No Ministério da Magia, Draco e Hermione esperavam impacientes a chegada de Sophie e Jean, já que o último havia conseguido legalmente que Astoria não tivesse nenhum contato com a menina até a mesma estar fora da jurisdição francesa.

Assim, sentiu Draco abraçá-la por trás e depositar um beijo em sua bochecha na tentativa de acalmá-la – pois roia as unhas sem se preocupar com estética-, apesar dos olhares tortos dos que passavam e que vinham acompanhando pelos jornais a odisseia que viviam nos últimos dias.

Hermione havia prestado vários depoimentos, contando que se encontrava no hospital no dia do nascimento de Gwen, pois a bolsa amniótica havia estourado na noite anterior e Ron é quem a havia levado até lá. Os aurores, sob o comando de Harry, conduziam esses depoimentos de forma diferente com a intenção de fazer sua história cair em contradição.

Porém, a insistência deles não adiantava de nada, pois não havia mais o que contar. Hermione se lembrava de muito pouco do dia do nascimento de Sophie, ficara praticamente inconsciente durante o parto e só acordara quando a enfermeira aparecera com o bebê nos braços.

Justin Finch-Fletchley havia entrado com uma ação solicitando o envolvimento dos obliviadores no caso para que estes examinassem a mente de Hermione na tentativa de encontrar vestígios de que a memória dela fora alterada. Harry ainda tentara alegar que essa solicitação era incabível, pois os obliviadores não eram solicitados há muito tempo pelo QG de Aurores e o artigo penal que concedia esse direito a Hermione estava em desuso, mas tinha um bom advogado então faria o exame assim que recebesse Sophie.

– Ela está demorando, não é?

– Não, é só a sua ansiedade.

Não teve tempo de revirar os olhos, pois a lareira emitira um ruído conhecido e logo a figura loira de sua filha se fizera presente em meio às chamas de coloração verde.

Sophie correu em direção a Hermione, que a abraçou tirando-a do chão e sentindo algo entre alívio e medo ao tê-lo em meio aos seus braços. É como se pudesse protegê-la de tudo enquanto a mantivesse ali, porém, a necessidade fazia com que quisesse mandá-la para longe, pois apenas assim teria certeza de que não iria perdê-la.

Entretanto, seu impasse não durou muito, pois alguns minutos depois – quando Draco já a soltava de seu abraço tão caloroso quanto o de Hermione e perguntava como ela estava – outra lareira acendeu suas chamas verdes e a figura de Astoria Greengrass se fez presente no Ministério da Magia Inglês ao lado de Blásio Zabine. Com alguma influência, ambos certamente haviam conseguido uma Chave de Portal para o mesmo horário que sua filha.

Encarou a mulher de cabelos negros extremamente bem cuidados, segurando Sophie pelos ombros e pronta para brigar, mas Astoria sequer a olhou de volta. Sua atenção estava completamente voltada para a menina loira e baixinha que se encontrava a sua frente. Viu como os olhos da outra marejaram e como vacilou um passo, precisando do apoio discreto de Blásio para se manter em pé.

– Gwen...?

Observou que Draco tinha os olhos piedosos em direção à ex-esposa, certamente imaginando como ela estaria se sentindo ao encarar a menina pela primeira vez tendo consciência de que era sua, ainda que nada legalmente comprovasse o laço sanguíneo que as unia.

Desse modo, quando Astoria ajoelhou-se em frente à Sophie, olhando-a com tanta admiração, admirando-a da cabeça aos pés, como se estivesse se certificando de que era completamente perfeita, Hermione percebeu: de nada adiantaria estar “pronta para brigar”.

Era iminente que Sophie conhecesse Astoria e não estar pronta para lidar com isso era um problema só seu. Assim, viu o abraço compartilhado entre as duas com um nó na garganta, sentindo que perdia Sophie a cada minuto que a mesma passava com a outra.

– Você é minha segunda mãe?

Astoria hesitou e encarou Draco e Hermione de forma raivosa, percebendo que o termo “segunda mãe” havia sido algo quase que inventado por eles. Porém, ela tinha de perceber e entender que Sophie, apesar de inteligente, era uma menina de sete anos e as coisas deviam ser explicadas a ela da forma mais simples possível.

O loiro apertou seu braço levemente, como que para tranquilizá-la de que Astoria não faria nada que pudesse comprometer a si mesma – pelo menos, não estando dentro do Ministério da Magia -, mas nada tiraria da cabeça de Hermione que aquela era a mulher que não mediria esforços para lhe tirar Sophie.

– É, eu sou. – Astoria alisou os cabelos da menina de forma delicada. – Você é tão linda.

– Obrigada! Você tem olhos bonitos também.

Astoria sorriu, parecendo encantada, tão diferente da mulher que queria se vingar de Hermione, colocá-la na cadeia a todo e qualquer custo.

– Eu estava pensando: podemos ir passear qualquer dia desses. Para nos conhecermos melhor, só eu e você.

– Eu posso, mamãe? – Todos os olhos se voltaram para Hermione, inclusive os de Greengrass, que se levantou incomodada.

Não, todos os seus sentidos gritavam que ela não se aproximasse da menina, da sua filha, mas nada podia fazer. Um exame de DNA havia sido solicitado pelos advogados de Astoria, para não deixar nenhuma sombra de dúvidas de que Sophie era sua filha biológica.

– Nós iremos marcar. – Disse Draco percebendo que Hermione não tinha a intenção de pronunciar. – Vamos embora?

– Espere aí, não irão deixar Sophie ficar com Granger, não é? – Perguntou ela aos aurores que a haviam recebido. – Essa mulher foi presa aqui mesmo por sequestro de incapaz e o simples fato de ter um bom advogado fará com que saia de cabeça erguida levando minha filha?

– Astoria, por favor, isso não é necessário. – Draco revirou os olhos e Blásio aproximou-se, tomando conhecimento do que acontecia após o momento de emoção de Astoria.

– Quando tiver em mãos o exame atestando que é mãe biológica de Sophie poderá reclamar seus direitos. Enquanto isso eu irei, sim, levar minha filha, para a minha casa, para ficar comigo.

Hermione declarou e puxou Sophie pela mão em direção ao elevador, sendo ambas escoltadas por dois aurores que as levariam até o local onde os obliviadores fariam o exame para detectar se sua mente havia sofrido um tipo de estupro. Quando o mesmo estava quase se fechando, Draco segurou a porta e adentrou, sorrindo para Sophie e perguntando se estava tudo bem.

– O tio Jean e Elise foram legais.

– Aposto que eles te mimaram muito!

Hermione a pegou no colo enquanto tentavam pelo menos agir naturalmente ante a presença dos dois aurores que os observavam como se estivessem tentando encontrar alguma falha de comportamento. Era completamente constrangedor. Além disso, queria manter Sophie distraída do que havia acontecido há poucos minutos, pois uma criança não merecia ter de passar por isso.

– Não muito. – Porém, a cara da menina denunciava que Jean e Elise haviam a deixado fazer o que quisesse. – Onde estamos indo? Esse lugar é tão legal.

– Sua mãe precisa fazer um exame, mas depois vamos para casa.

Sophie olhou de Draco para Hermione, os olhos semicerrados até perceber que ele se encontrava perto de mais e sua mão estava confortavelmente descansada ao redor da cintura da mulher.

– Vocês voltaram? – Ela disse animada, mas sequer deu tempo para que respondessem. – É claro que voltaram, só ficavam assim quando estavam juntos!

– Vamos combinar: Hermione não resistiria por muito mais tempo. – Draco disse em um sussurro à menina, como se estivessem guardando um segredo, enquanto Hermione revirava os olhos e finalmente chegavam a Central de Obliviadores.

O local era, certamente, um dos mais bonitos do Ministério, apesar de ser pequeno e minimalista. No hall de mármore negro e polido, um monumento em forma de globo, redondo e brilhante, parecia conter traços de memória que flutuavam majestosamente na superfície límpida do líquido que o preenchia.

Alguns homens andavam de um lado a outro, carregando papéis, abrindo e fechando as poucas portas que havia naquela seção. Aquele silêncio e seriedade fazia com associasse o local a um consultório médico trouxa.

– Por aqui, Srta. Granger. – O auror a encaminhou em direção a uma das portas enquanto Sophie encarava de forma fascinada o globo repleto de fios de memória. Porém, antes que adentrassem a sala dos obliviadores, parou e voltou-se para Draco. – Crianças não podem entrar, se o senhor puder esperar aqui fora junto com a garota...?

Hermione encarou Draco de forma resignada e entregou a filha a ele, sem mais delongas. De qualquer forma, apostava que esse feitiço não era mais bonito de se ver do que um Legilimens, então era bom que ela ficasse de fora.

– Boa sorte.

Sorriu minimamente em agradecimento e seguiu os aurores em direção à sala, que era mais simples do que imaginava. Aliás, nunca havia parado para pensar em como exatamente seria a sala de um obliviador.

Havia uma prateleira que ocupava toda a parede atrás da escrivaninha do obliviador e que se encontrava repleta de vidrinhos simples e pequenos que continham traços de memória exatamente idênticos aos do globo do lado de fora. A mesa do homem alto e loiro estava repleta de papéis e ele lhe pareceu simplesmente desinteressado ao mandá-la deitar-se em uma espécie de divã que estava disposto no local, como se estivesse acostumado a fazer isso o tempo todo. Lembrava-lhe um médico trouxa, afinal de contas.

– Como exatamente esse exame é feito? – Perguntou ao vê-lo arregaçar as mangas da camisa de linho branco já com a varinha em mãos.

– Irei revisar todas as suas memórias e tentar encontrar alguma que não se encaixa nas outras, como seu advogado sugeriu no requerimento. – Ele apontou para a mesa onde supostamente deveria estar o regulamento. – Implantar lembranças falsas em alguém não é uma tarefa fácil, conheço duas ou três pessoas que o fazem, ainda que não perfeitamente, então... Sua memória deve estar cheia de buracos. É como se as memórias falsas não se encaixassem nas memórias verdadeiras e isso criasse um limbo entre elas.

– Compreendo. – Hermione respondeu monossilábica, saber que sua mente estava possivelmente quebrada não era nada reconfortante.

– Não se preocupe, suas memórias estão protegidas pelo contrato de sigilo que assinei há alguns minutos. – Com um aceno de varinha, um vidro redondo e pequeno surgiu em uma das mãos do obliviador. – É uma poção para anestesiá-la, não poderá se mexer durante o processo.

– Certo. – O obliviador sentou-se em uma banqueta ao lado dela e apontou a varinha em direção a sua têmpora enquanto a mesma sentia os membros começarem a pesar devido à poção.

– Isso poderá doer um pouco.

Notas finais
Olááááá!!! Como vocês estão?! Sei que disse que ia postar semana passada, pois aí continuaria postando todo mês certinho, mas tinha dois seminários pra apresentar :s Mas agora o mês de agosto, que estava um pouco lotado pra mim, acabou. Estou tão feliz por isso *_* Gente, acredita que comecei a responder os comentários de vocês a tarde e só fui terminar a noite? '-' Na minha casa, tenho que parar o tempo todo pra ir fazer alguma coisa, é a vida!! Mas muito obrigada por todos os comentários, me deram ideias ;D É tão bom ter vocês aqui sempre. E aí, o que acharam deste capítulo?! Astoria finalmente encontra Sophie, como vocês acham que será a atitude da menina daqui pra frente? E de Hermione que tem que lidar com isso e mais as acusações da mesma? Draco, pelo menos, está se dando bem né? kkkkkk Enfim, será que no próximo capítulo teremos a revelação do que realmente aconteceu no passado? O que acham? :)) Até o próximo, gente, esperando ansiosamente que tenham gostado! Beijão!