Notas iniciais
Mais um capítulo do Matt, galera! *---*
Íamos postar quarta, mas houve contratempos.
Qualquer erro ortográfico, já pedimos desculpas.
ENJOY!

- MERDA! – Literalmente! Mal saí de casa pisei num cocô de cachorro que tinha na minha porta. Bem a cara do lascado do Matt.

Umas velhas ficaram me olhando enquanto eu arrastava a sola do sapato no chão. Cara, meu sapato preferido... É, parece que o dia não vai muito convidativo pra mim, meus pais ficaram todos felizes por que hoje será meu primeiro dia de trabalho no bar, mal saio piso na merda de cachorro. Chupa! Que desgraça pouca é besteira.

Minha noite de sono foi meio perturbada, andei tendo uns pesadelos em que eu ia pro bar e o meu colega era justo o Beyond Birthday, e ele me matava com uma garrafa de vodka quebrada. Ele me dava um golpe com o vidro estilhaçado bem na garganta. Foi realmente horrível. Assim que cheguei ao ponto de ônibus, o transporte chegou. Entrei rapidamente, e tive que seguir até a escola em pé. Eu bem que podia ter ido a pé, já que minha casa é até perto da escola, mas a preguiça e o sono não deixaram.

Tomara que aquele sonho não signifique nada, não quero ser colega de um psicopata, maníaco ou algo assim, mas já que se trata de um bar, com certeza VAI SER alguém assim. Está decidido, vou pedir demissão pro Aiber hoje mesmo... Ah é, não posso, ou minha mãe pode jogar minhas roupas no meio da rua. Droga!

Desci do ônibus ao chegar até a parada perto da escola e suspirei. Hoje iria ser um dia cheio, tomara que não passem nenhuma lição valendo ponto essa semana, estou completamente sem cabeça. Assim que cheguei ao pátio, encontrei uma multidão rondando o japa mais popular do ultimo ano. Tá, não era beeem uma multidão. Não, na verdade era mesmo.

Me intrometi entre eles, e depois de muita muvuca e espremido eu consegui passar. Chequei para ver se eu ainda estava de calças, e graças a Deus, eu realmente estava. Subi as escadas e fui até minha sala, assim que cheguei encontrei Near lá empilhando seus dados. Chegou muito cedo, como sempre. Ele me fitou com o olhar sombrio entre os cabelos brancos.

- E então conseguiu o emprego? – Ele disse, enquanto eu jogava minha bolsa na carteira ao lado.

- Sim.

- Seus pais o impediram?

- Não. – Acho que estava um tanto denotativa a dor em meu olhar no momento em que aquela palavra saiu de minha boca, quase cuspindo.

- Eu disse. – Ele se voltou para os dados malditos. Era a primeira vez em anos que eu queria pegar aqueles dados e jogar tudo na cara dele. Mentira, não era a primeira vez e não vou fazer isso, por que aquela ovelha desgraçada tinha toda razão, ele tinha dito.

- É... Eu começo hoje. – Disse tristemente, enquanto bufava ao me sentar.

Mr. Ryuuzaki entrou na sala, com seu olhar de cachorro molhado e assustado como de costume e desejou bom dia à classe. Ele colocou sua pasta sobre o birô, e voltou-se para nós. Assim que ele ia abrindo a boca talvez para pedir a atividade da aula passada, o miserável foi interrompido por uma Barbie que entrara de supetão na sala.

Era o Mello. Que ódio desse cara! O vagabundo de Chanel pediu licença e sentou em seu local de sempre, olhou para trás com um olhar mortal em direção a Near, foi uma pena que todo o seu veneno se esvaiu em uma ovelha que nem lhe deu atenção, ele estava muito ocupado travando uma batalha mortal entre duas canetas.

Eu não segurei o riso naquele momento. O olhar maligno dele agora veio em minha direção. Eu o ignorei também, fixando meus orbes em direção ao grotesco professor que sentou de forma estranha para não perder 40% de seu desempenho intelectual. Que homem louco! Ele levantou e foi fazer a correção da atividade da aula passada. Engraçado ele não ter passado nas cadeiras dando o visto.

Mas enfim, talvez ele tenha ficado com pena dos coitados que não fizeram, e não, não sou um desses, sou um aluno exemplar, fodido, mas exemplar. A aula foi tão emocionante que passou rapidamente, era incrível como aquele zumbi conseguia nos envolver na explicação e nas atividades, eram bem interativas e eu particularmente gosto de matemática.

O Near ficava encantando, deixava até os dados de lado de vez em quando, só para ter toda a atenção voltada para ele. Do nada, o cara pegou um bolo de dentro da bolsa e começou a comer enquanto explicava a questão. Calma, vamos analisar as coisas que não querem calar: COMO ELE TRAZ AQUELE NEGOCIO DA BOLSA? POR QUE ELE TA COMENDO NA HORA DA AULA? COMO NINGUÉM FICA INDIGNADO?

Claro, já que o Near pode brincar com dados, e o Mello comer chocolate na hora da aula, por que o professor não pode comer bolo e outras drogas doces? Claro, imagina, e pode o Matt jogar o psp dele? NÃO! Sou um lascado mesmo. Dizem que uma pessoa sortuda nasceu virada pra Lua. Pois é, eu nasci com o traseiro completamente exposto ao sol!

O sinal tocou, eu nem acreditei que intervalo tinha chegado, se fosse uma aula chata tinha passado se arrastando, absolutamente. Eu praticamente me arrastei para acompanhar os passos do Near até a porta, Mello passou por nós, esbarrando em mim e depois na pobre ovelha, que muito pequenina quase caiu no chão.

-QUAL É O SEU PROBLEMA? – Eu bradei, tomando a frente do N.

- Vai defender sua putinha agora, é? Ah, mesmo você que é a putinha. – Não aguentai e parti pra cima dele, mas não o bati, por que Near me puxou pelo braço acenando negativamente com a cabeça. Com certeza eu levaria uma suspensão. Diferente de BB eu não tenho um parente no núcleo escolar.

- VAI PRO INFERNO, SUZY DE MERDA! – Já que eu não podia quebrar a cara dele, não ia sair por baixo de jeito nenhum. Ele apenas sorriu, mesmo furioso, e cerrou o punho. Ele veio em minha direção, agora que a Barbie ia virar Ken e dar uma porrada nas minhas fuças. Mas tudo se paralisou com uma frase vinda lá de fora.

- BRIGA DE MULHER!

Todos correram, inclusive o Mello. Porra, além de assassino de aves é fofoqueiro? Claro, eu corri também, mas não foi por que queria saber o que estava acontecendo, e sim por que peguei o embalo. Tudo bem, na verdade eu queria saber mesmo, mas isso não faz de mim um fofoqueiro, mas sim o Mello.

- O que está havendo? – Eu perguntei a um cara que tava parado perto de uma das colunas. Olhei pra trás, procurando o pobre algodão que havia sido esquecido por mim em alguns instantes. Ok! Conferindo... Ele estava lá e inteiro. Menos mau.

- Misa Misa e outra menina do segundo ano começaram a discutir por cauda de Raito Yagami, e deu no que deu.

- E cadê o tal Raito? – Perguntei incrédulo.

- Eu não sei! Ou ele não tá nem aí, ou não sabe o que tá acontecendo.

COMO UM CARA NÃO SABE QUE TÁ PROVOCANDO UMA BRIGA!?

- Como um cara não sabe que tá provocando uma briga? – Meu pensamento saiu pela boca.

- Não sei, mas se não fosse aquela história que ele teve um caso com a Misa ano passado eu acharia que ele era gay. Aliás, ainda acho que ele é gay, como um cara dispensaria alguém como Misa Misa?

- Hum... – Certo que eu a dispensaria, só conheço a menina de vista e já tenho certa aversão, ela parece ser do tipo guria retardada. OH NÃO! SERÁ QUE ESTOU VIRANDO GAY? Calma, Matt, você é homem. – Pois é. Como é seu nome mesmo?

- Matsuda Touta. – Ele respondeu sorrindo, coitado. Parece ser uma pessoa legal.

- Prazer, sou Matt Jeevas. – Tentei ser gentil. Eu me virei um segundo e me toquei: CADÊ O NEAR? – Com licença, vou ali procurar meu amigo. – Sorri amarelo acenando, ele acenou de volta.

MEU DEUS CADÊ O NATE? ELE FOI PISOTEADO! VIROU UM FANTASMA DE VERDADE, POBRE GASPARZINHO! SERÁ QUE FOI RAPTADO?

Como dizia minha avó, as piores catástrofes acontecem em um segundo, por que em um segundo que eu virei para falar com Matsuda o N sumiu. Me meti no meio das pessoas, andando de um lado pro outro atrás do Near, e quando direcionei meu olhar em direção aos armários, lá estava ele fora da confusão.

Mas isso não era algo bom, por que ele estava ao lado de Beyond Birthday, ou seja: A CONFUSÃO. Aproximei-me lentamente com os olhos quase saindo pra fora de puro horror, será que ele estava sendo ameaçado? Pela primeira vez, eu teria que deixá-lo para a morte, por que com BB eu não me meteria. Aproximei-me a um ponto de conseguir ouvir a conversa.

- ... É uma droga. Você não imagina a pressão. – Ouvi o Beyond falar.

- Entendo. Nunca pensei por esse lado.

Hã? Near dando uma de psicólogo pra cima do Beyond?? Que coisa estranha... Sobre o que será que eles estão falando? Ia tentar escutar mais alguma coisa escondido quando Beyond se virou de repente na minha direção, me encarando com aqueles olhos devoradores de alma, me fazendo quase virar pro outro lado e sair correndo. Quase. Então Near me viu também e me chamou pra ir até ele com um aceno de mão. Não tive escolha a não ser andar até eles, embora a vontade de correr ainda fosse muito grande.

- Você conhece esse cara? – BB perguntou pro Near, me olhando com um olhar de suspeita. Como se EU fosse o delinquente da história...

- Sim, ele é o meu amigo, Matt. Matt, esse é o Beyond.

- Ah... Beyond... Oi... – Eu falava sem conseguir formular uma frase descente. Poxa, se você estivesse sendo apresentado a um psicopata, também estaria assim!

- Oi. – Ele continuava me encarando daquele jeito estranho. – Eu vou indo então. Até mais, Near. – Ele se despediu do Nate e saiu me lançando um último olhar assassino.

Esperei até ele se distanciar bastante da gente. E quando eu digo bastante, é BASTANTE mesmo! Então me virei pro Algodão:

- O QUE VOCÊ TAVA FAZENDO CONVERSANDO COM BEYOND BIRTHDAY? FICOU MALUCO? QUER SER RECONHECIDO OFICIALMENTE COMO FANTASMA? – Perguntei o sacudindo pelos ombros.

- C-Calma Matt! Primeiramente, me solta. Segundo, sobre o que você ta falando?

- To falando de você ficar conversando com o maior p-s-i-c-o-p-a-t-a maluco da escola! – Falei bem devagar pra ver se ele entendia a gravidade da situação.

- Você é muito dramático, Matt. – Disse, revirando os olhos.

DRAMÁTICO? Ok, só um pouco, mas pelo amor de Deus, se tratava do Beyond! O sinal tocou novamente, ele seguiu até a sala, eu fui logo atrás dele. Agora seria a aula de História, suuuper chata com a tia ratinha, era uma dona que falava baixo pra caralho, o que era algo bom já que a voz dela era enjoenta.

Depois de entrar discretamente, fomos até nossos lugares, no fundo da sala. A professora ainda não tinha chegado, então virei para trás e chamei a atenção do Near, que já havia começado com a coisa dos dados de novo.

- Então... Sobre o que você e o Beyond estavam falando? Não, primeiro: POR QUE vocês estavam conversando? – Fui direto ao ponto. Já estava curioso sobre isso mesmo.

- Ah, na hora do tumulto ele acabou esbarrando em mim e eu quase caí. – Nossa, o Near é muito fraquinho. Foi a segunda vez que esbarraram nele e ele quase caiu só hoje. – Então ele pediu desculpas e...

- PERAÍ! O Beyond pedindo desculpas? Isso não parece muito normal...

- Você quer mesmo saber ou vai ficar me interrompendo? – Nossa, que ovelha irritadinha.

- Certo, desculpe.

- Continuando. E ele perguntou se estava tudo bem. Eu disse que sim e aproveitei para perguntar se ele era mesmo irmão do Mr. Ryuuzaki, e como já suspeitávamos, ele é sim. – Ah, isso explica muita coisa. Já sabíamos que eles eram parentes, mas acho que devia ser bem óbvio também que deviam ser irmãos. – Na hora que você apareceu eu tinha perguntado como era ser irmão do melhor professor da escola. Parece que ele não gosta muito disso. Ser irmão de um professor.

- Sei... – Eu ia perguntar se ele não tinha ficado com medo dele, mas bem nessa hora a professora chegou e mandou todo mundo se sentar.

Virei pra frente e TENTEI não morrer nessa aula. Não sei o que é pior, a voz irritante da professora, ou o Mello jogando bolinhas de papel e pedaços de borracha em mim a aula inteira. Mas como o bom aluno que eu tento ser, fiz questão de ignorar ele.

Quando finalmente terminou todas as aulas do dia, saí da sala quase pulando de alegria. Até me lembrar de que tinha que trabalhar. Andei com Near até nossos armários, que eram vizinhos, pra poder guardar os livros ali. Afinal já que eu não ia direto pra casa, ficar passeando com eles não ia ser legal. Enquanto ele também guardava tudo, vi Mello e Beyond um pouco distante da gente, conversando. Me pergunto como pessoas como eles se tornaram amigos. Vai ver se conheceram na cadeia ou algo assim. HEHE. Ok, to viajando.

Eles se despediram e Mello foi em direção à saída da escola, enquanto Beyond foi pelo caminho que leva à sala dos professores. Near terminou de guardar as coisas dele e me chamou pra irmos embora.

- Então, boa sorte no seu primeiro dia de trabalho, Matt. – Ele disse quando chegamos do lado de fora da escola. – Tenha cuidado.

- Certo, obrigado. Até amanha. Depois te conto como foi. – Falei desanimado.

- Tchau. – Ele se virou e foi embora. Ah, como eu queria poder ir pra casa também. Moro um quarteirão antes da casa do Near, por isso sempre íamos embora juntos. Mas a partir de agora eu teria que ir pelo caminho contrário. Oh, maldito bar! Malditos pais! Maldito cachorro que fez cocô na frente da minha casa! Sim, ainda não esqueci de você, cachorro.

O Near que apesar de tudo é bem mais esperto que eu, vem e volta todo dia a pé. Aquela era uma ovelha guerreira. Continuei caminhando pelo mesmo caminho do outro dia, daí me deparei com uma figura loira saindo de dentro de uma loja, devorando uma barra de chocolates. Era o Mello.

Cara, além de me perseguir na escola, ainda fica me seguindo na rua? Pelo amor de Cristo! Eu continuei o meu caminho cegamente e por uma razão muito estranha, ele ia sempre na mesma direção que eu. Coincidência? Ou ele ia para o bar? Ou eu estou errando o caminho do bar? Não, acho que to indo direito. Quando ele entrou no beco, aí sim a porra ficou séria, tive a certeza! Ele ia pro bar aquele delinquente!

De tanto olhar pro retardado do Ken, tropecei no hidrante e caí de cara no chão. Apesar de não sentir metade do meu rosto e minha perna estar terrivelmente dolorida bati a poeira, e acho que ainda com cara de dor, terminei meu percurso até o bar do Aiber. Eu abri a porta e me deparei logo com Aiber e Wedy sentados ao balcão, junto de uns bêbados enquanto Mello estava lá de avental e limpando uns copos com um pano.

- Oh, Mello, ele chegou! – Aiber disse se levantando animadamente, vindo em minha direção, ele deu um tapinha nas minhas costas enquanto sorria amplamente. – Matt, esse é o Mello, ele será o seu instrutor.

O que restou ali foi apenas silencio, eu o encarava estático e ele estava tão paralisado quanto eu. Mantenha a calma, Matt, será mesmo essa a informação que você recebeu? MELLO SUZY MEU COLEGA?! SÉRIO?! Sua expressão se tornou pouco amigável e aposto que eu também não estava com a cara mais simpática do mundo.

- VOCÊ! – Dissemos em uníssimo.

- Oh, então já conhecem!? Melhor ainda! – O francês sorriu mais amplamente, se é que era possível. – Assim poderei ir ver minha família sem me sentir culpado. – Ele pegou a mala que estava de trás do balcão.

- Pera aí, Aiber! Você vai viajar e me deixar aqui com esse otário? – A loira de merda disse. Ei, peraí... OTÁRIO?!

- Ei! Otário é você! – Disse quase cuspindo.

- Oui, eu ia deixar de viajar para França para poder ver meu filhinho com medo de abandonar vocês sem se conhecerem e o Matt iniciando. Seria desumano da minha parte. – Ele fez um tom dramático, como se ele fosse um fodastico justiceiro. – Mas vocês se conhecem, então Wedy cuidará do resto. Até segunda!

Ele saiu rapidamente enquanto acenava, aquele cara sumiu mais rápido que político depois de eleição. Wedy pegou um cigarro e o acendeu, tirou uma tragada e sorriu com malicia, a bandida ia ser nossa chefa honorária. Ela me jogou o avental.

- Pode ir começando, ruivinho. Ele é todo seu Mello. – Ela saiu ao dizer aquelas palavras que mais pareciam um pesadelo aos meus ouvidos. EU SER TODO DO MELLO!?

Eu coloquei o avental de forma apreensiva e fui pra de trás do balcão também, não pude negar que eu sentia uma união muito louca de medo do Mello me fazer algum mal, e raiva da cilada em que eu havia me metido. Hoje não era o meu dia, definitivamente!

- Cuidado, ruivinho. – Ele sussurrou ao meu ouvido enquanto me entregava um pano. – Esse balcão pode ficar pequeno de mais pra nós dois.

Eu fui logo enxugar alguns copos que estavam na pia enquanto ele foi atender um cara que havia pedido uma dose. Tinha tantos copos que eu me perguntava se em tão pouco tempo haviam conseguido sujar tanto. Aposto que aquele merda andou molhando algum mesmo limpo só pra eu enxugar. Ok, devo admitir que talvez eu esteja sendo paranoico.

Depois de fazer meu trabalho, o ditador loiro me mandou empilhar tudo em uma bandeja. Empilhar copos de vidro em uma bandeja? Sério? Ele riu da minha cara, o vagaundo estava se aproveitando de mim, isso sim. Eu estava em pura concentração tentando fazer meu castelo de copos, quando a doida da Wedy surgiu atrás de mim e deu um a apalpada no meu traseiro.

- AHHH! – Gritei com o susto, e os copos? Avinha?

- PORRA, MATT VOCÊ DERRUBOU TUDO!! — Mello gritou comigo como se fosse minha culpa.

- Isso será descontado do seu salário. – Wedy Vadia ria enquanto soltou fumaça na minha cara.

- Que merda! – Eu resmunguei.

Mello me entregou uma vassoura, eu tive que varrer o vidro do chão com muito cuidado, aparei tudo com a pá colocando em um saco e jogando no lixo. Apenas um caco havia ficado ali esquecido, me agachei para pegá-lo com a mão mesmo, afinal era só um caco de vidro, que desastre ele poderia causar?

A Barbie, sem ver que eu estava li abaixado, tropeçou em mim e caiu, enquanto eu tive meu dedo cortado. LINDO! Além de ficar me insultando na escola, ainda vai esfolar meu dedo no trabalho? Sério, Barbie de merda?

- SEU IDIOTA, POR QUE NÃO OLHA POR ONDE ANDA?

- E QUE DIABOS ESTAVA FAZENDO AQUI EM BAIXO?

- TIRANDO UM CACO DE VIDRO DO CHÃO. – Mostrei o dedo, que agora tinha um vidro fincado na carne. – Obrigado por isso, aliás.

- PUTA QUE PARIU! COMO TU TENTA PEGAR UM CACO DE VIDRO COM A MÃO?! POR QUE NÃO USA UMA VASSOURA?!

- POR QUE ERA SÓ UM. — Depois do grito eu suspirei, tenho que admitir que sou desastre, fiz cara de dor, aquilo realmente estava doendo. Continuamos ali abaixados, um frente ao outro.

Mello olhou por cima do balcão, estávamos sem clientes no momento, então para minha surpresa, segurou minha mão e com os olhos azuis fixos no vidro, pegou-o lentamente e de maneira cuidadosa. Ele colocou uma mexa do cabelo loiro atrás da orelha, com um olhar analítico sobre meu machucado. Eu não conseguia para de olhá-lo, o filho da mãe era mesmo bonito.

Puxou o vidro de uma vez.

- AAAHHHH! SEU MALUCO! – Gritei.

Eu sabia! Tava bom de mais pra ser verdade, principalmente quando se trata daquele desgraçado! Pensar que eu tava achando ele bonito! Que coisa mais gay! Ele é um bruto, isso sim!

- Deixa de ser mole. – Ele disse. – Vamos colocar um pouco de álcool nisso.

- ALCOOL?!

- Sim, idiota, ou você quer que infeccione?

- Não...

- Ótimo. — Levantou e pegou uma garrafa de vodka, logo se ajoelhou novamente. Depois de tudo eu já estava sentado no chão. — Me dê esse dedo aqui. – Tirou a tampa, umedeceu um pano, e fez menção de colocar sobre onde sangrava.

- Não, não, não, por favor. — Disse de forma chorosa.

- Relaxa, só assim vai doer menos. – Ele colocou o pano sobre o ferimento, limpando-o devagar. Eu mordi meu lábio. COMO AQUILO ARDIA! Hoje não era mesmo meu dia.

- Para, Mello, tá doendo.

- É normal doer, depois você se acostuma. – Acostuma? Sério? Que ridículo! Ele usou mais força a fim de deixar o álcool aprofundar-se melhor a ferida.

- Ai! – Gemi pelo incômodo. Mas o corte tava mesmo feio. — Vai mais devagar.

- Tá aí uma coisa que não se ouve todo dia. – Uma voz veio de atrás do balcão, nos levantamos rapidamente na mesma hora.

Com uma expressão de paisagem, nos olhando com seus olhos castanhos avermelhados devorares de alma, estava li nada mais, nada menos que BEYOND BIRTHDAY.

Notas finais
O que acharam? Merece reviews? :3