Notas iniciais
Embora o nome do capítulo seja esse, temos muitos focos nele que se tornou o maior postado até então! Espero que gostem! E eu fico feliz em anunciar que Wanna Play? Está perto das 8 mil visualizações e dos 100 comentários! Muito obrigada a todos que me acompanham até aqui e que possamos continuar juntos em outros projetos quando esse aqui acabar! Boa leitura!

“Felicidade é uma condição, não um destino.”

Julian – One Tree Hill

X

Noah Kutler era um homem paciente. Ele nunca agia depressa demais em uma jogada, pois sabia que cada ação gera uma reação. E no momento em que decidiu revelar ao mundo que existia um quinto membro no Team Arrow—um membro fantasma capaz de controlar informações da mídia—, ele estava fazendo sua primeira jogada.

Quando veio para Starling—agora Star—city, seu objetivo primordial sempre foi testá-la. Gene do seu gene, sangue do seu sangue. Ele sempre soube da genialidade de Felicity, acompanhando seu crescimento através de artigos e prêmios bem sucedidos. Vencedora invicta de todas as olímpiadas matemáticas em que participara, desenvolvedora de softwares que invejariam qualquer hacker e de uma pureza simples que a fizera terminar trabalhando atrás de uma mesa na empresa de Oliver Queen, a quem agora também servia como ajudante de herói.

Noah sabia que sua filha tinha potencial para ser muito mais do que isso—céus, Felicity poderia ganhar o Nobel se quisesse!—e queria testar suas capacidades. Ele nunca havia sido um bom pai, de fato, mas nunca era tarde para recomeçar.

Mexendo em seu computador, já estava pronto para dar o próximo passo.

− Vamos ver, minha garotinha, o quanto você cresceu. – Noah pressionou a tecla enter. Que o jogo entre eles começasse agora; as cartas estavam na mesa.

X

− Tem certeza que não quer que eu fique para ajudar, Caitlin? Você fez parecer que era urgente me pedindo para te trazer aqui e posso ser um bom suporte.

Era aquele olhar, sempre expressivo e preocupado, que faziam de Barry um dos melhores caras que ela já havia conhecido. Em pouco tempo, tinha por ele a afeição que teria pelo irmão que nunca tivera.

− Sei que sim, Bar, mas você precisa voltar. A cidade precisa de você. Iris também. – Ela encolheu os ombros. – Peça desculpas ao Cisco por eu não ter avisado, tudo bem? Tentarei resolver as coisas o mais rápido possível para retornar à equipe.

− Tudo bem. – Rendido, Barry concordou. – Mas estou a um pulo do sinal se você precisar de mim.

Ele apontou para o celular dela, onde o aplicativo do Flashelp—convenientemente nomeado por Cisco—estava instalado.

− Literalmente. – riram.

− E, ah, antes que me esqueça, o Cisco já tinha deixado isso pronto há algum tempo. Algo como uma melhoria em um sistema que Felicity tinha pedido para ele. – Barry estendeu para ela uma sacola onde havia uma roupa e uma espécie de dispositivo que era semelhante a uma coleira. Caitlin arqueou as sobrancelhas ao que ele encolheu os ombros. – Ele disse que Felicity saberia o que era caso eu desse um pulinho aqui por Starling.

− Star. – Caitlin o corrigiu, olhando para os letreiros novos da cidade, onde uma fotografia de Raymond Palmer sorridente dava às boas vindas a todos que quisessem hospitalidade naquela cidade. – O nome agora é Star City.

Barry franziu o cenho e cruzou as mãos diante do peito, observando a fotografia do sujeito que parecia muito bem apessoado.

− Amigo? – perguntou ele ao notar a expressão saudosa de Caitlin.

− Apenas... um velho conhecido. Obrigada pela carona, Bar. – Caitlin deu um beijo estalado na bochecha desprotegida de Barry. – Vá com...

Mas antes que terminasse de dizer a frase, Flash já havia partido.

−... segurança. – Abriu um sorriso fraco e deixou o ar escapar pelos lábios. – Vamos, Caitlin, você ainda tem muito o que resolver aqui.

Àquela hora da noite, ela sabia que encontrar Ray não seria uma boa ideia. Então foi para o único lugar daquela cidade que conhecia e onde havia pedido para Barry lhe deixar: o esconderijo do team Arrow.

X

Aquela não era a primeira vez que Sara levava um tiro e provavelmente não seria a última. Mas a cena de Roy apontando o arco para si ainda estava marcada em sua mente. Ele havia hesitado, mas Sara viu a determinação em seus olhos para atirar. Ele havia hesitado sim, mas poderia muito bem não tê-lo feito.

A bala tinha penetrado o tecido de couro de sua roupa que, diferente da de Oliver, não era feita de kevlar, e tinha se alojado em sua perna. Sara até tentou persegui-los por algum tempo, mas a flecha bomba de fumaça a impediu de localizá-los e, poucos metros adiante, ela se viu sozinha.

“Você está bem?”

Felicity. Naqueles poucos minutos, havia se esquecido dela, de avisar a ela que estava bem. E, se imaginando no lugar dela, de Observadora, sabia que deveria ser péssimo esperar por informações.

−Sim. Estou bem. – Ela suspirou, a respiração ruidosa e a dor se espalhando como uma teia por sua coxa. Felizmente, a bala não parecia ter atingido nenhuma artéria. Mas doía feito o diabo. – Fui baleada, mas estou bem.

O silêncio na linha foi preocupante.

− Fel?

Baleada. De novo.

Felicity respirou fundo, sentindo o corpo estremecer. Ela estava bem. Era tudo o que importava. Ela estava bem.

“Tudo bem. Volte logo pra cá.”

− Não consegui recuperar ele, Fel. Sinto muito. – Sara murmurou, ouvindo os passos no andar de cima. A polícia se aproximava e, com toda a animosidade entre as pessoas da cidade e os vigilantes, ela não queria se arriscar mesmo sabendo que seu pai provavelmente fazia parte da operação.

“Só... venha para cá, Canário Negro.”

Ela não sabia se era a forma como Felicity a tratara ou o tom que havia usado, mas sentiu seu coração pequeno. A missão havia sido um total fracasso: falhara em trazer Roy e não estavam mais perto de descobrir quem era Scorpia. Suspirando baixinho, Sara olhou para o lugar e apanhou algumas amostras da droga antes de sair, mancando dali até a moto.

− Garotinha? – Mas foi aquela voz, aquela voz tão insegura e terna, que por tantas vezes havia lhe arrancado de seus pesadelos que a fez não dar partida. – É mesmo você?

Sara apertou firmemente as mãos sobre o acelerador e olhou para trás, para seu pai que parecia dez anos mais velho desde a última vez que o vira.

− Sou eu. – disse com a voz embargada. – Estou bem. Vou aparecer lá em breve.

Ele anuiu, compreendendo que ela deveria partir.

Nada aqui!— Quentin anunciou pelo rádio. – Eles já se foram.

Seus olhos escuros se fixaram nos de Sara por um momento, a barba por fazer e os cabelos grisalhos despontando o cansaço junto das olheiras escuras.

− Senti sua falta.

Ela abriu um sorriso para ele. Tudo o que precisava dizer foi dito ali. E ela deu a partida na moto, acelerando.

Sua outra garotinha, crescida. Um pássaro negro levantando voo para longe das asas do pai. Quentin não poderia ter mais orgulho das filhas que possuía.

X

Culpa, dor e desespero o consumiam naquele momento. Roy não sabia mais o que era certo ou errado, apenas que havia tomado uma decisão. Atirara contra Sin naquela noite no beco. Atirara contra Sara agora, mesmo que a flecha tivesse passado longe do alvo. E isso não a impediu de ser atingida. Ele engoliu em seco, apertando os punhos com força enquanto estacionava a moto logo atrás do carro do cientista.

− Você falhou lá atrás, garoto. – Sibilou ele, com seu sotaque de cobra. – Falhou, mas Scorpia é uma mãe para todos nós. E tenho certeza que está disposta a perdoar o seu erro.

Roy não disse nada sobre isso. Ele não se desculparia por não ter acertado uma companheira.

− Venha. – Fez um sinal para que Roy o seguisse. A instalação onde estavam não se parecia em nada com um covil de bandidos ou com um galpão abandonado. Muito pelo contrário: era semelhante a uma casa, agradável e bem arejada. – Ela está lá dentro.

Para isso, anuiu com a cabeça. Já que estava nisso, iria até o fim. Então, passou pela porta e foi recepcionado por um sorriso que fez seu sangue gelar.

− Seja bem-vindo, criança. – A mesma voz arranhada que falara com ele pelo telefone o recepcionou. – Sinta-se em casa.

Era tarde demais para voltar atrás.

X

Se Caitlin lembrava bem, a entrada para o esconderijo ficava no Verdant. Já era alta madrugada e embora o bar devesse estar bombando, havia um aviso dizendo que estava fechado para reformas. Exceto que Snow não reparara em nada ali que indicasse isso. Achou que teria que ligar para Felicity para conseguir entrar, mas não foi muito difícil notar que a porta dos fundos estava aberta, provavelmente para uso próprio dos heróis.

Então, como todo bom cientista curioso, ela adentrou o local e encontrou o elevador secreto que a levou até o QG do Team Arrow.

Engenhoso, tinha que admitir. Embora descobrir que o código escolhido, a data de nascimento de Oliver, era uma senha tão péssima quanto Cisco ter escolhido 424242 para a de seu computador pessoal.

− Ah, você está aí. Espero que esteja satisfeita com o tiro q—Caitlin?

Ela já estava acostumada com personalidades tempestivas e aceleradas—por Deus, trabalhava com o Flash!—, mas não esperava ser recepcionada de um jeito tão... agressivo?

− Acho que eu saberia se tivesse sido baleada. – Riu da própria expressão e Felicity a acompanhou. Mas sua risada era nervosa, o que fez Caitlin ficar alerta. Ela e Felicity tinham se tornado boas amigas desde que a loira passara a frequentar Central City por mais tempo. Em algum momento, torceu para que ela namorasse com Barry, mas as coisas seguiram por outro rumo e pelo que havia escutado de Cisco, a loira estava muito feliz agora. E não era com Oliver. – Aconteceu alguma coisa?

Felicity suspirou pesadamente e desabou na cadeira onde antes estivera sentada. Estava preocupada com Sara, que ainda não havia chegado, embora soubesse que ela estava bem. Lhe incomodava que ela estivesse pilotando com uma bala na perna. E se algo vital tivesse sido atingido? E se ela não conseguisse chegar ali? As duas haviam discutido no caminho de volta, contra todos os desejos de Felicity de fazer isso, porque ela decidiu averiguar um roubo em andamento no banco central da cidade.

− Sara. – Caitlin arqueou as sobrancelhas, como se esperasse uma luz. – A Canário Negro. Ela foi baleada.

− Meu Deus! – Lembrou-se que ali todos eram humanos, sem a recuperação acelerada de Barry para dar conta do recado. – E onde ela está? Posso ajudar.

Estava pronta para botar a mão na massa. Deixaria o assunto com Ray para depois. E o da droga com Felicity também

− Ela deve estar... – Um aviso em seu computador tirou o foco da conversa. Uma mensagem avisando que estavam sendo invadidos. Seu pai. – Ah não, ah não, ah não!

− O que houve? – Caitlin aproximou-se dos computadores.

− Estamos sendo atacados. Virtualmente atacados.

Ela começou a agir, tirando as preocupações da cabeça naquele momento enquanto levantava as defesas de seus computadores. Muitas informações importantes estavam contidas ali. Informações vitais que não podiam ser perdidas.

Está me testando, pensou ela. Quer saber até onde sou capaz de ir. Eu disse que viesse, papai, e não vou voltar atrás.

Ele atacou com um vírus. Felicity o neutralizou e lançou outro de volta. Ele atacou novamente, mais perto desta vez. Felicity conseguiu evitar o pior.

Essa batalha deve ter perdurado por mais alguns minutos, de modo que ela mal escutou quando Sara desceu pelas escadas do Verdant e sequer reparou quando ela ficou ao seu lado, totalmente ignorante ao fato de que havia uma bala enterrada em sua coxa.

Finalmente, as coisas se apaziguaram.

Você não é menos do que eu esperava, foi a mensagem que apareceu em sua tela. Felicity suspirou.

− O que significa essa mensagem, Fel?

Felicity deu um grito, jogando o teclado para o alto, que foi habilmente amparado por Sara. Caitlin era uma telespectadora silenciosa da cena cômica.

− Pelo amor de Deus, Sara! Quer me matar do coração?! – Felicity bradou.

− Eu, sinto muito, só... – Estreitou os olhos. A adrenalina que percorria seu corpo começava a se esgotar e sentiu a vista escurecer. Notando isso, Caitlin adiantou-se e segurou o pulso dela, enquanto Felicity cedia seu lugar para que Sara sentasse.

− Deixe-me ver isso. – Com uma tesoura em punhos que surgiu de uma maleta de primeiros socorros que Caitlin já havia separado, ela rasgou o tecido.

− Quem....

− Uma amiga. Ela é de confiança. – Era tudo o que Sara precisava saber naquele momento. Felicity ignorou a raiva que sentia da heroína, segurando sua mão enquanto Caitlin analisava o ferimento. – Conseguiu pegar os bandidos no banco?

− Sim. Amarrados e desacordados. – Ela ergueu um polegar, mas grunhiu de dor ao sentir Caitlin mexer no ferimento.

− Sinto muito, a bala está alojada aqui e não temos nenhum tipo de anestésico. Eu procurei. – disse. – Se soubesse que precisaríamos de algo do tipo, teria trazido minhas coisas, mas vim às pressas...

Felicity queria perguntar o motivo, mas não achou conveniente fazê-lo agora.

− O que posso fazer para ajudar? – perguntou a hacker.

− Me ajude a levar ela até aquela mesa. Vai doer, mas posso extrair a bala. Pelo que vi, nenhuma artéria foi pega e não é o tipo de bala dundum.

− Bala dundum? – Felicity arqueou as sobrancelhas.

− Estilhaço. – Caitlin esclareceu. – Ela apenas penetrou no lugar e ficou, o que é ótimo. Fácil remoção. Mas não posso prometer que não vai doer. – Mordeu o lábio inferior.

− Faça. – Sara murmurou, a tez um pouco pálida devido à dor que agora sentia. – Pegue o anestésico, Fel.

− Anestésico? Mas eu procurei em tudo. Ah.

Caitlin abriu um sorriso ao ver a garrafa de bebida alcoólica que Felicity trazia.

− No copo ou no gargalo?

Ela olhou para Caitlin.

− Melhor no gargalo. – Snow advertiu.

− No gargalo então.

Sara entornou a bebida, esperando que o efeito começasse logo. E que ela não sentisse muita dor no processo.

X

Mas a bebida não a impediu de gritar feito uma menininha quando Caitlin extraiu a bala. Ou quando começou a fechar o ferimento. Ou quando mergulhou em álcool para ter certeza de que ela não teria uma infecção. Trinta minutos após o início, uma Sara bêbada e apagada estava deitada na cama dobrável que Oliver sempre mantinha no QG e onde costumava passar a maior parte de suas noites.

A sombra da lembrança trouxe um aperto no peito de Felicity. O amigo talvez nunca mais voltasse porque se casara com Nyssa para salvar Sara.

Caitlin pareceu notar que algo assombrava a hacker. A expressão de dor e preocupação era evidente a cada movimento exalado por ela e pelo carinho com o qual a vira tratar Sara, tinha certeza de que finalmente havia encontrado o misterioso par romântico da amiga.

Felicity afastou uma mecha que caía sobre os olhos de Sara e pegou a garrafa quase vazia que a heroína ainda segurava. Olhou então para Caitlin, que até então as acompanhava com um sorriso quase bobo do que Felicity classificaria como fangirl e fez um sinal com a cabeça para que ela lhe acompanhasse para longe de uma Sara dorminhoca.

− Como ela está? – Felicity perguntou. Depois da última vez em que Sara quase morrera... e agora em Nanda Parbat quando quase a havia perdido...

− Vai ficar bem. – Caitlin respondeu. – Tem... muitas cicatrizes, não é? Acho que Barry também as teria se não fosse meta-humano. Não sei como vocês conseguem fazer isso. Sem poderes.

− Porque é preciso. – A hacker respondeu com simplicidade. – Porque essa cidade estava morrendo, afogada na corrupção e na dor e Oliver trouxe uma luz para eles. Mas agora são incapazes de reconhecer isso e talvez ele nunca mais volte.

− Felicity... – Caitlin sentiu naquelas lágrimas presas que tudo o que a amiga precisava era de um ombro amigo. E talvez seus problemas fossem pequenos demais naquele momento, mesmo que a cientista soubesse a verdadeira magnitude deles. Mas, embora quisesse agir nisso sozinha, sabia que provavelmente precisaria de Felicity para ajudar ela e Ray. Talvez precisasse. – Converse comigo. Conte-me o que houve.

A loira pressionou os dedos fortemente contra o tecido da calça que usava, sentindo que tudo aquilo a sufocava, sentindo que talvez realmente se afogasse se não contasse a alguém como se sentia. Ela olhou para Caitlin, tão prestativa e lembrou-se que também possuía amigos. Amigos que se importavam com ela fora do ciclo de heróis—mesmo que ela fizesse parte do Team Flash.

E contou tudo. Desde o início. Desde que começara a sair com Sara, naquela simples brincadeira e tudo o que passaram até aquele momento, onde Oliver não mais retornaria. Onde o medo e a culpa a corroíam por Roy estar perdido e por Sara estar constantemente em risco enquanto ela permanecia segura, travando batalhas atrás de computadores.

X

A cidade estava silenciosa. Na verdade, vivia silenciosa há muito tempo, Eric notara. Ele, como um peregrino da noite, sentia quando os ares mudavam. Por muito tempo, matutou em sua cabeça por que Felicity lhe era tão familiar. Achou que era dos tabloides, de quando ela ganhou algum prêmio por ter desenvolvido algo, ou de algum banner. Mas ela não tinha um rosto comum. Era sim muito bonita, mas não comum.

O fato é que ele não conseguia lembrar-se de onde a conhecia até aquele momento. Porque Felicity Megan Smoak não era o tipo de pessoa que se aventurava nos Glades, onde Eric vivera a sua vida inteira, exceto pelos anos em que havia passado na prisão.

Só que ele se lembrou de onde a conhecia quando sua presença foi requisitada pelo aparelho celular que sempre carregava, mas que nunca desejou usar.

“Mantenha-o carregado e sempre consigo. Um dia, precisarei de favores. E você retribuirá a toda a proteção que dei a você na prisão. Três vezes. Três favores. Para cada vez que tentaram te matar.”

Eric cerrou os punhos. Aquele era a terceira vez que ele lhe contatava e a segunda em que se encontrariam pessoalmente. Ele havia dado o endereço de uma casa nos Glades, mas o que um homem que Eric tinha certeza que era um magnata estaria fazendo enfiado ali?

− Despistando a polícia, é claro, Eric. – Falou consigo mesmo e deu uma risada seca, amassando o endereço e colocando no bolso. Sabia que teria que se livrar dele depois. Seus dedos formaram nós que bateram diante da porta da humilde residência. O ar espiralava por seus lábios, denso e frio e ele pensou que talvez devesse ter pego uma blusa extra.

Mas estava na casa de Laurel, e ainda não tinha deixado roupas por lá. Talvez fosse a hora.

Afinal, ela era sua namorada, não era? A intitulara assim. Como um covarde que não se presta a perguntar se isso era o que ela queria ou não.

− Entre.

A voz, a mesma que sempre fazia um arrepio percorrer sua espinha, projetou-se pelo corredor quando a porta abriu com um ar fantasmagórico. O homem de meia idade e cabelos grisalhos o encarou com um sorriso que poderia muito bem parecer gentil se Eric não conhecesse a verdadeira natureza por trás dele.

Sob a penumbra e com as mãos no bolso, Eric entrou na casa sem reparar muito nos detalhes, pois a maior parte dos móveis estava coberta por lençóis.

− Ainda não tive tempo para mudar a decoração. – Justificou-se o homem, cujo qual o nome Eric não sabia; nem queria. – Venha.

O rapaz o acompanhou até a única sala iluminada por uma série de telas de LED de computadores com informações diferentes e câmeras ligadas de toda a cidade. Ele engoliu em seco a vontade que tinha de perguntar qual era a dele. Mas um morador dos Glades nunca faz esse tipo de pergunta. Nunca.

− Você se lembra do que eu te disse, não é? Um favor para cada morte sua que evitei na prisão.

Ele se lembrava. Quando se faz um acordo com o diabo em troca da própria vida, você simplesmente não consegue esquecer.

− Hoje vou cobrar o último. – Prosseguiu ao notar o silêncio do Corvo com o qual já estava habituado. – Depois, poderá ser livre. E também deletarei quaisquer registros que digam que você já esteve preso algum dia.

− Estão selados. – Sua voz soou um pouco mais rígida do que desejara. Como se estivesse com medo.

Selados significa que podem ser abertos ou revogados, meu caro Corvo. – Ele sorriu. – Considere isso um último presente meu.

Eric queria dizer a ele que não desejava nenhum presente seu, mas sim retornar ao dia em que o havia conhecido para negar aceitar se vender. Mas seus olhos se desviaram brevemente para a única fotografia emoldurada presente entre os computadores, de uma garotinha abraçada ao seu pai, com os óculos maiores do que o próprio rosto. Progressivamente, outras fotos espalhadas pela mesa acompanhavam seu crescimento.

− Quero que se aproxime da minha filha. Sei que esteve em contato com ela hoje à noite, pois triangulei o posicionamento do seu celular. Preciso que tenha acesso ao seu computador e coloque isso nele. – Lhe estendeu um pendrive. – Mas não o computador pessoal e sim o de sua base secreta onde ela gosta de bancar a heroína. Vai fazer isso por mim. Este último favor e então estará livre.

Era dali que a conhecia. Aquele homem era o pai de Felicity Smoak. E isso o fez se amaldiçoar enquanto as memórias daquele dia retornavam como um turbilhão.

X

Naquela época, ele estava trabalhando em um projeto solo. Já livre da Liga dos Assassinos, finalmente pudera voltar a agir como quem realmente era: Calculator. E ele realmente não gostava de trabalhos em equipe.

Muitos de seus antigos comparsas ou pessoas que lhe deviam certos... favores, estavam na prisão. Infelizmente, alguns favores precisam ser cobrados e certas pessoas precisam pagar de uma forma ou de outra quando não são capazes de cumpri-los. Noah Kutler não era um assassino e nunca sujava suas mãos, mas sabia como destruir vidas atrás da tela de um computador.

Hoje em dia era fácil.

Eric não tinha nada de excepcional para chamar a atenção do homem, exceto que ele simplesmente não se fazia notar. Era como se sua presença invisível, naquele lugar, fosse um chamariz, pois se tornara alvo fácil entre os presos que queriam apenas se deliciar com carne nova.

Para Noah, não havia sido difícil descobrir um pouco mais sobre aquele jovem que fora injustiçado por um sistema falho que era o da Justiça. Mas Noah não queria libertá-lo, claro que não. Se fizesse isso, talvez nunca fosse capaz de usar o verdadeiro potencial daquele jovem. Havia uma escuridão que o cercava, uma sombra que o envolvia... algo em sua personalidade que o tornara peculiar aos seus olhos. Parte disso, devia-se à sua esperteza, que ele notara ao observá-lo através das câmeras que se encontravam naquela prisão.

Quando Eric foi parar na enfermaria após uma surra especialmente ruim, Noah usou alguns favores para chegar até ele. Seu olho era uma coisa roxa e macilenta sobre o rosto. O ângulo de seu queixo estava péssimo. E talvez se não tivesse tido a sorte de um guarda salvar sua vida—um amigo de Noah, por sinal (lembra-se daquela vez em que você precisou que eu apagasse alguns quilos de cocaína que você desviou pela fronteira do México, Bob?)—, provavelmente teria sufocado sob a traqueia que quase fora esmagada por um preso que encrencou com ele porque era bonitinho demais.

− Cansado de apanhar, filho?

A morfina estava fazendo efeito, o que o deixava especialmente sonolento. Eric queria responder ao que quer que fosse aquele sonho, mas apenas uma bolha de saliva sanguinolenta escapou por sua boca; nenhum som.

− Vou levar isso como um sim. – Prosseguiu. – Sei que não me conhece e esse tipo de lugar demanda que não tenha confiança em ninguém, mas estou aqui para te oferecer uma saída. Em algum momento, ela irá aparecer. Até lá, precisará aguentar, filho. Você foi injustiçado, sabe? Um pequeno delito e o jogaram logo aqui junto com os tubarões? Isso não se faz. Não mesmo. Mas o prefeito precisava mostrar serviço, entende? Você foi o mártir.

Eric tentou piscar, mas o simples ato era doloroso demais.

− Eles vão te matar, entende? Essa surra de hoje foi apenas uma prova do que estão dispostos a fazer com carne fresca como você. – O homem colocou as mãos no bolso de seu terno caríssimo, ainda de costas para Eric. – Talvez matar fosse a melhor coisa que fizessem a você. Já ouvi falar de coisas horríveis por aqui. Coisas que os guardas preferem ignorar...

Um arrepio percorreu o corpo de Eric. Ele sabia. Sabia porque um desses caras havia lhe abordado mais cedo, prometendo proteção caso ele... Não. Não queria nem mesmo imaginar.

− Você tem uma vida toda pela frente, sabe que sim. Mas precisa ter um futuro para isso. Precisa estar vivo. E aqui... bem, sinto que seu futuro não existirá. Mas posso lhe oferecer o que precisa, sabe? – Um sorriso de canto. Não conseguia ver sua expressão, estava borrada. – Proteção sem tenha que passar por toda essa tortura. Conheço muita gente.

Eric queria conversar com ele, mas sua garganta doía. Respirar era difícil e a dor era excruciante.

− Deve estar pensando no que quero em troca, não é? – Ele se aproximou, mas seu rosto era difícil de discernir. Eric não sabia a razão. – Bem, pequenos favores. Um para cada vez que eu salvar a sua vida. Quando precisar, pedirei por eles. Você pode aceitar ou não. Mas se não aceitar, garanto que não sairá vivo daqui.

Havia algo no tom dele que parecia uma ameaça velada. Talvez aquele homem de terno fosse o pior dos tubarões dali.

− E então, o que vai ser? Pisque duas vezes para sim, uma para não.

Eric pensou em sua família. Pensou em sua mãe e na bobagem que havia cometido. Pensou no pai que os abandonara para viver em outro lugar. Pensou em toda dor que sua mãe deveria ter sentido depois que foi preso. Piscou uma vez, de forma que o homem havia concluído que ele talvez não fosse tão brilhante assim. Mas demorou um pouco mais e a outra piscada veio. Noah sorriu.

− Bom garoto. – disse ele. – Agora descanse. Vai precisar.

Ele sentiu quando a dose de morfina foi gentilmente aumentada por aquele homem. Mas naquela época, não fazia ideia de que havia vendido sua alma ao diabo. E que ele era um homem que jamais errava em seus cálculos.

X

Demorou para que John conseguisse uma pista concreta sobre o paradeiro de Thea. Durante aqueles dois meses, havia percorrido locais à procura de uma jovem com as descrições dela, sempre acabando em becos sem saída que o levavam à estaca zero novamente. Mesmo com a ajuda de Lyla, as coisas não estava fáceis. Até que finalmente lhe fora revelada uma informação a respeito de uma garota que vivia com seu pai em uma vila distante no Japão.

Japão! Como haviam chegado tão longe?

Ao chegar naquele local, Diggle soube porque Thea o havia escolhido: a paz cercada pelas cerejeiras que acabavam de florescer preenchiam o ar com suas cores. Pétalas pincelavam os lagos cheios de carpas que saltavam vivamente em seus rituais de acasalamento e ele imaginou que poderiam ser felizes ali: ele, Lyla e a pequena Sara.

Talvez seja errado tirar a paz dela quando parece estar tão bem aqui, pensou John.

Mas ele se lembrava de Roy. Do Roy que havia abandonado em Starling City para aquela empreitada. Não queria sequer imaginar como a cidade estaria naquele momento, sem nenhum vigilante confiante para olhá-la. Mas tudo o que compreendia era que, se não fizesse Roy voltar à razão, talvez o perdessem para sempre. E isso não era algo que Oliver poderia simplesmente superar. Talvez ninguém da equipe.

Porque a culpa foi nossa. Jogamos todo o peso sobre os ombros dessa criança enquanto resolvíamos nossos próprios problemas, nossos próprios fantasmas pessoais. E ele precisava lidar com a namorada louca sem nunca reclamar disso para ninguém.

Não podia deixar de sentir aquela dor em seu âmago. Roy Harper era apenas um jovem que tentava se encontrar e eles eram os adultos que deveriam prover segurança e direção para que ele se tornasse a pessoa incrível que John tinha certeza que ele seria; que já era. Apenas estava um pouco perdido.

A ida de Thea Queen para outro lugar o havia desestabilizado completamente, mas John, que o seguira por algum tempo, sabia que as coisas haviam começado muito antes, quando ele precisou ser o único vigilante a proteger uma cidade destroçada pela violência e cercada pelo medo.

Com um suspiro baixo, adentrou o vilarejo, notando as pessoas que andavam de quimono pelas ruas de terra batida enquanto ele se destoava de todos, tanto pela cor da pele quanto pela escolha de roupas: um traje em estilo verde militar com uma jaqueta de couro preta por cima que o permitira resistir bem às baixas temperaturas que vinha enfrentando até chegar ao clima primaveril que atuava sobre aquela região.

Estava prestes a parar para pedir alguma informação, torcendo para que seu japonês não estivesse muito enferrujado, quando sentiu uma lâmina em sua garganta.

− Sugiro que não se mova muito, Sr. Diggle. Pode acabar em sendo a última coisa que vai fazer.

Ele prendeu a respiração diante daquela ameaça. Talvez aquela tivesse sido uma péssima ideia afinal.

X

O local em si era um grande casarão que lembrava a Roy um velho orfanato que havia visto certa vez em um filme com crianças que tinham super poderes e nunca envelheciam. Ele nunca imaginou que, dentro de Star City, algo assim existiria. Mas aparentemente, ele era incapaz de imaginar muitas coisas ultimamente. Sua cabeça latejava e o estômago revirava no corpo. Queria apenas que a sensação de abstinência passasse, mas tinha a impressão de que isso somado ao fato de que seu cérebro parecia prestes a explodir apenas pioraria.

Durante as primeiras horas, havia feito o que a mulher tinha lhe sugerido: ficara à vontade. O que, na linguagem ensinada por Oliver Queen, significava investigar os arredores.

Ao chegar, um quarto havia sido oferecido para que descansasse da noite anterior, junto com roupas limpas que não incluíam um conjunto de kevlar usado pelo Arsenal. O banho, ele aceitou de bom grado. Queria tirar aquela sujeira, o sangue que sentia nas mãos pelo tiro que Sara havia levado. Ela estaria bem? Nenhuma artéria crucial teria sido perfurada? Não sabia. E isso o consumia por dentro. Se Sara morresse por causa de sua atitude tola, Felicity jamais o perdoaria; ele jamais se perdoaria. Mas Roy se lembrou do quanto a Canário era forte. Do quanto ela superara a morte de perto tantas vezes quanto o próprio Oliver. Isso o fez suspirar um pouco mais aliviado, mas não foi o suficiente para permitir que adormecesse.

O que estava acontecendo consigo? Por que havia cedido tão facilmente aos desejos de se recuperar de uma doença incurável ao ponto de seguir ao lado de inimigos que claramente tinham uma posição que colocaria toda a cidade em risco?

Agora, enquanto caminhava pelo complexo que era aquela mansão, com crianças correndo por todos os cantos enquanto adultos a supervisionavam, Roy se pegou imaginando se a única razão era a promessa que havia feito à Thea. Ele não queria morrer, é claro, mas aceitava as consequências do que havia sido feito consigo. E o Mirakuru era o causador daquele tumor que crescia dentro de si.

Talvez, pensou ele, essa seja a forma de compensar a família daquele policial que matei. Talvez seja isso.

A culpa sempre o mataria por dentro por conta daquilo. Mesmo ajudando a família com o emprego que tinha durante o dia, sempre se sentiria culpado por ter ceifado a vida daquele homem de família e jamais poderia se perdoar. Mesmo que Oliver lhe dissesse que a culpa não era sua, pois não estava sob o controle de suas próprias faculdades mentais.

Mas também não estava na noite em que havia atacado Sin e John a protegera levando uma flechada em seu lugar. Depois daquilo... ele havia desaparecido, mas sabia que estava vivo ou uma nota teria saído nos jornais.

John Diggle, segurança do playboy Oliver Queen, morto por vigilante.

Talvez não fosse exatamente desta forma, mas ele saberia. E a pequena Sara e Lyla estavam bem, não havia indícios de preocupação a respeito disso; Roy as vinha vigiando também. Ele apenas... não estava ali. O que o fazia se perguntar se ele não havia sido convocado para ajudar Oliver a resgatar Sara. E se essa era a resposta e Sara agora estava ali, então talvez Oliver também estivesse.

Oliver.

O que ele faria em sua situação? Provavelmente qualquer coisa que não o fizesse se tornar um maldito viciado. Mas ele se lembrava do mentor e amigo destroçado ao ver a irmã naquela situação por tanto tempo. O próprio Roy havia sido um pilar sólido e indestrutível ao seu lado. E era parte disso que o havia feito definhar, mas não podia culpar ninguém. Amava tanto Thea quanto o próprio Oliver, e vê-la naquele estado era simplesmente difícil demais. Por isso, quando ela havia aparecido tão sã diante de si, não pôde segurá-la ou pedir para que ficasse, embora quisesse muito. Tanto quanto partir com ela. Seu próprio caminho. Queria seguir seu próprio caminho com ela. Mas não lhe fora permitido, porque Thea precisava se curar.

E eu também. Eu preciso me curar se quiser reparar todo o mal que eu fiz.

Cerrou os punhos, observando novamente aquele local onde todos pareciam tão felizes até parar na frente de uma sala com portas duplas de metal com um símbolo de compostos radioativos. A porta tinha um scanner de retina ao qual ele sabia que obviamente não passaria. Mas após alguns minutos parado de frente para ela, alguém se aproximou com passos pequeninos que Roy logo reconheceu. Não precisou virar-se para saber quem era.

− E então, Sr. Harper, pronto para conversarmos um pouco?

Era a voz, tão compassiva e cadenciada que o faziam ficar alerta. Era aquela voz que parecia ter visto tantas coisas ruins que o faziam lembrar de todos os ensinamentos de Oliver.

Nunca baixe a guarda. Não importa o quão frágil o seu inimigo pareça. Nunca baixe a guarda.

Ele cerrou os punhos e virou-se com uma expressão quase sorridente.

− Claro, Scorpia.— respondeu. – Posso te chamar assim?

O clang metálico se fez ouvir quando ela contraiu o maxilar. Olhar para aquela mulher deformada era agoniante, mas ele se forçou a permanecer neutro. Ela parecia reconhecer o efeito que causava, pois o lado não deformado do rosto repuxou os lábio para cima.

− Como queira, Sr. Harper. Por favor, me acompanhe até meu escritório. E descobriremos se você vai querer ou não se juntar ao nosso pequeno projeto e à nossa causa. – Encolheu os ombros enquanto caminhava, a perna esquerda repuxando. – Talvez quando você compreender um pouco do que é feito aqui por essas pessoas e o que será feito por tantas outras, deixe de ficar tão desconfiado sobre os nossos propósitos.

Anuiu com a cabeça enquanto a seguia pelos corredores, deixando aquela misteriosa sala para trás.

Alerta. Sempre alerta. Como Oliver lhe ensinara certa vez.

X

− Uau. – Foi tudo o que Caitlin conseguiu dizer ao final do relato de Felicity. Fazia a vida em Central City parecer realmente monótona quando as coisas que aconteciam ali envolviam vilões que não agiam movidos apenas por seus poderes, mas por vinganças entranhadas no fundo de suas almas. – E você foi mesmo até onde... essa tal ilha...

− Nanda Parbat. – Esclareceu a hacker.

− Para resgatar Sara? – Caitlin arqueou as sobrancelhas, observando a outra loira que dormia um sono profundo.

Felicity anuiu com a cabeça, cerrando levemente os punhos ao lembrar-se de todos os acontecimentos na ilha. E em como Oliver talvez nunca mais retornasse apesar de sua promessa.

− Isso é... uau. – Não conseguia expressar como se sentia a respeito de tudo, mas ao ver o peso nos ombros de Felicity, segurou as mãos da hacker. – Ele fez o que sentiu que deveria fazer, Felicity. Não pode se culpar. Você conhece o Oliver. Ele faria tudo pelas pessoas com quem realmente se importa. E ele ama vocês.

Felicity sabia disso. Sabia que o homem que havia conhecido e por quem certa vez fora apaixonada faria de tudo por aqueles que amava. Era por isso que tinha que permanecer firme e forte ali.

− Ele se uniu a alguém que talvez nunca o faça feliz. Nyssa... ela é uma boa pessoa, mas também não queria nada disso. – Engoliu em seco. – Não posso dizer que me arrependo, mas gostaria que outra solução tivesse saído disso.

− Talvez tenha sido para melhor. – Ao ver a expressão indignada de Felicity, Caitlin prosseguiu. – O que quero dizer é que, dessa forma, Oliver pode mudar o conceito do que aquela ilha significa, não é? Sendo o novo R’as.

− Isso é verdade, mas...

− Ainda assim dói. Eu sei.

Caitlin realmente sabia, porque tinha seus próprios fantasmas para carregar. Fantasmas que a assombravam há muito tempo.

− Mas aprenderá que algumas coisas simplesmente fogem de nosso controle. Sei que é horrível ficar apenas aqui enquanto ela se arrisca. Mas sem você... sem o seu suporte as coisas poderiam ter tido um rumo totalmente diferente. Sabe disso, não é?

Felicity sabia. Seu suporte visual e o fato de sempre estar um passo adiante eram de uma ajuda sem tamanho. Mas a verdade é que queria estar lá, no campo de batalha. Queria poder levar todos os tiros por Sara para que ela jamais precisasse se ferir novamente.

− Não pode carregar o mundo nas costas, Fel. É isso que significa ser um casal.

Mal notaram quando Sara despertou, espreguiçando-se enquanto mancava naquela direção. Algo dentro do coração de Felicity se aqueceu quando ela deu espaço para que a heroína se sentasse ao seu lado. E ela quis muito chorar naquele momento, quando Sara passou um dos braços sobre seus ombros. – Sinto muito. Por te preocupar. E obrigada por sempre ser meus olhos e meus ouvidos lá fora. E o meu coração que me permite voltar para onde pertenço.

Beijou-lhe a testa cuidadosamente, absorvendo aquele perfume que sempre lhe trazia de volta à razão.

− Awn! – Caitlin não conseguia resistir à fofura que as duas exalavam e sorriu, unindo as mãos enquanto as encarava; Felicity riu um pouco.

− Vou sempre me preocupar com você. E é por isso que pedi a Cisco para desenvolver umas coisinhas a mais para você. – Desvencilhou-se do abraço, lembrando-se da sacola que Caitlin havia trazido. – Está aí com você?

− Ah? Claro. – Caitlin estendeu a sacola entregue por Barry antes de partir para Felicity. – Mas não faço ideia do que seja.

Felicity não fez cerimônia ao olhar dentro da sacola e puxar primeiro o dispositivo que parecia uma coleira. Os olhos de Sara brilharam.

− É o que estou pensando? – questionou a heroína.

− Um dispositivo supersônico como o seu, mas melhorado. Cisco o desenvolveu para que as ondas sonoras pudessem ser aumentadas ou diminuídas de acordo com a tonalidade de sua voz. Isso significa que você pode lançar gritos capazes de vibrar através de vidro, tornando-os poeira!

− Uau. Em pensar que eu usava isso apenas para atordoar alguns caras.

− O alcance é maior também, o que te permite pegar mais bandidos por vez.

Sara não conseguiu evitar um sorriso ao ver o quanto Felicity se preocupava com ela.

− E teve mais uma coisa que eu pedi a ele. – Puxou da sacola um tecido negro, maleável e o estendeu na direção de Sara.

− Isso é...

− Kevlar. – respondeu Caitlin. – Com algumas modificações.

Há algum tempo, Caitlin vira Cisco empenhado em algum tipo de projeto que ela considerou ser algo particular—talvez até mesmo uma nova roupa para Barry—, mas não pensou que fosse algo para o team Arrow. Ela não havia tido a chance de conhecer a Canário Negro pessoalmente, pois na época ela fazia parte da Liga dos Assassinos e tinha retornado para lá.

− Eu posso...? – Os olhos de Sara se voltaram para Felicity e pediram autorização, como uma criança diante do presente de natal prestes a rasgar o embrulho.

− Vá em frente. – Felicity fez sinal com uma das mãos como se desse a permissão que Sara não precisava.

− Melhor namorada-noiva do mundo! – Sara não quis dar chances para Felicity se arrepender e agarrou a roupa, dando um beijo estalado na boca da noiva e abriu um sorriso radiante para Caitlin. – Obrigada. Pela perna e por isso.

Com a roupa em mãos, ela apenas não correu para vestir a roupa porque estava incapacitada para tal.

− Ela é uma figura e tanto, não é? – Caitlin abriu um sorriso enquanto observava Sara desaparecer de vista.

− Você nem faz ideia. – Felicity achou que ela tiraria a roupa ali mesmo, mas ao menos teve o bom senso de se afastar um pouco, talvez sentindo que as duas nerds, como ela gostava de dizer, precisavam de privacidade. – Acho que nós precisamos conversar, não é mesmo?

Havia algo na forma como Felicity tinha lançado aquelas palavras que faziam Caitlin crer que precisava contar tudo a ela. Não queria envolvê-la, mas sentia que se escondesse algo tão grande dela, poderia se arrepender. Por isso, começou a falar.

X

A lâmina da faca de Malcolm Merlin estava bem encaixada entre suas costelas, oculta sob a dobra da manga do kimono que o homem usava. John sabia que, mesmo com seus anos de treinamento como militar, qualquer movimento em falso significaria ser dilacerado. As pessoas do vilarejo pareciam não achar estranho que aqueles dois homens andassem tão próximos. Ou talvez apenas não quisessem se envolver no que quer que fosse aquilo.

Malcolm o arrastou sutilmente até um beco entre duas casas, onde nenhuma pessoa poderia ouvir seus gritos caso John gritasse, mas ele não seria tolo o bastante para tal.

− Deixe ele. – John nunca pensou que fosse ficar tão feliz em escutar a voz de Thea como ficou naquele momento.

− Não se preocupe, querida, estávamos apenas tendo uma conversa amigável. – O tom de voz de Malcolm era regado de sarcasmo, mas aquela parecia ser sua máscara natural.

− Sei bem qual é o tipo de conversa que você gosta de ter com os outros. Ele é um amigo. E não me chame de querida. – disse a última parte com certa rispidez.

O ar escapou de maneira insatisfeita pelos lábios de Malcolm e ele aliviou a pressão da face sobre as costelas de John; finalmente ele sentiu que podia respirar novamente.

− Tudo bem, filha. – respondeu, vencido.

− Deixe que a gente converse. – O fato de ela não ter questionado o fato de Malcolm chamá-la assim soou estranho aos ouvidos de John, mas o ex-soldado não questionou aquilo, tal como Malcolm foi sábio em não questionar a decisão de Thea.

− Estarei logo ali. – Ele se encaminhou para a entrada do beco, os braços firmementes cruzados na frente do peito como um guarda-costas. John não tinha dúvidas que teria uma lâmina afundada no pescoço muito antes de perceber caso o tom de conversa não agradasse Malcolm. E ele tinha certeza de que o assassino escutaria cada palavra dita pelos dois.

− O que o meu irmão quer te mandando atrás de mim, John? – Thea, as sobrancelhas arqueadas e a postura firme, olhou em sua direção.

Parando para observá-la somente naquele momento e sem a ameaça de uma faca apontada na direção de seu coração, John pôde notar o quanto a jovem estava mudada. Da garota riquinha e mimada que havia conhecido, envolvida com drogas e que fazia de tudo para chamar a atenção da mãe e do irmão mais velho, Thea Queen havia se tornado realmente uma mulher. Aquela postura, John reconhecia, não era a postura relaxada de quem deixava a guarda aberta, mas de alguém que poderia sacar uma arma a qualquer momento e assassinar qualquer pessoa que se colocasse em seu caminho. Parecia que naquele tempo fora, Malcolm havia feito um bom trabalho treinando-a.

− Combina com você. – disse ele. – O corte. E não foi seu irmão quem me mandou aqui. Vim por conta própria.

Ela abriu um sorriso ao ouvi-lo falar de seu cabelo.

− Precisava de uma mudança radical e admito que gostei. Obrigada pelo elogio. – Seus olhos se estreitaram, no entanto, ao ouvir a última parte. – O que houve? Ollie está bem?

John achava bonita a devoção que Oliver tinha para com a irmã, mas jamais imaginou que fosse recíproco até notar o olhar dela naquele momento. Talvez a tivesse julgado mal.

− Oliver está... é complicado, mas falaremos disso depois. Vim por causa de Roy.

Thea sentiu um nó se formar em sua garganta. Malcolm olhou de soslaio naquela direção, mas não se moveu um milímetro de onde estava.

− O que houve?

− Depois que você foi embora, ele se perdeu completamente. Começou a carregar nos ombros o peso de toda a cidade. O seu irmão... eu não entrarei em detalhes agora, mas ele foi resgatar Sara em Nanda Parbat. Enquanto você e seu...Malcolm viajavam pelo mundo, ela se entregou para um dos membros da Liga dos Assassinos, um tal de Er-Notur, para que Felicity não fosse assassinada. – John suspirou pesadamente e cerrou os punhos antes de prosseguir. – Tenho certeza de que seu irmão irá retornar em segurança com Sara e Felicity—sim, ela foi junto—, mas Roy... ele se envolveu com coisas perigosas, Thea. Drogas... uma droga em específico que anda mexendo com a sua cabeça. Ele atirou uma flecha em Sin e eu a protegi.

− Impossível. – Ela cortou. – Roy jamais faria isso. Ele jamais atacaria alguém. Principalmente ela.

Principalmente depois de tudo o que aconteceu.

Mas o olhar de John era a confirmação dolorosa que Thea precisava.

− Ele está perdido, Thea. – insistiu. – Precisa de uma luz, precisa de você.

− Eu não sou luz alguma. – desdenhou. Não era, nunca havia sido.

− É para ele. E quando você estava afundada, ele foi a sua luz também. – John rebateu. – Sei o que a morte de sua mãe fez a você e sei que não quer ouvir isso, mas quando tudo estava ruindo, quando nem Oliver acreditava mais que você podia melhorar, ele foi o único... ele foi a única pessoa que esteve lá por você. E agora precisa da sua ajuda. Não vou... não vou te obrigar a sair daqui. Vejo que é uma pessoa totalmente diferente agora e que de alguma forma, esse crápula faz bem a você.

Malcolm soltou uma risada de escárnio, mas o olhar atravessado de Thea o calou.

− Vou pensar sobre isso. – prometeu ela. – Fique conosco por hoje e descanse. Amanhã... amanhã tomaremos uma posição.

Mas pelo olhar de Thea, John já sabia qual era a sua decisão.

X

Felicity ainda estava digerindo a história de Caitlin quando Sara chamou sua atenção.

− E então, o que acha?

A outra loira ergueu os olhos naquela direção, o movimento involuntário de acertar os óculos que não estavam sobre o rosto a traindo.

− Uau. – Felicity ficou sem palavras diante da aparição de Sara.

Aquela roupa, inteiramente ajustada em seu corpo, era muito mais justa do que a outra. O tecido negro e maleável encaixava-se muito bem em seu corpo, delineando as curvas da loira. A jaqueta havia sido substituída por um conjunto único de mangas curtas com luvas que subiam acima dos cotovelos e deixavam apenas um pequeno pedaço do braço descoberto. As botas pareciam mais leves, mais maleáveis e Sara parecia sentir a diferença também. E até mesmo a máscara tinha um design mais moderno e com um encaixe mais firme no rosto.

− E veja isso. – Sara estendeu as palmas das mãos para cima e pressionou um botão oculto nos pulsos. No mesmo instante, uma película negra e translúcida surgiu logo abaixo dos braços, interligando-se à roupa. Na parte de trás, o que parecia a penugem de uma ave de rapina surgia.

− Com essa envergadura, acho que você pode conseguir planar. – disse Caitlin. – Mas não vamos testar a teoria antes de eu confirmar com Cisco.

Sara, radiante como estava, ergueu os braços para o alto e no mesmo instante, uma rajada de penas afiadas se fixou no teto.

− Uh-oh. – A loira deixou escapar. – Acho melhor tirar a roupa.

− Certamente. – Felicity não conseguia ficar brava com ela, mas sorria, agradecida pelas melhorias que Cisco havia feito, mascarando a preocupação que sentia por tudo o que Caitlin havia dividido consigo.

− Algum problema? – Sara captou através do olhar de Felicity.

− Eu... nós conversaremos depois sobre isso, Sara.

A heroína assentiu com a cabeça a respeito disso, pois sabia que se Felicity não queria falar sobre isso agora, era realmente importante. A hacker voltou-se para Caitlin.

− O que vai fazer e o que posso fazer para ajudar?

− Em primeiro lugar, vou falar com Ray a respeito. E então tomaremos uma posição e eu te direi... o que poderemos fazer.

Talvez em um ato inesperado, Felicity segurou a mão de Caitlin. A cientista sentiu naquele aperto o conforto de alguém que sempre estaria ali por ela. Uma amiga com quem sempre poderia contar.

− Eu estarei aqui. Não tente fazer isso sozinha. – pediu.

− Nós estaremos. – Sara colocou a mão sobre a de Felicity. – Não sei no que você se envolveu e podemos não nos conhecer, mas tenho uma dívida com você. E uma amiga de Felicity é minha amiga também.

− Obrigada. – Caitlin murmurou sentiu os olhos arderem com as lágrimas. – Às duas. Muito obrigada.

X

O alvorecer começava a despontar no horizonte quando Sara e Felicity finalmente foram para casa, deixando Caitlin em um táxi. Haviam oferecido o sofá de Felicity para a cientista dormir por algumas horas, mas ela decidiu que era melhor acabar logo com isso e começar a resolver os problemas. Sara pegou a moto e Felicity ficou mais do que feliz em ter uma desculpa para agarrar a outra loira pela cintura durante todo o caminho.

Ao chegarem em casa, tudo o que Felicity queria era se embrulhar em cobertas quentinhas e se aninhar sobre o peito de Sara depois de um banho gostoso junto com sua noiva.

− Você vem? – Sara perguntou enquanto descalçava os sapatos e se encaminhava para a suíte do quarto de Felicity.

− Uhum. Já estou indo.

Embora não fosse conhecida pela sua organização, Felicity sentia um arrepio na espinha ao observar o caos de Sara. Ela simplesmente havia largado todas as peças de roupa pelo chão, fazendo uma trilha até o banheiro. Tudo bem que algumas situações realmente pediam por isso, mas não um banho gostoso. Estava pegando a última peça de roupa—a jaqueta—, quando algo duro escorregou e fez um baque suave ao atingir o chão. Sem palavras, Felicity a apanhou no chão, abrindo a caixinha. Fazendo um muxoxo pela demora da noiva, Sara voltou para o quarto de toalha e ralhando quando a viu encarando o anel que antes pertencera à sua mãe.

− Sara? Isso é...

Sara soltou um palavrão dentro da própria mente, lembrando-se então que a caixinha de veludo passara o tempo todo no bolso de sua jaqueta. Que irresponsabilidade! O que aconteceria se a tivesse perdido em combate? Laurel mataria ela.

− Isso não foi, nem de longe, como planejei isso. – começou ela. – E certamente não com uma toalha sendo a única peça de roupa que estou vestindo.

Mancou na direção de Felicity e tomou as mãos dela entre as suas, deixando o brilho frio do metal entrar em contato com suas peles.

− Felicity, sei que já disse que você é a minha felicidade na forma mais pura possível e que já te fiz o pedido formal para o nosso casamento, mas... esse anel pertenceu à minha mãe e, antes dela, à minha avó paterna. O meu pai... ele tem passado esse anel através das gerações e ele devia ser da Laurel por ser minha irmã mais velha, mas... ela abriu mão desse momento por nós.

Felicity sentiu o choro preso na garganta transbordar através dos olhos tamanha era sua alegria. Como podia ter a sorte de ser tão amada assim e amar alguém na mesma proporção?

− Quero que carregue essa joia com você, Fel, como prova do meu amor, como prova de que o que temos é tão forte e duradouro quanto este elo. Esta aliança... um dia ela passará para um dos nossos filhos e quem sabe teremos a sorte de estarmos ali para brigar e saber quem o levará para o altar? – Sara riu. – Eu te amo, Fel. E quero passar a minha vida toda admirando a felicidade que você é.

− Sim. – ela disse. – Todas as vezes sim. Para sempre sim.

As lágrimas continuavam a escorrer por seu rosto mesmo quando Sara as beijou cuidadosamente. Mesmo quando colocou a aliança que assentou perfeitamente em seu dedo.

− Seremos muito felizes. – Sara disse. – Eu juro a você.

Felicity acreditou em cada uma daquelas palavras. E naquele momento, mesmo que o mundo se partisse em dois, aquela felicidade era tudo o que importava para ela. A felicidade de seu nome refletida naquele único momento. Naquela única pessoa que fazia o seu coração vibrar.

Notas finais
Finalmente Noah está mostrando para o que veio. Esse capítulo me deu uma satisfação muito boa enquanto eu escrevia ele, porque eu finalmente consegui ligar pontas que estavam soltas no passado. E talvez ninguém tenha percebido, mas quando eu introduzi o Eric, o objetivo era que ele não fosse um simples personagem, mas alguém que ganhasse destaque. Daí o link dele: conhecer Noah Kutler desde o passado. Sei que não parece uma coisa muito grandiosa por ele ser um OC, mas eu estou muito satisfeita com o papel que dei para ele na trama. Sobre Roy, temos agora ele envolvido com o outro lado da trama, com Scorpia, que continua sendo uma pessoa misteriosa. O que Caitlin e Ray tem com ela? No próximo capítulo, teremos detalhes a respeito disso. E o que vocês acharam da aparição relâmpago de Barry e da interação de Felicity com Caitlin? Eu quis colocar as duas um pouco mais próximas, mesmo que as séries não deixem isso evidente. Acho que elas seriam boas amigas sim. Lembrando que aqui o universo LoT não existe, por isso Ray é um playboy filantropo que se tornou o dono da empresa de Oliver e prefeito da cidade. No próximo capítulo ele vai aparecer além dos holofotes. E espero que seja algo legal! Sobre o final, eu quis deixar uma cena fofinha de Felicity com Sara. Fiquei em dúvida, porque pensei em inserir mais uma cena com John e Thea, mas resolvi deixar para o próximo capítulo; esse já estava enorme! Eu gosto desses momentos delas, de lembrar que, apesar de tudo, as duas são humanas e que precisam desses momentos de intimidade e fofura também. O que vocês acham? E por fim, mas não menos importante, quero agradecer a todos vocês como já deixei claro nas notas iniciais. Quero agradecer aos leitores que me acompanham desde o início, aos que deram uma chance para essa fic com um casal que nem existia no fandom Nyah! e que provavelmente existe em poucos lugares e nas pessoas que aprenderam a respeitar e amar esse casal tanto quanto eu! São anos escrevendo essa fic, de hiatos por conta de bloqueios criativos, problemas e trivialidades do destino. Mas no decorrer desse tempo, ganhei novos leitores, alguns antigos que não desistiram de mim e até mesmo fantasminhas novos! 8 mil, gente! Eu sou mesmo muito grata a vocês por isso tudo. Quero que saibam que esse projeto é um amor pessoal e que quando terminar ele, eu tenho planos para um Crossover com Supergirl envolvendo Supercop e SaraFel como focos na trama. Espero que vocês continuem me acompanhando lá! Enfim, fico por aqui nas notas e até o próximo capítulo!