Wammy's High
24 Mail Jeevas
Notas iniciais
Se eu voltasse no tempo alguns meses e pensasse na ideia de estar na casa do lago da família de ninguém menos que Beyond Birthday com ele se engraçando pro lado do Near, paralelamente a mim vivendo a fantasia de Brokeback Mountain com Mihael Keehl, pareceria conversa de doido, mas lá estávamos nós assando peixes e falando mal da vida do povo com a Wedy, que quis entender melhor o que aconteceu quando estava louquíssima com os medicamentos na noite anterior.
— Então essa moça simplesmente fundou um fã clube pro ex? — Perguntou a loira com a mão no queixo.
— Exato. — Beyond deu de ombros.
— Quanta baixaria, meu Deus. — Ela gargalhou. — E eu pendurada no lustre no meio dessa confusão.
— Ninguém se importou, e se sim, não poderia falar, era só mais uma doida no hospício. — Mello riu.
— Me pergunto o que Misa vai aprontar, disse que Yagami ia se arrepender. — Near questionou pensativo.
— Yagami se arrependeu no momento que botou os pés ali. — Acabei dizendo. — Mas seja o que for, se acontecer algo vai ser no nível daquela pichação feia onde ela foi descoberta pela própria burrice, essa menina não é normal, deus que me perdoe.
— Só espero que não sobre pra mim que nem esse episódio da pichação do muro.
— Já eu digo uma coisa: Yagami que prepare as pregas. — Mello sorriu sabedor. — Porque a Misa mostra ser uma pessoa em que falta uma coisa muito importante, que se chama bom senso. Se ela foi capaz de fazer aquele fã clube bizarro para aquele imundo que tá nem aí pra ela, é capaz de tudo, do mais bobo ao mais grave.
— Garotas como essa estão aí desde que o mundo é mundo. — Wedy confirmou. — Esse tal de Yagami se prepare mesmo.
Ficamos jogando conversa fora até tarde, comendo peixe, dando risadas, curtindo a fogueira, nem lembro a última vez que me senti tão conectado com uma energia coletiva assim. E energia coletiva caótica, afinal, era o maníaco das geleias e o cara que colocou pó de mico nas minhas calças, mesmo assim… Acho que era isso que meu pai queria dizer com "brincar lá fora como um menino de verdade". Atrás de telas não se pode ter isso.
Estávamos todos com a cara mais lisa do mundo perto de Wedy, se tivesse um concurso para cara lisa teríamos um empate quádruplo. A tentativa de não deixar claro que aquilo era um encontro de casais com a participação especial de uma vela era mais que válida, muito embora Beyond e Near deixassem transparecer o clima em um olhar ou outro, como nunca percebi!? Que burro, meu Deus, depois de mim só eu denovo.
Já tinha visto o Near corar na presença do Beyond, mas não pensei que isso fosse alguma coisa, afinal, eu me recusava a ficar igual aquela gente na internet que duas pessoas respiravam perto uma da outra e já começavam a imaginar até os filhos que vão ter, nesse caso adotar. Estava difícil engolir a ideia de Near com alguém e isso em termos gerais, ele nunca me pareceu ser o tipo de pessoa relacionável, ainda mais com Beyond Birthday.
Aquilo era louco e improvável, se fosse em outro momento da minha vida, eu estaria surtando, correndo louco no meio do mato, mas as coisas têm mudado muito nos últimos tempos. O pobre algodão parecia feliz e até o maníaco das geleias estava com um ar mais agradável, daria um voto de confiança, se ele dizia gostar da nuvem, não tinha porque mentir, né? E o Near também gostava dele, bom pra eles. Na hora de nos recolhermos, Beyond me chamou para ajudar a tirar os pratos e outras louças sujas para colocar na lavadora, eu fui enquanto os outros subiram depois de se despedirem.
— Sei que está preocupado com seu melhor amigo. — O olheiras de poço puxou assunto. — Mas garanto a você que eu jamais deixaria nada de ruim acontecer ao Nate.
— Não me leve a mal, não é sobre você, é sobre ele. — Era um pouco sobre o B, sim, mas 75% era com o Near. — Ele é o top da minha lista de possíveis pessoas assexuais.
— Se ele for, não tem problema. — Beyond sorriu. — Minha conexão com ele não é desse tipo, meus sentimentos são muito fortes, Near tem uma alma linda a qual eu aprecio muito.
— Entendo. — O que esperar de um dementador, né? Mas eu senti muita verdade nele. — Só… Cuidado com meu melhor amigo.
— Digo o mesmo. — Ele me encarou cruzando os braços, se encostando no balcão. — Mello gosta muito de você, aprecie isso, afinal, é o raro afeto de uma pessoa que odeia todo mundo.
Aquelas foram palavras muito profundas, no fim das contas Beyond parecia ser uma pessoa muito inteligente e sábia, eu fiquei muito surpreso com isso. Subimos juntos e desejamos boa noite um pro outro no corredor e só assim entrei no quarto de hóspedes que parecia de um hotel cinco estrelas, o que esperar de um pessoal que anda por aí de limusine, né? Fui me arrumar pra dormir e escovei meus dentes naquele banheiro de série de TV super pensativo olhando pras velinhas de florzinha.
Meu Deus… Mello gostava de mim! E eu gostava dele também, gostava tanto que só de pensar dele passando por qualquer tristeza meu coração ficava dilacerado, era um inferno dormir sem ele, não podia mais sentir qualquer cheiro de tuti-fruti que lembrava do shampoo da Barbie que ele usa. O que tinha de errado comigo? Eu basicamente disse que dessa água não bebereis, só para beber a água, me afogar na água, nadar, virar a própria Ariel vivendo embaixo da água.
E isso literalmente, naquela tarde eu nadei pelado com o Mello e nos pegamos tão intensamente que eu pensei que ia rolar alguma coisa, foi muito louco. Isso me deixava muito nervoso, nunca tinha feito nada assim com ninguém e Mello apesar da pose de durão estava hesitante e horas até tímido durante nosso momento naquele riacho, acho que no fim não passamos de dois virgens medrosos. E era sério, eu queria ele, desejava ele, eu gostava de estar com ele, meu corpo respondia bem ao dele.
Meu Deus do céu... Eu estava desejando o corpo nu de outro homem. Se bem que Mello era bem feminino, ele tinha uma cinturinha tão fininha e a pele tão macia, além do cabelo bonito e cheiroso. Deitei na cama confortável me enrolando com os lençóis macios um pouco catatônico, o que eu devia fazer? Pedir o Mello em namoro? Chamá-lo para um encontro? Ele não parece o tipo de pessoa que gosta desse tipo de coisa, mas Near não parecia ser o tipo de pessoa que tem crush em alguém e olha só ele e o Beyond, então o que eu sei?
Talvez devesse usar o conselho do Mello — que mais parecia uma ordem — com o próprio Mello e perguntar o que ele achava. Não demoraria muito para tudo isso vir à tona já que eu tinha chamado ele pra vir até meu quarto naquela noite, isso me deixava um pouco tenso, a pegação iria continuar? Íamos apenas dormir? Ele iria mesmo aparecer? Foi aí que ouvi burburinhos no corredor.
— Onde você está indo? — A voz de B perguntou.
— Onde você está indo? — A voz de Mello rebateu.
— Eu perguntei primeiro.
— Eu perguntei depois.
— Eu.. Esqueci meu cobertor. — Beyond disse, hesitante.
— E eu… — Mello deu um risinho nervoso. — Vou beber água.
— Ótimo.
— Perfeito.
Passou um instante e a porta do quarto onde eu estava abriu.
— Hey… — Mello com seu pijama de caveirinhas me encarou hesitante.
— Hey. — Sentei na cama, sorrindo. No fim, eu não era o único vivendo em Atlantis. — Que bom que pôde vir.
— Não quero que você passe outra noite em claro por minha causa. — Disse, simplesmente.
Deitou na cama de frente pra mim, comecei a tremer um pouco, o rosto parecia o de uma bonequinha, ainda mais na luz do luar que entrava pela janela. Como um dia eu ousei zuar a aparência dele? Se bem que era mais defensiva com as coisas que ele fazia, não tinha o menor cabimento, porque ele era muito bonito. Os olhos azuis me encararam e a mão dele procurou a minha, a qual segurou com cuidado, acabei alisando os nós dos dedos com as pontas dos meus.
— Deveríamos tomar um café depois do trabalho qualquer dia. — Me arrisquei. — Simplesmente ir a algum lugar pra comer alguma besteira, ir ao cinema, algo assim. Só nós dois.
— Soa como um encontro. — Ele riu baixinho.
— Seria mesmo um encontro. Tudo bem se não fizer seu estilo já que prefere algo mais discreto.
— Eu adoraria sair com você. — Sorriu. — Não tenho um estilo exatamente, pedi discrição quando nos acertamos porque gosto do perigo de sustentar os joguinhos e gosto mais ainda das pessoas não poderem ter o que falar.
— Foi divertido mesmo. — Admiti, rindo.
— Mas agora não faria sentido, as pessoas da escola nos viram saindo do banheiro juntos na festa do fã clube, Near e Beyond já sabem. Era de se esperar algo assim acontecendo... Eu, sendo discreto? Como não percebi que a piada já vinha pronta?
— Essa culpa você não carrega sozinho. — Sorri. — Fui eu que puxei você para aquele banheiro.
— Verdade. — Ele virou para deitar de costas mas ainda me encarando, sem soltar minha mão. — Você tem mais iniciativa do que eu pensei. Parando pra analisar, foi você quem me puxou no nosso primeiro beijo. E hoje no riacho... Simplesmente tirou a roupa e se jogou na água.
— Mas foi você quem propôs.
— Mas não muda o fato de que foi você quem se jogou na água primeiro.
— Não era nada que você já não tivesse visto. — Dei de ombros mas depois sorri, corado. — A novidade foi pra mim.
— Sim... — Desviou o olhar, um pouco corado também. — E você não pareceu ter se incomodado com o que viu…
— É seu jeito de me perguntar se gostei? — Eu ri.
A verdade é que eu não só gostava, eu adorava tudo sobre aquele idiota, era o mesmo Mello que jogou um balde em mim e eu o queria, só Deus sabe o quanto queria, não conseguia mais negar. Me aproximei suavemente, deitando sobre ele, que me encarava com os olhos semicerrados, ter o desgraçado tão perto já me tirava o fôlego, até a respiração saindo das narinas parecia atraente, tive que beijá-lo, com vontade, sentindo os braços dele envolvendo meu corpo, o abracei com força também, o calor dele era delicioso.
— É seu jeito de responder que gostou? — Ele sussurrou quando cessou o beijo, sorrindo de canto.
— Você sabe bem o quanto eu gostei. — Suspirei. — Você me deixa louco.
Mello me olhou com intensidade e rolou, ficando sobre mim, acabou sentando em meu colo, tirou a própria blusa e já pude ver os mamilos eriçados, então tirou a minha também colocou a mão dentro das minhas calças. Apertou meu pênis, que já dava sinais de ereção, o beijo foi muito bom, ele começou movimentos de sobe e desce que me fizeram prender um suspiro. Agarrei a cintura dele, subi, ficando sentado com ele no meu colo e o beijei de novo, Mello não tirou a mão de mim mesmo durante o beijo, foi muito excitante.
Agarrei ele pela nuca e beijei o pescoço cheiroso, dei um chupão que com certeza deixaria uma marca mas o desgraçado bem que merecia pelas que me fez passar com o chupão no olho. Os lábios entreabertos de Mello soltaram um suspiro dengoso com os ataques ao pescoço, ele desceu minhas calças até a altura da metade das coxas e começou a me masturbar com mais força. Senti um arrepio na espinha, mordi meus lábios para conter os gemidos, tive que pará-lo ou ia acabar gozando sem querer, os olhos azuis me encararam confusos.
— Foi mal, só não quero gozar tão rápido.
— Sério? Só com isso? — Eu riu da minha cara.
Que filho da puta, segurei ele pelos ombros e o joguei de costas na cama voltando a ficar por cima, ele pareceu surpreso, ia falar algo mas o calei com um beijo, dei logo um fim às minhas calças e tirei as dele, separei nossos lábios apenas para poder olhá-lo. Aquele corpo esbelto e rosto bonito… Nem parece que fica dando chutes nas pessoas, essa realização me fez sorrir divertido. Ele tocou gentilmente meu rosto transparecendo alguma doçura em seu olhar, só pra confirmar meu pensamento de como Mello era ambíguo e contrastante.
Ele me beijou, os lábios tocando os meus delicadamente, eu o abracei e o beijei de volta com todo carinho também. Apertei a bunda dele e o trouxe ainda mais pra perto, nossos corpos ficaram muito colados, o meu pênis tocando o dele, encaixados instintivamente entre nossas coxas. A sensação foi muito boa, suspirei contra os lábios de Mello, ele moveu o quadril contra o meu e acabei soltando um gemido, o atrito entre as peles era delicioso, como aquele infeliz conseguia ser tão macio? Abracei com mais força e comecei a me mover também, ele cessou o beijo, jogando a cabeça pra trás, gemendo baixinho os lábios separados e olhos fechados.
— Isso é bom? — Sussurrei com a voz mais rouca do que esperava.
— Uhum. — Ele gemeu.
Continuei esfregando meu corpo no dele, o arrepio na espinha voltando ainda mais forte ao ouvir os gemidos contidos e as mãos apertando minha bunda guiando os movimentos com mais força, a cama alheia começou a ranger mas não consegui parar, estava muito próximo de um orgasmo e a forma como Mello gemia contra meu rosto e revirava os olhos me fez crer que ele também não estava muito longe. Ele gozou primeiro, para minha surpresa, mas o combinado da sensação do líquido quente no meu pênis e a expressão no rosto dele, me fez vir também umas três estocadas depois, totalmente destruído.
Saí de cima dele, deitando do lado com a respiração ofegante, Mello também completamente sem compostura, o cabelo colado na testa suada, ele se manteve próximo de mim o suficiente para me abraçar, recuperando o fôlego. E que bagunça, depois que o sangue esfriou me dei conta do tamanho da loucura cometida, tínhamos sujado nossas coxas e os lençóis chiques da casa do Beyond, como iríamos explicar isso? Ia jogar tudo pra cima do Mello, o maníaco das geleias não teria coragem de ir contra o melhor amigo dele, que por sinal estava quase cochilando.
— Mello? — Chamei num sussurro.
— Hum?
— Você está bem?
Ele deu um soquinho no meu ombro, que espécie de resposta era aquela? Me abraçou, com um sorrisinho no rosto. Iria tomar aquilo como um sim, abracei ele de volta, aquele sem juízo não pareceu se importar com a nojeira, eu fiquei um pouco agoniado e limpei nossas coxas com o lençol, já estava todo melecado mesmo. Minha vontade era jogar o lençol num canto do quarto e pegar outro no armário, mas Mello estava tão quietinho dormindo no meu peito que deixei pra lá, não estava com tanto frio mesmo, o calor do corpo dele era suficiente para me aquecer.
Jesus amado, que surreal, eu tinha acabado de fazer, seja lá o que foi aquilo, com Mihael Keehl, na casa de Beyond Birthday. Meu Deus, que loucura… Apenas abracei Mello, que tinha se aconchegado no meu peito, sorri de canto. Era real, louco, improvável, porém real e eu estava pensando se deveria começar a me acostumar com isso. No que eu estava me metendo? No fim, não tinha muito o que fazer, já estava muito envolvido, literalmente. Fechei os olhos e relaxei, deixaria meus surtos para o outro dia, não sabia o que o amanhã tinha guardado pra mim, mas cuidaria somente amanhã.
*Extra: Beyond Birthday
— Vocês podiam ter usado camisinha mesmo sendo sexo intercrural, ia evitar essa situação. — Eu disse, colocando as cobertas na lava-roupas.
— Foi mal, eu nem sabia que ia chegar a esse ponto. — Um Mello muito corado coçou a nuca.
— Se bem que pelo que ouvi, pensei que estavam fazendo anal mesmo. — Gargalhei.
— Como ouviu? Seu quarto era o último do corredor… — Estreitou os olhos. — Você foi buscar o cobertor e acabou ficando de vez lá com o Near.
— O cobertor foi uma desculpa, assim como sua suposta água. — Cruzei meus braços, encarando ele.
— Verdade... Mas vocês só dormiram?
— Sim, ele dormiu logo. Sorte a de vocês, se tivessem constrangido o Near fazendo ele ouvir safadeza, iam ver só. — Olhei de forma dura.
— Bom pra nós, então. Desculpe pelo que ouviu e pela sujeira, vamos ter mais cuidado de agora em diante. — Parecia realmente arrependido.
— Tudo bem, não se preocupem com isso. Só que vou ter que mentir pra tia Geraldine quando ela perguntar sobre esses lençóis na máquina e dizer que Matt fez xixi na cama.
— Melhor ainda. — Mello riu alto.
Fale com o autor