Wake Me Up
57 Filho de Peixe, Peixinho é
Notas iniciais
Aaron atirou sua mochila no banco traseiro do carro e se recostou em seu assento exalando um longo suspiro. Era sexta-feira à tarde e ele estava cansado, sua última aula havia sido um porre e, agora, ele estava no estacionamento, em frente ao prédio do St. Hilda’s, esperando por Rebecca enquanto sua mente vagava por todos os problemas que tinha e não conseguia resolver.
Os últimos dias haviam sido exaustivos para ele. Joseph havia se mandado sabe-se lá Deus para onde e havia lhe dado uma folga de suas esquisitices, mas Christopher tinha ido parar no pronto-socorro duas vezes naquela semana e aquilo quase o levara à loucura. Brianna até havia tentado acalmá-lo, dizendo-lhe que, com a condição médica de Christopher, era normal e até esperado que ele sofresse com algumas fortes crises de enxaqueca, mas quando os médicos decidiram adiantar sua cirurgia e exigiram que o garoto mantivesse total repouso até lá, nem mesmo ela conseguiu manter a calma.
Ela havia lhe telefonado duas ou três vezes, no meio da noite, com a voz embargada pelo choro, dizendo-lhe que apenas queria ouvir sua voz e a única coisa que o impediu de entrar no carro e dirigir até Londres, na mesma hora, foi o fato de que ele sabia que Erick tinha voltado para casa e que ele pretendia ficar por lá até Christopher ser operado.
Aaron ansiava por poder abraçar sua mãe e seu irmão, mas sabia que seu padrasto criaria caso com aquilo e que Christopher tentaria defende-lo a todo custo e, naquele momento, ele não podia correr o risco de deixar o garoto agitado ou nervoso, para não piorar seu quadro clínico, então, apenas se esforçou para manter a calma e tentou consolar sua mãe da melhor maneira que pode, à distância.
O fato de Christopher estar doente também era o motivo pelo qual ele ainda não tinha decidido o que fazer a respeito do processo que precisava abrir contra Erick. Ele sabia que fraude de impostos era um crime grave e que Erick seria levado sob custódia para prestar esclarecimentos à justiça assim que a denúncia fosse feita e o processo chegasse às mãos do promotor, mas pensar em Christopher assistindo à prisão do pai, assim como ele havia assistido à prisão de Anthony anos antes, o deixava desesperado. Erick podia ser um crápula, mas Aaron não queria que seu irmão passasse por uma situação como a que ele havia passado na infância. Pelo menos não enquanto estivesse doente.
— Meu Deus, achei que aquela aula não terminaria nunca! – Rebecca exclamou, abrindo a porta do carro e se jogando no banco do passageiro antes de cumprimentar Aaron com um selinho. – Tudo bem com você? Parece preocupado. – Ela acrescentou ao ver a expressão pesada que tomava conta do rosto dele.
Aaron logo se esforçou para sorrir.
— Só estou cansado, amor. Essa semana foi muito longa.
— Foi mesmo. – Rebecca suspirou. Todo o estresse causado pela morte do reitor somado à intensa semana de avaliações que a universidade optou por não adiar quase a fizeram surtar algumas vezes e se perguntar se um diploma era realmente algo tão importante assim... Mas ela tinha sobrevivido! – Bem, pelo menos a semana acabou e, agora, poderemos passar o final de semana inteiro descansando no seu apartamento já que aquela pessoa desapareceu.
— Eu me pergunto onde ele está. – Aaron resmungou, dando a partida no carro e saindo do estacionamento.
Ter Joseph por perto o incomodava, mas não saber onde ele estava e o que estava tramando lhe parecia algo ainda pior.
— Espero que bem longe daqui, mas sei que ele deve voltar em breve. – Rebecca comentou, desanimada com a possibilidade. – Tenho certeza de que ele quer estar em Oxford quando a advogada te ligar.
— Aposto que quer. – Aaron concordou, mas não disse mais nada.
A verdade era que sua advogada já havia lhe telefonado no dia anterior, para lhe informar quanto às questões do processo e Aaron não se surpreendeu quando ela revelou que todos os documentos na pasta eram autênticos. Ele mesmo já havia dado uma olhada rápida em todos os papéis e, além disso, ele duvidava que Joseph faria tanta questão de participar daquilo caso os documentos fossem falsos. Ele também não se surpreendeu quando a advogada se mostrou abismada com todas as falcatruas que Erick fora capaz de armar e de manter em segredo por todo aquele tempo, afinal, para quem não conhecia seu padrasto, como ele conhecia, descobrir que Erick Hamilton – um empresário tão respeitado e bem sucedido no mundo dos negócios – era, na verdade, um canalha de marca maior devia ser mesmo um choque.
A advogada achava que, com o processo, eles seriam capazes de reaver o controle da empresa e todas as ações que o pai de Aaron perdera injustamente e, também, de manter Erick atrás das grades por um longo tempo. Aaron estava feliz por isso, havia sonhado com o dia em que Erick provaria do próprio veneno e pagaria por tudo que havia feito a sua família, mas, por causa da saúde de Christopher, apenas pediu que a advogada lhe enviasse um e-mail com todas as informações que fossem mais relevantes e que aguardasse sua resposta antes de dar inicio ao processo judicial.
Desde então, ele já tinha lido e relido aquele e-mail, incontáveis vezes, mas ainda não tinha certeza do que faria. Joseph voltaria mais cedo ou mais tarde, esperando por respostas que Aaron ainda não podia lhe dar e ele não fazia ideia de como o manteria ocupado por tempo suficiente para que Christopher fizesse sua cirurgia e se recuperasse. Por enquanto, tudo que Aaron queria era que seu irmão caçula ficasse bem, mas duvidava que Joseph teria a boa vontade de esperar e isso o deixava aflito.
Se Christopher piorasse por sua causa... Aaron jamais seria capaz de se perdoar.
— Você está tão quieto hoje. – Rebecca comentou após ambos permanecerem em silêncio por um longo tempo dentro do carro. – Tem certeza que está bem?
— Tudo bem. – Aaron fingiu outro sorriso.
Ele sabia que se desabafasse com Rebecca e lhe pedisse uma opinião a respeito ela ficaria feliz em ajudar, mas achava que já a tinha envolvido demais em tudo aquilo e não queria que Erick a visse como um possível alvo quando tomasse sua decisão de processá-lo. Aaron sabia o quanto o padrasto era um cretino vingativo e seu maior medo era que Rebecca corresse ainda mais perigo do que já corria por estar envolvida nesse acordo que ele tinha com Joseph. Portanto, quanto menos ela soubesse agora, melhor.
— O que acha de pedirmos pizza e assistirmos a um filme essa noite? – Aaron perguntou segurando uma das mãos dela por cima do banco. – Deixo você escolher o título.
Rebecca sorriu para ele e a expressão matreira que se instalou em seu rosto quase o fez mudar de ideia.
— Está pensando em um romance bem meloso, não está?
— Ah, não tenha dúvidas! – Ela deu dois tapinhas na mão dele e sorriu ainda mais largo quando viu sua cara de sofrimento. Aaron simplesmente odiava os filmes de romance clichê, mas Rebecca os amava. Eram o seu gênero favorito.
— Já estou arrependido da minha decisão.
— Ah, não seja chato! – Ela reclamou e, com um clima bem mais leve, os dois seguiram conversando e implicando um com o outro por todo o caminho.
Aquela calmaria, no entanto, durou apenas até eles chegarem ao apartamento e darem de cara com Joseph, largado no sofá da sala, assistindo a um programa qualquer na TV enquanto tomava uma cerveja.
— Ah, os pombinhos finalmente voltaram. – Ele os cumprimentou erguendo a garrafa levemente na direção dos dois. – Como foi a aula?
— Como entrou aqui? – Aaron questionou e Joseph o encarou como se a resposta fosse óbvia.
— Ora, pela porta. Você não esperava que eu chegasse até aqui voando, não é mesmo?
Aaron respirou fundo e tentou não perder a paciência. A vontade que tinha era a de atirar Joseph pela janela e realmente testar se ele sabia voar, mas precisava manter a calma.
— Eu não me lembro de ter te dado uma cópia da chave, Joseph.
— Isso é porque você realmente não me deu uma, A.J.. Péssimo anfitrião, devo dizer... Mas eu tomei a liberdade de fazer uma cópia ainda assim. – Ele respondeu, despreocupado. – Por falar nisso, o seu porteiro é homem muito gentil e prestativo. E, sabia que ele acabou de ficar noivo? Angelina parece ser uma mulher maravilhosa, aliás. É melhor você dar um ótimo presente de casamento aos dois.
— Angelina? – Aaron semicerrou os olhos sem acreditar que, em uma única tarde, Joseph pudesse ter descoberto mais coisas sobre o seu porteiro que ele próprio nos quase sete anos em que morava ali. – Como sabe essas coisas?
— Nós conversamos um pouquinho quando cheguei. – Joseph deu de ombros. – Ele até deixou escapar que seu apartamento costumava ser bastante movimentado antes. – Ele riu. – É uma pena eu ter te encontrado já nessa fase de bom moço, A.J.. Imagine quantas festas poderíamos ter feito aqui. – Seus olhos relancearam para Rebecca e, com um sorrisinho nos lábios, ele completou: – Sem ofensas, princesinha.
— Duvido muito. – Ela resmungou, irritada.
— Onde você esteve nos últimos dias? – Aaron mudou de assunto, antes que Joseph pudesse criar uma intriga em seu relacionamento pelo simples prazer que tinha em destruir a vida das pessoas a sua volta.
— Por que quer saber? Já estava com saudades, irmãozinho? – Joseph piscou para ele e aquilo foi o suficiente para fazer Aaron perder o restante da paciência que ainda tinha.
Ele atirou sua mochila no chão com força e atravessou a sala a passos largos, parando bem diante do mais velho.
— Tudo isso não passa de uma brincadeira para você, não é?! Você se diverte manipulando a vida das pessoas, acha que somos todos suas malditas peças de xadrez, mas deixa eu te dizer uma coisa...
— É melhor pensar bem no que vai dizer. – Joseph o alertou, antes que ele pudesse continuar. – Não se esqueça de que eu ainda posso ferrar com a sua vida de dez maneiras diferentes, A. J..
Aaron cerrou os punhos e Rebecca teve certeza de que ele estava prestes a sair nos socos com Joseph, então, tratou de intervir.
— Que tal você ir tomar um banho. – Sugeriu. – Podemos pedir aquela pizza e comer no quarto, o que acha?
Ele não respondeu. Simplesmente continuou com os olhos grudados em Joseph que retribuiu com a mesma intensidade, como se o desafiasse a dar o golpe.
— Aaron. – Rebecca insistiu, puxando-o pelo braço para tirá-lo daquele estupor de puro ódio.
— Tudo bem. – Ele concordou com um resmungo insatisfeito. Estava na cara que não queria se retirar, mas depois do que pareceu uma eternidade, finalmente respirou fundo e marchou para fora da sala, ainda cuspindo fogo.
— Seu namorado precisa de uma coleira mais firme. – Joseph comentou trazendo a atenção de Rebecca de volta para si.
Ela bufou irritada.
— Você realmente não tem noção do ridículo, não é?
— Não sou eu quem está usando o uniforme mais feio do mundo nesse exato momento. – Ele a olhou dos pés a cabeça, avaliando. – Acha mesmo tem alguma moral para acusar alguém de estar sendo ridículo enquanto veste uma merda dessas?
— Meu uniforme pode não ser bonito, mas pelo menos eu tenho algum caráter por baixo dele, coisa que você não tem.
— Me conte alguma novidade, Rebecca. Tudo isso eu já ouvi antes, várias e várias vezes. – Joseph se levantou e seguiu para a cozinha, para jogar fora a garrafa vazia de cerveja.
Rebecca o acompanhou pisando duro.
— Já que precisa tanto da ajuda do Aaron você podia, pelo menos, não agir como um completo imbecil, Joseph. Ele já te deixou ficar aqui, mesmo não gostando da ideia, precisa mesmo ser tão escroto?
Joseph parou no meio do caminho e se virou para ela, obrigando Rebecca a plantar os pés no chão para não bater de frente com ele.
— Diga isso de novo. – Ele pediu.
— Isso o que?
— Escroto. Diga de novo.
— Não vou repetir isso. – Rebecca cruzou os braços, decidida.
Joseph sorriu para ela.
— Que pena. Deve ser muito sexy te ver xingando com essa sua boquinha gostosa. Aliás, você também é boca suja assim na cama? – Ele ergueu o polegar e tocou os lábios dela. – Já fantasiei te foder algumas vezes, mas sempre tive essa dúvida, sabia?
Rebecca se afastou dois passos dele e tentou não tremer com a visão que Joseph acabara de implantar em cérebro.
— Estúpido! – Ela disse estapeando a mão dele para longe.
— Tente não sonhar comigo essa noite. – Joseph acrescentou quando Rebecca lhe virou as costas e seguiu para fora da cozinha. – Seria embaraçoso se você gemesse o meu nome estando na cama dele.
Rebecca apenas lhe mostrou o dedo do meio.
***
Ruffus e Cristal estavam fazendo uma algazarra no quarto quando Rebecca entrou. Os dois haviam assassinado um dos pares de tênis de Aaron e, agora, estavam disputando a palmilha que parecia ser a única coisa ainda intacta no sapato.
— Meu Deus!
— Espere até ver o que ele fizeram com o seu sutiã.
— Meu sutiã?
Aaron apontou para uma pilha de retalhos cor de rosa aos pés da cama.
— Como eles conseguiram pegar isso?!
— Você deve ter deixado cair por aí quando se trocou hoje de manhã.
Rebecca se aproximou dos cãezinhos e pegou os dois no colo da melhor forma que pode.
— Vocês são dois monstrinhos! O que eu faço com vocês?
— Talvez devêssemos comparar mais alguns brinquedos mastigáveis para eles. Pode ser que eles estejam entediados.
— Ou, talvez, nós devêssemos chamar um exorcista. – Rebecca brincou, mas Aaron não riu.
Ele parecia meio aéreo nos últimos dias, preocupado, mas sempre que Rebecca lhe perguntava se estava tudo bem, ele fingia um sorriso e respondia que sim, muito embora ela soubesse que não estava.
— Quer conversar? – Insistiu, rezando para que Aaron se abrisse com ela. Rebecca sabia que havia algo errado com Christopher, sabia que haviam mil coisas povoando os pensamentos de Aaron naquele momento, mas ele simplesmente não falava sobre isso. Ela esperava que ele desabafasse em seu próprio tempo, mas os dias iam passando e passando e ele permanecia calado, sufocando com tudo que havia dentro de si. – Sabe que pode falar sobre qualquer coisa comigo, certo? Boa ou ruim, não importa. Eu vou escutar você, Aaron.
Ele estendeu a mão para ela, convidando-a a sentar-se ao seu lado na cama e Rebecca não relutou em aceitar a oferta.
— Obrigado. – Ele passou os braços ao seu redor e a puxou para um abraço carinhoso. – Não estou com o melhor dos humores agora, mas vou melhorar. Prometo.
— O Joseph ter voltado para Oxford com certeza não ajuda nem um pouco, não é?
— Não. Isso com certeza não ajuda, mas... acha que conseguiria suportá-lo por mais alguns dias?
Rebecca segurou as mãos dele.
— Eu consigo se você conseguir, mas porque precisamos suportá-lo por mais alguns dias? A advogada não pediu apenas uma semana para te responder?
Aaron suspirou. Por um instante, pensou em contar tudo à Rebecca, mas desistiu no momento em que se lembrou do que Joseph havia feito à Screapy e de tudo que Erick já tinha feito com ele ao longo dos anos.
— Ela vai precisar de um pouco mais de tempo. – Mentiu. – Tem muita informação naquela pasta e ela precisa estudar tudo direitinho.
— Ah. – Rebecca sacudiu a cabeça, assentindo mais para si mesma que para Aaron, na verdade. – O Joseph vai ficar furioso com essa demora.
— Eu lido com ele depois. – Aaron garantiu e Rebecca depositou um selinho em seus lábios.
— Desde que tudo se resolva no fim, não me importo em conviver com o Joseph por mais alguns dias.
— Vai se resolver, sim. – Aaron afirmou e acariciou os nós dos dedos dela. – Agora, o que acha de pedir aquela pizza, hein?
— Acho uma ótima ideia! – Rebecca sorriu e se levantou para pegar o telefone.
O restante do fim de semana correu de forma monótona. Ambos fizeram o possível para evitar Joseph no apartamento e como ele não fez qualquer pergunta sobre a decisão da advogada, Aaron também não se preocupou em lhe dar uma explicação sobre isso.
Margareth os convidou para jantar no domingo à noite e eles aproveitaram a oportunidade para levar Cristal e Ruffus para bagunçarem em outro apartamento. Os cãezinhos se divertiram muito explorando o novo ambiente e Aaron e Rebecca tiveram um tempo agradável com Margareth, relembrando momentos divertidos da infância da garota, sem deixar passar em branco os momentos embaraçosos.
Então, quando a segunda-feira chegou, o clima parecia bem mais leve e a única preocupação que ainda dominava a mente de Aaron era a cirurgia de Christopher, que havia sido marcada para aquela quarta-feira. Àquela altura, ele tinha certeza de que conseguiria manter Joseph à sombra das decisões do escritório de advocacia, mas todas as suas certezas foram arrancadas de si quando chegou ao estacionamento da Trinity College e deu de cara com Joseph encostado ao seu carro, esperando-o.
— Essa cor combina com você. – Joseph comentou, deslizando um dedo levemente sobre a pintura azulada do carro de Aaron. – Eu, pessoalmente, prefiro carros vermelhos.
— O que você quer? – Aaron olhou ao redor, percebendo que o estacionamento já estava quase vazio. Ele havia prometido encontrar Rebecca na porta da biblioteca, há alguns minutos, mas havia se atrasado um pouco terminando um trabalho.
— Respostas. – Joseph se afastou do carro e caminhou lentamente em sua direção. – Estou um pouco magoado por você não ter me contado que sua advogada já te deu um parecer sobre os documentos. Achei que tínhamos um trato, A.J..
— Como sabe que ela já me respondeu? – Aaron questionou. Quando sua advogada telefonou para avisá-lo, Joseph sequer estava em Oxford. Ele havia clonado seu celular ou hackeado seus e-mails?
— Não importa como eu sei, mas a questão é que eu sei. A única coisa que eu ainda não entendo é porque você não tomou nenhuma providência sobre isso. Já tem a faca e o queijo, o que está esperando?
— Preciso pensar um pouco mais a respeito.
— Você precisa pensar? – Joseph riu. – O que ainda há para pensar sobre isso? O meu pai fez da sua vida um inferno por anos e eu te dei tudo que precisa para acabar com ele. Porque você não faz isso?!
— Porque ele é o pai do Christopher! – Aaron respondeu nervoso. Detestava ter que falar sobre isso com Joseph, já que ele não se importava com ninguém além de si mesmo, mas precisava fazê-lo entender o seu ponto de vista. – O Christopher está doente, Joseph. A cirurgia dele foi marcada para quarta-feira. Não podemos esperar só mais alguns dias?
— Esperar? – Joseph se aproximou ainda mais dele. – Acha que o meu pai esperaria se estivesse no seu lugar? Não. Ele destruiria você sem pensar duas vezes. Não importa se o Christopher está doente ou não!
— Mas eu não sou o seu pai! – Aaron o empurrou para longe, incomodado com toda aquela proximidade. – Não sou um cretino como ele.
Joseph o avaliou a distância e assentiu.
— Tem razão, você não é como ele, A. J.. Você é igualzinho ao seu pai. Um fraco.
— Não coloque o meu pai no meio disso.
— Ou o que? Você vai chorar até me afogar com a suas lágrimas? – Joseph o desafiou. – Você sabe que é verdade. O meu pai pode ser um cretino, mas o seu pai nunca tentou pará-lo. Ele foi processado e perdeu a maior parte das ações da empresa, mas ele ainda ficou com algum dinheiro depois. Porque ele não procurou um bom advogado para tentar provar a inocência dele? Porque não tentou se reerguer? – Joseph questionou. – O meu pai é muito bom em esconder as coisas, mas ele não faz milagres, Aaron. Se eu encontrei esses documentos, o seu pai também poderia ter encontrado, mas ele nem tentou! Ele só ficou chorando pelos cantos, afogando suas mágoas com álcool, exatamente como você.
— Você não sabe nada sobre mim.
— Sei tudo que preciso. – Joseph refutou. – Sabe quantas vezes eu provoquei você? Quantas vezes te testei, quando éramos crianças, só para saber o seu limite? E você nunca revidou, nem mesmo quando eu matei o seu cachorro na sua frente. Na primeira oportunidade que teve, você fugiu. E o que tem feito desde então? Se escondido aqui? – Joseph abriu os braços, indicando Oxford como um todo. – Afogado suas frustrações com um pouco de sexo fácil? Se a Rebecca não tivesse aparecido, onde acha que estaria agora? Então, sim, você é um fraco. Na verdade, a única diferença entre você e o seu pai, é uma bala no meio da testa.
Aaron não parou para pensar muito no que estava fazendo. Simplesmente partiu para cima de Joseph e o atingiu com um soco que o desequilibrou e o fez desabar no chão. Ele também não esperou para ver se o mais velho se recuperaria do golpe, apenas se jogou sobre ele e começou a acertá-lo com um soco atrás do outro, sem pensar muito nas consequências.
Joseph não revidou. Desviou-se de alguns golpes, mas, de todo, apenas abriu um sorriso cínico para Aaron todas as vezes em que ele o acertava. Ele não parecia se importar com aquilo. Na verdade, parecia estar gostando de presenciar aquele ataque de fúria vindo de Aaron e foi exatamente isso o que fez com que Aaron parasse de atacá-lo.
O que ele estava fazendo, afinal?
Naquele ritmo, acabaria matando Joseph ou mandando-o para a UTI muito em breve e ele não era aquele tipo de pessoa. Não era como seu padrasto.
Respirando fundo, Aaron se afastou de Joseph e se colocou de pé, pairando acima dele enquanto avaliava o pequeno estrago que havia feito em seu rosto. Incrivelmente, Joseph estava menos machucado do que ele imaginara, mas ainda assim, havia sangue escorrendo por todo lado ali por causa dos cortes em seu lábio, nariz e supercílio.
— Não sou como você e o seu pai. – Aaron declarou, por fim. – E você não vai me transformar em um monstro como vocês.
Para sua surpresa, Joseph riu. Riu como se não houvesse amanhã e, naquele momento, Aaron percebeu que aquele garoto era realmente louco.
— Não sabe o erro que cometeu. – Joseph comentou quando Aaron se virou para ir embora. – Devia ter terminado o que começou, A. J.. Porque eu não sou covarde como você e, acredite, eu não vou parar.
Então, ele simplesmente chutou a parte de trás da perna de Aaron, derrubando-o no chão e a última coisa que Aaron conseguiu registrar com clareza, antes de ser atingido por vários socos, foi o sorrisinho cruel que Joseph exibiu para ele.
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