Notas iniciais
OOOI GENTE! AINDA ESTAMOS VIVAS! Alguém viu a recomendação linda da Lu Dragneel ????? *------* Vomitamos arco-íris, sério. Dedicamos esse capítulo em especial a você ♥ Muito obrigada, mesmo. ENJOY!

Quando eu pensava que minha sexta-feira muito louca não poderia ficar pior, lá estava a maluca da Wedy drogada pelos analgésicos cantando Let It Go, no bar. O motivo de ela estar lá, mesmo com o pé podre, foi por que não tinha quem ficasse com ela em casa. O namorado teve que fazer uma viagem e Aiber não queria comprometer ainda mais o seu negócio.

O bom é que tinha muita gente pra cuidar dela ali. Aiber, eu, Mello e BB. Até mesmo o Near estava lá naquela tarde. Dava gosto ver o Gasparzinho lá todo feliz comendo seus biscoitos, disfarçado meio aos bêbados.

Eu estava passando uma pomada pra olho roxo no meu olho que estava roxo. Calma! Não me envolvi em nenhuma briga, embora tenha sido a desculpa que dei aos meus pais ontem de manhã quando me viram com esse olho esbrugado. Menti dizendo que tinha sido abordado e me recusei a dar meu PSP. Que mentira horrível, meu Deus, como meus pais caíram numa dessas conhecendo o filho covarde que têm? Certo que envolvendo meu PSP, o Bruce Banner poderia muito bem virar o incrível Hulk. Mas Matt, o que aconteceu com seu olho? Simples: Mello.

Ele me bateu? Ah, antes fosse. Meu olho ficou roxo por causa de um belo chupão. EXATAMENTE! DEUS DE MISERICÓRDIA! QUEM DIABOS DARIA UM CHUPÃO EM UM OLHO?! Só o Mello pra fazer essa proeza mesmo.

Minha relação com ele andava meio confusa. Horas ele me chutava, puxava minha cueca, me xingava. Era puro ódio! Mas o mesmo loiro que me pisava, ficava me arrastando pros escuros, me agarrando quando tinha chance, e por dois dias seguidos ele deitou comigo em minha cama, alegando seu colchão inflável ser desconfortável. Foi até legal dormir abraçado com ele, apesar da babinha no meu peito.

Quando acordei de manhã, já começando minha sexta com chave-de-ouro, me deparei com a Polly calçando os coturnos e com jaqueta de avestruz morto a postos, no ponto de sair para o colégio. Eu estreitei meus olhos e olhei o relógio ao lado da cabeceira, ainda estava cedo e aquilo com certeza era uma obra satânica, já que geralmente era eu quem o acordava.

– Caiu da cama? — Perguntei fitando-o com cara de taxo. – Aonde você vai assim tão cedo?

– Vou resolver um assunto de família, antes da escola. Minha avó quer me ver. Não sei do que se trata, mas prometo que depois te falo os detalhes quando eu chegar na aula.

– Certo. – Falei, mesmo relutante a gostar da ideia, levantando preocupado, ficando frente a ele. – Você vai ficar bem?

– Sim. – Ele sorriu torto e pegou um chocolate de seu bolso. – Relaxe, Dave Jones.

Mello se aproximou e me deu um beijo suave, foi um simples selinho, mas foi o suficiente para fazer eu me sentir melhor. Acenei com a cabeça desejando-o boa sorte antes de ele pular pela janela. Fui me arrumar pensativo: o que será que a avó dele queria? A família dele não facilitava as coisas, logo eu não esperava boa coisa.

Fui pra cozinha, visando tomar um simpático café da manhã com meus pais, como nos comerciais de margarina. Até que me deparei com minha mãe podando um dos bonsais ridículos dela e meu pai servindo café com muitos cubos de açúcar para uma terceira pessoa que estava usando a farda da escola sem o colete grotesco e gravata frouxa.

– BEYOND? – Arregalei meus olhos, incrédulo.

– Bom dia, Matt. – O suposto assassino serial sorriu.

– Isso é jeito de tratar a visita, Mail? –Meu pai repreendeu-me.

– Ahm, oi B, o que está fazendo na minha casa? – Perguntei ao me sentar.

– Seu amigo veio aqui pedir a permissão para você ir num passeio esse final de semana, filho. – Minha mãe falou, animada, sacodindo a tesourinha de forma eufórica.

– O que? – Olhei-os sem entender nada.

– Deixe-me explicar, primeiro. Eu pretendia falar com você ainda ontem, mas não tive oportunidade. — Beyond começou, sorrindo ferino. – O plano era ir para a casa do lago com meu pai e meu irmão, mas meu pai terá uma viagem de trabalho e meu irmão também terá um compromisso esse final de semana. – O maluco das olheiras devoradoras de mundos tomou todo o café da xícara num gole só, antes de continuar. — Então eu pedi para levar meus amigos e meu pai achou uma ótima ideia. Os pais do Nate já aceitaram, ontem quando falei com eles. –– Ele fitou meus pais, com um olhar pidão. — Por isso vim aqui pedir pessoalmente ao Mr. e Mrs. Jeevas para deixarem o Matt ir também. Watari, meu pai, ficaria muito feliz se os senhores concordassem.

Fiquei com a boca aberta. Viagem? Já era sexta-feira e ele vem falar disso assim de véspera. Mr. Wammy pai do B? Oi, sociedade? Como assim? Continuei descrente, enquanto meu pai servia suco de laranja para um Beyond que estranhamente colocou um monte de calda no copo junto do suco. Foi a melhor da semana depois do chupão no meu olho.

– Bom, quem mais irá?

– Apenas nós três. – Beyond mentiu. Com certeza iríamos levar um Mello a tiracolo. – Não tenho muitos amigos. – Ele falou, simulando um pesar, olhando para o chão e depois para meu pai. Filho da mãe de lábia boa!

– Bom... Se Watari acha uma ideia boa e os River deixaram o Nate ir, não vejo problema, certo, Florence? – Meu pai sorriu amplamente.

– Esse menino nunca sai de casa, nem sabia que ele outros amigos que não o Near, estou tão feliz! – Minha mãe me olhou de um jeito que eu mais parecia aqueles gamers gordos vagabundos e fracassados. Tirando o gordo e vagabundo era mesmo verídico. – Só falta agora arrumar uma namorada.

Cuspi o suco pelo nariz, para a diversão de Beyond Birthday.

– Não força a barra, mãe. – Acabei falando depois de limpar minha cara com um guardanapo.

– Que ótimo. Muito obrigado, Mr. e Mrs. Jeevas, eu fico muito feliz. – Meus pais sorriram como retardados pra ele. Que raiva. — Tão feliz que faço questão de acompanhar Matt em sua caminhada matinal até o colégio, certo? – Ele me olhou, sorrindo de forma assustadora.

Parece que minha ida de ônibus estava jogada às traças. Esse BB era mesmo um estragador de rotinas. Ele e Mello eram mesmo melhores amigos em acabar com minha vida. Meus pais me chutariam se eu desse não como resposta, e com certeza ele também, então apenas confirmei. Pobre de mim, com um olho chupado, ainda tendo que lidar com ameaça tripla. Lindo, não?

Depois de terminar o café ao lado do candyman, nos despedimos dos meus pais. Só eles mesmos pra deixarem-me viajar com um branquelo de olheiras, apenas por que os pais do meu melhor amigo ovelhudo também deixaram. Bando de loucos.

BB parou em frente à minha janela, depois de meus pais fecharem a porta, perguntou pela Rapunzel, que não desceria por suas tranças dessa vez. Expliquei a situação de hoje de manhã para ele, que me olhou pensativo com a mão no queixo.

– Ele se dá bem com a avó? – Eu perguntei realmente curioso, muito mesmo, dando até minhas calças pra saber mais detalhes.

– Por incrível que pareça, sim. É a única familiar que ele não odeia. – Falou enquanto começávamos a caminhar.

– Não sei se esse passeio é uma ideia. – Acabei falando. – Temo pelo humor do Mello.

– Eu entendo sua preocupação. Tendo em vista a crise familiar que atualmente ele está inserido, se ocorrer da avó ficar ao lado dele, ele se sentirá invencível e enfrentará os pais, isso se a senhora mesmo não o fizer por ele. Mas se o oposto acontecer...

– Ele ficará esmagado. – Continuei.

– Você não é tão tolo. — Ele sorriu francamente. – Caso o pior aconteça eu vou ficar ao lado dele. Near fará o mesmo. E sei que você também. Afogaremos as mágoas dele na casa do lago, ou comemoraremos o melhor, também na casa do lago.

Nossa! Beyond Birthday para presidente! Ele era um psicopata maluco, mas era um psicopata maluco bom amigo. Acenei positivamente com a cabeça e seguimos em silêncio, caminhando enquanto ele retirava um pote de geleia do bolso e começava a devorar. O estômago dele era um poço sem fundo ou algo assim? Comer tanto como ele fez lá em casa, ainda sair comendo geleia pelo caminho. Pra bancar esse leviatã, só alguém podre de rico mesmo. A propósito...

– Você é filho do Mr. Wammy? – Perguntei, até por que eu ainda estava digerindo essa história, assim como o buraco negro dele estava fazendo com o suco cheio de calda.

– Adotivo, mas sim. – Ele riu. – Estranho você não saber, todo mundo sabe.

Mas como minha mãe sempre diz: eu não sou todo mundo. Fiquei me sentindo uma mula depois dessa. Logo após esse estrondoso diálogo cheio de emoção e fortes revelações, o silêncio voltou. Caminhávamos lado a lado com minha indignação por ser sempre o ultimo a saber de tudo. Maldita hora que parei de sentar perto das meninas fofoqueiras na hora do lanche!

Quando chegamos numa esquina qualquer, avistamos um vulto branco caminhando calmamente, que quando sentiu nossa presença, olhou para traz, e acenou ao ver que éramos nós.

– Bom dia. – N nos desejou, olhando em volta alguns instantes. – Onde está o Mello?

– Bom dia. – BB e eu respondemos juntos, mas foi ele quem acrescentou. – Bem, ele foi resolver um assunto de família com a avó.

– Ele ficará bem? – O anão albino perguntou.

– Não sei. Mas vamos ver no que isso vai dar. – B deu de ombros. — E a propósito, os pais dele deixaram-no ir. – O maníaco das geleias pontou pra mim, com cara de psicopata. – Bem como você previu. Amanhã se tudo for como planejo, vocês me encontram em minha casa às 8h. Sairemos cedo.

Ambos acenemos positivamente com a cabeça, seguimos até o colégio, agora os três, falando uma besteira ou duas durante a caminhada, a verdade é que eu me tornei uma parede caminhando ao lado dos dois, não conseguia parar de pensar no loiro imbecil. Embora as palavras do matador de aluguel tenham me tranquilizado um pouco, eu não queria que Mello ficasse triste. O coitado já passou por tanta coisa nessa vida.

Quando finalmente chegamos às dependências da escola, nos separamos de B, visando ir pra nossa sala. Quando entrei na classe e despenquei sobre minha carteira, dando um longo suspiro, o sinal tocou.

– Você está preocupado com Mello, não é? – Near começou, em voz baixa, empilhando borrachas, atrás de mim.

– Um pouco. A família dele é meio bugada, você sabe. Por quê?

– Nada. Confirmando teorias, apenas. – Foi o que ele disse antes do professor entrar na sala desejando bom dia.

– Como foi o café da manhã com Beyond? – O fantasminha camarada perguntou em um sussurro.

–– Ele colocou calda no suco de laranja, Nate. É cada coisa que me acontece! Foi a melhor da semana depois do lance do meu olho.

Ele apenas riu, talvez pintando a cena. Near era meu melhor amigo e eu não poderia deixar de dividir certas coisas com ele, mesmo com a possibilidade de Mello me matar, contei sobre nosso beijo, os que vieram posteriormente e o negócio do olho também.

Ele não me aconselhava em nada, não expressava uma opinião, e quando falei o que aconteceu era como se ele já esperasse. Talvez ele, que estava de fora, enxergasse coisas que eu e o loiro não conseguíamos. O ponto é que só em falar com alguém já me ajudava e N era um bom ouvinte.

– Estou com medo. – Acabei confessando a ele, em um sussurro, que não chamou a atenção do professor que já explicava, na lousa. – Não quero que Mello fique triste.

– Ele ficará bem. Espere pra ver.

O tempo passou e nada de Mello. Eu suspirei pesadamente, imaginando mil coisas sobre o que poderiam ter acontecido para gerar seu atraso. Pouco prestei atenção à aula. Depois pediria as anotações da ovelha para estudar melhor em casa. O sinal finalmente tocou. E nada de Mello.

Cumpríamos nosso ritual de esperar todos saírem da classe visando evitar o atropelamento do meu melhor amigo quando Beyond apareceu em nossa porta.

– Recebi uma mensagem do Mello pedindo pra segurar vocês na sala. – BB falou tirando um pote de geleia de morango e sentando em uma das cadeiras da frente. — Ele está chegando.

Fizemos o mesmo, esperando-o sentados. Near foi comer sua maçã e eu estava sem fome.

– Oi. – A voz ofegante veio da porta da sala. – Desculpem pelo atraso, foi muita coisa pra pouco tempo.

– Então...? – Perguntei, enquanto ele sentava conosco.

– Bom, vou resumir tudo. – Ele gesticulou, tirando uma barra de chocolate do bolso, em seguida. – A minha avó foi militar. E lésbica.

– O QUE? – Eu arregalei os olhos, enquanto N e B se entreolharam surpresos, mas divertidos.

– Foi exatamente essa a reação do meu pai, dos meus tios, da minha mãe, das minhas tias, dos meus primos, a minha, do cachorro que passeava na calçada, e do papagaio.

– Nossa... – B finalmente falou. – Ninguém da família sabia?

– Não, quem ia imaginar que aquela doce senhora que eu chamo de avó paterna chutava traseiros com rifles e colava velcro? Foi de mais pra todo mundo! – Ele riu. – E eu me diverti demais.

– Mas ela casou e teve filhos... – Foi a minha vez de falar.

– Ele conheceu essa garota no serviço, se apaixonou por ela, aí elas tiveram um romance de guerra. Foi aí que a menina morreu em combate, vovó largou essa vida, foi ser florista, e casou com melhor amigo de infância dela, meu avô.

– Que bela história. – N falou. – Sinto muito pela namorada da sua avó.

Mello revirou os olhos.

– Bom, de qualquer forma, o ponto em questão da reunião de família foi eu. Nunca vi vovó tão irada. – Ele falou, animado. — Em resumo ela mandou meus pais pararem de viadagem, principalmente a minha mãe, que ela disse na cara dela que sabia que ela não era mulher pro filho. Esculhambou todo mundo. E me chamou pra morar com ela.

– Isso é bom. – Beyond falou.

– Sim. – O loiro virou pra mim. – Vou pegar minhas coisas ainda hoje, depois do trabalho.

Eu apenas acenei positivamente com a cabeça.

– Então virá para a casa do lago, amanhã, conosco.

– Casa do lago? Você não ia com sua familia?

– Furaram, então vamos nós quatro. Qualquer coisa vou pessoalmente pedir pra sua avó, como fiz que os dois. – O louco das olheiras gigantes riu.

– Você foi na casa deles pedir? HAHA – Mello riu.

– Não brinque muito. – Foi N quem falou. – Você é o próximo.

O sinal tocou. E a aula que seguiu depois disso foi tranquila.

Acordei dos meus devaneios com Mello gritando na minha cara, perguntando se eu tinha ficado surdo. Parecia que eu ia levar um soco.

– Aiber nos mandou fazer uma entrega. – Falou, mostrando o papel com o endereço que eu reconheci imediatamente.

– Ah! De novo não! – Não acredito! Era desgraça de mais pra um homem só.

– De novo sim! – Disse Mello rindo e tirando o avental. – Se prepare, vamos sair logo, logo.

Isso mesmo. Mais trabalho pra minha vida. Parece que vamos fazer uma nova visita ao fanclube do Yagami. E novamente, entregar refrigerantes. Era um deja vu que mais parecia um deja fu( já me fudi com um isso uma vez).

– Nós vamos fazer uma entrega pro fanclube sem noção do Yagami, vocês querem ir? – Mello perguntou, se dirigindo para Beyond e Near, que estavam no balcão cochichando.

– Claro, não perderia isso por nada. – Beyond riu, provavelmente se aproveitando da situação para zuar mais ainda o Raito. Near só deu de ombros e se levantou da cadeira.

– EU TAMBÉM VOU! – Gritou a histérica da Wedy. A maluca não tinha condição nem de segurar um copo sem quebrar (sim, ela já quebrou 7 desde que chegamos aqui) quanto mais de fazer uma entrega.

– Preciso de alguém pra ficar no caixa. – Disse Aiber, finalmente. – Preciso que Wedy fique.

– Não sei, Aiber. – B se intrometeu. – Ela não parece bem pra lidar com dinheiro.

Quando olhamos em sua direção novamente, a maluca estava servindo uma bebida num copo invertido, sujando o balcão. Droga! Ia sobrar pra mim. Aiber nos fitou, a contra gosto.

– Levem ela, eu me viro por aqui. – Disse dando as chaves do carro da Wedy, que ele havia confiscado por precaução. Ela estava péssima, imagina isso ao volante.

A cena era mais ou menos a seguinte: Mello e eu arrastando a Wedy um de cada lado, B levando os pacotes, e N caminhando ao nosso lado. Os dois últimos, super animados. Deviam estar felizes, afinal, estavam indo a passeio e não precisariam ser babá de uma maluca drogada por remédios.

Depois de o B colocar as encomendas no porta malas do carro, já que aparentemente só ele era capaz de lidar com aquela coisa, nos esprememos lá dentro e pra minha completa alegria não era o Mello que ia dirigir dessa vez.

Embora também dirigisse rápido, Beyond era mais cuidadoso. Só tive que me preocupar com a Wedy, que tinha ficado no banco de trás entre mim e Near. Ela não deu sossego um só minuto. Ficava agarrando o Near, dizendo que ele era uma boneca muito bonita, e tentando passar a mão no Beyond. Uma hora ela entrou numa briga com o Mello pela barra de chocolate dele, e maduro como ele é, pulou em cima da gente no banco de trás para pegar a barra de volta.

Nunca fiquei tão feliz ao ver um letreiro neon, quando avistei o prédio que estava cheio. B estacionou, e Mello virou para nós, sério.

– O plano é o seguinte. – Começou. – Esse fanclube é furada. Então vamos apenas fazer as entregas e ir embora. B e eu pegaremos os refrigerantes e deixamos lá, e você olha a Wedy e o Near. – Falou, apontando pra mim. — Ótimo, acho que tenho escrito na minha testa “Super Nanny”. – E ai de você se perder eles.

Era só o que faltava, ainda agüentar o Mello me fazendo ameaças. Ele, o poço de responsabilidade. Segurei a maluca pelo pulso, e mantive um Near indiferente do outro lado do banco. Ele com certeza não ia fugir, eu só teria que ter cuidado com a loira do pé podre.

Os dois saíram do carro, visando seguir com o plano, e entraram no prédio. Do nada aparece um cara na minha janela, batendo no vidro. Eu gelei, quando vi, parecia ser uma pessoa normal, fora ao fato de estar fazendo uma mímica imitando um isqueiro e mostrando um cigarro.

Abaixei o vidro, e em silencio entreguei meu isqueiro pra ele, que agradeceu, ascendendo seu cigarro.

– Deus lhe pague. – Sorriu o maluco aleatório, me entregando o acendedor de volta, que peguei com a mão que segundos antes segurava a demente. Ele saiu, e eu fiquei com cara de tacho, até que um dedo me cutucou, chamando atenção.

– Ela se foi. – Olhei na direção da voz de N, que estava sozinho comigo no carro.

DROGA DROGA DROGA! Mello vai arrancar meu couro e fazer de casaco. Como ela simplesmente evapora do carro? Um segundo que entreguei o isqueiro por homem? COMO ASSIM? É como minha mãe diz, coisas horríveis acontecem em um segundo.

Saí do carro, desesperado, com Near do meu lado, eu estava segurando sua mão, que com certeza eu não iria soltar. Se eu perdesse esse também, eu estava perdido. Imagina o perigo, a pobre ovelha sendo pisoteado na multidão. PUTA QUE PARIU PERDI A WEDY NUMA MULTIDÃO!

Já não era normal, ainda mais drogada. Misericórdia! Eu sou muito cagado mesmo. Eu fui Hitler, vou me entregar em oferenda pra rainha do mar, por que não está sendo fácil. E por que tinha tanta gente ali? Esse povo não tem o que fazer?

Avistei Beyond e Mello encostados numa coluna, o primeiro comendo geléia e se divertindo olhando em volta, o segundo com os braços cruzados, com cara de ódio. Era o meu fim. Corri para eles, ainda puxando a ovelha.

– Perdi a Wedy! – Gritei, olhando pra eles, apreensivo.

– E cadê o Near? – Beyond perguntou.

– E QUEM É ESSA VADIA? – Mello gritou com os olhos arregalados e uma sobrancelha tremendo.

Foi aí que me toquei. Olhei pro lado, quem eu estava puxando era uma garota de cabelos castanhos claros, olhando e sorrindo na minha direção.

– Droga. – Foi a única coisa que consegui falar.

–Oi, meu nome é Linda, do nada você simplesmente me puxou e eu achei que você queria me levar pra algum lugar. – Ela olhou pra mim.

– O ÚNICO LUGAR PRA ONDE VOCÊ VAI É PRA CASA DO CARALHO! – O loiro histérico esbravejou com a coitada da menina, que recuou.

– Foi um acidente. – Expliquei pra todos – Pensei estar puxando meu amigo. Acabei perdendo o Near também. – Coloquei as mãos na cabeça. – Linda, certo? – Virei pra ela. — Sinto muito, foi um engano.

– Tudo bem. – Ela apenas acenou e saiu.

– Eu vou procurar o Nate. – Disse Beyond. – O pagamento vai demorar mesmo, e eu não tenho hora pra chegar em casa.

Dizendo isso, o maluco das olheiras gigantes saiu, me deixando sozinho com o Mello enlouquecido. Acho que tinha uma veia pulsando na testa dele.

– O QUE DIABOS FOI AQUILO? COMO ASSIM VOCÊ PERDE O NEAR E A WEDY? E AINDA ME VEM AQUI AGARRADO COM ESSA SUJEITA?

– Foi acidente! Você é surdo ou o que? Vamos procurar a Wedy. Não vai ser difícil achar ela, já que com certeza ela vai estar fazendo alguma maluquice.

– AQUI SÓ TEM GENTE DOIDA, ELA VAI SER SÓ MAIS UMA NO HOSPÍCIO!

E eu com certeza estava falando com o pior de todos. Me virei e comecei a andar pelo local a procura da Wedy, sem respondê-lo. Mello me seguiu, apenas, com cara de abuso. Entramos no salão onde tinham pessoas com camisetas rosa, cheias de glitter, com fotos do Yagami sorrindo como um galã de dorama estampadas. Era assustador. Havia comida por toda parte, e nossos refrigerantes já estavam sendo servidos. Misa veio até nós.

– Logo irei pagá-los. A venda das camisetas está bombando! E logo Teru chegará também.

Mello ignorou-a. E eu apenas acenei com a cabeça, vendo-a sair irritada pelo loiro tê-la ignorado, com certeza. Ele passaria a noite toda irritado se eu não fizesse alguma coisa. Eu nem sabia que ele se importava tanto com o Near e a Wedy.

– Por que isso tudo? – Perguntei, enquanto subíamos as escadas, passando por algumas pessoas.

– Tudo isso? – Ele me olhou incrédulo. – Quem você pensa que é pra simplesmente aparecer de mãos dadas com aquela piranha na minha frente?

– Eu pensei que era o Near!

Ele riu alto em desdém e saiu pisando duro. Eu o segui. Ótimo, agora um Mello ciumento. Olhei no andar enquanto andávamos pelo corredor, e notei uma plaquinha numa porta. Sorri, já sabendo o que fazer.

Segurei ele pelo pulso, sem sequer me importar com as pessoas que estavam lá, não estavam olhando mesmo, pareciam distraídas de mais com seus assuntos e eu seguiria o exemplo. Puxei-o, fechando a porta do local e trancando. Era um dos banheiros do lugar, e eu poderia aproveitar pra aquietar o fogo desse rabo loiro. Simplesmente joguei-o contra a parede e o beijei, segurando sua nuca com força, puxando fios do seu cabelo.

Ele pareceu surpreso, mas apenas retribuiu, mordendo meu lábio inferior com força. Puxou meu cabelo, dessa vez sendo ele a me jogar na parede e morder meu pescoço, arrancando um suspiro. As mãos não paravam quietas, percorriam minhas costas e iam até minha bunda, onde apertava. Que depravado.

Pressionou o corpo contra o meu, me abraçando possessivamente. Deu um chupão no meu pescoço que com certeza deixaria marcas. Ótimo, mais uma pra coleção. Mas dessa vez não me incomodava nem um pouco. Mello aproximou seus lábios do meu ouvido.

– Se eu te ver com outra pessoa, eu te mato. – Dizendo isso, mordeu minha orelha. Aquilo me deu um arrepio e uma vontade de dar um soco no nariz dele.

Mas minha raiva se foi quando ele começou a acariciar por baixo da camisa, tocando as costas e barriga, arranhando a pele. Não consegui conter um suspiro abafado por uma mordida no lábio.

Foi quando minha alegria disse adeus: alguém bateu na porta. Uma voz feminina gritava estridente para a porta ser aberta, pois queria usar o banheiro e estávamos ali há muito tempo. Mello simplesmente lançou sua pior cara de bosta para a porta.

– Que porra, satanás, vadia maldita, tomara que pegue um câncer na... – Ele parou por que eu tapei sua boca.

– Saindo. – Acabei falando o suficiente para a pessoa de o outro lado ouvir.

Mello revirou os olhos e fez um bico quando eu tirei a mão da boca dele. Tivemos de nos recompor para finalmente abrirmos a porta, e ficamos um ao lado do outro, sendo encarados pelos olhos das pessoas. A garota aleatória e a amiga nos olharam, depois olharam uma pra outra com rosto de quem diz “Oh meu Deus!”. Para piorar mais ainda a situação, Matsuda estava com elas. E ficou com os olhos arregalados.

– Matt e Mello? O que estavam fazendo aí? – Perguntou. Depois acenou negativamente com a cabeça. – Não preciso e nem mereço saber.

Foi tenso, olhei para Mello, que estava prestes a dar na cara de todo mundo. Nem na hora, fomos salvos pelos buracos negros das olheiras do B que chegou onde estávamos.

– Ah! Aí estão vocês! – Riu, puxando Near consigo. – Achei o Nate.

– O que está acontecendo? – O anãozinho perguntou.

– Nada. – Cortei, pegando Mello pelo braço.

Praticamente corri até as escadas levando o loiro, meu melhor amigo ovelhudo e o maníaco da tesoura. Eu com certeza ia fazer a Misa pegar o maldito dinheiro, pegar a Wedy, e ir embora. Aquela maluca iria me pegar! Ah, ela ia, nem que fosse em salgadinho.

Ao chegar no salão, vi um aglomerado de pessoas olhando para cima, tinha uma pessoa se pendurando no lustre cantando wrecking ball.

– Wedy, saia daí! – Eu gritei, quase me descabelando. Agora mais essa!

– Matt, é você? – Ela riu e simplesmente se jogou no lustre em direção ao chão.

Com tempo de vivência você vai aprendendo que nunca se é tarde de mais para se desbloquear uma skill nova. Se tudo der errado, vou pegar emprego de para quedas. Com a queda da maluca, fiz uma acrobacia muito louca que com certeza irá me causar dores na coluna, por que a vida é bela. Mas peguei a maluca, que caiu praticamente inconsciente.

As pessoas vieram com um “oh!” perguntando se ela estava bem, se estava morta, e etc. Quem dera essa bosta tivesse morrido. Deu a louca e simplesmente foi possuída por um demônio e se jogou pra cima de Beyond, de quem começou a chupar os cabelos como um bode.

Aconteceu tudo muito rápido. O coitado do maníaco apenas segurou ela, um pouco confuso, mas depois ficou divertido, apoiou ela no ombro, e se encarregou de carregá-la.

Do nada, pessoas começaram a gritar. Era o apocalipse zumbi e eu estava ali com Mello, Near, Beyond e uma Wedy desmaiada. Ótimo, íamos todos morrer. Menos o B, que ia se sentir em casa andando com os errantes.

Uma pessoa emerge da multidão pisando duro. Tinha roupas de mauricinho e cara de um. Era ninguém nada mais nada menos que Yagami Raito, que parou frente a nós.

– O que está fazendo aqui? – B provocou.

– Vim parar essa palhaçada da Misa. – O J-pop idol falou sério.

– Já pensou em parar as guerras nos oriente médio? Parece mais fácil. — Ryuuzaki sorriu em desdém.

–Vai ter que parar.

– Se vai lidar com o demônio, Yagami. – Dessa vez foi Mello quem falou. – Não esqueça o tridente.

O japonês revirou os olhos. Misa apareceu dos mortos ao lado de Teru, os olhos dos dois brilharam quando viram o Jesus asiático.

– Raito-kun! – Misa falou, animada. – Você finalmente pôde vir!

– PAGUE O QUE DEVE! – Mello se intrometeu mostrando a nota para os dois líderes do fanclube ridículo, aos gritos, fazendo Beyond rir e eu e Near olharmos um pro outro, incrédulos.

Teru, sem jeito, acabou olhando duramente pra Misa como quem diz “De novo, vadia?” pegou o papel da mão de Mello olhando o valor da compra e pegou dinheiro de sua carteira, entregando pro loiro. Misa ficou com cara de tacho em todo o processo.

Yagami, que tinha se tornado uma parede diante da Barbie Cobradora, finalmente se pronunciou novamente, mandando Misa e os outros pararem com aquela palhaçada. Mello sentou numa cadeira, e eu o olhei sem entender. Ele riu tirando uma barra de chocolate do bolso.

– Não perco esse show por nada.

B sentou, jogando Wedy na cadeira do lado, e Near fez o mesmo. Quem diria, bando de fofoqueiros amantes do caos e da discórdia. Mas eu não podia falar deles, acabei sentando também pra ver até onde essa palhaçada ia.

– Misa, você enlouqueceu? Como você pôde usar minha imagem dessa forma? Sem minha permissão? Tem fotos minhas nesses pôsteres e nessas camisetas, fotos que eu sequer lembro de ter tirado. Isso é errado.

– Raito-kun, eu fiz esse fanclube por você! Para que as pessoas possam demonstrar sua admiração por você!

– Não estou aqui pra agradar ninguém. Nunca estive. Você sabe. Apenas pare, Misa. Não é uma forma muito esperta de chamar atenção.

– Chamar atenção?

– Eu termino com você e você simplesmente faz um fanclube pra mim? Tem algo um pouco errado aí. Supere, Misa. E me deixe em paz.

– COMO VOCÊ OUSA? – A loira começou a gritar. – DEPOIS DE TUDO O QUE EU FIZ POR VOCÊ?!

– E eu pedi? – Yagami riu, em escárnio.

Mello riu bastante, comendo seu chocolate. A coitada ficou sem reação, com lágrimas nos olhos. Não gostava dela, mas fiquei com pena. Só eu, pelo visto. E Matsuda, claro, que estava parado numa coluna com as sobrancelhas unidas, em tensão.

O celular de Misa apitou. E ela olhou para a tela. Sua expressão de incredulidade e tristeza tomou lugar à de horror. Depois ela olhou para Raito com um sorriso imponente e soltou a seguinte frase:

– Você vai se arrepender, Yagami Raito.

Notas finais
E AI???? AINDA MERECEMOS COMENTÁRIOS NÉ??? Avisem se gostaram!! Gente, estamos com vergonha até. Tanto tempo sem postar... mas viver uma semi vida é difícil. Muita gente aqui no nyah deve saber como é não ter tempo para as coisas que gosta T_T Mas vocês sabem que não vamos desistir! Amamos essa fanfic u.u Muito obrigada por não desistirem também ♥ Bjo pessoas!!!