Vínculo
22 Capítulo 21
Podem comemorar (ou abrirem os potes de sorvete), obtivemos, em primeira mão, a confirmação de que nosso casal favorito está mesmo namorando!
Draco Malfoy e Hermione Granger foram constantemente vistos juntos durante o último mês e fontes próximas ao casal nos disseram que a relação havia, realmente, evoluído. Porém, nenhum deles quis se pronunciar sobre o caso.
A questão é que ontem, 3 de abril, eu mesma presenciei a cena de romance que acontecia na Livraria Margot, uma das mais famosas do mundo bruxo. Malfoy ficou com as mãos o tempo inteiro na cintura de Hermione e, por vezes, era possível ver o casal conversando ao pé do ouvido e sorrindo, parecendo muito cúmplices e apaixonados.
Nós, da redação do Diário das Bruxas, não precisamos de mais provas, mas amaríamos vê-los juntos na comemoração dos 300 anos da Democracia Bruxa Francesa.
Garotas do mundo bruxo, podem lamentar, Draco Malfoy foi mesmo fisgado! Rapazes que esperavam uma chance da Srta. Granger, vocês perderam!
E. Allen
Draco, assim que terminou de ler a matéria intitulada "Conto de fadas", jogou a revista para o lado enquanto ria descaradamente. Hermione revirou os olhos e continuou em frente o espelho retocando sua maquiagem.
– Conto de fadas. — Ele repetiu em falsete. — Eles que não sabem como foi difícil conquistar você.
Draco estava praticamente jogado sobre uma poltrona perto da janela e Sophie se encontrava na cama escrevendo em seu diário. Fazia parte de um trabalho para a escola, a professora dizia que incentivava os alunos a serem mais sinceros consigo mesmo e, consequentemente, com os demais.
– Como se escreve estação? — Perguntou ela com expressão interrogativa e, prontamente, Draco levantou-se e sentou-se ao seu lado para ajudá-la.
Parando por um momento para prestar atenção na cena — Draco, alinhado num smoking com os cabelos bagunçados estrategicamente, debruçado sobre Sophie enquanto soletrava pacientemente as letras para que ela escrevesse 'estação' — pensou no quanto aqueles dois haviam se tornado próximos nos últimos dois meses.
Sophie aceitara Draco com tanta facilidade que até a surpreendeu enquanto que, ao mesmo passo, ele se tornara praticamente o melhor amigo e, pior, defensor da menina. Com um pequeno sorriso no rosto, lembrou-se do dia que brigaram por causa dela.
Era domingo e estavam na cozinha, tinham acabado de almoçar, e Hermione lavava a louça enquanto a filha os secava e guardava. Gostava de ensiná-la a fazer as tarefas do dia-a-dia sem magia. Conversavam sobre o último comunicado que o Ministério havia emitido condenando a ação irresponsável dos aurores franceses que, acidentalmente, mataram um civil em uma perseguição a um traficante de ovos de dragão.
Hermione, não pela primeira vez, avisara Sophie para não levar uma travessa e os três pratos de uma só vez até o armário. Entretanto, a menina era teimosa e, ao subir na cadeira para guardar tudo, desequilibrou-se e caiu, fazendo as peças de vidros se espatifar ao seu redor.
– Sophie! Eu não avisei que não era para fazer isso?! — Disse, brava, olhando-a. A menina, tentando se levantar, cortou toda a mão no vidro quebrado do chão.
– Hermione, são apenas pratos.
– É a segunda vez essa semana, Draco. — Com um movimento de varinha, o loiro consertou todas as peças quebradas enquanto Hermione ajudava a menina, que já não segurava mais os soluços, a levantar. -Quando eu falar para fazer uma coisa, faça do jeito que eu mando, estou cansada de falar e você não me escutar!
– Mas mamãe...
– Foi um acidente, não foi, Sophie? — O tom de Draco era tranquilo enquanto observava a cena.
– Ela precisa aprender ouvir o que o outro diz, Draco, não de defensores. — Virou-se para a menina. — Eu não vou fechar esse corte com magia, está ouvindo? Chega de condescência nessa casa.
Sophie chorou ainda mais, estava acostumada com a mãe curando seus machucados de criança com magia e agora havia cacos de vidro por toda sua mão fina e macia.
– Hermione, ela é uma criança, não fez por querer! — Estressada, Hermione o olhou, colocando as mãos na cintura.
– Já que é tão bonzinho, por que não leva a princesa lá para cima e a ajuda com isso enquanto a madrasta fica aqui arrumando a bagunça?
Sem hesitar, Draco pegou a menina trêmula no colo e tomou o caminho da porta. Hermione, respirou fundo e terminou de lavar a louça e limpar toda a cozinha com magia. Parte de sua raiva, havia se dissipado por que era realmente impossível para qualquer um ficar bravo com Sophie por muito tempo. Porém, quando chegou ao quarto é que realmente se acalmou e não pôde impedir que um pequeno sorriso nascesse em seus lábios.
Sophie estava em cima de um pequeno banquinho, que servia para que ela pudesse alcançar o espelho sob a pia de seu banheiro, enquanto Draco cuidadosamente enrolava uma faixa branca ao redor da mão dela.
– ... É claro que eu costumava desobecer minha mãe, mas sempre me ferrava por isso, então não é uma boa ideia.
– Ainda acho que podia ter usado magia. — Disse a menina, depois de um tempo em silêncio, quando Draco amarrou a faixa.
– Bem, isso seria desobecer sua mãe e... — Draco levantou os olhos para enxugar as mãos numa toalha e, finalmente, a viu. — Não a queremos descontando a TPM em nós, certo?
Semicerrou os olhos para ele, que ainda lhe deu um beijo no rosto antes de sair do quarto. As pazes entre mãe e filha foram feitas ali mesmo no banheiro, com um abraço e dois pedidos de desculpas, e dois dias depois teve que fechar o ferimento com magia, pois estava atrapalhando a menina na escola.
Desde então, Hermione percebia, em pequenos indícios, que Draco nunca tentava intervir demais em suas brigas com Sophie, em seu jeito de educá-la e ensiná-la. Secretamente, lamentava, pois desde que os vira juntos no banheiro percebera que ele teria dado um ótimo pai e sabia que era exatamente por isso que ele não se fazia mais presente: por que Sophie não era sua filha e não se via no direito de intervir.
O que a fazia estranhar, no entanto, é que Draco não fizera menção de perguntar quem era o pai da menina, sequer haviam entrado naquele assunto e tinha certeza de que era ele quem o estava evitando. O motivo? Hermione não tinha ideia, pois falaria com ele abertamente sobre isso, caso quisesse.
– Estamos atrasados e somos os ingleses da festa.
Quando dera por si, Draco já estava ao seu lado em frente ao espelho, ajeitando o smoking. Passou os olhos rapidamente sobre seu vestido negro, de seda legítima. Ele marcava todas as curvas de seu corpo, apesar de ser completamente liso, possuía alças finas e um decote suave e discreto. Os brincos grandes e brilhantes faziam o trabalho de chamar a atenção para o rosto, onde usava maquiagem clara realçada por um batom vermelho. Seus cabelos caíam cuidadosamente cacheados e penteados sobre os ombros e costas.
– Tudo bem, já podemos ir. — Colocou a varinha na carteira de mão também negra e brilhante e virou-se para a filha. — Obedeça Marie e não vá dormir tarde, eu te amo.
– Okay. — A menina revirou os olhos e todos eles saíram do quarto de Hermione.
Depois de se despedirem de Marie, encaminharam-se para a porta dos fundos e, quando já se encontravam na pequena área aberta para aparatação, Draco virou-se para ela.
– Está pronta?
– Não. — Ele sorriu e a puxou para mais perto, passando uma das mãos em suas costas, a fazendo se arrepiar.
Era a primeira vez que eles apareceriam juntos em público, como o Diário das Bruxas esperava, e isso a deixava nervosa. Havia um frio em sua barriga que estava sentindo desde que haviam decidido que já era hora de assumir para a imprensa francesa que estavam namorando, não poderiam fugir para sempre, afinal.
– Não vamos demorar muito, apenas o suficiente para que nos vejam.
– Essas festas são extremamente tediosas. — Disse ela, depois de fazer um som de concordância.
– Sem contar... — Draco lhe beijou o pescoço e abaixou o tom de voz. — Que estou com saudades.
Fazia três dias que não dormiam juntos, embora ele quisesse. Estavam juntos há apenas dois meses e, para Hermione, significaria cair numa rotina que ela não queria que o relacionamento deles caísse. Por isso, às vezes era bom deixá-lo de castigo, resultava nesses rompantes de carinho que ela nunca poderia imaginar vindos de Draco Malfoy, mas que eram extremamente bons.
– Se eu soubesse que era tão animado assim, talvez teríamos brigado menos na escola. — Disse, depois de rir brevemente, e o beijou.
– Precisamos ir logo, antes que eu resolva desonrar nosso convite.
Hermione ainda ria quando ele entrelaçou seus dedos e aparatou, o frio na barriga nunca a deixando.
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