Vínculo
28 Capítulo 27
O clima na sala era pesado. Draco e Blásio estavam à um canto, devidamente acomodados perto do bar, enquanto Hermione, Astoria e Jean se encontravam ao redor da caríssima mesa de mogno que servia escrivaninha para a sala do último.
Podia sentir o olhar do loiro queimando sua nuca, mas estava concentrada nas palavras de Jean. Ele havia contatado Draco e o convencido a participar daquela reunião, que mais parecia uma audiência conciliatória do que qualquer outra coisa, antes de reabrir, de fato, o inquérito na Inglaterra. No fim das contas, não tinham nenhuma prova concreta, além de um bilhete anônimo, e já haviam passado por essa fase naqueles anos em que as buscas por Gwen ainda eram intensas. Supostamente, os ânimos de todos deveriam estar mais calmos, mas a tensão era palpável para qualquer um. – Então... Hermione está disposta a fazer um exame de DNA trouxa. Um bolo angustiante se formava na garganta de Hermione, ao brincar distraidamente com os próprios dedos sobre o colo. Astoria, sentada com a postura rígida na cadeira de espaldar alto ao seu lado, a encarou, incrédula. – Acredito que vocês não queriam envolver a mídia nisso sem necessidade. — Falou, aparentando toda calma e racionalidade que, nos últimos dias, lutava para manter. — Apesar de tudo, Sophie é uma criança e deve passar por essa história com o mínimo de dano possível. – Tem toda a razão. — Falou Astoria, concordando. — Temos que pensar nela, certo? Quando podemos realizar esse... DNA, como vocês disseram? – E, o mais importante, como saberemos que você não modificou o resultado? — Todos os olhares da sala se voltaram para Blásio Zabine, que tinha o semblante sério e parecia examinar Hermione como um raio-x à procura de qualquer coisa que pudesse atingi-la, um defeito, um sinal imperceptível de uma possível mentira.– Blásio... — Astoria começou, mas o negro a interrompeu, sem se importar.– Granger veio de família trouxa, vocês não acham conveniente demais que ela concorde em fazer um exame trouxa para descobrir as origens da menina? — Zabine encarou Draco e a morena em busca de apoio, mas ambos não se pronunciaram, parecendo considerar a questão.– A questão, Sr. Zabine, é que eu mesmo irei me responsabilizar por este exame. — Cortou Jean, impaciente. Afinal, Hermione não sabia o real motivo da presença de Blásio ali, visto que não havia necessidade quando ele apenas fazia comentários maldosos e não acrescentava em nada. — Ele poderá ser aberto apenas aqui, nessa sala, na presença de todas as partes interessadas. Astoria encarou Draco e, por um momento, foi como se eles estivessem conversando pelo olhar, o que a deixou bastante incomodada. Poderia estar magoada, mas seus sentimentos em relação a Malfoy ainda eram os mesmos, infelizmente. Não exigia que ainda estivessem juntos, apenas que ele não tivesse agido de maneira completamente irracional quando deixou que Hermione fosse acusada de sequestro, perante tudo que tinham vivido até então. Apenas... Queria que Draco lhe dedicasse o mínimo de confiança naquela noite. Porém, era tarde demais para que ficasse revivendo essas lembranças. Precisava se concentrar no futuro e, principalmente, em Sophie. Sequer sabia como contaria a ela sobre a possibilidade de, relamente, ser filha de Draco. Ela ficaria radiante, constatou desgostosa, e esse pensamento fez com que temesse ainda mais o resultado do exame. – Vamos fazer o exame. — Sentenciou Malfoy, aproximando-se da mesa para apertar a mão de Jean em despedida. Astoria também levantou-se e pareceu ter a intenção de lhe dizer algo antes de sair, mas pareceu pensar melhor e, enfim, tomou o rumo da porta. — Hermione, podemos conversar? Respirando fundo, ela levantou-se e o encarou. Lentamente, examinou o rosto alvo até encontrar os olhos cinzas e constantemente tempestuosos, sentindo a saudade em cada batida frenetica de seu coração. Jean pigarreou e também saiu da sala, avisando que os deixaria a sós. – Eu... Como você está? Por um momento, Hermione pensou em dizer. Pensou em dizer tudo que estava sentindo, despejar sem piedade sobre ele tudo pelo que estava passando nos últimos dias, para que Malfoy sentisse ao menos um pouco do que era a dor, a angústia e a mágoa que nutria naquele instante. Entretanto, os olhos dele estavam opacos e sem vida, para quem conseguia notar, e nesse momento pareceu tão injusto descontar suas frustrações sobre ele que precisou abaixar os olhos e xingar sua maldita nobreza grifinória.– Só quero que tudo isso acabe logo. — Ele meneou a cabeça e escondeu as mãos nos bolsos, nunca deixando de encará-la.– E Sophie? – Se quer saber se já disse algo à ela, não, eu não disse. — O silêncio tomou conta da sala por alguns instantes, deixando-a desconfortável. Sentiu as mãos tremerem e respirou fundo. — Mas iremos conversar, antes do teste. – Não queria que as coisas estivessem acontecendo dessa maneira.– E você se refere a quê, exatamente? A forma como querem tirar Sophie de mim ou... A ideia de reabrir um inquérito com a intenção de me colocar em Azkaban? — Ele pareceu atordoado ao ouvi-la mencionar Azkaban, parecia sequer ter considerado a hipótese.
– Não irei deixar que vá para Azkaban, Hermione. – Não preciso da sua piedade. As feições de Draco expressaram choque, como se tivesse acabado de levar uma tapa na cara. E Hermione queria fazê-lo, muito, mas ao mesmo tempo tinha vontade de abraçá-lo e dizer que estava com saudades, que as coisas deveriam voltar ao normal. Porém, não sabia se isso aconteceria, nem quando toda essa tempestade passasse. Em silêncio, abriu a porta e saiu, batendo-a mais forte do que deveria. Não havia ninguém na ante-sala, por isso ficou por ali mais do que deveria, respirando fundo e tentando evitar uma onda de choro. Por Deus, estava cansada de chorar, todas as noites, sempre que tinha oportunidade, estava parecendo uma adolescente. Sophie, principalmente, não devia perceber o estado em que se encontrava. Em silêncio, saiu do departamento à procura de Jean. Não encontrando-o, circulou o átrio em direção à uma das lareiras. Era tarde e já não havia mais ninguém no Ministério, o que mentalmente agradeceu, pois imaginava que sua aparência estava, no mínimo, deplorável.– Hermione! — Parou, amaldiçoando àquela voz e suspirou ao virar-se. Apressadamente, Luc andou até ela, segurando algumas pastas embaixo do braço e ensaiando um sorriso charmoso. — Não pensei que te encontraria aqui, soube que Jean lhe folga. – Sim, bem... Tive de resolver algumas coisas. – Entendo. — Ele a encarou mas atentamente, franzindo o cenho. — Sobre a festa de Jean, eu queria perdir desculpas, sei que ultrapassei todos os limites, então... Olhando em seus olhos, Hermione percebeu que Luc nunca lhe pareceu tão sincero. Tudo entre eles havia sido superficial demais para que continuasse julgando-o por suas atitudes em acontecimentos isolados. Luc poderia ser metido e arrogante, mas não era uma má pessoa. Rendeu-se com um suspiro e o abraçou, apoiando o queixo sobre seus ombros. Ele pareceu surpreso, mas ainda assim retribuiu o abraço, com a mão livre. Foi quando percebeu que há muito não era abraçada e havia se acostumado à isso. Mesmo que fosse estranho saber que Luc a estava confortando, sentia certo alívio que nunca sentira na presença dele, que poderia ser arrogante e egocêntrico, mas não era má pessoa. – Me desculpe, você também... Por favor. — Não previra que sua voz sairia embargada e isso o fez recuar para olhá-la, preocupado. – Você não está bem, não é? Antes que pudesse responder, o barulho de uma porta se fechando se fez presente no átrio vazio, no que ambos se viraram para ver Draco saindo do Departamento de Cooperação Mágica Internacional. Ele não pareceu tê-los visto, pois encaminhou-se direta e apressadamente para a Sala de Transportes, parecendo entretido com seus próprios pensamentos. – Eu preciso ir, nos falamos depois. — Com um beijo rápido na bochecha, despediu-se de Luc e voltou-se para a lareira logo atrás de si. Entretanto, foi impedida pela mão do homem em seu pulso.– Me procure, se precisar de qualquer coisa. — Olhando em seus olhos azuis, Hermione percebeu que ele falava sério e se sentiu na obrigação de, pelo menos, lhe fabricar um sorriso forçado. – Obrigada, Luc. Então, com seu endereço em mente, Hermione foi engolida pelas chamas verdes da lareira ministerial. Segundos depois, viu-se na área de serviço de sua casa. As luzes estavam acesas, o que indicava que Sophie ainda se encontrava acordada. Pela primeira vez na vida, desejou que não estivesse, pois assim teria a chance de adiar o que estava por vir. Entretanto, sabia que sua conversa com a menina era inevitável e não dispunha de tempo suficiente para se preparar mais. Na sala, a menina lia um livro distraidamente enquanto Marie tricotava o que parecia ser um casaco em cores neutras. Supunha que fosse para Sophie, já que a senhora não convivia com nenhuma criança além dela. – Olá, meninas. – Srta. Granger! Ao contário do que sempre acontecia, Sophie não se moveu para lhe abraçar, mas vasculhou com os olhos o corredor atrás de si. – Onde está o Draco? — Hermione suspirou, depositando a bolsa numa poltrona ajoelhando-se em frente à ela. – É sobre isso que precisamos conversar. — A menina levantou-se jogando o livro no chão. – Vocês terminaram, não é? — Seu tom era zangado, mas não lembrava em nada uma criança birrenta. – Sim, mas...– Por que fez isso comigo? — Os olhos dela imediatamente avermelharam e Hermione sabia que estava segurando o choro, para não fazê-lo na sua frente. — Pela primeira vez eu tive um pai e você me tirou dele. Agora, Draco nunca mais vai querer me ver também e isso é tudo culpa sua! Sophie a empurrou e saiu da sala, subindo as escadas correndo em direção a seu próprio quarto, batendo os pés. – Sophie! Sophie, volte aqui agora mesmo. — Com lágrimas nos olhos, encarou Marie que tinha os olhos pregados no lugar onde a menina tinha desaparecido parecendo chocada com a cena. — Vou perdê-la, Marie. As lágrimas escorreram por seu rosto e precisou apoiar-se na própria poltrona onde Sophie estivera. Apenas sentiu quando Marie abaixou-se ao seu lado e abraçou pelos ombros, praticamente colocando-a no colo, sussurrando uma canção para que pudesse se acalmar, como uma mãe faria.
Notas finais
Eeei!! Como estão vocês??? :)) Eu não sei por que estou feliz kkkkkk O que vocês acharam desse capítulo??
Draco não consegue se afastar de Hermione né? E ela, tadinho, não dando abertura! É realmente difícil fazer essas cenas entre eles, eu não estou em "negação dramionática", como disse uma leitora, é por que é realmente necessário fazer os personagens o mais humanos emocionalmente possível. Mas tenho planos, não se preocupem... :D
Blásio, sendo um vadio nesse capítulo, eu adorei escrevê-lo kkkkkkk Não sei por que, é realmente legal fazê-lo querer adentrar nesses assuntos de família, como se quisesse fazer parte, mas não faz. É assim que eu o vejo.
E Sophie, mds, eu não comentarei nada sobre isso, apenas quero saber o que vocês acharam sobre a atitude dela. Bem, "atitude" considerando que ela é apenas uma criança! ME DIGAM!
Gente, muito obrigada pelos comentários nessa fic, vocês sempre se fazem presente e me entendem! Eu adoro esse contato, às vezes até solto spoiler kkkkkkk Eu apenas queria fazer um pedido especial pra quem ler 'Memories of the past'. Comentem lá também, vamos chegar aos 500 comentários lá também! Quem não lê, dá uma passadinha ;)
Bjão, galerinha, até o próximo :D
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