Wammy's High
5 Beyond Birthday
Notas iniciais
A tão esperada narração do B.
Desculpem pelo atraso, e tiver algum erro.
ENJOY! :3
– Me dê esse dedo aqui.– Foi o que ouvi assim que entrei no bar. Mas o que é isso? Olhei ao redor vendo que o local parecia vazio. Era a voz do Mello, mas onde ele tá?
– Não, não, não, por favor. – Ouvi uma segunda voz suplicar chorosamente.
– Relaxa, só assim vai doer menos. – Espera, isso é o que eu to pensando?
– Para, Mello, tá doendo.- Continuei congelado na entrada do bar ouvindo.
– É normal doer, depois você se acostuma.
– Ai! — A segunda voz gemeu. Caramba, eu já sabia que o Mello era um pevertido sem vergonha, mas fazer uma coisa dessas no meio do trabalho dele. Esse cara não tem jeito mesmo. — Vai mais devagar. – Pera, eu conheço essa voz...
Andei lentamente até perto do balcão, de onde vinham os sons e me deparei com a cena mais estranha do meu dia. E não, eles não estavam fazendo coisas indecentes como eu imaginava, o estranho foi encontrar o ruivo amigo do garoto albino num lugar como aquele.
– Tá aí uma coisa que não se ouve todo dia. – Provoquei um pouco, mantendo uma expressão neutra. Eles olharam pra mim assustados com minha aparição repentina. Mas pode ter sido simplesmente por ser apenas eu. As pessoas por algum motivo parecem ter essa reação quando me veem.
- Não enche Beyond. – Mello bufou com seu nem-tão-bom-humor de sempre. Se levantou e chutou o ruivo que continuava sentado no chão me encarando como se tivesse visto um fantasma. – Levanta daí e vai limpar aquelas mesas que logo vai chegar clientes.
- T-tá certo. – O ruivo disse indo limpar a mesa mais distante de onde eu estava.
- Ei Mello, esse não é um daqueles garotos da sua sala que você odeia? – Perguntei me voltando para o Mello, que estava organizando umas garrafas na estante.
- Sim, pra você ver a sorte que eu tenho. Já não bastava aturar ele e o Near na escola, agora tenho que conviver com ele aqui também. – Near era o garoto albino em quem eu esbarrei hoje de manhã. Não sei por que o Mello odeia tanto ele, pareceu ser uma pessoa legal. – Vagabundo, não passa de uma bitchzinha.
O sujo falando do mal lavado. Mello era meu grande amigo, compartilhávamos o fato de metermo-nos em encrenca, tanto que nos conhecemos na cadeia. Frequento esse bar desde que ele começou a trabalhar aqui. Ainda não estripei ninguém aqui desde que isso aconteceu, isso é uma grande evolução pessoal da minha parte. Retirei um pote de geleia do bolso da calça, e comecei a comê-la com usando os dedos médio e indicador como colheres, enquanto Mello resmungava.
- Maldito Aiber, tinha que viajar justo hoje. – Bufou.
- Ele foi pra onde?
- França, visitar a família.
- Por que ele não abriu um bar lá?
- Por que é um idiota. – Disse quase cuspindo.
- E adivinha quem está no comando? – Senti uma mão alisando minha coxa e um sopro de fumaça de cigarro na minha cara. Era a Wedy. – Euzinha!
- Meus sentimentos. – Falei pra Mello e o novato que pareceu estremecer enquanto limpava as mesas, o pobre acabou escorregando, não me pergunte como, mas Mello riu descaradamente.
- Além de bitchzinha do Near, é retardado? – O loiro falou, em desdém.
- Desgraçado. – O ruivo estava tão vermelho quanto seu cabelo.
Um barulho de motor de moto veio do lado de fora, não demorou muito para um homem chegar, abrindo a porta de supetão. Ele era mal encarado, gigantesco, cheio de tatuagens, e usava uma jaqueta de motoqueiro. Havia algumas cicatrizes no rosto e usava óculos escuros. Andou em passos longos, e sentou-se espaçosamente na cadeira ao meu lado, pedindo rum puro. Mello anotou o pedido do cara.
- Matt, venha atender o freguês, Mello limpará o quarto dos fundos – Wedy estava uma verdadeira ditadora hoje, com certeza Mello queria matá-la, pelo que vi o fogo saindo de seus olhos naquele momento. Que bom que ele não tinha visão de calor. Isso me lembra aos velhos tempos.
O ruivinho veio rapidamente, e pegou a nota do pedido do cara, que tirou o óculos revelando os olhos verdes cheios de ódio, Mello pegou o esfregão e saiu quase chutando as coisas, com certeza só não o fez por que teria que arrumar tudo de novo. Wedy levantou-se, e saiu em direção à porta.
- Aqui, senhor. – Matt, era esse o nome dele, né? Colocou o rum do homem, que tocou tudo em um gole só.
- Por que isso sempre acontece comigo? – O cara começou revoltado. – Ela sempre promete que vai deixar aquele marido dela, mas isso nunca acontece! Eu sempre serei o outro cara! Nunca poderei apresentar aquela mulher para minha mãe!
Matt estava chocado, com os olhos arregalados enquanto limpava o balcão com um pano. Não vou mentir que hoje estava sendo um dia de surpresas para mim já que pra começar teve uma briga na escola e eu não estava envolvido, não teve não nenhum serviço pra mim no meu trabalho, por isso vim pra cá mais cedo, e Mello estava trabalhando justo com um dos caras que ele odeia.
Aquele sim era um dia divertido, saindo da minha rotina de arrancar tripas, comer geleia em casa, e comer geleia na escola. Um cara que à primeira vista, me fez pensar ser dos meus estava ali emocionalmente abalado bebendo no balcão de um bar. Legal. Continuei comendo minha preciosa enquanto ele continuava com seu discurso penoso, enquanto Matt o servia mais.
- Ela é tão bonita... Ah, a mulher mais linda do mundo. Por isso deixei meu namorado por ela. – Ele fungou. Puta merda, essa historia tava ficando interessante. Continuei inexpressivo mesmo assim. – Nunca mais na minha vida encontrarei uma mulher como ela! Ela era uma stripper, maldita hora que me deixei envolver! E é sempre a mesma coisa, ela diz que vai deixar o marido e Martew vem como um cachorrinho. Isso tem que acabar.
- Aham... – Foi tudo que o ruivo conseguiu dizer enquanto fitava o balcão completamente constrangido.
- Eu sei que há outros caras fora ao marido dela e eu, afinal é uma stripper, o marido dela não sabe de nada, pensa que ela parou quando eles casaram, e certo que quem a vê pensa que ela é uma mulher de família. Ahhh! – Ele suspirou. – Seu cabelo ruivo, sua pele com sarda, parece mais uma boneca. Mas tenho que parar! Ela não me ama! Sou só mais um!
- Aham. – Matt continuou, e eu apenas olhava o cara tirando meu terceiro pote de geleia do bolso. Que divertido.
- É isso! Vou procurar alguém que só ame a mim, que eu possa apresentar para minha mãe! – Ele deixou uns trocados em cima da mesa, mal percebi que ele havia tomado uma garrafa de rum inteira. – Rapaz, você tem futuro como psicólogo! – Ele apontou para Matt.
- Aham... — O coitado ficou com cara de tacho. Não vou negar que eu também fiquei.
O tal homem se levantou rapidamente, ele estava tão seguro de suas pernas que não teria percebido que ele bebeu se ele não tivesse contado sua vida inteira pra desconhecidos. Assim que ele passou pela porta, e pudemos ouvir novamente o barulho estridente do motor, Mello começou a gargalhar enquanto estava encostado na porta do quartinho devorando uma barra de chocolate. Se não fosse isso nem saberia que ele estava ali.
— Bem vindo à vida de barman, Matt. – Ele continuou. – Mas parece que você é um exemplo de azar já que em seu primeiro dia passou por uma situação dessas. HAHAHA
- Isso já aconteceu com você, Mello? – Perguntou cético.
- Não, não. – Voltou a rir.
Mello estava se divertindo ao encontrar um cara mais azarado que ele, com certeza. O bar continuou meio que vazio até umas oito horas da noite quando chegaram mais pessoas, mas não chegou a lotar, já que afinal os dias que mais rendem são mesmo os de finais de semana. Wedy finalmente resurgiu das cinzas de cigarro.
- Bom, rapazes, eu quero fechar o bar mais cedo, por que estou com preguiça, mas vocês farão uma ultima entrega. Podem usar o meu carro. – Disse a loira fazendo pouco caso.
- E os clientes? E como você vai pra casa? – O amigo do albino perguntou.
- Dou um jeito. – Ela piscou. – E quanto aos clientes, eles podem parar a bebedeira mais cedo por um dia.
- Ok, onde é o lugar? – Mello perguntou dando de ombros.
Ela entregou o papel risonhamente, o loiro ficou um tanto estático ao ler, ele levantou a vista para a mulher novamente.
- SÉRIO, WEDY? – Até aquele momento ele ainda não tinha gritado hoje, estava está estranhando.
- O que foi? – O pobre Matt arregalou os olhos. Pela reação do Mello, com certeza eu já sabia de onde se tratava, assim, continuei com minha expressão neutra.
- ESSE BAIRRO É BARRA PESADA!
- O QUE? – O ruivo pegou o papel das mãos dele. – Onde é esse lugar?
- Um lugar onde tem muita boca de fumo, tráfico de drogas e prostituição. Já esperava que você não soubesse, filhinho da mamãe.
- Vai pro inferno, Barbie!
- Ei vocês dois! – Disse Wedy. – Calem e boca, e vão logo fazer a entrega, eu cuido dos últimos clientes. – Entregou as chaves do carro a Mello. – O pacote está nos fundos.
- Ok. B vai com a gente? – Mello fitou-me.
Acenei positivamente com a cabeça, o ruivo arregalou os olhos como se eu tivesse dito que iria matá-lo. Não demorou muito para irmos para os fundos pegar os pacotes, que para minha surpresa não eram bebidas alcoólicas, o que me pareceu muito estranho, apesar de não demonstrar nada. Parece que não fui o único a notar.
- REFRIGERANTES? – Mello pareceu incrédulo. – QUEM CARALHOS PEDIU ISSO?! UM CAFETÃO MISSIONÁRIO?!
- Aqui diz “Teru Mikami”, que estranho... Não é o nome do cara do grêmio da escola? – Matt se pronunciou.
- É sim, esse cara estuda na minha sala. Um verdadeiro mala. – Disse eu.
- Ótimo, passamos de cafetão missionário, para putinha do Yagami. – De onde o Mello tirava tal criatividade para apelidos?
- O que ele estaria fazendo em um lugar como aquele? – O ruivinho começou. — Ele parece tão...
- SONGO MONGO? – Mello gritou. – Também acho.
- Vamos descobrir. — Proferi. Nós três começamos a pegar os pacotes.
Logo tudo estava quase pronto, só faltava fechar o porta-malas do carro. Mello o chutava e chutava enquanto eu tirava outro pote de geleia do bolso e comecei a comer. Matt tentou ajudar, mas acabou recebendo um chute no meio da cara e caindo no chão. Depois se levantar o pobre ruivo teve a ideia dele e o loiro sentarem-se ao mesmo tempo em cima do porta-malas, tanto é que tentaram e deu certo.
Agora sim estávamos prontos pra partir. Eu no banco da frente, Mello no do motorista, e Matt no bando de trás. O carro de Wedy tinha mesmo o toque pessoal dela, um camaro preto com pintura intacta e reluzente, bancos de couro de onça, com certeza sintético, maquiagem no porta luvas, dados roxos pendurados no retrovisor e tudo fedia a cigarro.
Mello deu partida e atropelou uma lata de lixo, saiu em alta velocidade. Eu já estava acostumado, e nem ligava para nada enquanto comia minha geleia mesmo, já Matt de branco ficou transparente, pude ouvir alguns múrmuros que pareciam orações, as curvas que o loiro fazia eram típicas de quando fazia rachas. Ah bons tempos aqueles, já chegamos a passar por cima de uma velhinha.
Chegamos rapidamente ao nosso destino, já que geralmente demoraria quarenta minutos para chegar, e o fizemos em vinte. Pobre Wedy receberia muitas multas de trânsito por atravessar sinais fechados, que não foram obra dela. Saí do carro, havia acabado todas as minhas geleias de bolso. Espero que L tenha comprado mais.
Enquanto ele diminuía a velocidade por estarmos chegando ao endereço, olhei pela janela, e havia algo errado, muito errado, pela cara de espanto do Mello, ele também tinha percebido, tinha muitas pessoas “normais” caminhando por ali. Quando viramos para olhar Matt nos deparamos com ele justamente com o cigarro no bico. Eu realmente não esperava que ele fumasse, mas como o dia estava cheio de surpresas, não me impressionava nada.
- VOCÊ FUMA? – Mello perguntou incrédulo.
- Só quando estou estressado, e adivinha? Tô estressado. – Disse tirando uma tragada.
- Parece que o filhinho da mamãe não é tão filhinho da mamãe assim. – Mello deu de ombros.
Chegamos em frente a um grande galpão, estava totalmente lotado, tinha muitas pessoas da escola, inclusive. Mello olhou o papel, olhou pros nomes em neon, olhou o papel novamente, e depois olhou para mim, com uma cara de puro espanto. Mais pareciam as pessoas quando olhavam para mim.
- QUE PORRA É ESSA? – Mello gritou.
- Hã? – Matt estava incrédulo.
- Ah... Fez todo sentido agora! – Ri apontando para os nomes em neon dizendo: YAGAMI RAITO FANCLUB
Notas finais
Galera, o ultimo capítulo não teve tantos reviews, e ficamos muito tristinhas em relação a isso. Não custa nada comentar, né? :3
Até o próximo!
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