Notas iniciais
Olá, excelentíssimos leitores, tudo bem? :3 E nesse clima de quinta é quase sexta lá vamos nós com um capitulo de menino Mello, e milagre saindo na data, né? Posso ouvir um amém? Sem mais delongas, ENJOY! ♥

Como uma simples aula de pescaria acaba se tornando um show de estrupícios? Bem feito pra mim que fui inventar de ensinar algo logo pro desastrado imbecil do Matt. O traste caiu nas pedras tantas vezes que não sei como não aleijou, escorregou nas folhas, afugentou os peixes e quando foi lançar o anzol caiu em todo lugar menos dentro do riacho do qual B tinha razão, o era simplesmente lindo, não só o riacho mas o lugar como todo.

O ar puro, o barulho da correnteza nas pedras, os raios do sol suavizados pelas folhas das árvores, era um lugar que podia ser habitado por fadas, elfos ou alguma coisa assim. Uma pena Mail ter sido o ponto de caos no paraíso, precisava levar aquela criatura para uma sessão do descarrego, sua última tentativa de lançar anzol deixou o ferro cravado na orelha dele. Tinha que ver o lado bom, já tava furado o buraco do piercing.

— Será que vai infeccionar? — Matt me perguntava enquanto eu tratava do machucado no quarto que Beyond tinha hospedado ele.

— Acho que não, será possível? Tem que ser uma bactéria muito filha da puta pra sobreviver a essa limpeza que tô fazendo, mas se tratando de você, vai saber. — Continuei passando a gaze com água oxigenada no local.

— Acho que vou ser o primeiro infectado num apocalipse zumbi. — Riu de si mesmo.

— O vírus do apocalipse zumbi vai sair de dentro de você, isso sim. — Provoquei.

Ele ficou calado, estava visivelmente preocupado, mas não por causa dos desastres da pescaria, ele já tinha a casca dura do próprio azar e a sorte no azar dele me fez rir como fazia tempo que não ria, tenho um senso de humor sórdido, gosto de ver os outros se fodendo. Fora que depois de conseguir pescar os peixes suficientes para fazermos um bom churrasco, tive a brilhante ideia de chamar o ruivo idiota para nadar pelado, na verdade não foi um convite, foi mais um desafio.

Pensei que ele ia ficar constrangido ou desconcertado como no dia que vi ele sem roupa, mal sabia eu que ele que me deixaria constrangido por simplesmente tirar a roupa e se jogar na água sem falar nada. Não podia ficar pra trás, fiz o mesmo, embora estivesse mais vermelho que os próprios cabelos, ele ficou me encarando, não desviou o olhar, não me negou contato físico, me agarrou, me beijou, tocou meu corpo. No começo, bem no começo mesmo, quando ele mostrou me querer, eu estava cético, um homem pode mentir mas seu pau duro jamais, não sabia se tinha sentimento mas pelo menos atração tinha, sim.

Por um momento pensei que perderia minha virgindade naquele riacho mesmo, a forma como as coisas estavam indo com Matt quase me devorando daquele jeito não pediam outra coisa, porém eu fiquei nervoso e pedi pra irmos com calma. Não tinha camisinha, não tinha lubrificante e eu não queria que minha primeira vez fosse no meio de um negócio cheio de animais como platéia. No fim, cheguei a conclusão que dei um passo maior que minha perna desafiando ele, mas Matt entendeu, não forçou nada, apenas me abraçou e aproveitou o momento.

Foi bom beijá-lo com voracidade colado ao corpo molhado, apertando a bunda nua e praticamente roçando o pau dele no meu, foi bom, aquele desgraçado era bem gostoso e ele estava entregue e despretensioso. Conseguia até imaginar o cérebro de geleia dele se mandando relaxar, os olhos dele me olhavam com certa… Ternura? Era até estranho. A forma como me abraçava, como beijava meu pescoço, apertava minha bunda, parecia muito necessitado.

Perdemos a noção do tempo enquanto no meio de tanta pegação, só sentimos quando o sol desceu, ficou mais escuro e mais frio, muito frio de bater o queixo, era hora de ir. Quando chegamos, nos deparamos com Beyond e Near sentados num balanço suspenso muito bonito que tinha na varanda do enorme chalé, estavam um pouco próximos demais, o pôr do sol no lago, a varanda ficando mais escurinha, mantas para envolvê-los do frio….

Com certeza estavam se pegando também, se não estavam, chegaram muito perto. Depois que olhei melhor a forma como o nanico estava envergonhado e Beyond contente, cheguei a conclusão de que o filho da mãe conseguiu, com certeza tinha rolado algo. Tentei levar o flagra de Beyond e Near com naturalidade, mas Matt arrumou mais minhocas pra cabeça já putrefata dele de tanto pensar merda.

— O Beyond não faria nada contra o Near, né? — Finalmente ele teve coragem de perguntar.

— Claro que não, B é muito fiel aos amigos e agora considera vocês dois como amigos também. — Consolei o chato.

— Estavam tão próximos… Não sei como me sentir sobre isso. — Uniu as sobrancelhas. — O clima estava tão suspeito, será que eles ficaram?

— Está com ciúmes? — Olhei sério sem conseguir esconder como estava puto.

Era de cair o cu da bunda, eu quase dei pra ele e a preocupação do idiota era com o sonso do Near? Beyond não era nenhum tipo de lobo mau ou bicho papão e Near poderia ser um sonso mas também não era nenhum debilóide, muito pelo contrário, aquele baixinho era muito do esperto, justamente por isso que Beyond deve ter caído nos encantos dele.

O Beyond não ia mentir sobre estar gostando do Near, eu mesmo já tinha percebido uns olhares e flertes, podia ser alguma brincadeira, mas já que ele admitiu e confessou em voz alta eu daria o devido crédito, ele era doido mas não perverso. Guardei as coisas na maletinha de primeiros socorros da família do B e fiquei esperando a resposta, se é que o estúpido ia dar alguma.

— Estou apenas preocupado. — Matt olhou para baixo. — É o Near, ele é meu melhor amigo, como um irmão pra mim, não quero que ele seja vendido no mercado negro por um maníaco.

— O único maníaco aqui tá sendo você! — Quase gritei. — Você é muito idiota, o B jamais faria nada contra o Near, posso garantir.

— Como assim? — Levantou da cama.

— Ele confessou estar gostando do Near. E eu acredito nele. — Acabei contando.

— Sério? — Ficou pensativo. — Mesmo assim, ainda preciso de um tempo pra processar. É demais pra mim imaginar o Near com ninguém menos Beyond Birthday, o badboy da escola, já vi esse filme antes.

— Que negócio é esse de filme, seu retardado?

— O badboy veterano cai nas graças de uma caloura virginal e parte cruelmente o coração dela. — Ele disse aquilo e a vontade que tive foi de dar um murro na cara dele.

— Eu pensei já ter ficado claro que a fama do Beyond é pelo combo temperamento e fofocas de gente desocupada. — Cruzei os braços. — O tonto do Yagami tem atitudes muito mais escrotas que ele, por exemplo, mas a cara de sonso e a pose de mauricinho não deixam as pessoas pensarem mal dele.

— Eu sei disso, não vejo com bons olhos as atitudes do Yagami também, mas o ponto aqui é o Near, não quero que ele se machuque, me importo muito com ele.

— Pois vá pro inferno, então. — Joguei a maleta e saí do quarto.

Custava admitir logo que tava com ciúme do garoto? Puta merda, que burro eu fui. Claro que tava bom demais pra ser verdade, ele me tratando bem, sendo cuidadoso comigo, meu melhor amigo gostando do amigo dele pra formarmos dois casais perfeitos, claro que eu estava me iludindo. Enquanto eu saía pisando duro ele me puxou pelo pulso de volta pro quarto e me beijou, não consegui não retribuir mesmo estando com raiva, ele então me abraçou e ficou com a cabeça encostada no meu ombro.

— Não fique tão puto comigo, o Near está no topo da minha lista de pessoas que não consigo imaginar transando e o B no topo da lista oposta. — Disse sem me encarar. — Só preciso processar a coisa toda.

— Você supõe coisas demais. Por que não fala com eles ao invés de ficar alimentando essas paranóia ridículas? Se ele é tão seu amigo, tão precioso pra você e você se importa tanto, devia ir atrás de saber como ele se sente e falar com o B também, ele não é o monstro do armário. Seria muito mais digno que ficar bostejando.

Me soltei dele e desci de vez, Wedy estava vendo TV com o Near e Beyond estava na cozinha tratando e temperando os peixes do jantar, ele podia precisar de ajuda, então fui até a lá me oferecer pra fazer alguma coisa ou ia explodir. B estava calmamente jogando a misturinha de temperos triturados nos peixes para deixar descansando um tempo, quando perguntei se ele precisava de alguma coisa, respondeu que não, mas pediu pra eu sentar numa das banquetas com ele.

— Como está a orelha do Matt?

— Espero que caia. — Revirei os olhos.

— O que ele andou aprontando? — Beyond perguntava aquilo prendendo o riso.

— Sendo o idiota que é. — Bufei. — Não está vendo sua coisa com o Near com bons olhos. Aposto que está com ciúmes.

— Eu imaginei que ele ficaria cético, depois conversarei com ele sobre minhas intenções com o Near. Mas antes, tenho que conversar com o próprio Near, não deu tempo graças a chegada de vocês.

— Matt não é pai dele pra você ficar pedindo permissão. Não seja retardado, eu mandei ele vir conversar com você e o Near se está com tantas dúvidas, mas não é como se vocês devessem nada a ele.

— Ele só pode estar com você por causa da minha bênção silenciosa, se não gostasse da ideia dele com você iria inferniza-lo até desistir. — Aquelas palavras me deixaram muito confuso. — Acho que o mínimo que posso fazer é ter uma conversa franca sobre o amigo dele.

— Que história é essa de bênção silenciosa?

— Não fiquei surpreso com vocês porque já esperava, aliás, esperava feliz por aprovar. Near também. No fim, todo mundo só quer proteger os amigos.

— Ah… — Eu não tinha pensado por esse lado.

— O que foi?

— Nada, só meio chocado, do jeito que você fala dá a entender que você iria querer me proteger. — Gargalhei.

— Qual é a graça? É verdade. Não que você precise de proteção, os outros que se protejam do furacão Mihael, mas não deixo de me importar.

— Sério? — Não conseguia esconder a confusão no meu rosto.

— Você é meu melhor amigo, respeito você e quero que esteja bem, não vivo dizendo isso porque já transparece no meu rosto. — Ele dizer aquilo com a expressão impassível me fez rir.

— Obrigado. É estranho, não estou acostumado.

— Se continuarmos andando com aqueles dois, melhor nos acostumarmos. — Ele sorriu. — Near disse que meus sentimentos são recíprocos.

— Então vocês estavam mesmo se pegando naquele balanço. — Concluí.

— E pra você estar tão magoado e enciumado, também deve ter rolado coisas entre você e Matt no riacho. — Me encarou. — Coisas além do habitual.

— Não! — Fiquei nervoso e envergonhado. — Quer dizer, mais ou menos. Não chegamos aos finalmentes. E não estou com ciúme.

— Acho que está. — Ele sorriu mas em seus olhos castanhos avermelhados não havia julgamento. — Deve ter sido chato ter descido seu escudo pessoal pra ter mais intimidade só pra chegar aqui e aguentar ele falando preocupado sobre o bem estar de Near sem parecer se importar com o seu. Quer que eu dê uma surra nele?

— Não, seu idiota. — Eu ri, o que ele era? Um mago? Talvez eu tenha subestimado a amizade do Beyond e talvez estivesse subestimando a amizade do Matt com o Near também. — Depois eu falo com ele, você tem razão, fiquei com ciúmes. Mas não tenho com que me preocupar, é de você que o Near gosta mesmo.

— E é de você que o Matt gosta. Ele ficou muito bolado e com medo por causa da sua reunião de família ontem, se importa muito com você.

— O desgraçado nem me disse nada. — Suspirei. — Que filho da puta.

— Dê um desconto pra ele, tanta coisa aconteceu e agora o melhor amigo fofinho dele está caindo nas garras do terrível maníaco da escola. — Riu desdenhando do seu próprio título genérico. — Sabia que um dia essas fofocas e minha mania de arrumar confusão por coisa ridícula ia acabar me fodendo, no fim, só colhi o que plantei.

— Vamos arregaçar esses fofoqueiros, isso sim. — Disse quase cuspindo de ódio.

— Deixa isso pra lá, agora vou acender a churrasqueira. — Me olhou com aqueles olhos caídos. — Tente relaxar.

E ele sumiu como um espectro. Não deu tempo nem eu deixar a cozinha que o branquelo chegou perguntando pelo Beyond, quando eu disse onde ele tinha ido e o nanico foi atrás, eu sabia que era meu momento de ir até o meu idiota também. Digo, não que ele seja meu idiota de fato mas… Enfim, tínhamos assuntos a tratar. Wedy reclamava dos canais na sala, a pele dela estava bonita, o tal spa tinha surtido efeito, Matt não estava com ela, eu checaria um lugar antes de subir e... Bingo! A praga estava na varanda, todo pensativo no para-peito e virou para me encarar, a iluminação estava muito suave e amarelada, deixando o cabelo dele ainda mais vermelho.

— Hey. — Ele me olhou com cara de cão arrependido. — Sinto muito ter duvidado do seu melhor amigo, você tem razão, eu devia tirar mais as coisas a limpo antes de ficar me afogando em poças d'água.

— Se enforcando no pé de alface, esquentando o cu com rola fina, chame como achar melhor. — Tentei brincar.

— Conversei com o Near. — Me olhou envergonhado. — Eles ficaram mesmo, mas só aconteceu porque B deixou tudo em pratos limpos. Estão se gostando e já faz um tempinho, sou um péssimo amigo por não ter reparado.

— Notei os flertes, só não sabia que era sério. — Admiti. — E eu sinto muito pela forma como te tratei, no fim, era eu que estava com ciúmes descabidos e sem noção.

— Não chegou nem perto do ataque de ciúmes na festa do Yagami quando acidentalmente toquei a mão da moça chamada Linda, ontem.

— Eu sei. — Olhei para ele, um pouco arrependido. — Estou notando um padrão aqui, sinto muito por ser tão horrível com essas coisas de ciúme.

— É possessividade ou insegurança?

— Acho que o combo de tudo. Ontem eu já estava estressado, minhas emoções são muito fortes, tento controlar mas é difícil, vou me esforçar para não ficar sempre com a cabeça tão quente. — Abaixei o rosto.

— Não fique tentando ser o que não é, você é um cara intenso, seus sentimentos negativos são fortes mas os positivos também. — Sorriu se aproximando um pouco demais mesmo com Wedy lá na sala. — Eu não me envolvi enganado, sei exatamente o tipo de pessoa que você é e mesmo assim eu tenho esse sentimento por você.

— Você gosta de mim? — Aquela pergunta saiu sem querer. — Deixa pra lá, não precisa me dizer nada disso.

— Claro que gosto, porque mais eu ficaria beijando você? — Ficou vermelho, tocando meu rosto.

— Atração? — Perguntei, incerto, também corando.

— Também, claro, mas eu gosto de você. É a única explicação, porque mais eu teria passado a noite praticamente em claro rolando na cama, achando meu colchão de solteiro grande demais pra mim? Senti sua falta.

Com aquelas palavras, eu não pude aguentar, beijei o desgraçado. Não me importei se a Wedy ou um dos outros dois idiotas ia ver, alguém ia aparecer, um demônio ia ser evocado, realmente não dava a mínima, só abracei o Matt e o beijei com força, foi um beijo intenso, ele me abraçava forte também, movendo as mãos pelas minhas costas, lambendo minha língua e meus lábios. Só nos largamos quando faltou o ar e mesmo assim ficamos abraçados por um tempo, foi bom.

— Eu também gosto de você. — Falei fazendo carinho nos cabelos dele.

Notas finais
E aí, o que estão achando? Deixem nos comentários! Um beijão e bom fim de semana a todos. ♥