Draco e Hermione aparataram em frente à entrada trouxa do Ministério, onde o movimento no cinema abandonado poderia parecer estranho para os trouxas. No beco escuro ao lado, havia uma chave de portal que saía a cada cinco minutos e levava todos os convidados para dentro, mais precisamente para a Sala de Transportes do Departamento de Cooperação Mágica Internacional.

Muitas pessoas estavam espalhadas pela sala, conversando e rindo alto, provavelmente já haviam entornado vários copos das bebidas caras que o Ministro sempre liberava para a festa da Democracia Bruxa Francesa. Era uma tradição, a festa era uma das mais esperadas do ano, e Hermione tinha a impressão de que o real significado fora perdido com o tempo, apesar dos longos discursos de pessoas influentes ressaltando o quanto essa conquista havia sido importante para a França.

O cargo de Ministro era vitalício, mas tudo no Ministério funcionava apenas com a aprovação da maioria no Conselho. Quando este não chegava a um acordo partiam para a opinião pública. A realização de plebiscitos populares, para os franceses, era mais uma afirmação do quanto eles eram civilizados e onde, efetivamente, a política era feita. Nem todos saíam satisfeitos, mas a política tem seus altos e baixos em todo o lugar.

As mãos de Hermione suavam frio quando, depois de cumprimentar alguns conhecidos naquela sala, foi encaminhada junto de Draco para a sala de imprensa.

– Fique tranquila. — Ele murmurou antes que uma mulher usando um vestido negro e profissional sinalizasse que eles podiam passar pelo tapete azul.

Mas não tinha como Hermione ficar tranquila, estava assumindo um relacionamento com Draco Malfoy e isso já havia sido difícil para ela própria admitir. Como as pessoas na Inglaterra reagiriam? Não tinha dúvidas de que uma notícia como essa seria destaque no Profeta Diário, ou qualquer outro veículo de informação de grande alcance.

Era impossível não imaginar o que Harry e Ron pensariam e, quando percebia que estava passando tempo demais pensando nisso, tentava não fazê-lo. Por que eles não eram parte de sua vida, haviam escolhido assim ao tratá-la como se fosse uma doente mental.

Os fotógrafos fizeram muito estardalhaço quando entraram, cada um queria uma foto do mais novo — e por que não dizer polêmico? — casal da alta sociedade francesa. Eles chamavam, gritavam, tentavam chamar a atenção. Draco passou a mão possessivamente ao redor da cintura dela e acomodou a outra no bolso, ele parecia inteiramente à vontade (e lindo) posando para as fotos e era tarefa difícil não desviar a atenção dos fotógrafos para a admirá-lo.

Depois de alguns segundos, ele a puxou para a próxima sala, onde os jornalistas estavam acomodados, usando penas de repetição rápida e blocos de nota enfeitiçados para entrevistar outros convidados importantes. Nesse instante, se separaram e foram atender repórteres de diferentes revistas e jornais.

Draco, Hermione constatou com uma olhadela rápida, não respondia a perguntas apenas sobre sua vida pessoal. Ele parecia sério e compenetrado ao responder às perguntas do entrevistador.

– Hermione! Hermione! Sou E. Allen do Diário das Bruxas, poderia nos conceder uma pequena declaração?

Virou-se para, finalmente, deparar-se com a mulher, queria conhecê-la há tempos. Agora, esmagada pelos outros repórteres ela com certeza parecia mais frágil do que realmente era, Hermione percebeu. E. Allen tinha cabelos negros, cortados milimetricamente na altura do ombro. Os olhos verde-oliva eram bonitos, davam destaque ao rosto fino e ossudo demais na altura das bochechas. Suas roupas eram de cores neutras e usava, como os demais jornalistas, um crachá de identificação.

Hermione se aproximou, cautelosamente. Era melhor dizer de uma vez como estava seu relacionamento com Draco do que ficar alimentando possíveis futuras matérias em colunas de fofoca.

– Hermione, boa noite, como vai?

– Muito bem, você?

– É realmente uma bela noite, ainda mais abrilhantada pelo nosso novo e favorito casal. — E. Allen estava eufórica. — Você e Draco estão juntos há quanto tempo, exatamente?

– Pouco tempo.

– Mas é oficial, certo?

– Pode-se dizer que sim. — Pelo canto dos olhos, Hermione viu Draco se aproximando com um pouco de dificuldade, pois tinha de parar várias vezes para atender à imprensa.

– Então, já conhece os pais dele?

Nesse momento, a tensão em seu corpo poderia ser percebida de longe. O fato de Draco estar morando e levando uma vida totalmente independente na França não anulava a realidade que era ser um Malfoy. O loiro havia dito que contara a Narcissa sobre o relacionamento deles e, embora não tenha verbalizado, sabia que a preocupação dele na verdade era Lucius. O homem não mudara os ideais e Draco não se dava bem com ele, o Sr. Malfoy enxergaria o relacionamento deles como uma afronta.

– A Sra. Malfoy e eu conversamos há algum tempo, não resta mágoas entre nós, se é o que quer saber.

Na época não era nada de Draco, mas E. Allen não precisava saber disso. Antes que a mulher pudesse lhe fazer outra pergunta, Draco finalmente conseguiu chegar até onde estava. A atenção da repórter foi imediatamente voltada para ele.

Conciso e direto, Draco respondeu às perguntas sobre sua vida pessoal e só hesitou quando a Srta. Allen perguntou novamente se tinham planos de apresentar Hermione aos Malfoy.

– Não falamos sobre isso ainda, mas nada nos impede, certo?

– Um casal determinado, pelo que posso ver. — Hermione temeu novamente a próxima pergunta quando viu o sorriso malicioso de Allen. — Como está a Srta. Greengrass, Draco? As últimas notícias que temos é de que ela estava passando uma temporada nos EUA...

– Pelo que eu sei, ela está muito bem. Temos que ir, tenha uma boa noite.

Draco a puxou pelo braço e os dois saíram da sala, agradecendo mentalmente que outros convidados estavam entrando para distrair aqueles repórteres.

– E. Allen, hem?

Eles estavam diante do enorme hall do Ministério da Magia, especialmente decorado para a ocasião em tons de vermelho, azul e branco. A estátua de Joana D'Arc estava rodeada por mesas redondas e logo no fim do hall havia um púlpito alto onde um bruxo francês influente discursava sobre o quanto aquela data era importante. O lugar estava quase lotado, o que significava que realmente estavam atrasados.

– Só espero que ela não distorça minhas palavras. — Entrelaçaram os dedos e caminharam em direção a um grupo de homens e mulheres parados ao lado de um arranjo de flores brancas conversando distraidamente com seus copos de uísque e champanhe à mão.

– Ah, aí estão eles! — Anunciou Jean, se virando. Elise não estava com ele, mas supunha que estivesse devidamente acomodada entre várias madames tentando angariar fundos para seus projetos. — Estávamos falando de vocês.

– Espero que extremamente bem, Jean, eu tenho acesso ao seu café. — Disse Hermione, enquanto cumprimentava Irina Faucher.

– Na verdade, ele estava se vangloriando do fato de ter Hermione Granger como assistente. — Disse Irina.

– Jean tem esse péssimo hábito. — Comentou Hermione, no que o senhor deu de ombros e tomou um gole de seu uísque. Hermione viu um grupo de pessoas se aglomerar em uma mesa logo no início do hall e imaginou que fosse onde o Ministro estava.

– O Ministro está sendo especialmente simpático essa noite, ninguém costuma rodeá-lo assim? — Pelo visto, Draco estava prestando atenção à mesma movimentação que ela.

– Ah não, não, na verdade temos uma visita ilustre. Harry Potter. — Hermione encarou seu chefe, imediatamente, à procura de um traço de brincadeira e decepcionou-se quando percebeu que não havia nenhum. — E ele parece ter trazido uma caravana do Ministério Inglês.

– O quê?!

Seu corpo ficou, imediatamente, tenso à menção da presença de Harry ali. Draco a olhou, parecia estar lendo suas reações. Ele estava começando a ficar bom nisso. A mão em sua cintura a apertou discretamente e Hermione tentou normalizar a respiração e conter o desconforto.

– Há algum motivo especial para Potter participar dessa comemoração, Jean? — Perguntou Malfoy, racionalmente.

– Os boatos são de que Bertrand está tentando mudar algumas cláusulas no Acordo de Fronteiras e o Ministro Inglês mandou Potter para representá-lo. — Quem respondeu foi Irina, chefe do Departamento de Relações Exteriores, num tom de desprezo. Para ela, ingleses no geral eram oportunistas e aproveitadores. — Todos sabem que é o homem de confiança de Kingsley, mas é uma clara afirmação de que não pretende concordar com nenhuma de nossas propostas, pois Potter não tem poder para definir nada efetivamente.

– Na verdade, é uma clara afronta ao nosso Ministro, demonstra a falta de consideração de Kingsley em relação ao problema.

Falou um Conselheiro de porte alto e cabelos brancos, do qual Hermione não se lembrava o nome. Seus olhos rodavam o hall do Ministério à procura das figuras de Harry e possíveis conhecidos. A conversa então focou nos problemos entre os Ministérios Francês e Inglês e a partir daí não prestou mais atenção.

– Draco, vamos buscar uma bebida?

– Claro.

Hermione o puxou pela mão, desviando-se de algumas pessoas e não fazendo questão de cumprimentar alguns conhecidos, estava mais concentrada em encontrar algo para beber e tentar relaxar o próprio corpo.

– Está ciente de que não vai poder se esconder a festa inteira, certo? — Perguntou Draco, se apossando de dois copos de uísque de um garçom que passava por ali.

– Harry me internou em hospital psiquiátrico e nossa última conversa não foi exatamente legal. — Disse ela, depois de tomar um longo gole do líquido âmbar. — Nós... Só fomos sensatos nos últimos anos por que eu morava aqui e ele lá, foi preciso um país de distância para conter as nossas brigas. Foi um dos motivos para eu escolher vir para Paris, eu... Não sei lidar com esse Harry, Draco.

Tudo isso, dito num só fôlego, fez com que os olhos de Hermione lacrimejassem. As lembranças de seus últimos tempos na Inglaterra eram indesejadas, inapropriadas. Draco a encarou com um misto de pena e indignação e ela teve que respirar fundo para não verter nenhuma lágrima.

– Agora você precisa se acalmar, okay? — Draco a puxou para mais perto, acariciando seu rosto com uma das mãos. — Ele não vai fazer nada com você enquanto eu estiver aqui.

Hermione o abraçou, apoiando a cabeça em seu ombro, na tentativa de acalmar o próprio coração. Nunca imaginou ouvir algo parecido de Draco, mesmo naquele momento ele conseguia lhe fazer uma surpresa.

O resto da festa se arrastou para Hermione. Embora tentasse se distrair conversando com amigos e conhecidos sobre diversos temas, Harry sempre lhe vinha à mente. O avistou rapidamente, conversando com algumas pessoas do Ministério Francês, e se afastou o máximo que pôde.

Lindsay Poplin, em um vestido vermelho de paetês e usando os cabelos loiros num penteado elaborado, segurando uma taça de champanhe encarou Draco e ela com um olhar mortífero. Resolveu ignorá-la, pois até onde sabia a mulher não tinha real motivo para agir daquela maneira e havia coisas mais importantes para se preocupar.

Não estava se concentrando no diálogo que Draco mantinha com um Conselheiro, então pediu licença educadamente e foi ao banheiro. Debruçada sobre a pia, tentava resistir ao impulso de jogar água no rosto. Qualquer um que olhasse melhor poderia perceber que algo estava errado, mas nenhuma daquelas pessoas — exceto talvez Jean — não chegaria a essa conclusão.

Quando achou que já havia ficado tempo demais e que várias mulheres já tinham entrado e saído do banheiro enquanto ainda continuava ali, Hermione resolveu voltar para a festa, mas congelou assim que fechou a porta atrás de si. Bem à sua frente — saindo do banheiro masculino -, com os cabelos negros característicos e mais penteados do que se lembrava, estava Harry Potter.

Ele lhe sorriu, mas, para Hermione, não era um sorriso acolhedor, muito menos um sorriso de saudades. Parecia mais superior do que qualquer outra coisa enquanto ele ajeitava o terno e se aproximava. Ela não se moveu, teve a impressão que sequer respirou, quando Harry parou à sua frente.

– Ora, ora, faz tempo que não nos vemos.

Notas finais
Oieee, suas lindas!! Quero, primeiramente, pedir desculpas pelo atraso. Como eu avisei na outra fic, não tive tempo para escrever e as duas atrasaram, mas cá estamos!! Vocês gostaram?! Eu, especialmente, gostei desse capítulo, apenas não sei por quê? Parece estar um pouco diferente dos anteriores... Então, se descobrirem o por que disso, me digam também! kkkkkk Assim, eu acho que vocês devem ter percebido, mas se não... Teve várias partes de política intercaladas com a história, podem questionar se algo estiver errado, mas é que eu gosto muito e quando eu comecei o capítulo ainda estava no clima das eleições kkkkkkk Enfim, eu gostei e resolvi manter. Então, quem estava esperando a entrada deles (apareçam!!), gostaram?!! Eu realmente tentei fazer diferente da outra pelo fato de agora Hermione estar com Draco. GENTE, imagina esses dois posando juntos!! *_* Espero que tenham gostado! Outro tópico (hoje estamos cheios de tópicos), os comentários de vocês foram MARAVILHOSOS, eu amei responder cada um deles, espero que comentem tanto quanto o anterior me dizendo o que acharam. Ei, muitas vezes são vocês, leitoras, que me dão algumas ideias, então não se acanhem (essa palavra existe?! O.o), podem dizer o que acharam! Eu queria agradecer especialmente a Joy Malfoy pela linda recomendação e dizer que esse capítulo foi para você e obrigada pelos tantos elogios, de verdade, muito obrigada mesmo! *-* Bom!!! Acho que é SÓ isso por hoje kkkkk Espero que gostem tanto quanto eu gostei de escrever Bjão, galera, até mais!! :D