Hermione soltou um grunhido frustado ao encarar todos aqueles papéis sobre sua mesa. O dia estava acabando e ela não tinha terminado metade do que devia fazer. Esse era um dos males de tirar folga por causa das festividades de fim de ano. Todos ficam felizes, mas a volta para o trabalho exatamente no dia 2 de janeiro era um pé no saco.

O relógio já batia sete horas da noite e havia contrariado sua própria regra de não ficar no trabalho após o expediente. Até mesmo Jean já tinha ido embora. Porém, Hermione tinha certeza de que, se andasse pelo Ministério e procurasse bem, encontraria outro aventureiro como ela.

Se aventurar naqueles papéis repletos de burocracia não era sua ideia de diversão para uma noite de quarta-feira. Se demorasse ainda mais, ela estaria dormindo quando chegasse.

Coçou os próprios olhos, doloridos de cansaço, e suspirou obrigando-se a ler pelo menos mais um relatório. Entretanto, nem sua própria mente conseguia se concentrar nas palavras à sua frente então fechou a pasta, frustada.

– Acho que alguém precisa relaxar.

Hermione pulou de susto em sua cadeira e olhou para a porta onde Malfoy se encontrava, com aquele sorriso de canto característico de seu rosto perfeito.

– Malfoy! — Ofegante, ela levou as mãos ao peito. — Isso é jeito de entrar nas salas das pessoas?!

– Bom, eu teria que me anunciar em algum momento. — Ele aproximou-se, desabotoando o terno para se sentar à frente dela, sem sequer precisar de convite.

– O que está fazendo aqui?

Tudo bem, ela tinha tido tempo o bastante para pensar em tudo que ocorreu na festa de Natal de Jean, mas não havia chegado à conclusão nenhuma, então não queria ver Malfoy tão cedo. Estava incerta de como agir na frente dele, não sabia se fingia que havia bebido demais àquela noite e esquecido de tudo que havia acontecido naquele jardim ou se dava uma de mulher moderna e encarava tudo com naturalidade.

Por via das dúvidas, agiria como sempre agia na presença dele.

– Você me parecia estressada quando eu cheguei. — Ele franziu o cenho levemente e Hermione semicerrou os olhos.

– Não faça rodeios, não combina com você.

– Certo. — Ele se levantou e deu a volta na mesa, parando ao lado dela e apoiando-se folgadamente sobre a escrivaninha enquanto escondia as mãos no bolso. — Vim convidar você para jantar.

– Hoje?

– Sim.

Hermione ainda o encarou procurando algum vestígio de brincadeira, mas seus traços estavam despreocupados enquanto a encarava esperando uma resposta. Ela não precisava pensar muito para saber onde ele queria chegar com tudo aquilo. Malfoy já havia deixado seus interesses claros no dia da festa.

Só não sabia se queria ir adiante com o que haviam começado só por que se sentia atraída fisicamente por ele. É claro que sim, Malfoy era um homem bonito e atraente e as memórias dos beijos dele em sua pele ainda eram muito recentes.

– Eu... Não sei, Malfoy. — Levantou-se e deu às costas a ele com a desculpa de pegar o casaco e a bolsa no ármario embutido que havia ali, quando na verdade só não queria ter que encará-lo para não ceder tão facilmente. — É quarta-feira e... Eu não posso chegar tarde em casa.

– Por quê? — A voz dele estava mais perto do que devia e quando virou-se ele estava ali, há apenas alguns centímetros, e podia sentir seu perfume masculino. — Há alguém para quem você deva satisfações, Granger?

Hermione sentiu o coração acelerar e desviou o olhar do dele por que era pressão demais manter contato visual enquanto pensava em Sophie e no que diria a ela se demorasse ainda mais.

– De certa forma, sim.

Ele semicerrou os olhos e aproximou-se até tê-la contra a parede. Colocou os braços ao seu redor para que não pudesse ter escapatória e aproximou seus rostos.

– Quem?

Hermione fechou os olhos ao apoiar a cabeça na parede. O que diria a ele? Dizer ao Malfoy que tinha uma filha não estava em seus planos por que, em seu íntimo, sabia que ele não era a pessoa mais confiável do mundo.

Mesmo depois de tantas conversas e até mesmo um amasso, Malfoy era alguém imprevisível e não queria ter de envolver Sophie com a imprevisibilidade dele. Não tinha ideia de como ele reagiria ao saber que era mãe.

– Eu odeio você, Malfoy. — Abriu os olhos para encará-lo novamente e, suspirou, dando-se por vencida. — Vamos jantar.

Ele sorriu, convencido, e afastou-se para que Hermione pudesse pegar a bolsa.

– Mas saiba que eu só estou indo por que me pressionou. — Disse enquanto fechava a porta de seu departamento. — E eu não quero ir a nenhum lugar sofisticado demais.

– Está ficando exigente, Granger. — Ele riu e ambos subiram no elevador que ficava ali. — Sugira um lugar, então.

– Não sabe onde me levar, Malfoy?

O elevador os levou até uma sala pequena, que Hermione sabia estar "maquiada" de cinema em reforma e enfeitiçada para que os trouxas não ficassem tentados a entrar.

– Você pediu um lugar não sofisticado, você escolhe.

Finalmente saíram para as ruas de Paris, sentindo o vento frio bater diretamente contra seus rostos. Estavam no centro da cidade, não faltavam opções de onde podiam ir, mas ela já tinha um lugar em mente.

– Como sabia que eu ainda estava trabalhando?

– Encontrei Jean na casa do Ministro e ele comentou que hoje você trabalharia até mais tarde.

– Sei. — Ela semicerrou os olhos e o encarou colocando as mãos no bolso do casaco. — E Jean fala muito de mim para você, sr. Malfoy?

– Sempre quando surge a oportunidade.

– Ele quer me arranjar um casamento, sabia?

Falou, risonha, observando as reações de Malfoy. Mas, como sempre, não podia saber o que ele estava pensando simplesmente tentando ler suas expressões por que raramente elas denunciavam algo mais do que deveriam denunciar.

– Por quê? Ele acha que está... Carente? — Ele riu, ao pensar numa palavra que não a ofendesse, e Hermione sorriu parando e obrigando-o a parar de frente para ela.

– Ia dizer encalhada?

– Qualquer um pode ver que não está mesmo encalhada. — Comentou ele, lhe lançando um sorriso charmoso.

– Você é um idiota. — Ela revirou os olhos.- Chegamos.

Malfoy virou-se, surpreendendo-se ao perceber que ela o havia levado a uma mera pizzaria. Era um lugar discreto, com uma única porta iluminada e um toldo onde se lia o nome do dono do lugar: Franco's.

– Uma pizzaria, Granger?

– A melhor da cidade.

A parte de dentro era simples, tipicamente italiana, com tijolos à vista e mesas quadradas com tecidos de temática quadriculada em vermelho e verde. O lugar estava cheio, apesar de se tratar de uma quarta-feira.

– Oi, Laura! — A mulher que estava entretida mexendo em algo embaixo do balcão levantou-se imediatamente e sorriu.

– Hermione! Você sumiu, pensei que tinha nos esquecido. — Laura contornou o balcão e abraçou Hermione, continuando num sussurro. — Quem é esse gato com você?

Hermione viu Draco disfarçar o riso em um ataque de tosse.

– Este é o... Draco, um amigo. — Supôs que seria estranho apresentar Malfoy pelo sobrenome.

– Sei, sei. — Laura sorriu e balançou seus cabelos pretos de volta para o balcão. — Suponho que você e seu amigo queiram uma mesa, certo? Por aqui, queridos.

Laura era a mulher do Sr. Franco, embora todos achassem que era filha, e se conheciam desde que Hermione mudou-se para a França. Era uma mulher muito bonita com seus cabelos negros cacheados e olhos verdes e tinha personalidade muito forte. Suspeitava que boa parte dos clientes da Franco's frequentasse o lugar por causa de Laura e não pela pizza em si.

Ela encontrou uma mesa e os deixou a sós depois de mandar um dos garçons atendê-los. Hermione olhou em volta percebendo que haviam muitos casais nas mesas ao redor e que, se alguém reparasse em tal fato como ela certamente perceberia que estavam exatamente como eles.

– Sinceramente, achei que não aceitaria o convite. — Falou Malfoy tirando-a de seus devaneios sem sentido. Não pareciam um casal, fim.

– Normalmente, eu não aceitaria. Mas...

– Mas eu não me encaixo em "normalmente", compreendo.

– Mas, de qualquer maneira, você insistiria até que eu aceitasse. — Ele meneou a cabeça, como se concordasse com o que ela dizia.

– Sabe, eu tive a impressão de que você andou fugindo de mim nos últimos dias.

– Er... Sério? — Ele levantou uma sobrancelha, encarando-a com diversão. — Fugir não é bem a palavra certa. Eu estava... Me prevenindo, isso.

– É mesmo? Se prevenindo de quê?

– Ora, Malfoy, eu tenho meus motivos! — Disse, na defensiva, no que ele riu.

Não sabia se resistiria novamente a um segundo amasso com Malfoy, então no fim das contas estava prevenindo-se de si mesma. O que não adiantou de nada por que ele a pegou totalmente desprevenida e agora estava jantando com ele.

Minutos depois, a pizza que haviam pedido chegou juntamente com as bebidas de ambos. Hermione, sem cerimônia, pegou um pedaço com a mão enquanto Draco colocava o seu no prato.

– Assim é muito mais saboroso. — Disse, dando uma mordida em seu pedaço. Malfoy a olhou seriamente por alguns segundos e voltou-se para seu próprio pedaço. — Disse que estava na casa do Ministro. Quer dizer então que depois do negócio fechado vocês se tornaram amigos?

– Não, sou mais íntimo de Jean, você sabe. Mas às vezes o Ministro me convida para um chá das 5. — Ele riu, brevemente. — Aparentemente, ele quer me manter embaixo de suas asas.

– Essa é a característica mais forte dele. Ele quer garantir que você não deixe o Hospital na mão.

– Claro, claro. — Draco tomou um gole de sua coca-cola. — Falando em Ministro, Borgne deixou você em paz àquela noite?

– Lindsay Poplin cuidou para que sim.

– É mesmo? — Malfoy riu.

– Segundo fontes seguras, eles terminaram a noite juntos. — Hermione revirou os olhos. — Aposto que ela vazou a história de propósito.

– Hermione Granger e as fofocas do Ministério Francês. — Hermione riu, tomando um gole de sua bebida.

– É impossível não saber pelo menos uma!

Depois de alguns minutos, ambos terminaram de comer. Aquele foi o primeiro jantar em que não concentraram os diálogos em si mesmos e havia sido tão mais leve, sem preocupações e lembranças amargas do passado.

– Até mais, Laura. — Disse, quando dividiram a conta da pizza.

– Não suma novamente!

– Eu sempre volto.

– Não deixe ele escapar. — Disse a mulher lhe lançando uma piscadela enquanto gesticulava com a boca, no que Hermione apenas riu.

Saíram pela calçada, à procura de um lugar discreto onde pudessem aparatar. Não havia tanta gente na rua como nos horários comerciais, mas sempre tinha alguém passando, fosse um casal ou alguém apressado para chegar em casa.

– Por que me trouxe à uma pizzaria?

– Por que queria relaxar e um restaurante sofisticado não é o melhor local para isso. — Ela sorriu e lhe deu uma leve cotovelada nas costelas. — Não diga que não valeu a pena.

– Não ia dizer! — Disse ele, indignado.

Eles chegaram a uma interseção de ruas onde havia um pequeno espaço escuro entre dois prédios antigos e pararam, virando-se um para o outro.

– Obrigada pelo jantar, Malfoy.

Entretanto, quando ia virar-se para adentrar o beco escuro e aparatar, ele segurou sua mão e instantaneamente sentiu o coração disparar sem permissão.

Lentamente, Malfoy a virou para ele e segurou sua cintura mantendo-a perto enquanto levava a outra mão a sua nuca.

– Ah, meu Deus.

Disse, quase num gemido, ao sentir a respiração dele contra seu rosto, as lembranças da outra noite voltando como um furacão em sua mente. Malfoy sorriu malicioso e depositou um selinho em seus lábios.

– Eu quis beijar você a noite toda, Granger.

– Mesmo? — Ele depositou outro selinho, sugando seu lábio inferior suavemente enquanto fazia um som de concordância.

– Àquela noite... Quero terminá-la.

Hermione soltou um suspiro baixo quando ele sugou um ponto específico em seu pescoço e abriu os olhos para encará-lo. Ali, não havia sombras encobrindo seus olhos e podia perceber que ele falava sério.

Havia desejo estampado em seus olhos além de algo que não pode identificar. Entretanto, o desejo estava lá e era recíproco. Os olhos de Malfoy possuíam um tom acinzentado muito claro com finas matizes azuis e os lábios estavam tão próximos que era impossível pensar em resistir.

No instante seguinte, seus braços já estavam ao redor do pescoço dele e suas bocas estavam grudadas novamente, mas dessa vez para um beijo de verdade. Que ele estava esperando a noite toda e ela, apesar de não admitir, também.

Hermione sentiu quando ele andou lentamente até o beco, e antes que pudesse pensar, haviam aparatado. Não teve muito tempo para olhar onde estavam, mas pelo luxo supunha que fosse a casa dele.

Malfoy ainda tentou empurrá-la contra a parede enquanto se beijavam, mas Hermione foi mais esperta e localizou um sofá grande a apenas dois passos e inverteu a situação empurrando-o contra o mesmo e sentando-se em seu colo depois de livrar-se da bolsa e do casaco mais grosso enquanto ele fazia o mesmo com seu terno.

Suas bocas, porém, não conseguiam ficar tanto tempo longe uma da outra. Enquanto ele trabalhava em seu pescoço usando a língua e às vezes os dentes, ela tirava sua camisa de dentro da calça e começava a desabotoá-la.

Ele fez uma pausa para tirá-la e Hermione fez o mesmo com sua blusa, ficando apenas de calça e sutiã. Foi então que se deparou com o físico bem trabalhado de Malfoy. Desde quando ele malhava? Ele aproveitou sua distração para inverter as posições e no instante seguinte ela estava deitada no sofá com Malfoy sobre si.

A boca dele estava vermelha e seu cabelos bagunçados e Hermione só podia supor que não estava em melhores condições. Enquanto suas línguas travavam uma batalha quente, Hermione começou a desatar o cinto de Malfoy. Já havia aberto o primeiro botão da calça e estava partindo para o zíper quando um celular começou a tocar insistentemente.

Para sua infelicidade, tinha certeza que Malfoy não tinha celular.

– Meu celular...

– Deixe tocar. — Ele disse, sem se importar.

– Eu preciso atender. — Disse, quase lamentando-se. Só conhecia uma pessoa que ligaria para ela naquela linha. Com alguma dificuldade, tirou Malfoy de cima de si e levantou-se para alcançar a bolsa e o celular. — Alô?

– Srta. Granger, já passa das nove! Eu suponho que seu trabalho esteja muito bom para ficar aí até essa hora. — Nesse instante, Malfoy a puxou para sentar-se em seu colo e afastou seus cabelos para depositar uma trilha de beijos molhados em suas costas. — Srta. Granger?

– Oi! — Percebeu que estava se perdendo nas carícias de Malfoy e nem se concentrava na voz de Marie. — É que... Surgiu um imprevisto.

– Eu demoro quase duas horas para chegar até a minha casa.

– Tudo bem, eu... Já estou indo. — Hermione desligou o celular e o apertou com força quando Malfoy deslizou a língua sensualmente por seu pescoço. — Eu preciso ir, Malfoy.

– Não pode me deixar aqui assim, Granger. — Hermione gemeu ao senti-lo excitado embaixo de si. — O seu corpo diz que você quer ficar.

Uma das mãos dele traçou um caminho por sua barriga, mas Hermione levantou-se imediatamene quando ele conseguiu desabotoar o botão de sua calça.

– Não! — Rapidamente, alcançou sua blusa e a colocou o mais rápido possível. — Eu realmente preciso ir.

Colocou o casaco e o abotoou, pegando a bolsa e o celular em seguida. Sentia que Malfoy a observava em silêncio e quando o olhou não pode identificar o que ele pensava. Apenas... Sabia que não podia sair como se estivesse fugindo.

– Me leva até a porta?

Ele ainda semicerrou os olhos para ela antes de se levantar, suspirando. Podia ver os músculos das costas dele e, deus, amaldiçoava Marie por ter ligado para ela logo naquele momento.

Malfoy abriu a porta e Hermione parou em frente a ele antes de sair, definitivamente. O fato de ele não dizer nada a estava incomodando. Segurou-o pela nuca com uma das mãos e o beijou, sem cerimônia. Quando terminou, ainda roçou o nariz no dele gostando da sensação que a respiração descontrolada do loiro causava contra a sua.

– Está chateado?

– Não. — Hermione não identificou nada pelo tom de voz.

– Me desculpe. — Ainda lhe deu um último selinho antes de virar-lhe as costas, mas voltou-se para ele com um sorriso ironico. — Tome um banho frio, Malfoy.

Ele lhe devolveu o sorriso e fechou a porta em sua cara. Tudo bem, era "anti-ético" deixar um homem naquela situação e queria ter continuado, tanto quanto ele, mas não podia deixar Marie esperando ainda mais.

Então, ali mesmo do corredor, aparatou na esquina de sua casa.

Notas finais
Oi genteee!! Primeiramente, me desculpeeem???? Eu simplesmente sou uma burra e esqueci de postar o capítulo ontem, foi uma completa falta de atenção, mas... Estou aqui hoje, o capítulo é enorme e eu espero que vocês gostem!! :D Enfim, respondi a todos os comentários lindos de vocês, muito obrigada!! Espero ver vocês de novo depois desse capítulo!! Gente, eu preciso dizer uma coisa. Não consegui escrever nada depois desse capítulo, o que significa que o próximo poderá atrasar um pouquinho, tudo depende da minha criatividade essa semana, me desculpem mesmo. Então.... Dessa vez não tem spoiler :/ Enfim, espero que gostem desse capítulo, bjão!! :))