Notas iniciais
Weee! Capítulo lindo! POV do Matt! E de presentinho um extra! hahahahahaha *----*
Boa leitura e leiam as notas finais. :3
ENJOY!

Eu estava bem, na verdade. Tão bem quanto alguém que acabara de ser preso com um Mello desmaiado e um Beyond bêbado poderia estar. A cela fedia a sujeira e mofo, estava cheia de lixo espalhado pelo chão. Mello estava desacordado na cama de baixo do beliche e B estava deitado na de cima murmurando alguma coisa haver com geleia e chantilly branco enquanto dormia.

Como eu entrei nessa roubada? Deve estar se perguntando. Simples: sou um lascado. Deveria existir um adjetivo chamado Mail no dicionário, sinônimo de lascado, aí quando uma pessoa estava lascada ela podia simplesmente dizer “Cara, eu to muito mail hoje.” Não seria lindo? Maravilhoso! Perfeito!

Primeiro o pó de mico na minha roupa, que o vagabundo do Mello me fez o favor de colocar. Fiquei todo fodido, minha pele está vermelha até agora, me obriguei a vestir a roupa ridícula da farda da escola pra trabalhar no bar imundo do Aiber, e ainda por cima tive que aguentar duas loiras me secando enquanto eu jogava minhas roupas pra me livrar da coceira.

Maldito Mello! E mais ainda a maldita Wedy que ficou fazendo gracinhas pro meu lado. Na verdade, ela é a culpada por estarmos aqui! A culpa é toda dela e daquela maldita coisa que ela chama de mala de maquiagem. Ela simplesmente deixou ali à nossa mercê, dizendo ser um tesouro, eu pensei que era dinheiro, ou até mesmo um PS3, mas não! Era só maquiagem, coisas de manicure e... Calcinhas.

Claro, foi engraçado ver o Mello com a calcinha da Wedy na cabeça no momento em que a mala explodira. Sim, explodimos a mala! Aliás, Beyond Birthday quem a explodiu. Justo no momento em que estava começando a sentir menos medo dele, pensando que ele era apenas um intelectual revestido com uma carcaça de bad boy. Se o preço a ser pago pra ser superdotado é a maluquice, prefiro continuar burro.

E aquelas coisas que ele ficava tirando do nada? Será que aquelas olheiras são buracos negros que têm universos alternativos que saem coisas de lá? Será que Mr. Ryuuzaki tem também? Só pode ser! Bom, no fim de tudo, os bêbados, além das pobres pessoas que passavam perto do beco, pensaram que nossa explosão foi um ato terrorista, e pra piorar a situação o B soltou uma bombinha, que pareceu mesmo ser o barulho de uma arma de fogo.

Daí todo mundo se rebelou, começou uma confusão e pânico. Essa confusão e pânico entrou no bar, Aiber ameaçou nossos empregos, e assim, eu e Mello tivemos que agir pra parar aquela baderna. Eu não queria mesmo aquele emprego, na verdade, o plano era entrar e logo sair dele, com certeza, mas... Apesar de ser um bar xexelento, era um trabalho digno na visão dos meus pais. Pela primeira vez na minha vida, eles se orgulhavam de mim.

E no fundo, apesar das ameaças do Mello, as brincadeiras de mau gosto, as pegadinhas, e essas coisas, podem me chamar de masoquista maluco, mas eu até me divertia ali com ele, a Wedy e o doido do Aiber. Até o B, eu tinha que admitir que era um cara legal, apesar de assustador. Bom, pena que o Mello me odeia, não que eu me importe, claro.

O ponto é que eu tive que lutar por meu emprego. Era algo ruim, mas era o que eu fazia. Sou um barman, a sina de um barman é nunca sair de seu balcão, ou coisas horríveis acontecem. No fim, eu descobri que era verdade da pior forma, eu e Mello tínhamos feito aquilo, claro que fomos atiçados pela loira doida, mas mesmo assim, tínhamos que arcar com as consequências de nossos atos.

Partimos pro abraço, e no final, entramos na porradaria com os homens, B e seu taco de baseball. Minutos depois a polícia chegou ao lado de uma Wedy furiosa ao ver seu tesouro tosco espatifado e pisoteado na calçada do bar, em um beco escuro. Um bêbado acertou Mello na cabeça com uma cadeira, o loiro desmaiou, e confesso que foi um dos maiores medos que já tive na minha vida.

Corri até ele, e quando vi que ele estava respirando apesar do belo galo sangrento que ganhou, suspirei aliviado. Ele ia ficar uma fera, mas ao menos ia ficar bem, eu acho. Os tiras pararam a loucura, e perguntaram quem eram os responsáveis por aquilo. Os dedos foram apontados para mim, Mello e Beyond. Fomos detidos.

A inconsciência de Mello não foi desculpa para que ele não fosse levado, parece que ele e B eram velhos conhecidos daqueles homens. E a fama deles não era das melhores, já que os caras diziam sempre “de novo esses dois?”, “mais um moleque como esses dois” e “Mello e Beyond não têm jeito” enquanto nos levavam para o carro. Wedy e Aiber nem sequer tentaram impedir nada.

No percurso do carro para a delegacia, B acabou dormindo, e constrangedoramente babou no meu cabelo. Já estava muito cheiroso, fedendo a enxofre, e eu achando que aquilo foi a cereja do bolo de desgraças, estava redondamente enganado. Quando chegamos na delegacia, cada um tinha o direito de uma ligação, mas B estava bêbado, Mello desmaiado, e eu tinha amor à vida de mais para querer ligar pra casa pra avisar que estava na cadeia.

Agora eu estava ali encostado naquela parede úmida, enquanto os dois idiotas tratavam de ficar resmungando enquanto dormiam. Daria tudo pela minha caminha quente. Era uma droga ter apenas dois lugares numa cela com três pessoas, não que as camas fossem boas, apenas descansar as pernas por um momento seria muito auspicioso na minha triste opinião.

- QUE BOSTA! – A princesa acordava mostrando sua delicadeza. – O que diabos aconteceu? – Ele estava sentado na cama, e tocou na cabeça e fazendo careta de dor.

- Te acertaram com uma cadeira, fomos presos e estamos aqui.

Ele xingou a tudo e a todos, enquanto cambaleava ao se levantar da cama imunda. Ele cheirou as próprias axilas e fez cara feia, foi bem constrangedor, eu poderia ter ido dormir sem ver essa.

- Maldição! Estou fedendo pra caralho! – Bufou pra mim. — E você, filhinho da mamãe, por que não ligou pros seus pais?

- Achei melhor poupá-los da notícia da minha prisão. – Falei rapidamente. – Então, suponho que quem fará a ligação será o B.

- Sim, já fizemos isso várias vezes, já meio que virou um hábito. L nos levará pra casa, acho que vamos ter de faltar à aula amanhã.

- Mas é época de trabalho! Não podemos ficar faltando assim.

- É, vai ser uma bosta... Não posso arriscar perder pro Near de novo esse bimestre. – Ele resmungou. Por que a implicância com o N sempre? – Poderíamos faltar nas primeiras aulas e entrar atrasados, pedir ao B para pegar uma autorização com o irmão dele.

- Sim. – Respondi seco.

- O que foi, retardado? – Ele fez careta pra mim.

- Estou cansado, só isso. – Suspirei. – Quero deitar.

- Você não vai querer tirar o Beyond dali, acredite. E também, não vou lhe dar a minha cama.

- Eu to de pé desde que fomos detidos!

- Bem vindo ao mundo dos meninos maus, Mail Jeevas. – Ele sorriu sarcástico. – Melhor se acostumar, se quer continuar dividindo aquele balcão comigo.

- Quem disse que eu gosto de dividir o balcão com você, Lady Gaga?

- Do que você me chamou? – O olho dele tremeu.

- Lady Gaga. – Sorri. – Vai procurar teu Alejandro, vai!

- Seu desgraçado! – E partiu pra cima de mim.

Ele me deu um soco, me derrubando no chão, ele montou em mim, e acabamos rolando pelo piso horroroso. Outras pessoas em outras celas começaram a provocar, divertidos. Os carcereiros fizeram pouco caso, talvez já acostumados com Mello e sua mania por barraco. Eu dei um chute na perna dele, a que foi machucada pela mala, enquanto ele puxava meu cabelo.

Nunca pensei que ele puxaria justamente o meu cabelo, ele tem cara de quem bate com chutes e murros, eu já tinha levado uns socos dele, podia dizer isso. O que diabos foi aquilo? Meu devaneio foi interrompido por outro soco, realmente tive a conclusão de que ele deve ter mesmo algo contra meu cabelo, para tê-lo puxado. De repente senti a parede contra as minhas costas.

Estávamos agora, eu e Mello, encostados na divisória, com mãos brancas prendendo-nos pelo pescoço. Ele não estava usando força, já que eu poderia respirar, no entanto conseguia nos imobilizar bem. Os olhos de Beyond, que eram castanho avermelhados, pareciam vermelhos de verdade contra a luz. Ele estava sério, e nos fitando como se estivesse avaliando que víscera nos tiraria primeiro.

- O que pensam que estão fazendo? – A voz dele era rouca e gélida. – Não veem que estou tentando dormir?

Não respondemos, nossa batalhinha por território acabou nos fazendo esquecer que havia um Beyond Bêbado dormindo no beliche de cima. Ele nos jogou sobre a cama de baixo, fazendo-nos sentar lado a lado. Seus olhos assassinos estavam bem fixos em nossa direção.

— Os dois... Dormirão aí. Quietinhos. Sem dar um piu. Fui bem claro?

Acenamos positivamente com a cabeça como duas lagartixas doidas e ele subiu novamente, em silêncio. Mello apenas deitou, ficando com o espaço próximo da parede, e rosto virado em direção a ela. Eu deitei ao lado dele, mesmo relutante, antes dividir uma cama com o Mello do que um caixão. O galo da cabeça dele ficou me encarado enquanto eu apenas olhava pro teto.

Beyond não dava um sinal de vida lá em cima, com certeza já havia voltado para o seu sonho com chantilly de novo. Quanto a Mello, ele nem estava fedendo tanto quanto eu esperava, coitado. Bom, ele meio que tinha só um leve cece, e eu nem podia falar de ninguém, já que meu cabelo fedia a baba de Beyond. Pelo menos o cabelo dele tava cheiroso, acho que ele usa aquele shampoos infantis da Barbie, como eu suspeitava.

- Por que você decidiu começar a trabalhar no bar? – Ele cortou o silêncio em um sussurro baixo, sem me encarar.

- Por que quer saber isso?

- Não é um emprego muito convencional para um estudante de ensino médio.

- Pois é... – Respirei fundo. — Meus pais achavam que eu era um irresponsável e já estava na hora deu arrumar um emprego e ajudar nas despesas. Na verdade... Eu meio que tinha um plano de ser impedido de ir trabalhar por eles, por que, você sabe, se tratava de um bar. Mas como você pode ver, não deu muito certo.

- Se fosse com meus pais teria dado bem certo... – Disse hesitante. – Querem que eu saia do bar e fique apenas estudando.

- Por que não faz isso? Quer dizer, seria o melhor pros seus estudos. Talvez você ganhe o primeiro lugar.

Agora que eu tinha parado pra pensar, ele tinha notas incríveis, bem melhores que as minhas, só não ultrapassava as do Near. Mas acho que ele só não superava pelo tempo que gastava no trabalho e também por que é o Near! Aquele moleque é uma ovelhinha do capiroto. Eu estava até com pena do coitado. Era a primeira vez que eu o via como uma pessoa não desagradável, era a primeira vez que eu estava conseguindo ver o lado dele.

- Não posso... Tenho muitas metas. Quero uma moto, além de juntar dinheiro pra morar sozinho... Eu... Eu não quero ter que aguentar os meus pais por mais tempo. A única forma de fazer isso é trabalhando. – Ele continuou, dessa vez virou para mim, encostando as costas na parede. – Eles... – Vacilou em suas palavras, como se suspeitasse de mim e da minha confiança.

Claro, não seria muito esperto sair falando da sua vida pra um cara a quem tinha importunado e jogado pó de mico na cueca. Mas ok, o ponto é que eu não ia descontar. O gasparzinho tinha razão, aquilo ia ter que parar, e quem teria de fazer aquilo era eu, já que eu havia começado. Suspirei, olhando-o nos olhos. Ainda não tinha reparado como os olhos dele eram tão azuis.

- O que eles fizeram pra te magoar? – Fitei-o. Ele se tornou melancólico, seu rosto se nublou, lhe dando um ar mais sombrio.

- Isso não é da sua conta. – Disse seco.

- Relaxa, não vou fazer nada contra você. Sou meio idiota, mas... Não faria nada sério pra machucar alguém de verdade. – Diferente de você, eu ia dizer. Mas fiquei na minha.

Ele me olhou receoso, e com aquela expressão que os gatos fazem quando quebram algo dentro de casa. Talvez estivesse se sentindo mal pelo pó de mico. Ou não, né? Vai saber o que se passa na cabeça da Lady Gaga.

- Eles têm vergonha de mim. – Respondeu.

Ok, legal que seu filho parece uma garota, mas tudo bem, isso não muda o fato que ele é homem... Pera aí... Aquilo sobre as pessoas ficarem zombando da aparência dele, será que incluía os próprios pais? Cara! Coitado! Deve ser uma droga sofrer bullying até em casa.

- Vergonha? Mas você não tem nada do que se envergonhar, tem? – Fui sincero, ele parecia uma garota, mas não tinha culpa. Se eu pudesse escolher, era moreno e não teria um nome tosco. Mail... e-Mail... Hot Mail, G Mail. Que bosta! Minha mãe tava drogada! Só pode!

- Eu sou diferente das pessoas... – Ele forçou um sorriso, ainda melancólico e inseguro. Agora que eu tinha notado, estávamos deitados de lado, frente a frente, olhando um pro outro. – Eu gosto de garotos da forma que eu deveria gostar de garotas.

...

Pera aí... MELLO É GAY?! Bom, eu já suspeitava disso pela forma como fica secando a minha bunda, passou a mão em mim, as roupas de pele de animal e as avestruzes mortas para confeccionar a jaqueta estranha dele. Fora ao fato que o Mello ficou me olhando quando tava tirando a roupa... Mas aquilo era uma surreal de mais pra mim! Aquela era a confirmação de uma teoria doidona minha. A maioria delas é meio viajada, então... Caralho!

E eu estou lindamente deitado numa cama, frente a frente com alguém que pode comer meu traseiro a qualquer momento... Não, pera, ele tem cara de quem é a menininha da história, será que ele costuma se fantasiar de Chapeuzinho Vermelho pra ser comido? QUAL É O MEU PROBLEMA?! ACORDA MATT!

- E... E o que tem de mais? – Respondi sorrindo torto meio que forçadamente.

- Pra você, que já tem o Near, nenhum, mas meus pais são velhos, não entendem isso.

- EU TENHO O NEAR???

Beyond se mexeu na cama acima de nós, eu senti um arrepio subir pela minha espinha, era agora sim que eu ia apanhar. Mas para minha alegria, e acho que do Mello também, o suposto assassino de olheiras voltou a ficar imóvel.

- Eu tenho o Near? – Abaixei meu tom de voz para o que estava antes, ou seja, quase sussurrando. – Do que está falando?

- Vocês estão juntos, certo?

- Juntos como? Tipo juntos “Ah legal, estamos andando juntos” ou juntos.

- Juntos. Como um casal... Não estão?

Prendi o riso. Eu e o Near? Que piada boa! Ah, droga... Eu tenho cara de veado? Isso é traumatizante e revoltante, como eu poderia ter cara de veado? Logo um cara másculo que nem eu? Eu sou meio magrelo, mas ser magrelo é o novo sexy. Faça-me o favor!

- Não mesmo. Eu e Near somos apenas amigos de infância. – Eu disse.

- Ah... – Mello suspirou. – Entendo.

- Pois é... Mas, e seus pais... Eles dizem coisas ruins de você... Só por isso?

- É... Eles falam que eu sou uma vergonha pra nossa família. Que eu joguei nosso nome na lama... E... – Ele mordeu o lábio inferior. Meu Deus! Que horror! Só agora eu tinha me tocado de como meus pais são bons pra mim. Eles não têm muito juízo, mas nunca me disseram coisas desse tipo.

E eu aqui pensando que ser chamado de vagabundo, o que era verdade, seria algo grosseiro e terríveis para se dizer com sua cria. Coitado, eu tinha que fazer alguma coisa por aquela pobre alma loira.

- Você é um cara incrível! Tira boas notas, é inteligente, e apesar de encrenqueiro, é legal... – Aquilo simplesmente saiu.

Eu estava até arrependido, soou meio gay, e eu estava frente a frente com um cara que gosta de homens. Mas fiquei feliz por ter dito aquelas coisas quando o olhar dele se iluminou de novo. Ele era muito bonito, principalmente quando estava com essa cara de quem acabou de ganhar chocolate, nunca tinha notado como o sorriso dele era radiante, apesar de meio maldoso. Era como o de uma criança que acabara de ganhar doces e ia comer escondido antes do jantar.

Meu Deus, qual é o problema comigo? To virando gay também? Não mesmo! Ficar aí babando por sorriso de macho! Que droga... Relaxa Matt, você é homem!

- Valeu... – Ele estava meio corado ou é impressão minha?

Apenas fiquei olhando pra ele, sem saber o que mais falar, por algum motivo eu estava com uma vontade de fumar dos infernos, talvez meu corpo estivesse sentindo finalmente o estresse daquele dia. Ele olhou pra mim com a cara feia, puxou a gola da minha camisa suja de blush, e sussurrou próximo do meu rosto, próximo até de mais pro meu gosto.

— Essa conversa não aconteceu, ok, idiota? – Se afastou um pouco.- Puta que pariu, me sinto exposto! – Ele bufou.

— Relaxa. Jamais usaria algo assim contra você. Decidi que não vou mais revidar aquela brincadeira que você fez hoje. As pegadinhas acabam por aqui, pelo menos da minha parte. Se quiser, pode continuar, mas sabe que vai apenas chutar cachorro morto.

— Ok... – Ele olhou para o canto do olho, como se refletisse sobre aquilo. – Como vou saber que não está mentindo, cabelo de fogo?

— E correr o risco de você descobrir e arrancar o que sobrou da minha pele? Não mesmo. Já sofri de mais durante essas duas semanas. Quero trégua... O que acha?

— Bom... – Ele finalmente soltou a gola da minha camisa e sorriu divertido. – Acho que seria bom. Mas... Não quero que ninguém saiba da nossa trégua.

— Por que? – Esse cara não girava bem mesmo...

— Coisa minha. – Sorriu.

– Vamos fingir brigar então?

- É. Meio que isso. – Ele riu, tocando o topo da cabeça e fazendo cara de dor em seguida.

- Ainda dói muito? – Olhei-o preocupado, tocando sua mão que estava parada sobre o hematoma.

- Um pouco, mas vai passar. Acho que se eu dormir resolve um pouco. Estou meio cansado.

Agora que ele falou, não tinha notado que também estava cansado e como meu dia tinha sido maluco e cheio. Galos e galinhas, pós de mico, explosões. E amanhã também seria um dia longo... Wedy estaria uma fera conosco, nossa prisão não seria o suficiente pra lavar a alma daquela doida. Fora à escola.

— Melhor finalmente obedecermos ao B. – Eu sorri.

Ele acenou positivamente com a cabeça, e fechou os olhos, suspirando. Eu fiquei olhando pro teto do beliche, enquanto a respiração do loiro ficava ainda mais calma, quem o via desse jeito nunca ia imaginar que essa mesma praga havia colocado pó de mico na minha roupa. Com os lábios cerrados, e olhos fechados ele adormeceu no seu lado da cama, e eu, também não demorei a desmaiar.

Sonhei que estava caindo no nada, eu tinha constantemente esses sonhos malucos. Acordei do susto, e me toquei que o tinha me feito despertar foi o barulho da porta da cela abrindo, e um B sonolento entrando. Senti uma perna envolvendo meu tronco e uma cabeça loira em cima do meu peito. Ok, isso era super hiper mega constrangedor. Mello estava me fazendo de travesseiro.

Ele também acordou, e quando se tocou a forma como estávamos ali deitados, levantou num pulo. Eu levantei rapidamente também, e fiquei encarando o tarado por geleia. B nos olhou divertido, suas olheiras estavam ainda mais acentuadas pela ressaca.

— Pedi pra que ligassem pro L. – Cruzou os braços. — Ele está vindo nos buscar.

*Extra: Beyond Birthday.

Meus olhos ardiam contra a luz, aposto que estavam vermelhos. Minha cabeça doía muito, mas nada que eu não conseguisse lidar, simplesmente levantei da cama com rapidez e desci do beliche. Foi aí que a cena mais engraçada da minha vida se mostrou pra mim: Mello dormindo agarrado com Matt. Pergunto-me se não fiz um favor os mandando dormir na mesma cama.

Eu estava formulando um plano pra dar um fim nessas loucas pegadinhas e brincadeiras de mau gosto que estavam incomodando, não só a mim, mas a Near também. Mello tinha raiva do Matt desde o inicio do ano, já que ele implicava com Near, por tirar notas melhores que ele, e o ruivo o defendia. Eu pensava que era apenas o espírito competitivo cruel de Mello falando alto e o ódio pelo Matt era mesmo ódio.

Mas algumas ideias estavam matutando na minha cabeça já fazia um tempo. Desde a primeira pegadinha e quando notei que a implicância era mútua. Isso tudo fora ao puxão de cueca estranho que Mello havia dado em Matt unida à mania de meu amigo ficar olhando para a parte traseira do outro. Quando Wedy contou sobre Mello babando com o Matt tirando a roupa... Era a confirmação que eu precisava, eu não era o único que tinha percebido.

Eu sabia que o Mello gostava de homens e algo me dizia que ele estava gostando daquele cara ou então ele não teria ficado todo errado com o comentário da loira. E agora, eles dormindo juntos assim, pareciam ter algo tão... Legal. Eu tinha que fazer alguma coisa sobre isso, já que essas briguinhas recíprocas tinham outro nome e era tensão sexual reprimida.

Definitivamente, eu iria fazer algo pra ajudá-los a enxergarem a verdade contra a qual estão tentando lutar. Tinha até um forte aliado potencial em mente, mas antes disso, teria de nos tirar dali. Fui até o portão e chamei um dos carcereiros. Precisava seguir o mesmo ritual de sempre que éramos presos: ligar pro L.

Notas finais
E aí, gostaram? É só comentar!

Falando em comentários, estamos novamente em uma novela mexicana aqui. Gente, temos 59 leitores, e uma média de 9 comentários por capítulo, isso é bem legal, e agradecemos muito pra quem comenta sempre, mas os leitores fantasmas, se pronunciem, né?

O próximo capítulo é do Near e já está pronto. Nele vamos dar mais foco na relação BB e N. Pois é, mas é a vida e não vamos postar enquanto não tivermos um aumento no número de comentários. ;3

#RecomendaçõesTambémSeriamLindas.