o encarou de volta, reparou nisso. Nunca havia visto olhos tão escuros. Como se fossem olhos de corvo.

— Algum problema? – ela questionou, embora não quisesse puxar papo com ninguém.

— Não sou eu quem deveria perguntar isso? São dez da manhã.

— Eu não me lembro de ter pedido por nenhum julgamento. – ela soltou um riso nasalado, apertando a moeda de sobriedade em seu bolso.

Sua irmã, sua única irmã. Perdida novamente. Perdida e sem memória. Ela não podia suportar.

— Não me lembro de estar julgando ninguém. – ele deu de ombros e serviu a bebida. – Afinal, a única promotora aqui é você.

Suas sobrancelhas arquearam em surpresa. Laurel não esperava ser reconhecida. Não ali nos Glades.

— Qualé, você não se lembra mesmo de mim? – Eric apoiou os cotovelos sobre a bancada do balcão. Aqueles olhos escuros... de onde Laurel os reconhecia?

Ela fechou os olhos, os dedos se apertando com mais força sobre a moeda. Mais um mês havia se passado com sobriedade.

— Corvo?

Ele sorriu de canto. E Laurel se lembrou do primeiro caso que ganhou como advogada quando havia acabado de se formar.

X

Laurel nunca havia estado tão nervosa em toda sua vida. O seu primeiro caso depois de Sara ter desaparecido com Oliver. O primeiro caso depois que retornava ao seu papel como advogada. O rapaz à sua frente, não tinha condições de pagar por um advogado, e ela havia sido designada para representá-lo.

Eric D’raven.

Era cômico que a mãe tivesse dado a ele o nome do personagem de seu filme favorito. Por sinal, também era o filme favorito de Laurel na época.

O garoto tinha a ficha limpa até aquele momento. Boas notas no histórico escolar. Participava do time de futebol da escola nos Glades.

Mas havia jogado tudo por fora em um roubo a banco onde tinha agido como motorista, embora tivesse acabado de tirar sua licença.

Todos os outros que haviam sido pegos eram maiores de idade, mas não ele.

Em geral, Laurel odiava a ideia de defender criminosos, mas se queria tentar a carreira como advogada, precisava começar de algum lugar.

E foi aquele rapaz quem mudou sua visão.

Ela sentiu nele e em toda sua história, que não estava mentindo, embora tentasse esconder dela seus verdadeiros motivos. Ele quis se parecer com um bad boy. Quis parecer culpado para não entregar os parceiros.

Mais tarde, em suas investigações graças aos contatos que tinha por causa do nome Lance, Laurel descobriu que, caso entregasse os companheiros, eles matariam sua mãe e o irmão mais novo de Eric.

Quando ela questionou o motivo de ele querer levar toda a culpa sem se preocupar se passaria a vida toda na prisão, Eric apenas deu de ombros.

“Não pode chover o tempo todo.”, ele dissera. “A vida dentro de uma cela não pode ser mais encarcerada do que a vida que eu vivo agora.”

Ela compreendeu que existiam pessoas em situações muito mais desesperadoras do que a que ela passava. A possível morte de sua irmã que havia fugido de barco com seu ex-namorado era terrível, ela sabia. Mas ao descobrir toda a história de Eric, ela sabia que ainda poderia fazer a diferença no mundo.

Então ela lutou.

E por ele, foi capaz de vencer embora não tivesse sido capaz de limpar sua ficha criminal.

O roubo havia terminado com um homicídio e, embora Eric não fosse culpado da morte, foi acusado como cúmplice no caso.

Ele teria sido preso por cinco anos, tratado como um maior, se Laurel não fosse tão boa em seu trabalho. Graças a ela, Eric saiu em condicional.

Laurel nunca se sentiu vitoriosa por não ter sido capaz de trancar a ficha criminal do rapaz.

Mas Eric nunca se sentiu tão grato por alguém finalmente ter acreditado nele. Mal sabia ele que Laurel também não.

X

— Achei que não fosse se lembrar. – o sorriso não havia saído de seu rosto. O canino lascado ainda estava ali, de uma briga que Eric havia tido quando estavam no meio do caso e ele tinha ficado detido na prisão.

— Eu... sinto muito. Minha cabeça está tão cheia. – ela segurava o copo entre as mãos, sentindo o chamado da bebida. Mesmo com tudo aquilo, ainda desejava esquecer. Ainda desejava se embebedar tanto que, quando despertasse em alguma sarjeta, Sara estaria segura e tudo aquilo não teria passado de um pesadelo.

— Então... – Eric se sentou do outro lado do balcão daquele jeito despojado. Agora estava mais velho, a barba por fazer lhe dando um aspecto de homem, embora vestisse uma jaqueta jeans puída sem as mangas e mantivesse o penteado arrepiado. Os olhos. Era isso que era tão marcante nele. – ... sei que não sou nenhum psicólogo, mas por que não começa me contando o que aconteceu e então decide se vale a pena voltar para isso ou não?

Ele tocou a borda do copo e o puxou suavemente das mãos de Laurel. Quando fez isso, ela sentiu como se uma porta se fechasse aos poucos, deixando-a na completa escuridão. Laurel quis puxar o copo de volta, mas ao invés disso engoliu em seco enquanto encarava a bebida.

O que sua irmã iria querer?

— Vamos, doutora, – a voz rouca ecoava em seus ouvidos. – tenho bastante tempo. Prometo manter o sigilo de barman-cliente com você. – ele piscou ao dizer isso.

Então Laurel contou tudo a ele.

Porque talvez fosse mais fácil falar com um estranho do que admitir que estava prestes a se entregar a um abismo sem fim.

X

[Felicity]

Por mim.

Ela fez isso por mim.

Por quê?

Eu sempre acreditei em felicidade verdadeira. A minha mãe costumava me dizer que eu era a dela e por isso me deu esse nome.

Felicity.

Eu costumava acreditar em contos de fadas, em um príncipe que cavalgaria um cavalo branco em sua armadura brilhante e me resgataria desse mundo monótono. Eu costumava acreditar que, se eu usasse minhas habilidades para lutar contra aquilo que fosse perverso, o universo me daria a felicidade na forma do amor mais belo que eu poderia ter.

E ele deu.

Mas tirou na mesma proporção.

Ela fez isso por mim, e tudo o que eu consigo sentir é o peso, a dor, o desapontamento e a decepção de não poder fazer nada.

Por quê?

Por que eu não posso fazer nada? Por que eu sou tão inútil? Por que por mim?

Teria sido melhor se nunca tivéssemos nos aproximado. Se ela tivesse reatado com Nyssa e fugisse como tinha planejado. Mas eu tive que me colocar no caminho. Eu tive que achar que poderia seguir em frente, que nós poderíamos encontrar juntas a felicidade verdadeira.

Isso não existe, porque contos de fadas não são reais. É uma lição que eu deveria ter aprendido há muito tempo quando meu pai foi embora.

Eu não mereço, simplesmente não mereço.

Eu não mereço nenhuma parte desse amor. Eu não mereço.

Eu nunca fiz nada para merecer.

X

Quentin precisou se sentar quando aquela garota gótica terminou de relatar tudo o que havia acontecido. Seus olhos se focaram em Roy, que parecia segurar o mundo em suas costas, tentando manter a calma e segurar as pontas de tudo o que acontecia. Ele queria explodir de raiva. Ele queria gritar e lançar coisas sobre aqueles dois, mas ele sabia que não adiantaria nada.

Eles eram só crianças.

Crianças suportando um peso maior do que deveriam carregar.

Sua filha havia se ferido. Estivera em um hospital. Havia fugido. Estava desmemoriada. Thea havia sido levada da instituição psiquiátrica onde estava internada por conta do trauma da morte de Maura.

Ele se sentia como uma esposa traída: o último a saber de tudo.

— Oliver está cuidando da parte de Sara. – Roy permitiu-se dizer, mas a voz soava tão mecânica que o Capitão Lance perguntou-se se ele realmente estava ali. – Ele vai encontrá-la, Lance. Mas eu preciso de ajuda. Eu preciso...

Ele enterrou as mãos na cadeira onde Sin estava sentada. A garota apertou sua mão devagar. Ela estava devastada pelo desaparecimento e a perda de memória de Sara, mas só podia imaginar como o amigo estava tendo que suportar aquilo tudo.

Quentin suspirou. Seu desejo era de colocar cada policial daquela cidade atrás de sua filha. Mas Oliver estava cuidando disso. E embora agora sentisse raiva dele, sabia que ele jamais deixaria nada acontecer ao seu bebê. Não. Ele havia prometido.

— Laurel sabe disso? – foi a única coisa que perguntou. Roy acenou positivamente com a cabeça. Como ele, Laurel passava por problemas com a bebida. Ele sabia que ela deveria estar agonizando agora. Precisava achar a filha. – Preciso acha-la.

— Oliver esteve com ela há pouco, antes de ir atrás de Sara. – Roy ergueu os olhos para o capitão. – Vai me ajudar com Thea?

Thea, a garota problema. Quantas vezes ela havia cruzado a porta daquela delegacia por posse de drogas? Mas Quentin nunca a deteve pelo poder dos Queen. No entanto, ela havia mudado desde que o irmão havia retornado. Estava se reerguendo, havia assumido responsabilidades cuidando do próprio bar e até mesmo tinha empregado Sara para que ela tivesse alguma renda, já que ser um vigilante não vinha com um gordo salário como recompensa.

Ela não merecia estar passando por tudo aquilo também. E quem poderia tê-la raptado?

Embora não quisesse tomar essa decisão, Quentin precisava admitir que agora Thea Queen era a prioridade.

— Eu vou te ajudar. – ele disse, enquanto saía da própria sala. Roy o seguiu com os olhos e depois ele e Sin foram até ele ao ouvirem que Quentin chamava a atenção de toda a delegacia.

— Nesta manhã, foi descoberto que Thea Queen foi levava da instituição onde ela estava internada. – ele disse com a voz clara e se fez ouvir por todos. Burburinhos começaram acompanhados de risadas.

— Deve estar se drogando em algum beco escuro. – mais risadas.

— Eu não quero e nem vou aturar piadinhas sobre isso, oficial Kurt. – os olhos afiados de Quentin se voltaram na direção da piadinha. Embora tivesse sido sussurrada entre uma dúzia de policiais, ele foi capaz de identificar claramente quem a havia feito. O oficial engoliu em seco. – Thea passou por momentos difíceis. Ela foi uma garota difícil. – admitiu. – Mas ela havia se redimido, estava com o próprio negócio e uma vida plena até que sua mãe foi assassinada diante de seus olhos. Será que algum de vocês é capaz de imaginar o que é isso?

Os policiais se calaram, envergonhados por terem rido. Roy nunca imaginou que pudesse ver Quentin defendendo Thea assim algum dia.

— Então eu quero que cada um de vocês coloque agora a mão na consciência enquanto se organizam para procura-la. Perguntem a cada um de seus informantes, cada pessoa nessa cidade que possam conhecer ou que possam tê-la visto. Essa é a nossa prioridade nesse momento. Esse jovem rapaz – ele tocou Roy no ombro com a mão esquerda. – é o namorado dela e lhes dará as informações necessárias sobre a última vez que a viu. Lembrem-se que Thea pode estar um pouco perturbada agora. Estão dispensados.

Todos os oficiais se espalharam para seguir as ordens de seu capitão. Roy olhou na direção dele, sem saber o que dizer.

— Vamos encontrá-la, rapaz. – ele disse. – Confio que Oliver encontrará minha filha também. Agora preciso fazer uma ligação.

— Sr. Lance? – Roy o chamou, por um momento parecendo aquela criança encrenqueira que muitas vezes Quentin havia visto caminhar pelos Glades. – Muito obrigado. Tenho certeza que Oliver vai encontrar Sara.

Ele acenou com a cabeça enquanto caminhava para a própria sala.

— Ele é uma pessoa incrível quando você o conhece, não é? – Sin questionou enquanto encarava as costas do capitão até ele fechar a porta.

— É sim. – Roy concordou. – Vamos. Não podemos ficar parados aqui enquanto os policiais fazem todo o trabalho.

— É isso que eu gosto de ouvir. – Sin deu um soquinho no ombro de Roy e sorriu enquanto os dois caminhavam para fora daquele lugar que odiavam tanto visitar.

X

Na maior parte do tempo, Thea mal conseguia se lembrar de quem ela era. Ela só conseguia ter flashes do momento em que sua mãe havia sido assassinada diante de seus olhos. Ela só conseguia ver Oliver escolhê-la ao invés da própria mãe.

Sua culpa.

Era por sua culpa que Moira estava morta.

Na maior parte do tempo, era apenas nisso que conseguia pensar.

Mas agora, em fuga com o suposto pai assassinado, ela só conseguia pensar em como as coisas haviam tomado esse rumo.

Quando ele havia aparecido em seu quarto oferecendo uma solução, Thea achou que tivesse enlouquecido de vez.

— Você não vai se arrepender. – ele repetiu pela trigésima vez enquanto preparava as coisas para que partissem de Starling. – Quando estivermos longe daqui e eu puder ensinar a você tudo que eu sei, nunca mais terá que passar por esse tipo de situação novamente.

Uma porta.

Malcolm havia lhe oferecido uma porta.

Não uma rota de fuga, mas uma porta que permitiria a Thea nunca mais precisar depender de ninguém.

Ele ensinaria a ela tudo o que sabia, e por mais detestável que Malcolm fosse, nada poderia ser pior do que era viver da maneira que estava vivendo.

— Ollie...

— Ele vai entender, querida. – Malcolm sorriu para ela, e deu uma breve olhada na direção da filha. – Quando você se recuperar completamente, quando for capaz de nadar com os próprios braços... tenho certeza de que ele irá compreender.

Ela queria falar o nome de Roy, mas guardou-o para si. Ela sabia que talvez o rapaz jamais a perdoasse. Oliver era família. Ele próprio havia ficado desaparecido por cinco anos. Mas Roy...

O doce Roy que havia lhe visitado todos os dias enquanto ela estava definhando. O doce Roy que jamais havia desistido dela, nem mesmo em seus piores momentos.

Ela sabia que devia uma explicação a ele.

Malcolm olhou na direção da filha por um momento quando ela se ergueu, já vestida com roupas melhores do que as que estava usando no hospital.

— No que você está pensando, Thea? – ele questionou. Não podia cometer com ela o mesmo erro que havia cometido com Tommy. Por isso, ensinaria a Thea tudo o que sabia. Ela saberia se defender.

— Tem algo que preciso fazer antes de partir. – estava lúcida. Lúcida como não estava há muito tempo. E infelizmente precisava agradecer a Malcolm Merlin por isso.

— Querida, se o que precisa fazer é falar com Oliver, eu já te disse...

— Não é, Malcolm. – seu olhar e o tom de voz não fizeram com que ele duvidasse. – Eu já tomei minha decisão. Preciso que me deixe fazer algo antes de partir.

— Tudo bem. – ele suspirou e lhe lançou as chaves da moto. – Não demore muito. Temos que partir logo. Acredito que a polícia já esteja atrás de você no momento.

Mas não seu irmão. Ele não havia dito nada sobre isso.

— Não vou.

Ela devia a Roy uma explicação. Mesmo que ele jamais lhe perdoasse, não partiria sem dizer a ele que tinha seus motivos para seguir seu próprio caminho.

X

Vazio.

O bunker estava vazio.

— Achei que você tivesse dito que tinha deixado Sara aqui. – Oliver cerrou os punhos, impaciente, pensando em sua própria irmã, pensando em Sara sozinha por aí.

— Eu deixei. – não havia complacência na voz de Nyssa. – Alguém mais esteve aqui.

Ela observou ao redor, procurando cada coisa diferente da maneira que havia deixado. O lugar era escondido, exceto para os membros da Liga. E isso lançou um alerta em sua cabeça.

— Er-Notur. – não era preciso somar dois mais dois para chegar ao resultado. Ela sabia. Malcolm havia lhe alertado que o braço direito de seu pai viria atrás de Sara porque a Liga sabia de sua condição. E ele queria matá-la.

— Quem é esse? – Oliver questionou.

— A sombra. É isso o que significa seu nome. – Nyssa elucidou. – Ele é o braço direito do meu pai, mas mesmo entre os membros da Liga, sua presença é um segredo. Poucos de nós sabemos a respeito da sua existência, apenas os guerreiros mais qualificados. Ele nunca gostou de Sara. E deve considerar essa a oportunidade perfeita para destruí-la. Eu fui alertada de que ele estava na cidade, só não imaginei que agiria tão rápido.

— Olhe. – Oliver apontou para um bilhete deixado sobre uma das caixas do bunker. Provavelmente se não estivesse tão concentrada em seus próprios pensamentos, Nyssa tivesse notado isso.

— É dele. – ela disse ao reconhecer a caligrafia.

— O que diz?

“Seu canário está comigo. Ela não está sozinha. Acredito que esta seja a protegida do Arqueiro que gerou toda essa situação. Nós estaremos nas docas à meia-noite. Sugiro que você e o Arqueiro não tentem nenhuma gracinha. Vamos negociar... filha do Demônio.”

Embora não houvesse nenhuma assinatura, Nyssa sabia que era ele. Mas o que ele planejava? Por que iria querer negociar consigo?

— O que você está planejando, Nyssa?

— Vamos ao encontro dele. – ela respondeu simplesmente. – E vamos pegar Sara de volta com a sua garota problema. Custe o que custar.

Oliver não queria pensar no que aquelas palavras significavam. Não depois do que ele havia visto Nyssa fazer apenas para preservar Sara.

X

— O que você está planejando? – Sara sabia que não tinham chance. Mesmo que o treinamento estivesse gravado em cada fibra do seu corpo, ela sabia que não tinham chance em uma batalha contra pessoas que pareciam tão bem treinadas quanto Nyssa havia se provado ser. Quanto ela era.

— Ora, meu pequeno canário, tenha paciência. – a voz dele a irritava. Sua presunção e tudo em sua presença lhe irritavam profundamente.

— Deixe-a ir. Ela não tem nada com isso. – seu olhar voltou-se para Felicity. A hacker havia ficado calada até então, talvez por saber que sua língua acabaria lhes colocando em uma situação ainda pior.

— Ela não vai a lugar algum. – ele respondeu. – Não quando sei que fizeram tanto esforço para salvá-la, você e o Arqueiro. Isso faz dela preciosa para os meus objetivos.

— Ei, o senhor está enganado! – se Sara estivesse em plenas faculdades mentais, teria admirado o esforço de Felicity por ter ficado tanto tempo sem falar nada. – Eu não sou nada preciosa. Mas sim, não vou a lugar algum. Não sem ela.

Era impossível negar o que havia entre elas quando Sara detectou aquele olhar. Ela sabia, naquele momento, que faria de tudo para protege-la.

— Me conte o que você quer.

— É difícil estar no escuro não é, Ta-er Al-sahfer? – por alguma razão, Sara odiava a forma como seu nome soava na boca dele. Não seu nome, mas o apelido que Nyssa havia dito que pertencia a ela quando fez parte da Liga dos Assassinos. – Muito bem, acho que posso elucidar um pouco a questão.

Estavam nas docas da cidade, afastados de qualquer pessoa que pudesse pensar em resgatá-los. A noite já havia caído há algum tempo, o que significava que a vigilância naquele trecho era ainda mais esparsa.

— Você sempre foi a chave para tudo o que eu quis. Sinceramente, ser Ra’s Al Ghul é o sonho de qualquer membro da Liga que anseie por estar no topo. E eu estou cansado de ser apenas uma sombra. – ele encolheu os ombros. – É verdade que meu senhor jamais arriscaria sua posição de líder pela filha. Mas ela é a única que sabe como se aproximar dele o suficiente para acabar com isso. Bem, acredito que tendo o Arqueiro ao seu lado, isso se torne ainda mais fácil. Mas veja... quando ele souber que eu tenho em mãos a ex-amante de sua filha, não acha que poderei conseguir muito mais? Imagine só o que ele pensaria ao saber... que desafortunadamente, a ex-amante desmemoriada assassinou sua única filha? Seu único legado? Não acho que ele perdoaria isso tão facilmente.

— Sara não vai fazer nada disso! Ela não é uma assassina! – Felicity exclamou. – Mais. Não é mais uma assassina.

Sara teria rido se a situação não fosse tão trágica.

— Ela tem razão. Eu não farei nada disso. Por que eu a mataria?

— Porque se não fizer isso após Nyssa me dar as informações de que preciso... – ele apontou a lâmina para o pescoço de Felicity. – ela vai morrer.

Algo dentro de si pareceu se romper. Sara não soube dizer o que era. Mas apenas o pensamento de ter Felicity arrancada de si daquela maneira fez com que ela beirasse ao desespero.

Não.

— Sara, não escute ele... – Felicity conseguia enxergar em seus olhos. Conseguia enxergar que ela faria isso. – Por favor, vamos dar um jeito.

— Me peça outra coisa. Me peça qualquer coisa. – ela murmurou, colocando-se de joelhos no chão.

— Qualquer coisa?

Felicity não sabia o que pensar. Apenas sentia que Sara afundava em um poço de escuridão novamente. Desta vez por sua culpa.

Er-Notur apenas sorriu. O sorriso nos lábios dele parecia-se com o sorriso do Coringa.

Como os humanos eram tolos com seus sentimentos patéticos.

X

[Er-Notur]

Não existe um propósito para os sentimentos além de eles serem usados por pessoas que não o possuem.

Criar elos é uma fraqueza.

Apaixonar-se é uma fraqueza.

E mesmo que o próprio Ra’s não admita, ele já foi fraco uma vez e teve que arrancar seu próprio coração para recuperar a glória que um dia já lhe pertenceu.

Eu não sou fraco. Eu uso as pessoas fracas.

E é por isso que eu vou ter tudo o que sempre desejei.

É por isso que eu serei soberano sobre todos eles.

Eu vou ser o rei do submundo. E nada vai me impedir.

Nada.

Não agora que eu sei a fraqueza do meu mentor. Não agora que eu sei como tomar o que é dele. Definitivamente.

X

Pouco antes da meia-noite, eles estavam nas docas.

Nyssa sabia que era uma armadilha.

Oliver sabia que era uma armadilha.

Mas eles não tinham escolha.

Não havia plano. Não havia como se planejar contra alguém da Liga dos Assassinos. Não quando eram só eles dois com tanta coisa em risco.

Nyssa sabia que não podiam simplesmente mata-lo, Er-Notur não era como Slade. Ele pensava demais. Até demais. Era tão ardiloso quanto Malcolm Merlin, talvez até mais se levassem em consideração que os dois haviam passado pelo treinamento juntos.

— O que acha que ele vai pedir? – Oliver questionou enquanto se aproximavam.

— O que acha que o homem mais próximo de Ra’s Al Ghul pode querer?

Oliver só conseguia pensar em uma única coisa.

— E você pretende dar isso a ele?

Quando Nyssa não respondeu, ele já sabia.

Caminharam em silêncio pelo resto do caminho até avistarem Felicity e Sara. Nenhuma delas estava presa e estavam acompanhadas de um homem cuja aparência fazia Oliver duvidar que um homem daqueles seria realmente capaz de confrontá-los. Parecia franzino, com os ombros finos e o cabelo escuro um pouco ralo no topo da cabeça. Tinha um cavanhaque bem alinhado e apesar de ter por volta dos quarenta e seis anos, aparentava mais. Oliver queria questionar a respeito dele ser uma ameaça, mas pela forma como Nyssa parecia tensa, ele já tinha as próprias respostas.

— Felicity, Sara, vocês estão bem? – Oliver aproximou-se e quando fez menção de abraçar a hacker, Er-Notur não o impediu.

— Estamos bem. – Sara respondeu com a voz rouca enquanto encarava Nyssa. Seu olhar nunca lhe havia parecido tão vazio.

– Agora que todos nós nos apresentamos, e que acredito que já saiba quem eu sou, Sr. Queen, podemos prosseguir com o que realmente importa, sim?

— E o que nos impede de lutar com você aqui e agora e leva-las conosco? – Oliver questionou.

— Acho que Nyssa sabe muito bem o que os impede.

— Estamos cercados. – ela disse. Mesmo que Oliver tivesse notado alguns pares de olhos, somente quando todas aquelas sombras se materializaram foi que teve certeza do número massivo do qual Er-Notur falava.

— E ao mínimo comando meu ou sinal de violência contra mim, vocês terão que enfrentar um exército inteiro comandado por mim. Posso não ser Ra’s Al Ghul, mas sou seu braço direito. E isso, dentro da Liga, significa muito.

Oliver trincou os dentes. O olhar molhado de Felicity o fez querer mata-lo.

— Diga o que quer. – Nyssa foi direto ao ponto.

— Por que você não diz a eles, pequeno canário?

Sara respirou fundo. Felicity queria gritar para que Nyssa e Oliver fossem embora, mas não podia fazer nada. Ao menos não ali, pois estaria condenando todos eles à morte. Ela entendia que era por isso, também, que Sara não havia agido.

— Er-Notur quer o lugar de seu pai, Nyssa. – ela murmurou. – Todos esses homens são leais a ele, mas ainda não são o suficiente para que ele tente um golpe contra o seu pai. Além disso, ele prefere tratar as coisas... sem violência. Então ele quer sua mão em casamento.

O riso que escapou da boca de Nyssa foi involuntário.

— A minha mão?

— Somente alguém que a despose para poder dar continuidade à geração de Ra’s poderia assumir o lugar de seu pai na hora devida. E sabemos que ela não vai demorar. – pelo sorriso dele, Oliver desconfiou que Er-Notur sabia algo que nenhum deles sabia a respeito de Ra’s. E que talvez Nyssa soubesse também.

— E se eu fizer isso...?

— Se fizer isso, então seus amigos poderão ir em paz, claro, com a exceção de Ta-er Al-sahfer. – ele fez uma ressalva. – Porque, uma vez membro da Liga, para sempre membro da Liga.

— Isso está fora de cogitação. – Nyssa estreitou os olhos, mas antes que pudesse avançar, a lâmina de uma adaga sai foi colocada contra o pescoço de Sara. Ela sequer fez menção de se mover.

Oliver queria avançar contra ele, mas estavam cercados. Sua mente trabalhava em busca de opções, mas ele não via nenhuma. Já havia estado em muitas situações ruins, já havia se livrado de muitas, mas naquele momento, ao ver os olhos suplicantes de Felicity enquanto a lâmina era apontada para o pescoço de Sara, ele não conseguia ver uma opção.

— É isso ou um banho de sangue. Já tenho a história formada... o Arqueiro, em um frenesi de fúria ao ver a ex-amante de Nyssa retornando para ela, atacou a filha do Demônio e a assassinou. Infelizmente, a desmemoriada canário não podia suportar a perda de sua amada e seguiu o mesmo destino que ela.

Tristemente, a história dele batia já que Sara havia decidido seguir Nyssa até ali.

— Não temos outra opção, Nyssa. Eu irei com você. – as palavras de Sara saíram engasgadas e, quando ela disse isso, Nyssa percebeu a verdade. Percebeu que Sara podia não ter recuperado a memória, mas que sabia o que estava fazendo. Instintivamente, ela protegia Felicity, porque ela era a única ali que não havia sido citada. E Er-Notur nunca fazia nada sem pensar.

— Tudo bem.

— Sara! – Oliver queria argumentar, queria dizer qualquer coisa. Mas não havia o que dizer.

— Muito bem. As coisas vão bem quando terminam bem. – ele sorriu com satisfação. – Entrem no barco, as duas.

Sara tentou não demonstrar fraqueza. Mesmo sem memória, aquele pavor permanecia vivo em sua mente. Mas naquele momento, Nyssa segurou sua mão.

— Vamos. Não olhe pra trás.

— Cuide-se, Fel. – ela murmurou ao passar por Felicity. Ela não quis dizer nada além disso. Não quis trazer ainda mais sofrimento para a vida dela.

As lágrimas involuntárias começaram a correr pelo rosto de Felicity quando ela se voltou na direção de Sara.

— Sim. – ninguém sabia do que ela falava, mas aquilo fez Sara arregalar os olhos. Depois de um momento, sua expressão de suavizou e ela apenas sorriu.

Sem dizerem mais nada, ela entrou no barco com Nyssa, sendo acompanhada por uma comitiva particular.

Parecia o fim.

Talvez fosse.

— Vamos dar um jeito de trazê-la de volta, Felicity. – Oliver prometeu.

Mas ela sabia o que aconteceria na ilha.

Ela sabia qual era a verdadeira razão para Sara partir.

X

[Sara]

Essa foi a minha escolha.

Não que eu tivesse alguma outra, mas essa foi a minha escolha.

Eu a amo.

A amo de todo o coração.

Eu não sei como ou por quê.

Só sei que a amo.

As minhas memórias ainda não retornaram, mas sei que faria qualquer coisa por Felicity. Por alguma razão, isso é o que parece certo.

Eu não quero assassinar Nyssa como prometi a Er-Notur.

A única pessoa que sabe da verdade é Felicity.

Ela terá tempo para preparar tudo quando ele retornar para Starling, porque ele retornará.

Sei que decretei minha própria morte ao partir neste navio na direção de Nanda Parbat.

Só espero que Nyssa consiga escapar.

Só espero que, algum dia, Felicity possa me perdoar pela decisão que eu tomei.

Notas finais
Eu pensei varias coisas enquanto escrevia esse capítulo, várias delas aconteceram da maneira como eu pensei e muitas não. Como fazia muito tempo desde a última vez que toquei nessa fic, tive que reler ela toda antes de escrever alguma coisa. Muita água passou por baixo da ponte, a escrita amadureceu, várias coisas. Enfim. Eu sempre me desculpo quando demoro tanto tempo assim pra postar, mas não acho que tenha muito como me desculpar de uma ausência tão longa. Também não posso prometer ser regular, mas fiquei bastante satisfeita com o resultado. Muita coisa já aconteceu na série, e eu nem gosto mais dela, apesar de assistir. Mas eu vou seguir meu ritmo e escrever as coisas da minha maneira. Os flashbacks foram pra dar uma tensão. Os pensamentos dos personagens que viram Sara partir para longe outra vez. No próximo capítulo, pretendo abordar um pouco mais a relação de Laurel com Eric e também falar um pouco mais de Thea. Ademais, Felicity e Sara separadas novamente! Vamos ver o que o destino aguarda para elas. Comentários sempre bem vindos!