FIM DO PESADELO

Há 20 dias, o QG dos Aurores comandado por Harry Potter deflagrou uma nova investigação a fim de descobrir o responsável pelo sequestro da única herdeira de Draco Malfoy e Astoria Greengrass, casados a época em que a menina desapareceu, assim como a pessoa que decidiu culpar Hermione Granger modificando suas memórias para fazê-la pensar que era a pequena Gwen Malfoy, hoje chamada de Sophie Granger, fosse sua filha.

Ontem, o Ministério finalmente autorizou a entrada de um batalhão de Aurores na Prisão de Azkaban para que Antonio Dolohov, apontado como principal suspeito, fosse levado ao QG para prestar interrogatório.

Segundo assessores de imprensa do QG, o depoimento da enfermeira Grace Stevenson, a qual trabalhava no Hospital St. Valentim no dia em que Gwen desapareceu, foi crucial para que o ex-Comensal fosse descoberto. “As descrições dadas por ela, quanto na primeira vez em que depôs, há sete anos, quanto agora apontam para Dolohov. Além disso, lhe mostramos uma foto dele na época e ela concordou que era o homem que a abordou”, declarou o Chefe dos Aurores, Harry Potter, assim que conseguimos contato com ele pouco antes de fecharmos a edição do jornal de hoje.

Potter ainda justificou que Antonio Dolohov foi preso no início do ano de 2002 e que, exatamente por isso, seu nome não foi cogitado nas primeiras investigações do caso. O Auror famoso informou que o ex-Comensal tinha motivos para cometer tal crime, se manteve cínico e desdenhoso a menção do sobrenome Malfoy e ainda fez uma declaração que pode dar certa dor de cabeça a tradicional família: “Temos provas de que Lucius Malfoy financiava o exílio forçado de Dolohov quando este estava foragido do Ministério após a Batalha de Hogwarts. Por algum motivo, o Sr. Malfoy parou de enviar dinheiro ao amigo e presumimos que Dolohov escolheu sequestrar a filha de Draco para se vingar”.

O Ministério informou que após a conclusão do inquérito poderá processar Antonio Dolohov por sequestro, podendo aumentar em mais cinco anos a pena de quinze, que já estava sendo cumprida. A redação do Profeta Diário encontrou Draco Malfoy e Hermione Granger no Ministério, mas ambos se recusaram a se pronunciar sobre o assunto.

Hermione descartou o jornal assim que terminou de ler a matéria e parou para pensar sob o olhar avaliador de Draco. Não fazia sentido para ela que Antonio Dolohov fosse o responsável por tudo aquilo. Ele poderia ter seus motivos, até concordava com a conclusão de Harry, mas era quase impossível que fosse o responsável por suas memórias modificadas.

Estavam no Ministério, esperando para acompanhar o novo interrogatório do ex-Comensal. De certa forma, se sentia aliviada pelo fato de Harry ter se empenhado tanto nos últimos dias para encontrar o responsável por sua vida estar uma bagunça, mas ao mesmo tempo não tinha certeza da real culpa de Dolohov. Ele detestava a família Malfoy, isso era inegável, pois percebeu como ele encarou Draco quando o vira por poucos segundos antes de ser praticamente jogado na sala de interrogatório.

— Dolohov saberia conduzir tudo para que não fosse pego com facilidade. – Iniciou Draco em tom desgostoso ao seu lado enquanto encarava através do espelho de duas faces a figura do homem de cabelos extremamente negros e pele muito branca que se encontrava dentro da sala à sua frente. – Demoramos sete anos para chegar a ele e, conhecendo-o como conheço, deve estar orgulhoso de seu feito.

— Como ele poderia modificar as minhas memórias com tanta precisão, Draco?

— Ele é inteligente, pode ter praticado até ter certeza de que poderia fazer um bom trabalho.

Ele deu de ombros no mesmo instante em que a porta atrás de ambos se abriu e a figura de Harry acompanhado por dois aurores mais jovens apareceu. Hermione constatou que o moreno não parecia exatamente de bom humor naquele dia visto que passou por eles sem lhes dedicar qualquer atenção. Um dos aurores o acompanhou e o outro se recostou de forma confortável contra a parede ao lado de Draco para que pudesse assistir seu Chefe em ação.

— Vamos começar novamente, Dolohov. – Anunciou Harry em tom calmo ao sentar-se a frente do ex-Comensal, que o encarava de forma tranquila, embora cautelosa. – Onde estava entre os dias 9 e 11 de junho?

— Não irei responder a essa pergunta novamente.

— Disse que estava na Romênia, certo? Mas não poderia estar por que temos uma testemunha que o viu no Hospital St. Valentim na madrugada do dia 10, o dia em que a filha de Malfoy desapareceu. – Harry abriu a pasta que carregava e se recostou na cadeira de forma tranquila enquanto analisava o outro, o qual tinha as mãos presas por uma algema mágica que o impedia de manifestar qualquer tipo de magia em seu corpo. – Além disso, não tem um álibi.

— Eu estava foragido, Potter, não de férias, como deve estar passando por sua fértil cabeça.

— Tudo bem. Vamos fazer um acordo. – Dolohov levantou uma das sobrancelhas, esperando, parecendo deixar sua expressão completamente neutra de propósito. – Posso reduzir a pena de sequestro que lhe será aplicada para o tempo mínimo, dois anos em regime fechado, se você me contar como era sua relação com Lucius Malfoy nos tempos em que esteve foragido. Ele mandava dinheiro para outros Comensais remanescentes ou só para você?

— O quê?!

Draco se indignou ao seu lado. Harry estava transformando a investigação do sequestro de sua filha em uma caça a ex-Comensais, novamente. Não achava que estava errado, mas poderia não usar sua filha – e seu cargo – como pretexto para continuar uma vingança que nunca parecia ter fim.

O ódio do Auror por Comensais da Morte parecia nunca abrandar, assim como o ressentimento pelas pessoas que mataram aqueles que Harry amava, ajudaram a destruir boa parte da infância de todos eles. Entendia por que ele desaprovava com veemência seu relacionamento Draco: Harry nunca pensara em perdoar. Ele investigava, culpava e prendia, mas dependia de um juiz do Ministério para perdoar ou não o crime daquelas pessoas, embora claramente quisesse ser um juiz para colocar todos que pudessem em Azkaban e garantir que nunca mais saíssem de lá.

— Isso é um absurdo.

Draco continuava resmungando. Sabia que ele não temia por seu pai, até por que os Aurores não tinham provas concretas contra o homem, mas tinha o mesmo entendimento que ela. O ódio de Harry por toda a classe de Comensais remanescentes, ainda que estivessem presos, o cegava.

No entanto, a risada baixa e macabra de Dolohov lhes chamou a atenção e o loiro obrigou-se a ficar em silêncio, observando a cena. O prisioneiro gradativamente aumentava o tom da risada, parecendo debochar de Harry, ao mesmo tempo em que seus olhos claros brilhavam de divertimento enquanto encarava o Auror que o interrogava.

— Sabe, Potter... Esta fachada de menino mau não combina com você. – Harry remexeu-se empertigado, mas deixou que o outro continuasse quando este se recuperou de sua risada. – Odeio os Malfoy, por isso confirmo que Lucius financiou por algum tempo o meu exílio, mas eu não diria mais nada a você, nem mesmo para que Lucius fosse preso.

— Está protegendo-o. – Dolohov abriu um sorriso desdenhoso ante a afirmação de Harry.

— As circunstâncias estão protegendo-o. Sabe por quê? – O homem inclinou-se sobre a mesa, encarando o outro nos olhos de forma decidida. – Posso até odiar Malfoy, mas ao menos o respeito. Você, Potter, eu nunca respeitei e nunca respeitarei.

Harry ainda o encarou por mais alguns segundos antes de levantar-se e fechar a pasta que havia levado até ali enquanto Dolohov o encarava tranquilamente.

— Eu não preciso do seu respeito, Dolohov. — O homem que usava uniforme de prisioneiro na cor cinza deu de ombros e o Chefe dos Aurores lhe deu as costas, mas ainda virou-se para ele antes de sair, uma das mãos na maçaneta da porta. – Irei concluir as investigações e recomendarei ao Ministério que lhe processe, você terá direito a um defensor público. Mas garanto, por experiência, que os advogados do Ministério não se empenham muito na defesa de ex-Comensais. Você sabe, muitos deles perderam família ou conhecidos.

Assim, Harry finalmente abriu a porta e saiu, o jovem auror seguindo-o a poucos passos, mas após isso tudo aconteceu muito rápido. Hermione percebeu o movimento de Draco ao seu lado e estendeu o braço para segurá-lo, mas ele desvencilhou-se sem dificuldade, empurrando o Chefe dos Aurores para o lado sem cuidado e adentrando a sala onde Antonio Dolohov se encontrava.

— Draco, não! – O loiro, entretanto, fechou a porta no mesmo instante trancando-a com um feitiço e deixando todos de fora.

— O que esse idiota está fazendo? – Perguntou Harry com raiva enquanto tentava abrir a porta com a ajuda dos demais aurores. Hermione correu novamente até o vidro de duas faces apenas para ver que Draco tinha a varinha em uma das mãos, provavelmente sustentando o feitiço para manter a porta fechada.

— Você não arriscaria seu exílio só para arquitetar uma vingança contra a minha família. Quem o mandou? – O rosto de Draco estava contorcido de ódio, podia perceber que ele se controlava para não machucar o outro visto que a varinha tremia entre os dedos apertados com os nós já transparentes. — Quem o mandou, Dolohov?

Este, entretanto, se manteve em silêncio, sustentando seu olhar raivoso altivamente embora estivesse usando um uniforme indigno, possuísse o rosto vincado pelo tempo, pálido pela falta de sol de Azkaban, marcado por enormes bolsas roxas embaixo dos olhos, e os cabelos negros – que Hermione vagamente lembrava-se de vê-lo usar quase a altura dos ombros – cortados quase rentes à cabeça. Apesar de tudo isso e do fato de estar magicamente algemado, ele se recusava a perder a postura frente àqueles de que não gostava.

O desafio, claramente visível nos olhos do homem, irritou Draco. Dolohov estava fazendo de propósito, pois o conhecia o suficiente para saber que perderia o controle com facilidade, como fazia quando era jovem. O loiro bateu com força as mãos na mesa, a varinha em contato sua palma e o metal do móvel, mas o homem apenas afastou-se minimamente, colocando as próprias mãos algemados sobre o colo enquanto encarava o mais novo.

— Você confessou, você nos respeita, não faria isso gratuitamente. Não teria coragem. – Ouviu Harry mandar que os aurores chamassem algum especialista em feitiços para abrir a porta que Draco mantinha fechada. — DIGA!

O loiro gritou sem conseguir se conter e deu a volta a mesa para segurar Dolohov pelo colarinho e levantá-lo colocando-os pescoço a pescoço, o que não era muito difícil visto que o outro estava mais magro, apesar de ser alguns centímetros maior que Draco.

— Se o seu namorado fizer qualquer besteira, Hermione...

— Cale a boca, Harry. – Disse com os olhos pregados na cena que se desenrolava do outro lado do vidro.

— O que você quer? – Dolohov examinou Draco por alguns momentos, provavelmente esperando que ele oferecesse mais. — Um advogado para te defender neste processo? Dinheiro para quando sair de Azkaban? Eu te dou o que quiser, apenas me diga um nome, Dolohov.

— Eu estava na Romênia, Draco. – O homem respondeu tranquilamente e Draco o soltou apenas para lhe dar um soco que o levou ao chão. Dolohov não pareceu abalado, porém, apenas colocou-se sentado contra a parede de pedra e encarou o outro, levando as mãos para enxugar o sangue que escorria de seu nariz. – Seu pai pode lhe confirmar isso.

Antes que Draco pudesse dizer qualquer outra coisa, um dos Aurores que ainda forçava a porta conseguiu abri-la. Para bater em Dolohov, Draco precisou soltar a varinha e, consequentemente, o feitiço se desfez quando o elo que o sustentava foi perdido.

Assim, Harry e o Auror que ainda estava ali retiraram o loiro de dentro da sala e da companhia de Dolohov e, finalmente, este ficou sozinho. Draco não ofereceu resistência, mas não gostou de ser conduzido à força até o lado de fora. Fazia muito tempo que Hermione não percebia, mas ainda havia algo do jovem adolescente e marrento no homem com quem passava as noites.

— O que estava pensando, Draco?!

— Eu estava obtendo respostas, já que Potter não parece tão empenhado assim em obtê-las. – Respondeu ele mordazmente enquanto encarava Harry com raiva, o qual, por sua vez, não parecia em melhor estado.

— Escute aqui, Malfoy, a próxima vez que fizer algo assim, a próxima vez em que ousar passar por cima da minha autoridade deste modo, eu não hesitarei em levá-lo preso. – O Auror retrucou em voz baixa. – Certamente fui generoso demais ao deixá-los acompanhar os interrogatórios de Dolohov e posso garantir que algo do tipo não acontecerá novamente depois disso.

Harry deu às costas a ele e estava para sair quando Draco resolveu continuar. Hermione respirou fundo, apertando as unhas no braço do moreno apenas para tentá-lo manter ao seu lado, sem avançar para Harry, sem se meter em maiores encrencas.

— Você escolheu Dolohov para culpar, não é? – O Auror voltou-se para ele com uma expressão indiferente. – Escolheu um Comensal preso para culpar por que é simplesmente mais fácil fazer com que o encaixe nas evidências encontradas.

— Está questionando a minha capacidade? – Perguntou o moreno com os dentes cerrados.

— Não, estou dizendo que você fez de propósito por que gosta da publicidade, sempre gostou. – Harry abriu a boca para retrucar. – Pois de uma coisa eu tenho certeza, Potter: Dolohov não sequestrou minha filha. Sei que não está tão certo disso quanto faz parecer nos jornais. E enquanto traça sua brilhante carreira e é adorado por todos pelo seu heroísmo fajuto, o verdadeiro culpado está solto por aí. Pergunto-me como consegue conviver com isso.

— Da mesma forma que você consegue conviver com o fato de ter machucado tantas pessoas quando ainda era um maldito Comensal da Morte. – Observou o rosto de Harry, transfigurado em ódio ao encarar o inimigo de sempre, e percebeu como ele parecia desprezar Malfoy além de qualquer limite.

— Bem, eu assumi meus erros. – Draco retrucou em tom ameno. – E quanto a você?

Assim, Draco desvencilhou-se da mão de Hermione que segurava seu braço e a puxou para sair dali. Eles andaram rapidamente e em silêncio pelos corredores do QG dos Aurores, cada qual mergulhado nas palavras que tinham dito e ouvido naquela sala minúscula.

Segundo Harry, Dolohov foi ao Hospital St. Valentim e enfeitiçara a enfermeira Grace Stevenson com a maldição Imperius para que ela lhe fizesse todo o serviço sujo: ir ao quarto dos Malfoy para pegar Gwen, levar a criança recém-nascida até o quarto de Hermione, que já tinha sua memória modificada, e voltar ao quarto onde os Malfoy estavam agindo de forma normal, como se não tivesse feito nada.

Na época, o QG confirmou que a enfermeira esteve realmente sob efeito de Imperius, mas a mulher não aceitou submeter-se a um teste de Legilimência, pois fora incessantemente julgada pela sociedade bruxa e até perdera o emprego no Hospital. Hermione havia pesquisado tudo que acontecera na ocasião, todas as tentativas do Ministério de encontrar a chave do problema para que este fosse solucionado. Grace Stevenson se lembrava apenas de que um homem branco e de cabelos negros a abordara para perguntar se a criança dos Malfoy havia nascido naquele dia, ela alegou que suas memórias daquele dia são confusas.

Desse modo, fazia muito sentido que Dolohov fosse o objeto de uma publicidade montada por Harry. Se estivesse falando de seu amigo adolescente que teve a alma dilacerada por pessoas más, tinha certeza de que não seria capaz disso – aproveitar-se da situação delicada que ela vivia – para se promover, mas não conhecia mais este Harry Potter. Merlin, os últimos dias haviam sido tão conturbados.

Hermione, Draco, Astoria, os Malfoy, Zabine, alguns funcionários do hospital St. Valentim na época em que tudo aconteceu... Enfim, todos que poderiam estar envolvidos tiveram de dar depoimentos exaustivos ao QG na tentativa de fazer com que aquele quebra-cabeça se encaixasse. Suspirando, Hermione apertou a mão de Draco e parou, fazendo-o voltar-se para ela com uma expressão interrogativa.

— Eu... Estou tão cansada. – O olhar dele amenizou-se e se permitiu aproximar-se para abraçá-la. Fechou os olhos por um momento, sentindo o perfume característico de Draco que sempre adorara e ouvindo as batidas ritmadas do coração dele. – Não reconheço este Harry, não sei em que ou em quem acreditar... Não pensei em como isso seria desgastante, Draco. E sei que neste momento posso estar soando bastante egoísta.

— Não está. – Ele respirou fundo e afastou-se apenas para olhá-la de forma profunda, segurando seu rosto e o acariciando de forma delicada com os dedos. – Por que a entendo e também estou completamente farto de tudo isso. O que me move é saber que cada dia pode significar um passo mais perto da pessoa que me tirou a minha filha... A pessoa que te machucou, Hermione, para me atingir.

— Acha que... – Ela começou de forma temerosa. – Essa pessoa nos relacionou de forma proposital?

— A única herdeira de Draco Malfoy sendo criada por uma nascida-trouxa. – Ele meneou a cabeça. – É uma ideia que não sai da minha mente.

— Por que tem tanta certeza que não foi Dolohov?

— Ele não teria coragem. Percebi depois que disse a Potter que nos respeitava. Mesmo que meu pai tenha dado motivos... Eu não sei, parece... – Ele franziu o cenho e balançou a cabeça, procurando as palavras para expressar o que pensava. – Fácil demais apontar para Dolohov tão rapidamente depois de todo esse tempo só por que fizemos certa pressão.

A família de Draco estava usando toda a influência que possuía novamente para que a investigação surtisse efeito, assim como os Greengrass e todo e qualquer contato de Hermione na França que poderia ser útil. Apesar do óbvio laço de inimizade que mantinham, exceto por Draco, e da briga judicial que parecia se arrastar cada dia mais no tribunal do Ministério pela guarda de Sophie – pois Astoria utilizava todo e qualquer recurso possível quando uma decisão era tomada contra ela – haviam concordado em se juntar para encontrar o responsável por tudo. Assim, resolveu não discutir, sem cabeça para continuar a discutir o assunto com que lidara durante todo aquele dia tendo a pressão da imprensa rodeando-os como um abutre pronto para devorar qualquer mísera informação, e inclinou-se para beijá-lo.

No segundo seguinte, portanto, o peso de seu corpo estava completamente largado sobre o peito de Draco, que a segurava sem dificuldades. Não durou muito, não foi profundo, não foi romântico, mas pareceu aliviar um pouco da tensão que sentia e era tudo que precisava.

— Eu amo você. – Falou num sussurro ainda de olhos fechados, com seus lábios em contato e as mãos dele apertando sua nuca de forma confortável. Porém, Draco não teve tempo de responder, pois um pigarro os obrigou a se virar para descobrir de onde veio o som e quem estava ali.

O garoto parecia ter acabado de sair de Hogwarts e mantinha uma postura insegura enquanto os encarava com os braços para trás em forma de respeito por estar interrompendo um momento só deles. Draco levantou uma sobrancelha quando este abriu a boca para falar, mas pareceu ter mudado de ideia, envergonhado.

— Está tudo bem? – Hermione perguntou percebendo num estalo que aquele jovem de olhos verdes e cabelos loiros cacheados era um dos Aurores que estivera escoltando Harry na sala de interrogatórios.

— Há... Há algo que precisam saber.

— Sobre o que está falando? – Hermione incentivou de forma temerosa.

— Eu nem deveria estar fazendo isso... Merlin, me ajude. – Ele respirou fundo e os encarou de forma decidida. – O depoimento de Grace Stevenson, ela...

Entretanto, ele foi interrompido quando passos altos ecoaram no fim do corredor e todos se viraram para ver que se tratava da figura imponente de Ginny Weasley desfilando pelo ambiente de mármore negro com seus cabelos vermelhos e incrivelmente chamativos. Ela parecia tão estressada quanto Harry esteve durante todo o dia e Hermione pensou que poderiam estar passando por algum problema no casamento, mas forçou um sorriso quando estava perto o suficiente.

— Ei, não esperava vê-los aqui! Correu tudo bem no último interrogatório de Dolohov?

— Terminou com Harry afirmando que irá denunciá-lo ao Ministério. – Hermione informou quase automaticamente. – Só espero que tudo esteja acabando. E você? Aqui, claramente, não é seu... Território.

— Estou torcendo para isso. – Ela ajeitou a pequena bolsa ao redor dos ombros. – Vim falar com Harry. Você sabe, essa investigação está fazendo com que ele passe mais tempo no Ministério do que na própria casa, quase não temos conversado.

— Vocês vão se resolver. – Afinal, era impossível pensar em Ginny e Harry e considerar que eles não se resolveriam de alguma forma.

— Claro, é temporário. Bem, eu preciso ir. – Ela encarou o auror com o cenho ligeiramente franzido, provavelmente perguntando-se o que teria a falar com eles, mas o jovem não se dignou a fazer o mesmo continuando com os olhos pregados em seus sapatos. – Venha me visitar, Hermione.

— Tudo bem!

Desse modo, todos a observaram se distanciar por alguns segundos e, passado o momento, Draco e Hermione voltaram-se para o jovem que inexplicavelmente se tornara Auror.

— Este não é um bom lugar para falar. – Alcançou um cartão no bolso de seu terno e estendeu a eles. – Venham me visitar neste endereço amanhã à noite e eu direi algumas coisas que querem saber sobre a investigação do Sr. Potter.

O garoto virou-se para ir embora, tão desconfortável quanto estivera durante toda a ocasião por – agora entendiam – estar disposto a delatar algo que seu Chefe fizera.

Notas finais
Olá, bonitas e bonitos!!! Como vocês estão? Gente, acho que falei demais nos comentários por que demorei tanto para responder e foi o mesmo tanto de sempre!! kkkkkk De qualquer forma, estou muito feliz por isso, e quero agradecer o carinho de vocês por sempre estarem aqui fazendo suas apostas sobre o culpado de tudo isso!! Muito obrigada meeeesmo :D E então, o que acharam do capítulo? O que a mulher e o homem previram no capítulo anterior aconteceu: um comensal foi culpado, mas segundo ele estava na Romênia. WHAT? Ou vocês ficar assim ou vão ter mais certeza ainda de seus palpites né? kkkkkkkk O que acharam? E ainda coloquei Lucius Malfoy no meio por que sem o Lucius ser culpado de alguma coisa não seria uma fic com Draco como protagonista kkkkkkk Enfim, eles não acreditaram muito na culpa de Dolohov né? E esse final?! Um novato querendo passar a frente do Chefe Potter? Ele tem boas intenções?! Bem, acho que qualquer um pode ter melhores intenções que o Harry depois desse capítulo. Ficou muito claro que ele está usando o caso de Sophie para deixar Dolohov mais tempo na prisão, certo? Ufa!! O que acharam e o que esperam para o próximo?! Eu quero tanto saber, especialmente por que estamos a poucos (pouquíssimos) capítulos de acabar o mistério!! Vou esperá-los! :D Ahh, postei uma one-shot bem pequena que também é dramione!! Não tem nada a ver com essas fics, é uma história paralela, mas eu espero que gostem (quem quiser ler, é claro) e deixem um comentariozinho pra saber se agradou ou não!! Este é o link: https://fanfiction.com.br/historia/675950/Ensaio_sobre_defeitos/ Bom, agora posso me despedir!! Até o próximo, gente!! :D