Wammy's High

30 Beyond Birthday


Notas iniciais
Olá, minha gente! Aqui estamos com o POV do nosso crush pirigótico preferido! *--* Foram tomadas algumas decisões narrativas que podem ser controversas para alguns mas senti que era o que precisava ser feito e de coração, espero que gostem. :B Não podia deixar de dedicar esse capítulo a LadyWizard que toda santa atualização está lá comentando, gratidão, seus feedbacks são muito preciosos! ♥ Sem mais delongas, ENJOY!

Ver o Nate tão animado estava lavando minha alma naquela semana infeliz, não tinha palavras para expressar minha gratidão ao Mello por arranjar aqueles presentes de parque pra ele. Ele brincava distraído enquanto aguardávamos na recepção do prédio do último apartamento que eu veria naquele dia ao lado da corretora de imóveis e meu irmão, que inclusive estavam bem entrosados conversando sobre os trâmites daquele imóvel.

Os meninos estavam conosco porque dali Lawliet iria para casa, mas nós vamos investigar Matsuda e Teru, algo me dizia que aqueles dois não passavam de encrenqueiros incubados e eu precisava de confirmações. A busca pelo novo apartamento não estava sendo fácil, nunca tinha notado como L e eu éramos cheios de manias, a pobre mulher já devia estar impaciente com nossa indecisão por trás de seu sorriso cortês, e pior: tínhamos urgência na nossa mudança.

Em casa, o clima era de uma festa que virou um enterro, meu pai e meu irmão estavam sem se falar, eu me sentia no fogo cruzado de uma guerra fria. Além disso, essa coisa de me passar por namorado do impecil do Yagami estava me dando nos nervos. Eu estava realmente impressionado com minha capacidade de ser falso, mas tudo tinha limite e era extremamente difícil mentir gostar de alguém que na verdade você quer estrangular.

O lado bom é que eu estava sacaneando o idiota sem nenhum pudor, inclusive, eu estava só esperando ele chegar para eu ver o resultado da minha mais nova vigarice tomando forma. Raito insistiu em vir conosco para acompanhar o interrogatório de Matsuda e Teru, na verdade só o de Teru, para ser mais exato. A minha presença e a dele podem afugentar o frouxo do Matsuda, então Matt e Near quem vão falar com ele, eu os acompanharei para observar tudo à distância.

Mello pediu para ser o acompanhante do Yagami, e por acompanhante, quero dizer carrasco, aceitei com gratidão já que eu não poderia ir até o fã clube do chato quatro olhos, afinal, ele era doido pelo meu cunhado a quem eu fingia estar namorando, com certeza me veria como uma ameaça e não falaria nada. No fim, não era bem vindo em nenhum cenário, mas vão ter que me engolir, sou um agente do caos e é isso que nós fazemos melhor.

Uma pena não ser onipresente para ver de longe Teru e Raito passando vexame como ia fazer com Matsuda, por sorte, eu sabia que podia contar com Mello para tirar esse fardo das minhas mãos. Ninguém mais indicado pra isso que melhor amigo, eu tinha plena certeza que ele ia me contar timtim por timtim os detalhes da visita ao Yagami Raito Fanclub para meninos, por sinal, que nome patético, combinava bem com o fundador, Teru não passava de um trouxa.

— Quem diria que o Near ia gostar tanto dos bichinhos de pelúcia, se eu soubesse tinha pegado mais uns três. — Mello comentou baixinho enquanto comia uma barra de chocolate jogado numa das poltronas.

Near estava distraído demais em sua brincadeira para ouvir mas não pude evitar derreter meu cérebro com meu coração aquecido, na próxima, eu mesmo conseguiria todas as pelúcias do parque pra ele, tudo o que aquele garoto me pedisse, eu daria. A verdade é que eu faria qualquer coisa pra poder ficar com ele sem restrições, eu sentia que esse propósito não estava tão distante, podia ser tolice de um jovem otimista, mas eu acreditava que era um pressentimento.

— É isso mesmo, o mundo acabando e a pobre nuvem abraçando pelúcias. — Matt riu. — O Yagami demora?

Como se o universo tivesse ouvido as palavras de Matt Jeevas, num passe de mágica Raito apareceu quase se esborrachando ao atravessar a porta giratória, eu sorri de orelha a orelha, afinal, era eu o motivo daquele colapso. Eu pedi — lê-se mandei — ele pegar alguns pacotes para mim numa lavanderia naquela rua, deixei peças únicas, especialmente para tornar sua caminhada até ali completamente humilhante.

Eram em parte roupas multicoloridas tão bregas que seriam prato cheio para um palhaço como ele, além das horripilantes fantasias atrevidas que pareciam ter saído do sex shop nas mãos de um lunático, obrigado identidade falsa! Yagami se aproximou de nós com sua ilustre cara de “você me paga, Beyond Birthday” a qual eu estava ficando completamente familiarizado, enquanto segurava os pacotes da lavanderia, corado como um tomate, morrendo de vergonha.

— Acho que podemos subir, Yoko. — Eu disse à corretora, cujos olhos amendoados e azuis graças a uma lente de contato, brilharam.

— Estou sentindo que esse apartamento é o de vocês. — A moça sorriu.

— Espero que sim. — L confirmou ajudando o namorado chato dele com as tralhas.

A compadecida, mais conhecida como Mail Jeevas, optou por também ajudar Yagami com os pacotes, apesar do olhar de desaprovação do namorado dele. Mello parecia querer jogar meu cunhado no fosso do elevador, não só ele, os olhos cinzentos de Near não o deixavam esconder o ranço, pudera, só meu pobre irmão e um grupo de estudantes de ensino médio tontos eram capazes de nutrir alguma adoração por aquele rascunho do capeta.

Chegando no nono andar, finalmente achamos o apartamento ideal depois de sete locais inapropriados. Tinha um carpete bacana, lareira agradável, aquecedor funcionando, não havia vazamentos nos banheiros, boa parte dos móveis era de qualidade, os armários não rangiam, e o mais importante: contrato de três meses. Os locais que gostávamos tinha contrato mínimo de um ano, os que permitiam sair antes eram estranhos ou localização péssima.

— Vai ser esse, Yoko. — L anunciou, após uma troca de olhares cheia de sabedoria entre nós dois. — Já pode providenciar a papelada.

— Excelente! — Ela disse com um misto de alívio e alegria.

Deixamos L e os pacotes da lavanderia para trás resolvendo as questões burocráticas da nossa mudança, agora era embalar nossos pertences e voilá. Os meninos elogiaram o apartamento, até mesmo Yagami se animou com o espaço, se prontificaram de ajudar com o empacotamento das coisas durante seu tempo livre na semana, fiquei feliz com a prestatividade, toda ajuda era bem vinda, minha batata estava assando e eu não estava em posição de negar ajuda por orgulho.

Já na calçada do prédio, partimos em sentidos opostos, Mello me deu uma piscadela como quem diz “estou indo pro inferno e levando o tridente” enquanto atravessou a rua com Raito. Matt quem havia falado com Matsuda por telefone, marcou de encontrá-lo numa praça não muito longe dali, repassamos detalhes do plano: os dois amigos e as pelúcias iam conversar amigavelmente com o interrogado da vez e eu veria de camarote atrás de um arbusto.

— Ali está o Matsuda. — Matt apontou para o paspalho sentado em um banquinho ao longe, sem nos notar. — Nossa, como ele é pontual.

— Ótimo, é daqui que oculto minha presença, boa sorte pra vocês. — Falei e dali comecei a segui-los escondido.

— Olá, Matsuda! Obrigado por aceitar falar conosco e mil perdões pelo atraso. — Matt foi logo dizendo quando se aproximou do palerma.

— Olá, pessoal, eu atendi ao chamado de vocês sem nem hesitar porque precisava mesmo conversar com alguém mas não sabia com quem… — Ele suspirou se ajeitando nas tábuas de madeira. — Sentem, por favor.

— Agradecemos muito pela cooperação. — Nate sorriu e sentaram com ele, ficaram os três e os bichinhos parecendo aquelas mesinhas de chá infantil. — Notei que algo envolvendo nossa investigação o afligia desde que coloquei meus olhos em você no bar ontem, Matsuda Touta.

— Estou mesmo aflito, mas faço o que for preciso para ajudar a Misa a sair dessa, mas antes de tudo, preciso saber… Vocês são confiáveis? O que eu falar aqui não sai daqui? Nem mesmo Mello vai saber disso, muito menos o Beyond?

— Nada sairá daqui, é uma promessa. — Nate disse com sua voz doce mas com certeza seus dedos estavam cruzados dentro dos bolsos.

— Ok… É o seguinte, eu… — Esfregou as mãos com nervosismo. — Bom, eu sou apaixonado pela Misa Misa desde o primeiro ano, desde o primeiro momento que a vi.

— Era essa a revelação bombástica? — Matt estreitou os olhos. — Isso choca um total de zero pessoas, cara.

— Poxa, estava tão óbvio assim? — Ele riu sem jeito, como um idiota, claro que estava na cara! Os dois apenas acenaram positivamente com a cabeça e Matsuda continuou. — Quando ela começou a namorar o Yagami Raito, eu fiquei devastado, foi bem quando eu ia me confessar, mesmo assim respeitei os sentimentos dela.

— Quando ele a chutou você pensou ter uma chance. — Mail supôs o mesmo que eu.

— Na verdade, não. Eu vi que ela estava de luto pelo fim daquele relacionamento e também pela morte dos pais, eu só queria que ela ficasse bem. — Olhou para baixo. — Vê-la rejeitando outras pessoas que chegaram nela por ainda amar o Yagami não ajudou muito também.

— Quer pegar o desgraçado que causou o alvoroço, inocentá-la e ganhar alguns pontos, não é? — O ruivo sorriu. — Você pode nos ajudar com qualquer informação, Matsuda, seu amor secreto super óbvio pela Misa não sai daqui.

— Eu os fiz prometer segredo pelas coisas que serão ditas aqui, não por causa dos meus sentimentos. — Encarou os dois, depois desviou o olhar com feições de desgosto.

— Mas pelo que você fez. — Nate montou as peças do quebra-cabeça. — Foi você, não foi? Para defender a honra de Amane Misa e lavar a própria alma acabando com aquele que roubou sua chance de ficar com ela, decidiu se vingar roubando o passe do Teru para a redação do jornal da escola e expondo o segredo do Raito.

— O que?! — Matt olhou incrédulo. —É isso mesmo, Matsuda?!

— É verdade. — Aquelas palavras dele foram chocantes até pra mim. — Eu fiz tudo isso.

— Puta que pariu, Matsuda! Que merda você fez! — O ruivo me representava ali. — E ainda admite assim na cara dura!

— Esse segredo está me matando, eu juro que não queria que as coisas chegassem a esse ponto, mas a forma como Raito tratou a Misa, mais as revelações que ela me fez quando ficou devastada pelo que o detetive Ling descobriu além da conversa que teve com Raito no dia seguinte… Eu… Eu fui tomado pela ira. Não fazia ideia que era o Beyond ali! — Matsuda disse, exasperado. — Misa garantiu que era o Mr. Ryuuzaki embora tenha admitido que foi engano depois da minha burrada. Com Beyond na jogada, as coisas se complicam pra mim, ele era a última pessoa a quem eu queria irritar, aquele maluco vai me trucidar. — E vou mesmo, ele que se prepare.

— Meu Deus do céu, Matsuda! Se fosse mesmo Mr. Ryuuzaki tornaria tudo muito pior, você ia acabar com a carreira do coitado do homem! — Mail bufou irritado.

— Um homem adulto que arrisca o envolvimento com um adolescente, sendo esse adolescente um aluno dele, não parece se importar com ter a carreira. — Afirmou com convicção, eu queria dar um soco tão grande na cara dele, mas o desgraçado estava certo, L fez uma bela burrada. — Não foi o caso, lógico. E eu sinto muito por ter causado esse alvoroço com o professor Ryuuzaki, ele é um bom homem, fiquei cego pela minha sede de vingança.

— Sim, Mr. Ryuuzaki é um bom homem, mas realmente não deve estar nada sendo fácil pra você… — Near falou com falso pesar. — Raito ficou como a vítima de um golpe e sua amada Misa ficou como a principal suspeita, pobrezinha... Yagami é mesmo um infeliz sortudo, essa derrota deve estar acabando com você.

— E está acabando comigo, não durmo desde o ocorrido e me seguro com todas as mnhas forças pra não dizer umas poucas e boas e dar uma surra no maldito Raito a todo momento que vejo aquela cara de sonso dele!

— Sabe, era o que você devia ter feito desde o princípio, digo, ter dado uma surra no Yagami. — Nem acreditei que aquelas palavras saíram da boca de Near e pela cara de pastel de Matt, ele também não. — Isso e se declarado pra Misa, claro, mas ainda há tempo pra redimir tanto com ela como consigo mesmo ao conseguir sua vingança suprema.

— O que quer dizer?! — Os dois idiotas perguntaram ao mesmo tempo.

— Se você se entregar à diretoria, Misa será inocentada, você ficará em detenção como forma de se redimir ao vexame que causou ao Mr. Ryuuzaki. Em paralelo a isso, você se declara para Misa e pega o Yagami na saída. — N deu de ombros como se fosse óbvio.

— O corpo de Yagami Raito é fechado, Nate River! Parece que o anjo da guarda daquele maldito é simplesmente implacável! Fora que é capaz da Misa me rejeitar se eu confessar meus sentimentos assim nesse contexto de violência e vingança. — Suspirou, infeliz. — Não posso fazer isso, se eu encostar um dedo em um fio de cabelo daquele mauricinho de merda, vou levantar a fúria do namorado psicopata dele e da escola inteira.

— Ninguém precisa saber que foi você que quebrou a cara dele. — Um sorriso macabro surgiu no rosto pequeno e pálido. — E se eu desse uma garantia do seu anonimato ao detonar Yagami mais a certeza de que Beyond não vai bater em você?

— Você tem mesmo como garantir esses termos? Não está me enganando? Porque não vejo que você tem a ganhar me ajudando assim… — Ele estreitou os olhos.

— Não sou fã do Yagami, só estou nessa investigação para ajudar o Beyond que quer muito um culpado, seria bom ter alguém como você me devendo uma. — Sorriu.

— Alguém como eu? — Matsuda não estava entendendo nada.

— É, alguém como ele? — Matt também não era muito esperto.

— Um inocente agente do caos. Quem imaginaria que logo o adorável amante de chás, Matsuda Touta, quem pisaria na cabeça da serpente? — A risadinha macabra no final foi o melhor. — Claro que essa solução é apenas uma sugestão, você pode cruzar os braços e viver se escondendo como um rato enquanto as pessoas apontam o dedo para a garota que você gosta e Raito Yagami se deleita em seus fã clubes e namorado bonitão e perigoso.

— Se me ajudar a bolar um plano para destruir o Yagami e me safar, segunda-feira mesmo eu me entrego. — Matsuda garantiu.

— Temos um trato, então. — N sorriu de orelha a orelha.

— Espere aí, que coisa doida é essa, Near? — Matt estava chocado e eu sabia que ele tomou todas as forças do corpo para formular aquela frase. — O que é tudo isso? Desde quando isso virou uma negociação de gangsters?

— Desde que eu me levantei da cama hoje. — Near encarou o amigo. — Nossa reunião vai se encerrar por aqui, vou dizer aos outros que você não sabia de nada, Matsuda, mas contate-me nesse número. — Entregou um cartão ao rapaz. — Trataremos da operação justiça contra Yagami Raito amanhã mesmo.

Notas finais
E aí, o que estão achando? Muito louco ver nosso fofo ovelhudo Nate River parecendo um personagem de Tokyo Revengers, né? Mas fazer o que se mexeram com a nuvem errada? Tá sendo divertido dar essa camada pra esse personagem, vamos ver o que nos aguarda nas cenas dos próximos capítulos. Muito obrigada, um beijo mascarado e até o próximo! ♥