Wake Me Up
1 A festa
– Como assim você não vai poder ir?
–Bom, você sabe, eu tava precisando de uma grana extra e, minha patroa vai ter que viajar, e me chamou pra ficar com as crianças esse final de semana. Acho que vou ter que dormir aqui. — Ana se explicou.
–Mas, e como fica nosso ritual esquecer-que-está-solteira-em-pleno-dia-dos-namorados? Ah, vamos por favor, eu já estou pronta aqui,juro que te espero. — Tentei apelar. Sim, eu estava pronta pra sair e minha amiga havia desistido. Ótimo!
– Não vai dar hoje, a gente pode tentar semana que vem... — ouvi algo quebrando enquanto ela gritava "AH MEU DEUS! QUANDO SUA MÃE VOLTAR NÃO VAI SOBRAR NENHUM PRATO!" — Olha, tenho que desligar agora, o Josh tá bancando o baterista aqui com os pratos, e já quebrou quase a metade... porque que ele não usa panelas? Aaargh, tenho que resolver isso, tchau.- e desligou.
Andei até o espelho, frustrada, ainda com o celular na mão, sério mesmo que eu tinha gasto meu tempo pra ficar em casa? Pensei enquanto avaliava a situação. Vestia um short preto de cintura alta e, uma blusa estampada em tons claros, com um sapatilha e algumas pulseiras.Sorri para o reflexo, tentando parecer confiante.Peguei minha bolsa e resolvi tentar a sorte.
*****
O táxi partia enquanto eu entrava na festa que já estava bem cheia, pelo visto. Dei uma rápida olhada tentando achar alguém conhecido, afinal eu não queria ficar ali sozinha, mas não encontrei ninguém, mas começou a tocar Who's that boy (da Demi), de modo que resolvi aproveitar mesmo assim e me lancei na pista sem nem pensar duas vezes.
Enquanto eu dançava, percebi que um garoto do outro lado me olhava, sorri por sobre o ombro e continuei a dançar, enquanto ele se aproximava. Ele era alto, loiro e tinha olhos azuis, vestia uma calça jeans e uma camisa polo azul, que realçava a cor dos seus olhos. Incorporamos bem a música, com caras e bocas, não sei o que ele tinha na cabeça de me acompanhar, mas estávamos nos divertindo de qualquer jeito. Quando acabou a música estávamos os dois rindo.
– Você dança muito bem.- Disse ele.
– Você também não dança tão mal. — Ri.
– Bom, já que eu não danço tão mal, será que você me concede outra dança? — ele fez tipo uma reverência, a essa altura estava agradecendo por está escuro e ele não conseguir ver meu rosto pegando fogo.
– Mas é claro.
Dançamos um pouco até que o Sr. Olhos azuis falou:
– Quer sentar um pouco? Vou pegar alguma coisa pra gente beber. — Ele voltou com dois coquiteis de fruta, pelo menos eu achava que eram, mas assim que eu bebi alguns (longos) goles, percebi que tinha álcool ali no meio.
– Hmm, obrigada. — Murmurei enquanto nos acomodávamos na mesa junto com alguns amigos dele.
Minhas outras experiências com esse tipo de bebida não foram nada agradáveis, mas preferi não dizer nada.
– Então, quem é essa garota?*- Ele brincou, e eu sorri.
– Deborah, e então Sr. Olhos azuis, qual seu nome?
– Sr. Olhos Azuis? — Ele gargalhou. — Me chamo Niall.
Quase cuspi o coquetel "batizado" de volta. Como eu não tinha percebido que ele era o Niall? Tipo, eu não estava acostumada a encontrar meus ídolos assim na rua. Tentei manter a calma, mas acho que ele percebeu.
– Sim, eu sou da One Direction, se é isso que você vai perguntar.
– Então, hmm, vocês estão de férias ou?
– É acho que sim, pelo menos até semana que vem. – Ele se levantou e estendeu a mão. – Vamos dançar mais uma senhorita?
Talvez esse fosse um problema, porque aparentemente toda vez que eu fico de frente com um menino bonito eu sempre travo, mas dessa vez meu corpo resolveu agir sozinho, de forma que quando eu pensei em responder eu já estava dançando, e dançando animadamente até que o DJ resolveu tocar Stole My Heart, enquanto eu ficava vermelho pimentão com o Niall cantando, na verdade ele estava mais pra dublando já que o som era muito alto e eu não ouvia nada do que ele dizia, isso pareceu chamar a atenção dos paparazzi que estavam infiltrados ali e, milhares de flashes começaram a aparecer. E quando eu tentei encarar alguns dos fotógrafos, um veio bem na minha cara, digo, um flash. Tirando o fato de que eu fiquei cega por alguns segundos, tempo suficiente para me fazer querer vomitar (eu falei que minhas experiências com bebidas não eram lá tão agradáveis), corri para o banheiro, e bom, deixei lá tudo que eu havia bebido (nojento, eu sei). Por sorte ali ainda tinha tipo, um daqueles enxaguantes para mal hálito sabe? Pois é.
Quando terminei todo o processo “Limpeza total”, e olhei para o espelho, estudando a situação, aparentemente estava tudo normal, mas aquele sorriso confiante já tinha ido pra casa e, era exatamente isso que eu queria fazer agora. Saí do banheiro, e Niall me esperava do lado de fora.
–Olha só, eles vão dar um tempo, o Paul foi lá dar uma dura neles.Você tá bem?
–Não, na verdade eu quero ir pra casa. Será que você pode chamar um táxi pra mim, por favor?
–Não precisa, eu te levo em casa. – Ele apontou pra minha bolsa. – Quer que eu leve?
– Uhum, obrigada. – murmurei e, ele pegou minha bolsa e me puxou junto para se despedir dos amigos.
Enquanto seguíamos para fora, agora com Paul nos acompanhando mais de perto, dessa vez. E aliás, foi quem dirigiu. O silêncio dentro do carro teria sido constrangedor se eu não estivesse realmente passando mal, porque eu só falei mesmo pra indicar o caminho. Quando chegamos na minha casa, ele desceu e abriu a porta (O que foi muito fofo da parte dele.) para que eu saísse e, me levou até a entrada, onde ele parou.
–Olha só, desculpa por tudo isso...
– Ah não, fala sério, não é culpa sua. Quem quer ter cem caras atrás de você tirando fotos sem parar? – Ele riu.
– Bem-vinda a minha vida! Bom, de qualquer forma, a noite foi muito boa, digo, antes de tudo isso. – E então ele se aproximou e me abraçou.
– Foi ótima mesmo e, hm, obrigada por tudo. – Sorri, e ele deu de ombros, como quem diz “Cara,eu sou o Niall”. Dei língua pra ele.
– Hm, tente ficar boa está bem? Boa noite. – Ele falou e beijou minha bochecha.
Não percebi que tinha travado até que ele deu um sorrisinho metido, olhando para o chão, antes de entrar no carro, então eu tive a brilhante ideia de balançar minha mão e falar “Boa noite” de volta, mas falei tão baixo que nem eu mesma ouvi. E então ele foi, e eu entrei em casa. Exausta, enjoada, e feliz ao mesmo tempo (e chocada, espantada... eu poderia passar a noite fazendo uma lista) mas eu estava tão cansada que tudo que eu fiz foi tirar a roupa e me jogar na cama.
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