Notas iniciais
Olá, pessoal, depois de longos quatro meses estamos aqui novamente! Primeiro, gostaríamos de agradecer a todos aqueles que não abandonaram a história, pedir sinceras desculpas pela demora extrema. (dessa vez passamos dos limites ;-;) Esse negócio quase não saía, gente, pelo amor de Deus. O.O (tudo será explicado nas notas finais) Beatriz di Angelo, agradecimentos especiais por ter recomendado a fic! Capítulo dedicado a você! *---* Sem mais delongas: ENJOY!!!!

PUTO era a definição do meu humor em uma palavra. Como se já não bastasse toda desgraça da minha vida, acontece uma briga no bar justo hoje quando estou sozinho, sem Matt, Aiber, Wedy ou qualquer alma pra me ajudar. Matt cuidando da Wedy com o pé podre, que esbrugou numa aula de dança maldita. E Aiber tinha ido ao banco. O cara saiu em um segundo, e dois bêbados começaram a brigar. E eu como sempre muito paciente, fui logo na voadora, ao invés de apartar acabei entrando na briga e saí com a sobrancelha lascada.

Foi só Aiber chegar e deu-se fim à briga, graças a Deus ninguém chamou a polícia. Só faltava essa mesmo, depois do meu dia horrível acordar no dia seguinte vendo o sol nascer quadrado ia ser de mais. Aiber cuidou em fazer um curativo na minha sobrancelha, e eu pedi pra ir embora. Ele também achou melhor fechar depois de toda essa bagunça. Não acredito que estou dizendo isso, mas senti falta da desgraçada da Wedy. E também... Do Matt.

Desgraçado... Ele sempre faz a coisa certa na hora certa, dizendo aquelas coisas quando eu estava triste. Me sinto muito exposto depois dele ter me visto chorar. Desgraçado... Desmoronei na frente dele, como uma mulherzinha. Maldito três vezes.

Agora estou esperando alguém vir atender a maldita campainha da casa da Wedy, onde estou esperando do lado de fora. Preciso falar com Mail pra ir pra casa dele. Vai ser difícil olhar na cara dele sem parecer estranho, afinal, ele me viu chorando como uma menininha... Que bosta! Ainda mais depois do que eu vi... Mais cedo acabei tendo que dividir o chuveiro com ele graças a um probleminha relacionado à mãe dele invadindo o banheiro.

Quase fiquei louco, sabia que aquele infeliz tinha um traseiro e tanto, mas pelo amor de Deus... É algo além do traseiro. Fora que ele é ruivo. Meu Deus... Se fosse em outra situação eu ficaria com repulsa a pêlos, mas aquilo foi uma loucura, não sei como agüentei. Aliás, sei sim. Lembrei que ele é a little bitch do Near. Que o branquelo faça bom proveito.

Enfim, nunca mais ele me veria chorar, com certeza. E não vou ser bonzinho com ele só por que foi legal comigo, não mesmo! A porta se abriu.

– Mello? – O ruivo quem veio atender.

– Hey...

– O que aconteceu com seu rosto? – Ele tocou meu queixo com agilidade e preocupação nos olhos.

– Estou bem. Briga, apenas. – Recuei, fazendo-o ficar sem jeito. – Vou ficar bem.

– Hum, entendo. O namorado da Wedy ainda não veio, então vou ter que ficar mais um pouco.

– Eu espero. – Disse, seco.

Entrei finalmente na casa da vagabunda. Desgraçada... A casa era enorme. Ali sim tinha-se dinheiro, me pergunto por que ela trabalhava num bar de merda.

– Olá, Mello. – A voz dela vinha das escadas, por onde ela descia, de muleta.

– Sua louca, como pegou a muleta? Isso é perigoso, ainda mais descer as escadas. – Matt brigou.

– Estou bem, sou uma menina esperta. – Piscou.

– Viu, Matt? Então podemos ir embora. – Eu ri. Ela estava toda descabelada e de camisola.

– Own, vocês sabem, queria que ficassem até meu bofe chegar. – Fez biquinho. Já eu senti uma leve náusea.

– Desgraçada. – Disse, com os dentes serrados.

Eu sentei no sofá, com a maluca do meu lado. Matt foi pra cozinha, preparar algo pra comermos a mando da piranha, que me olhava de um jeito esquisito enquanto ficava com seu pé podre esticado na mesinha de cabeceira.

– Eu sei, Mello... – Ela disse, me olhando de forma maligna.

– O que, retardada? – Falei, quase cuspindo.

– Eu sei de tudo.

– Hã? – O que diabos ela queria dizer com aquilo?

Fomos interrompidos com o Matt trazendo uma bandeja xícaras de chá e alguns biscoitos. Aquilo era a cara da minha avó, que bosta, meu irmão! Ele colocou sobre a mesinha, deu a da Wedy, que apenas sorriu em agradecimento.

– Aqui. – Matt me entregou uma das xícaras. – Você teve um dia demoníaco hoje, relaxe um pouco enquanto Luiz chega.

– Ok. – Eu disse, recebendo, com um sorriso torto. – Seu dia também foi meio bugado, então, somos dois.

– Verdade... – Ele pegou a terceira xícara, logo tomando um gole.

Wedy parecia distraída mexendo no celular, enquanto ficamos ali com o chá e os biscoitos num silêncio constrangedor. Matt horas olhava pra mim, corado, e eu também deveria estar vermelho, por que às vezes distraidamente ficava olhando pro meio das pernas dele.

Era sem querer, eu juro! Mas eu sempre lembrava a cena dele me olhando constrangido e todo molhado embaixo do chuveiro, sem roupas, com o cabelo úmido pra trás e sua pele molhada, com algumas sardas nos ombros. Mordi meu lábio com a maldita lembrança. E então a campainha tocou.

Matt levantou-se rapidamente e foi atender. Aquela campainha nos salvou completamente do gelo constrangedor. Era o tal Luiz, namorado da Wedy, com a chegada dele, era nossa hora de ir. Wedy agradeceu ao Matt, e me deu um tchauzinho, e assim fomos embora, deixando o abacaxi pro carinha com jeito de aproveitador barato descascar.

Caminhamos em silêncio até o ponto de ônibus. Ficamos alguns minutos, ainda em silêncio, esperando aquela porcaria. Foi um alívio quando finalmente chegou pena que o alívio não durou muito, já que o gelo e tensão continuaram até chegarmos ao nosso destino.

Já na casa do Matt, eu subi pela janela, como sempre, e ele entrou pela porta da frente. Pude ouvi-lo explicando aos pais porque chegara tarde, falando ser assuntos de trabalho, aquele maluco falava muito alto quando tentava explicar coisas aos pais pirados. Procurei meu colchão embaixo da cama, e nada. Aquilo era estranho de mais. De qualquer forma, peguei a toalha e corri pro banheiro pra tomar um banho rápido.

Quando entrei, lembrei da cena daquela manhã. Desgraçado, maldito, filho da puta! Matt, por que era tão... tão... Gostoso. Infeliz maldito! Verme! Foi entre xingamentos para com Matt e sua cortina de patinhos na minha mente, que tomei o meu banho. E lavei meu cabelo, por que eu mereço! Foi relaxante apesar do meu corte doendo com o contato com a água e as lembranças de Matt me atormentando.

Ao sair do banho, já vestido minhas roupas de dormir que sempre ficavam escondidas no banheiro, enxugando meus cabelos, me deparo com um Matt me olhando apreensivo, sentado na cama. A porta do quarto estava fechada.

– Tenho más notícias, Mello. – Ele começou, me olhando, já vestindo sua calça de moletom e camiseta branca que usava pra dormir.

– O que foi? – Arregalei os olhos.

– Meus pais se livraram do seu colchão. – Falou.

– Que merda! Por quê?

– Tinha um rato nele.

– Só pode estar de brincadeira! Dividi meu colchão com um rato esse tempo todo? Que bosta! Onde vou dormir então?

– Na minha cama.

O QUE?????

– Eu vou dormir no sofá. Meus pais são bem malucos, qualquer pessoa normal teria estranhado eu começar a tomar banho no banheiro da casa, colocar porções pra duas pessoas e comer no quarto. Digo que acabei dormindo enquanto via TV ou algo assim.

– Hum... – Ele tinha que parar de ser legal comigo, chegava a ser irritante. – Não acho justo tirar você da sua cama. – Confessei.

– Hã... Podemos dividir, então...

– Dividir o que? A cama? – Arregalei os olhos.

– Sim.

– Não é apertado?

– Lembra aquele dia na cadeia? Era uma cama bem pior e não foi essas coisas todas de ruim. É apenas uma noite, podemos comprar um colchão inflável amanhã depois do colégio.

Depois deu ver ele pelado e ele me ver chorando, dividir a cama com ele parecia uma coisa perigosa de mais. Mas não poderia deixá-lo dormir do sofá, terminantemente.

– É, podemos fazer isso. – Respondi, embora relutante em minha mente.

Matt pegou os cobertores e me entregou um, eu me deitei na cama, do lado da parede. Já ele, apagou a luz e deitou na ponta da cama. Ficamos ali, um de costas pro outro, silenciosamente estáticos por um tempo, com as respirações leves e compassadas. Eu não tinha conseguido dormir e estava me perguntando se ele também.

– Mello? Está dormindo? – Tive minha resposta ao ouvir a voz dele.

– Não. – Respondi. – O que foi?

– Não consigo dormir. Me sinto estranho.

– Estranho como, panaca?

– Você me viu pelado, Mello.

– Ah... Isso... – Eu ri. – O que é que tem?

– O que é que tem? É que você me viu pelado, cara.

– Eu te ver sem roupas é algo tão ruim assim? – Ironizei.

– Me sinto mal em ficar sem roupas até na frente dos meus pais, por isso a cortina de patinhos. Não é por você ter me visto pelado, na verdade, acho que foi eu estar pelado na sua frente...

– Não entendi porra nenhum do que está tentando dizer.

– É, nem eu. Só sei que está estranho por isso.

– Não é por isso. É por que você me viu chorar... – Eu disse. – Foi ridículo e desprezível da minha parte.

– Claro que não, cara, seu dia foi uma bosta! Eu também teria chorado no seu lugar. Na verdade, acho que você demorou pra chorar, foi durão até o final, mas ninguém é de ferro.

– Hum... Então, acho que está estranho por que você está me abrigando na sua casa, mesmo quando até um tempo atrás nos odiávamos. Ou ainda nos odiamos ou você me odeia... Não sei. Fora que você está sendo legal com uma pessoa que disse e fez coisas ruins com você e seu namorado. – Acabei soltando.

– Namorado? – Falou, com surpresa na voz.

– O Near.

– Ele não é meu namorado, é meu melhor amigo de infância. Já te falei isso.

– Você sempre foi muito cuidadoso com ele, Matt.

– Se você tivesse um melhor amigo anão albino que não sabe andar dois metros sem que quase caia ao esbarrar em uma pessoa, entenderia. Seu melhor amigo é o BB, o cara que as pessoas se cagam de medo de esbarrar. O oposto disso.

– Hum... Tem razão... – Suspirei.

– Desculpa, cara. – Ele disse, virando-se de frente para as minhas costas. – Olha, sobre esse lance da gente se odiar... Acho que nunca nos odiamos de verdade. Nem nos conhecíamos direito, não sabíamos da vida um do outro. Eu não fazia idéia da barra que você passava, por exemplo.

– Não preciso da sua pena. – Falei, quase cuspindo.

– Não é pena, é compreensão. Eu não fico feliz em saber que você passa por tudo isso e não quero que passe por essas coisas sozinho, por isso estou te ajudando. Mello, não é justo seus pais te tratarem assim, sendo que não há nada de errado em gostar de uma pessoa do mesmo sexo.

– Sei que fala isso pra ser gentil. Mas você não entende realmente como é gostar de alguém que não deveria. Você é legal comigo, Matt. – Acabei virando de frente a ele, a luz da lua entrava pela janela, de forma que eu podia ver seu rosto e olhos brilhando.

– Na verdade, entendo mais do que você imagina. Eu estou aqui pra você, Mello... – Ele olhou nos meus olhos. — Por que... — Ele fez uma pausa, desviando o olhar, como pensando o que falar ou hesitando em falar algo. – Eu me importo com você. – Falou quase num sussurro, ainda com o olhar desviado. – Eu andei pensando sobre isso enquanto preparava o nosso lanche lá na Wedy. Ela mesma falou algo assim hoje mais cedo. E estava certa, no final.

– S-se importa comigo? – Arregalei os olhos.

– Sim... – Ele estava sem jeito. Eu também estava, afinal, as pessoas nunca falavam coisas desse tipo pra mim. Pisquei, me perguntando se aquilo era real. – Mello... – Sua voz saiu em um sussurro.

Senti sua mão em minha nuca, dedos tocando lentamente minha pele, e meu rosto e corpo sendo puxados para perto subitamente. Quando dei por mim nossos lábios já se tocavam, timidamente de início, em um simples roçar de peles, mas tudo se intensificou quando sua língua deslizou entre meus lábios, logo buscando e possuindo a minha.

Ele me abraçou forte, me envolvendo com o calor de seu corpo e lençóis, de um beijo terno e casto evoluímos para algo intenso, assim como o vento que entrava pela janela. Fechei meus olhos, envolvendo seu corpo com meus braços com ímpeto, me deixei levar completamente pelo movimentar de sua língua. Suas mãos deslizavam sobre meu dorso, com firmeza e sutileza. Acabei me entregando completamente a seu sabor enquanto ele me beijava como se sua vida dependesse disso.

O beijo vivo, claro e aberto tornou-se pequenos beijos suaves, talvez uma maneira de burlar o ar que nos faltava, seu sorriso estava explícito entre os acanhados beijos, seus dedos seguravam meu queixo, enquanto sua mão livre tateava meu couro cabeludo.

– Não há absolutamente nada de errado, Mello... – Ele sussurrou entre os beijos. — Pra nenhum de nós.

Notas finais
Sorry pelos erros de digitação. E aí, gostaram? :3 - Bom, esse aqui demorou tipo, muito, muito mesmo, por motivos da gente não poder se encontrar pra organizar os acontecimentos, mais a faculdade drenando nossas forças vitais, mais computadores bugados, mais a falta de inspiração pra escrever, assim como o maldito tempo pra escrever. Fora a internets que são um caso sério. (no momento, só eu (verdandi) estou com internet, escrevendo isso quase desmaiando em cima do notebook depois de um dia inteiro no campus) Fora que é difícil e emocionalmente exaustivo escrever sobre esses shipps, são muitos feelings, cara. Esses pegas M&M destruíram a minha vida! T^T Esperamos muito que entendam nossas demoras, amamos essa história, muito mesmo. Não vamos abandonar ela, é que a vida tá muito hardcore. O_o xoxo