Só acordei a tarde, com algumas milhares de ligações e recados da minha mãe, de forma que tive que ligar para ela de volta e explicar que havia saído na noite passada. Deixei no viva-voz a secretária eletrônica lá, esvaziando, na mesa da sala. Estavam cheios de “Filha você tá aí?” “Acho que não,você não me responde...” “Porque você não me ligou antes de dormir?”, enquanto eu esquentava a água do chá que ela mesma recomendou junto com um “Falei que não era pra aceitar coisa de estranho!” Caramba, eu já sou de maior! E bom, foi melhor eu ficar calada, ia demorar certo tempo até eu conseguir explicar pra ela que ele não tão estranho assim, digo, milhões de fãs no mundo, ele não é estranho, é?

Enquanto o cara da TV anunciava um jogo da seleção brasileira, que eu já estava preparada pra assistir (sério, eu até tinha colocado alarme no meu celular!), eu terminava de preparar o brigadeiro, que eu super merecia depois do chá terrível pra curar a ressaca. E não, não ia tirar meu pijama nem tão cedo.

Corri pra sentar no sofá “Então amigos, hoje mais um amistoso entre Brasil e Espanha, que é aí, um grande rival...” até que a campainha tocou, e eu meio que saí correndo pra atender porque não queria perder nada.

- Quem é?

- Sou eu Niall! – O QUE? COMO ASSIM?

- Você é louco? O que você tá fazendo aqui?- abri a porta.

Por um segundo esqueci o que vestia coisa que só reparei quando ele olhou de cima a baixo e começou a gargalhar, tentei parecer sério, sabe, cara de mal, do tipo “Não tô vendo a graça”, e pigarreei, e ele continuou prendendo o riso:

-Você não ouviu o recado que eu deixei? Sabe, eu queria me desculpar e então pensei que a gente pudesse ir... – ouvi alguns passos barulhos vindos do elevador: Vizinhos subindo!

- Entra aqui. – chamei. (Desisti de perguntar como ele conseguiu meu telefone, sabe, esses famosos conseguem tudo que querem)

A gente entrou e fomos pra sala, mas o Sr. Olhos Azuis pareceu interessado (demais) na TV.

- É Brasil e Espanha? – ele perguntou.

- Uhum – respondi, ele estava tão animado. – Olha, já que eu não sabia que você não vinha nem nada, o que você acha da gente ficar por aqui mesmo e assistir ao jogo?

- Mas só se você depois você sair comigo, topa?

- Não sei, mas vou pensar na sua proposta. Você quer brigadeiro?- falei indo na cozinha pegar o pote.

- Brigadeiro?

- É, você nunca ouviu falar? É tipo um doce brasileiro, que todo mundo ama. – falei me jogando no sofá. – Toma aí! – joguei uma colher pra ele – Quem você acha que vai ganhar?

- Espanha tá bem forte, hm, acho que a Espanha. – Ele falou.

- Duvido! O Brasil vai levar essa amigo, a Espanha já era.

- Vamos apostar então? A gente faz assim, se a Espanha ganhar você sai comigo depois do jogo, se não, você decide o que a gente faz.

- Fechado! – e então a gente apertou as mãos, meio ridículo eu sei.

- Passa aí o brigadeiro, deixa eu provar. – ele pegou uma colherada- Isso é bom mesmo?

- Isso é você quem vai me dizer. – ri.

Ele provou e pela cara, achou muito. Por favor, é brigadeiro, quem não gosta?

- Jesus Cristo! Isso é meu doce favorito agora – então o juiz apitou – Olha só, vamos ver o jogo.

Ok, vamos ignorar o fato de que em 5 minutos o brigadeiro já tinha acabado, mas o jogo foi acirrado mesmo, não podia culpá-lo, tanto que o placar ficou empatado.

- Foi por pouco que a gente não ganhava hein? – falei- É bom você se cuidar pra uma revanche!

- É verdade,o Brasil é bom mesmo, mas o que a gente faz? Digo, empatou né?

- Hm, acho que os dois ganharam.

- Então você vai sair comigo como um pedido de desculpas e, depois você decide o que a gente vai fazer?

- Você me espera aqui?

- Não vou mover nem um dedinho. – ele imitou uma estátua.

- Ótimo. – e saí pra tomar banho.

Era incrível com a gente se dava bem, tipo, ele era famoso e tal, mas quando eu tava com ele eu não precisava me esforçar pra parecer legal nem nada e, ele muito menos. Era só nós dois mesmos, tipo, sem pressão de ninguém, nem nada.

“Não, isso não é um encontro romântico, vamos a uma lanchonete ! Isso é só parte da aposta, depois falo contigo, xx” enviei para Ana ,que pareceu surtar quando eu contei com quem eu estava, do tipo “CARA, O LOIRO MAIS GOSTOSO DO MUNDO TE CHAMOU PRA UM ENCONTRO?!”

Vesti a primeira roupa que me apareceu, um vestido branco com borboletas vermelhas. Penteei meus cabelos e calcei uma rasteirinha. Ao chegar na sala, ele mexia nas minhas anotações (sabe, tipo, na minha agenda que minha mãe me obriga a ter, perto do telefone), pigarreei.

- Ah – ele se virou para me olhar- Acho que podemos ir.

- Uau! Você tá linda.

- Obrigada. – corei- Mas se a gente pudesse pular essa parte dos elogios. Digo, já tem vermelho suficiente no meu vestido... – ele pareceu confuso. – Olha só, você também está bonito. –Ele riu. Eu dei de ombros com quem diz “Eu tentei”.

Ele vestia uma bermuda, uma regata, e tênis.

- Hm, obrigado. É só que você fica bem em vermelho.- sorri.

- Acho melhor a gente ir.

A lanchonete não era muito longe da minha casa, de forma que a gente nem demorou muito pra chegar. O lugar estava vazio, sem fotógrafos nem repórteres loucos.

- O que você fez? Subornou todos eles? – perguntei.

- Hm, não, eu só falei mandei avisar que você ia aparecer mais vezes comigo e, que eles poder...

- VOCÊ FALOU O QUE? Sério, eu não quero ter pessoas me seguindo e ...

- Eu falei que você iria comigo no show, sabe, na volta da turnê.

- Hm, tá. Vem cá, aquele ali é o Paul? – Falei apontando para uma mesa não tão distante da nossa.

- Certo. E tem mais alguns policias vigiando a loja, sabe como é, eu não queria estragar tudo, tipo, eu tô me desculpando por ontem, certo?

Revirei os olhos e escondi meu rosto atrás do cardápio, o que eu deveria pedir?

- O que você vai comer?- falei.

- Não sei, o que você quiser, daí pedimos dois.

- Não sei o que eu quero...

- Ah, vamos, não precisa ficar com vergonha de comer, sabe com é, na minha frente. – ele deu de ombros, eu gargalhei.

- Por favor, vergonha? Estou tentando escolher qual é o maior, estou com fome!

- Ótimo! Sabe, me disseram que o número 4 é bom.

- Então pode pedir!

Sério, comemos muito, tipo, acho que agora eu teria um estoque para dois dias seguidos no meu estômago. Na volta (tivemos que voltar de carro, pra evitar tumultos) quando passamos por uma banca, avistei uma revista onde a capa lia-se “QUEM É ESSA GAROTA?” o que seria engraçado, se não fosse EU que estampasse a capa. Sério, e nem bonita eu estava.

Resmunguei irritada, e o Sr. Olhos azuis pareceu perceber, porque tentou mudar de assunto dizendo.

- Então, eu vou parar ali pra comprar cerveja, você quer? – lembrei da noite passada.

- Hm, melhor não, obrigada.

Paul nos deixou em casa e foi embora (Niall falou que ligava se precisasse). Enquanto subirmos, ele me perguntou.

- E aí, já decidiu o que vai querer, digo, a aposta e tal?

- Acho que sim, o que você acha de assistir Shrek? – ele fez uma careta. – Por favor, é tão legal.

- Ok, mas só se você prometer me ensinar a fazer brigadeiro?- ele disse, sempre me chantageando.

- HA-HA Um bom mágico nunca revela seus truques.

Ele deve ter pensado que conseguiria a receita, porque me seguiu até o apartamento. Ajeitei o filme no DVD da sala, enquanto ele pegava as cervejas e colocava do seu lado. Nos sentamos no tapete mesmo, tipo, no chão, um do lado do outro. Adormeci antes do final do filme, com um pensamento engraçado, de se as coias fossem do jeito que a Ana pensava, eu provavelmente seria a ogra da relação.

Notas finais
Deixem reviews, tpo, pra eu saber se estão curtindo ou não. Ou então podem ir lá me falar no twitter (@braziliantioner).