Notas iniciais
Ooi pessoal! Mais um capítulo (finalmente)!!
Desculpem-nos pelo atraso, e perdoem os erros de digitação! Leiam as notas finais! :D
ENJOY!!

– NEAR? – Ouvi vozes gritando meu nome, assim, virei imediatamente em sua direção. Mesmo com a minha baixa estatura e dificuldade em que eu me encontrava para a locomoção, já que havia várias meninas me agarrando e apertando minhas bochechas como se eu fosse uma espécie de brinquedo vivo, pude ver de quem se tratava. Era Mello, Beyond Birthday... E...

– Matt?! – Arregalei meus olhos e senti uma imensa sensação de alivio, afinal, se existia uma pessoa capaz de me tirar daquela enrascada era ele. Mas também me veio uma interrogação: o que ele estava fazendo aqui também e justamente com Mello e Beyond?

Com certa dificuldade, ele tomou espaço entre as garotas, pedindo licença em seu típico timbre arrastado e calmo, enquanto os outros dois só tratavam de segui-lo. Eu não pude reagir muito já que uma menina estava me sufocando com um abraço.

– O que você está fazendo aqui, Nate? – Ele tinha uma expressão incrédula no rosto, assim como Mello. Beyond ficou indiferente depois da surpresa de me ver. Era compreensível, já que eu não sou um exemplo de festejador, ainda mais um lugar como aquele.

O bairro era de caráter completamente duvidoso, cheio de pessoas bêbadas, muitos até mesmo menores de idade, e que estudam na mesma escola que eu. E para deixar o local ainda mais inóspito, existiam aquelas garotas malucas que estavam me fazendo de ursinho de pelúcia.

– Primeiramente me tire daqui... – Foi a única coisa que eu consegui falar, mas as garotas começaram a gritar ainda mais alto, mas dessa vez de horror. Talvez temendo a real possibilidade de me levarem mesmo.

– NÃOOOOO! – Uma delas gritou se jogando na minha frente, enquanto a que me abraçava continuava o fazendo, mas ainda mais fortemente. – VOCÊ JAMAIS O LEVARÁ!

– Mas ele precisa ir pra casa, fico até admirado do coitado ter sobrevivido tanto tempo aqui! – Matt exagerava como sempre, apesar de eu realmente querer muito ir embora.

– SÓ POR CIMA DO MEU CADAVER! – Uma outra menina pulou em cima de mim. Agora eram duas me abraçando.

– VAMOS PARAR COM ESSA PUTARIA LOGO! – Mello tomou a frente de Matt, encarando-as de olhos semicerrados. – Passa a ovelha, que eu quero ir logo pra casa.

– JAMAIS! – Uma garota maior, não apenas do que suas amigas, mas que todos ali, me pegou dos braços das duas que me sufocavam e me colocou no colo. Ela, assim como o restante de seu grupo começou a correr em direção ao galpão em que estava acontecendo a festa, a tal que eu nem sabia o que celebrava. – JAMAIS O VERÃO NOVAMENTE!

– SEQUESTRADORAS DE ALGODÃO! – Matt gritou enquanto corria, perseguindo-nos. Mello continuou estático, apenas rindo. Na verdade, ele ria tanto a ponto de dobrar-se, enquanto Beyond havia sumido do meu ângulo de visão.

Os gritinhos histéricos seguiam, enquanto a garota me apertava intensamente contra si. Apesar da impetuosidade dos movimentos de garotas correndo à minha volta, o que turvava parcialmente a visão ao meu redor, pude notar que Matt havia parado, parecia estar mais paralisado, mais parecia uma estátua.

As meninas também pararam de correr, e todos os olhares se voltaram para uma silhueta de roupas pretas e lábios rubros, molhados com algo indefinível. Não se sabia se era sangue, ou resíduos de alguma bebida à base de frutas vermelhas. Ele se encontrava parado, com seus olhos negros extremamente sombrios.

Beyond tinha um olhar assassino, ainda mais realçado por suas visíveis olheiras, sendo lançado em direção às garotas. Ele, com as mãos no bolsos da calça, caminhou lentamente com uma postura curvada, até a moça que me levava nos braços. As demais se afastavam e saíam de fininho, abrindo espaço para que Birthday passasse.

– Solte o garoto. — Ele olhou-a, e sorriu de forma fria e distante. – Vá com suas amigas de volta para a festa e se afaste.

Sua expressão era assustadora, mas eu estava aliviado e grato de mais para pensar nisso. A grande garota me colocou no chão, e correu em direção ao galpão, enquanto as amigas a seguiam em total silêncio. Matt se aproximou com o rosto mais branco que o meu, notavelmente trêmulo.

– Obrigado, Beyond. – Suspirei, o que eu mais queria naquele momento era sair dali.

– De nada. – Ele disse, tirando do bolso um pote que parecia ser geleia de morango. Então era isso.

– N-near... Você está bem? – Matt estava com os olhos arregalados me olhando.

– Sim, sim. – Maneei positivamente com a cabeça, e me dei conta que não havia soltado Mr. Whiskers em nenhum momento. Meu ursinho continuava em meus braços, são e salvo.

– Ok, ok... Minha barriga dói. – Disse Mello, enxugando as lágrimas enquanto se aproximava. – Eu acho que vou viver mais uns cem anos depois dessa. – Suspirou. Seu rosto estava vermelho, assim como seus olhos. – Nunca ri tanto em toda a minha vida. Vamos embora daqui.

Matt o olhava-o de forma desaprovadora, seu rosto já havia voltado à cor original, e Beyond já parecia bem inofensivo enquanto comia sua geleia de morango usando os dedos como colher. Mello começou a rir novamente, e assim continuou gargalhando enquanto seguíamos até o carro que estava estacionado próximo à calçada. O loiro parou de rir por um momento, mas assim que olhou em minha direção voltou a dar risadas.

– Dá pra parar com isso? – Matt bateu o pé no chão.

– Relaxa, little bitch. Deixa-me apenas aproveitar meu momento. – Ele tateou o bolso e retirou as chaves do carro, que tinha um chaveiro de coração roxo. – Tinha que ter visto a sua cara.

Mail bufou enquanto Mello destrancava o veículo, dizendo que eu e Matt iríamos no banco de trás, Beyond no do passageiro, e ele dirigiria. Primeiramente não gostei muito da ideia, já que ele não tinha idade para ter uma carteira de motorista, mas apenas abri a porta do carro e permaneci calado.

Sentei no confortável banco de couro sintético de onça, enquanto Matt fazia o mesmo ao meu lado. Era um carro bem bonito, apesar do cheiro desagradável de cigarro. Mr. Whiskers estava em meu colo, estavam todos em seus postos, e foi aí que Mello deu partida, atropelando uma lata de lixo.

Uma parte de mim desejou continuar ao lado das meninas malucas, o meu único risco seria ser apertado até a morte, algo muito bom comparado com a possibilidade de bater o carro em um poste, ou capotá-lo de encontro a um prédio. Mello dirigia em alta velocidade, e não respeitava nem os sinais de trânsito ou os pedestres.

Levando em consideração a idade de Mello e o quanto sei quão rígidos os pais dele são, aquele carro não era dele. E notando os detalhes como os dados roxos, a maquiagem no porta luvas, e o assento de oncinha, o proprietário com certeza era uma mulher. Seja lá quem ela fosse, teria que pagar muitas multas.

Abracei Mr. Whiskers, que era o grande culpado daquilo tudo, enquanto Matt rezava baixinho com as mãos trêmulas. Beyond estava completamente tranquilo, com certeza estava acostumado com a forma descuidada como o amigo dirigia.

O Carro parou em frente a uma praça que havia perto da escola, a viagem durou cerca de vinte minutos, o que era impressionante já que o local de onde viemos fica do outro lado da cidade. Saímos os quatro do carro, eu suspirei aliviado por estarmos todos vivos. Três pares de olhos vieram em minha direção.

– O QUE DIABOS VOCÊ ESTAVA FAZENDO LÁ? – Matt perguntou com uma cara incrédula que lembrava muito a da minha mãe. Os outros dois se recostaram ao veículo, enquanto Mail continuou me fitando, de pé.

– Certo. – Suspirei. — Eu e meu pai tivemos uma discussão agora à noite sobre os meus brinquedos. Ele acha que eu já estou velho de mais pra essas coisas. – Falei revirando os olhos. – E ele pegou o Mr. Whiskers e jogou ele pela janela, irritado comigo. – Mostrei o urso de pelúcia marrom claro, que eu estava segurando. Era um dos meus preferidos. – Depois disso tentei dormir, mas não consegui sem ele, então esperei meus pais irem deitar, já que eles dormem cedo, e fui escondido até o jardim procurar ele.

– E como você foi parar na festa? – Matt continuava sério. – Foi hipnotizado, abduzido ou algo assim?

– Assim que eu encontrei o Mr. Whiskers, eu estava voltando para casa, e foi quando aquelas garotas malucas passaram de carro e me viram. – Continuei. — Elas pararam gritando e praticamente me arrastaram a força pra dentro do carro. Eu tentei me soltar, mas elas eram muitas! E então nós chegamos naquele lugar, e mais garotas apareceram. Foi muita sorte minha encontrar vocês lá.

– Então é isso? – Mello estava com um ar de decepção. – Você foi APENAS raptado por garotas loucas?

– Sim. – Disse eu indiferente.

– Como assim “apenas” raptado por garotas loucas? ELE FOI RAPTADO POR GAROTAS LOUCAS! – Matt exagerava novamente.

– Preocupado com seu namoradinho? Que meigo. Ele rebola muito no teu pau? – Mello fez um bico. Aquilo foi bastante ofensivo. Matt fez menção de ir para cima dele, no entanto, um choque de realidade o fez parar, e apenas olhá-lo feio.

– Desgraçado. – O ruivo falou com os dentes trincados.

– O B mora longe, então eu vou deixar ele. Daqui vocês se viram. – Concluiu abrindo a porta do carro, Beyond entrou junto dele rapidamente. Não demorou para que o carro saísse novamente em alta velocidade.

Matt bufou, vermelho por conter a raiva. Eu apenas suspirei, e toquei seu ombro.

– Relaxa, aquilo foi apenas mais uma provocação do Mello.

– Eu sei... – Ele respirou fundo. – Bom, ao menos estamos perto de casa.

Ele tinha razão, morávamos perto um do outro, assim, ambos perto da escola. Não era um bairro sinistro, era bem iluminado e cheio de residências, fora a estabelecimentos. Mas isso não significava que era seguro ficar andando por aí altas horas da noite nas ruas desertas. Começamos a caminhar, em silencio. Este continuou por cerca de três quarteirões.

– Se importa? – Disse Matt ao tirar o cigarro do bolso. Eu acenei negativamente com a cabeça, eu sabia que ele havia tido um dia estressante.

– O que você estava fazendo lá? – Eu estava curioso sobre isso desde que o vi.

– Entrega de bebidas na festa do fanclub. – Então era isso. Eu estava tão atordoado com as meninas me rodeando que mal pude saber o que as pessoas estavam festejando em plena semana.

– Era um fanclub de que mesmo? – Perguntei apertando as patas de Mr. Whiskers.

– Bom... Estava em neon na entrada “YAGAMI RAITO FANCLUB”. Como não percebeu? – Ele tirou uma tragada, soltando a fumaça pelo nariz.

– Você sabe como multidões me deixam atordoado. – Ainda mais se tratando de uma multidão como aquela.

– Sei, sim. – Ele riu.

– Por que o Yagami faria um fanclub para si?

– Ele não estava lá, na verdade, nem sabe que tem um... Longa história, mas é obra da Misa, daí você já pode ter uma ideia. – Com certeza eu tinha ideia, sim. Yagami tinha certo azar em ter uma stalker daquelas.

– E por que Mello e Beyond estavam com você?

– Beyond foi conosco por ir, já Mello... Infelizmente ele é meu colega de trabalho.

– Nossa... – Aquilo sim era uma novidade.

– Pois é... – Suspirou.

Chegamos frente à minha casa, Mail tinha acabado seu cigarro, e jogou os restos no chão. Ele olhou no relógio, marcava mais de meia noite e meia. Era tarde, e eu teria que entrar em casa escondido e silenciosamente, e meus pais não poderiam nem sonhar que tinha ido dormir àquela hora da noite.

Ele sabia tanto quanto eu que meus pais não acreditariam na história de que fui levado para uma festa de um fanclub de uma pessoa que nem sabe que tem um, arrastado por garotas. Sendo assim, fomos até o jardim da minha casa, procurando algo para me ajudar a escalar até a janela do meu quarto, de onde tudo começou.

– Acho que isso serve. – O ruivo tinha uma escada branca em mãos, que havia achado encostada à parede perto da garagem.

– Sim. E quanto a você? O que dirá aos seus pais? – Fitei-o.

– A verdade. – Apoiou a escada no chão e a colocou em direção à ventana aberta. – Que eu estava trabalhando e que estou cansado e tão estressando que fumei três cigarros hoje. Bom... Não essa parte dos cigarros.

– Claro. – Sorri torto. – Obrigado por me salvar. Até amanhã na aula.

– Não foi nada. Até amanhã, Algodão. – Ele sorriu de volta.

Escalei pelas escadas e quando alcancei meu quarto, pulei para dentro segurando Mr. Whiskers em meus braços. Tomei cuidado para não derrubar nada e chamar atenção. Fechei a janela, e pude ver Matt colocando a escada justamente onde a havia achado, e correr na direção de sua casa.

Fechei a cortina e me deitei em minha cama, abraçando Mr. Whiskers. Enrolei-me com meu cobertor, e fechei meus olhos adormecendo em um sono cansado. O despertador tocou, eu olhei o relógio e vi que embora eu estivesse exausto, como se não tivesse dormido nada, este nada eram pouco mais de cinco horas de sono.

Tomei um banho rápido, fiz minha higienização matinal, vesti minhas roupas de sempre, blusa, calça, e sapatos com cadarços desamarrados, todos da cor branca. E como acordo antes que minha mãe, tomei apenas um leite morno. Peguei minha mochila branca e parti para minha caminhada em direção à escola.

Logo que cheguei, pude notar o quanto os alunos estavam horríveis. Todos com olheiras, e cara de ressaca, isso os que haviam vindo para a aula. Eu também estava um tanto sonolento, admito, mas ao menos não estava com dores de cabeça. Segui até minha sala, e encontrei Mello cochilando na cadeira a qual sempre sentava.

Era estranho vê-lo chegar tão cedo. Fui em direção para minha carteira silenciosamente. Tirei alguns dados da bolsa e comecei a empilhá-los. Era algo terapêutico, todos esses tipos de jogos de paciência me fascinavam. Apesar de concentrado em meus brinquedos pude ouvir a conversa de algumas pessoas que também já haviam entrado na sala.

Todas tinham em seus grupinhos o assunto de como a festa do Yagami tinha sido incrível, e se tivesse outra estariam lá novamente. Parece que Misa se tornaria mais popular ainda depois dessa festa. E com certeza Yagami também, já que foi em homenagem a ele. Era apenas uma questão de tempo para que ele descobrisse.

Matt entrou na sala, fazendo Mello levantar a cabeça e bufar. Mail despencou na cadeira ao meu lado, como era de seu costume, e se debruçou sobre a mesa. Ele estava visivelmente cansado, na verdade todos nós estávamos acabados. Mello levantou e veio na direção das nossas cadeiras, assim, sentou-se na que estava frente à de Mail.

– Estou com o carro da Wedy, quer carona pro bar hoje? – Ele encostou o a mão no queixo, olhando para o ruivo.

– Pode ser... – Matt suspirou. Os dois ficaram em silencio. Me voltei para meus dados.

– Oi. – Uma voz rouca e suave surgiu. Matt congelou.

– Oi, B. – Mello deu de ombros.

– Bom dia, Beyond. – Virei meu olhar em sua direção, ele sorriu dizendo o mesmo com os olhos.

– QUE FESTA? TODOS ENLOUQUECERAM? – Gritos vieram do lado de fora da nossa sala. Não apenas nós como todo o pessoal que ali estava, corremos para ver o que estava acontecendo. Era Yagami Raito cercado de garotas, com uma expressão de pura confusão em seu rosto.

– Olha se não é o homem da vez. – Mello zombou. – CIRCULANDO VADIAS!

Elas olharam feio para Mello, mas quando viram que ele estava ao lado de Beyond Birthday elas realmente se afastaram. Yagami estava com os olhos arregalados, aquilo era surreal. Talvez ele ainda tivesse absorvendo as informações que eram muitas.

– Olá, Raito-kun. – Um tom de voz que lembrava muito o de Beyond se aproximou de nós. Era Mr. Ryuuzaki, nosso professor de matemática. – Parece que sua festa ontem foi muito boa, já que Beyond chegou em casa cerca de quatro da manhã.

– Peraí, B, eu te deixei em casa era pouco mais de uma hora. – Mello fitou o rapaz de preto, de forma cética. – Onde você estava?

– Por aí. – Foi só o que disse.

– MAS QUE FESTA? – Yagami Raito tinha o tom de voz visivelmente alterado.

– Você tem um fanclub. – Disse Matt.

– FANCLUB? – Ele arregalou os olhos mais ainda.

– Sim, a vaca da Misa fez um fanclub para você, e ontem teve um encontro de confraternização que virou uma baita festança. – Mello riu.

– Que droga... – Raito suspirou. – O que essa menina tem na cabeça?

– ATENÇÃO. — Dos autofalantes vinha uma fala idosa conhecida. Era a de Roger, nosso professor de geografia. Todos no corredor se tornaram atentos ao comunicado, e os que estavam nas salas, saíram para ouvir também. – A rádio da escola voltou novamente, graças a um pedido meu ao diretor. Todos os dias teremos um momento de reflexão durante a primeira aula, e daremos todos os avisos do núcleo escolar.

– Tinha que ser essa múmia sem ataduras... – Mello bufou. A rádio escolar havia sido abandonada semestre passado.

– Assim, daremos um importante aviso hoje. – A voz de Roger continuou. – A partir de segunda-feira haverá fardamento obrigatório para todos. O modelo da farda será apresentado aos alunos pelos professores em suas respectivas salas. Bom dia.

– O QUE? FARDA? – Todos no corredor gritaram em um coro. Eu fiquei calado, mas também estava me perguntando o mesmo, só esperava que fosse um modelo legal.

O sinal tocou. E todos os alunos seguiram para suas salas, ainda em estado de choque pela declaração. Nossa professora de sociologia não demorou muito para chegar, Matt a chamava de Tia Pipoquinha, por que ela era uma pessoa cheia de energia, e quando estava muito envolvida com a explicação dava pulinhos, como pipoca no micro-ondas, mas seu verdadeiro nome era Ágata.

– Bom, pessoal, aqui está o modelo da farda para vocês. – Ele veio entre as filas entregando o papel, as pessoas já começaram a ficar enérgicas de mais, pelo visto a farda estava degradando o público em geral. Quando ela entregou a mim e a Matt, primeiramente olhei pata ele, para notar sua reação, que não poderia ser diferente: puro horror.

– QUE FILHADAPUTAGEM É ESSA? – Mello não continha sua boca, mas ele estava realmente certo.

Era uma camisa branca, um colete amarelo mostarda por cima, uma calça preta, que ainda tinha privilégio de variar entre esta cor ou cinza, e uma gravata vermelha. A versão feminina era o mesmo princípio, só mudava a calça por uma saia pouco acima dos joelhos, pelo que pude ver pelo papel da moça à minha frente.

– Ok, pessoal, infelizmente não podemos fazer nada sobre isso, certo? – Ela suspirou. Interessante, pela forma como ela falou, é como se estivesse incluída naquilo, será que os professores terão que usar fardas também? – Começa na segunda.

– Maldito Roger, deveria ficar menos tempo projetando uniformes, e procurando suas ataduras perdidas. – O loiro resmungou.

Nossas aulas correram bem, o intervalo não teve nenhuma novidade, nem mesmo brigas, que ultimamente andavam muito frequentes dentro da escola. Apenas Mello havia puxado a cadeira de Matt, fazendo-o cair para a diversão de meus colegas, embora eu não achasse nada engraçado. Aquilo aconteceu na terceira aula. Ele continuava pregando peças desnecessariamente em meu amigo ruivo, que estava vermelho de raiva até mesmo agora na hora da saída.

– Near... – Disse ele enquanto o acompanhava até o armário. – Você... Pode ir comigo pro bar hoje?

Aquele era um pedido bem inusitado, mas metade me mim sabia que ele estava precisando de apoio emocional para lidar com o Mello lá. Embora eu não fosse protegê-lo, definitivamente, ter alguém para ficar ao seu lado quando há adversidades, embora se não pudesse detê-la, só para ter por perto, era algo muito confortante.

– Tudo bem se não quiser ir. – Ele continuou, enquanto fechava a porta do armário depois de ter guardado os livros.

– Tudo bem. Eu irei com você. – Abri o meu e também coloquei meus livros lá dentro. Seria melhor já que eu não iria direto para casa.

Andamos até a saída da escola, onde vimos Mello encostado no mesmo carro da noite anterior conversando com Beyond. Pelo que me pareceu estavam se despedindo. O irmão mais novo de nosso professor de matemática foi até uma limusine onde Mr. Ryuuzaki o esperava. Assim que ele entrou o veículo partiu. Mello nos olhou, abrindo a porta do carro.

– Então, vai mesmo comigo, Matt? – O loiro riu com desdém.

– Sim. E Near irá também. – Ele estava sério. Mello revirou os olhos.

– O que ele vai fazer lá? Não podemos dar bebida para menores. Pro B é fácil enganar, mas essa Ovelhinha não tem o que tirar um moleque de primário.

– Menores também não deveriam dirigir. – Matt rebateu. – E também ele só vai pra ficar lá mesmo.

– Ok... – Resmungou.

Logo estávamos na mesma situação de ontem. Mello no banco do motorista, eu no banco de trás, a única diferença é que Beyond não estava no do passageiro, e sim Matt. Segurei bem no assento, afinal, eu sabia o que estava por vir. O bar era perto da escola, mas eu realmente me pergunto se o carro voou, ou se teletransportou.

Matt estava transparente quando saiu de dentro do carro, Mello tirou uma barra de chocolates de bolso e foi comendo até a entrada do local onde tinha escrito Aiber Bar, e eu apenas tratei de segui-lo. Matt já havia recuperado a cor original quando entramos no recinto.

Era um típico bar, cheio de mesas e cadeira, com um balcão, o qual tinha uma mulher loira limpando alguns copos com um pano. Ela congelou assim que colocou os olhos em mim, arregalou-os de forma que mais parecia ter visto um fantasma.

Matt e Mello foram até atrás do balcão, colocando os aventais. Eles se olharam de forma estranha, em seguida fitaram a loira, os dois ao mesmo tempo. Ela estava de boca a aberta ainda olhando para mim, que agora me encontrava sentado em uma das cadeiras frente ao balcão.

– O que foi, Wedy? – Mello sorriu de forma maliciosa. – Viu uma assombração?

– Oh.... Meu... Deus... – Ela sussurrou trêmula. Os meninos continuaram olhando para ela, eu estava começando a ficar assustado. Ela ficou estática. Mello começou a rir histericamente, e pra minha surpresa, Matt também.

– Eu também acho que ele parece um fantasma, Wedy, mas tudo bem. Ele é só um menino desbotado mesmo. Não se preocupe, é de carne e osso. – Mello disse depois de conseguir controlar o ataque de risos.

– Não é isso, moleque! – Ela veio até mim com um ar sério. Encostou-se ao balcão e ficou me olhando ainda mais intensamente. – É A COISA MAIS KAWAII QUE EU JÁ VI NA MINHA VIDA!!!

Com aquele grito ela praticamente subiu no balcão e ficou apertando minhas bochechas e dando risinhos descontrolados, enquanto Matt e Mello pararam de rir e tomaram uma expressão incrédula nas faces. Não os culpo, eu também não estava acreditando.

– Ah Deus! Vou comprar biscoitos. Sirvam leite pra ele. – A moça chamada Wedy pegou os dois pobres coitados pelas golas das camisas. – E AI DE VOCÊS SE ESTIVER BATIZADO!

Mello olhou a mulher com desprezo enquanto ela saía, mesmo assim me serviu um copo de leite enquanto revirava os olhos. Mesmo sendo ainda de tarde, já havia alguns fregueses, embora poucos. O loiro os estava servindo dos mais variados tipos de bebidas alcoólicas.

As pessoas estavam me olhando de forma estranha, talvez fosse anormal ver um garoto que mais parecia ter doze anos em um bar. Ainda mais vestido completamente de branco, e tomando leite. Wedy logo voltou toda animada e me serviu os biscoitos que havia comprado.

– Então, coisinha fofinha, qual é o seu nome? – A loira agora estava sentada ao meu lado, me observando comer os biscoitos, que por sinal estavam muito bons.

– Nate River, mas pode me chamar de Near.

– Oh, entendo, Near. Quantos anos você tem?

– Quinze.

– Nossa... – Ela arregalou os olhos. – Pensei que fosse mais novo.

– Todos dizem isso.

Contei a ela que conheci Matt no primário, e Mello depois de ter entrado para a Wammy’s High, e estudávamos os três na mesma sala. Ela ouviu tudo com os olhos brilhando. Depois de me paparicar e apertar mais minhas bochechas, ela saiu novamente, ordenando me darem mais leite.

Matt estava empilhando alguns copos de vidro, me perguntei por que ele estava fazendo aquilo. Eu estava um tanto preocupado, já que meu amigo não era um exemplo de delicadeza, ainda mais com coisas de vidro. Foi então que o eu temia aconteceu: os copos desabaram.

– Vai ser descontado do seu salário, cabeça de tomate. – Mello riu.

– VAI PRO INFERNO, POLLY! – O ruivo gritou, quase cuspindo.

– Para de reclamar e vai pegar o ventilador no quartinho dos fundos, idiota. Digamos que com esse calor eu já estou no inferno mesmo. Eu mesmo vou limpar o seu estrago, mas SÓ hoje. Afinal não quero você lascando a mão de novo. E vai logo!

– Claro... – Ele arqueou uma sobrancelha e sorriu. Infelizmente eu conhecia aquela expressão. Ele estava aprontando algo. O ruivo olhou em direção à porta e arregalou os olhos. Matt deixou o local com rapidez e um ar de terror. Eu não havia entendido aquilo.

– Oi. – Uma voz surgiu da cadeira ao meu lado.

– Oi, Beyond. – Mello riu. Essas aparições repentinas dele eram engraçadas.

– Olá, Mello. E Near... Que estranho vê-lo por aqui.

– Sim, Matt o arrastou. – O loiro começou. – E agora a Wedy vai ser a próxima a abrir um fanclub, dessa vez pro Gasparzinho.

– Ela fica apertando minhas bochechas. – Falei as pressionando.

– Olhe pelo lado bom, ela faz isso com as da cara, ela me aperta outras bochechas. – Beyond suspirou.

– Aquela sim é uma maluca. – Disse Mello pegando uma vassoura, não demorando a começar a limpar o estrago feito por Matt. – B, você demorou, pensei que não viria hoje.

– Pois é, L e eu tivemos uma conversa desagradável.

– Que tipo de conversa desagradável? – O loiro parou, fitando-o.

– A tia Gertrude cismou que eu e o L precisamos ir ao um psiquiatra.

– Por que será? – A voz do loiro estava carregada de ironia.

– Também me perguntei! E adivinha o que ela alegou?

– O que? – Mello voltou a varrer o chão.

– Disse que eu tenho tendências sociopatas, e o L tem transtorno obsessivo compulsivo... Sinceramente, Mello, não sei de onde ela tirou isso.

– Também não... – Prendeu o riso.

Matt chegou com o ventilador preto em mãos. Ele o ajustou próximo ao local onde Mello, que havia acabado de tirar os cacos do chão, se encontrava. O ruivo estava com uma cara desaprovadora, e fitando mortalmente o colega de trabalho. Mas eu o conheço, ele estava com um brilho diferente nos olhos.

– Já era hora, voador! Pensei que tinha ido fazer o ventilador. – O loiro riu.

Matt estava com um ar de vitória grande de mais para alguém que havia ido pegar um simples ventilador. Foi aí que tudo fez sentido. No exato momento que o Mello o ligou, um pó branco voou em sua direção tingindo-o da mesma cor. Todos no bar começaram a rir, principalmente Matt. Beyond e eu estávamos em choque.

– FILHO DA PUTA! – Ele praticamente voou em cima do meu amigo, segurou-o pela gola da camisa com punho cerrado. Beyond pulou o balcão, e tão ou mais rapidamente segurou Mello.

– Não tem a menor graça quando não é com você, né, Barbie? – Matt ria histericamente enquanto se recompunha.

– Então é assim? Ótimo. – Se soltou de Beyond, sorrindo enquanto caminhava em direção ao local de onde Matt havia saído da ultima vez. Com certeza para tomar um banho ou algo assim. – É guerra que você quer? É o que vai ter, voador... Vou transformar essa merdinha que você chama de vida num inferno.

Matt deu de ombros, pegou a bandeja cheia de bebidas e foi atender algumas mesas. Beyond sentou-se novamente ao meu lado com uma expressão séria enquanto Mello saía do meu ângulo de visão. Eu ainda estava absorvendo as informações, Matt sempre fora ajuizado, por que se rebaixar às brincadeiras de mal gosto de Mello?

– Aquilo que o Mello disse... – Sussurrei para que apenas Beyond ouvisse. – Era realmente sério?

Ele olhou para os lados de forma furtiva, depois depositou seus orbes negros em minha direção, soltando um suspiro exausto. Assim, sua voz rouca proferiu a resposta que eu mais esperava, mas também a que eu mais temia:

– Nunca o vi falar tão sério em toda a minha vida.

Notas finais
Então??? Gostaram????
Gente... sentimos muito mesmo por demorar tanto (eu sei como é, também odeio esperar), mas vivem acontecendo imprevistos. A novela mexicana da vez foi: primeiro tiveram as provas, e era tanta coisa pra estudar (e pra ensinar pra quem não sabia) que nenhuma de nós teve animo pra escrever muita coisa. Aí, depois das provas (e de uma ou duas notas de passar raspando) a Thami ficou doente. Passou váários dias sem ir pra aula, e sem poder vir na minha casa, ai não dava pra combinar direito os acontecimentos do capítulo. Ai começou esse mês também as aulas do cursinho à noite, pra se preparar pro ENEM. E com aulas de dia e de noite, não sobra muito tempo pra escrever. Por isso queria logo avisar que os capítulos podem demorar um pouco para ser atualizados, mas que não vamos parar de escrever. Não se preocupem, ninguém vai desistir (até por que minha irmã também lê e fica me perturbando tem duas semanas pra postar logo hehe).^^ Então, tenham um pouco de paciência e COMENTEM PLEASE!! Beijos, até o próximo!! XD